Total de visualizações de página

domingo, 28 de agosto de 2022

Rio Jordão, onde Jesus foi batizado, hoje é só um fio d'água

<<<===+===.=.=.= =---____---------   ----------____---- -----____::____   ____= =..= = =..= =..= = =___   ____::____------ -----_____----------   ---------____---.=.=.=.= +====>>>


Turistas e peregrinos, muitos deles movidos pela fé, vêm seguir os passos de Cristo, tocar as águas do rio, e se conectar aos acontecimentos bíblicos.
------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----
TOPO
Por Mariam Fam, Associated Press

Postado em 28 de agosto de 2022 às 12h25m

 #.*Post. - N.\ 10.447*.#

Uma vaca atravessa o Rio Jordão, perto do Kibbutz Karkom, no norte de Israel, sábado, 30 de julho de 2022 — Foto: Oded Balilty/AP
Uma vaca atravessa o Rio Jordão, perto do Kibbutz Karkom, no norte de Israel, sábado, 30 de julho de 2022 — Foto: Oded Balilty/AP

Kristen Burckhartt estava embevecida. Ela precisava de tempo para refletir, para deixar assentar a ideia de que havia acabado de mergulhar os pés nas águas onde Jesus teria sido batizado, no Rio Jordão.

É muito profundo, disse a visitante de 53 anos, do estado americano de Indiana. Eu nunca havia andado por onde Jesus andou, para começo de conversa.

Aqui, turistas e peregrinos, muitos deles movidos pela fé, vêm seguir os passos de Cristo, tocar as águas do rio, e se conectar aos acontecimentos bíblicos.

Simbólica e espiritualmente, o rio tem um poderoso significado para muitas pessoas. Fisicamente, porém, o Baixo Rio Jordão é atualmente muito mais minguado do que poderoso.

Peregrinos cristãos entram nas águas do Rio Jordão durante uma cerimônia de batismo que faz parte da Festa da Epifania Ortodoxa, no local de batismo Qasr al-Yahud, próximo à cidade de Jericó, na Cisjordânia — Foto: Oded Balilty/AP
Peregrinos cristãos entram nas águas do Rio Jordão durante uma cerimônia de batismo que faz parte da Festa da Epifania Ortodoxa, no local de batismo Qasr al-Yahud, próximo à cidade de Jericó, na Cisjordânia — Foto: Oded Balilty/AP

Quando chega ao local do batismo, suas águas cada vez mais escassas parecem lentas, em um tom opaco de verde amarronzado.

Seu declínio está interligado a décadas de conflito árabe-israelense e à disputa pela preciosa água em um vale onde tantas coisas são contestadas.

Um trecho do rio, por exemplo, era uma fronteira hostil entre Israel e Jordânia quando estavam em guerra. O curso d’água também separa a Jordânia, a leste, da Cisjordânia, de ocupação israelense, tomada por Israel durante a guerra de 1967 e pleiteada pelos palestinos para constituição de um Estado.

Ele (o rio) é definitivamente uma vítima do conflito. É uma vítima das pessoas, porque é o que fizemos ao rio como pessoas, basicamente, e agora além disso é uma vítima das mudanças climáticas, explica Yana Abu Taleb, diretora na Jordânia da organização EcoPeace Oriente Médio, que reúne ambientalistas jordanianos, palestinos e israelenses e pressiona pela colaboração regional para salvar o rio. Então, ele é uma vítima em todos os sentidos.

O cristão sírio Zuhair Al-Sahawi mergulha uma mão na água do local de batismo Betânia do Além-Jordão, na margem oriental do Rio Jordão, na Jordânia — Foto: Raad Adayleh/AP
O cristão sírio Zuhair Al-Sahawi mergulha uma mão na água do local de batismo Betânia do Além-Jordão, na margem oriental do Rio Jordão, na Jordânia — Foto: Raad Adayleh/AP

Há anos a EcoPeace diz que o Baixo Jordão, que corre para o sul saindo do Mar da Galileia, está ameaçado por décadas de desvios de água e poluição. Apenas uma ínfima fração do fluxo histórico de água chega atualmente à sua desembocadura no Mar Morto.

De pé no local de batismo jordaniano de Betânia do Além-Jordão, Burckhartt enfrentou muitas emoções – entre elas, a tristeza pela diminuição do rio.

Tenho certeza que Deus, lá em cima, também está triste.

As margens opostas abrigam locais de batismo rivais onde acontecem rituais de fé, um reflexo do duradouro fascínio exercido pelo rio.

Vista dos prédios em Al-Maghtas, ou Betânia do Além-Jordão, na margem oriental do Rio Jordão, na Jordânia — Foto: Raad Adayleh/AP
Vista dos prédios em Al-Maghtas, ou Betânia do Além-Jordão, na margem oriental do Rio Jordão, na Jordânia — Foto: Raad Adayleh/AP

O rio tem ainda mais significado como cenário de milagres no Antigo Testamento.

No local de batismo jordaniano, recentemente, uma mulher mergulhou os pés na água e pegou um pouco com as mãos, esfregando-a no rosto e na cabeça. Outros fizeram o sinal da cruz ou se debruçaram para encher garrafas.

Rustom Mkhjian, diretor-geral da Comissão do Local de Batismo da Jordânia, falou apaixonadamente sobre a alegação de autenticidade pela Jordânia – a UNESCO declarou o local um Patrimônio da Humanidade de imensa importância religiosa para a maioria das denominações da fé cristã, que aceitaram este local como o lugar onde Jesus foi batizado.

Todos os anos celebramos a harmonia inter-religiosa, e entre os dias mais felizes da minha vida estão aqueles em que vejo judeus, cristão e muçulmanos visitarem este local, e todos eles chorarem, diz Mkhjian.

Olga Bokkas, uma visitante de Connecticut, EUA, entra nas águas do Rio Jordão no local de batismo Qasr al-Yahud, próximo à cidade de Jericó, na Cisjordânia — Foto: Oded Balilty/AP
Olga Bokkas, uma visitante de Connecticut, EUA, entra nas águas do Rio Jordão no local de batismo Qasr al-Yahud, próximo à cidade de Jericó, na Cisjordânia — Foto: Oded Balilty/AP 

Tanto o local jordaniano quanto o da Cisjordânia dão aos visitantes acesso a uma faixa estreita do rio, de onde se vê as pessoas do outro lado. Uma bandeira israelense em Qasr al-Yahud, na Cisjordânia, lembra que o rio é uma fronteira separando os dois mundos.

Esse local também é divulgado como o lugar onde Jesus foi batizado. Jordânia e Israel, que assinaram um acordo de paz em 1994, competem pelos dólares do turismo dessas pessoas.

Várias pessoas com túnicas brancas esvoaçantes entraram na água, vindas da Cisjordânia. Visitantes de outro grupo ficaram de pé na margem ou na água enquanto dois homens vestidos de preto derramavam água do rio sobre suas cabeças.

Oh, Brothers, let’s go down. (...) Down in the river to pray (Ah, irmão, vamos até lá. (...) Lá no rio rezar, uma tradicional canção gospel americana), cantaram algumas pessoas.

Esses momentos serenos contrastam com as trocas de hostilidades que já aconteceram nas margens do rio.

Qualquer água doce deixada no rio seria vista no passado como forma de fortalecer o inimigo, diz Gidon Bromberg, diretor em Israel da EcoPeace Oriente Médio. Você leva tudo que pode.

Turistas visitam Al-Maghtas, ou Betânia do Além-Jordão, na margem oriental do Rio Jordão, na Jordânia — Foto: Raad Adayleh/AP
Turistas visitam Al-Maghtas, ou Betânia do Além-Jordão, na margem oriental do Rio Jordão, na Jordânia — Foto: Raad Adayleh/AP

Israel, de uma perspectiva histórica, levou aproximadamente metade da água, e Síria e Jordânia, a outra metade, segundo Bromberg.

Os palestinos não podem mais acessar o Rio Jordão ou usar sua água, observou um relatório ONU-Alemanha de 2013. De acordo com o relatório, a Síria também não tem acesso, mas construiu barragens na sub-bacia do Rio Yarmouk, que faz parte da bacia do Rio Jordão.

No passado, o Rio Jordão representava para os palestinos um meio de subsistência, estabilidade econômica e crescimento, conta Nada Majdalani, diretora na Palestina da EcoPeace. Agora, acrescenta, ele foi reduzido a uma ambição de estado e soberania sobre recursos hídricos.

O declínio do rio, segundo ela, é especialmente decepcionante para os palestinos mais velhos, que se lembram de como pescavam, como mergulhavam no rio.

Um sacerdote ortodoxo sérvio batiza um peregrino nas águas do rio Jordão, perto da cidade de Jericó, na Cisjordânia. Centenas de cristãos ortodoxos participaram do ritual como parte de sua peregrinação da Páscoa para a Terra Santa — Foto:  Gali Tibbon/AFP
Um sacerdote ortodoxo sérvio batiza um peregrino nas águas do rio Jordão, perto da cidade de Jericó, na Cisjordânia. Centenas de cristãos ortodoxos participaram do ritual como parte de sua peregrinação da Páscoa para a Terra Santa — Foto: Gali Tibbon/AFP 

Bromberg diz que na tradição judaica, o rio e suas margens são um lugar de milagres (...) ele não reflete um lugar de milagres em seu atual estado de esvaziamento.

Em julho, Israel aprovou planos para reabilitar um trecho do Baixo Jordão, uma decisão que a ministra do Meio Ambiente, Tamar Zandberg, considerou histórica.

Por décadas, ele foi negligenciado e a maior parte de suas águas foi levada, até que ele efetivamente se transformou em um canal de esgoto, disse ela em uma declaração. Em uma era de crise climática e de graves crises ecológicas, há uma dupla importância na reabilitação do Rio Jordão.

Por telefone, Zandberg disse que o projeto se concentra sobre um trecho que corre em território israelense e reflete a melhora na situação hídrica de Israel em decorrência de seu programa de dessalinização, que deixou o país muito menos dependente da água que usava do Mar da Galileia.

Ele pode proporcionar uma história de sucesso nesse setor, e então permitir mais parcerias bem-sucedidas no futuro na região.

É algo que nem sempre aconteceu com facilidade.

Um plano diretor regional de reabilitação e desenvolvimento, anunciado em 2015 pela EcoPeace, entre outros, foi adotado pela Jordânia, mas não por israelenses e palestinos, em razão de questões pendentes no processo de paz, de acordo com a organização.

Tensões políticas paralisaram outras iniciativas.

E o trabalho da EcoPeace não recebe o acolhimento, nem a confiança, de todos.

Sempre somos acusados de ser normalizadores, por ter relações normais com Israel, conta Abu Taleb, a diretora do grupo na Jordânia. É um tema polêmico, detestado por muitos árabes por fatores como as ocupações israelenses e a falta de solução para a questão palestina.

Bromberg conta que também recebe críticas de uma minoria barulhenta em Israel, acusando indevidamentea defesa de interesses pelo grupo de beneficiar jordanianos e palestinos às custas dos interesses israelenses.

Os problemas hídricos também complicam os esforços de revitalização.

A Jordânia é um dos países com maior escassez de água no mundo, e seus desafios são agravados por uma população em crescimento, acrescida de ondas de refugiados. As mudanças climáticas ameaçam exacerbar esses problemas.

Estamos sob estresse, não temos um excedente para acrescentar ao Rio Jordão e revitalizá-lo, explica Khalil Al-Absi, jordaniano que trabalha na Autoridade do Vale do Jordão. Ele acrescenta: Temos muitas belas ideias para o Rio Jordão, mas existem limitações.

Apesar de todos os desafios que o rio enfrenta, Al-Absi afirma permanecer otimista. A alternativa seria terrível.

Água é vida, diz Al-Absi. Sem água, não há vida.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

Artemis I: entenda importância da missão da Nasa que vai voltar à Lua 50 anos depois do programa

<<<===+===.=.=.= =---____---------   ----------____---- -----____::____   ____= =..= = =..= =..= = =___   ____::____------ -----_____----------   ---------____---.=.=.=.= +====>>>


Apollo Na segunda-feira, o foguete 'mais poderoso de todos os tempos' fará um voo de teste sem tripulação ao redor da Lua, mas empreitada tem riscos e pode ser interrompida.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por g1

Postado em 28 de agosto de 2022 às 07h00m

 #.*Post. - N.\ 10.446*.#

À esquerda na montagem está o foguete Saturno V, com a espaçonave Apollo 12 a bordo, na plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy, em 1969. À direita está o novo foguete lunar da Nasa para o programa Artemis, com a espaçonave Orion no topo, no Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, Flórida, em 18 de março de 2022. — Foto: AP
À esquerda na montagem está o foguete Saturno V, com a espaçonave Apollo 12 a bordo, na plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy, em 1969. À direita está o novo foguete lunar da Nasa para o programa Artemis, com a espaçonave Orion no topo, no Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, Flórida, em 18 de março de 2022. — Foto: AP

Nesta segunda-feira (29), às 9h33 (horário de Brasília), um foguete de 98 metros de comprimento vai decolar do Centro Espacial Kennedy, no estado americano da Flórida. O destino? A Lua.

O foguete, o mais poderoso da história da história da Nasa, marca o início da missão Artemis I – parte de uma nova etapa de exploração lunar que quer levar humanos de volta à superfície da Lua, 50 anos após o programa Apollo. E o objetivo vai além: chegar, no futuro, a Marte.

A missão desta segunda ainda não é tripulada, mas é altamente simbólica para a Nasa – que, hoje, não tem mais os soviéticos como concorrentes (como em 1969, quando Neil Armstrong pisou na Lua pela primeira vez) – e sim a China e concorrentes privados, como a SpaceX, de Elon Musk.

Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, em foto de 2016. — Foto: Jose Jordan/AFP
Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, em foto de 2016. — Foto: Jose Jordan/AFP

Se tudo correr bem, entretanto, astronautas da agência espacial americana poderão se preparar para, em 2024, dar uma volta ao redor do satélite natural da Terra. A Nasa pretende pousar duas pessoas na superfície lunar até o final de 2025.

Mas os funcionários da agência alertam que o voo, um teste de seis semanas, é arriscado e pode ser interrompido se algo falhar.

"Vamos fazê-lo fazer coisas que nunca faríamos com uma equipe, para tentar torná-lo o mais seguro possível, disse o chefe da Nasa, Bill Nelson, à Associated Press na última quarta-feira (24).

O astronauta da Nasa Stanley Love deu uma entrevista à agência de notícias Reuters explicando um pouco sobre os riscos:

"O ponto principal do voo não acontece até os últimos minutos, quando voltamos a mergulhar na atmosfera da Terra, depois de cair da Lua a algo como 24 mil milhas por hora [cerca de 39 mil km/h], 5 mil graus [Fahrenheit, cerca de 2.750ºC] naquele escudo térmico", disse.

E a missão também não saiu barata: foram mais de 4 bilhões de dólares (cerca de R$ 20 bilhões). Se considerados os custos desde o início do programa, há dez anos, até o pouso na Lua, em 2025, são 93 bilhões de dólares (cerca de R$ 471 bilhões).

Veja, abaixo, 5 pontos sobre o voo da Artemis I:

  • Foguete
A Lua se põe em frente ao foguete Artemis da Nasa, com a espaçonave Orion a bordo, no bloco 39B do Centro Espacial Kennedy, em 15 de junho de 2022. — Foto: AP Photo/John Raoux
A Lua se põe em frente ao foguete Artemis da Nasa, com a espaçonave Orion a bordo, no bloco 39B do Centro Espacial Kennedy, em 15 de junho de 2022. — Foto: AP Photo/John Raoux

O novo foguete é mais curto e mais fino do que os Saturno V, que lançaram 24 astronautas da Apollo à Lua há 50 anos – mas é mais poderoso, com 4 milhões de kg de empuxo. Ao contrário do Saturno V, aerodinâmico, o novo foguete tem um par de propulsores refeitos dos ônibus espaciais da Nasa.

  • Cápsula

Com 3 metros de altura, a cápsula Orion é mais espaçosa que a cápsula da Apollo, acomodando quatro astronautas em vez de três.

Para o voo de teste, um manequim em tamanho real em um traje de voo laranja ocupará o assento do comandante, equipado com sensores de vibração e aceleração. Dois outros manequins, feitos de material que simula tecido humano – cabeças e torsos femininos, mas sem membros – medirão a radiação cósmica, um dos maiores riscos dos voos espaciais.

Ao contrário do foguete, a Orion já foi lançado antes, dando duas voltas ao redor da Terra em 2014.

  • Plano de voo

O voo da Orion deve durar seis semanas, desde a decolagem na Flórida até o pouso no Pacífico. Levará quase uma semana para chegar à Lua, a 386 mil quilômetros de distância.

Depois de girar próximo da Lua, a cápsula entrará em uma órbita distante, ficando a 450 mil quilômetros da Terra – mais longe do que Apollo.

O grande teste ocorre no final da missão, quando Orion atinge a atmosfera a 40 mil km/h a caminho de um mergulho no Pacífico. O escudo térmico usa o mesmo material das cápsulas Apollo para suportar temperaturas de reentrada de 2.750ºC. O design avançado antecipa os retornos mais rápidos e mais quentes das futuras tripulações que irão a Marte.

  • 'Passageiros'

Além dos três bonecos de teste, o voo tem uma série de "passageiros clandestinos" para pesquisas no espaço profundo.

Dez satélites do tamanho de uma caixa de sapatos serão lançados assim que a Orion for arremessada em direção à Lua. A Nasa espera que alguns falhem, dada a natureza de baixo custo e alto risco deles.

Em uma saudação de volta ao futuro, a Orion carregará algumas lascas de rochas lunares coletadas por Neil Armstrong e Buzz Aldrin, da Apollo 11, em 1969, e um parafuso de um de seus motores de foguete, recuperados do mar há uma década.

  • Apollo vs. Artemis

Mais de 50 anos depois, a missão Apollo ainda é a maior conquista da Nasa. Usando tecnologia da década de 1960, a agência espacial americana levou apenas oito anos para lançar à Lua seu primeiro astronauta, Alan Shepard, e até o pouso de Neil Armstrong e Buzz Aldrin.

Doze astronautas da Apollo andaram na Lua de 1969 a 1972, permanecendo não mais que três dias de cada vez.

Por outro lado, Artemis já se arrasta há mais de uma década. Para a nova missão, a Nasa vai usar um grupo diversificado de astronautas – atualmente com 42 pessoas – e está estendendo o tempo que as equipes passarão na Lua para, pelo menos, uma semana. O objetivo é criar uma presença lunar de longo prazo.

A agência promete anunciar as primeiras tripulações lunares assim que a Orion estiver de volta à Terra.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

sábado, 27 de agosto de 2022

Último sobrevivente de seu povo, 'Índio do Buraco' é encontrado morto em Rondônia

<<<===+===.=.=.= =---____---------   ----------____---- -----____::____   ____= =..= = =..= =..= = =___   ____::____------ -----_____----------   ---------____---.=.=.=.= +====>>>


Corpo foi encontrado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) no dia 23 de agosto. O indígena conhecido como "índio solitário" ou "índio do buraco" vivia sozinho há quase 30 anos, depois que os últimos membros de seu povo foram mortos por fazendeiros.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Jaíne Quele Cruz, g1 RO

Postado em 27 de agosto de 2022 às 18h05m

 #.*Post. - N.\ 10.445*.#

Último sobrevivente de seu povo, 'Índio do Buraco' é encontrado morto em RondôniaÚltimo sobrevivente de seu povo, 'Índio do Buraco' é encontrado morto em Rondônia

O indígena conhecido como Índio Tanaru” ou “Índio do Buraco, que vivia sozinho e isolado há quase 30 anos em Rondônia, foi encontrado morto pela Fundação Nacional do Índio (Funai) na última terça-feira (23). A informação foi confirmada pelo órgão na tarde deste sábado (27).

Segundo a Funai, "o corpo do indígena foi encontrado dentro da sua rede de dormir em sua palhoça localizada na Terra Indígena Tanaru", durante a ronda de monitoramento e vigilância territorial realizada pela equipe da FPE Guaporé/Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC).

Em nota, a Fundação informou que "não havia vestígios da presença de pessoas no local, tampouco foram avistadas marcações na mata durante o percurso". Além disso, não havia sinais de violência ou luta.

A Polícia Federal (PF) esteve no local e realizou a perícia com a presença de especialistas do Instituto Nacional de Criminalística (INC) de Brasília e apoio de peritos criminais de Vilhena (RO).

O indígena era o único sobrevivente da sua comunidade, de etnia desconhecida. A Funai disse ainda que "lamenta profundamente a perda do indígena" e que a causa da morte será confirmada por laudo médico legista da PF.

Povo extinto e ameaça a indígenas isolados

Ivaneide Bandeira, ambientalista e fundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, participou do processo de localização do índio do buraco, que aconteceu há mais de 20 anos. Para ela, o caso coloca em evidência as ameaças às quais os indígenas isolados são submetidos.

Os seus territórios estão sendo invadidos, eles estão sendo expulsos sem nenhuma garantia de vida. É muito triste o que aconteceu com o índio isolado do Tanaru. Ele não aceitava de forma nenhuma o contato com essa sociedade que massacra e leva à extinção vários povos indígenas, comentou.

Ivaneide lamenta, sobretudo, a extinção de mais uma etnia indígena no país. Algo que, segundo ela, não acontecia há anos.

Quem é o "índio do buraco”?

Oíndio do buraco vivia sozinho há quase 30 anos, depois que os últimos membros de seu povo foram mortos por fazendeiros em 1995. Ele foi visto a primeira vez um ano depois, em 1996, pela Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé (FPE Guaporé), sediada em Alta Floresta do Oeste (RO).

Ele vivia na Terra Indígena (TI) Tanaru, próximo à divisa de municípios no sul de Rondônia, mais precisamente em Corumbiara, distante a pouco mais de 700 quilômetros de Porto Velho.

Imagens do indígena são extremamente raras. Um vídeo gravado por agentes da Funai em 2018, mostra ele apenas de longe.

Índio Isolado da TI Tanaru - O sobrevivente que a Funai acompanha há 22 anosÍndio Isolado da TI Tanaru - O sobrevivente que a Funai acompanha há 22 anos

Os registros mais recorrentes são das suas moradias conhecidas como tapiris, geralmente construídas com cascas de madeira, palmeiras e troncos, coberta com palha do chão ao teto. Uma característica curiosa dos locais onde ele ficava é a existência de um buraco. Foi assim que surgiu o nome índio do buraco.

Buraco cavado pelo índio isolado. Funai acredita que construção seja por ação religiosa.  — Foto: Reprodução/Funai
Buraco cavado pelo índio isolado. Funai acredita que construção seja por ação religiosa. — Foto: Reprodução/Funai

Leia a nota da Funai na íntegra:

"A Fundação Nacional do Índio (Funai) informa, com imenso pesar, o falecimento do indígena conhecido como Índio Tanaru ou Índio do buraco, que vivia em isolamento voluntário e era monitorado e protegido pela Funai por meio da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé, no estado de Rondônia, há cerca de 26 anos. O indígena era o único sobrevivente da sua comunidade, de etnia desconhecida.

O corpo do indígena foi encontrado dentro da sua rede de dormir em sua palhoça localizada na Terra Indígena Tanaru, no último dia 23 de agosto, durante a ronda de monitoramento e vigilância territorial realizada pela equipe da FPE Guaporé/Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC). Não havia vestígios da presença de pessoas no local, tampouco foram avistadas marcações na mata durante o percurso.

Também não havia sinais de violência ou luta. Os pertences, utensílios e objetos utilizados costumeiramente pelo indígena permaneciam em seus devidos lugares. No interior da palhoça havia dois locais de fogo próximos da sua rede. Seguindo a numeração da lista de habitações do Índio Tanaru registradas pela Funai ao longo de 26 anos, essa palhoça é a de número 53, seguindo o mesmo padrão arquitetônico das demais, com uma única porta de entrada/saída e sempre com um buraco no interior da casa.

O exame de local de morte foi realizado pela perícia da Polícia Federal, com a presença de especialistas do Instituto Nacional de Criminalística (INC) de Brasília e apoio de peritos criminais de Vilhena (RO). As atividades foram acompanhadas por servidores da Funai. Nos trabalhos, foram utilizados equipamentos como drone e escâner 3D, além de serem coletados diversos vestígios e o corpo do indígena, que serão analisados pelo INC em Brasília.

A Funai lamenta profundamente a perda do indígena e informa ainda que, ao que tudo indica, a morte se deu por causas naturais, o que será confirmado por laudo de médico legista da Polícia Federal."

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

O desastre que poluiu as águas da 'praia mais bonita do México'

<<<===+===.=.=.= =---____---------   ----------____---- -----____::____   ____= =..= = =..= =..= = =___   ____::____------ -----_____----------   ---------____---.=.=.=.= +====>>>


Incêndio de um navio, que não deveria estar na região, provocou vazamento de combustível em área classificada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por BBC

Postado em 27 de agosto de 2022 às 13h50m

 #.*Post. - N.\ 10.444*.#

Incêndio de um navio, que não deveria estar na região, provocou vazamento de combustível em área classificada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco — Foto: CORTESIA DO GOVERNO DA BAIXA CALIFÓRNIA DO SUL/via BBC
Incêndio de um navio, que não deveria estar na região, provocou vazamento de combustível em área classificada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco — Foto: CORTESIA DO GOVERNO DA BAIXA CALIFÓRNIA DO SUL/via BBC

Os mexicanos estão testemunhando um desastre que atingo um de seus tesouros naturais, a praia Balandra, considerada a "mais bonita" do país.

A praia foi fechada devido a um vazamento de combustível causado pelo incêndio de uma embarcação de passeio que, de acordo com a legislação nacional, não poderia estar ali.

As autoridades enviaram dezenas de funcionários para tentar limpar o local, que desde 2012 detém não apenas o título de "área de proteção de flora e fauna", mas também de Patrimônio Mundial concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura).

O incidente preocupa os habitantes do estado de Baixa Califórnia do Sul — localizado na Península da Baixa Califórnia, a noroeste do país — para quem os milhares de turistas que, ano após ano, chegam atraídos pelas famosas águas azul-turquesa das praias representam uma importante fonte de renda.

Sem vítimas

O vazamento que tingiu de preto as águas azuis e as areias brancas de pelo menos três praias do parque Balandra ocorreu na noite de sábado (20/8), quando um barco identificado como Fortius pegou fogo.

Oito turistas que viajavam na embarcação e quatro tripulantes foram resgatados ilesos, informou a imprensa local.

Globo Repórter chega ao Golfo do México após jornada pelo Rio MississippiGlobo Repórter chega ao Golfo do México após jornada pelo Rio Mississippi

As causas do acidente permanecem desconhecidas. No entanto, o fato de o iate, com mais de 24 metros de comprimento e quase 6 de largura, ter afundado com diesel em seus tanques, levanta temores de que o derramamento continue.

"A embarcação afundada também deve ser resgatada, para não contaminar mais, embora a Marinha já tenha feito uma contenção para que [a mancha de combustível] não continue se espalhando", declarou o governador de Baixa Califórnia do Sul, Víctor Castro Cosío, após o incidente.

Em um primeiro comunicado, as autoridades da Área Natural Protegida de Balandra, a Procuradoria Federal de Proteção Ambiental (Profepa), a Capitania dos Portos e a Secretaria da Marinha admitiram que a quantidade de combustível derramado é "considerável".

Avaliações contraditórias

Dias após o vazamento, as autoridades não informaram sobre a extensão da área afetada ou quando os trabalhos de limpeza poderão ser concluídos e se este importante centro turístico poderá ser reaberto.

Dezenas de pessoas participam dos trabalhos de limpeza nas praias do Parque Balandra, que as autoridades não informaram quando terminarão — Foto: CORTESIA DO GOVERNO DA BAIXA CALIFÓRNIA DO SUL/via BBC
Dezenas de pessoas participam dos trabalhos de limpeza nas praias do Parque Balandra, que as autoridades não informaram quando terminarão — Foto: CORTESIA DO GOVERNO DA BAIXA CALIFÓRNIA DO SUL/via BBC

Apesar de tudo isso, há quem avalie positivamente o desempenho das autoridades governamentais.

"Todas as autoridades agiram corretamente em tempo hábil", garantiu Alberto Guillén, da Rede de Observadores Cidadãos, um dos primeiros grupos civis que compareceu ao local do ocorrido e colaborou na evacuação dos turistas.

Guillén, que é biólogo marinho, avalia que em alguns dias a limpeza dos resíduos de superfície estará concluída. No entanto, esclareceu que isso não implicará na reabertura de Balandra.

"Devemos avaliar o impacto no fundo do mar", diz, acrescentando que na quarta-feira (24/8) mergulhadores da Universidade Autônoma da Baixa Califórnia realizaram uma incursão ao fundo do mar para determinar a magnitude dos danos causados ​​pelo combustível derramado.

Mais crítico, Miguel Rivas, diretor de santuários marinhos da organização Oceana, considerou que o acidente revela que a legislação ambiental é uma "letra morta".

"Os regulamentos da Área Protegida não permitem a presença de barcos a motor na área, mas esta embarcação estava lá e, aliás, foi numa altura em que os visitantes não são permitidos", explicou à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

O Programa de Gestão da Área de Proteção da Flora e Fauna Balandra para a Área Natural Protegida, lançado em outubro de 2015, proíbe o "uso de veículos motorizados" na área.

Balandra é considerada a 'praia mais bonita do México' por suas águas azul-turquesa e areias brancas, mas também é um refúgio para uma enorme diversidade de flora e fauna — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
Balandra é considerada a 'praia mais bonita do México' por suas águas azul-turquesa e areias brancas, mas também é um refúgio para uma enorme diversidade de flora e fauna — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Rivas também qualificou como "lamentáveis" ​​as declarações do governador Castro Cosío, que tentou inocentar os proprietários da embarcação.

"Esse tipo de evento não pode ser previsto, foi um incêndio em um barco. Acho que toda a comunidade entende que foi um acidente. Poderia ter acontecido a um carro na cidade e derramado gasolina. Os donos, coitados, também tiveram perdas", disse o governador.

"O que aconteceu prova que a nossa regulamentação é muito boa no papel, mas que na prática não é cumprida. A falta de vigilância e fiscalização tem permitido esta situação", diz o ativista.

Evitar novos derramamentos

Se divergem sobre outros temas, os ativistas concordaram, porém, que punições devem ser impostas aos proprietários do iate danificado.

"Devem ser impostas multas exemplares aos proprietários do navio para que reparem os danos e evitem que esse tipo de situação se repita no futuro", diz Rivas.

Demandas semelhantes também foram ouvidas no Congresso. O deputado Eduardo Van Wormer Castro exigiu todo o peso da lei para os responsáveis ​​pelo desastre e para a reorganização da área, informou o jornal El Independiente.

Balandra não é apenas importante economicamente pelo seu valor turístico, mas também é de grande importância ambiental. A razão? É um santuário para baleias, golfinhos e outras espécies marinhas, e contém três dos quatro tipos de manguezais do México.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----