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quinta-feira, 21 de março de 2019

Falta de acesso à água afeta bilhões e provoca aumento de conflitos no mundo, diz relatório da ONU

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Demanda por água deve continuar a crescer nos próximos anos e pode afetar produção de alimentos. Mais de dois bilhões de pessoas não têm acesso à água potável.

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Por G1 

Postado em 21 de março de 2019 às 14h00m 
GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013

Demanda por água não para de crescer e pode gerar conflitos — Foto: Pixabay 

Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu o acesso à água e ao saneamento básico como um direito universal. Desde então, os países membros precisam trabalhar para que as pessoas tenham acesso a estes direitos até 2030. A meta, no entanto, parece distante.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira (18), a ONU aponta que mais de dois bilhões de pessoas não têm acesso à água potável e mais de quatro bilhões não tem acesso à esgoto sanitário. Além disso, a demanda por água seguirá crescendo e pode afetar a produção de alimentos e gerar conflitos.

Os números falam por si. Como mostra o relatório, se a degradação do ambiente natural e a pressão insustentável sobre os recursos hídricos globais continuarem em ritmo atual, 45% do Produto Interno Bruto global e 40% da produção global de grãos estarão em risco até 2050. Populações pobres e marginalizadas serão afetadas de forma desproporcional, agravando ainda mais as desigualdades, disse Gilbert F. Houngbo, Presidente da ONU-Água e Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.

A agricultura (incluindo irrigação, pecuária e aquicultura) é a maior consumidora de água globalmente, respondendo por 69% da retirada anual de água em todo o mundo. A indústria (incluindo a geração de energia) responde por 19% e as residências particulares por 12%.

Estimativas recentes mostram que 31 países experimentam estresse hídrico entre 25% e 70%. Outros 22 países estão acima do nível de 70% e, por isso, encontram-se em uma situação grave de estresse hídrico. Ou seja, estão fazendo uso substancial de recursos hídricos, com maiores impactos sobre a sustentabilidade desses recursos e um crescente potencial de conflito entre os seus usuários.

Fatores que levam a falta de acesso à água, segundo a ONU
  • Crescimento populacional
  • Urbanização
  • Pobreza
  • Desigualdade social
  • Falta de acesso a educação e trabalho
Aumento dos conflitos por água
Segundo dados do relatório, houve um aumento de conflitos envolvendo água no período entre 2010-2018 se comparado com 2000-2009.

Foram 263 conflitos em que a água teve um papel de destaque (123 tendo a água como a causa do conflito, 29 em que água foi usada como arma e 133 em que o acesso à água foi afetado acidentalmente ou propositalmente pelos conflitos).

Porém, o relatório ressalta que este número tem que ser avaliado com cautela já que o aumento de conflitos de maneira geral pode ter contribuído para o aumento dos registros deste tipo de disputa.

Risco na produção de grãos
A agricultura é a maior consumidora de recursos hídricos e a escassez de água afeta diretamente a produção de grãos. Segundo o relatório, os principais efeitos das alterações climáticas nas áreas rurais serão sentidos através de impactos no abastecimento de água, segurança alimentar e rendimentos agrícolas.

Em algumas regiões, é provável que ocorram mudanças na produção agrícola, não apenas como resultado de mudanças de temperatura e precipitação, mas também através de mudanças na disponibilidade de água para irrigação.
Produção agrícola é a que mais gasta água no mundo — Foto: PixabayProdução agrícola é a que mais gasta água no mundo — Foto: Pixabay

Segundo a ONU, as mudanças climáticas terão um impacto desproporcional no bem-estar dos pobres nas áreas rurais.

Pesquisas de diferentes partes do mundo mostram que a irrigação suplementar em sistemas agrícolas podem não só garantir a sobrevivência das culturas, mas também duplicar ou mesmo triplicar a produção de chuvas por hectare para culturas como trigo, sorgo e milho.

Mais ricos pagam menos
Além da diferença entre os países mais ricos e pobres, discrepâncias significativas no acesso à água existem mesmo dentro dos países, especialmente entre os ricos e os pobres.

Nas áreas urbanas, os desfavorecidos alojados em acomodações improvisadas sem água corrente muitas vezes pagam de 10 a 20 vezes mais do que seus vizinhos em bairros mais ricos por água de qualidade semelhante ou menor comprada de vendedores de água ou caminhões-pipa.

Segundo o relatório, a melhoria dos serviços de saneamento e água, especialmente para grupos vulneráveis, teria um custo-benefício capaz de mudar o status social e a dignidade percebidos por esses grupos.

Estudos existentes indicam que os custos de saúde são mais onerosos para as famílias mais pobres do que os mais ricos, de tal forma que a poupança nas despesas relacionadas com a saúde teria um efeito multiplicador de benefícios (educação, produtividade no trabalho, etc).
Mudanças climáticas e mau uso da água causam estresse hídrico em vários países — Foto: PixabayMudanças climáticas e mau uso da água causam estresse hídrico em vários países — Foto: Pixabay

Situação pelo mundo

Os países árabes são os que mais sofrem com estresse hídrico, segundo o relatório. A escassez de água continuará a aumentar devido ao crescimento populacional e à mudança climática. Além disso, a região sofre com conflitos e violência em países menos desenvolvidos da região, como Somália, no Sudão e no Iêmen.

Na ásia, 29 de 48 países foram classificados como hidricamente não seguros, devido à baixa disponibilidade de água e à retirada insustentável de águas subterrâneas. Altos níveis de poluição hídrica pioram a situação com águas residuais não tratadas despejadas em corpos d’água superficiais – de 80% a 90% na região da Ásia e Pacífico.

Na Europa, 57 milhões de pessoas não têm água encanada em casa e 36 milhões de pessoas não têm acesso ao saneamento básico. A situação é mais grave em países do Leste Europeu.
No Caribe e na América Latina, somente 22% tem acesso a saneamento básico de qualidade. 
Nestas regiões, o acesso à água potável e saneamento básico é inferior nas áreas rurais se comparadas aos centros urbanos.

Na África Subsaariana, apenas 24% da população da tem acesso a serviços melhorados de água potável. O acesso médio a serviços de saneamento básico era de apenas 28%.
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quarta-feira, 20 de março de 2019

Aprovação do governo Bolsonaro cai 15 pontos e vai a 34%, diz Ibope

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Índice de aprovação é inferior ao de FHC, Lula e Dilma no mesmo período do primeiro mandato. Reprovação do governo subiu de 11% para 24%.

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Por G1 

Postado em 20 de março de 2019 às 22h30m 
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Ibope divulga pesquisa sobre a aprovação dos primeiros três meses do governo Bolsonaro

Ibope divulga pesquisa sobre a aprovação dos primeiros três meses do governo Bolsonaro

Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (20) mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL):
  • Ótimo/bom: 34%
  • Regular: 34%
  • Ruim/péssimo: 24%
  • Não sabe/não respondeu: 8%
A avaliação positiva do presidente caiu 15 pontos percentuais desde a posse. Em fevereiro, segundo a pesquisa, 19% consideravam o governo "ruim/péssimo"; 30%, "regular"; e 39% o avaliavam como "bom/ótimo".
Pesquisa Ibope  — Foto: Arte/G1Pesquisa Ibope — Foto: Arte/G1

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre 16 e 19 de março.
O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, em evento do 7 de março de 2019, dia da comemoração dos 211 anos do corpo de fuzileiros naval da Marinha brasileira, na Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. — Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDOO presidente da República, Jair Bolsonaro, em evento do 7 de março de 2019, dia da comemoração dos 211 anos do corpo de fuzileiros naval da Marinha brasileira, na Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. — Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

Maneira de governar

A pesquisa também avaliou a opinião dos entrevistados sobre a maneira de governar do presidente da República:
  • Aprovam: 51%
  • Desaprovam: 38%
  • Não souberam ou não responderam: 10%
Em fevereiro, 57% aprovavam e 31% desaprovavam.

Confiança
Outro ponto questionado pelo Ibope foi sobre a confiança dos entrevistados em relação ao presidente:
  • Confia: 49%
  • Não confia: 44%
  • Não souberam ou não responderam: 6%
Em fevereiro, 55% afirmaram confiar no presidente e 38% disseram não confiar.

Comparação com outros presidentes
O Ibope fez uma comparação entre os resultados de pesquisas de avaliação da administração dos últimos presidentes eleitos, realizadas no mesmo período de governo.
Avaliação dos últimos presidentes eleitos, feita nos três primeiros meses de governo — Foto: Arte/G1 Avaliação dos últimos presidentes eleitos, feita nos três primeiros meses de governo — Foto: Arte/G1
A avaliação positiva de Jair Bolsonaro é inferior àquelas registradas para Fernando Henrique Cardoso (1º mandato), Lula (1º e 2º mandatos) e Dilma Rousseff (1º mandato). No entanto, ela é maior que as de Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff no início do segundo mandato.

Sobre a pesquisa
  • Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos
  • Entrevistados: 2.002 pessoas
  • Quando a pesquisa foi feita: 16 e 19 de março
  • Nível de confiança: 95%

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    terça-feira, 19 de março de 2019

    Indústria do Brasil só é mais competitiva que a da Argentina, diz estudo

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    Levantamento da Confederação Nacional da Indústria analisou o desempenho de 18 economias parecidas com a brasileira. 

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    Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1 

    Postado em 19 de março de 2019 às 11h00m 
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    Indústria brasileira só é mais competitiva do que a da Argentina — Foto: PexelsIndústria brasileira só é mais competitiva do que a da Argentina — Foto: Pexels

    O setor industrial do Brasil segue em desvantagem em relação aos seus principais concorrentes. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a indústria brasileira só é mais competitiva que a da Argentina.

    Diferente de grandes pesquisas internacionais, o levantamento da CNI se concentra em medir a competitividade de 18 países cuja estrutura econômica e de exportação é parecida com a do Brasil. Assim, é possível captar de forma mais fiel um avanço ou retrocesso do setor no Brasil.

    A Coreia do Sul é a economia com melhor desempenho, segundo a publicação. Ela é seguida por Canadá e Austrália.

    A competitividade é um fator bastante importante para o setor industrial – é ela que garante vantagem na concorrência do comércio internacional. "O Brasil não conseguiu acelerar a agenda da competitividade", disse o gerente-executivo de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca. "A indústria brasileira precisa correr mais do que os outros países se quiser avançar."

    O estudo da CNI analisou diversos fatores da indústria para classificar a competitividade do setor em cada país. 

    Veja os destaques apontados sobre o Brasil:
    • O Brasil ocupa a lanterna em disponibilidade e custo de capital. É mais caro investir aqui que em outros países;
    • O Brasil tem o terceiro pior ambiente macroeconômico e de negócios entre os países analisados;
    • Em educação, o Brasil aparece na 11ª colocação. Nesse quesito, o país gasta o mesmo do que as principais economias, mas tem resultados abaixo do esperado;
    • O Brasil vai melhor em disponibilidade e custo de mão de obra. A indústria brasileira está na sexta colocação, atrás apenas de Peru, Índia, Chile, Turquia e Colômbia.
    Competitividade da indústria — Foto: Diana Yukari/G1  
    Competitividade da indústria — Foto: Diana Yukari/G1

    Agenda longa
    A agenda de melhora da competitividade da indústria está na mesa há mais de uma década. Ao longo dos últimos anos, a indústria enfrentou uma combinação perversa: na mais severa crise econômica da história do Brasil, a produção manufatureira perdeu relevância na balança comercial, e o setor passou a ter dificuldade para competir com os produtos importados.

    "A indústria tem uma conta que é crescente. Ela está andando em círculo e nem sequer consegue virar a página da crise enfrentada nos últimos três anos", afirma o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin.
    Indústria brasileira precisa superar uma série de gargalos — Foto: DivulgaçãoIndústria brasileira precisa superar uma série de gargalos — Foto: Divulgação

    Para avançar, o Brasil vai ter de endereçar uma série de questões, melhorando o resultado de políticas públicas de educação, avançando no ambiente de negócios e macroeconômico.

    No dia a dia das empresas, a perda de competitividade fica evidente logo na largada da produção. O setor tem uma alta carga tributária, de 45%, 12 pontos porcentuais a mais do que a carga média do país, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

    "Atualmente, produzir no Brasil significa enfrentar custos adicionais que os concorrentes não enfrentam. O setor tem uma carga tributária muito acima da observada nos países em desenvolvimento", diz o assessor da assuntos estratégicos da presidência da Fiesp, André Rebelo.

    O exemplo coreano
    Atual líder em competitividade, a Coreia do Sul já foi uma economia bastante parecida com a brasileira e hoje serve de modelo de desenvolvimento do Brasil.

    Em 1980, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil era de US$ 4,9 mil, e o coreano era de US$ 2,19 mil, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). No ano passado, o PIB per capita brasileiro foi de apenas US$ 16,1 mil, enquanto o coreano chegou a US$ 41,4 mil.

    No recorte detalhado estudo da CNI, a Coreia é líder em infraestrutura e logística e ocupa a segunda colocação em disponibilidade e custo de capital, além de ter a terceira melhor educação entre os 18 países analisados.

    "A Coreia adotou um modelo mais focado em alguns setores. Houve um incentivo para alguns setores, mas também uma cobrança", diz Fonseca, da CNI. "Com uma mercado interno pequeno, a Coreia não tinha outra opção a não ser se tornar competitiva para aproveitar o mercado externo."
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