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sexta-feira, 13 de outubro de 2023

O labirinto de túneis em Gaza que Hamas diz ser maior que metrô de Londres

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Israel diz que está atacando partes de um labirinto secreto de túneis construídos sob a Faixa de Gaza pelo Hamas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 13 de outubro de 2023 às 13h50m

#.*Post. - N.\ 10.979*.#

Líder do Hamas em Gaza disse no passado que região tem 500 km de túneis — Foto: GETTY / BBC
Líder do Hamas em Gaza disse no passado que região tem 500 km de túneis — Foto: GETTY / BBC

Israel diz que está atacando partes de um labirinto secreto de túneis construídos sob a Faixa de Gaza pelo Hamas, enquanto continua a retaliar o ataque sem precedentes do grupo militante islâmico palestino no último sábado (9/10).

Pense na Faixa de Gaza como uma camada para os civis e outra camada para o Hamas. Estamos tentando chegar a essa segunda camada que o Hamas construiu, disse um porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) em um vídeo na quinta-feira.

Estes não são bunkers para civis de Gaza. São apenas para o Hamas e outros terroristas, para que possam continuar a disparar foguetes contra Israel, a planejar operações para lançar terroristas contra Israel, afirmou.

É muito difícil avaliar o tamanho da rede, apelidada por Israel de Metrô de Gaza e alojada sob um território que tem apenas 41 km de comprimento e 10 km de largura.

Após um conflito em 2021, as IDF disseram ter destruído mais de 100 km de túneis em ataques aéreos.

Entretanto, o Hamas afirmou que os seus túneis se estendiam por 500 km e que apenas 5% haviam sido atingidos.

Para referência, o metrô de Londres, um dos maiores do mundo, tem 400 km de comprimento e está majoritariamente acima do solo.

A construção dos túneis começou em Gaza antes de Israel retirar suas tropas e colonos em 2005.

Mas foi intensificada depois de o Hamas ter assumido o controle da Faixa, dois anos depois, o que levou Israel e o Egito a restringirem a entrada e saída de mercadorias e pessoas por razões de segurança.

No seu auge, quase 2.500 túneis que passam por baixo da fronteira egípcia foram usados para contrabandear bens comerciais, combustível e armas pelo Hamas e outros grupos militantes.

O contrabando ficou menos importante para Gaza depois de 2010, quando Israel começou a permitir a importação de mais mercadorias.

Mais tarde, o Egito encerrou o contrabando inundando ou destruindo os túneis.

Túneis foram escavados sob a fronteira egípcia para trazer todos os tipos de mercadorias e armas — Foto: Getty/BBC
Túneis foram escavados sob a fronteira egípcia para trazer todos os tipos de mercadorias e armas — Foto: Getty/BBC

O Hamas e outras facções começaram a cavar túneis para atacar as forças israelenses.

Em 2006, militantes usaram um deles sob a fronteira com Israel para matar dois soldados israelenses e capturar um terceiro, Gilad Shalit, que mantiveram em cativeiro durante cinco anos.

Em 2013, as IDF descobriram um túnel de 1,6 km de comprimento e 18m de profundidade revestido de concreto, depois que os moradores relataram ter ouvido "sons estranhos".

Ele ia da faixa até perto de um kibutz israelense.

No ano seguinte, Israel citou a necessidade de erradicar a ameaça de ataques de militantes que utilizam "túneis terroristas" sob a fronteira para justificar uma grande ofensiva aérea e terrestre em Gaza.

As IDF disseram que destruíram mais de 30 túneis na guerra. Mas um grupo de militantes também conseguiu usar um deles para organizar um ataque que deixou quatro soldados israelenses mortos.

Túneis de Gaza identificados por Israel em 2014 — Foto: Forças de Defesa de Israel, Google
Túneis de Gaza identificados por Israel em 2014 — Foto: Forças de Defesa de Israel, Google

"Os túneis que atravessam a fronteira tendem a ser rudimentares, o que significa que quase não têm qualquer fortificação. Eles são escavados com um propósito único: invadir o território israelense", diz Daphné Richemond-Barak, especialista em guerra subterrânea que leciona na Universidade Reichman, em Israel.

"Os túneis dentro de Gaza são diferentes porque o Hamas os utiliza regularmente. Provavelmente são mais confortáveis para que se permaneça neles por longos períodos. Estão definitivamente equipados para uma presença mais longa", diz

"Os líderes estão escondidos lá, têm centros de comando e controle, usam eles para transporte e linhas de comunicação. Estão equipados com eletricidade, iluminação e trilhos. É possível se movimentar mais e ficar de pé."

Ela diz que o Hamas parece ter aperfeiçoado a arteda construção de túneis e da guerra nos últimos anos, tendo aprendido muito com as táticas dos combatentes rebeldes sírios em Aleppo e dos militantes jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) em Mosul.

Acredita-se que os túneis dentro de Gaza estejam até 30 metros abaixo da superfície e tenham entradas nos andares inferiores de casas, mesquitas, escolas e outros edifícios públicos para permitir que os militantes evitem ser pegos.

A construção da rede também teve um custo para a população local. O FDI acusou o Hamas de desviar milhões de dólares doados a Gaza em ajuda para pagar os túneis, bem como dezenas de milhares de toneladas de cimento destinadas à reconstrução de casas destruídas em guerras anteriores.

É possível que um túnel transfronteiriço tenha sido utilizado por militantes do Hamas durante os ataques do fim de semana passado em Israel, nos quais pelo menos 1.300 pessoas foram mortas, a maioria delas civis, e mais de 150 outras foram feitas como reféns.

Houve relatos de que uma saída de túnel foi descoberta perto do kibutz de Kfar Aza, onde dezenas de civis foram massacrados.

Se for confirmado, o túnel teria sido construído sob a barreira subterrânea de concreto repleta de sofisticados sensores de detecção antitúnel que Israel instalou no final de 2021.

A especialista Richemond-Barak diz que isso seria um choque, mas ressalta que nenhum sistema de detecção de túneis é infalível. "É por isso que os túneis têm sido usados em guerras desde tempos imemoriais, porque não há como evitá-los."

Cerca na fronteira de Israel com Gaza — Foto: ONU
Cerca na fronteira de Israel com Gaza — Foto: ONU

Ela alerta que não é realista acreditar que será possível destruir toda a rede de túneis do Hamas em Gaza, enquanto centenas de milhares de soldados se concentram nas proximidades para uma possível operação terrestre.

"Haverá partes da rede onde os civis, por qualquer razão, não serão evacuados... Algumas partes da rede subterrânea são desconhecidas. E para algumas delas os danos colaterais serão demasiado elevados."

A destruição dos túneis também levará a uma perda significativa de vidas – incluindo forças israelenses no terreno, civis palestinos e reféns, diz ela.

Mais de 1.500 palestinos em Gaza, muitos deles civis, já foram mortos em ataques aéreos israelenses retaliatórios desde sábado.

"O Hamas é muito bom no uso de escudos humanos. Quando um ataque é iminente, eles colocam civis inocentes no topo dos edifícios. Isso forçou Israel a cancelar ataques muitas vezes", diz Richemond-Barak.

"O Hamas poderia facilmente usar essa técnica no contexto dos túneis e simplesmente colocar reféns israelenses, americanos e outros dentro deles."

Durante o conflito de 2021, uma série de ataques aéreos devastadores na cidade de Gaza derrubou três edifícios residenciais, matando 42 pessoas. As IDF disseram que tinham como alvo túneis subterrâneos, mas que quando eles desabaram, as fundações do edifício também desabaram.

Três edifícios desabaram na cidade de Gaza em 2021, depois que túneis próximos foram atingidos por um ataque aéreo israelense — Foto: AFP
Três edifícios desabaram na cidade de Gaza em 2021, depois que túneis próximos foram atingidos por um ataque aéreo israelense — Foto: AFP

Saiba mais nos vídeos:

Brasileira de 20 anos integra exército de Israel
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As fronteiras de Israel explicadas em mapas

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O que é Kibutz?
O que é Kibutz?
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Trilhões de toneladas de gelo derretem de plataformas protetoras da Antártida, aponta estudo

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Quatro dúzias de plataformas de gelo da Antártida encolheram pelo menos 30% desde 1997 e 28 delas perderam mais de metade do seu volume nesse período
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TOPO
Por Associated Press

Postado em 13 de outubro de 2023 às 11h25m

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Quatro dúzias de plataformas de gelo da Antártida encolheram pelo menos 30% desde 1997 e 28 delas perderam mais de metade do seu gelo nesse período — Foto: NASA via AP
Quatro dúzias de plataformas de gelo da Antártida encolheram pelo menos 30% desde 1997 e 28 delas perderam mais de metade do seu gelo nesse período — Foto: NASA via AP

Quatro dúzias de plataformas de gelo da Antártida encolheram pelo menos 30% desde 1997 e 28 delas perderam mais de metade do seu volume nesse período, relata um novo estudo que pesquisou estes guardiões cruciais entre as enormes geleiras do continente congelado e as regiões abertas do oceano.

Das 162 plataformas de gelo do continente, 68 tiveram uma redução significativa entre 1997 e 2021, enquanto 29 cresceram, 62 não mudaram e três perderam massa, mas não de uma forma que os cientistas possam dizer que mostra uma tendência significativa, de acordo com um estudo publicado na quinta-feira (12) na revista Science Advances.

Esse gelo derretido, que geralmente envolve geleiras maiores atrás dele, vai, então, para o mar. Os cientistas temem que o degelo provocado pelas alterações climáticas na Antártida e na Groenlândia provoque um aumento perigoso e significativo do nível do mar ao longo de muitas décadas e séculos.

Saber exatamente como e quanto gelo está sendo perdido nessas plataformas flutuantes protetoras é um passo fundamental para entender como a Antártica está evoluindo, disse o cientista de gelo da Universidade do Colorado, Ted Scambos, que não fez parte do estudo.

Scambos disse que a pesquisa fornece informações sobre a água doce que está derretendo no Mar de Amundsen – a região chave da Antártica para o aumento do nível do mar – o que não só aumenta a altura do oceano, mas o torna menos denso e salgado.

Os maiores culpados foram os icebergs gigantes que se romperam em 1999, 2000 e 2002 e que eram do tamanho de Delaware, disse ele. O estudo também analisa o derretimento do gelo a partir da água quente abaixo.

As plataformas de gelo são extensões flutuantes de geleiras que agem como guardiões e impedem que a geleira maior flua mais rapidamente para a água, disse o principal autor do estudo.

Ao todo, as plataformas de gelo da Antártida perderam cerca de 8,3 trilhões de toneladas (7,5 trilhões de toneladas métricas) no período de 25 anos, concluiu o estudo. Isso equivale a cerca de 330 bilhões de toneladas (300 trilhões de toneladas métricas) por ano e é semelhante a estudos anteriores.

Mas o total geral não é a história real, disse o principal autor do estudo, Benjamin Davison, glaciologista da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

O que é mais importante, disse ele, são os padrões de perda individual de prateleira. O novo estudo mostra as perdas profundas, com quatro glaciares a perderem mais de um bilião de toneladas na península e no lado ocidental do continente.

Alguns deles perderam muita massa ao longo do tempo, disse Davison. Wordie mal é mais uma plataforma de gelo.

A plataforma de gelo Wordie, que retém quatro glaciares perto da ponta da Península Antártica, sofreu um grande colapso em 1989, mas perdeu 87% da sua massa restante desde 1997, descobriu Davison. A vizinha Larsen A perdeu 73% e Larsen B 57%. A maior das plataformas de gelo Larsen, Larsen C, perdeu 1,8 bilhões de toneladas (1,7 trilhões de toneladas métricas) de gelo, cerca de um oitavo da sua massa.

A maior perda de todas está na plataforma de gelo de Thwaites, que retém a geleira apelidada de Doomsday porque está derretendo muito rápido e é muito grande. A plataforma perdeu 70% da sua massa desde 1997 – cerca de 4,1 trilhões de toneladas (3,7 trilhões de toneladas métricas) – no Mar de Amundsen.

As plataformas de gelo que cresceram estavam predominantemente no lado leste do continente, onde existe um padrão climático que isola a terra das águas mais quentes, disse Davison. As plataformas de gelo a leste cresciam mais lentamente do que as plataformas que perdiam gelo a oeste.

É difícil relacionar a perda individual de uma plataforma de gelo diretamente com as alterações climáticas causadas pelo homem, mas espera-se um desgaste constante à medida que o mundo aquece, disse ele.

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quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Hamas x Israel: ataques a civis e bloqueio de comida são proibidos pela ONU desde 1977 e considerados crimes de guerra

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ONU emitiu nota alertando que o bloqueio coloca em perigo a vida de civis e que é proibido. E classificou a situação do conflito como 'barril de pólvora'. Atitude é considerada crime de guerra e pode levar Israel ao Tribunal Penal Internacional.
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Por Poliana Casemiro, Arthur Stabile — São Paulo

Postado em 12 de outubro de 2023 às 08h35m

#.*Post. - N.\ 10.977*.#

Palestinos em meio a destruição na Faixa de Gaza — Foto: AP Photo/Hatem Ali
Palestinos em meio a destruição na Faixa de Gaza — Foto: AP Photo/Hatem Ali

A resposta de Israel ao ataque do grupo terrorista Hamas atingindo civis e com bloqueio de comida e água aos palestinos é proibida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1977 (entenda mais abaixo). A organização emitiu uma nota alertando para a proibição.

👉Antes: Israel foi atacado pelo grupo terrorista Hamas, que é composto por palestinos. Com isso, o país contra-atacou a Faixa de Gaza e impôs cerco total impedindo acesso a eletricidade, comida, água e gás. Israel é signatário da Convenções de Genebra, que não é o caso dos palestinos - reconhecidos como estado observador que não é membro oficial da ONU. Com isso, Israel é cobrado por cumprir as regras.

Nesta terça-feira (10), o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk disse em um comunicado à imprensa que a imposição dos cercos feitos por Israel em Gaza é proibido.

A imposição de cercos que coloca em perigo a vida de civis, privando-os de bens essenciais à sua sobrevivência, é proibida pelo direito humanitário internacional.
— Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.

Türk classificou a situação como um 'barril de pólvora' e reforçou que os dois lados do conflito precisam cessar o ataque aos civis.

Todas as partes devem respeitar o direito humanitário internacional. Devem cessar imediatamente os ataques contra civis", disse.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também emitiu pedindo que os palestinos tivessem assistência humanitária e acesso à saúde.

O que está acontecendo agora

Após o ataque do Hamas que deixou centenas de israelenses mortos, Israel contra-atacou. A ação atingiu prédios públicos e matou outras dezenas de pessoas na Faixa de Gaza. Após a resposta armada, o país ainda disse que adotaria outras medidas.

O ministro da defesa de Israel, Yoav Galant, ordenou ainda o bloqueio total em Gaza e disse: "sem eletricidade, sem alimentos e combustível". Ele afirmou que a medida faz parte de um movimento contra pessoas violentas.

O território de Gaza é quase todo cercado por Israel, com um parte conectada ao Egito. Por ali, ainda é possível entrada de alimentos e insumos.

As regras na guerra

👉Em 1949, a ONU estabeleceu regras para proteger combatentes de guerra. As regras fazem parte das Convenções de Genebra, uma série de protocolos criados inicialmente no século 19 e atualizados ao longo do século passado. As principais atualizações ocorreram após a Segunda Guerra Mundial.

Em 1977, a organização criou dois protocolos para incluir também regras que protegessem a população civil em locais em guerra e garantisse a entrada de socorro humanitário. São protegidos pelas regras:

  • Feridos, enfermos, trabalhadores de saúde e religiosos
  • Militares feridos e náufragos
  • Prisioneiros de guerra

Israel é um dos países que assinou o acordo, além de outras 168 nações. Com isso, precisam cumprir as regras e estão sujeitos ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

O texto baseia a definição de crimes de guerra no Estatuto de Roma, tratado que estabeleceu a criação do Tribunal Penal Internacional (responsável por julgar possíveis crimes de guerra) e que está em vigor desde 2002.

Os países devem respeitar:

  • Tratamento humano para todos os indivíduos em poder do inimigo
  • Proíbe assassinatos, mutilações, torturas, tratamento cruéis, humilhantes e degradantes, tomada de reféns e julgamentos parciais.
  • Tratamento e recolhida para feridos, enfermos e náufragos
  • As partes do conflito devem pôr em vigor a totalidade ou partes das Convenções de Genebra

Imagens da guerra entre Hamas e Israel, com ataques na Faixa de Gaza e movimentação de tropas militares — Foto: Adel Hana/AP; Mohammed Salem/Reuters; Violeta Santos Moura/Reuters; Ibraheem Abu Mustafa/Reuters; Saleh Salem/Reuters

Não é a primeira vez que Israel determina bloqueio à Faixa de Gaza:

  • 🚫 Em 2001, a ONU alertou que bloqueios de Israel provocavam fome e pobreza na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, outro território palestino.
  • 🚫 Seis anos mais tarde, quando o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, o governo israelense restringiu a entrada de mantimentos para algo em torno de um quarto do volume de importações que chegavam na região em 2005.
  • 🚫Em 2009 operações militares causaram prejuízo na ordem de US$ 180 milhões à agricultura do país, conforme divulgado à época pela ONU.

Após a série de infrações, em 2019 o TPI anunciou investigação contra Israel por crime de guerra no conflito. A investigação também incluiu o grupo palestino terrorista. No entanto, ainda não houve conclusão.

O curto prazo deve ser catástrofe humanitária, diz ex-correspondente em Israel
O curto prazo deve ser catástrofe humanitária, diz ex-correspondente em Israel

O que não pode fazer durante a guerra:

  • Ataque intencional à população civil
  • Tortura e outros tratamentos desumanos, como experiências biológicas
  • Tomada de reféns
  • Saquear cidade ou localidade
  • Matar ou ferir combatente rendido
  • Uso de veneno ou armas envenenadas, gás asfixiante ou materiais tóxicos
  • Cometer ato de violação ou escravidão sexual
  • Utilizar a fome como método de combate
  • Atacar, destruir, tirar ou pôr fora de uso bens indispensáveis à sobrevivência, como comida e água
  • Atacar barragens, diques e centrais nucleares
  • Ato de hostilidade contra monumentos históricos, obras de arte ou lugares de culto
  • Ordenar deslocamentos forçados relacionado ao conflito
  • Proibir auxílio médico da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho
  • Proibir ações de socorro humanitário
  • Recrutar ou alistar menores de 15 anos nas Forças Armadas
Ex-juíza de Haia diz que ações são crimes de guerra

Para a ex-juíza do Tribunal de Haia, corte internacional que julga crimes contra a humanidade, Sylvia Steiner, a morte indiscriminada de civis palestinos no contra ataque é crime de guerra.

São milhões de habitantes em Gaza e um número ínfimo o de aderentes ao grupo. Esses ataques indiscriminados de Israel como resposta contra a população civil palestina é um crime de guerra.
— Sylvia Steiner, ex-juíza do Tribunal de Haia

A ex-juíza diz que no cenário do conflito a distinção é difícil porque o Hamas é um grupo armado e nem sempre usa identificação. Apesar disso, reforça que o poderio e inteligência militar de Israel torna possível uma posição dentro das regras.

A situação de guerra não é tão simples. Mas temos regras que protegem a população que está no meio do conflito, civis que são vítimas. Gaza tem mais de 2 milhões de pessoas e um número ínfimo nesse total está ligado ao Hamas. Por seu poderio, Israel poderia agir evitando vítimas inocentes, comenta.

A posição é reforçada pelo professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e integrante do grupo de estudos sobre conflitos internacionais, Rodrigo Amaral, também afirma que as ações são "evidentemente consideradas crimes humanitários".

A morte de civis não deve ser lida como efeito colateral da guerra. Quando falamos de Israel, estamos falando de um estado hipermilitarizado, que tem tecnologia para fazer ataques que respeitem as regras e se proteja.
— Rodrigo Amaral, professor da PUC e integrante do grupo de estudos sobre conflitos internacionais

Na visão do especialista, o cerco à Faixa de Gaza pode ser enquadrado como "crime contra a humanidade" por atingir uma população de 2 milhões de pessoas palestinas que são submissas ao controle do Hamas, mas nem todos integram o grupo extremista. Assim, seriam considerados civis sem relação com o conflito Hamas x Israel.

"Não estamos vendo isso no debate porque Israel está do lado ocidental. Por estar desse lado, não vamos ver qualquer coisa no tribunal internacional contra autoridades israelenses. O que vemos hoje e que é perigoso é um endossamento da comunidade ocidental internacional", afirmou Amaral.

Além de Israel bloquear a entrega de suprimentos, a União Europeia anunciou que interrompeu o envio de ajuda humanitária para os palestinos na Faixa de Gaza.

Prédios em Gaza foram bombardeados por forças de Israel nesta segunda (9) — Foto: Mohammed Salem/Reuters
Prédios em Gaza foram bombardeados por forças de Israel nesta segunda (9) — Foto: Mohammed Salem/Reuters

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