Total de visualizações de página

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Porta-voz do Irã rebate fala de Trump e nega negociações com os EUA

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Presidente americano declarou na noite de domingo (2) que Washington e Teerã tratariam de possível acordo nesta segunda-feira (3)
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Da CNN Brasil*
03/08/26 às 05:42 | Atualizado 03/08/26 às 09:18
Postado em 03 de Agosto de 2.026 às 10h30m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.423 --  *.#.


O Irã não está atualmente em negociações com os Estados Unidos e está em discussões com Omã sobre uma rota segura temporária através do Estreito de Ormuz, disse nesta segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, nesta segunda-feira (3).

A declaração do porta-voz de Teerã acontece após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que as negociações com o Irã seriam retomadas hoje. O anúncio de Trump aconteceu após o próprio líder americano dizer que cancelou um "ataque maciço" contra o Irã.

Em coletiva de imprensa televisionada, Baghaei acrescentou que chegar a um acordo com Omã não é suficiente para reabrir o estreito, pois a situação permanecerá inalterada enquanto a "agressão" dos EUA continuar.

Leia Mais

Baghaei declarou que o Irã está atualmente em negociações com Omã para estabelecer uma rota segura e "temporária" para embarcações pelo Estreito de Ormuz.


"O esforço é determinar, o mais rápido possível e em consulta com Omã, uma rota que seja naturalmente temporária e com base na qual a segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz possa ser garantida", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Como a CNN mostrou, Baghaei havia afirmado no domingo que o entendimento entre Irã e Omã sobre uma nova rota marítima não significa que o Estreito de Ormuz será reaberto. O porta-voz já havia classificado o acordo como "uma condição necessária, mas não suficiente".

Segundo dados da Kpler, no Estreito de Ormuz, rota que movimentava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo antes das hostilidades, um navio-tanque carregado com gás liquefeito de petróleo, abastecido no Irã, fez a travessia no domingo

A agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido relatou mais três ataques a petroleiros desde sábado. A empresa de navegação grega Gaslog relatou um incidente em seu navio-tanque de GNL, Gaslog Shanghai, em 31 de julho.

O número de navios mercantes que passaram por Ormuz caiu para 10 no sábado, após o número de 19 registrados na sexta-feira, o maior desde meados de julho, segundo os dados.

Além dos navios VLCC Spain B e Noble , outros dois VLCCs saíram do Estreito de Ormuz , enquanto um entrou na sexta-feira.

Dois petroleiros carregados com petróleo saudita cruzaram o estreito de Bab el-Mandeb no fim de semana. O número de navios mercantes que atravessaram o estreito de Bab el-Mandeb caiu para 18 no domingo, contra 27 no sábado e 28 na sexta-feira, segundo a Kpler.

*Com informações da Reuters e da CNN Internacional

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Tópicos


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Militares dos EUA pedem às tropas ideias "criativas" para punir o Irã

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Conteúdo exclusivo da CNN: Oficial de alta patente enviou e-mail para analistas pedindo soluções não convencionais contra Teerã
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Katie Bo Lillis e Zachary Cohen, da CNN
03/08/26 às 09:44 | Atualizado 03/08/26 às 09:44
Postado em 03 de Agosto de 2.026 às 10h00m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.422 --  *.#.


Vista do Pentágono em Washington3 de março de 2022 REUTERS/Joshua Roberts  • REUTERS

A solicitação de um oficial de alta patente do comando militar dos Estados Unidos, responsável por conduzir a guerra do presidente Donald Trump contra o Irã, chegou por e-mail: precisamos de ideias.

"Estamos buscando novas formas criativas e não convencionais de pressionar e punir o Irã", escreveu um oficial do setor de inteligência do CENTCOM (Comando Central dos EUA) em uma mensagem enviada na quarta-feira (29) a um grupo amplo de analistas militares, segundo uma fonte a par da mensagem.

Uma segunda fonte também informou que um oficial militar de alta patente do país enviou a mensagem na semana passada, solicitando novas ideias sobre como lidar com o Irã.

A consulta no estilo "crowdsourcing", uma prática para obter contribuições por meio da colaboração de uma grande comunidade, que autoridades militares descreveram como incomum para ser feita por e-mail, é um sinal das opções limitadas (e potencialmente desagradáveis) à disposição de Trump para forçar o Irã a aceitar um acordo nos termos dele.

Leia Mais.

Na esperança de encontrar uma alternativa, a autoridade do CENTCOM iniciou uma sessão por e-mail para verificar se alguém tinha uma ideia melhor.

A segunda fonte afirmou que o Comando Central dos EUA está analisando todas as possibilidades, reconhecendo a necessidade de reavaliar a estratégia.

"O Comando Central dos EUA tem um longo histórico de pensar e trabalhar de maneiras inovadoras", disse o Capitão Timothy Hawkins, porta-voz do CENTCOM, em um comunicado.

"O Almirante Cooper, em particular, busca a colaboração dos integrantes de nossa excelente equipe, independentemente da patente, para alcançar os mais altos níveis possíveis de desempenho operacional", completou ele.

Ameaças americanas

O e-mail antecedeu a ameaça de Trump de lançar novos ataques contra o Irã, os quais ele acabou cancelando no fim de semana, depois que autoridades da região, notadamente o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, interviram ligando para o presidente e pedindo para ele reduzir a tensão.

Há semanas, os Estados Unidos vêm atingindo o Irã com ataques aéreos destinados a reduzir sua capacidade de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz e a trazer Teerã de volta à mesa de negociações, mas ainda não há sinal de um acordo.

Trump tem avaliado intensificar a campanha militar, possivelmente retomando ataques pesados contra as instalações nucleares remanescentes do Irã, as quais, segundo ele, haviam sido "aniquiladas" em ataques realizados no verão passado.

Duas fontes a par do planejamento afirmam que os militares vêm se preparando ativamente para lançar ataques contra Pickaxe Mountain e outros locais iranianos que, acredita-se, abriguem material ou equipamentos nucleares.

No entanto, segundo essas fontes, mesmo com o uso das armas convencionais mais poderosas dos Estados Unidos, é pouco provável que apenas mísseis e bombas sejam eficazes, uma vez que as instalações estão profundamente enterradas no subsolo.

Para destruí-las, o país norte-americano precisaria empregar tropas terrestres, um risco enorme que Trump tem relutado em assumir, em meio a questionamentos sobre a transparência de sua administração em relação às baixas entre militares.

Até o momento, dezoito militares americanos morreram nos combates.

Alvos da guerra

Trump tem cogitado ataques semelhantes a uma queima de "fogos de artifício", disse outra fonte; tais ações poderiam atingir os mesmos locais ou instalações similares que foram alvo há um ano, na esperança de obter uma vitória simbólica que lhe permitisse sair do conflito sem, de fato, alcançar um de seus objetivos iniciais: acabar com o programa nuclear do Irã.

E é pouco provável que isso resolvesse o que se tornou a questão central da guerra, as reivindicações iranianas sobre o Estreito de Ormuz.

Navios ancorados no Estreito de Ormuz • 25 de maio de 2026 REUTERS/Stringer
Navios ancorados no Estreito de Ormuz • 25 de maio de 2026 REUTERS/Stringer

"No fim das contas, o presidente vai querer um acordo; por isso, buscará continuamente maneiras de endurecer a posição e sair dessa situação", disse uma das fontes a par das discussões recentes de planejamento. "Às vezes, você precisa de mentes criativas, especialmente se estiverem acabando as opções convencionais."

Tanto a CIA (Agência Central de Inteligência) quanto a DIA (Agência de Inteligência de Defesa) avaliaram recentemente que é pouco provável que o tipo de bombardeio realizado pelos EUA altere a posição do Irã nas negociações, segundo informações da CNN.

O principal conselheiro militar do presidente, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, reconheceu publicamente que é pouco provável que apenas os bombardeios alcancem todos os objetivos da guerra anteriormente declarados por Trump.

"O poder aéreo tem seus limites", disse Caine aos legisladores no mês passado.

Opções para escalar o conflito vêm sendo apresentadas ao presidente norte-americano e extensamente debatidas há meses, e mais recursos militares têm sido enviados à região à espera do sinal verde do presidente.

Um plano elaborado pelo CENTCOM envolveria um bombardeio pesado, ao longo de uma ou duas semanas, para neutralizar as capacidades de mísseis do Irã, segundo autoridades dos Estados Unidos.

Nesta imagem de divulgação da Marinha dos Estados Unidos, o destróier lança-mísseis guiados da classe Arleigh Burke USS Thomas Hudner (DDG 116) dispara um míssil de ataque terrestre Tomahawk em apoio à Operação Epic Fury, em 1º de março de 2026, no mar • Foto de U.S. Navy via Getty Images
Nesta imagem de divulgação da Marinha dos Estados Unidos, o destróier lança-mísseis guiados da classe Arleigh Burke USS Thomas Hudner (DDG 116) dispara um míssil de ataque terrestre Tomahawk em apoio à Operação Epic Fury, em 1º de março de 2026, no mar • Foto de U.S. Navy via Getty Images

Até o momento, Trump tem se abstido de agir, em parte após ouvir as preocupações de Caine sobre a escassez de interceptadores de defesa aérea.

Outras autoridades também manifestaram receio quanto ao risco de um elevado número de vítimas civis caso Trump concretizasse as ameaças de atacar infraestruturas como pontes e usinas de dessalinização de água.

O presidente poderia escalar o conflito enviando tropas americanas para o terreno, uma ameaça que ele fez repetidamente ao falar sobre ocupar a estratégica Ilha de Kharg ou remover o urânio altamente enriquecido do Irã.

No entanto, isso violaria ainda mais uma promessa fundamental feita à sua base MAGA:" Não vou enviá-los para lutar e morrer em guerras estrangeiras estúpidas que nunca terminam", disse ele durante um comício de campanha de 2024 na Pensilvânia.

Ou ele poderia aceitar uma situação perigosa: ciclos intermináveis de ataques e contra-ataques envolvendo o Irã, que provavelmente custariam mais vidas americanas e deixariam o Estreito de Ormuz em um estado de perigo constante, assemelhando-se às "guerras sem fim" que ele criticou.

"Acho que só queremos vencer", disse Trump durante uma reunião de gabinete na sexta-feira (31), ao ser questionado sobre o encerramento da guerra.

"Vamos atacá-los com muita força e, sabe, em algum momento eles vão dizer: Simplesmente não aguentamos mais", completou ele.

CNN Brasil  Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

inglês
Tópicos


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

domingo, 2 de agosto de 2026

General americano alerta Pentágono que faltam forças para defender Israel em meio à guerra com Irã

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Comandante teria alertado o Pentágono que será forçado a priorizar os EUA em meio à guerra com o Irã. Informação é do Washington Post.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Por Redação g1

Postado em 02 de Agosto de 2.026 às 15h50m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.421 --  *.#.

General alerta para falta de navios dos EUA
General alerta para falta de navios dos EUA

O principal general dos EUA na Europa alertou o Pentágono de que faltam forças navais para seguir protegendo Israel. A informação é do Washington Post.

Segundo o veículo americano, o general Alexus Grynkewich, chefe do Comando Europeu dos EUA, informou que, sem o reforço de mais um navio, ele será "forçado a priorizar" a defesa do território norte-americano em detrimento da proteção a Israel.

Para o general, a guerra contínua com o Irã, que já dura cinco meses, tem imposto sérias limitações ao exército americano. O problema envolve especialmente a Marinha, que também executa o bloqueio aos portos iranianos após o fechamento do Estreito de Ormuz.

A intensidade das operações, com ataques praticamente diários, teria esgotado os estoques de armas defensivas essenciais.

Embora existam navios contratorpedeiros para essas missões em uma base na Espanha, os EUA enfrentam problemas na manutenção dessas embarcações.

A missão no Mediterrâneo exige um equilíbrio delicado do Comando Europeu, que precisa dividir atenção e equipamentos entre Israel e o monitoramento estratégico da Rússia em relação à OTAN.

Uma avaliação do Pentágono, divulgada em maio, mostrou que as forças dos EUA arcaram com a maior parte da defesa de Israel contra mísseis balísticos iranianos.

A crescente pressão militar coincide com o desgaste político interno, visto que a guerra contra o Irã enfrenta desaprovação pública e frustração no Congresso dos EUA devido à falta de uma estratégia clara de encerramento.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

À CNN, embaixador do Japão chama Brasil de potência mundial de terras raras

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Yasushi Noguchi também falou sobre o envelhecimento da população japonesa, imigração de brasileiros ao país e investimentos em tecnologia e segurança de Tóquio
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Da CNN Brasil, São Paulo
02/08/26 às 13:00 | Atualizado 02/08/26 às 13:10
Postado em 02 de Agosto de 2.026 às 13h40m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.420 --  *.#.


O embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, disse à CNN Brasil em uma entrevista exclusiva com o âncora Márcio Gomes que o país é uma potência mundial em terras raras e minerais críticos e destacou o interesse japonês em parcerias comerciais.

O verme-do-diabo é o animal que vive no lugar mais profundo da Terra — e ele está redefinindo os limites da vida

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


A descoberta de um verme nas profundezas da crosta da Terra deu início a uma série de eventos extraordinários que transformaram nosso conhecimento da vida nas profundezas do planeta.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
TOPO
Por BBC

Postado em 02 de Agosto de 2.026 às 11h30m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.419 --  *.#.

Esta imagem microscópica mostra a ponta afilada de um verme-do-diabo. — Foto: Gaetan Borgonie et al, Nature, 2011 via BBC
Esta imagem microscópica mostra a ponta afilada de um verme-do-diabo. — Foto: Gaetan Borgonie et al, Nature, 2011 via BBC

Se pudéssemos perfurar o solo abaixo de nós e descer pela crosta da Terra, ficaríamos rapidamente desconfortáveis.

À medida que a luz do Sol desaparece e nos aproximamos um pouco mais do núcleo fundido do planeta, a temperatura e a pressão aumentam, e as águas subterrâneas mais profundas preenchem buracos e rachaduras nas rochas.

Ao atingir profundidades tórridas como 1,3 km abaixo da superfície, é fácil acreditar que nada pode viver ali embaixo. Mas, com um pouco de sorte, é possível ver bilhões e bilhões de bactérias, às vezes formando camadas brilhantes, brancas ou alaranjadas.

E, se pudermos levar um microscópio, talvez encontremos até mesmo um minúsculo verme que usa pequenos apêndices na sua boca para se erguer ao longo das rochas.

Estamos falando do Halicephalobus mephisto, conhecido como verme-do-diabo, rondando em busca de micróbios.

➡️ O animal é minúsculo. Seu comprimento tem apenas a largura de alguns fios de cabelo humanos. Mas ele parece uma baleia neste ecossistema liliputiano.

Os cientistas imaginam que, quando o verme-do-diabo morre naquele filme microbiano gosmento que cresce sobre a rocha, seu corpo provavelmente seja consumido por bactérias e outras formas de vida, ajudando a alimentar este estranho ciclo de vida ancestral.

Até a década de 1980, a maioria dos biólogos não acreditava que existisse vida a mais de 30 cm abaixo da superfície. Mas a descoberta do verme-do-diabo, em 2011, mudou radicalmente nosso conhecimento das profundezas da Terra.

A história deste verme demonstra como a vida, mesmo a vida animal, encontra um caminho, sem a energia solar ou uma atmosfera rica em oxigênio, para expandir radicalmente os ambientes que possibilitam o desenvolvimento dos seres vivos, despertando novas ideias sobre as origens e o futuro da vida.

"Se você consegue encontrar um verme lá embaixo, o que ainda falta descobrir?", questiona a geomicrobióloga Karen Lloyd, da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. "As possibilidades são imensas".

Graças a uma série extraordinária de felizes acontecimentos, os cientistas conseguiram gerar filhotes daquele único verme-do-diabo e vêm estudando avidamente seus descendentes para compreender como aquela espécie sobrevive nas quentes e escuras profundezas da Terra.

Entrando na biosfera profunda

Muitos cientistas duvidavam que pudesse haver vermes nas profundezas da crosta terrestre. — Foto: Gaetan Borgonie/ Extreme Life Isyensya via BBC
Muitos cientistas duvidavam que pudesse haver vermes nas profundezas da crosta terrestre. — Foto: Gaetan Borgonie/ Extreme Life Isyensya via BBC

Os primeiros relatos convincentes de vida nas profundezas da crosta terrestre surgiram nos anos 1990. Em 1997, por exemplo, foram encontradas bactérias a 2,8 km de profundidade, dentro de um poço de extração de gás.

No início dos anos 2000, o biólogo especializado em vermes Gaetan Borgonie, fundador do instituto de pesquisa sem fins lucrativos Extreme Life Isyensya, na Bélgica, relembra que cientistas mais velhos ridicularizavam a ideia de que algo mais complexo pudesse existir nas profundezas da Terra.

Borgonie acreditava que um grupo de pequenos vermes chamados nematoides poderia viver nas profundezas da crosta terrestre. Não era uma ideia atraente. Mas, conhecendo a resistência daqueles pequenos animais, Borgonie achou que valia a pena examinar a questão.

Em 2008, ele se reuniu com outros especialistas na vida em ambientes extremos para visitar a mina de ouro Beatrix, na África do Sul. A 1,3 km de profundidade, eles tiveram acesso a buracos perfurados nas paredes da mina para canalizar a água de dentro da rocha, a cerca de 37 °C, em direção a filtros projetados para capturar pequenas formas de vida, relembra Borgonie.

E, após filtrar mais de 6 mil litros de água, eles capturaram um verme minúsculo.

Em duas outras minas sul-africanas, eles filtraram quantidades ainda maiores de água. Em uma delas, foram mais de 12 milhões de litros. Os cientistas encontraram diversas espécies de nematoides, além de outros invertebrados, fungos e várias formas de vida microscópicas.

"Nunca esperei encontrar um zoológico inteiro", relembra Borgonie.

A maior parte das espécies também é encontrada na superfície. Mas o verme da mina Beatrix era novo para a ciência e recebeu, em 2011, o nome de Halicephalobus mephisto. O animal teve a cauda quebrada no processo de filtragem, o que é uma sentença de morte para o nematoide.

Mas, felizmente, o indivíduo era uma fêmea partenogênica, ou seja, ela podia se reproduzir sozinha, sem necessidade de acasalar. E depositou oito ovos viáveis antes de morrer. "Tivemos muita, muita sorte", afirma Borgonie. Ele nunca mais encontrou outro verme-do-diabo.

Alguns dos descendentes dos vermes acabaram no laboratório do pesquisador genômico John Bracht, da Universidade Americana, em Washington DC (Estados Unidos).

Ele os criou em placas de Petri sob condições similares a um dos primos do verme-do-diabo, Caenorhabditis elegans, uma espécie de nematoide que vive em frutas em decomposição e já foi intensamente estudado.

Existem algumas diferenças entre as duas espécies. O verme-do-diabo não nada na água; ele se agarra aos lados de um tubo de plástico, uma capacidade que provavelmente o ajuda a se fixar às rochas subterrâneas.

Evidentemente, o verme-do-diabo também não aprecia o alimento do Caenorhabditis elegans, que é a bactéria E. coli. Ele prefere outras espécies que formam colônias nas placas. E é importante observar que o verme-do-diabo não se dá bem à temperatura ambiente. A 20 °C, seu crescimento diminui e ele leva oito dias para completar seu ciclo de vida.

O animal prefere temperaturas de 37 °C, que normalmente são fatais para o C. elegans, mas permitem que o verme-do-diabo se reproduza alegremente a cada dois dias.

Adaptações para maior resiliência

Estudar uma espécie examinando apenas os descendentes de um único indivíduo é um desafio, especialmente quando eles ficam longe do seu habitat natural por tanto tempo.

Mas Bracht encontrou indicações de como o verme sobrevive nas profundezas da crosta terrestre. Ele e seus colegas sequenciaram o DNA do verme-do-diabo em 2019.

Os cientistas encontraram números incomumente altos de genes produtores de proteínas de choque térmico — moléculas que protegem outras proteínas contra lesões causadas por temperaturas extremas.

Mais recentemente, em 2024, a equipe de Bracht examinou outra molécula chamada citocromo c oxidase, que é importante para o consumo de oxigênio para a manutenção da vida.

Com uma série de experimentos, Bracht descobriu que a citocromo c oxidase do verme-do-diabo só funciona sob altas temperaturas.

À temperatura ambiente, a molécula se desliga, reduzindo a geração de energia. Isso explica por que os vermes são tão letárgicos nessas condições.

Bracht acredita que o desligamento possa ser uma tática de sobrevivência.

"Eles estão garantindo que irão se reproduzir mais no ambiente melhor, mais quente", explica ele.

O pesquisador estuda atualmente se a reprodução partenogênica do verme-do-diabo também é um instrumento de sobrevivência.

Bracht especula que talvez existam vermes-do-diabo machos que ainda não foram encontrados. Eles permitiriam a reprodução sexuada quando os indivíduos se encontram.

Mas, como os animais podem não encontrar com frequência outros da sua espécie na vastidão do mundo subterrâneo, este tipo de reprodução assexuada, às vezes, pode ser sua única forma de gerar descendentes.

De qualquer forma, os vermes demonstram sua capacidade de adaptação.

Acredita-se que a reprodução assexuada tenha um custo, pois ela não cria a diversidade genética saudável que resulta da mistura de material genético quando machos e fêmeas se acasalam. É por isso que muitos cientistas consideram que as espécies que se reproduzem assexuadamente estão condenadas à extinção.

"Em qualquer lugar onde você encontrar uma fonte de alimento e houver a possibilidade de animais chegarem até lá, os nematoides irão evoluir para ocupar aquele nicho."

Como o verme-do-diabo chegou tão fundo

Como estas formas de vida chegaram até ali é um mistério.

As pesquisas de Borgonie e da geobióloga Cara Magnabosco, do Instituto Federal de Tecnologia (ETH, na sigla em alemão) de Zurique, na Suíça, indicam que pelo menos alguns nematoides se movem da superfície para regiões mais profundas pela água, talvez com o auxílio dos tremores da atividade sismológica.Ao todo, Magnabosco e outros estimam que os micróbios da biosfera profunda representam uma parcela considerável da vida no planeta, respondendo por 12% a 20% da biomassa total dos micróbios da Terra.

Já em relação às bactérias, muitas delas podem estar nas profundezas há muito mais tempo.

Um estudo de 2021 da geomicrobióloga Maggie Lau e seus colegas do Instituto de Engenharia e Ciências do Mar Profundo, na China, descobriram que a bactéria Desulforudis audaxviator encontrada nas profundezas da Terra em três continentes é geneticamente quase idêntica, mesmo sem nunca ter sido identificada na superfície.

Ela e seus colegas calculam que a bactéria pode estar na crosta da Terra desde a fragmentação do supercontinente Pangeia, que começou cerca de 165 milhões de anos atrás, quando os dinossauros dominavam o mundo.

O estudo da biosfera das profundezas poderá nos ajudar a compreender melhor em que condições surgiram os primeiros seres vivos, segundo os especialistas.

E, se um asteroide mortal atingir a Terra e esterilizar sua superfície, a vida poderá surgir novamente das criaturas que habitam as profundezas do planeta.

"Como seres humanos, achamos que governamos o mundo, mas não é verdade", destaca a cientista ambiental Esta van Heerden, da empresa sul-africana de biorremediação iWater. Ela fez parte da equipe que descobriu o verme-do-diabo.

"Para mim, foi uma extrema lição de humildade compreender que eles estão aqui há milhões, talvez bilhões de anos e permanecerão por muito mais tempo que nós."

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------