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domingo, 20 de março de 2022

Como surgiu a primeira vacina — e os primeiros 'antivaxxers' do mundo

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Antes da pandemia, a casa do doutor Jenner — onde foi aplicada a primeira vacina do mundo — era um obscuro ponto turístico. Pós-Covid, pode virar uma grande atração internacional.
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TOPO
Por Simon Heptinstall, BBC

Postado em 20 de março de 2022 às 12h20m

Post.- N.\ 10.252

James Phipps, de oito anos, primeiro paciente de Jenner, sobreviveu à vacina experimental — Foto: Getty Images via BBC
James Phipps, de oito anos, primeiro paciente de Jenner, sobreviveu à vacina experimental — Foto: Getty Images via BBC

Uma elegante casa de época escondida entre árvores ao lado de uma igreja, em uma pacata vila inglesa, abriga um museu médico pouco conhecido.

Há mais de 200 anos, a construção no estilo rainha Ana (arquitetura barroca ‎‎inglesa‎‎) era a casa de um humilde médico do interior. Com sua coleção simples de artefatos em armários de vidro, parece mais uma atração turística condenada à obscuridade.

Mas agora que os museus do Reino Unido estão reabrindo com o fim das restrições impostas pela pandemia de Covid-19, a casa do doutor Jenner (Dr Jenner's House) em Berkeley, à beira de Gloucestershire Cotswolds, se prepara para receber um grande número de visitantes.

Isso porque foi aqui que a ciência da vacinação começou. Você pode entrar no galpão do jardim onde Edward Jenner deu a primeira vacina do mundo no filho de oito anos de seu jardineiro em 1796. É o começo da ciência que ajudou na luta global contra a pandemia de covid-19.

Antes da pandemia, a casa era a terceira mais popular da vila (depois do castelo medieval em que Eduardo 2º foi assassinado e uma fazenda). Pós-covid, ela pode se tornar uma grande atração internacional.

Como as vacinas funcionam?Como as vacinas funcionam?

Os visitantes podem ver o escritório à luz de velas atrás da escada, onde as anotações científicas e desenhos de Jenner rabiscados com uma caneta de marfim estão em sua mesa redonda coberta de baet, um tecido de textura felpuda.

Foi aqui que ele criou a palavra "vacina". Na parede há uma pintura a óleo contemporânea de Blossom, a vaca. Ela foi tão central em seus experimentos que Jenner usou "vacca", a palavra latina para "vaca", para descrever o que havia descoberto: a vacinação.

Blossom, uma grande vaca leiteira marrom de Gloucester, foi a fonte da infecção original de varíola bovina usada para criar as primeiras vacinas do mundo.

A história é heroica na sua simplicidade. Reza a lenda que Jenner estava muito preocupado com os surtos locais de varíola, um dos vírus mais perigosos que os humanos enfrentaram, com uma taxa de mortalidade de cerca de 30% e uma terrível desfiguração permanente dos sobreviventes. O pátio da igreja ao lado de seu jardim abriga túmulos de muitas vítimas contemporâneas.

Uma ordenhadora teria dito a Jenner que não estava preocupada em pegar varíola — porque já havia contraído a "varíola bovina" muito mais leve de suas vacas. As ordenhadoras locais sabiam que quem contrai varíola bovina nunca mais tem varíola.

Na época, a classe médica estava tentando entender as teorias emergentes de inoculação. Isso envolvia simplesmente injetar uma dose de uma doença real, como acontece hoje em dia nas "festas de catapora" — em que os pais reúnem seus filhos para transmitir deliberadamente a infecção quando bem novos para garantir imunidade contra casos posteriores, que podem ter consequências muito mais sérias.

Os primeiros inoculadores simplesmente injetavam a doença completa nos pacientes quando eles eram jovens e fortes, na esperança de que fossem sobreviver e ficar imunes depois.

Jenner se inspirou nos comentários da ordenhadora para conceber uma solução muito melhor: uma injeção inofensiva, mas eficaz, para gerar imunidade. Ele levantou a hipótese de que, se ele desse varíola bovina leve às pessoas, isso estimularia algum tipo de sistema de segurança interno a proteger as pessoas contra a varíola humana.

Em uma era na qual ainda se recorria a sanguessugas e purgantes de mercúrio, este era um conceito revolucionário. Ninguém sabia nada sobre sistemas imunológicos. De muitas maneiras, Jenner estava séculos à frente de seu tempo.

Não se sabe se seu primeiro paciente, James Phipps — o filho de oito anos do jardineiro — se ofereceu ou sequer sabia no que estava se metendo, mas Jenner levou sua contribuição a sério.

O menino sobreviveu ao processo, ficou imune à doença mortal que circulava na região e provou uma teoria que salvou milhões de pessoas.

Jenner demonstrou a gratidão do mundo a James, dando a ele uma casa. Os visitantes podem caminhar por um trajeto arborizado da casa de Jenner para ver a Phipps Cottage, agora uma casa particular marcada por uma placa na Church Lane.

Primeiros antivacinas

Num canto de seu próprio jardim, Jenner nomeou o galpão em que aplicou a injeção em James de "O Templo de Vaccinia" e passou a se considerar um "fiel sacerdote da vacinação".

Surpreendentemente, esta estrutura peculiar de pedra, cascas de árvore e palha ainda existe. Talvez devesse se tornar um santuário para os milhões que a imunização salvou de tantas doenças desde então, incluindo a varíola (agora completamente erradicada graças às vacinas), poliomielite e, claro, a covid.

Quando a notícia da cura milagrosa de Jenner para a varíola se espalhou, filas de trabalhadores rurais pobres se estenderam do galpão até o cemitério. Jenner aplicou as doses para salvar vidas de graça, declarando que seria "imoral" lucrar com isso.

Ao ver sua flauta, livros de poesia e desenhos de cucos, os visitantes não podem escapar da impressão de que Jenner, o oitavo filho do vigário de Berkeley, era um homem curioso da era Georgiana, bem-intencionado e abertamente excêntrico.

Por exemplo, ele conheceu sua futura esposa quando acidentalmente pousou seu balão de ar quente no jardim dela.

Também pegou secretamente uma muda de uma videira pertencente a Capability Brown, um famoso jardineiro e arquiteto paisagista inglês do século 18, em Hampton Court, para plantar em sua estufa, que agora está completamente preenchida pela videira.

Como era de se esperar, Jenner foi ridicularizado por médicos "especialistas" ricos de Londres que não conseguiam acreditar que um médico rural havia feito um avanço tão importante.

Desenhos satíricos contemporâneos mostravam pessoas injetadas se transformando em vacas. Foram os primeiros antivacinas do mundo protestando contra a nova ciência.

Demorou um pouco para o sistema dominante perceber o significado de seu trabalho. O Parlamento acabou erguendo uma estátua de Jenner em Trafalgar Square em 1858 — mas após protestos antivacina, ela foi transferida para o Kensington Gardens, mais afastado, quatro anos depois.

Museu quase fechado

O fundo de caridade privado que administra o museu quase fechou quando as medidas de isolamento impostas devido à pandemia de covid-19 acabaram com suas receitas.

"Fomos ameaçados com perda completa de renda indefinidamente", diz o gerente do museu, Owen Gower, o único funcionário em tempo integral.

Uma campanha de financiamento coletivo online organizada às pressas chamou a atenção de simpatizantes em todo o mundo e rapidamente levantou mais de 40 mil libras (cerca de R$ 280 mil) em doações. Foi o suficiente para manter a casa aberta.

Ainda existem muitos ativistas antivacina hoje, mas a importância das doses contra covid fez com que Jenner seja cada vez mais lembrado.

"Ficamos impressionados com a generosidade das pessoas ao redor do mundo", afirmou Gower.

"As doações individuais ainda estão chegando. Isso nos permitiu começar a fazer planos para o futuro."

"A pandemia ressaltou a importância da vacinação. Queremos não apenas atualizar as exibições e reformar a casa — mas desenvolver nosso programa educacional e ter uma presença internacional online."

A fundação não tem financiamento do governo e depende da venda de ingressos. Uma equipe de 35 voluntários locais mantém a casa e o jardim. Uma parte da residência é alugada como um apartamento privado para gerar renda. Isso inclui o antigo quarto do doutor Jenner.

O sucesso do financiamento coletivo sedimentou a confiança dos administradores para repensar o futuro da humilde atração histórica. Agora ela pode se dar ao luxo de contratar consultores e abordar grandes patrocinadores.

"Poderíamos fazer muito com esse dinheiro", diz Gowen, que é formado em História de Berkeley.

"O financiamento coletivo foi impressionante, mas não podemos depender de doações individuais para sempre. Agora precisamos achar grandes financiadores."

Os planos futuros incluem a criação de um centro internacional sobre o desenvolvimento da teoria da vacinação.

A administradora do museu, Gabriella Swaffield, vê um futuro positivo para o local.

"Em cinco anos, sem dúvida será um museu próspero que recebe visitantes de todo o mundo para contar a importante história do início da vacinação e de seu fundador pioneiro Edward Jenner."

Swaffield, gerente de museus da histórica Charterhouse em Londres, ingressou no The Jenner Trust, no auge da pandemia, em junho de 2020.

"Parecia o momento oportuno para combinar minha paixão por museus e divulgar a importante mensagem da vacinologia", disse ela.

"O museu merece mais reconhecimento. É um museu fascinante com belos jardins, que contam uma história tão incrível que afetou todas as pessoas de uma forma ou de outra nos últimos anos."

Quando o mundo começou a perceber o quão importante era a invenção de Jenner, os elogios começaram a surgir. Embora nunca tenha lucrado com a vacina, talvez valorizasse alguns dos comentários mais do que qualquer recompensa financeira.

O então presidente dos EUA, Thomas Jefferson, escreveu diretamente para Jenner em 1806 dizendo que "a humanidade jamais pode esquecer que você viveu".

Gower e os moradores de Berkeley estão tentando garantir que isso nunca aconteça.

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sábado, 19 de março de 2022

Rússia usa mísseis hipersônicos na Ucrânia; entenda o poder de destruição

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Esse tipo de míssil desafia todos os sistemas de defesa antiaérea; Rússia nunca havia informado sobre o uso deste míssil balístico em nenhum dos dois conflitos em que participa - Ucrânia e Síria.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 19 de março de 2022 às 09h40m

Post.- N.\ 10.251

Entenda o que é o míssil hipersônico, usado pela primeira vez pelos Russos contra a Ucrânia
Entenda o que é o míssil hipersônico, usado pela primeira vez pelos Russos contra a Ucrânia

A Rússia intensificou neste sábado (19) sua ofensiva na Ucrânia e confirmou o uso, pela primeira vez, de mísseis hipersônicos Kinzhal (vídeo acima). O ataque, de acordo a agência estatal Ria Novosti, teve o propósito de destruir um local de armazenamento de armas no oeste da Ucrânia. A seguir, entenda por que os mísseis hipersônicos são considerados mais destrutivos e perigosos que mísseis comuns:

  • Lançados de caças MiF-31, têm capacidade de atingir alvos a 2 mil quilômetros de distância
  • Atingem velocidade dez vezes maior que a do som e viajam a 6 mil quilômetros por hora
  • São capazes de realizar manobras.
  • Esse tipo de míssil desafia todos os sistemas de defesa antiaérea.
  • A Rússia nunca havia informado sobre o uso deste míssil balístico em nenhum dos dois conflitos em que participa - Ucrânia e Síria.

"Em 18 de março, o sistema de mísseis de aviação Kinzhal com mísseis aerobalísticos hipersônicos destruiu um grande armazém subterrâneo de mísseis e munição de aviação das tropas ucranianas na vila de Delyatyn, região de Ivano-Frankivsk", disse o major-general Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa russo.

Governo russo divulga imagens que seriam de ataque aéreo a depósito de armas ucranianoGoverno russo divulga imagens que seriam de ataque aéreo a depósito de armas ucraniano


Animação mostrada pela Rússia exibe míssil hipersônico Kinzhal — Foto: Reprodução
Animação mostrada pela Rússia exibe míssil hipersônico Kinzhal — Foto: Reprodução


Míssil é capaz de realizar manobras após lançamento — Foto: Reprodução
Míssil é capaz de realizar manobras após lançamento — Foto: Reprodução

Negociações

Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky faz pronunciamento em 18 de março de 2022 — Foto: Reprodução/Telegram/Zelensky
Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky faz pronunciamento em 18 de março de 2022 — Foto: Reprodução/Telegram/Zelensky

Enquanto isso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que era hora de Moscou aceitar "conversar" seriamente sobre a paz. Zelensky considerou que "as negociações sobre paz e segurança na Ucrânia são a única oportunidade que a Rússia tem de minimizar os danos causados por seus próprios erros".

"É hora de nos encontrarmos. É hora de conversar. É hora de restaurar a integridade territorial e a justiça para a Ucrânia", reiterou o chefe de Estado em um vídeo filmado à noite em uma rua deserta de Kiev e postado no Facebook. "Caso contrário, as perdas para a Rússia serão tais que levará várias gerações para se recuperar".

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro, Kiev e Moscou realizaram várias rodadas de negociações, pessoalmente e por videoconferência. A quarta começou na segunda-feira. O chefe da delegação russa falou, na noite de sexta-feira, sobre uma "conciliação" de posições sobre a questão de um status neutro para a Ucrânia - semelhante ao da Suécia e da Áustria - e avanços na desmilitarização do país. No entanto, ele também disse que há "nuances" para discutir sobre as "garantias de segurança" exigidas pela Ucrânia.

Mas um membro da delegação ucraniana, o conselheiro presidencial Mikhailo Podoliak, alertou que as "declarações do lado russo são apenas o começo de suas exigências".

"Nossa posição não mudou: cessar-fogo, retirada das tropas (russas) e fortes garantias de segurança com fórmulas concretas", tuitou.

Mariupol, "o inferno"

Carros com vidros estilhaçados, marcas de tiro e bandeiras brancas deixam Mariupol nesta quinta-feira (17). — Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko
Carros com vidros estilhaçados, marcas de tiro e bandeiras brancas deixam Mariupol nesta quinta-feira (17). — Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko

O ministério da Defesa russo afirmou que destruiu centros de rádio e inteligência perto de Odessa, em Velikodolinske e Veliki Dalnik. A Ucrânia, por sua vez, admitiu neste sábado (19) que perdeu "temporariamente" o acesso ao Mar de Azov, apesar de a Rússia controlar de fato toda a costa desde o início de março e do cerco à cidade portuária estratégica de Mariupol.

Além disso, o Exército russo afirmou na sexta (18) que conseguiu entrar e lutar no centro da cidade ao lado de tropas da "república" separatista de Donetsk. Segundo o assessor do ministério do Interior ucraniano, Vadim Denisenko, citado pela agência Interfax-Ucrânia, a situação é "catastrófica" em Mariupol. "A luta acontece pela Azovstal", uma grande siderúrgica nos arredores da cidade. "Uma das maiores siderúrgicas da Europa está sendo arruinada de fato", lamentou.

As autoridades ucranianas acusaram também a Força Aérea russa de bombardear "deliberadamente" o teatro de Mariupol na quarta-feira, o que a Rússia negou. Em um abrigo antiaéreo sob este edifício havia "mais de mil" pessoas, principalmente "mulheres, crianças e idosos", segundo a prefeitura deste porto do Mar de Azov.

Zelensky disse que mais de 130 sobreviventes foram retirados dos escombros. "Infelizmente, alguns sofreram ferimentos graves. Mas, neste momento, não temos informações sobre mortes", declarou, explicando que "as operações de resgate continuam".

As famílias que conseguiram fugir da cidade contaram que os cadáveres ficavam dias nas ruas e que à noite se refugiavam nos porões, com temperaturas abaixo de zero, fome e sede. "Não é mais Mariupol, é o inferno", disse Tamara Kavunenko, de 58 anos. "As ruas estão cheias de cadáveres de civis", acrescentou.

Segundo Zelensky, graças aos corredores humanitários estabelecidos no país, mais de 180.000 ucranianos conseguiram escapar dos combates, incluindo mais de 9.000 pessoas de Mariupol. "Mas os ocupantes continuam a bloquear a ajuda humanitária, especialmente em áreas sensíveis. É uma tática bem conhecida. (...) É um crime de guerra", alertou.

Desde 24 de fevereiro, mais de 3,2 milhões de ucranianos partiram para o exílio, quase dois terços deles para a Polônia, às vezes apenas uma etapa antes de continuar seu êxodo.

Segundo contagem de 18 de março do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), ao menos 816 civis morreram no país e mais de 1.333 ficaram feridos. O organismos acredita, porém, que o número real seja superior.

Emergência humanitária

Refugiados deixam a Ucrânia pela fronteira da Moldávia — Foto: Arte g1
Refugiados deixam a Ucrânia pela fronteira da Moldávia — Foto: Arte g1

As necessidades humanitárias são "cada vez mais urgentes", com mais de 200.000 pessoas sem água na região de Donetsk e "grave escassez" de alimentos, água e remédios, disse o porta-voz do ACNUR, Matthew Saltmarsh, na sexta-feira. O prefeito de Mikolaiv (sul) indicou no Facebook que várias cidades vizinhas já estavam ocupadas pelos russos e que sua cidade havia sido fortemente atacada. "O dia foi difícil", lamentou Oleksandr Senkevich.

Segundo a mídia ucraniana, o Exército russo realizou um ataque em grande escala, matando pelo menos 40 soldados em seu quartel-general. Até agora, as autoridades ucranianas não ofereceram um balanço global de mortes no país.

Os bombardeios continuaram na sexta-feira em Kiev e Kharkiv (noroeste), a segunda maior cidade do país, onde pelo menos 500 pessoas foram mortas desde o início da guerra. A capital foi esvaziada de pelo menos metade de seus 3,5 milhões de habitantes. De acordo com a prefeitura, 222 pessoas morreram, incluindo 60 civis.

Quanto às baixas militares, Zelensky citou a morte de "cerca de 1.300" militares ucranianos em 12 de março, enquanto Moscou reportou quase 500 mortos em suas fileiras em 2 de março.O que aconteceu hoje, diretamente no seu e-mail

sexta-feira, 18 de março de 2022

O brasileiro que está construindo 'carro voador' no quintal de casa

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Ex-engenheiro da Embraer que mora nos Estados Unidos trabalha em eVTOL recreativo capaz de fazer voos curtos.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 18 de março de 2022 às 10h10m

Post.- N.\ 10.250

Conheça o "carro voador" que um brasileiro está criando por conta própria
Conheça o "carro voador" que um brasileiro está criando por conta própria

Enquanto grandes empresas anunciam projetos de eVTOLs (sigla em inglês para "veículo elétrico de pouso e decolagem vertical"), um brasileiro trabalha para criar seu próprio veículo voador. A "linha de montagem" não está em uma fábrica, mas no quintal de sua casa nos Estados Unidos.

O engenheiro Marcelo Lavrador, de 56 anos, é o principal responsável pelo projeto e contou ao g1 que a proposta não é criar um meio de transporte para deslocamentos pela cidade, como o eVTOL planejado pela Embraer.

A ideia do Human Drone Project, como ele batizou, é oferecer um veículo com lugar para uma pessoa, que tenha fins recreativos e faça voos de aproximadamente 15 minutos.

O projeto começou como um passatempo em 2019, quando Marcelo trabalhava em um centro de engenharia da Embraer em Melbourne, nos Estados Unidos, voltado para aviões executivos.

Ele passou a desenvolver o seu próprio eVTOL com a ajuda do colega americano Álvaro Calvo, que também era engenheiro na empresa de aviação. O brasileiro explica que os dois não tiveram ligação com o projeto do eVTOL da Embraer.

Nos últimos anos, eles estão registrando em um site os avanços que conseguiram na criação do eVTOL. A página inclui desde fotos de uma maquete em miniatura do veículo até vídeos com os primeiros voos em escala real. Confira abaixo mais detalhes sobre o Human Drone Project.

Conheça o eVTOL desenvolvido por brasileiro — Foto: Wagner Magalhães/Arte g1
Conheça o eVTOL desenvolvido por brasileiro — Foto: Wagner Magalhães/Arte g1

Os primeiros voos do "drone humano" foram não tripulados e chegaram a contar até com um boneco que simulava uma pessoa. Os testes tripulados começaram em junho de 2021, na terceira versão de testes do veículo.

Até o momento, Lavrador voou seis vezes em seu eVTOL. Os testes acontecem no quintal de sua casa na cidade de Indian Harbour Beach, na Flórida, e em um campo aberto na região.

"Estou em uma fase de pesquisa e desenvolvimento que, por sinal, é o que eu sei", diz o engenheiro. "Ainda preciso garantir que essa aeronave será extremamente segura".

Um dos pontos que estão sendo analisados é o chamado "fail safe", um jargão da aeronáutica que trata das ações que serão realizadas por uma aeronave em caso de falha para evitar acidentes de grandes proporções.

Com oito motores – uma quantidade comum para eVTOLs –, o veículo poderia ser programado para pousar caso um deles deixe de funcionar, por exemplo.

Marcelo é uma das poucas pessoas que testaram eVTOL apelidado de "drone humano" — Foto: Arquivo Pessoal
Marcelo é uma das poucas pessoas que testaram eVTOL apelidado de "drone humano" — Foto: Arquivo Pessoal

eVTOL recreativo

Lavrador diz que o projeto de "carro voador" da Eve, subsidiária da Embraer, compete com empresas como Joby e Volocopter, que trabalham em modelos mais complexos.

"Eles estão, de fato, no mercado de UAM", afirma o engenheiro, referindo-se à sigla em inglês para "Mobilidade Aérea Urbana". O termo se refere ao sistema de transporte em cidades e deverá incluir terminais e um sistema de comunicação próprios.

Álvaro Calvo e Marcelo Lavrador com o eVTOL do Human Drone Project — Foto: Arquivo Pessoal
Álvaro Calvo e Marcelo Lavrador com o eVTOL do Human Drone Project — Foto: Arquivo Pessoal

"No meu caso, por enquanto, minha ambição é mais baixa. Quero fazer um veículo parecido mais com um jet ski, que a pessoa compra para se divertir", explica.

Nesse ramo de eVTOLs com fins recreativos, já existe uma empresa em um estágio mais avançado: a Jetson Aero.

A fabricante sueca criou um modelo batizado de One, que tem uma cabine inspirada em carros de corrida e pode ser controlado com um joystick, para direcionar um veículo, e uma alavanca, para acelerá-lo.

'Kart voador'? Conheça eVTOL da Jetson One, que já foi comprado por brasileiro'Kart voador'? Conheça eVTOL da Jetson One, que já foi comprado por brasileiro

O Jetson One atinge velocidade máxima de 102 km/h, que é limitada por computador, e consegue fazer voos de até 20 minutos. Ele tem 134 unidades reservadas por clientes que pagarão US$ 92 mil cada um.

Marcelo afirma que não tem um número exato sobre a velocidade máxima do "drone humano", mas estima que ele passe dos 100 km/h.

Assim como a Jetson, ele pretende limitar a velocidade por computador para o modelo se enquadrar na categoria "ultraleve" prevista pela regulação dos Estados Unidos, que é parecida com a do Brasil.

Procurada pelo g1, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) explicou que veículos como o Jetson One podem ser operados no Brasil, mas precisam seguir algumas regras para ultraleves.

A regulamentação determina, por exemplo, que a operação desses veículos deve ser feita por maiores de 18 anos fora de áreas densamente povoadas e ter fins esportivos ou recreativos.

Como será pilotado?

O eVTOL do Human Drone Project terá dois controles, que lembram joysticks de video games antigos. Segundo Marcelo, a ideia é não exigir um grande treinamento para uma pessoa começar a pilotar a aeronave.

O joystick da esquerda permitirá controlar a impulsão e fazer movimentos de guinada para os lados. O joystick da direita será usado para subir ou descer o "nariz" da aeronave e controlar o eixo horizontal com movimentos parecidos ao de inclinar as asas de um avião.

Rádio controle usado na versão de testes do eVTOL do Human Drone Project — Foto: Arquivo Pessoal
Rádio controle usado na versão de testes do eVTOL do Human Drone Project — Foto: Arquivo Pessoal

Por enquanto, a versão de testes ainda não conta com os joysticks. Ela é pilotada com ajuda de um rádio controle que é levado dentro do veículo e semelhante aos que são usados para controlar drones. Mas, esta ainda é uma solução provisória.

"É superperigoso, por isso também não faço voos longos, por enquanto. Imagine se o rádio perde conexão enquanto o veículo está subindo?", diz Lavrador. Segundo ele, o próximo passo é fazer a transição para joysticks que usam conexão com fio.

"Estou pesquisando joysticks de veículos industriais, como empilhadeiras, para testar como prova de conceito. Caso um dia o veículo se torne um produto comercial, obviamente teremos que colocar um de padrão aeronáutico", explica o engenheiro.

As diferenças entre helicóptero, eVTOL e avião elétrico — Foto: Daniel Ivanaskas/Arte g1
As diferenças entre helicóptero, eVTOL e avião elétrico — Foto: Daniel Ivanaskas/Arte g1

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