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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Queimadas mataram 17 milhões de animais vertebrados no Pantanal em 2020, aponta estudo

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Pesquisa contabilizou carcaças de animais e criou um modelo matemático para fazer uma estimativa da destruição provocada pelo fogo no bioma. Serpentes aquáticas representam 60% das vítimas.
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Por Rodrigo Lois, G1

Postado em 14 de setembro de 2021 às 09h00m


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Extermínio no Pantanal: 17 milhões de animais morreram nas queimadas em 2020, diz estudo
Extermínio no Pantanal: 17 milhões de animais morreram nas queimadas em 2020, diz estudo

Estudo realizado por 30 pesquisadores de órgãos públicos, de universidades e de organizações não-governamentais estima que, ao menos, 17 milhões de animais vertebrados morreram em consequência direta das queimadas no Pantanal no ano passado.

As vítimas mais recorrentes foram as pequenas cobras, principalmente as aquáticas: mais de 9 milhões de mortes.

O estudo (ainda não publicado em revista científica) foi submetido ao periódico Scientific Reports, do grupo Springer Nature, e está sob avaliação de outros cientistas. Os pesquisadores dizem que o trabalho é pioneiro no uso da "técnica de amostra de distâncias em linhas" para calcular mortes de animais em queimadas.

A metodologia é baseada nos chamados transectos: trilhas em linha reta através de áreas pré-determinadas pelos focos de incêndio no bioma. Cada linha percorrida tinha entre 500m e 3km. Ao todo, o grupo percorreu 114 km de transectos.

Nestes trajetos lineares, as carcaças avistadas eram registradas com datas e coordenadas geográficas, assim como a distância perpendicular de cada uma delas em relação à linha de referência.

Quanto mais longe do transecto, menor a quantidade de animais encontrados. Ao conhecer o comportamento dessa probabilidade, os pesquisadores conseguiram elaborar um modelo matemático para estimar o número de carcaças presentes na área. Isso permitiu a modelagem de estimativas que o grupo considerou confiáveis para o cálculo da densidade de animais mortos.

"O método é diferente, ele se baseia no conhecimento da probabilidade de detectar um animal a diferentes distâncias da linha. É uma estratégia moderna para corrigir o erro de detectabilidade, que é a probabilidade de enxergar o animal quando ele está presente na área em que se passa", explica Walfrido Moraes Tomas, pesquisador da Embrapa Pantanal e coordenador do estudo.

Número subestimado

Os 17 milhões de animais vertebrados são assumidamente uma subestimativa, porque muitos animais que vivem em tocas ou dentro de ocos de árvores podem ter morrido nesses locais sem terem sido avistados. Há também o caso de vertebrados muito pequenos que podem ter sido completamente calcinados pelo fogo intenso.

A busca em campo era feita em até 72 horas após o início de cada foco do incêndio, mas a maioria dos casos foi catalogado entre 24 e 48 horas. A força-tarefa para o trabalho de campo ocorreu entre 1º de agosto e 17 de novembro de 2020 (como noticiou o G1 à época), do norte ao sul do Pantanal.

A estimativa abrange o período entre janeiro e novembro de 2020. No ano passado, o Pantanal foi consumido pela maior tragédia de sua história, com a destruição de cerca de 4 milhões de hectares (26% da área de todo o bioma).

Os animais registrados no levantamento foram divididos em dois grupos, de acordo com o tamanho da carcaça: pequenos vertebrados (menos de 2kg), como anfíbios, pequenos lagartos, cobras, pássaros e roedores; e médios para grandes vertebrados (2kg ou mais), como queixadas, capivaras, mutuns, grandes cobras, tamanduás e primatas.

As serpentes aquáticas representaram 60% das vítimas.

"Esses animais possuem baixa capacidade de locomoção, o que dificulta a fuga durante um incêndio. Durante a estação seca costumam ficar enterradas em áreas de campo inundáveis. Quando o fogo atinge uma área úmida seca é bastante comum ocorrer o incêndio de turfa, que consome a espessa camada de matéria orgânica. Esse tipo de fogo é de difícil combate e detecção, podendo queimar por semanas e atingir os animais que habitam esses ambientes", explicou a bióloga Gabriela do Valle Alvarenga, pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), participante da pesquisa.

Impacto na biodiversidade

A biodiversidade do Pantanal é composta por mais de 2 mil espécies de plantas, 269 peixes, 131 répteis, 57 anfíbios, 580 aves e pelo menos 174 mamíferos. O número de invertebrados é desconhecido.

Grandes vertebrados como cervos, veados, antas e onças não foram observados a partir dos transectos dada a baixa densidade populacional dessas espécies no Pantanal. Mas foram frequentemente encontrados durante o trabalho de combate aos incêndios, mortos ou feridos perto de estradas.

O estudo alerta que as mudanças climáticas provocadas pelas ações do homem têm influenciado a frequência, a duração e a intensidade das secas na região. O impacto de seguidas queimadas pode ser catastrófico e empobrecer o ecossistema, que já é frágil durante o período sem chuvas. O fogo faz parte da dinâmica natural do Pantanal, mas não nessas proporções.

Diante da possibilidade de novos desastres na região, os pesquisadores esperam com o estudo ajudar a dimensionar os impactos cumulativos causados por incêndios recorrentes no bioma.

"Esses números dão uma ideia do cenário das mudanças climáticas. A probabilidade de ter incêndios como esses é alta. Isso pode acontecer, acontecer, e acontecer, destruindo o ecossistema", comenta o coordenador Walfrido Moraes Tomas. 
Força-tarefa

O trabalho contou com pesquisadores da Embrapa Pantanal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), Universidade do Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundação Meio Ambiente do Pantanal, Instituto Smithsonian (dos Estados Unidos), entre outras instituições.

Houve também o apoio logístico e suporte financeiro de ONGs como WWF Brasil, ONG Panthera, Instituto Homem Pantaneiro, Ecologia e Ação (ECOA), Museu Paraense Emílio Goeldi, além da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul e da colaboração de voluntários.

No início dos levantamentos no ano passado, a escassez de verbas impactou o planejamento e as ações no campo, e pesquisadores precisaram trabalhar voluntariamente. Com a repercussão da força-tarefa, chegaram depois recursos de governos estaduais e ONGs.

Sem apoio em 2021

O trabalho no Pantanal foi retomado recentemente em 2021, mas não tem havido suporte financeiro. O ICMBio conta com recursos próprios para enviar equipes, enquanto outras instituições dependem de doações.

O veterinário Diego Viana, integrante do Projeto Felinos Pantaneiros do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), explica que, em um "cenário de guerra" como o do ano passado, o apoio das pessoas, inclusive financeiro, é muito importante.

"Precisa-se de combustível, barcos, e carro para deslocamento a grandes distâncias até locais remotos. No ano passado teve gente doando R$ 2, R$ 5, e isso ajuda. O que importa, além do recurso, é a vontade de se envolver e colaborar de alguma forma. Isso nos dá força para continuar", afirma.

A rotina, explica, é acordar, resgatar animais e contar os que não sobreviveram.

"Para nós que trabalhamos com a conservação do Pantanal, é muito importante fazer parte de pesquisas assim e ter essa dimensão do quanto o nosso trabalho foi impactado. O Pantanal é sinônimo de abundância. Desastres como os do ano passado acabam ameaçando todo o equilíbrio", diz.

5 pontos sobre as queimadas no Pantanal
5 pontos sobre as queimadas no Pantanal

Felizmente, as queimadas registradas até agora no Pantanal nos últimos meses não tiveram as mesmas proporções do ano anterior — cerca de 10% do que queimou em 2020. Os focos de incêndio em agosto foram poucos e controlados por bombeiros, proprietários de terras e a população pantaneira. No entanto, a época de seca na região se estende até outubro.

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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Empresa anuncia US$ 15 milhões para trazer à vida um mamute extinto há 10 mil anos

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Intenção da empresa americana "Colossal" não é fazer cópias perfeitas do gigante extinto, mas sim adaptar o DNA do mamute usando parte do genoma do elefante asiático.
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Por G1

Postado em 13 de setembro de 2021 às 17h00m


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Reconstrução de um exemplar de mamute-lanoso que está no Museu Real da Columbia Britânica  — Foto: rpongsaj/Wikimedia Commons
Reconstrução de um exemplar de mamute-lanoso que está no Museu Real da Columbia Britânica — Foto: rpongsaj/Wikimedia Commons

Uma empresa de biociência e genética anunciou nesta segunda-feira (13) o investimento de 15 milhões de dólares (cerca de 78 milhões de reais) para trazer o mamute-lanoso de volta à vida. Para recriar o animal extinto há cerca de 10 mil anos, os pesquisadores planejam usar parte do genoma dos elefantes asiáticos.

O gigante conhecido por suas presas invertidas e alongadas era um mamífero que se alimentava de plantas e habitava as áreas mais congelantes do globo, façanha que só era possível graças às duas camadas de pelo espesso que mantinham seu sangue quente.

O audacioso projeto que promete trazer de volta à vida criaturas da Idade do Gelo foi anunciado pela empresa americana Colossal, fundada por Ben Lamm, um empresário de tecnologia e software, e George Church, geneticista pioneiro na abordagem sobre edição de genes e professor de genética de Harvard.

Segundo eles, trazer o mamute-lanoso representa não só um grande avanço para a ciência na possibilidade de reverter o cenário de espécies extintas, mas também uma forma de combater às mudanças climáticas.

Filhote de mamute começa a ser exposto em países da Ásia
Filhote de mamute começa a ser exposto em países da Ásia

É possível trazer espécies extintas de volta à vida?

Segundo a Colossal, sim. Contudo, a ideia não é fazer cópias exatas do gigante extinto, mas sim adaptá-lo utilizando parte do DNA do elefante asiático, o animal vivo que possui o maior número de genes semelhantes ao do mamute.

"Embora o mamute-lanoso não esteja vivo andando pelas tundra, o código genético do animal está quase 100% vivo nos elefantes asiáticos de hoje. Precisamente, os dois mamíferos compartilham uma composição de DNA 99,6% semelhante", defendem os cientistas.

Para isso, os pesquisadores irão criar embriões utilizando células retiradas da pele de elefantes asiáticos e, em laboratório, irão reverter os estágios dessas células até que se tornem células-tronco, que são células mais versáteis e que carregam o DNA dos mamutes.

Células específicas responsáveis pela caracterização dos peles, presas, camada de gordura e outras características que fazem os mamutes adaptáveis às regiões mais frias do globo serão identificadas a partir da comparação com o genoma extraído da carcaça de mamutes recuperados no permafrost -nome dado à camada permanentemente congelada abaixo da superfície da Terra.

"Graças ao seu habitat no permafrost, tundra e regiões congeladas de estepe, muitos mamutes que morreram nunca se deterioraram completamente - em vez disso, permaneceram selados no gelo para serem descobertos posteriormente. Assim, as amostras de tecido coletadas contêm DNA intacto, comida não digerida nos estômagos dos mamutes, pelos, presas e muito mais", afirmam os pesquisadores.

Caso esses processos sejam bem-sucedidos, os embriões serão levados para uma barriga de aluguel ou um útero artificial, onde serão gestados. A gestação de um elefante, caso se desenvolva sem problemas, dura 22 meses.

Mamute com quase 40 mil anos de idade está em exposição no Japão
Mamute com quase 40 mil anos de idade está em exposição no Japão

Como poderia ajudar no combate às mudanças climáticas?

Segundo os pesquisadores, os mamutes poderiam ajudar a combater o avanço das mudanças climáticas trazendo de volta a vegetação original das tundras, que mais se assemelham a um pasto, do que o que é atualmente, coberto por musgos.

Isso ajudaria a evitar o aquecimento do permafrost e, consequentemente, seu descongelamento.

Pesquisadores estimam que o permafrost mantém quase 1,7 trilhão de toneladas de carbono aprisionado, ou seja, quase o dobro do dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera.

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Pesquisadores criam robô camaleão com "pele" artificial capaz de se camuflar; veja o vídeo

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A pele camaleônica criada em laboratório detecta cores e padrões ao redor e imita-os.
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Por G1

Postado em 13 de setembro de 2021 às 09h35m


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Robô camaleão: pesquisadores criam "pele" artificial capaz de se camuflar
Robô camaleão: pesquisadores criam "pele" artificial capaz de se camuflar

Pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, construíram um robô camaleão coberto por uma pele artificial semelhante à do animal, capaz de detectar cores e padrões no ambiente e imitá-los para se camuflar. (assista ao vídeo)

Nas imagens divulgadas pelos cientistas, o robô camaleão caminha por diferentes painéis. Conforme o piso muda de cor, o robozinho também muda imediatamente, se confundindo com o chão.

A pele camaleônica criada em laboratório usa uma tinta especial que muda de cor com base na temperatura das cores, detectada por minúsculos aquecedores flexíveis.

Um microprocessador recebe as informações sobre a cor do ambiente. Ele tem informações sobre as temperaturas necessárias para mudar a cor da pele do lagarto de acordo com o seu entorno.

O objetivo da invenção, segundo o engenheiro mecânico e professor da Universidade Nacional de Seul, Ko Seung-Hwan, é a criação de um dispositivo, que pode ser vestido, para alterar em tempo real sua cor e padrões.

"O padrão do uniforme militar da Coreia do Sul é feito para bosques e certas cores. Portanto, se você usar este uniforme militar no deserto, pode ser facilmente exposto. Mudar ativamente as cores e os padrões para combinar com os diferentes ambientes é a chave de tecnologia de camuflagem. E tornamos isso possível", disse Seung-Hwan à Reuters.

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domingo, 12 de setembro de 2021

Especialistas debatem impactos ambientais de alargamento de praia em Balneário Camboriú

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Para oceanógrafo, ecossistema deve demorar pelo menos 5 anos para se restabelecer. Historiadora afirma que 'impactos ambientais são pouco debatidos'.
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Por Joana Caldas e Rafaela Cardoso*, G1 SC e NSC

Postado em 12 de setembro de 2021 às 11h30m


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Obra de alargamento da faixa de areia em Balneário Camboriú atrai curiosos
Obra de alargamento da faixa de areia em Balneário Camboriú atrai curiosos

A obra de alargamento da faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú, no Litoral Norte, avançou 1,4 mil metros de praia até sexta-feira (10), desde 22 de agosto. Os trabalhos estão chamando a atenção e chegaram a virar uma espécie de ponto turístico para os curiosos.

Mar e prédios na Praia Central de Balneário Camboriú na sexta-feira (10) — Foto: Element Films/Divulgação
Mar e prédios na Praia Central de Balneário Camboriú na sexta-feira (10) — Foto: Element Films/Divulgação

Especialistas também acompanham a obra e debatem os possíveis impactos ambientais. O oceanógrafo Jules Soto, que também é curador do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), afirmou que o alargamento deve trazer benefícios para o local.

"É uma praia ideal para fazer esse tipo de trabalho que está sendo feito, de engenharia, que já se fez em diversas praias do Brasil. É uma defesa contra as ressacas. Inclusive, na minha opinião, isso vai favorecer muito a questão do ecossistema da praia", disse.

Mesmo a favor da obra o pesquisador citou os reflexos dela no ecossistema da praia.

"Os primeiros anos, logicamente, são de impacto. Essa simples mudança das camadas de sedimento, de fazer uma dragagem, tirar de uma jazida mais ao fundo e jogar, nós temos pelo menos uns cinco anos de restabelecimento do ecossistema, da fauna associada ao sedimento, entre várias outras questões".

Um dos impactos ambientais mais visíveis foi o aparecimento de centenas de conchas na praia, ainda no final de agosto.

Conchas em Balneário Camboriú — Foto: NSC/Divulgação
Conchas em Balneário Camboriú — Foto: NSC/Divulgação

"O que aconteceu em Balneário Camboriú, durante o processo de dragagem, ao ressuspender poluentes, e um material muito fino, produzindo uma pluma, esse material, assim como lá no começo dos anos 2000, pode ter sufocado muitos dos moluscos observados mortos. É muito importante nós aproveitarmos isso que está acontecendo para corrigirmos os rumos das nossas intervenções", afirmou o biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Paulo Horta.

Turismo e construção civil

A historiadora Mariana Schlickmann acredita que os impactos ambientais são pouco estudados. Mas destacou benefícios. Para o turismo vai ser bom, claro, vai aumentar a faixa de areia. Quem tenta andar na cidade entre Natal e Ano Novo sabe que é difícil", disse.

Ela estudou a história da cidade desde a emancipação, que ocorreu em 1964. Antes, o município pertencia à vizinha Camboriú.

Praia Central de Balneário Camboriú em 1965 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal
Praia Central de Balneário Camboriú em 1965 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal

Desde o começo, o município se organizou em torno da questão do turismo. As praias e a implantação da BR-101, que corta a cidade, permitiram um estímulo à atividade.

Schlickmann contou a história da cidade no livro Do Arraial do Bonsucesso a Balneário Camboriú – Mais de 50 anos de História. Para escrever, ela conversou com moradores e teve acesso a outras entrevistas registradas no Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

Praia Central de Balneário Camboriú em 2016 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal
Praia Central de Balneário Camboriú em 2016 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal

Existem várias opiniões. De modo geral, quem mora aqui [Balneário] há muito tempo tem uma opinião mais crítica sobre a construção civil na cidade. A gente piscou e saiu uma casa ou um comércio local para ter um arranha-céu", disse a historiadora.

Em 1970, o alargamento já começou a ser discutido como uma alternativa para o crescimento econômico, mas não foi adiante por falta de tecnologia.

Em 2001, um plebiscito foi realizado para que a população pudesse se manifestar sobre o projeto. A maioria dos eleitores foi favorável à ampliação. Entretanto, somente parte da obra foi realizada, na Barra Sul.

A construção civil é importante, gera muitos empregos e é um atrativo turístico, mas ela tem que acontecer de uma forma saudável, autossustentável para a cidade. O que a gente tem hoje não corresponde a isso, acrescentou.

Para a historiadora a realização da atual obra de alargamento, iniciada em março de 2021, não houve tanta mobilização popular e debates para ouvir os moradores como ocorreu nos anos anteriores. O debate foi muito aquém do necessário. Poderia ter sido algo muito bacana para os cidadãos da cidade, disse.

Expectativa dos moradores

Quem assistiu ao crescimento acelerado do município, aguarda com expectativa para saber qual será a dinâmica da cidade após a ampliação.

João Luiz da Silva, de 67 anos, acompanhou de perto a mudança na paisagem da cidade, que deu espaço a arranha-céus, avenidas movimentadas e uma orla cada vez mais recheada de turistas.

A minha relação com Balneário é de sangue. Você nascer numa cidade e ver essa cidade se desenvolver é uma coisa espetacular, destaca.

O morador é a favor do alargamento da faixa de areia. Ele acredita que essa é a solução para que a praia volte a comportar a quantidade de banhistas, especialmente durante a temporada. João conta que a expectativa e a curiosidade dos moradores estão altas, assim como as de pessoas de outras regiões.

Tem gente vindo de outros municípios para Balneário só para ver o alargamento. Até isso mudou a rotina do turismo da cidade. É uma situação muito interessante, afirma.

Carlos Alberto Schlup, de 68 anos, veio de Rio do Sul para Balneário Camboriú em 1963 com a família. Quando chegou, as ruas ainda não tinham números, havia pouco calçamento e a areia era muito branquinha. De lá para cá, ele conta que mudou praticamente tudo.

Aquele charme, aquela essência de cidadezinha pequena, do interior, acabou, relembra o morador.

Schlup afirma que gosta das duas versões de Balneário Camboriú: aquela que conheceu durante a infância e a que atualmente é cenário da aposentadoria.

O que diz a prefeitura?

Segundo a secretária do Meio Ambiente Maria Heloísa Furtado Lenzi, os impactos da obra na cidade são temporários. Ela cita, por exemplo, o ruído causado pelos trabalhos, ou plumas de sedimentos, que ocorre quando se mexe no fundo oceânico.

"São impactos temporários que, assim que a atividade parar de acontecer, os impactos param também. Então a grande maioria dos impactos negativos são temporários e que podem ser mitigados", explicou.

De acordo com Maria Heloísa, o aparecimento das conchas ao longo da praia é previsto e ocorre por conta do trabalho da draga, que retira sedimentos de dentro do mar para compor a faixa de areia. Chamados de "biodetritos", eles são sobras de moluscos, crustáceos e fazem parte do ciclo oceânico.

* Sob supervisão de Joana Caldas

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