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sexta-feira, 3 de junho de 2022

Cem dias da invasão russa da Ucrânia: veja os momentos-chave da guerra

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Em pouco mais de três meses, foco do conflito mudou, mas rastro de destruição é imenso. Relembre os principais acontecimentos.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 03 de junho de 2022 às 06h50m

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Svetlana Savchenko ao lado do prédio destruído onde seu apartamento estava localizado em Mariupol, em março — Foto: Reuters/Alexander Ermochenko
Svetlana Savchenko ao lado do prédio destruído onde seu apartamento estava localizado em Mariupol, em março — Foto: Reuters/Alexander Ermochenko

Veja os principais acontecimentos desde o início da invasão russa da Ucrânia, que completa 100 dias nesta sexta-feira (2) e já deixou milhares de mortos.

Início da invasão

Presidente Putin anuncia ofensiva militar em pronunciamento televisionado; ele instou os soldados ucranianos a se renderem e voltarem para casa — do contrário, a própria Ucrânia seria culpada pelo derramamento de sangue, e acrescentou que o conflito entre as forças russas e ucranianas são 'inevitáveis' e 'apenas uma questão de tempo' — Foto: Reuters
Presidente Putin anuncia ofensiva militar em pronunciamento televisionado; ele instou os soldados ucranianos a se renderem e voltarem para casa — do contrário, a própria Ucrânia seria culpada pelo derramamento de sangue, e acrescentou que o conflito entre as forças russas e ucranianas são 'inevitáveis' e 'apenas uma questão de tempo' — Foto: Reuters

Em 24 de fevereiro, o presidente Vladimir Putin anuncia uma "operação militar" para defender as "repúblicas" separatistas do Donbass no leste ucraniano, cuja independência tinha acabado de reconhecer unilateralmente.

As forças terrestres russas então penetram no território ucraniano.

No dia 26, o exército russo recebe a ordem de intensificar a ofensiva.

A União Europeia anunciou a primeira compra e entrega de armas à Ucrânia. Os ocidentais aplicam sanções econômicas contra a Rússia cada vez mais rígidas.

Mapa mostra locais da Ucrânia que foram bombardeados em primeiro ataque feito pela Rússia — Foto: Arte g1
Mapa mostra locais da Ucrânia que foram bombardeados em primeiro ataque feito pela Rússia — Foto: Arte g1

Primeiras negociações

No dia 28, Moscou e Kiev iniciam negociações.

Vladimir Putin exige o reconhecimento da Crimeia como território russo, um "status neutro" para a Ucrânia e sua "desnazificação". Moscou busca há meses garantias de que Kiev jamais integrará a Otan.

Em 2 de março, tropas russas chegam a Kharkiv (norte), segunda maior cidade do país. Ao sul, Kherson, próxima da Crimeia, fica sob controle russo.

Soldados russos em Kherson, na Ucrânia — Foto: Olexandr Chornyi/AP
Soldados russos em Kherson, na Ucrânia — Foto: Olexandr Chornyi/AP

No dia 8, o presidente americano, Joe Biden, decreta um embargo sobre o gás e o petróleo russos.

No dia 10, os líderes dos 27 países-membros descartam uma rápida adesão da Ucrânia à UE, exigida pelo presidente Volodimir Zelensky, ao mesmo tempo em que abrem as portas para estreitar os laços.

Mariupol cercada

04/04 - Soldados de tropas pró-Rússia recolhem corpos para levar a necrotério em Mariupol — Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko
04/04 - Soldados de tropas pró-Rússia recolhem corpos para levar a necrotério em Mariupol — Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko

No dia 21, Bruxelas denuncia "um grande crime de guerra" em Mariupol, um porto estratégico no Mar de Azov.

Dezenas de milhares de pessoas estão presas lá. Uma maternidade, depois um teatro onde os civis estão abrigados são bombardeados.

Vista de Teatro de Mariupol atingido por ataque na Ucrânia, na quarta-feira (16).  — Foto: Reuters
Vista de Teatro de Mariupol atingido por ataque na Ucrânia, na quarta-feira (16). — Foto: Reuters

No dia 24, a Otan decide equipar a Ucrânia contra a ameaça química e nuclear e reforça suas defesas em seu flanco leste.

No dia seguinte, Moscou anuncia que estava se concentrando na "libertação do Donbass".

Horror em Bucha

Em 2 de abril, a Ucrânia anuncia ter retomado o controle da região de Kiev após a retirada das forças russas, que se deslocam para o leste e o sul do país.

Imagens de drone mostram tanques atirando na direção de um ciclista em BuchaImagens de drone mostram tanques atirando na direção de um ciclista em Bucha

Em diversos locais próximos de Kiev, como Bucha, a descoberta de dezenas de cadáveres de civis provoca forte reação internacional.

No dia 8, um bombardeio da estação de trem de Kramatorsk (leste) deixa 57 mortos.

Vídeo mostra momento do bombardeio em estação de trem de Kramatorsk, na UcrâniaVídeo mostra momento do bombardeio em estação de trem de Kramatorsk, na Ucrânia

Navio russo afundado

No dia 14, os ucranianos alegam ter atingido com mísseis o Moskva, principal navio de guerra da frota russa no Mar Negro. Segundo Moscou, o navio afundou após um incêndio causado pela explosão de munição a bordo.

No dia 21, Vladimir Putin reivindica o controle de Mariupol, mas cerca de 2 mil soldados ucranianos, entrincheirados no complexo siderúrgico Azovstal com mil civis, ainda resistem.

Foto divulgada em redes sociais mostra o que seria o navio russo Moskva momentos antes de afundar — Foto: Reprodução
Foto divulgada em redes sociais mostra o que seria o navio russo Moskva momentos antes de afundar — Foto: Reprodução

No dia 27, o exército ucraniano reconhece um avanço russo no leste, com a captura de várias cidades nas regiões de Kharkiv e Donbass.

Candidatura à Otan

Em 3 de maio, forças russas e pró-russas lançaram um "poderoso ataque" contra a siderúrgica Azovstal.

No dia 8, sessenta pessoas foram dadas como desaparecidas após o bombardeio de uma escola na região de Luhansk.

No dia 18, Suécia e Finlândia apresentam seus pedidos de adesão à Otan.

No dia 19, o Congresso americano libera US$ 40 bilhões para apoiar o esforço de guerra ucraniano.

No dia seguinte, o G7 promete US$ 19,8 bilhões de dólares para ajudar Kiev.

Azovstal sob controle russo

No dia 20, Moscou anuncia o controle da Azovstal. De acordo com Kiev, Mariupol está 90% destruída e pelo menos 20 mil pessoas morreram na cidade.

Siderúrgica de Azovstal, em Mariupol, com uma densa camada de fumaça preta por cima do telhado — Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko TPX IMAGES OF THE DAY/File Photo/File Photo
Siderúrgica de Azovstal, em Mariupol, com uma densa camada de fumaça preta por cima do telhado — Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko TPX IMAGES OF THE DAY/File Photo/File Photo

A leste, as cidades de Severodonetsk e Lyssytchansk constituem o último bastião de resistência ucraniana na região de Lugansk, no Donbass.

No dia 23, um soldado russo foi condenado em Kiev à prisão perpétua no primeiro julgamento por crimes de guerra desde o início da invasão.

Soldado russo, de 21 anos, durante o primeiro julgamento por crimes de guerra contra a Rússia, no qual foi condenado, em 13 de maio de 2022 — Foto: Viacheslav Ratynskyi/ Reuters
Soldado russo, de 21 anos, durante o primeiro julgamento por crimes de guerra contra a Rússia, no qual foi condenado, em 13 de maio de 2022 — Foto: Viacheslav Ratynskyi/ Reuters

As forças russas intensificam sua ofensiva no Donbass.

No dia 28, Moscou confirma a tomada por separatistas pró-russos da localidade chave de Lyman. As forças russas controlam "parte" de Severodonetsk, segundo o governador regional no dia 31.

Embargo do petróleo russo

Os líderes da UE chegam a um acordo no dia 30 para reduzir as importações de petróleo russo em cerca de 90% até o final do ano.

Depois de impor a mesma medida à Finlândia, Bulgária e Polônia, a russa Gazprom suspende suas entregas de gás para a Holanda no dia 31, diante da recusa de pagamento em rublos.

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quinta-feira, 2 de junho de 2022

PIB do Brasil avança 1% no 1º trimestre, impulsionado por serviços

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Nível da atividade econômica alcança patamar 1,6% acima do período pré-pandemia, mas ainda está 1,7% abaixo da melhor marca histórica, alcançada em 2014.
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Por Darlan Alvarenga e Daniel SIlveira, g1

Postado em 02 de junho de 2022 às 11h00m

 #.*Post. - N.\ 10.350*.#

Pessoas transitam pela rua 25 de Março, tradicional região de comércio em São Paulo, em 26 de março de 2022  — Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press via Estadão Conteúdo
Pessoas transitam pela rua 25 de Março, tradicional região de comércio em São Paulo, em 26 de março de 2022 — Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press via Estadão Conteúdo

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1% no 1º trimestre, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, conforme divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Frente ao mesmo trimestre de 2021, o avanço foi de 1,7%. Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 2,249 trilhões.

Trata-se do terceiro resultado positivo seguido, depois do recuo registrado no segundo trimestre de 2021 (-0,2%). O avanço, porém foi menor que o alcançado no 1° trimestre do ano passado (1,1%) frente ao 4º trimestre de 2020.

Veja no gráfico:

Variação trimestral do PIB desde 2017 — Foto: Arte g1
Variação trimestral do PIB desde 2017 — Foto: Arte g1

O resultado representa uma aceleração frente aos trimestre anteriores, impulsionada pelo setor de serviços – o mais impactado pela pandemia e de maior peso na economia –, que ainda tem encontrado espaço para recuperar o nível de atividade pré-Covid, apesar dos impactos da inflação e dos juros altos.

De acordo com o IBGE, com esse resultado, o PIB está 1,6% acima do patamar do quatro trimestre de 2019, período pré-pandemia, e 1,7% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica do país, registrado no primeiro trimestre de 2014, o que equivale ao patamar observado em meados de 2013.

"Isso significa que a gente mais que superou a retração que teve com a pandemia, mas ainda não foi suficiente para recuperar o patamar anterior à crise de 2016", destacou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Mediana de pesquisa do jornal "Valor Econômico" com 82 instituições financeiras e consultorias projetava uma alta de 1% para o PIB do 1º trimestre, em relação ao 4º trimestre de 2021. Já a expectativa de pesquisa da Reuters era de avanço de 1,2%.

O IBGE revisou os dados trimestrais de 2021. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a alta do PIB nos 3 primeiros meses do ano passado foi de 1,1%, diferente do crescimento de 1,4% divulgado anteriormente.

Já a queda registrada no segundo trimestre foi revisada de -0,3% para -0,2%. No terceiro trimestre, houve crescimento de 0,1,% em vez de queda de 0,1%. Já a alta do 4º trimestre passou de 0,5% para 0,7%.

No acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 4,7%, comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é o principal indicador usado para medir a evolução da economia (entenda como ele é calculado).

Principais destaques do PIB do 1º trimestre:

  • Serviços: 1%
  • Indústria: 0,1%
  • Agropecuária: -0,9%
  • Consumo das famílias: 0,7%
  • Consumo do governo: 0,1%
  • Investimentos: -3,5%
  • Exportações: 5%
  • Importação: -4,6%
Inflação freia crescimento

Principal destaque do PIB no primeiro trimestre de 2022, o setor de serviços – o de maior peso na economia brasileira – foi beneficiado pelo aumento no consumo das famílias, que cresceu tanto na comparação com o 4º trimestre (0,7%) quanto em relação ao 1º trimestre de 2021 (2,2%). Mas esse crescimento poderia ter sido ainda maior, não fosse a inflação tão alta.

A gente só não tem como calcular quão maior esse consumo poderia ter sido sem o impacto da inflação, enfatizou a gerente da pesquisa Rebeca Pallis.

Esse desempenho do consumo das famílias se deve, segundo a pesquisadora, ao comportamento do mercado de trabalho, que vem andando de lado”.

A gente tem um crescimento importante da ocupação, mas com os rendimentos reais em queda. O consumo das famílias é muito direcionado pela massa salarial, que por sua vez é muito influenciada pela inflação, enfatizou.

Rebeca apontou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país, acumulado em 12 meses ficou 10,7% acima do registrado no primeiro trimestre de 2021. Associada à inflação, a taxa básica de juros passou de 2% para 10,1% ao ano.

Análise setorial

Entre os grandes setores, houve queda na agropecuária (-0,9%), variação perto da estabilidade na indústria (0,1%) e elevação dos serviços (1%).

Pela ótica da despesa, a o consumo das famílias cresceu 0,7%, o consumo do governo teve variação de 0,1% e os investimentos caíram 3,5%.

O setor de serviços representa 70% do PIB do país. Dentro dos serviços, o maior crescimento foi de outros serviços, que tiveram alta de 2,2%, no trimestre, e comportam muitas atividades dos serviços prestados às famílias, como alojamento e alimentação. Muitas dessas atividades são presenciais e tiveram demanda reprimida durante a pandemia, explicou a coordenadora da pesquisa.

PIB sob a ótica da oferta — Foto: Arte g1
PIB sob a ótica da oferta — Foto: Arte g1

Também houve avanço no PIB dos serviços de transporte, armazenagem e correio (2,1%), comércio (1,6%), atividades imobiliárias (0,7%) e administração, saúde e educação pública (0,6%). Os únicos recuos foram em informação e comunicação (-5,3%) e na intermediação financeira e seguros (-0,7%).

Segundo o IBGE, o setor de turismo e viagens também contribuiu para o crescimento dos serviços no 1º trimestre, com avanço no transporte de passageiros, sobretudo o aéreo, além de alojamento e alimentação.

Frente ao primeiro trimestre do ano passado, os serviços avançaram 3,7%, com alta na maior parte de suas atividades, com destaque para "outras atividades" (12,6%), que foram beneficiadas pela reabertura da economia e retomada da demanda por serviços presenciais.

Queda na agropecuária e nas indústrias extrativas

Segundo o IBGE, a queda de 0,9% da agropecuária é explicada principalmente pela estiagem no Sul, que causou a diminuição na estimativa da produção de soja, a maior cultura da lavoura brasileira.

Na indústria, o único desempenho negativo ocorreu nas indústrias extrativas (-3,4%). Houve avanço nas atividades de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (6,6%), indústrias de transformação (1,4%) e construção (0,8%).

Na comparação interanual, o IBGE apontou que o recuo de 8% da agropecuária foi puxado, principalmente, pela queda nas safras da soja (-12,2), do arroz (-8,5%), de fumo (-7,3%) e de mandioca (-2,7%).

Já o recuo de 1,5% da indústria se deve, sobretudo, à queda na produção de máquinas e aparelhos elétricos (a indústria de transformação recuou 4,7%) e à queda na extração de minérios ferrosos (a indústria extrativa recuou 2,4%).

A construção, por sua vez, avançou 9% na comparação interanual e registrou avanço de 12,8% no número de trabalhadores ocupados. O IBGE atribui este avanço às obras públicas, aceleradas em ano eleitoral.

PIB sob a ótica da demanda — Foto: Arte g1
PIB sob a ótica da demanda — Foto: Arte g1

Consumo cresce e investimento cai

O consumo, tanto das famílias quanto do governo, avançou pelo segundo trimestre seguido – respectivamente de 2,1% para 2,2%, e de 2,8% para 3,3%.

Já os investimentos mantiveram trajetória de piora, com queda de 3,5% frente aos 3 meses anteriores e de 7,2% na comparação interanual.

No primeiro trimestre, a taxa de investimento foi de 18,7% do PIB, ficando abaixo da registrada no mesmo período do ano passado (19,7%). Essa queda foi impactada pela diminuição na produção e importação de bens de capital, apesar de a construção ter crescido no período, destacou a pesquisadora.

Nesta divulgação do IBGE não foram incluídas as Contas Econômicas Integradas (que inclui a taxa de poupança e taxa de necessidade de financiamento do país) e a Conta Financeira Trimestral (que mostra quais ativos foram mais usados para financiar a economia do país).

Essa duas contas são muito focadas no balanço de pagamentos mas, por conta da não divulgação do balanço de pagamentos de março pelo Banco Central, desta vez não foi possível incluí-las nesta divulgação, afirmou Pallis, citando os impactos da greve dos servidores nas divulgações do BC.

Padovani: PIB do trimestre é resultado do ambiente global positivo, mas quadro não parece promissorPadovani: PIB do trimestre é resultado do ambiente global positivo, mas quadro não parece promissor

Perspectivas

O bom resultado do 1º trimestre e indicadores antecedentes positivos nos últimos meses têm levado a uma revisão para cima das projeções para o crescimento da economia em 2022. Analistas apontam para um avanço do PIB acima de 1% no ano, enquanto o governo estima uma alta de 1,5%.

Por outro lado, parte das previsões para 2023 têm sido revistas para baixo, com algumas casas apontando até mesmo para o risco de retração, em meio à inflação persistente, juros em alta, temores de recessão global e incertezas relacionadas à corrida eleitoral no Brasil.

O Santander, por exemplo, passou a projetar crescimento de 1,2% em 2022. Contudo, a revisão agora vê uma ameaça maior de recessão em 2023. "Estimamos uma contração de -0,6%, destacou o banco.

Em 2021, o PIB do Brasil cresceu 4,6%, após o tombo de 3,9% em 2000.

Extrema pobreza tem aumento de 24% no Brasil em 2022Extrema pobreza tem aumento de 24% no Brasil em 2022
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Eureka: o enigmático poema de Edgar Allan Poe que antecipou grandes teorias como o Big Bang

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A obra foi menosprezada nos Estados Unidos, mas foi exaltada como visionária na Europa e censurada na Rússia.
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Por BBC

Postado em 02 de junho de 2022 às 08h35m

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Edgar Allan Poe — Foto: Getty Images via BBC
Edgar Allan Poe — Foto: Getty Images via BBC

Visionário, à frente de seu tempo, com problemas de saúde mental, ou apenas um escritor com uma grande imaginação?

Edgar Allan Poe (1809-1849) foi muitas coisas: pai do romance policial, mestre do conto e do terror, o primeiro americano que tentou viver como escritor e que, surpreendentemente, conseguiu, além de jornalista, alcoólatra, pensador.

Mas há algo pelo qual Poe era fascinado desde pequeno, a ciência. E, com sua mente inquieta, dedicou-se a especular sobre o cosmos e a origem das coisas.

Assim, escreveu uma obra em que antecipou algumas das teorias modernas da cosmologia, incluindo o Big Bang.

O ensaio recebeu o nome da célebre expressão atribuída a Arquimedes, Eureka.

Um universo dinâmico e em evolução

Publicado em 1848, apenas um ano antes de sua morte, Eureka é um "poema em prosa", uma espécie de ensaio cosmogônico. É dedicado "com profundo respeito" a Alexander von Humboldt (1769-1859), explorador, astrônomo e cofundador da geografia como ciência empírica.

É justamente a obra de von Humboldt que desperta a imaginação de Poe, que o elogia por suas tentativas de descrever o universo.

Quando a obra foi publicada, era consenso entre os físicos que o universo era estático, infinito, mecânico e eterno. Contrapondo estas convenções, Poe apresenta em seu ensaio um universo dinâmico, em constante evolução.

Mas o que ele antecipou em Eureka que, ainda hoje, chama a atenção de físicos e astrônomos?

Já na introdução de Eureka, Poe alerta para seus objetivos ambiciosos:

Desejo falar do físico, metafísico e matemático — do universo material e espiritual — de sua essência, sua origem, sua criação, sua condição atual e seu destino.

1. O Big Bang

Este modelo afirma que, em sua origem, o universo era uma matéria altamente concentrada com uma temperatura bastante elevada. Após uma explosão, se expandiu e, a partir daí, devido à gravidade, formaram-se as estrelas e galáxias.

A teoria do Big Bang começou a tomar forma no início do século 20 pelas mãos do físico e clérigo belga Georges Lemaître e foi desenvolvida finalmente pelo físico ucraniano (embora nascido sob o império russo e posteriormente naturalizado americano) George Gamow em 1948.

Quando Poe escreve Eureka, a visão vigente do universo era de algo estático, mecânico e finito. Ele o apresenta como o oposto: diverso, infinito e repleto de estrelas, feitas de átomos variados. De onde vinha esta variedade? Ele descreve da seguinte maneira:

Minha suposição geral, então, é esta: Na unidade original da primeira coisa está a causa secundária de todas as coisas, com o germe de sua aniquilação inevitável.

Ou seja, uma partícula inicial, densa, que se divide e se expande pelo universo. Uma descrição que antecipa, com 100 anos de diferença, a teoria que Gamow finalmente apresentou.

2. O Big Crunch e o modelo do universo oscilante

E não para por aí, porque depois ele sugere que a força da gravidade fará com que todo o universo se contraia e colapse sobre si mesmo em uma nova partícula primordial.

Isto, a contração do universo sobre si mesmo que geraria um estado semelhante ao que se encontrava a matéria antes do Big Bang, é a hipótese que, no século 21, foi levantada pela teoria do Big Crunch (ou Grande Colapso).

Além disso, propõe que o cosmos poderia estar em um ciclo constante de expansão (Big Bang) e contração (Big Crunch) e antecipa o que hoje é conhecido como a teoria do universo oscilante.

3. Paradoxo de Olbers ou 'por que o céu é escuro'

O paradoxo de Olbers foi um problema levantado pelo astrônomo alemão Heinrich Olbers em 1823. Ele afirma que se o universo é infinito e as estrelas também, ao olhar para o céu noturno ele deveria estar completamente brilhante. Então, por que o céu é escuro?

O físico Paul Halpern (Estados Unidos, 1961), professor de física da Universidade da Filadélfia, escreveu vários artigos nos quais esmiúça o texto de Poe, na revista Aeaon e na plataforma Medium. Ele observa que "um dos grandes triunfos de Eureka é a solução inteligente de Poe para este enigma científico desconcertante".

Eis o que Poe diz a respeito:

Se a sucessão de estrelas fosse infinita, então o fundo do céu nos apresentaria uma luminosidade uniforme, como aquela mostrada pela Galáxia — já que não poderia haver absolutamente nenhum ponto, em todo esse pano de fundo, no qual não existiria uma estrela.

O único modo, portanto, no qual, sob tal estado de coisas, poderíamos compreender os vazios que nossos telescópios encontram em inumeráveis ​​direções, seria supondo que a distância do pano de fundo invisível é tão imensa que nenhum raio dele foi capaz de nos alcançar por completo.

Poe foi o primeiro a sugerir que é impossível para nós conseguir ver todo o universo, que nem sempre esteve ali, e que a luz das estrelas pode levar vários anos (milhões de anos, na verdade) para chegar até nós.

Em 1987, o astrônomo Edward Harrison reconhece este feito de Poe em seu livro A Escuridão da Noite: Um Enigma do Universo.

4. Teoria da relatividade, multiverso e buracos negros

Em outras partes do livro, Poe toca na ideia de que "espaço e duração são um só", o que alguns veem como uma profetização do "espaço-tempo" relativista, e reflete sobre a intercambialidade da matéria e da energia.

Falar sobre isso, em particular, nos leva a pensar em Albert Einstein, que formulou sua teoria da relatividade em 1915.

No final de Eureka, Poe sugere que nosso universo poderia ser um dos muitos que existem em um plano infinito, uma das primeiras referências a outros universos.

Não está em Eureka, mas em um conto anterior, Uma descida ao Maelstrom, em que Poe descreve um redemoinho, um vórtice mortal para onde objetos são arrastados sem deixar vestígios. Embora Poe o situe no oceano, sem dúvida, esta capacidade de aniquilação total é uma das principais características dos buracos negros na astrofísica.

Para Poe, Eureka foi o ápice de suas obras. Dizem que ele estava tão entusiasmado com ela que pediu ao seu editor que imprimisse milhares de cópias. Ele não deu muita atenção, e a primeira edição foi lançada com apenas 500 exemplares.

A crítica foi voraz com Poe, já bastante doente e afetado pela morte da esposa. Nos Estados Unidos, o ensaio passou em branco até o final do século 20. Ainda hoje, boa parte dos biógrafos de Poe e acadêmicos versados ​​em sua obra o veem como um trabalho menor.

Na Europa, ele teve um pouco mais de sorte. A obra chegou com as traduções do poeta francês Charles Baudelaire e ali suas ideias ressoaram um pouco mais, sobretudo entre os filósofos, e foi considerada uma obra-prima visionária. Tão visionária que, em 1871, foi proibida na Rússia czarista.

A ideia de que Poe, em seus últimos anos de vida, embriagado, angustiado pela morte da esposa pouco tempo antes, com problemas de saúde mental, escreveu esta obra como resultado de seus delírios, se manteve ao longo do tempo.

Contribuiu em grande parte para esta ideia o fato de que Marie Bonaparte, sobrinha-neta de Napoleão e discípula de Sigmund Freud, escreveu uma biografia na qual analisa psicologicamente o autor americano com base em Eureka e no restante de suas obras.

No prefácio, escrito por Freud, ele trata Poe como um caso patológico, algo que Albert Einstein também disse na sua época.

Mas, afinal, Eureka é uma obra feita com rigor científico ou o ensaio literário de um lunático?

O astrônomo Alberto Cappi (Itália, 1962), que atualmente trabalha no Observatório Astronômico de Bolonha, é autor de várias publicações em que fala sobre Poe, Eureka e sua relação com a cosmologia.

De acordo com sua visão da obra: "Não é uma maluquice, tampouco uma teoria científica. Nos oferece uma visão fascinante do Universo por parte de uma mente imaginativa, que usando a ciência de seu tempo foi capaz de conceber a cosmologia mais revolucionária do século 19."

Seja como for, Eureka é o último suspiro criativo de Edgar Allan Poe. Tanto que o esforço o deixou esgotado. Foi o que ele contou numa carta a María Clemm, sua tia e, posteriormente, sogra:

Minha querida, querida sogra,

Tenho andado muito doente. Tenho tido cólera e espasmos tão fortes que agora mal consigo segurar a caneta. (...)

Não tenho vontade de viver desde que fiz Eureka. Não consegui fazer mais nada.

Nunca estive realmente louco, exceto nas ocasiões em que meu coração estava comovido (...)

A carta foi assinada em 7 de julho de 1849. Exatamente 3 meses depois, Edgar Allan Poe morreu de causas que ainda não foram esclarecidas.

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quarta-feira, 1 de junho de 2022

Brasil desperdiça 40,1% de toda água potável produzida, diz pesquisa

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A quantidade desperdiçada seria suficiente para abastecer mais de 66 milhões de brasileiros em um ano.
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Por Jornal Hoje

Postado em 01 de junho de 2022 às 16h15m

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Brasil desperdiça 40,1% de toda água potável produzida, diz pesquisa
Brasil desperdiça 40,1% de toda água potável produzida, diz pesquisa

A cada 100 litros de água potável que o Brasil produz, 40 litros são desperdiçados. O Jornal Hoje mostrou um estudo divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Trata Brasil.

Quase metade da água potável produzida no Brasil não está chegando ao destino. Em 2020, o desperdício foi de mais de 40%. Esta quantidade seria suficiente para abastecer mais de 66 milhões de brasileiros em um ano.

É como se o país tivesse perdido mais de sete vezes o volume do sistema Cantareira - o principal responsável pela distribuição de água na Grande São Paulo ou o volume equivalente a quase 8 mil piscinas olímpicas.

Vista da Represa do Cantareira, localizada na cidade de Piracaia, no interior de São Paulo, na tarde do domingo, 13 de junho de 2021. O Sistema Cantareira está em nível de alerta, com baixo volume de água. Com o fim do período das chuvas, a recomendação dos especialistas é para a população economizar água — Foto: LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
Vista da Represa do Cantareira, localizada na cidade de Piracaia, no interior de São Paulo, na tarde do domingo, 13 de junho de 2021. O Sistema Cantareira está em nível de alerta, com baixo volume de água. Com o fim do período das chuvas, a recomendação dos especialistas é para a população economizar água — Foto: LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Essas perdas, elas incluem perdas físicas que são os vazamentos que a gente vê nas ruas e perdas comerciais, que envolvem erros de medição, né, na fatura dos clientes, e ou até ausência de medição do hidrômetros, e também a parte que a gente chama das fraudes no abastecimento de água que são as ligações clandestinas que também se transformam em perdas comerciais aí no sistema, explica Pedro Scazufca, pesquisador-parceiro do Trata Brasil.

Segundo o estudo, a região Norte tem o pior índice de desperdício e perde mais da metade da água potável produzida.

Entre os 10 países latino-americanos analisados, o Brasil ficou em quinto lugar. Abaixo do Uruguai, Costa Rica, Colômbia e Equador.

Vazamento de água na Zona Leste de Teresina dura 4 meses e desperdício preocupa moradores: ‘acordo com o barulho’ — Foto: Arquivo pessoal
Vazamento de água na Zona Leste de Teresina dura 4 meses e desperdício preocupa moradores: ‘acordo com o barulho’ — Foto: Arquivo pessoal

A pesquisa mostrou ainda que quase 35 milhões de brasileiros não possuem acesso a água tratada - nem sequer para lavar as mãos. Para o pesquisador do Trata Brasil, investimentos nas redes de abastecimento e o combate a fraudes são as soluções para reduzir essas perdas.

Infelizmente se a gente olha ao longo dos últimos 5 anos, a gente piorou um pouco. Esse número de 40% em 2016 era 38% então a gente tem mantido num patamar parecido, mas piorando um pouco. Então realmente é muito importante que exista um investimento e uma gestão muito organizada de controle de perdas de água porque só com isso que você consegue reduzir. A tendência natural é realmente aumentar, diz Scazufca.

A Companhia de Saneamento do Pará disse que resolveu o vazamento que o Jornal Hoje mostrou na reportagem. E que, nos próximos dias, vai asfaltar o local. A companhia disse ainda que trabalha para reduzir a perda de água tratada no Pará com obras de substituição de rede e ampliação do sistema.

O Ministério do Desenvolvimento Regional disse que, desde 2019, concluiu 500 empreendimentos de saneamento pelo país, levando tratamento de água e saneamento a três milhões de famílias e que trabalha para implementar as metas do novo marco do saneamento. Entre as metas, estão a redução de desperdício de água e melhorias no processo de tratamento.

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