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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Quaest: Lula venceria Ciro, Tarcísio, Ratinho Jr., Bolsonaro, Zema, Michelle, Caiado, Eduardo Bolsonaro e Leite no 2º turno de 2026

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Presidente lidera todos os oito cenários de 1º turno e os nove de 2º turno para eleição presidencial de 2026 simulados pelo levantamento. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.
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Por Arthur Stabile, Felipe Turioni, Gustavo Petró, g1 — São Paulo

Postado em 18 de Setembro de 2.025 às 09h00m
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Quaest: desaprovação do governo Lula se mantém em 51%; e aprovação, em 46%
Quaest: desaprovação do governo Lula se mantém em 51%; e aprovação, em 46%

O presidente Lula lidera em todos os cenários de 1º e 2º turno simulados por uma pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (18) sobre disputa presidencial de 2026.

No 2º turno, segundo o levantamento, Lula se mantém à frente de outros 9 nomes pesquisados: Ciro Gomes (PDT), Ratinho Júnior (PSD), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Jair Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Michelle Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (União), Eduardo Bolsonaro (PL) e Eduardo Leite (PSD).

A pesquisa Quaest foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre os dias 12 e 14 de setembro e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

A pequisa mostra estabilidade em relação ao levantamento anterior divulgado. Naquele mês, Lula passou a liderar em todos os cenários pesquisados. Em julho, Tarcísio empatava com Lula no limite da margem de erro. Em junho, com Bolsonaro, Tarcísio, Ratinho Jr., Michelle e Eduardo Leite.

Presidente Lula durante cerimônia no Planalto — Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula durante cerimônia no Planalto — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Testado pela primeira vez em cenário de 2º turno pela Quaest, Ciro, ex-governador do Ceará, aparece sete pontos atrás de Lula, com 33% das intenções de voto contra 40% do presidente.

Tarcísio está oito pontos atrás. Ratinho Júnior, 12; Bolsonaro e Zema, 13; Michelle e Caiado, 15; Eduardo Bolsonaro, 18; e Eduardo Leite, 19.

A pesquisa mostra, ainda, que

A pesquisa traçou oito eventuais cenários na pesquisa estimulada para o 1º turno das eleições para presidente, em 2026:

Cenário 1 - Com Lula e Bolsonaro

  • Lula (PT): 32%;
  • Jair Bolsonaro (PL): 24%;
  • Ciro Gomes (PDT): 11%;
  • Ratinho Júnior (PSD): 8%;
  • Romeu Zema (Novo): 5%;
  • Ronaldo Caiado (União Brasil): 4%;
  • Indecisos: 5%;
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 11%.

Cenário 2 - Com Lula e Michelle

  • Lula (PT): 33%;
  • Michelle Bolsonaro (PL): 18%;
  • Ciro Gomes (PDT): 13%;
  • Ratinho Júnior (PSD): 8%;
  • Romeu Zema (Novo): 6%;
  • Ronaldo Caiado (União Brasil): 5%;
  • Indecisos: 5%;
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 12%.

Cenário 3 - Com Lula e Tarcísio

  • Lula (PT): 35%;
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): 17%;
  • Ciro Gomes (PDT): 13%;
  • Ronaldo Caiado (União Brasil): 6%;
  • Romeu Zema (Novo): 5%;
  • Indecisos: 6%;
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 18%.

Cenário 4 - Com Lula e Eduardo Bolsonaro

  • Lula (PT): 32%;
  • Eduardo Bolsonaro (PL): 14%;
  • Ciro Gomes (PDT): 14%;
  • Ratinho Júnior (PSD): 10%;
  • Romeu Zema (Novo): 6%;
  • Ronaldo Caiado (União Brasil): 5%;
  • Indecisos: 6%;
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 13%.

Cenário 5 - Com Lula, Tarcísio e Eduardo Bolsonaro

  • Lula (PT): 40%;
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): 20%;
  • Eduardo Bolsonaro (PL): 16%;
  • Indecisos: 5%;
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 19%.

Cenário 6 - Com Lula, Eduardo Bolsonaro e Ratinho

  • Lula (PT): 40%;
  • Eduardo Bolsonaro (PL): 21%;
  • Ratinho Júnior (PSD): 16%;
  • Indecisos: 5%;
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 18%.

Cenário 7 - Com Lula, Eduardo Bolsonaro e Zema

  • Lula (PT): 42%;
  • Eduardo Bolsonaro (PL): 21%;
  • Romeu Zema (Novo): 13%;
  • Indecisos: 5%;
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 19%.

Cenário 8 - Com Lula, Eduardo Bolsonaro e Caiado

  • Lula (PT): 43%;
  • Eduardo Bolsonaro (PL): 21%;
  • Ronaldo Caiado (União): 12%;
  • Indecisos: 5%;
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 19%.

Cenários de 2º turno

Cenário 1 - Lula e Ciro Gomes

  • Lula (PT): 40%;
  • Ciro Gomes (PDT): 33%;
  • Indecisos: 3%;
  • Branco/nulo/não vai votar: 24%.

Cenário 2 - Lula e Tarcísio

  • Lula (PT): 43% (eram 43% em agosto);
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): 35% (eram 35%);
  • Indecisos: 3% (eram 4%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 19% (eram 18%).

Cenário 3 - Lula e Ratinho Jr.

  • Lula (PT): 44% (eram 44% em agosto);
  • Ratinho Júnior (PSD): 32% (eram 34%);
  • Indecisos: 3% (eram 4%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 21% (eram 18%).

Cenário 4 - Lula e Bolsonaro

  • Lula (PT): 47% (eram 47% em agosto);
  • Jair Bolsonaro (PL): 34% (eram 35%);
  • Indecisos: 2% (eram 3%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 17% (eram 15%).

Cenário 5 - Lula e Romeu Zema

  • Lula (PT): 45% (eram 46% em agosto);
  • Romeu Zema (Novo): 32% (eram 32%);
  • Indecisos: 4% (eram 4%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 19% (eram 18%).

Cenário 6 - Lula e Michelle

  • Lula (PT): 47% (eram 47% em agosto);
  • Michelle Bolsonaro (PL): 32% (eram 34%);
  • Indecisos: 3% (eram 3%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 18% (eram 16%).

Cenário 7 - Lula e Caiado

  • Lula (PT): 46% (eram 47% em agosto);
  • Ronaldo Caiado (União Brasil): 31% (eram 31%);
  • Indecisos: 3% (eram 4%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 20% (eram 18%).

Cenário 8 - Lula e Eduardo Bolsonaro

  • Lula (PT): 47% (eram 47% em agosto);
  • Eduardo Bolsonaro (PL): 29% (eram 32%);
  • Indecisos: 3% (eram 3%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 21% (eram 18%).

Cenário 9 - Lula e Eduardo Leite

  • Lula (PT): 45% (eram 46% em agosto);
  • Eduardo Leite (PSD): 26% (eram 30%);
  • Indecisos: 4% (eram 4%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 25% (eram 20%).

Lula deveria se candidatar à reeleição?

A pesquisa Quaest também perguntou se os entrevistados acham que Lula deveria se candidatar à reeleição em 2026. A maioria continua contra a candidatura do presidente à reeleição: 59%, oscilação de um ponto para mais em relação a agosto. O percentual, entretanto, é menor em relação a maio, quando 66% eram contra.

Veja os números:

  • Sim: 39% (eram 39% em agosto);
  • Não: 59% (eram 58%);
  • Não sabe ou não respondeu: 2% (eram 3%).

Bolsonaro deveria abrir mão de se candidatar?

O levantamento também quis saber se Jair Bolsonaro deveria abrir mão de uma eventual candidatura e apoiar outro candidato. Segundo a Quaest, 76% são contra o ex-presidente se candidatar, número cresceu 11 pontos em relação a agosto.

Veja os números:

  • Deveria abrir mão da candidatura agora e apoiar outro candidato: 76% (eram 65% em agosto);
  • Deveria manter a candidatura, mesmo inelegível no momento: 19% (eram 26%);
  • Não sabem/não responderam: 5% (eram 9%).

O levantamento também perguntou quem deveria ser o nome da direita se Bolsonaro não for candidato. Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro empatam entre si dentro da margem de erro. O governador do Paraná, Ratinho Júnior, aparece empatado com Pablo Marçal, mas não com Tarcísio e Michelle.

Veja os números:

  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): 15% (eram 10% em agosto);
  • Ratinho Júnior (PSD): 9% (eram 8%);
  • Michelle Bolsonaro (PL): 5% (eram 9%);
  • Eduardo Leite (PSD): 3% (eram 4%);
  • Pablo Marçal (PRTB): 3% (eram 4%);
  • Ronaldo Caiado (União Brasil): 3% (eram 3%);
  • Romeu Zema (Novo): 2% (eram 2%);
  • Eduardo Bolsonaro (PL): 2% (era 1%);
  • Flávio Bolsonaro (PL): 1% (era 1%);
  • Nenhum desses: 28% (eram 20%);
  • Não sabem/não responderam: 11% (eram 11%).
Do que mais têm medo?

A pesquisa também perguntou do que os entrevistados mais têm medo hoje: de Lula continuar na presidência ou de Bolsonaro voltar a ser presidente. O levantamento aponta que há mais rejeição a Bolsonaro do que Lula.

Veja os números:

  • Bolsonaro voltar: 49% (eram 47%);
  • Lula continuar: 41% (eram 39%);
  • Tenho medo dos dois: 5% (eram 8%);
  • Não tenho medo de nenhum dos dois: 2% (eram 2%);
  • Não sabe/não respondeu: 3% (eram 4%).
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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Mistério das múmias da fumaça: cientistas dizem ter encontrado as mumificações mais antigas do mundo

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Análises químicas e ósseas revelam rituais de defumação entre caçadores-coletores, anteriores ao Egito e aos povos que viviam na costa do Chile e do Peru.
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Por Redação g1

Postado em 17 de Setembro de 2.025 às 14h00m
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Sepultamento humano fortemente flexionado de Huiyaotian, Guangxi, sul da China. Posição esquelética de um homem de meia-idade. — Foto: Divulgação/PNAS
Sepultamento humano fortemente flexionado de Huiyaotian, Guangxi, sul da China. Posição esquelética de um homem de meia-idade. — Foto: Divulgação/PNAS

Algumas civilizações antigas na China e no sudeste asiático secavam os corpos de seus mortos com fumaça, o que sugere que realizaram a mumificação milhares de anos antes dos egípcios ou chilenos, segundo um estudo publicado na revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Embora a mumificação no antigo Egito, onde os corpos eram envoltos em bandagens, remonte a 4.500 anos, os exemplos mais antigos conhecidos de mumificação vêm de antigas civilizações chilenas.

Lá, o ar seco da costa do Atacama permitia a mumificação natural por dessecação.

No entanto, cientistas encontraram recentemente esqueletos enterrados em locais apertados e com vestígios de queimaduras na China, Vietnã, Filipinas, Laos, Tailândia, Malásia e Indonésia - regiões principalmente úmidas.

Os pesquisadores analisaram 54 sepultamentos de 11 locais da região. Os corpos estavam em posição agachada, com braços e pernas presos, e apresentavam marcas escuras em partes como crânio, cotovelos e pernas.

Exemplos de sepultamentos hiperflexionados com ossos parcialmente queimados do sul da China e da Indonésia. — Foto: Divulgação/PNAS
Exemplos de sepultamentos hiperflexionados com ossos parcialmente queimados do sul da China e da Indonésia. — Foto: Divulgação/PNAS

Exames mostraram que os ossos tinham sinais claros de terem sido expostos por muito tempo à fumaça e a um calor leve — diferente do que acontece em cremações. Em mais de 8 em cada 10 amostras, os ossos tinham alterações típicas de quem passou por esse processo de defumação.

Eles levantaram a hipótese de que os corpos passaram por um processo de mumificação por secagem com fumaça, uma prática conhecida em partes de Papua, Indonésia (veja mais abaixo).

Alguns corpos datam de mais de 10.000 anos, sugerindo que as civilizações praticavam formas de mumificação milhares de anos antes do que se pensava.

"Os resultados foram uma grande surpresa", disse Hsiao-chun Hung, pesquisadora da Universidade Nacional Australiana em entrevista à Agência France Presse (AFP). "Os ossos são muito antigos e é surpreendente descobrir que essa tradição seja tão antiga", acrescentou.

Embora os cientistas tenham afirmado que a defumação era provavelmente a "opção mais eficaz para preservar cadáveres em climas tropicais", o processo provavelmente também tinha um significado cultural.

Como funcionava o ritual

Segundo o cenário proposto no estudo, o corpo era atado em posição hiperflexionada logo após a morte e suspenso sobre fogo brando e fumegante por semanas ou meses, em ambiente coberto.

Depois, a múmia podia permanecer em abrigos/casas e só então ser enterrada, o que explicaria articulações preservadas, escurecimentos por fuligem e, às vezes, desalinhamentos dos ossos no sepultamento final.

Esse processo permitia que os familiares mantivessem contato com o falecido e, em alguns casos, acreditava-se que permitia que o espírito vagasse livremente durante o dia e retornasse ao corpo à noite.

"Isso reflete algo profundamente humano: o desejo eterno de que nossos entes queridos nunca nos deixem e permaneçam ao nosso lado para sempre", disse Hung à AFP.

Paralelo com prática atual na Papua

Exemplos de múmias "defumadas" mantidas em residências particulares em Papua, Indonésia, fotografadas em janeiro de 2019. (A) Uma múmia hiperflexionada de Dani; (B) Uma múmia flexionada da Vila Pumo. Ambos os locais ficam em Wamena, Regência de Jayawijaya, Papua. — Foto: Divulgação/PNAS
Exemplos de múmias "defumadas" mantidas em residências particulares em Papua, Indonésia, fotografadas em janeiro de 2019. (A) Uma múmia hiperflexionada de Dani; (B) Uma múmia flexionada da Vila Pumo. Ambos os locais ficam em Wamena, Regência de Jayawijaya, Papua. — Foto: Divulgação/PNAS

A semelhança com as escavações não é apenas teórica. Em janeiro de 2019, a equipe do estudo fotografou múmias fumegadas preservadas por comunidades Dani e Pumo, em Wamena, Papua.

Os corpos, guardados em casas e trazidos em ocasiões especiais, exibem a mesma postura hiperflexionada e os sinais de compressão observados nos sepultamentos analisados. Essas imagens reforçam a continuidade cultural entre os rituais pré-históricos e práticas ainda presentes no século XXI.

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Bolsonaro condenado: ex-presidente entra para grupo raro de chefes de Estado punidos por golpe desde a 2ª Guerra; veja lista

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Estudo aponta que, até então, apenas nove ex-mandatários haviam sido condenados por crimes do tipo. Pesquisadores analisam que rapidez no julgamento não indica precipitação do STF e que Brasil pode se tornar exemplo para outros países.
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Por Wesley Bischoff, g1 — São Paulo

Postado em 17 de Setembro de 2.025 às 09h05m
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Data de prisão, recursos, inelegibilidade: veja respostas sobre a condenação de Bolsonaro
Data de prisão, recursos, inelegibilidade: veja respostas sobre a condenação de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou a integrar uma seleta lista de chefes de Estado punidos por golpe de Estado ao redor do mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Até então, apenas nove ex-líderes haviam sido condenados por crimes do tipo nos últimos 80 anos.

Na quinta-feira (11), o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado, além de outros quatro crimes, impondo ao ex-presidente 27 anos e três meses de prisão.

Com a decisão, Bolsonaro se tornou o primeiro ex-presidente brasileiro condenado por tentativa golpe de Estado. No recorte global do estudo, que abrange o período desde 1946, ele é o décimo chefe de Estado a ser punido por esse tipo de crime, passando a integrar uma lista que inclui ex-mandatários da Bolívia, Grécia, Coreia do Sul, Turquia, Paquistão, Uruguai e Azerbaijão.

Os dados foram compilados pelos pesquisadores Luciano Da Ros, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Manoel Gehrke, da Universidade de Pisa, no estudo "Convicting Politicians for Corruption: The Politics of Criminal Accountability". O artigo foi publicado na revista Government & Opposition, da Cambridge University Press.

  • O levantamento considera apenas condenações feitas pelas cortes nacionais de cada país, excluindo tribunais internacionais.
  • Desde 1946, apenas nove chefes de Estado foram punidos por envolvimento em golpes.
  • Para efeito de comparação, o estudo identificou 55 condenações por corrupção entre as décadas de 1940 e 2010.

Para Da Ros, o caso de Bolsonaro pode ser classificado como excepcional. Isso porque o ex-presidente foi condenado por uma tentativa fracassada de golpe. Entre os demais episódios levantados na pesquisa, apenas Surat Huseynov, do Azerbaijão, havia recebido punição semelhante.

Outro ponto que chama a atenção é a rapidez na tramitação do processo. Bolsonaro foi condenado três anos depois da trama golpista — bem abaixo da média observada nos demais casos. Da Ros ressalta que essa velocidade não significa precipitação do Supremo.

A punição para golpes geralmente é demorada porque existe um interregno literal. Ou seja, há um novo regime que se afirma por conta de um golpe bem-sucedido que dura, por vezes, décadas. Só depois é que se avaliam as condições políticas para punir os ex-ditadores.

  • No Uruguai, por exemplo, o ex-ditador Juan María Bordaberry só foi condenado 37 anos após o golpe de 1973. Ele morreu em 2011, um ano depois da sentença, enquanto cumpria prisão domiciliar.
  • Algo semelhante aconteceu na Turquia. Em 2015, Kenan Evren foi sentenciado à prisão perpétua 34 anos após liderar o golpe de 1980. Ele também morreu no ano seguinte à condenação.

Gehrke afirma que golpes bem-sucedidos são, em regra, mais difíceis de punir. Muitas vezes faltam evidências ou pessoas dispostas a fornecê-las, além de uma estrutura institucional independente para investigar, afirma.

O pesquisador explica ainda que os golpes contra democracias costumam ser menos frequentes do que em contextos autoritários. Isso, segundo ele, ajuda a explicar por que há tantas tentativas e rupturas institucionais, mas tão poucas condenações judiciais ao longo da história.

Veja, a seguir, a lista de chefes de Estado punidos por golpe entre 1946 e 2022.

Chefes de Estado condenados por golpe desde 1946 — Foto: Juan Silva/g1
Chefes de Estado condenados por golpe desde 1946 — Foto: Juan Silva/g1

Apesar de a lista trazer um número relativamente pequeno de condenações, os pesquisadores apontam que isso não significa que apenas esses ex-chefes de Estado tenham sido responsabilizados por seus crimes.

Da Ros lembra que, em diversos casos, ditadores acabaram sendo julgados por outros crimes, como violações dos direitos humanos. O professor afirma ainda que anistias e pactos políticos para encerrar regimes autoritários frequentemente limitaram as possibilidades de responsabilização de golpistas.

Impactos

Bolsonaro é fotografado na frente da sua casa na quinta-feira (11). — Foto: Sérgio Lima/AFP
Bolsonaro é fotografado na frente da sua casa na quinta-feira (11). — Foto: Sérgio Lima/AFP

Segundo os pesquisadores, a decisão do STF representa uma autoafirmação das autoridades civis sobre as militares. Para Luciano Da Ros, ao longo da história do Brasil, elites das Forças Armadas acabaram passando impunes por ataques à democracia.

  • Apesar do ineditismo da decisão, os pesquisadores ponderam que ainda é cedo para medir os impactos mais profundos da condenação de Bolsonaro.
  • Por outro lado, Da Ros e Gehrke ressaltam que o julgamento representou uma ruptura com o padrão histórico do país.

Mais do que punir um ex-presidente, o julgamento sanciona negativamente o comportamento de autoridades militares de alta patente envolvidos naquilo que se julgou como uma tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, afirma.

Manoel Gehrke acrescenta afirmando que, em um cenário global de pressões contra regimes democráticos, o caso brasileiro pode servir de referência internacional.

A democracia brasileira consegue, de certa maneira, melhorar em relação aos anos precedentes. Muitos países que estão nesse mesmo contexto de recuperação enfrentam dificuldades para voltar a ser o que eram antes do início do processo de erosão democrática.

Atualmente, dois casos de tentativas de golpe de Estado ganharam destaque:

Gehrke lembra que, em diversos países, tentativas de golpe acabaram sendo punidas por meio de impeachment. Para ele, isso demonstra que as respostas a ataques à democracia nem sempre partem do Judiciário, mas podem vir do Congresso.

Em muitos casos há reações de outros poderes ou prisões temporárias, mas que não resultam em condenação. Isso pode ocorrer por falta de autonomia das instituições de justiça ou por acordos e iniciativas políticas voltadas à acomodação entre as forças políticas.

Corrupção e arbitrariedade

Estátua 'A Justiça' em frente ao prédio do STF — Foto: Carlos Humberto/SCO/STF
Estátua 'A Justiça' em frente ao prédio do STF — Foto: Carlos Humberto/SCO/STF

Embora condenações por golpe sejam raras, o estudo mostra um crescimento expressivo nas ações contra ex-chefes de governo por corrupção, especialmente a partir dos anos 2000.

  • Segundo Luciano Da Ros, esse movimento está ligado à difusão de normas internacionais anticorrupção e ao aumento de expectativas democráticas nas últimas décadas.
  • Junto a isso está a alternância no poder, que ajudou a fortalecer os sistemas judiciais em vários países.

“Mas é importante dizer que não existe um conjunto idêntico de causas para todas as condenações em todos os países do mundo. As combinações de fatores que produzem esses resultados nem sempre são iguais”, explica Da Ros.

Manoel Gehrke afirma que, em contrapartida, punições arbitrárias a ex-líderes — como exílio, prisões sem julgamento ou execuções — se tornaram menos comuns nas últimas décadas.

O levantamento feito pelos pesquisadores aponta que a probabilidade de um ex-chefe de Estado ser punido dessa forma caiu de 30% entre 1960 e 1980 para 12% entre 2000 e 2015.

“Países mais autoritários, normalmente, punem os ex-líderes de maneira mais arbitrária”, diz.

Casos de corrupção, no entanto, costumam ter maior chance de reversão em instâncias superiores, segundo os pesquisadores.

  • Em um novo levantamento, eles identificaram 32 episódios em que condenações foram anuladas por cortes supremas ou tribunais de apelação, sendo 25 por corrupção e sete por outros crimes.
  • Um exemplo é o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista chegou a ser preso após a Operação Lava Jato, mas teve a condenação anulada pelo STF em 2021.
  • Os dados estão no artigo “An Institutional Fail-Safe? How the Gap in Judicial Independence Between High and Low Courts Explains the Reversal of Corruption Convictions of Former Heads of Government”, publicado na revista Public Integrity.

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