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segunda-feira, 5 de julho de 2021

O minúsculo país no Pacífico que pode tornar realidade a temida mineração no fundo do mar

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Nauru, no Pacífico, acionou gatilho na ONU que exige que as regras para a mineração em alto mar sejam definidas nos próximos dois anos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 05 de julho de 2021 às 10h05m


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Patania II é um dos protótipos em desenvolvimento para a atividade mineradora no fundo do mar — Foto: GSR via BBC
Patania II é um dos protótipos em desenvolvimento para a atividade mineradora no fundo do mar — Foto: GSR via BBC

A minúscula nação de Nauru, no Pacífico, deu início a uma série de preocupações e críticas ao exigir que as regras para a mineração em alto mar sejam definidas nos próximos dois anos.

Grupos ambientalistas alertam que isso levará a uma corrida destrutiva nos "nódulos" do fundo do mar, ricos em minerais, que são alvo de mineradoras e governos há décadas.

Mas autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) que supervisionam a mineração em alto mar dizem que nenhum empreendimento subaquático pode ter início nos próximos anos.

Então, o que está causando preocupação?

É tudo sobre uma carta que se refere às letras pequenas de um tratado internacional que tem implicações de longo alcance.

Nauru, um Estado insular no Oceano Pacífico, pediu à Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos (braço da ONU que supervisiona o fundo do oceano) que acelere a regulamentação que servirá de baliza para a mineração em alto mar.

O governo local ativou uma subcláusula aparentemente obscura na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar que permite que países acionem um "gatilho de dois anos" se acharem que negociações estão indo muito devagar.

Nauru, nação de 12 mil habitantes de 21 quilômetros quadrados que tem parceria com uma empresa de mineração, DeepGreen, argumenta que é "um dever dela para com a comunidade internacional" tomar essa iniciativa de acionar o gatilho a fim de ajudar a se alcançar "segurança regulatória".

O país afirma que tem mais a perder com as mudanças climáticas, por isso quer incentivar o acesso às pequenas rochas conhecidas como nódulos que se encontram no fundo do mar.

Isso porque eles são ricos em cobalto e outros metais valiosos que podem ser úteis para baterias e sistemas de energia renovável na transição que substituirá combustíveis fósseis.

Por que esse debate importa?

Se o braço da ONU não conseguir estabelecer as regras para a mineração em dois anos, ele poderá emitir aprovação provisória a Nauru para seguir com seu projeto — e ninguém sabe o que isso pode representar.

"Isso poderia realmente abrir as comportas", afirma Matthew Gianni, da Deep Sea Conservation Coalition, à BBC.

"Se Nauru e a DeepGreen obtiverem uma licença provisória, qualquer empresa ou Estado nacional pode acionar o gatilho de dois anos também e, então, todo o processo entrará no caos absoluto. As coisas ficaram muito mais complicadas — não seria um processo de negociação coordenado e bem planejado para atingirmos a regulamentação."

O que diz a Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos?

Em entrevista à BBC, o secretário-geral do órgão, Michael Lodge, minimizou as implicações da mudança de Nauru, dizendo que ainda há um longo caminho a ser percorrido antes que qualquer atividade mineradora possa ter início.

Ele disse que o conselho da Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos concordou em 2017 em concluir a regulamentação para mineração no fundo do mar até 2020. Mas um plano que foi descarrilado pela Covid-19.

Se Nauru e sua parceira comercial DeepGreen estiverem prontos para solicitar uma licença de mineração em dois anos, haveria uma série de obstáculos antes que a aprovação pudesse ser dada — incluindo uma avaliação de impacto ambiental e planos para minimizar os danos.

"Mesmo sob os atuais projetos de regulamentação", disse Lodge, "qualquer pedido de exploração provavelmente será um processo demorado, com vários pesos e contrapesos".

Isso levaria pelo menos dois ou três anos, de modo que, na prática, o início de qualquer mineração seria por volta de 2026.

Qual é o futuro da exploração das profundezas do oceano?

Cientistas dizem que estão longe de alcançar uma compreensão completa dos ecossistemas nas planícies abissais. Mas já sabem que são muito mais vibrantes e complexos do que se pensava décadas atrás.

Estima-se que esses nódulos, habitat para inúmeras formas de vida, se formaram ao longo de vários milhões de anos. Dessa forma, qualquer recuperação posterior à mineração será incrivelmente lenta.

Além disso, o que ainda não se sabe é qual será o efeito das plumas de sedimentos que serão agitadas pelas máquinas gigantes de mineração e provavelmente irão se espalhar por longas distâncias debaixo d'água.

Estudar esses aspectos é uma tarefa difícil e lenta, e é improvável que seja totalmente respondida dentro do período de dois anos iniciado por Nauru.

Andrew Friedman, do The Pew Charitable Trusts, está entre os que temem a "aceleração" o processo de aprovação.

"O fundo do mar é um ambiente vasto, inexplorado e biologicamente rico, e a Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos deve investir o tempo e os recursos necessários para garantir que os ecossistemas do fundo do mar sejam protegidos antes que qualquer mineração prossiga."

Uma das regiões na mira de mineradoras e de Nauru é a de Clarion-Clipperton (CCZ, na sigla em inglês), no oceano Pacífico. Ali, a 4 mil metros abaixo da superfície marinha, distância equivalente a cinco vezes o tamanho do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, encontram-se vastos depósitos de nódulos de manganês, pedras ricas em níquel, cobre, cobalto e outros minerais essenciais para a fabricação de equipamentos — de celulares a baterias para carros elétricos e painéis solares.

Ainda que não existam cálculos exatos, estima-se que a CCZ poderia abrigar 27 milhões de toneladas de nódulos, que têm o tamanho de uma bola de beisebol. Não se sabe, entretanto, se essa quantidade toda será acessível.

Michael Johnston, da Nautilus Minerals, calcula que, no ritmo do consumo de hoje, a CCZ terá cobre o suficiente para abastecer o mundo durante os próximos 30 anos.

Por outro lado, biólogos e ambientalistas descobriram que, de alguma maneira, todo o ecossistema da CCZ está conectado aos nódulos.

Algumas espécies de esponjas e anêmonas precisam da superfície dura dos nódulos para viver. Vídeos gravados na CCZ também mostram que nos lugares onde há mais nódulos há uma quantidade maior de peixes, com tamanho e diversidade maiores que espécies em áreas com menos nódulos.
A região de Clarion-Clipperton é rica em nódulos de manganês, que contêm minerais como cobre e níquel — Foto: Nautilus Minerals via BBC
A região de Clarion-Clipperton é rica em nódulos de manganês, que contêm minerais como cobre e níquel — Foto: Nautilus Minerals via BBC

O que vem agora?

Jessica Battle, do World Wide Fund for Nature (WWF), diz que a adoção de uma moratória é fundamental para uma avaliação adequada dos riscos.

"Nós realmente precisamos colocar um freio em tudo isso, em particular até que haja tempo suficiente para a ciência ajudar a tomar uma decisão informada."

Ela está menos preocupada com as perspectivas de uma mineração real começando em dois anos — já que as máquinas de mineração ainda não estão prontas — e mais com o que pode acontecer na pressa para concluir a regulamentação.

"O que vai prevalecer? O princípio da precaução e cuidado com o meio ambiente? Ou os interesses comerciais?"

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sexta-feira, 2 de julho de 2021

Após 3 quedas seguidas, produção industrial cresce 1,4% em maio

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Com o resultado, indústria retomou novamente o patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, mas não eliminou as perdas dos meses de fevereiro, março e abril, que deixaram saldo negativo de 4,7%.
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Por Daniel Silveira e Darlan Alvarenga, G1

Postado em 02 de julho de 2021 às 10h00m


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A produção industrial brasileira cresceu 1,4% em maio, na comparação com abril, interrompendo três meses consecutivos de queda, apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já em relação a maio de 2020, o crescimento foi de 24% – 9ª taxa positiva consecutiva nesta base de comparação.

O desempenho do quinto mês de 2021, porém, ficou pouco abaixo da mediana das estimativas de 30 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de alta de 1,6%. As projeções iam de queda de 1% a expansão de 3,3%.

No ano, a indústria acumula alta de 13,1% e, em 12 meses, de 4,9%.

O indicador acumulado em 12 meses registrou a segunda taxa positiva após uma sequência de 22 negativas. O gerente da pesquisa, André Macedo, destacou que o resultado de maio, mais de quatro vezes superior ao de abril, demonstra que houve avanço no ritmo de crescimento do setor industrial.

Além disso, Macedo enfatizou que foi a primeira vez, desde outubro de 2018, que todas as categorias econômicas registraram taxa positiva para o indicador acumulado em 12 meses.

Indicador acumulado em 12 meses teve segunda taxa positiva após sequência de 22 negativas — Foto: Economia/G1
Indicador acumulado em 12 meses teve segunda taxa positiva após sequência de 22 negativas — Foto: Economia/G1

"Com o resultado de maio, a indústria chega ao mesmo patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia. Apesar do avanço, o setor ainda se encontra 16,7% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011", destacou o IBGE.

O gerente da pesquisa destacou, ainda, que este patamar é o mesmo em que o setor industrial se encontrava em fevereiro de 2009.

Resultado não elimina perdas do período de fevereiro a abril deste ano

Segundo Macedo, a mudança de rumo observada em maio ainda não significa uma reversão do saldo negativo acumulado nos meses de fevereiro, março e abril deste ano, quando houve perda acumulada de 4,7%.

Há uma volta ao campo positivo, mas está longe de recuperar essa perda recente que o setor industrial teve. Muito desse comportamento de predominância negativa nos últimos meses tem uma relação direta com o recrudescimento da pandemia, no início de 2021, que trouxe um desarranjo para as cadeias produtivas, destacou o pesquisador. 
Média móvel trimestral fica em -0,8%

A média móvel trimestral da indústria ficou negativa, em -0,8%, no trimestre encerrado em maio de 2021, frente ao nível do mês anterior, mantendo a trajetória de perda de dinamismo iniciada em fevereiro de 2021.

Alta em 15 das 26 atividades pesquisadas

O crescimento da produção industrial em maio foi disseminado entre 15 das 16 atividades industriais pesquisadas pelo IBGE. Nos meses anteriores, a disseminação era de taxas negativas, segundo apontou o gerente da pesquisa.

De acordo com o IBGE, os principais impactos positivos entre as atividades vieram de produtos alimentícios (2,9%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,0%) - ambas com queda em abril - e das indústrias extrativas (2,0%).

A maior parte das atividades volta ao crescimento após perdas importantes nos meses anteriores. O setor de derivados do petróleo, por exemplo, que é o segundo maior impacto positivo do mês, havia recuado 10%. Isso significa que há algum grau de recomposição em relação às perdas dos últimos meses, destacou Macedo.

Também se destacaram os resultados positivos da metalurgia (3,2%), de outros produtos químicos (2,9%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,0%), de bebidas (2,9%) e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (6,2%).

Já dentre as 11 atividades que registraram queda na produção em maio, as que mais impactaram negativamente o índice foram produtos de borracha e de material plástico (-3,8%), máquinas e equipamentos (-1,8%) e produtos têxteis (-6,1%).

Também houve disseminação de taxas positivas entre as cinco grandes categorias econômicas - três registraram crescimento em maio.

Resultados de maio por grande categoria:

  • Bens de capital: 1,3%
  • Bens de consumo: 1,5%%
  • Bens de consumo semiduráveis e não duráveis: 3,6%
  • Bens intermediários: -0,6%
  • Bens de consumo duráveis: -2,4%

O IBGE destacou que bens de consumo semi e não-duráveis registrou a primeira taxa positiva após três meses de queda, período em que acumulou perda de 11,4%.

Já bens de consumo duráveis registrou a sexta queda seguida, acumulando perda de 16,2% no período.

Apenas metade das atividades retomaram nível pré-pandemia

Embora o setor industrial tenha voltado a retomar, em maio, o mesmo patamar de produção observado em fevereiro do ano passado, antes do início da crise sanitária global, metade das atividades industriais investigadas pelo IBGE ainda operam abaixo daquele nível.

Metade das atividades industriais retomaram o patamar pré-pandemia em maio — Foto: Economia/G1
Metade das atividades industriais retomaram o patamar pré-pandemia em maio — Foto: Economia/G1

Entre as grandes categorias da indústria, bens de capital e bens intermediários superaram o patamar pré-pandemia em, respectivamente, 14,1% e 2,2%. Já bens de consumo semi e não duráveis ficaram 6,3% abaixo do nível de fevereiro de 2020, enquanto bens duráveis ficou 14,5% abaixo.

Perspectivas

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 3,4 pontos em junho para 107,6 pontos, segundo a Fundação Getulio Vargas. Trata-se da segunda alta seguida e da maior pontuação desde fevereiro. Apesar da melhora, o otimismo dos empresários continua sendo limitado pela escassez de insumos, aumento dos custos e demanda ainda fraca da economia.

O mercado financeiro estima atualmente um crescimento de 5,05% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2021. Para o resultado da produção industrial, a expectativa é de avanço de 6,23% no ano, após tombo de 4,5% no ano passado.

Economistas têm destacado que uma recuperação mais consistente do mercado de trabalho só deverá ser mais visível a partir o segundo semestre, e condicionada ao avanço da vacinação e também à retomada do setor de serviços – o que mais emprega no país e o mais afetado pelas medidas de restrição para conter o coronavírus.

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quinta-feira, 1 de julho de 2021

Carro voador completa teste com voo entre dois aeroportos

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O veículo funciona com combustível normal e pode viajar até mil km no ar, diz seu criador.
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de julho de 2021 às 12h25m


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O protótipo do carro voador completou voo teste de 35 minutos entre dois aeroportos — Foto: Klein Vision
O protótipo do carro voador completou voo teste de 35 minutos entre dois aeroportos — Foto: Klein Vision

Um protótipo de carro voador completou um voo de 35 minutos entre os aeroportos internacionais de Nitra e Bratislava, na Eslováquia.

O carro-avião híbrido, AirCar, está equipado com um motor BMW e funciona com gasolina comum.

Seu criador, o professor Stefan Klein, disse que o veículo poderia voar cerca de mil km, a uma altura de 2,5 mil metros, e já havia rodado 40 horas no ar até agora.

O carro precisa de dois minutos e 15 segundos para se transformar em uma aeronave.

Carro voador completa voo com sucesso na Eslováquia
Carro voador completa voo com sucesso na Eslováquia

'Muito agradável'

O professor Klein convidou repórteres para assistir ao voo na manhã de segunda-feira (28/06). Ele disse que a experiência foi "normal" e "muito agradável".

As asas estreitas se dobram nas laterais do carro. No ar, o veículo atingiu a velocidade de cruzeiro de 170 km/h. O carro voador é capaz de transportar duas pessoas, com um limite de peso combinado de 200 kg.

Mas, ao contrário dos protótipos de drone-táxi existentes, ele não consegue decolar e pousar verticalmente, e requer uma pista de decolagem e aterrissagem.
O híbrido AirCar visa a atender demanda criada pelos problemas de congestionamento de tráfego em ruas e estradas — Foto: Klein Vision
O híbrido AirCar visa a atender demanda criada pelos problemas de congestionamento de tráfego em ruas e estradas — Foto: Klein Vision

Há grandes expectativas sobre o novo mercado de carros voadores, que há muito tempo são anunciados na cultura popular como um marco visionário do futuro.

Em 2019, a consultora Morgan Stanley previu que o setor poderia valer US$ 1,5 trilhão em 2040.

E em um evento da indústria na terça-feira, o presidente-executivo da Hyundai Motors Europe, Michael Cole, chamou o conceito de "parte do nosso futuro".

Esse tipo de veículo é considerado uma solução potencial para os problemas atuais de infraestruturas de transporte.

'Mercado enorme'

A empresa por trás da AirCar, a Klein Vision, diz que o protótipo levou cerca de dois anos para ser desenvolvido e custou "menos de 2 milhões de euros" (R$ 11 milhões) em investimento.

Anton Rajac, consultor e investidor da Klein Vision, disse que se a empresa pudesse atrair até mesmo uma pequena porcentagem das vendas globais de companhias aéreas ou táxis, ela teria um enorme sucesso.

"Existem cerca de 40 mil pedidos de aeronaves apenas nos EUA", disse ele.

"E se convertermos 5% desses pedidos para carro voador, temos um mercado enorme."

'Realmente legal'

Stephen Wright, pesquisador sênior de aeronaves da Universidade do Oeste da Inglaterra, descreve o AirCar como "o filho de um Bugatti Veyron com um Cesna 172".

"Tenho que admitir que isso parece muito bacana, mas tenho centenas de perguntas sobre o processo de certificação", disse.

"Qualquer um pode fazer um avião, mas o truque é fazer um que voe e voe e voe por um milhão de horas, com uma pessoa a bordo, sem nenhum incidente. Mal posso esperar para ver o pedaço de papel que diz que é seguro de se voar e vender."

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quarta-feira, 30 de junho de 2021

Desemprego mantém recorde de 14,7% e atinge 14,8 milhões de brasileiros no trimestre encerrado em abril

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País ainda tem 3,3 milhões de ocupados a menos em relação ao contingente pré-pandemia. Entre as categorias, somente o número de trabalhadores por conta própria cresceu, segundo o IBGE.
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1

Postado em 30 de junho de 2021 às 10h00m


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Taxa de desemprego fica em 14,7% entre fevereiro e abril; Miriam Leitão comenta
Taxa de desemprego fica em 14,7% entre fevereiro e abril; Miriam Leitão comenta

O desemprego no Brasil ficou em 14,7% no trimestre encerrado em abril e se manteve em patamar recorde, segundo divulgou nesta quarta-feira (30) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de desempregados totalizou 14,8, milhões de pessoas.

"Essa taxa e o contingente de desocupados mantêm o recorde registrado no trimestre encerrado em março, o maior da série desde 2012", destacou o IBGE.

No mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego era menor, de 12,6%. Já o número de desempregados aumentou 15,2% (mais 1,9 milhão de pessoas) na comparação anual e 3,4% (mais 489 mil pessoas) na comparação com o trimestre encerrado em janeiro.

Taxa de desemprego mantém recorde em abril — Foto: Economia/G1
Taxa de desemprego mantém recorde em abril — Foto: Economia/G1

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). No levantamento anterior, referente ao trimestre encerrado em março, a taxa de desemprego atingiu pela primeira vez a marca recorde de 14,7% e o total de 14,8 milhões de desocupados.

O resultado veio em linha com o esperado pelo mercado. O intervalo das estimativas captadas pelo Valor Data ia de 14,5% a 15,1%, com mediana de 14,7%.


Mercado de trabalho ainda pressionado

A população ocupada (85,9 milhões de pessoas) também mostrou estabilidade em relação ao trimestre móvel anterior, mas ficou 3,7% abaixo do número que o país registrava no trimestre fechado em abril do ano passado, quando foram observados os primeiros efeitos da pandemia. Ou seja, o país tem menos 3,3 milhões de pessoas trabalhando desde o início da pandemia.

O cenário foi de estabilidade da população ocupada (85,9 milhões) e crescimento da população desocupada, com mais pressão sobre o mercado de trabalho, avaliou a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, observando que o nível de ocupação (48,5%) continua abaixo de 50% desde o trimestre encerrado em maio do ano passado, o que indica que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.

O número de postos de trabalho perdidos, no entanto, tem diminuído. No trimestre terminado em março, o país havia perdido cerca de 6,6 milhões de ocupados na comparação com igual trimestre do ano passado.

"Os efeitos da pandemia sobre a ocupação começaram em abril do ano passado. Então, por isso, a gente começa agora a ter uma tendência de diminuição dessa diferença do número de ocupados", explicou a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

País perdeu cerca de 3,3 milhões de postos de trabalho em um ano de pandemia — Foto: Economia/G1
País perdeu cerca de 3,3 milhões de postos de trabalho em um ano de pandemia — Foto: Economia/G1 

Veja os principais destaques da pesquisa:

  • Entre janeiro e abril, cerca de 500 mil brasileiros ficaram desempregados; na comparação com abril de 2020, são quase 2 milhões a mais de desempregados no país;
  • Em 1 ano, número de postos de trabalho ocupados foi reduzido em cerca de 3,3 milhões;
  • Trabalho por conta própria continuou crescendo: aumentou em 661 mil em 1 ano;
  • Administração pública foi a única atividade com aumento do número de ocupados;
  • Desalento permaneceu em patamar recorde, atingindo 6 milhões de trabalhadores; em um ano, aumentou em 941 mil o número de pessoas que desistiram de procurar trabalho;
  • Taxa de informalidade foi de 39,8%, o que equivale a 34,2 milhões de pessoas, contra 39,7% no ao trimestre anterior;
  • A população subutilizada atingiu o número recorde de 33,3 milhões, com aumento de cresceu 2,7% (mais 872 mil) frente ao trimestre anterior e de 16% (mais 4,6 milhões) na comparação interanual; a taxa composta de subutilização (29,7%) também foi recorde.
  • Rendimento médio dos trabalhadores foi de R$ 2.532, contra R$ 2.511 no trimestre anterior. Já a massa de rendimentos somou R$ 212,3 bilhões, o que representa um volume 5,4% menor (menos R$ 12,1 bilhões) do que o registrado no mesmo trimestre do ano passado.
Só trabalho por conta própria cresce

Entre as categorias profissionais, somente o número de trabalhadores por conta própria cresceu em 3 meses (2,3% ou mais 537 mil pessoas), totalizando 24 milhões. Na comparação interanual, a alta foi de 2,8% (mais 661 mil pessoas).

Essa forma de inserção no mercado tem um contingente mais elevado agora do que em abril de 2020 [mais 661 mil pessoas] na comparação anual. Observamos uma reação maior no trabalho por conta própria do que no emprego com carteira no setor privado, destacou Adriana Beringuy.

O total de empregados com carteira assinada no setor privado ficou estável em 29,6 milhões no trimestre. Na comparação anual, porém, houve uma redução de 8,1% ou menos 2,6 milhões de pessoas. Os trabalhadores sem carteira também ficaram estáveis (9,8 milhões). Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, no entanto, o número é 3,7% menor (menos 374 mil pessoas).

População subocupada cresce mais que a ocupada

Outro destaque da pesquisa foi a alta no total de pessoas subutilizadas, que são aquelas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial. Esse contingente chegou a 33,3 milhões, o maior da série comparável, segundo o IBGE, com um aumento de 2,7% (mais 872 mil pessoas). A taxa de 29,7% também foi recorde.

O ritmo de crescimento dos subocupados por insuficiência de horas trabalhadas é maior que o da população ocupada, com avanço de 18,3% (mais 1,1 milhão de pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2020.

Isso mostra que vem aumentando o número de trabalhadores que têm disponibilidade para trabalhar mais horas do que aquelas habitualmente trabalhadas, explica a analista.

Comércio perde postos de trabalho

Na análise por segmento, o comércio foi o que apresentou o pior desemprenho, com queda de queda de 2,3% (menos 373 mil pessoas) frente ao trimestre anterior. Os demais grupamentos de atividades ficaram estáveis, segundo o IBGE.

O comércio é uma atividade que tende a não apresentar crescimento nos trimestres encerrados em abril. Esse comportamento de retração do comércio é sazonal, ponderou Beringuy.

Na comparação interanual, houve quedas em 6 grupamentos: Indústria Geral (-4,3%, ou menos 497 mil pessoas), Comércio (-6,7%, ou menos 1,1 milhão de pessoas), Transporte, armazenagem e correio (-8,3%, ou menos 393 mil pessoas), Alojamento e alimentação (-17,7%, ou menos 871 mil pessoas), Outros serviços (-13,9%, ou menos 660 mil pessoas) e Serviços domésticos (-10,1%, ou menos 562 mil pessoas). A única alta foi em Agricultura (6,5% ou mais 532 mil pessoas).

Perspectivas

O mercado financeiro estima para 2021 um crescimento de 5,05% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e inflação de 5,97%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

Apesar da melhora nas projeções para o avanço da economia brasileira, economistas têm destacado que uma recuperação mais consistente do mercado de trabalho só deverá ser mais visível a partir o segundo semestre, e condicionada ao avanço da vacinação e à retomada do setor de serviços – o que mais emprega no país e o mais afetado pelas medidas de restrição para conter o coronavírus.

Na avaliação dos economistas Marco Caruso e Lisandra Barbero, do banco Original, a taxa de desemprego ainda deverá ser pressionada pela volta mais acelerada dos indivíduos à força de trabalho. "A melhora gradual das estatísticas de renda e a recuperação dos setores informais (concentrados especialmente no setor de serviços) - à medida em que a pandemia melhora e a campanha de vacinação avança - corroboram o entendimento de o que o mercado de trabalho brasileiro deve dar continuidade ao processo de recuperação gradual observado nos últimos meses", destacaram ao comentar o resultado.

Guedes diz que auxílio emergencial vai ser prorrogado por mais três meses
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