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sábado, 14 de novembro de 2020

Neurocientista Miguel Nicolelis questiona em livro a inteligência artificial e seus efeitos sobre o cérebro humano

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Em "O verdadeiro criador de tudo", o pesquisador diz que máquinas digitais não têm como igualar o potencial da mente do homo sapiens, mas afirma que o uso da tecnologia poderá diminuir a capacidade cognitiva.  
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Por Shin Suzuki, G1  
14/11/2020 07h00 Atualizado agora mesmo
Postado em 14 de novembro de 2020 às 11h00m


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O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis — Foto: Divulgação
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis — Foto: Divulgação

Desde que o ser humano se entusiasmou com a ideia de um futuro dominado pela tecnologia, uma pergunta vem sendo feita: quando o cérebro humano vai ser superado pela máquina?

O neurocientista Miguel Nicolelis defende em seu livro "O verdadeiro criador de tudo - Como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos" (editora Crítica) que o digital não reúne condições para reproduzir fielmente os processos mentais - nem de emular o poder humano de criação e inventividade. A inteligência, no entanto, corre o risco de ser moldada pelos algoritmos e se empobrecer.

Nicolelis explica que o sucesso dos sistemas digitais nos últimos 70 anos fez com que o analógico do funcionamento cerebral pareça algo inferior.

"Quando o cérebro realiza alguma coisa, ele realiza usando matéria orgânica. E esse é um conceito que desapareceu da nossa convivência diária. Nem tudo pode ser reduzido a um algoritmo digital. Ao contrário: a vasta maioria dos fenômenos naturais não pode. Por isso que previsão do tempo é tão incerta", diz ao G1 o neurocientista, que leciona e lidera estudos na Universidade Duke, nos Estados Unidos.

Apesar da eficiência do digital em transmitir informação por meios de sequências de 0 e 1, o sistema analógico do cérebro dispõe de uma complexidade de processos que o eletrônico, segundo Nicolelis, é incapaz de emular.

"O digital é uma aproximação. Ele filtra impurezas. O nosso cérebro, por sua vez, está habituado a perceber as impurezas."

No livro, o neurocientista critica duramente o que chama de adoração ao poderio tecnológico encampada pelos gigantes do Vale do Silício.

"Se criou quase um fetiche de que devemos criar máquinas que substituam seres humanos. E isso tem uma conotação muito mais econômica: é a ideia de reduzir o custo que representa o trabalho humano para elevar o lucro ao infinito."'

O pesquisador argumenta em "O verdadeiro criador de tudo" que abstrações mentais - ideias e concepções que se espalham e moldam a sociedade humana, de religiões a sistemas econômicos - não necessariamente servem para nos beneficiar.

"A razão pela qual nós estamos nessa crise existencial tremenda é porque certas abstrações mentais como lucro e dinheiro se tornaram mais importantes do que instinto de sobrevivência. Estamos dispostos a destruir o planeta, a escravizar as pessoas, a obrigar as pessoas a terem vidas miseráveis sem o mínimo para o sustento ou para sua felicidade."

"O cérebro é um criador de universos, ele cria bolhas como religião, mitos, ideologias políticas... times de futebol. Ele é muito propenso a acreditar nessas abstrações humanas e sincronizar sua própria mente com as de outras pessoas que pensam como ele."

Cérebro poderá ser moldado pelo uso de tecnologia digital, diz Nicolelis — Foto: Fonds de Dotatio Clinatec
Cérebro poderá ser moldado pelo uso de tecnologia digital, diz Nicolelis — Foto: Fonds de Dotatio Clinatec

Ele afirma que essa sincronização entre pensamentos semelhantes vem ocorrendo em um ambiente de declínio da visão crítica do mundo:

"Por exemplo, a pessoa se junta a um culto porque de repente ela se sincroniza com aquela visão de mundo. E a mente dela se fecha para qualquer pensamento racional e crítico. Ou uma pessoa vota em alguém porque o cara grita ou porque o cara é truculento. As pessoas começam a usar valores completamente periféricos para tomar suas decisões", diz.

Esses agrupamentos de cabeças que pensam de forma parecida são chamados por Nicolelis de "brainets" (redes de cérebro). Ele enfatiza que há dois lados: muito da evolução humana se deve a essas redes que transmitiram conhecimento e informação através de gerações. Daí saíram movimentos artísticos e métodos científicos.

"As brainets podem servir para coisas boas. É nossa missão identificar quais são as ruins. Foi por isso que eu escrevi esse livro, para tirar a neurociência do laboratório e mostrar por que a mente humana é o centro do nosso universo. É a responsável por todos os processos: tanto os que foram bem-sucedidos quanto os que acabaram em tragédias."

Miguel Nicolelis durante participação na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty — Foto: Walter Craveiro/Flip
Miguel Nicolelis durante participação na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty — Foto: Walter Craveiro/Flip

Preocupação com o cérebro futuro

É uma grande ironia do destino que o poder dessas "brainets", com abstrações mentais sedutoras, possa rebaixar as capacidades mentais do ser humano. A imersão digital profunda, com muitas telas e internet, está mudando o cérebro dos mais jovens e levando a distúrbios cognitivos e emotivos, diz o pesquisador.

Nicolelis se junta a um grupo de pensadores que cada vez mais expressa receios sobre arquiteturas digitais que ativam circuitos do prazer e da recompensa no cérebro - e do vício, o que levaria a deterioração da saúde mental (pesquisas sobre o tema apresentam conclusões divergentes).

Além disso, decisões tomadas cada vez mais por algoritmos e outros processos facilitados por computadores levam o neurocientista a temer uma espécie de distrofia das capacidades potenciais do cérebro humano.

"Pela primeira vez na história uma geração aparentemente tem um QI abaixo de seus pais. A neurociência está mostrando que isso está afetando o cérebro, que é um grande camaleão. Se o cérebro vê que a lógica do mundo ao redor está mudando, se as contingências estão mudando, ele se adapta."

A geração alfa - nascida a partir de 2010 e formada pelos filhos dos millennials - é considerada a primeira geração para a qual muitos aspectos do mundo analógico parecem bem distantes de realidade.

O neurocientista opina que "tecnologia virou religião" e que foi conferida a ela um poder divino, de resolver todos os nossos problemas. Mas afirma que não tem nada de fobia em relação aos avanços trazidos pelas máquinas.

"Trabalho com tecnologia há 38 anos, passei a minha carreira inteira usando tecnologias de ponta para estudar o cérebro ou sistemas digitais. Mas isso não quer dizer que possamos ir completamente às cegas rumo a algo que pode alterar a própria essência de como funcionamos."

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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

'Prévia' do PIB do BC aponta alta de 9,47% no terceiro trimestre e saída da recessão

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Resultado indica retomada do nível de atividade após pior fase da pandemia do novo coronavírus, em março e abril deste ano. PIB oficial será divulgado em 3 de dezembro pelo IBGE.  
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília  
13/11/2020 09h05 Atualizado há 3 horas
Postado em 13 de novembro de 2020 às 12h10m


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A economia brasileira voltou a crescer no terceiro trimestre deste ano e, com isso, saiu da chamada "recessão técnica". É o que indicam informações divulgadas nesta sexta-feira (13) pelo Banco Central.

Segundo o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br)– indicador considerado com uma "prévia" do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) – a economia registrou um crescimento de 9,47% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Dois trimestres seguidos de queda do nível de atividade (registrados neste ano) representam uma recessão técnica, que foi superada, segundo indicam os números prévios do BC.

O resultado oficial do PIB no terceiro trimestre deste ano, porém, será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) somente em 3 de dezembro.

Os resultados do IBC-Br, neste ano refletem os efeitos da pandemia do novo coronavírus, sentidos com maior intensidade na economia em março e abril. De maio em diante, os números mostram o início de uma retomada da economia, puxada, entre outros fatores, pelo auxílio emergencial.

Em análise recente, o BC informou que "programas governamentais de recomposição de renda têm permitido uma retomada relativamente forte do consumo de bens duráveis e do investimento".

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comentou na manhã desta sexta os dados do BC e afirmou: "É um fato que o Brasil está saindo da recessão".

"O Brasil está saindo da recessão, o Brasil está voltando com força, e a perda de empregos vai ser menor do que na última recessão. Na hora da maior pandemia, o Brasil está conseguindo atravessar essa onda com uma perda de empregos menor do que aconteceu com as auto impostas recessões do passado", disse.

Mês a mês e parcial do ano

De acordo com o IBC-Br, somente em setembro deste ano, a economia brasileira mostrou crescimento de 1,29% na comparação com agosto. O número foi calculado após ajuste sazonal. Esse foi o quinto mês seguido de crescimento do indicador, na comparação com o mês anterior.

Evolução do IBC-Br
Em %, na comparação com o mês anterior (após ajuste sazonal)
-1,14-1,14-0,09-0,09-0,18-0,180,650,650,30,300-0,16-0,160,550,550,40,4-0,2-0,2-0,24-0,240,150,150,40,4-5,89-5,89-9,23-9,231,671,675,385,383,773,771,391,391,291,29FEV/19MAR/19ABR/19MAI/19JUN/19JUL/19AGO/19SET/19OUT/19NOV/19DEZ/19JAN/20FEV/20MAR/20ABR/20MAI/20JUN/20JUL/20AGO/20SET/20-10-7,5-5-2,502,557,5
Fonte: Banco Central

Mesmo assim, os números do Banco Central também mostram que o nível de atividade ainda não voltou ao patamar de fevereiro, registrado antes da pandemia do novo coronavírus.

O vídeo abaixo mostra como o Brasil chegou ao tombo recorde do PIB registrado no segundo trimestre deste ano, de uma queda de 9,7% na comparação com os primeiros três meses de 2020.

O caminho da recessão: como o Brasil chegou à queda histórica do PIB
O caminho da recessão: como o Brasil chegou à queda histórica do PIB

  • Com o crescimento registrado em setembro, o IBC-Br atingiu 136,34 pontos, abaixo do patamar de fevereiro, ou seja, de antes da pandemia (139,80 pontos).
  • No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, o índice de atividade econômica registra queda de 4,93% – sem ajuste sazonal.
  • Em 12 meses até setembro de 2020, houve queda de 3,32% – também sem ajuste sazonal.
  • PIB x IBC-Br

Os resultados do IBC-Br são considerados uma "prévia do PIB". Porém, nem sempre mostram proximidade com os dados oficiais do Produto Interno Bruto.

O cálculo dos dois é um pouco diferente. O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Atualmente, a taxa Selic está em 2% ao ano, na mínima histórica. O BC indicou, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), manutenção da taxa básica da economia nesse patamar nos próximos meses.

Expectativas

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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Duração de furacões aumenta com aquecimento global, sugere estudo publicado na 'Nature'

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Aumento da temperatura dos oceanos no Atlântico Norte faz com que furacões carreguem mais umidade quando tocam o solo, o que os deixa mais fortes, dizem cientistas de uma universidade japonesa. A destruição causada por eles também deve ir mais para dentro do continente à medida que a temperatura do planeta sobe.  
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Por G1  
12/11/2020 08h48 Atualizado há 6 horas
Postado em 12 de novembro de 2020 às 15h00



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Menino anda carregando pneu no ombro em meio a rua alagada após chuvas fortes na cidade de Villahermosa, no estado mexicano de Tabasco, no dia 11 de novembro. — Foto: Angel Hernandez/AFP
Menino anda carregando pneu no ombro em meio a rua alagada após chuvas fortes na cidade de Villahermosa, no estado mexicano de Tabasco, no dia 11 de novembro. — Foto: Angel Hernandez/AFP

Uma pesquisa publicada na quinta-feira (11) na revista científica "Nature", uma das mais importantes do mundo, aponta que os furacões do Atlântico Norte estão levando mais tempo para perder força com o aquecimento global – ou seja, eles estão durando mais tempo.

O estudo também aponta que, à medida que o planeta esquenta, a destruição trazida pelos furacões deve avançar, de forma progressiva, para o interior do continente.

As conclusões são de dois cientistas da Universidade de Pós-Graduação do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa, no Japão.

Veja os principais pontos do estudo:

  1. Os cientistas analisaram a intensidade de furacões no Atlântico Norte que tocaram o solo no período de 1967 a 2018. Eles descobriram que, enquanto nos anos 60 um furacão típico perdia cerca de 75% da sua intensidade um dia após tocar o solo, hoje essa perda é de apenas 50%.
  2. Isso está ocorrendo porque os furacões são alimentados pela umidade marinha. Usando simulações de computador, os pesquisadores mostraram que, com o aumento da temperatura dos oceanos, aumenta a umidade que o furacão carrega ao tocar o solo.
  3. Os achados apontam que, à medida que o planeta for aquecendo, o poder destrutivo dos furacões vai se estender, de forma progressiva, mais para dentro do continente.

"Pontuamos que nossas descobertas têm implicações diretas para os danos infligidos por furacões em um mundo em aquecimento", dizem os pesquisadores no estudo. 
Prejuízo econômico
Homem carrega televisão enquanto atravessa rua inundada, nesta quinta-feira (12), depois que o Tufão Vamco atingiu a cidade de Marikina City, nas Filipinas. — Foto: Ted Aljibe/AFP
Homem carrega televisão enquanto atravessa rua inundada, nesta quinta-feira (12), depois que o Tufão Vamco atingiu a cidade de Marikina City, nas Filipinas. — Foto: Ted Aljibe/AFP

Os cientistas lembram que, mesmo que a intensidade do furacão ao tocar o solo permaneça a mesma, a perda mais lenta de intensidade significa que regiões mais para o interior do continente enfrentam ventos cada vez mais intensos, acompanhados por fortes chuvas. Consequentemente, dizem, o custo econômico incorrido continua crescendo.

Eles também pontuam que, por mais de um século, a frequência e a intensidade dos furacões ficaram praticamente inalteradas, mas as perdas econômicas causadas por eles vêm aumentando de forma contínua.

Um argumento para isso, dizem, era de que esse aumento dos custos ocorria por causa do crescimento da população costeira e do patrimônio das pessoas. Sob essa ótica, o aquecimento do planeta não teria nenhum papel.

Mas, no artigo, os cientistas pontuam que esse pensamento pode não incluir custos associados a uma perda de força mais lenta dos furacões com o aumento da temperatura terrestre.

"Para o planejamento de risco, chamamos a atenção para as regiões do interior – elas estão menos preparadas para furacões do que as regiões costeiras, e, portanto, são mais vulneráveis aos danos de furacões que se deterioram lentamente", concluem os pesquisadores.

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Setor de serviços tem 4ª alta seguida, mas segue abaixo do nível pré-pandemia

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Apesar do avanço de 1,8% em setembro, setor segue 8% abaixo do patamar de fevereiro e continua mostrando recuperação mais lenta do que a observada no comércio e indústria.  
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1  
12/11/2020 09h00 Atualizado há 3 horas
Postado em 12 de novembro de 2020 às 12h00m


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O volume de serviços prestados no Brasil cresceu 1,8% em setembro, na comparação com agosto, segundo divulgou nesta quinta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de engatar a quarta alta seguida, o setor ainda não conseguiu recuperar o patamar pré-pandemia e continua mostrando recuperação mais lenta do que a observada no comércio e indústria.

"O volume de serviços ainda se encontra 18,3% abaixo do recorde histórico, alcançado em novembro de 2014 e 8% abaixo de fevereiro de 2020", informou o IBGE, destacando que o ganho acumulado de 13,4% em 4 meses foi insuficiente para compensar a perda acumulada de 19,8% entre fevereiro e maio.

Segundo o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, o setor de serviços ainda precisa avançar 8,7% para recuperar o patamar de fevereiro, mês que antecedeu o início das medidas de isolamento para contenção do coronavírus.

Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia G1
Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia G1

Embora o ritmo de recuperação tenha desacelerado, a alta de 1,8% em setembro foi o maior avanço já registrado para meses de setembro em toda a série histórica iniciada em 2011.

Em relação a setembro de 2019, o setor recuou 7,2%, a sétima taxa negativa seguida nessa base de comparação.

A expectativa eem pesquisa da Reuters era de alta de 1,1% na comparação mensal e queda de 8,1% ante setembro de 2019.

Perda de 8,8% no acumulado no ano e queda recorde em 12 meses

No acumulado no ano, setor ainda tem queda de 8,8% frente ao mesmo período do ano passado, maior perda já registrada para meses de setembro em toda a série histórica do IBGE, com expansão em apenas 25,3% dos 166 tipos de serviços investigados.

Em 12 meses até setembro, a perda acelerou para uma taxa recorde de -6%, vindo de -5,3% em agosto, chegando também ao resultado negativo mais intenso da série deste indicador.

A receita nominal do setor cresceu 2% em setembro, frente ao mês imediatamente anterior, mas caiu 7,5% na comparação anual. No acumulado no ano, o indicador mostra baixa de 8,1%. Em 12 meses, diminuiu 4,7%.

Regionalmente, 26 das 27 unidades da federação acumulam taxas negativas no acumulado no ano, com destaque para SP (-8,3%), RJ, (-7,3%), RS (-14,0%) e MG (-7,9%). Rondônia (3,4%) é o único estado com crescimento em 2020.

Desempenho por segmento

Setorialmente, 4 das 5 atividades mostraram avanço no volume na passagem de agosto para setembro. Apenas serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,6%) tiveram resultado negativo.

Variação do volume de serviços em setembro, por atividade e subgrupos:

  • Serviços prestados às famílias: 9%
  • Serviços de alojamento e alimentação: 9,1%
  • Outros serviços prestados às famílias: 10,9%
  • Serviços de informação e comunicação: 2%
  • Serviços de tecnologia da informação e comunicação: 1,4%
  • Telecomunicações: 0,3%
  • Serviços de tecnologia da informação: 3,2%
  • Serviços audiovisuais: 5,6%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -0,6%
  • Serviços técnico-profissionais: -1,9%
  • Serviços administrativos e complementares: 1,1%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: 1,1%
  • Transporte terrestre: 2,3%
  • Transporte aquaviário: 3,1%
  • Transporte aéreo: 19,2%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: -2,9%
  • Outros serviços: 4,8%

O setor de outros serviços, que avançou 4,8% na comparação com o mês anterior, alcançou 6,1% no acumulado do ano, foi o único a superar o nível pré-pandemia, refletindo a alta nos serviços financeiros e auxiliares.
"As empresas nesse segmento vêm obtendo incrementos de receita desde o segundo semestre de 2018 em função da redução consistente da taxa Selic, que reduziu os ganhos com a poupança e levou os agentes econômicos a buscarem alternativas mais atraentes de investimentos, sejam de renda fixa ou variável. Neste sentido, empresas que atuam como intermediárias desse processo de captação recursos, tais como as corretoras de títulos e as administradoras de bolsas de valores, têm obtido ganhos expressivos de receita por conta da maior procura por ativos de maior rentabilidade, explicou Lobo.

Quanto falta crescer para voltar ao patamar pré-pandemia — Foto: Economia G1
Quanto falta crescer para voltar ao patamar pré-pandemia — Foto: Economia G1

Serviços prestados às famílias acumulam queda 38,6% no ano

Os serviços prestados às famílias acumulam retração de 38,6% no ano, sendo que o segmento de serviços de alojamento e alimentação é o que acumula a maior queda do setor: -40,2%.

Segundo o IBGE, os serviços prestados às famílias são o segmento que ainda mais precisa avançar para voltar ao patamar pré-pandemia: 55,9%.

Já transportes ainda acumulam queda de 8,6% no ano e ainda precisam avançar 11,1% para retomar o nível de fevereiro. O subgrupo transporte aéreo, por sua vez, tem que avançar ainda 65,9%.

Muitos trabalhadores ainda estão exercendo suas funções fora do local de trabalho e ainda há muitas pessoas que não estão saindo de casa nem viajando. Por isso, estabelecimentos como restaurantes e hotéis, além do transporte de passageiros ainda não estão funcionando em plena capacidade, atuando como limitadores de um processo mais acelerado de retomada tanto dos serviços prestados às famílias como do setor de transportes como um todo, destacou Lobo. 
Alta de 8,6% no 3º trimestre

Após duas taxas negativas seguidas, o setor de serviços avançou 8,6% na passagem do segundo para o terceiro trimestre.

No segundo trimestre, a queda havia sido de 15,5%, a mais intensa de toda a série histórica da pesquisa. Já no primeiro trimestre, a queda havia sido de 2,9%.

"Nos dois primeiros trimestres, tivemos uma queda acumulada de 18%. Então, apesar da taxa positiva do terceiro trimestre, ainda é um crescimento insuficiente para reverter as perdas passadas", apontou o pesquisador.

Recuperação e perspectivas

Após o forte tombo da economia no 1º semestre, a atividade econômica vem mostrando reação no 3º trimestre, mas com um desempenho desigual entre os setores.

O setor de serviços foi o mais abalados pela pandemia de coronavírus e continua mostrando um nível de atividade bem menor do que o observado no comércio e na indústria, sobretudo nas atividades que envolvem atendimento presencial.

Na quarta-feira, o IBGE mostrou que o comércio varejista cresceu pelo 5º mês seguido em setembro, zerando as perdas no ano. A indústria também cravou a quinta alta seguida em em setembro, eliminando completamente as perdas registradas entre março e abril. No acumulado no ano, porém, ainda acumula perda de 7,2%.

Relatório divulgado pelo Banco Central com base em dados de transações com cartão de débito mostram que as atividades de cabelereiro, lavanderias e outros serviços pessoais já voltaram ao nível de faturamento pré-pandemia, enquanto que o segmento de alimentação, que tem o maior peso no setor, ainda se encontra aproximadamente 7% abaixo do observado no 1º bimestre. Já as atividades culturais, de recreação e lazer possuem a retomada mais lenta, com faturamento 53% abaixo do nível pré-pandemia, "uma vez que grande parte desses serviços ainda não estão funcionando normalmente na maioria dos estados".

Analistas apontam que o desemprego elevado e perspectiva de término dos programas de auxílio devem limitar o ritmo de recuperação da economia na virada de ano. Pesam também nas perspectivas para o país, as incertezas ainda elevadas sobre a evolução da pandemia de coronavírus e as preocupações com a saúde das contas públicas.

"De maneira geral os dados do terceiro trimestre como um todo vieram muito bons e isto deve forçar alguma revisão em nossas projeções de PIB, no entanto com os dados desacelerando na margem teremos fatalmente um quarto trimestre de 2020 mais fraco o que pode contrabalançar a atividade deste ano", destacou o economista da Necton, André Perfeito.

A estimativa atual do mercado é de um tombo de 4,8% em 2020 e alta de 3,31% em 2021, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

Vendas do varejo crescem pelo 5º mês seguido, mas desaceleram em setembro
Vendas do varejo crescem pelo 5º mês seguido, mas desaceleram em setembro

Atividade turística cresce 11,5% em setembro

O IBGE também mostoru que o índice de atividades turísticas registrou expansão de 11,5% frente a agosto, quinta alta seguida. O indicador, porém, também não eliminou ainda as perdas registradas entre os meses de março e abril.

Frente a agosto de 2019, o volume de atividades turísticas caiu 38,7%, sétima taxa negativa seguida. No acumulado no ano, a perda ainda é de 38,8% frente a igual período de 2019.

O segmento de turismo ainda precisa avançar 66,1% para retornar ao patamar pré-pandemia.

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