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terça-feira, 10 de abril de 2018

Inflação oficial desacelera e fica em 0,09% em março, diz IBGE

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Trata-se do menor nível para um mês de março desde 1994. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 2,68%.

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Por Daniel Silveira e Darlan Alvarenga, G1, Rio de Janeiro e São Paulo 



Inflação de março fica perto de zero
Inflação de março fica perto de zero

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,09% em março, bem abaixo dos 0,32% de fevereiro, e foi ao nível mais baixo para o mês em 24 anos, segundo divulgou nesta terça-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

IPCA em março:
Taxa no mês: 0,09%
Acumulado no ano: 0,70%
Acumulado em 12 meses: 2,68%
IPCA em março
Variação da inflação oficial para os mês, em %
Created with Highcharts 5.0.90,210,210,470,470,920,921,321,320,430,430,250,250,090,09201220132014201520162017201800,250,50,7511,251,5
Fonte: IBGE

No 1º trimestre, o IPCA acumulou avanço de 0,7%.
Segundo o IBGE, tanto a variação mensal quanto a taxa no acumulado nos 3 primeiros meses do ano representam o menor nível para um mês de março desde a implantação do Plano Real, em 1994.

Em 12 meses, a inflação acumulada caiu para 2,68%, bem abaixo do piso da meta do Banco Central, que é de 3%. Trata-se também da menor variação em 12 meses até março. No acumulado em 12 meses até fevereiro, estava em 2,84%.

O IPCA de 0,09% ficou abaixo da previsão dos analistas do mercado. A expectativa de analistas era de alta de 0,12% em março, acumulando em 12 meses alta de 2,71%, segundo pesquisa da Reuters.

Já estamos desde julho do ano passado com taxas abaixo de 3% para o acumulado nos 12 meses, apontou o gerente da Coordenação de Índices de Preços ao Consumidor do IBGE, Fernando Gonçalves. Segundo ele, esta é a maior sequência do indicador em nível tão baixo da série histórica do IPCA. Situação semelhante só ocorreu entre agosto de 1998 e fevereiro de 1999.A inflação perto de zero, com crescimento morno da economia e desemprego ainda muito elevado, mais do que justifica a continuidade da redução da taxa básica de juros, destaca o Blog do João Borges.

Diante da fraqueza da inflação, o BC já cortou a taxa básica de juros Selic para a mínima histórica de 6,5% e o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, repetiu que a Selic pode sofrer mais uma corte na reunião de maio do Comitê de Política Monetária (Copom), mas que a queda deve parar em seguida.
Passagens aéreas ficaram em média 15,42% mais baratas em março, ante fevereiro, segundo o IBGE. (Foto: Divulgação/Sá Cavalcante)Passagens aéreas ficaram em média 15,42% mais baratas em março, ante fevereiro, segundo o IBGE. (Foto: Divulgação/Sá Cavalcante)

Passagem aérea e gasolina em queda
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, transportes (-0,25%) e comunicação (-0,33%) apresentaram deflação em março.

Segundo o IBGE, a desaceleração do índice de março se deve principalmente à redução dos preços das passagens aéreas, em média 15,42% mais baratas. Nos meses iniciais do ano você tem uma base de comparação maior para as passagens aéreas, já que é período de férias e os preços são mais altos", explicou o pesquisador. No acumulado em 12 meses até março, entretanto, há alta de 13,33%.

Os combustíveis também apresentaram queda (-0,04%) em março, segundo o IBGE, com o preço médio da gasolina recuando 0,19% ante fevereiro. Segundo Gonçalves, foi verificada queda no preço da gasolina em 7 das 13 regiões pesquisadas pelo IBGE. A mais intensa foi em Recife (-4,19%) e a menos intensa em Curitiba (-0,55%). Em 12 meses, entretanto, o preço da gasolina acumula alta de 15,59%. Pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontou que a gasolina iniciou abril em alta.

Por outro lado, o item ônibus urbano teve alta de 0,74% em março, puxado pelos reajustes ocorridos em Belém, Rio de Janeiro, Fortaleza e Porto Alegre.

Já a deflação no grupo Comunicação foi motivada pela redução nas tarifas das ligações locais e interurbanas, de fixo para móvel, em vigor desde 25 de fevereiro.
Inflação tem o menor índice para março desde o Plano Real, aponta IBGE
Inflação tem o menor índice para março desde o Plano Real, aponta IBGE

Frutas e saúde lideram altas
No lado das altas, o grupo Saúde e cuidados pessoais apresentou a maior variação no mês (0,48%), com destaque para o item plano de saúde (1,06%).

Já o maior impacto individual veio das frutas (5,32%) e do grupo alimentação e bebidas que, após cair 0,33% em fevereiro, teve alta de 0,07% em março. O mamão liderou as altas em março, com avanço de 21,54%. Veja os itens que mais subiram e os que mais caíram.

Apesar da aceleração no preço das frutas, o preço dos alimentos para consumo no domicílio registrou deflação em março (-0,18%), mas menos intensa do que a de fevereiro (-0,61%). Os destaques nas quedas foram carnes (-1,18%), tomate (-5,31%) e frango inteiro (-2,85%). Já a alimentação fora de casa acelerou para 0,52% em março, ante 0,18% em fevereiro.

Veja a variação completa dos grupos em março:
  • Alimentos e bebidas: 0,07%
  • Habitação: 0,19%
  • Artigos de residência: 0,08%
  • Vestuário: 0,33%
  • Transportes: -0,25%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,48%
  • Despesas pessoais: 0,05%
  • Educação: 0,28%
  • Comunicação: -0,33%
O presidente Michel Temer comemorou o resultado do IPCA e disse que "quanto menor a inflação, mais as empresas podem investir e gerar empregos".
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para reajustes salariais, apresentou variação de 0,07%, abaixo da taxa de 0,18% de fevereiro. No ano, o acumulado foi de 0,48%. Tanto a variação mensal quanto a acumulada no ano também foram as mais baixas para um mês de março desde a implantação do Plano Real.

No acumulado em 12 meses, o IPCA atingiu 1,56%, abaixo dos 1,81% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2017, o INPC havia sido 0,32%.

Como o IPCA é calculado
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. A pesquisa abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília.

Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 2 de março a 29 de março de 2018 com os preços vigentes no período de 30 de janeiro a 1 de março de 2018.
IPCA deve trocar aluguéis de filmes em DVD por aplicativos de transporte
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Meta de inflação
A previsão do mercado para a inflação em 2018, que na semana retrasada era de 3,54%, na semana passada ficou ficou em 3,53%, segundo a última pesquisa Focus divulgada na véspera. Foi a décima queda seguida no indicador.

O percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta central que o Banco Central precisa perseguir para a inflação neste ano, que é de 4,5%. Entretanto, está dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema, que considera que a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 6,5% ao ano.

Para 2019, porém, o mercado financeiro subiu sua expectativa de inflação de 4,08% para 4,09%. Mesmo assim, a estimativa do mercado está em linha com a meta central do próximo ano e também dentro da banda do sistema de metas (entre 2,75% e 5,75%).
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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Moody's eleva nota de crédito da Petrobras

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Ação reflete a melhora da perspectiva do rating brasileiro de negativa para estável; perspectiva da estatal também é estável, diz a agência.

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Por G1 

A Moody's informou nesta segunda-feira (9) que elevou a nota de crédito da Petrobras em um nível, de Ba3 para Ba2. A perspectiva foi mantida como estável. A ação acontece logo após a agência reafirmar a nota de crédito do Brasil e melhorar a perspectiva de negativa para estável, anunciada mais cedo. 

Segundo a Moody's, a decisão também reflete as "contínuas melhoras na posição de liquidez da estatal e a redução de sua alavancagem". "A Petrobras mostrou ter disciplina em competir por lucratividade no mercado de combustíveis local e em melhorar suas políticas financeiras".

A agência destacou também que a estatal teve capacidade de refinanciar suas dívidas, o que "reduziu o peso de seus compromissos financeiros no curto prazo". "A companhia também contraiu crédito de US$ 4,35 bilhões, fortalecendo sua posição de liquidez", informa o relatório da Moody's. 

Com a ação da Moody's, a petroleira passa a ter a mesma classificação do rating brasileiro, atualmente em Ba2. Anteriormente, a Petrobras estava um degrau abaixo da avaliação da nota de crédito do Brasil.

A Moody's é uma das 3 maiores agências de classificação de riscos, instituções que avaliam as contas de países e empresas e atribuem uma nota de crédito. Quanto melhor a nota, mais seguro é o investimento - e consequentemente menor será o juro cobrado pelos investidores para, por exemplo, investir em títulos de dívida de um país. Entenda o papel das agências de risco.

Nota do Brasil
Também nesta segunda (9), a Moody's melhorou a perspectiva de nota de crédito do Brasil de negativa para estável, que foi reafirmada em Ba2, em um movimento contrário ao tomado pelas demais agências de classificação de riscos e que surpreendeu os economistas.
Hstórico das notas de crédito do Brasil nas principais agências internacionais (Foto: Arte G1)
Para justificar a decisão, a Moody’s disse esperar que o próximo governo seja capaz de fazer as reformas fiscais para estabilizar o crescimento da dívida e citou a melhora nas previsões de avanço da economia. 

Na visão do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a análise de risco da Moody’s foi equivocada. Já a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, disse que a decisão da Moody’s dá obenefício da dúvida para a economia brasileira e que um possível rebaixamento da nota do Brasil sai do radar da agência – ao menos por ora.
PETROBRAS

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Moody's muda perspectiva da nota do Brasil de negativa para estável

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Agência de classificação de risco reafirmou nota do país em Ba2, citando expectativa de que próximo governo fará reformas fiscais e de crescimento econômico mais forte.

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Por Luiz Guilherme Gerbelli e Darlan Alvarenga, G1 



Moody´s muda perspectiva da nota do Brasil de negativa para estável
Moody´s muda perspectiva da nota do Brasil de negativa para estável

A agência de classificação de risco Moody's melhorou a perspectiva de nota de crédito do Brasil de negativa para estável. A nota do Brasil foi reafirmada em Ba2, em um movimento contrário ao tomado pelas demais agências de classificação de riscos e que surpreendeu os economistas.

A agência deu duas razões principais para a mudança na nota:
  1. Expectativa de que as reformas fiscais serão aprovadas no próximo governo;
  2. Crescimento econômico do país mais forte que o esperado no curto e médio prazo.
"A Moody’s acredita, em resumo, que os riscos negativos para o crescimento e as incertezas relacionadas ao ímpeto para reformas, que levaram à atribuição da perspectiva negativa para o rating Ba2 em maio do ano passado, diminuíram", disse a agência, em comunicado.
Logo da Moody's na sede da empresa em Nova York (Foto: REUTERS/Brendan McDermid)Logo da Moody's na sede da empresa em Nova York (Foto: REUTERS/Brendan McDermid)

A Moody's é uma das 3 maiores agências de classificação de riscos, instituções que avaliam as contas de países e empresas e atribuem uma nota de crédito. Quanto melhor a nota, mais seguro é o investimento - e consequentemente menor será o juro cobrado pelos investidores para, por exemplo, investir em títulos de dívida de um país.
Em relatório que justificou sua decisão, a Moody’s disse que "espera que o próximo governo trabalhe efetivamente com o Congresso para aprovar de uma reforma da Previdência que seja suficientemente abrangente, de forma a conter o crescimento de despesas obrigatórias e assegurar o cumprimento do teto constitucional".

A agência disse que "há um consenso entre líderes políticos de que os custos políticos e econômicos do não cumprimento com o teto de gastos são muito elevados para serem ignorados".

Crescimento acima do esperado
A agência projeta um crescimento médio do PIB de 2,8% em 2018 e 2019 e de 2,5% nos anos seguintes. A queda dos juros, o aumento da demanda por crédito e perspectivas melhores no mercado de trabalho vão sustentar um ambiente econômico mais favorável, segundo a Moody's.
Esse crescimento acima do esperado deverá dar ao governo "suporte aos esforços reformistas", avalia a Moody's.

Para a agência, o crescimento é resultado das reformas já aprovadas pelo governo de Michel Temer desde 2016, como a reforma trabalhista e a redução dos subsídios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"De maior significância para a resiliência econômica do Brasil, as reformas estruturais aprovadas pelo governo Temer desde 2016 devem sustentar as perspectivas de crescimento do país no médio prazo", disse a Moody's.

Rebaixamento por outras agências
A posição da Moody’s vai na contramão da decisão tomada pelas agências Standard &Poor’s e Fitch, que rebaixaram a nota do Brasil neste ano.

A S&P foi a primeira a rebaixar neste ano a nota do Brasil. O corte foi anunciado no dia 11 de janeiro. Além da dificuldade em aprovar reformas com efeitos de longo prazo, a agência destacou ainda que "ocorreram retrocessos até mesmo com medidas fiscais de curto prazo - como uma determinação para suspender o adiamento dos reajustes de salários dos funcionários públicos".

o rebaixamento feito pela Fitch foi anunciado em 23 de fevereiro, com a agência citando "a alta crescente da dívida pública e o fracasso em reformas legislativas que melhorariam o desempenho estrutural das finanças públicas".

Perda do grau de investimento
O Brasil está há mais de 2 anos sem o grau de investimento. A S&P foi primeira a tirar o selo de bom pagador do país, em setembro de 2015, ação que foi seguida pelas outras duas grandes agências internacionais, Fitch e Moody's.

Com os rebaixamentos anunciados neste ano, a nota do Brasil recuou para o patamar de 2005. O país conquistou o grau de investimento pelas agências internacionais Fitch Ratings e Standard & Poor’s pela primeira vez em 2008. Em 2009, conseguiu a classificação pela Moody's.
Educação Financeira: entenda o que fazem as agências de classificação de risco?
Educação Financeira: entenda o que fazem as agências de classificação de risco?
Moody’s 

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