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sábado, 7 de junho de 2014

Em 1950, laranjas eram usadas como 'arma' nos jogos da Seleção na Copa


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Após 64 anos, Rio volta a receber uma final de Copa do Mundo.
G1 entrevistou jornalista e historiador para visitar a história do Maracanã.

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07/06/2014 06h00 - Atualizado em 07/06/2014 06h00
Postado às 
Lívia Torres Do G1 Rio


Andaimes seguravam a cobertura do Maracanã, em 1950 (Foto: Divugação / Suderj)Andaimes seguravam a cobertura do Maracanã, em 1950 (Foto: Divugação / Suderj)

O silêncio que tomou conta do Maracanã depois que Alcides Ghiggia viu uma brecha entre o goleiro Barbosa e sua trave esquerda e definiu o triunfo do Uruguai por 2 a 1 na final da Copa de 1950, manchando para sempre a história do futebol brasileiro com o "Maracanaço", contrasta com o barulho das manifestações contra o Mundial de 2014. 

Há 64 anos, não havia "Padrão Fifa" rigoroso, nem greve de rodoviários, e a maior preocupação da polícia era coibir a venda de laranjas no entorno dos estádios, usadas como "arma" durante as partidas de futebol. O G1 conversou com um jornalista e um historiador e viajou no tempo para saber as semelhanças e diferenças entre os dois mundiais realizados no Brasil.

"O hábito de chupar laranjas era muito comum nos estádios. O bagaço, muitas vezes, era devidamente utilizado para protestos, apupos e coisas similares. Pelo menos até a década de 1980 os vendedores de laranja faziam a festa na entrada do Maracanã. A laranja lima era a preferida dos torcedores", explica o historiador Luiz Antônio Simas.


Naquela época, ir a uma partida de futebol merecia traje de gala. Bermudas e calças curtas, nem pensar. A vestimenta era paletó, sapatos e chapéu. Em 1950, o Rio era a mais importante das seis cidades-sede do Mundial e o Maracanã era um monumento à ambição brasileira. Quem não conseguia ingressos para os jogos, tinha que se contentar em sintonizar a partida na frequência AM ou ver com atraso nos cinemas.

"Restava mesmo a rádio. A Nacional, maior da época, transmitiu os jogos, com Antônio Cordeiro, Jorge Cury e Luiz Mendes. Impressiona o silêncio no fim da partida, com a derrota da Seleção para os uruguaios. Os cinemas passavam os jogos dois ou três dias depois", diz Simas.
Alunos da Escola Municipal Coronel José Gomes Moreira, em Bangu, vão ver a final da Copa no Maracanã (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)Maracanã em 2014, muito diferente do palco da Copa do Mundo de 1950 (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

Maracanã despertou controvérsias
Rombos no orçamento e atrasos nos prazos. Tudo o que vem marcando a organização da Copa de 2014 também se fez presente, em menor escala, na primeira edição do torneio no Brasil.

Maracanã foi palco da final da Copa do Mundo em 1950 (Foto: Divugação / Suderj)
Maracanã foi palco da final da Copa do Mundo em
1950 (Foto: Divugação / Suderj)

"No Rio, o Maracanã começou a ser construído em janeiro de 1948, mas o Brasil já era sede da Copa desde 25 de julho de 1946. Assim, o estádio teve de ser erguido em 22 meses. A sete dias da abertura da Copa, no primeiro jogo do Maracanã [Seleção Carioca 1 x 3 Seleção Paulista de Novos, em 17 de junho de 1950], havia andaimes na arquibancada. 

Era preciso, pois eles seguravam a cobertura do estádio, que ainda não tinha secado completamente. A obra era orçada, inicialmente, em 150 milhões de cruzeiros, mas passou de 230 milhões de cruzeiros [R$ 410 milhões]", conta o jornalista Diego Salgado, um dos autores do livro "1950: O Preço de uma Copa".

O impacto das intervenções urbanas em 1950 foi bem menor do que em 2014. Naquela época, a cidade tinha pouco mais de 2 milhões de habitantes. Hoje em dia, esse número é três vezes maior. 

"A Barra da Tijuca [Zona Oeste do Rio], por exemplo, era um areal ainda quase virgem [a primeira ponte sobre a lagoa da Tijuca, facilitando a chegada ao bairro, só foi erguida em 1939], que somente naquela década de 1950 começou a ter seus planos de ocupação embrionariamente pensados. O impacto do turismo era quase nulo [fala-se em 50 mil], com os jogos sendo vistos majoritariamente pelos cariocas. A relação hoje é inversa", explica Simas.

Em 64 anos, tristes semelhanças
Dentre os problemas urbanos mais crônicos da cidade há 64 anos, nem todos mudaram. O historiador cita o fornecimento de serviços públicos, a falta d'água, o sistema de energia precário e as enchentes, que atazanavam a vida dos cariocas. 


Alguns críticos, segundo Simas, reclamaram do local escolhido para a construção do Maracanã, justamente por conta dos alagamentos nos arredores da Praça da Bandeira, na Zona Norte do Rio. Trens, ônibus e linhas de bonde eram os meios de transporte mais utilizados para chegar ao estádio.
Entorno do Maracanã, em 1950, muito diferente do estádio em 2014 (Foto: Divugação / Suderj)Entorno do Maracanã, em 1950, muito diferente do estádio em 2014 (Foto: Divugação / Suderj)

Choque de ordem: furar pneus
Há quem diga que ir a jogo de futebol é "programa de índio". Tudo por conta da insegurança no entorno, ausência de estacionamentos, flanelinhas, entre outras causas que acabam ficando pequenas diante da paixão pela bola. 


De acordo com Simas, o responsável pelo serviço de trânsito em 1950, o major Geraldo Menezes Cortes, utilizava um método curioso. Ele dava ordens para que os carros estacionados irregularmente tivessem os pneus furados, sem clemência. “Parece que funcionou”, diz.

Na final de 50, nos momentos que precederam o trágico "Maracanaço" e antes de o goleiro Moacir Barbosa carregar injustamente por décadas a culpa pelo fracasso da seleção, houve confusão por falta de organização na venda de ingressos. "Foi um estouro de boiada.

Não há quem saiba o número certo de presentes na final, já que o afluxo de público levou à liberação das roletas, diante do medo de uma tragédia sem precedentes [no jogo Brasil x Espanha acontecera a mesma coisa]. Algo, admitamos, inimaginável com os salamaleques para compra e venda de ingressos que a Fifa hoje controla", afirma.
Todos os 11 jogadores da seleção brasileira de 1950 sonhavam em simplesmente ser reconhecidos como vice-campeões. (Foto: GloboNews/Rodrigo Bodstein)Todos os 11 jogadores da seleção brasileira de 1950 sonhavam em simplesmente ser reconhecidos como vice-campeões. (Foto: GloboNews/Rodrigo Bodstein)

Registro de revolta
O jornalista Diego Salgado conta que houve um registro de revolta após a derrota do Brasil. "A maioria das pessoas ficou em silêncio, atônita com o resultado. Há um registro de revolta: o busto do prefeito Ângelo Mendes de Moraes foi derrubado – ele havia sido inaugurado junto com o estádio, ficava no portão de entrada. 


O Maracanã levava o nome do prefeito [ele foi importante para a construção]. No começo da década de 1960, o estádio passou a se chamar Jornalista Mário Filho".

Neste ano, o Maracanã voltará a ser palco da final da Copa do Mundo e como diria Nelson Rodrigues, orgulhoso ao afirmar em uma de suas crônicas esportivas, "O grande sol do escrete". "Nós somos maiores, porque somos Brasil, imensamente Brasil, eternamente Brasil".

Maracanã ganha iluminação roxa em homenagem às mulheres (Foto: Delmiro Júnior / Futura Press / Estadão Conteúdo)Maracanã será palco da final da Copa de 2014 (Foto: Delmiro Júnior / Futura Press / Estadão Conteúdo)

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Inflação oficial perde força e fica em 0,46% em maio, diz IBGE


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Taxa é a menor desde setembro de 2013, segundo pesquisa.
Preços de alimentos e transportes exerceram as principais pressões.

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06/06/2014 09h00 - Atualizado em 06/06/2014 12h40
Postado às 14h30m
Anay Cury e Cristiane Cardoso Do G1, em São Paulo e no Rio






IPCA maio de 2014 (Foto: Editoria de Arte/G1)
Os preços relativos à alimentação subiram menos, e os de transportes registram queda de abril para maio, pensando menos no bolso do consumidor e, assim, contribuindo para que a inflação oficial do país registrasse desaceleração nesse período. 

No mês passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 0,46%, a menor taxa desde setembro de 2013. Em abril, a variação foi de 0,67%.

No entanto, na análise das taxas acumuladas, houve aceleração em relação aos números de abril. De janeiro a maio, o IPCA teve alta de 3,33%, acima dos 2,88% do mês anterior. Em 12 meses, o avanço foi de 6,37%, superior ao anterior, de 6,28%. O resultado de maio mostra que a inflação oficial está um pouco abaixo do teto da meta do Banco Central para o ano, de 6,5%.

Dentro do grupo de alimentação e bebidas, cuja taxa passou de 1,19% para 0,58%, subiram menos os preços da farinha de mandioca, da batata inglesa e das hortaliças. Os alimentos consumidos em casa subiram em maio, mas em uma velocidade menor que a do mês anterior (de 1,52% em abril para 0,41%). 

Porém, para quem come fora, a conta ficou mais cara (passou de 0,57% para 0,91%). O tomate, considerado um vilão em 2013, voltou a subir. Depois de cair 1,94% em abril, o alimento ficou 10,52% mais caro em maio.

"Enquanto em abril, os alimentos exerceram uma pressão de 0,30 ponto percentual, em maio, [a pressão] caiu pela metade. Não significa que seja pouco, mas, quando a gente compara um mês com outro, os alimentos foram decisivos no sentido de reduzir a taxa do IPCA, junto com os transportes, que foi o segundo grupo com maior peso", disse a coordenadora de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

Segundo Eulina, a Copa do Mundo vem provocando aumentos nos itens de alimentação fora de casa. "E isso é uma conjugação da maior demanda e nos altos preço dos alimentos, que vêm aumentando nos últimos meses. Nos últimos tempos, a venda de eletrodomésticos também vem propiciando a alta nos preços apesar da redução do consumo”.

Já no grupo de despesas com transporte, cuja variação recuou de 0,32% para -0,45%, exerceu forte impacto a queda nos preços das tarifas aéreas: 21,11%. Também ficaram mais baratos os combustíveis (-0,67%), com queda de 2,34% no preço do litro do etanol e de 0,35% no da gasolina.

"No transporte, a taxa chegou a ser negativa, por conta das passagens aéreas, que caíram mais de 20%, e combustíveis, porque qualquer movimento de preço dos combustíveis, por serem muito importantes no orçamento das famílias, tem efeito", afirmou Eulina.

Os preços dos gastos relativos à habitação também apresentaram variações menores de abril para maio (de 0,87% para 0,61%), com a maior influência partindo do programa de redução de consumo de água em São Paulo, que fez a variação da taxa de água e esgosto cair 21,98%. Com isso, a tarifa de água e esgoto total, considerando outras regiões, teve queda de 5,25%.
Em saúde e cuidados pessoais (de 1,01% para 0,98%), grupo que teve o maior resultado do mês, os destaques ficaram, respectivamente, com os eletrodomésticos (2,12%) e remédios (1,47%). Apesar de registrar uma das maiores taxas de variação, o grupo não exerceu grande influência no IPCA, por ter um peso menor no cálculo.

Na contramão, estão as outras despesas, que mostraram avanço de preços. No caso de artigos de residência, a variação passou de 0,20% para 1,03% – a maior taxa entre os grupos analisados.

Quanto às despesas pessoais, o índice passou de 0,31% para 0,8%, com pressões vindas de jogos de azar, manicure, cabeleireiro e empregado doméstico.
Ainda ficaram mais caros os artigos de vestuário (passaram de 0,47% para 0,84%), educação (de 0,03% para 0,13%) e comunicação (de 0,02% para 0,11%).

Inflação no Recife
Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, a maior variação foi vista no Recife (1,16%), influenciado pela alta de 16,65% nas tarifas de energia elétrica.

Na outra ponta está Brasília (-0,08%), pressionada pela queda de 18,51% nas passagens aéreas.

INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), também divulgado nesta sexta, apresentou variação de 0,6% em maio, abaixo do resultado de 0,78% de abril. De janeiro a maio, o indicador acumula alta de 3,52% e, em 12 meses, de 6,08%.


Enquanto o IPCA mede a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos, o INPC verifica as despesas das famílias com rendimentos menores, entre um e cinco salários mínimos.

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Dilma tem 34%, Aécio, 19%, e Campos, 7%, diz Datafolha


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Instituto entrevistou 4.337 pessoas entre os dias 3 e 5 de junho.
A margem de erro é dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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Do G1, em São Paulo
06/06/2014 03h28 - Atualizado em 06/06/2014 09h01
Postado às 09h30m
O Instituto Datafolha divulgou nesta sexta-feira (6), no site do jornal "Folha de S.Paulo", pesquisa de intenção de voto para presidente da República neste ano.

A pesquisa indica que a presidente Dilma Rousseff (PT) tem 34% das intenções de voto, contra 35% dos dez demais candidatos somados.

O segundo colocado na pesquisa é o senador Aécio Neves (PSDB-MG), com 19% das intenções de voto. Em terceiro aparece o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), com 7%.

No levantamento anterior do Datafolha, realizado em maio, Dilma tinha 37% das intenções de voto. Aécio tinha 20% e, Campos, 11%.

O quarto colocado, pastor Everaldo (PSC), apareceu com 3% na pesquisa de maio e agora tem 4%.
Pesquisa Datafolha de junho sobre intenção de voto para presidente (Foto: Arte/G1)

Veja os números do Datafolha para a pesquisa estimulada:

- Dilma Rousseff (PT): 34%
- Aécio Neves (PSDB): 19%
- Eduardo Campos (PSB): 7%
- Pastor Everaldo (PSC): 4%
- Magno Malta (PR): 2%
- Denise Abreu (PEN): 1%
- Eduardo Jorge (PV): 1%
- José Maria (PSTU): 1%
- Randolfe Rodrigues (PSOL): 0%
- Eymael (PSDC): 0%
- Levy Fidelix (PRTB): 0%
- Mauro Iasi (PCB): 0%
- Brancos/nulos/nenhum: 17%
- Não sabe: 13%


A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 5 de junho. Foram entrevistadas 4.337 pessoas em 207 cidades do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. 

Isso quer dizer que o instituto tem 95% de certeza de que os resultados obtidos estão dentro da margem de erro.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00144/2014.

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