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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Copa nos Estados Unidos vira desafio de orçamento para torcedores:

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'Está todo mundo revoltado' Custos para obtenção de visto e transporte público a quase R$ 500 dificultaram planejamento de torcedores. Fifa tem sido alvo de críticas por preços dos ingressos.
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TOPO
Por RFI

Postado em 30 de Abril de 2.026 às 11h05m
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Completar álbum da Copa do Mundo de 2026 pode custar mais de R$ 6 mil
Completar álbum da Copa do Mundo de 2026 pode custar mais de R$ 6 mil

Assistir aos jogos de uma Copa do Mundo nunca foi barato, mas o Mundial nos Estados Unidos parece estar extrapolando os limites. Ingressos que podem chegar à casa dos milhões de dólares, custos elevados para conseguir um visto e transporte público que pode chegar a mais de R$ 500.

Para o público brasileiro, a Copa nas Américas – com jogos também no México e no Canadá – facilita em relação às sedes das últimas competições. O preço de passagens aéreas é menor do que foi para o Catar e a Rússia.

Entretanto, todo o resto da conta corre o risco de sair mais alto: hospedagens, transportes e restaurantes, além da tradicional gorjeta nos serviços, que chega a 20% nos Estados Unidos. Muitos torcedores desistiram da viagem.

Quando é uma pessoa sozinha, ela se vira, vai no amor e fica no sofá de alguém. Mas quando é para quatro pessoas, a gente viu que muita gente não vai conseguir ir porque o custo aumentou muito, afirma Fernanda Zaguis, consultora em planejamento e gestão do Movimento Verde e Amarelo, que desde 2008 organiza a ida de brasileiros para as Copas.

Ao contrário de 2022 e 2018, quando o transporte público para os estádios era gratuito, desta vez os gastos com o trajeto terão de ser considerados.

Em Boston, o valor do trem para o Estádio Gillette, em Foxborough, a cerca de 50 km da metrópole, estará quase 10 vezes mais caro que o normal, num total de US$ 80 (R$ 400). A viagem de ida e volta no ônibus Express, reservado para portadores de ingressos, custará US$ 95 (R$ 475).

Em Nova York, o valor é semelhante. O custo será de US$ 100 ida e volta (R$ 500) para ir de Manhattan ao MetLife Stadium, em East Rutherford.

Está todo mundo revoltado. Acho que vai ser até mais caro do que no Catar, que era um país caro, mas a gente não tinha que ficar mudando de lugar. Não tinha voos internos e economizamos nisso, lembra Zaguis.

Estamos juntando a galera para chegarmos ao máximo de pessoas possível e reduzir o preço. 
Final por mais de R$ 50 mil
Taça da Copa do Mundo da Fifa — Foto: Muhammad Hamed/Reuters
Taça da Copa do Mundo da Fifa — Foto: Muhammad Hamed/Reuters

Os ingressos são outro problema. A partida final, em 19 de julho, não sai por menos de US$ 11 mil (R$ 54 mil) na plataforma oficial da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Os mais caros disparam para US$ 2,3 milhões (R$ 11,5 milhões).

Essa tem sido a realidade desde que a entidade adotou um sistema de preços dinâmicos para aumentar os seus lucros, explica Pim Verschuuren, especialista em gestão do esporte e professor-associado da Universidade de Rennes 2, na França.

Quatro anos de futebol são financiados em um mês de Copa do Mundo, mas existe o problema de manchar o discurso da Fifa de que o futebol deve ser o esporte mais popular do mundo, universal, pondera.

É verdade que essas tarifas excessivas permitem financiar o futebol, mas também financiam a própria Fifa, onde temos problemas antigos de governança. O dinheiro infelizmente não vai todo para os praticantes de futebol e a todos os que se envolvem com o esporte, constata.

Foto mostra um carimbo de visto em um passaporte estrangeiro em Los Angeles, nos EUA, em 6 de junho de 2020. Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (6) que não permitiria que estudantes estrangeiros permanecessem no país se todas as suas aulas fossem transferidas para a Internet  — Foto: Chris Delmas/AFP
Foto mostra um carimbo de visto em um passaporte estrangeiro em Los Angeles, nos EUA, em 6 de junho de 2020. Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (6) que não permitiria que estudantes estrangeiros permanecessem no país se todas as suas aulas fossem transferidas para a Internet — Foto: Chris Delmas/AFP

Outro ponto delicado é a própria entrada nos Estados Unidos, que preocupa os torcedores dos países pobres e em desenvolvimento, alvos prioritários da polícia anti-imigração americana nos últimos meses.

Restrições de entrada são aplicadas a países como Haiti, Senegal e Costa do Marfim, mas podem ser contornadas com o pagamento de uma caução que vai de US$ 5 mil a US$ 10 mil (de R$ 25 mil a R$ 50 mil).

O Brasil não está nesta lista, que inclui 47 países, sendo a maioria africanos. Mas, mesmo assim, o torcedor que precisa de visto teve de desembolsar a quantia de US$ 435 (R$ 2,1 mil) para a obtenção do documento – e ainda muitos tiveram o pedido recusado.

Muita gente teve o visto negado. Muita mesmo, principalmente músicos, profissionais liberais, e já estavam com tudo comprado, passagem, voo, aponta Fernanda Zaguis. Não teve o que fazer.”

O maior sindicato do estádio de Los Angeles exige garantias de que todos os torcedores com ingressos poderão cruzar as fronteiras americanas – do contrário, ameaça fazer greve durante as competições.

É um jogo político, e a Fifa está presa na sua própria armadilha porque o seu modelo econômico depende de os países anfitriões administrarem todos os aspetos de segurança e hospitalidade, enquanto as receitas vão diretamente para os cofres da Fifa, indica Verschuuren.

Infelizmente, agora este modelo está sendo desafiado porque a federação não tem controle real sobre o que é feito.

O receio de enfrentar problemas na imigração e a perspectiva de gastos afetam os planos de torcedores pelo mundo, inclusive nos países ricos.

Na França, uma pesquisa divulgada pela BetFirst apurou que para assistir aos três primeiros jogos dos bleus na Copa, é preciso gastar em média € 4,8 mil (R$ 28 mil).

Em março, a Organização dos Torcedores Europeus (FSE, na sigla em inglês), entrou com uma queixa contra a Fifa para denunciar os preços exorbitantes do Mundial, além de um procedimento considerado opaco e desleal de venda de ingressos.

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