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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

De onde vem o que eu como: Agro usa tecnologia enviada a Marte para tratar o solo

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Apesar dos avanços, quase metade dos agricultores não modernizaram o manejo. Modernização traz aumento da qualidade e da produtividade dos plantios, economia no gasto com insumos, menos desmatamento e maior sequestro do carbono da atmosfera são algumas das vantagens destas técnicas.
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Por Vivian Souza

Postado em 02 de setembro de 2021 às 09h00m


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Rover Curiosity, da Nasa, está em missão desde novembro de 2011 no planeta Vermelho — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Rover Curiosity, da Nasa, está em missão desde novembro de 2011 no planeta Vermelho — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Da rotação de culturas ao uso de lasers para análise da terra, o Brasil está na vanguarda da tecnologia de solos. Estas aplicações não somente ajudam o agricultor a aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos cultivos, como também tornam as lavouras mais sustentáveis.

A modernização do trato do solo vai além das aparelhagens. Técnicas como o plantio direto, em nível e pousio também fazem toda a diferença nas colheitas e ajudam a alcançar o chamado efeito poupa-terra", que é a possibilidade de plantar mais, usando uma área menor.

Somando-se a estas vantagens, o manejo correto do solo também pode potencializar a sua fertilidade e a sua capacidade de sequestrar carbono da atmosfera, que é a retirada de circulação deste gás que colabora para o efeito estufa.

Ainda assim, quase metade dos produtores não usam nenhuma destas técnica em suas lavouras, seja por falta de conhecimento ou por questões financeiras.

Além disso, a proporção de consultas técnicas vem caindo de 2006 para cá, o que pode indicar que as tecnologias estão sendo aplicadas de forma errada, prejudicando a plantação e o trabalhador.

Tecnologia de solo aumenta a produtividade do agro no Brasil — Foto: Arte / G1
Tecnologia de solo aumenta a produtividade do agro no Brasil — Foto: Arte / G1

Qualquer ação para aumentar ou diminuir a produtividade de uma lavoura é centrada no solo, já que, melhorando a terra, haverá um maior desempenho da planta, explica o professor Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

O professor conta que houve um avanço neste debate, que anteriormente se concentrava apenas nos atributos químicos do solo, como a sua fertilidade, enquanto hoje já se fala também dos componentes físicos e biológicos.

Hoje verifica-se que não adianta só uma abordagem química porque a planta também tem um sistema radicular importante. Imagine uma raiz tentando crescer em um solo compactado, bem duro, ela vai ter dificuldades, exemplifica. Dá para ser fértil sem ser produtivo, completa.

Para ajudar o plantio a atingir seu potencial máximo, os agricultores devem usar as técnicas de melhoramento, contudo, ainda hoje, parte dos trabalhadores rurais optam pelo preparo convencional, ou seja, usam, por exemplo, a aração e gradagem, que revolvem a terra.

Isso não é bom para o solo. Isso não é interessante porque cada vez que a gente revolve o solo a gente vai perdendo os nutrientes que esse solo tem, sobretudo os orgânicos, afirma Cerri.

Vale destacar que a camada mais fértil está nos primeiros 5 centímetros da lavoura, comenta Marcelo Oliveira, engenheiro agrônomo e supervisor de controle e apuração do Censo Agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Leia mais:

O uso de genética, com sementes que trazem melhoramentos para a produção, aperfeiçoamento no manejo do solo, controle de pragas e outros métodos permitiram o efeito poupa-terra, aponta a pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Tecnologia.

Um dos casos em que isto é visível é o algodão. Na década de 70, o Brasil produzia cerca de 1 milhão de toneladas em 4 milhões de hectares, em 2020 este número foi invertido: 4 milhões de toneladas de algodão foram colhidas em 1 milhão de hectares.

Entre as técnicas que colaboram para isto, se destaca a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Segundo dados da Embrapa, em 2021, 17 milhões de hectares faziam parte deste sistema.

A ILPF consiste, basicamente, em uma produção composta por diferentes itens em uma mesma área. Portanto, o gado, por exemplo, pode ser criado em um ambiente com a lavoura de milho e com a área de floresta.

Propriedade de 46 hectares em Brotas viu número de cabeças de gado aumentar após adoção de ILPF.  — Foto: Divulgação/Sítio Nelson Guerreiro
Propriedade de 46 hectares em Brotas viu número de cabeças de gado aumentar após adoção de ILPF. — Foto: Divulgação/Sítio Nelson Guerreiro

Esta técnica é a mais avançada para plantio, na opinião do professor Cerri da Esalq-USP. Isso porque a ILPF gera um aumento da diversidade com consequente aumento da biodiversidade no solo e tendência de redução das emissões de gases do efeito estufa, já que além de o sistema lançar menos gases na atmosfera, também aumenta o sequestro de carbono.

Ele conta que o carbono pode ficar estabilizado por até milênios no solo, enquanto na folha de soja fica apenas por alguns meses e na árvore chega só até uma década. Por isso, potencializar a recepção deste carbono faz diferença para o meio ambiente.

O plantio direto também foi apontado como fundamental para poupar a terra. Nessa técnica, o produtor deixa o resíduo da palhada anterior na lavoura e semeia em cima disso, sem provocar muita movimentação da terra.

Essa cobertura garante a manutenção da umidade, já que a palha a mantém por um período maior, diminuindo a necessidade de irrigação. Outro ponto favorável é que esta técnica mantém a microbiota de solo, que é extremamente importante para a saúde da planta, explica o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Guy de Capdeville.

Isso se torna importante quando a gente está falando da Amazônia, a gente não precisa desmatar uma floresta para poder produzir. Nós podemos, hoje, com as tecnologias que existem, produzir grandes volumes em áreas menores, sem a necessidade de ficar abrindo novas áreas, diz.

Plantio direto consiste em semear nova safra com a palhada da anterior cobrindo o solo — Foto: Fundação ABC
Plantio direto consiste em semear nova safra com a palhada da anterior cobrindo o solo — Foto: Fundação ABC

Essas técnicas podem ser mais bem aplicadas caso o produtor saiba o que ele precisa trabalhar na terra. Para isto, existem testes para diagnosticar o estado da área, a partir dos quais se usa a chamada agricultura de precisão, que é o uso de insumos apenas na quantidade e nos locais onde realmente são necessários, explica Oliveira, técnico do IBGE.

"É como quando a gente está mal de saúde, vai no médico e pede uma série de exames, a gente faz os exames, volta com o resultado, aí dá o remédio, compara Cerri.

Estes exames podem ser feitos, inclusive, de forma laboratorial. É o que a Quanticum faz. A empresa propõe um mapeamento dos componentes da terra para então fazer recomendações para o seu trato.

De forma geral, o solo, que é formado por nanopartículas, possui 4 elementos: ar, água, matéria orgânica e mineral. Este último seria o DNA da terra e tem uma capacidade magnética, ou seja, se você passar um ímã, os minerais vão grudar, explica o cientista e diretor da Quanticum, Diego Siqueira.

O que a empresa faz, então, consiste em levar um sensor magnético para as áreas a serem analisadas - que pode ser acoplado em diferentes equipamentos, como um trator ou um drone.

A concentração das nanopartículas no território causa uma interferência no sensor e esse valor de interferência pode ser usado para quantificar os minerais e, com isso, calcular o que este território precisa.

Leitura do magnetismo do solo no campo. — Foto: Divulgação / Quanticum
Leitura do magnetismo do solo no campo. — Foto: Divulgação / Quanticum

Siqueira também comenta outras duas formas de analisar o solo: a partir de satélites, usando um banco de dados da área e análise laboratorial, e a granulometria.

Esta última usa o princípio da sedimentação, ou seja, implica em colocar água na amostra de terra para observar as partículas decantarem, medindo, ao fim, quanto tem de areia, silte (fragmentos de rocha) e argila, que é onde ficam os nutrientes para as plantas.

Outra forma de mapear os componentes do solo é usando lasers. O Brasil é o primeiro país que faz esse tipo de análise por meio da mesma tecnologia utilizada pela NASA em seus robôs para explorar Marte.

O equipamento é feito a partir da plataforma de inteligência artificial AGLIBS. O uso para agricultura foi desenvolvido pela Embrapa Instrumentação, em São Carlos, e é usado pela startup Agrorobótica.

O fundador e CEO da empresa, Fábio Luiz Angelis narra o processo de análise:

  1. O solo é coletado pelas equipes e a amostra é georreferenciada no campo usando o aplicativo que demonstra latitude e longitude da área.
  2. A amostra segue para o laboratório, em São Carlos, onde é transformada em pastilha, ficando parecida com os pigmentos da maquiagem quando ainda na embalagem.
  3. Já dentro do equipamento, a pastilha é atingida por um laser de 10 mil kelvins, temperatura próxima a do Sol.
  4. Após se transformar em um plasma (uma nuvem invisível ao olho nu), os cientistas separam os elementos que são nutrientes para as plantas e identificam a quantidade deles.

Essa informação gera os mapas de recomendação agronômica, que vão para o agricultor no aplicativo de celular, explica Angelis.

Além de ajudar o produtor a usar a agricultura de precisão, a empresa busca otimizar o sequestro de carbono pelo solo. A amostra, inclusive, aponta quanto de carbono está estocado na terra.

Conheça mais sobre inteligência artificial AGLIBS:

Reportagem do Globo Rural exibida em abril de 2020 explicou como a tecnologia pode ser usada no agronegócio
Reportagem do Globo Rural exibida em abril de 2020 explicou como a tecnologia pode ser usada no agronegócio

Essas técnicas são para todos?

De acordo com o Censo Agropecuário 2017 do IBGE, 43,8 % das mais de 5 milhões estabelecimentos agropecuários do Brasil não usam as técnicas listadas pela instituição. Além disso, a proporção de produtores que receberam orientação técnica caiu de 22% em 2006 para 20,1%.

Para Oliveira, técnico do IBGE, a queda da assistência técnica pode representar que as práticas agrícolas não estão sendo implementadas corretamente, o que é preocupante. Ele exemplifica, essas consequências, citando o uso de agrotóxicos.

O trabalhador que tem contato com o agrotóxico e não maneja de forma apropriada adoece. Sem a orientação, ele aplica sem o equipamento de proteção, se prejudica, pode colocar em quantidade excessiva no solo...

Já para Capdeville, diretor da Embrapa, o agricultor brasileiro é altamente tecnificado. Contudo, ele entende que o investimento em tecnologia mais avançada pode ainda ser difícil para o pequeno produtor, que não tem tanto dinheiro.

Além disso, existe a questão de parte dos agricultores não adotarem as técnicas simplesmente porque não as conhecem, diz Cerri, professor da Esalq-USP. Ou, quando as usam, aplicam apenas em parte, como pular uma etapa do plantio direto, por exemplo.

Ainda assim, Cerri aponta que usar a tecnologia do solo é um investimento que dá retorno financeiro ao produtor.

Como tem tendência de aumentar a produtividade, ele vai ter um retorno maior. Alguns casos, o solo pode requerer menos fertilizante do que no começo do processo porque vai construindo um solo de qualidade melhor e aí pode ser que ele venha a entrar em um equilíbrio em que a qualidade está tão boa que pode dar o luxo de reduzir a entrada de fertilizante e outros insumos, diz.

Brasil tem a agricultura mais avançada da faixa tropical
Brasil tem a agricultura mais avançada da faixa tropical

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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

PIB do Brasil recua 0,1% no 2º trimestre e recuperação perde fôlego

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Maior queda foi da agropecuária (-2,8%), seguida pela Indústria (-0,2%). Serviços cresceram 0,7% e consumo das famílias ficou estagnado. Apesar do resultado frustrante, economia brasileira se manteve no patamar pré-pandemia.
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 — São Paulo e Rio de Janeiro

Postado em 01 de setembro de 2021 às 13h25m


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Movimentação na Ladeira Porto Geral, no Centro de São Paulo (SP), no dia 30 de agosto. — Foto: Romeo Campos/Futura Press/Estadão Conteúdo
Movimentação na Ladeira Porto Geral, no Centro de São Paulo (SP), no dia 30 de agosto. — Foto: Romeo Campos/Futura Press/Estadão Conteúdo

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil recuou 0,1% no 2º trimestre de 2021, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, conforme divulgado nesta quarta-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números do IBGE mostram que a economia brasileira perdeu fôlego, após ter avançado de 1,2% nos 3 primeiros meses do ano, completando 3 trimestres seguidos de alta.

Apesar do resultado frustrante, o PIB se manteve no patamar entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, período pré-pandemia, segundo o IBGE. Porém, ele está 3,2% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014.

Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 2,1 trilhões. Ele é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e durante um certo período e serve como uma espécie de termômetro da evolução da atividade e da capacidade de uma economia gerar riqueza e renda.

O resultado veio mais fraco que o esperado pelos analistas. A expectativa em pesquisa da Reuters era de um crescimento de 0,2% no segundo trimestre, na comparação trimestral.

Variação trimestral do PIB desde 2016 — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Variação trimestral do PIB desde 2016 — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1

A surpresa negativa é explicada principalmente pela retração da agropecuária, indústria e dos investimentos, e pela estagnação do consumo das famílias. 

Principais destaques do PIB no 2º trimestre:
  • Agropecuária: -2,8%
  • Indústria: -0,2%
  • Serviços: 0,7%
  • Consumo das famílias: zero
  • Consumo do governo: 0,7%
  • Investimento (FBCF): -3,6%
  • Importação: -0,6%
  • Exportação: 9,4%
  • Construção: 2,7%
  • Comércio: 0,5%
PIB brasileiro encolhe 0,1% no segundo trimestre
PIB brasileiro encolhe 0,1% no segundo trimestre

Alta de 6,4% no semestre

Frente ao 2º trimestre de 2020, o PIB cresceu 12,4% – maior taxa trimestral de toda a série histórica do PIB, iniciada em 1996.

O IBGE ponderou, no entanto, que este salto se deve à comparação com o trimestre que registrou a taxa negativa mais intensa de toda a série histórica, de -9% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e -10,9% na comparação anual.

Estamos comparando este resultado [interanual] com o pior trimestre da pandemia, destacou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

No primeiro semestre, o PIB acumulou alta de 6,4% na comparação com os 6 primeiros meses do ano passado. No acumulado dos quatro trimestres terminados em junho, o avanço foi de 1,8%.

VÍDEO: 'O PIB decepcionou', diz Miriam Leitão
VÍDEO: 'O PIB decepcionou', diz Miriam Leitão

Agricultura e indústria em queda

A maior queda foi da agropecuária (-2,8%), afetada por quebra de safras , seguida pela Indústria (-0,2%), que vem sendo abalado pela falta de insumos e custo elevado das matérias-primas.

Por outro lado, os serviços cresceram 0,7% na comparação com o 1º trimestre, diante da reabertura da economia com o alívio nas medidas de contenção da Covid-19.

Entre as atividades industriais, o pior desempenho foi o das indústrias de transformação (-2,2%) e da atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,9%). Por outro lado houve avanço de 5,3% nas indústrias extrativas e de 2,7% na construção.

"O consumo de energia está acompanhando a retomada da economia, mas os custos, com o acionamento das termelétricas por conta da crise hídrica, estão puxando para baixo o valor adicionado ao PIB", destacou Palis.

PIB pela ótica dos setores da economia — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1
PIB pela ótica dos setores da economia — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1

Setor de serviços ainda não recuperou patamar pré-pandemia

Dentre os três grandes setores da economia, apenas o de serviços não recuperou o patamar pré-pandemia, operando ainda 0,9% abaixo do 4º trimestre de 2019. Já indústria e agropecuária ficaram, respectivamente, 1,6% e 3,3% acima do patamar observado antes da crise sanitária. Lembrando que a agropecuária não sofreu quase nenhum efeito da pandemia, ponderou a gerente da pesquisa.

Sobre o baixo desemprenho dos serviços, a pesquisadora destacou que as atividades listadas como outros serviços ficaram 7,2% abaixo do patamar pré-Covid, enfatizando os efeitos provocados pela crise sanitária sobre a economia.

"Os outros serviços são aqueles mais dependentes do atendimento presencial e têm um peso bastante grande dentro do próprio setor. Ou seja, são eles que estão puxando para baixo o setor, segurando o retorno dos serviços ao patamar pré-pandemia", explicou Palis.

Os destaques positivos do setor de serviços na composição do PIB do segundo trimestre foram as atividades de informação e comunicação (5,6%), e outras atividades (2,1%), que englobam os serviços prestados às famílias. Comércio (0,5%), atividades imobiliárias (0,4%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,3%) e transporte, armazenagem e correio (0,1%) também avançaram.

Apenas administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social ficou estagnada (0,0%) no trimestre, na comparação com os 3 primeiros meses do ano.
PIB pela ótica da demanda — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1
PIB pela ótica da demanda — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1

Consumo estagnado

Pela ótica da despesa, consumo das famílias teve variação zero na comparação com o 1º trimestre. Os investimentos tiveram queda de 3,6%. Já o consumo do governo teve alta de 0,7%.

O desemprego elevado e a alta da inflação observada desde o começo do ano tiveram impacto negativo direto sobre a retomada da economia.

Apesar dos programas de auxílio do governo, do aumento do crédito a pessoas físicas e da melhora no mercado de trabalho, a massa salarial real vem caindo, afetada negativamente pelo aumento da inflação. Os juros também começaram a subir. Isso impacta o consumo das famílias, destacou Palis.

Segundo a pesquisadora, o consumo das famílias, que pesa mais de 60% do PIB, ainda se encontra 1,6% abaixo do patamar pré-pandemia. A gente vem observando melhora no mercado de trabalho, com geração de empregos, mas não houve crescimento da massa salarial. E a inflação tem um impacto bastante relevante sobre a renda, destacou.

Rebeca ressaltou, ainda, que a alta da inflação vinha sendo puxada, desde o final do ano passado, pela alta de preços de alimentos e bebidas e este ano passou a ser muito impactada também pelo encarecimento dos combustíveis.
Bares cheios na zona norte do Rio de Janeiro, em imagem do dia 10 de julho — Foto: Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo
Bares cheios na zona norte do Rio de Janeiro, em imagem do dia 10 de julho — Foto: Jorge Hely/Framephoto/Estadão Conteúdo

Exportações têm alta de 9,4%

A balança comercial brasileira teve uma alta de 9,4% nas exportações de bens e serviços no 2 trimestre, a maior variação desde o 1º trimestre de 2010.

Segundo o IBGE, o principal destaque foi a safra de soja estimulada pelos preços favoráveis. Por outro lado, as importações caíram 0,6% na comparação com os 3 primeiros meses do ano.

Investimentos em queda

Os investimentos medidos pela formação bruta de capital fixo (FBCF), que reúnem os gastos das empresas e do governo com máquinas e equipamentos, infraestrutura, construção e inovação, voltaram a cair (-3,6%) após 3 trimestres seguidos de alta.

A taxa de investimento no segundo trimestre de 2021 foi de 18,2% do PIB, contra 15,1% no mesmo período do ano anterior (15,1%), mas ainda distante do patamar de 2013 (20,9%).

A gerente da pesquisa ponderou que os resultados negativos investimentos, assim como das importações, comparados ao primeiro trimestre do ano refletem a incorporação de bens pelo Repetro.

O Repetro ainda estava impactando esses dois componentes no primeiro trimestre. Agora no segundo trimestre, essa entrada pelo Repetro diminuiu bastante, refletindo negativamente quando se compara as taxas do segundo trimestre contra o primeiro. Com o passar do tempo, essa influência vai diminuindo, apontou.

Poupança recorde

A taxa de poupança bateu recorde histórico neste segundo trimestre. Ela ficou em 20,9%, ante 15,7% no 2º trimestre de 2020, e foi a maior já registrada na série histórica que, para este indicador, teve início em 2000.

De acordo com a gerente da pesquisa, esse resultado tem relação direta com os efeitos da pandemia sobre o consumo, sobretudo, de serviços, paralisados diante das medidas de restrição à circulação de pessoas.

Os serviços são mais consumidos pelas famílias mais ricas que, segundo a pesquisadora, não o reverteram em consumo de bens, mas em poupança.

O que disse o governo

Em nota, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia avaliou que o resultado negativo do PIB no segundo trimestre ocorreu no período de três meses com maior número de mortes pela Covid-19 e com efeitos setoriais relevantes, acrescentando que o crescimento do PIB acumulado em 4 trimestres mostra "boa posição da economia brasileira".

"Mais relevante do que observar o número do crescimento, é analisar a sua qualidade. Importantes reformas pró-mercado e medidas de consolidação fiscal estão sendo aprovadas, lançando as bases para o crescimento sustentável do país no longo prazo", afirmou. 
Piora das expectativas

Apesar do avanço da vacinação contra a Covid-19 e do fim das medidas de restrição de horários e público em boa parte do país, a inflação persistente, a tensão política e "riscos fiscais" (sustentabilidade das contas públicas) têm elevado nas últimas semanas o nível de incerteza sobre o ritmo da retomada e provocado revisões para baixo das previsões econômicas.

A expectativa do mercado financeiro para o crescimento da economia em 2021foi reduzida de 5,27% para 5,22%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central. Para 2022, a média das projeções está em 2%, mas parte dos analistas já vê um crescimento mais próximo de 1,5%.

Em 2020, no primeiro ano da pandemia, a economia brasileira caiu 4,1%, registrando a maior contração desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996, o que tirou o Brasil da lista das 10 maiores economias do mundo.

Economistas avaliam que o aquecimento do setor de serviços – o que mais emprega no país e com maior peso no PIB – deve ajudar na melhora do mercado de trabalho e garantir que o PIB do terceiro e do quarto trimestre fiquem no azul, mas alertam para o riscos de novos freios para a recuperação, incluindo a perspectiva de novas elevações na taxa básica de juros (Selic), de agravamento da crise hídrica e piora do ambiente político, em razão das reiteradas ameaças do presidente Jair Bolsonaro à ordem democrática.

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Desempenho do PIB do Brasil no 2º trimestre fica em 38º em ranking de 48 países

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Lista da Austin Rating leva em conta crescimento recuo de 0,1% da economia em relação ao 1º trimestre.
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Por G1

Postado em 01 de setembro de 2021 às 12h10m


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O desempenho do Produto Interno Bruno (PIB) brasileiro no segundo trimestre de 2021 ocupa o 38º lugar dentro de um ranking com quase 50 países, segundo levantamento elaborado pela Austing Rating. A lista traz os resultados das maiores economias do mundo.

A comparação leva em conta a queda de 0,1% da economia no 2º trimestre deste ano, na comparação com o trimestre anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O Brasil está abaixo de países como China, Itália, França, Japão e Reino Unido (veja mais abaixo o ranking completo).
Variação do PIB dos países no 2º trimestre — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Variação do PIB dos países no 2º trimestre — Foto: Elcio Horiuchi e Guilherme Luiz Pinheiro/G1

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

VÍDEO: 'O PIB decepcionou', diz Miriam Leitão
VÍDEO: 'O PIB decepcionou', diz Miriam Leitão

Veja ranking completo abaixo:

  1. Portugal: 4,9%
  2. Reino Unido: 4,8%
  3. Letônia: 4,4%
  4. Áustria: 4,3%
  5. Islândia: 4,2%
  6. Israel: 3,6%
  7. Indonésia: 3,3%
  8. Holanda: 3,1%
  9. Espanha: 2,8%
  10. Hungria: 2,7%
  11. Itália: 2,7%
  12. Dinamarca: 2,3%
  13. Finlândia: 2,1%
  14. Polônia: 2,1%
  15. Eslováquia: 2,0%
  16. Eslovênia: 1,9%
  17. Romênia: 1,8%
  18. Alemanha: 1,6%
  19. Estados Unidos: 1,6%
  20. México: 1,5%
  21. Bélgica: 1,4%
  22. China: 1,3%
  23. Arábia Saudita: 1,1%
  24. Estônia: 1,1%
  25. Noruega: 1,1%
  26. Chile: 1,0%
  27. Lituânia: 1,0%
  28. República Tcheca: 1,0%
  29. França: 0,9%
  30. Suécia: 0,9%
  31. Peru: 0,9%
  32. Turquia: 0,9%
  33. Coreia do Sul: 0,7%
  34. Bulgária: 0,4%
  35. Tailândia: 0,4%
  36. Japão: 0,3%
  37. Chipre: 0,2%
  38. BRASIL: -0,1%
  39. Croácia: -0,2%
  40. Canadá: -0,3%
  41. Ucrânia: -0,8%
  42. Hong Kong: -0,9%
  43. Taiwan: -1,1%
  44. Filipinas: -1,3%
  45. Cingapura: -1,8%
  46. Malásia: -2,0%
  47. Tunísia: -2,0%
  48. Colômbia: -2,4%

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil recuou 0,1% no 2º trimestre de 2021 na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Frente ao mesmo trimestre de 2020, o crescimento foi de 12,4% – alta largamente explicada pela base fraca de comparação.

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