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sábado, 8 de agosto de 2026

Seca histórica atinge rios da Europa e pode ser vista do espaço

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Crise climática encolhe importantes cursos d'água, afetando transportes, energia e vida selvagem no continente que mais aquece
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Laura Paddison, Oliver Sherwood, da CNN
08/08/26 às 09:00 | Atualizado 08/08/26 às 09:00
Postado em 08 de Agosto de 2026 às 11h35m

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Dunas de areia após queda significativa do nível do rio Danúbio, perto de Calarasi, na Romênia18 de julho de 2026  • via REUTERS

O calor intenso e implacável, combinado com a falta de chuvas, está causando um efeito devastador em alguns dos rios mais importantes da Europa. Em alguns locais, os cursos d’água atingiram níveis recordes de baixa, em uma crise tão grave que pode ser vista do espaço.

Imagens impressionantes de satélite revelam rios drasticamente reduzidos atravessando paisagens ressecadas. Os baixos níveis de água expuseram grandes áreas das margens dos rios, além de extensos bancos de areia normalmente escondidos sob a superfície.

Comparações com 2023, quando o fluxo dos rios europeus estava geralmente próximo da média, mostram o quanto alguns desses importantes cursos d’água diminuíram.

A Europa é o continente que aquece mais rapidamente no planeta, e seus verões estão se tornando cada vez mais extremos à medida que a crise climática causada pela ação humana provoca temperaturas recordes sem precedentes.

Ondas de calor intensas e consecutivas retiraram a umidade dos solos e dos rios, enquanto a seca prolongada trouxe pouco alívio.

Os impactos são enormes: os rios da Europa são vias essenciais para o transporte de mercadorias, ajudam no resfriamento de usinas de energia, geram eletricidade hidrelétrica, atraem turistas e fornecem habitats fundamentais para a vida selvagem. À medida que diminuem, pessoas, economias e ecossistemas sofrem.

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Os rios europeus frequentemente atingem níveis baixos durante o verão, mas, neste ano, em alguns lugares, chegaram a patamares sem precedentes. Dois dos cursos d’água mais importantes do continente, o Danúbio e o Reno, foram especialmente afetados.

O Danúbio, o segundo rio mais longo da Europa, que atravessa 10 países em seu percurso da Alemanha até o Mar Negro, atingiu níveis recordes de baixa na Hungria.

O nível da água em Budapeste caiu para cerca de 10 centímetros na segunda-feira (3), quebrando o recorde anterior de baixa, de aproximadamente 33 centímetros, registrado em 2018, segundo a Associated Press.

A cidade se prepara para temperaturas acima de 37,7°C nesta semana, enquanto outra onda de calor atinge a Europa Central e Oriental, aumentando os temores de que o nível do rio possa cair ainda mais.

A redução do volume do Danúbio provocou uma crise energética na Hungria. A usina nuclear de Paks, responsável por quase metade da eletricidade do país e que utiliza a água do Danúbio para resfriamento, está operando com cerca de 10% de sua capacidade, depois que os baixos níveis do rio obrigaram o desligamento de todos os seus reatores, com exceção de um.

Rio Danúbio atinge nível recorde de baixa, encalha navios e expõe leito e pontes • Reuters
Rio Danúbio atinge nível recorde de baixa, encalha navios e expõe leito e pontes • Reuters

Há preocupação de que a usina seja totalmente desligada caso o nível do rio continue diminuindo.

O primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, agradeceu às residências e à indústria pela redução voluntária no consumo de energia durante os horários de pico no período da noite.

A Romênia também enfrenta desafios energéticos. Na segunda-feira, as forças navais do país usaram explosivos para perfurar rochas e abrir passagem para a água, em uma tentativa de redirecionar o fluxo do rio Danúbio para o único reator em funcionamento da usina nuclear de Cernavodǎ.

A agência estatal de gestão de recursos hídricos do país agora tem planos de afundar duas barcaças carregadas com pedras em um trecho do Danúbio para construir uma barragem temporária e desviar mais água para a usina, informou a Reuters na terça-feira (4).

A redução dos rios também está afetando o turismo, obrigando alguns cruzeiros fluviais a cancelar ou alterar seus serviços. Na semana passada, um navio de cruzeiro encalhou em um banco de areia no rio Danúbio, na Bulgária.

E, à medida que o rio diminui, ele revela artefatos históricos. Na semana passada, restos do que se acredita ser um mamute antigo foram encontrados no norte da Bulgária, e um navio de guerra nazista afundado foi revelado na Sérvia.

O Reno, que nasce nos Alpes suíços e segue para o norte até desaguar no Mar do Norte, também está em níveis críticos. O rio é uma importante rota de transporte para produtos como alimentos, minerais, carvão e petróleo.

A baixa quantidade de neve no inverno nos Alpes, combinada com a falta de chuvas e cinco ondas de calor distintas que atingiram grandes áreas da bacia do Reno, causaram a redução do nível do rio, afirmou Massimiliano Zappa, hidrólogo do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Florestal, Neve e Paisagem.

O nível da água no ponto crítico de passagem do rio em Kaub, próximo a Koblenz, no oeste da Alemanha, estava em cerca de 23 centímetros na quarta-feira (5).

Baixos níveis de água na Alemanha revelam navios afundados e pedras da fome que alertavam sobre escassez • Reuters
Baixos níveis de água na Alemanha revelam navios afundados e pedras da fome que alertavam sobre escassez • Reuters

Antes deste ano, o recorde de baixa era de aproximadamente 24 centímetros, registrado em 2018, segundo a Reuters, citando a Administração Federal de Hidrovias e Navegação da Alemanha.

Os níveis dos rios estão tão baixos que navios comerciais tiveram de reduzir suas cargas em até 80% para evitar encalhamentos. A situação está prejudicando as cadeias de abastecimento e tornando o transporte mais caro.

Os embarques por barcaças estão severamente restritos, e as embarcações estão operando com cargas significativamente reduzidas, disse um porta-voz da empresa química Lanxess à Reuters na segunda-feira. Como alguns pontos de carregamento e descarregamento não podem mais ser alcançados, estamos transferindo o transporte para ferrovias e rodovias sempre que possível.

Níveis recordes de baixa também foram registrados na cidade alemã de Colônia e em Lobith, ponto onde o Reno atravessa da Alemanha para a Holanda.

Outros rios europeus também estão sofrendo, incluindo o Pó, na Itália, e o Loire, na França, ambos com níveis excepcionalmente baixos em algumas regiões.

Cientistas alertam que esses recordes de baixa nos rios provavelmente serão quebrados repetidamente no futuro.

À medida que o clima continua aquecendo, os extremos hidrológicos que estamos enfrentando agora serão apenas a ponta do iceberg, afirmou Richard Allan, professor de ciência climática da Universidade de Reading, na Inglaterra. A gestão dos recursos hídricos se tornará progressivamente mais desafiadora.

Segundo ele, a única maneira de limitar esses extremos éreduzir rapidamente os gases de efeito estufa em todos os setores da sociedade e apoiar políticas de longo prazo, em vez de apenas ações emergenciais de curto prazo.

Os níveis dos rios estão tão baixos que navios comerciais tiveram de reduzir suas cargas em até 80% para evitar encalhamentos. A situação está prejudicando as cadeias de abastecimento e tornando o transporte mais caro.

Os embarques por barcaças estão severamente restritos, e as embarcações estão operando com cargas significativamente reduzidas, disse um porta-voz da empresa química Lanxess à Reuters na segunda-feira. Como alguns pontos de carregamento e descarregamento não podem mais ser alcançados, estamos transferindo o transporte para ferrovias e rodovias sempre que possível.

Níveis recordes de baixa também foram registrados na cidade alemã de Colônia e em Lobith, ponto onde o Reno atravessa da Alemanha para a Holanda.

Outros rios europeus também estão sofrendo, incluindo o Pó, na Itália, e o Loire, na França, ambos com níveis excepcionalmente baixos em algumas regiões.

Cientistas alertam que esses recordes de baixa nos rios provavelmente serão quebrados repetidamente no futuro.

À medida que o clima continua aquecendo, os extremos hidrológicos que estamos enfrentando agora serão apenas a ponta do iceberg, afirmou Richard Allan, professor de ciência climática da Universidade de Reading, na Inglaterra. A gestão dos recursos hídricos se tornará progressivamente mais desafiadora.

Segundo ele, a única maneira de limitar esses extremos é reduzir rapidamente os gases de efeito estufa em todos os setores da sociedade e apoiar políticas de longo prazo, em vez de apenas ações emergenciais de curto prazo.

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Modelos abertos de IA dividem mercado e acirram disputa entre EUA e China

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Defesa do open source pela China reacende debate sobre custos, privacidade e futuro do mercado de tecnologia
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Mariana Suzuki, colaboração para a CNN Brasil*
29/07/26 às 16:24 | Atualizado 03/08/26 às 07:52
Postado em 08 de Agosto de 2.026 às 10h00,

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Japão detalha plano militar diante de ameaças da China e Rússia

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Aumento de impostos e reformas nos gastos públicos elevam investimento em defesa a 2% do PIB, mas há disputa orçamentária
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Da Reuters
08/08/26 às 06:00 | Atualizado 08/08/26 às 06:23
Postado em 08 de Agosto de 2.026 às 07h00m


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Primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi em Tóquio1º de abril de 2026 PHILIP FONG/Pool via REUTERS  • via REUTERS

O governo do Japão está apresentando sua acelerada expansão militar não apenas como uma forma de proteger o país, mas também como um caminho para aumentar a prosperidade. Em seu mais recente Livro Branco de Defesa, o governo argumenta que a produção de armamentos pode impulsionar o crescimento econômico.

A avaliação anual das ameaças representadas pelos países vizinhos China, Rússia e Coreia do Norte, defende que o Japão, limitado por décadas de restrições impostas após a Segunda Guerra Mundial às suas atividades militares, aproveite melhor as novas tecnologias, financie startups e utilize mais componentes comerciais na fabricação de armas.

Segundo um documento de apresentação do Ministério da Defesa, o Livro Branco "destaca que os investimentos em defesa beneficiam a economia como um todo e a vida das pessoas". Essa mensagem está alinhada à estratégia mais ampla da primeira-ministra Sanae Takaichi, que aposta em gastos públicos estratégicos para estimular o crescimento econômico.

A proposta também é reforçada pela capa do documento, em estilo anime, que mostra uma família sorridente em meio a uma paisagem urbana futurista e reluzente, em vez de tropas, armamentos e insígnias militares, comuns em muitas edições anteriores.

Um representante do Ministério da Defesa afirmou que o objetivo do design era transmitir uma "imagem de futuro".

A associação entre defesa e prosperidade futura ocorre no momento em que o governo Takaichi prepara uma nova Estratégia Nacional de Segurança.

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Especialistas em assuntos militares esperam que o documento proponha novos aumentos nos gastos com defesa, principalmente para dissuadir a China de iniciar um conflito envolvendo Taiwan, que também poderia arrastar o Japão para uma guerra prolongada.

"As atividades militares da China e outras ações do país são motivo de séria preocupação para o Japão e para a comunidade internacional, além de representarem o maior desafio estratégico enfrentado pelo Japão", afirma o Livro Branco de Defesa.

Pequim reagiu com indignação, em novembro, quando a primeira-ministra Sanae Takaichi declarou que o Japão poderia mobilizar suas Forças de Autodefesa caso um ataque chinês a Taiwan também colocasse em risco a sobrevivência do país. O governo chinês exigiu que ela retirasse o que classificou como uma declaração "escandalosa".

Tóquio montou uma combinação de aumentos de impostos, reformas nos gastos públicos e receitas extraordinárias para financiar a maior expansão militar do Japão desde a Segunda Guerra Mundial, elevando os gastos com defesa para o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto.

No entanto, Takaichi ainda não explicou de forma clara como pretende custear uma nova ampliação desses investimentos sem aumentar a pressão sobre as já sobrecarregadas contas públicas do país.

O governo aprovou um orçamento recorde de 122,3 trilhões de ienes (equivalente a quase R$ 4 trilhões) para o ano fiscal que termina em março de 2027 e, posteriormente, acrescentou um pacote suplementar de 3,1 trilhões de ienes (cerca de R$96 bilhões) para ajudar famílias e empresas a enfrentar o aumento dos custos de energia, evidenciando a disputa por recursos do orçamento público.

Até agora, boa parte dos novos investimentos em defesa foi destinada à aquisição de mísseis capazes de atingir alvos a mais de 1.000 quilômetros de distância.

Espera-se que uma parcela significativa de futuros aumentos nos gastos seja direcionada para drones e outras armas não tripuladas, semelhantes às utilizadas em larga escala pela Ucrânia na guerra contra a Rússia.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

General de alto escalão de Trump busca saída para a guerra, dizem fontes

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Chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, afirmou em conversas privadas que as opções militares para intensificar o conflito não devem ser suficientes para alcançar os objetivos declarados pelo presidente americano
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Zachary Cohen, da CNN
07/08/26 às 21:53 | Atualizado 07/08/26 às 21:53
Postado em 07 de Agosto de 2.026 às 22h35m

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O chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine  • Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc./Getty Images via CNN Newsource

Nas últimas semanas, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, deixou claro em conversas privadas com outros importantes assessores de Donald Trump que os EUA precisam encontrar uma saída para a guerra com o Irã — porque as opções militares em discussão para intensificar o conflito podem sair pela culatra e apenas o poder aéreo provavelmente não será suficiente para alcançar os objetivos declarados pelo presidente Donald Trump, segundo três fontes familiarizadas com o assunto.

Caine está buscando uma saída, disse uma das fontes, de forma direta.

Caine não é o único a considerar que a guerra chegou a um ponto de inflexão. Ele discutiu preocupações sobre as opções militares para intensificar o conflito e levantou a possibilidade de encontrar uma saída da guerra com outros importantes integrantes do gabinete, incluindo o diretor da CIA, John Ratcliffe, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente, JD Vance, disseram duas das fontes.

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Recentemente, o principal general dos EUA conversou reservadamente com alguns desses assessores de Trump que compartilham de sua visão, em uma tentativa de facilitar a coordenação entre as diferentes agências e garantir que todos estejam alinhados antes de reuniões com o presidente. O objetivo tem sido deixar claras as limitações e as armadilhas das opções militares disponíveis, inclusive aquelas que não envolvem o envio de tropas americanas ao território iraniano, disseram as fontes.

“Acho que essa é apenas a maneira que ele encontrou de proteger os militares”, disse uma das fontes à CNN, referindo-se às conversas de Caine com outros altos funcionários de segurança nacional do gabinete de Trump sobre a guerra com o Irã.

Trump tem demonstrado consistentemente aversão à ideia de enviar tropas terrestres ao Irã, sinalizando, em vez disso, acreditar que bombardeios aéreos podem forçar os iranianos a aceitar um acordo nos termos estabelecidos por ele. Caine e outros integrantes do gabinete de Trump consideram, em conversas privadas, que esse resultado é improvável e têm buscado desenvolver outras opções que se enquadrem nos próprios parâmetros estabelecidos pelo presidente, segundo várias fontes familiarizadas com as discussões recentes.

Uma coluna de fumaça se eleva após um ataque de míssil a um prédio em Teerã, em 1º de março de 2026. • Atta Kenare/AFP/Getty Images via CNN Newsource
Uma coluna de fumaça se eleva após um ataque de míssil a um prédio em Teerã, em 1º de março de 2026. • Atta Kenare/AFP/Getty Images via CNN Newsource

Quase seis meses após o início de um conflito que começou com semanas de declarações de que as capacidades militares do Irã haviam sido dizimadas, e que continua marcado pela promessa do presidente de impedir que Teerã obtenha uma arma nuclear, é altamente significativo que o general de mais alto escalão de Trump esteja argumentando, em privado, que não há uma solução militar fácil para encerrar uma guerra que o presidente decidiu iniciar.

Em resposta ao pedido de comentário da CNN sobre esta reportagem, o porta-voz de Caine, Joseph Holstead, disse: Não discutimos as conversas confidenciais do chefe do Estado-Maior Conjunto com o presidente, o secretário ou outros altos líderes, nem comentamos caracterizações anônimas e orientadas por interesses dessas conversas feitas por fontes que não tiveram acesso a elas.

Um funcionário da Casa Branca elogiou a contribuição de Caine para a equipe de segurança nacional de Trump, dizendo à CNN: “O general Caine é um ativo extraordinário para a equipe de segurança nacional do presidente Trump, e o sucesso esmagador das Operações Epic Fury, Midnight Hammer e Absolute Resolve fala por si só.

O general sempre fornece informações precisas e imparciais, além de uma série de opções ao comandante em chefe, que, em última instância, toma decisões com base no que considera melhor para a segurança nacional dos EUA, acrescentou o funcionário.

O Departamento de Estado e a CIA se recusaram a comentar.

“O poder aéreo tem seus limites”

A guerra chegou a um ponto em que muitos dos principais funcionários de segurança nacional de Trump, respaldados pela doutrina militar, por avaliações da comunidade de inteligência dos EUA e pelo bom senso, avaliam que aquilo que Caine disse aos parlamentares durante uma audiência pública no fim do mês passado é verdadeiro: o poder aéreo tem seus limites.

Por essas razões, Caine e outros funcionários do governo Trump demonstraram cautela diante do plano mais recente, no fim de julho, de lançar novos ataques mais agressivos, devido às preocupações com as possíveis consequências da intensificação do conflito, mesmo quando o presidente parecia disposto a inicialmente autorizar o que descreveu como uma operação massiva, disse uma das fontes, que se recusou a detalhar os aspectos operacionais.

Os únicos favoráveis à operação eram setores do CENTCOM, acrescentou a fonte, observando que Israel também apoiava amplamente uma operação para intensificar o conflito.

Trump acabou recuando após conversar com aliados do Oriente Médio, que disseram estar preocupados com uma retaliação iraniana, especificamente ataques retaliatórios contra sua infraestrutura energética, afirmou à CNN um alto funcionário do governo. O funcionário acrescentou que o presidente não retirou os ataques planejados da mesa para uma data futura.

Mas a redução dos estoques americanos de munições importantes também foi um fator, como mostrou a CNN, enquanto várias fontes disseram que essa era uma preocupação levantada não apenas por Caine, mas também por autoridades do Golfo, que recentemente transmitiram a funcionários do governo americano como uma escassez de sistemas americanos de defesa aérea de alta capacidade poderia afetar sua capacidade de se proteger de uma possível retaliação iraniana caso Trump decida intensificar o conflito.

Trump ameaçou repetidamente atacar a infraestrutura energética do Irã, uma medida que, segundo fontes, provavelmente não faria o Irã capitular — como o próprio Caine deu a entender publicamente — e quase certamente provocaria ataques retaliatórios contra a infraestrutura energética de países do Golfo. Isso também provavelmente afastaria ainda mais a população iraniana, em vez de estimular a responsabilização do regime, disseram várias fontes.

Trump também considerou bombardear pontes, mas, segundo uma segunda fonte, isso também dificilmente produziria resultados efetivos. Realmente não há muito mais para atacar, já que é um jogo de gato e rato com locais de drones e mísseis. Bombardear usinas de energia teria uma importância pública muito maior.

Lidando com Trump com cautela

Embora Caine tenha levantado preocupações, ele também tem se mostrado atento à preservação de sua relação com Trump e cuidadoso na maneira como apresenta diretamente ao presidente as possíveis desvantagens das opções militares, disseram as fontes.

Durante seu período como chefe do Estado-Maior Conjunto, ele trabalhou arduamente para garantir que tivesse a atenção de Trump. Em determinado momento, chegou a tentar conseguir um escritório na Casa Branca para poder informar o presidente com mais frequência e ter um espaço altamente seguro para trabalhar quando estivesse lá, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Caine estava fazendo seu trabalhoao levantar recentemente as possíveis desvantagens das opções militares para intensificar o conflito — incluindo preocupações com o estoque de munições dos EUA, já reduzido — durante uma reunião na Casa Branca com Trump e outros altos funcionários no fim do mês passado, disseram duas fontes familiarizadas com a discussão.

Presidente dos EUA, Donald Trump. • Evelyn Hockstein/Reuters via CNN Newsource
Presidente dos EUA, Donald Trump. • Evelyn Hockstein/Reuters via CNN Newsource

Mas, durante a mesma conversa, Caine também deixou claro ao presidente que, se ele quisesse levar essas operações adiante, poderíamos destruí-los completamente, disse à CNN uma das fontes familiarizadas com a recente reunião na Casa Branca, ao relatar a mensagem do chefe do Estado-Maior Conjunto.

Em privado, no entanto, Caine tem sido mais direto ao reconhecer os limites do poder aéreo e reiterar sua avaliação de que apenas bombardeios provavelmente não serão suficientes para alcançar os objetivos declarados por Trump nesta fase da guerra, segundo uma terceira fonte familiarizada com o assunto.

Alguns dizem que Caine não tem sido assertivo o suficiente com Trump. He definitivamente está se contendo, disse à CNN, no início deste ano, uma fonte familiarizada com as interações de Caine com Trump, ao comparar as conversas do general na Casa Branca com suas discussões privadas com líderes militares sobre a possibilidade de iniciar a guerra.

Caine parece ter se tornado mais incisivo nas últimas semanas ao abordar os efeitos de segunda e terceira ordem de uma possível escalada americana. A CNN informou anteriormente que ele levantou especificamente preocupações sobre o estoque reduzido de munições dos EUA durante pelo menos duas reuniões recentes com Trump nas quais foram discutidas opções para intensificar o conflito.

Ao mesmo tempo, Caine reiterou durante essas reuniões que os militares americanos podem causar danos massivos ao Irã se Trump decidir levar adiante uma operação que intensifique a guerra, segundo uma fonte familiarizada com uma dessas discussões.

Isso faz parte do delicado equilíbrio de Caine: dizer em privado que quer restaurar a confiança em sua posição como principal general do país e nos militares de maneira mais ampla, mesmo enquanto Trump politizou ambos.

Alertas sobre estoques de armas antes da guerra

Antes do início da guerra, Caine e outros líderes militares também alertaram Trump de que uma campanha militar prolongada poderia afetar os estoques de armas dos EUA — particularmente aquelas que dão suporte a Israel e à Ucrânia. Agora, comandantes militares americanos de alto escalão acreditam que o estoque de munições está perigosamente baixo, segundo uma fonte ouvida anteriormente pela CNN, e Trump está cada vez mais frustrado porque o impacto da guerra sobre as munições americanas parece prejudicar sua capacidade de projetar força de forma crível nas negociações com o Irã.

Caine levantou preocupações sobre a redução do estoque de munições dos EUA durante pelo menos duas reuniões recentes com Trump nas quais foram discutidas possíveis opções para intensificar o conflito, informou a CNN. Trump, por sua vez, parece mais frustrado pelo fato de o impacto da guerra sobre as munições americanas ter sido divulgado publicamente — expressando essas queixas durante uma reunião com seu gabinete em Camp David na semana passada.

A escassez de munições também é uma das razões pelas quais o Pentágono e o Comando Central dos EUA começaram recentemente a reavaliar a estratégia militar americana, informou a CNN. Por exemplo, um alto funcionário militar do CENTCOM enviou recentemente um e-mail pedindo sugestões de formas novas, criativas e não convencionais de pressionar e punir o Irã, segundo fontes ouvidas anteriormente pela CNN.

Embora solicitar novas ideias não seja necessariamente algo ruim, especialmente diante da situação atual da guerra, fontes observaram que fazer isso seis meses após o início do conflito equivale a um reconhecimento tácito de que as coisas não estão indo bem.

É difícil quando você está analisando essas opções no meio da guerra, em vez de antes de ela começar, disse uma das fontes familiarizadas com as discussões de planejamento.

Como chefe do Estado-Maior Conjunto, Caine é responsável por elaborar opções militares para atacar o Irã, mas, mesmo nas reuniões realizadas antes da guerra no Pentágono com outros altos funcionários, o principal general de Trump foi vocal sobre as possíveis desvantagens de lançar uma grande operação — levantando, já naquela época, preocupações sobre a escala, a complexidade e o potencial de baixas americanas em uma missão desse tipo, segundo fontes familiarizadas com seus aconselhamentos.

Ao mesmo tempo, Trump citou especificamente Caine pelo nome em uma publicação anterior à guerra, afirmando que seu principal assessor militar acreditava que o conflito com o Irã, que já dura meses, será algo fácil de vencer.

À medida que a guerra se aproxima da marca de seis meses, críticas mais moderadas à atuação de Caine estão voltando a surgir, e começam a aparecer questionamentos sobre sua relativa falta de experiência na condução de um conflito prolongado.

He está completamente fora de sua profundidade neste caso, disse uma fonte familiarizada com a maneira como Caine está lidando com a crise atual — tanto estrategicamente quanto na gestão de sua relação com Trump.

Mas Caine não é uma exceção. Muitos dentro do governo, assim como analistas externos, concordam que a única maneira de derrotar o Irã de forma decisiva seria por meio de uma grande operação envolvendo tropas terrestres, um compromisso que poderia potencialmente custar milhares de vidas americanas. O Pentágono considera todos os cenários, portanto esses planos existem, mas, até o momento, ninguém no governo está defendendo uma ação tão drástica.

Por isso, enquanto Caine e outros continuam garantindo que Trump esteja ciente de que ações militares de escalada menos drásticas podem levar a resultados negativos, o foco está em encontrar uma saída que ofereça ao presidente uma vitóriasimbólica— no mínimo — que ele possa tentar vender ao povo americano sem impedir um possível avanço diplomático, começando por um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.

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