Total de visualizações de página

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Com melhor desempenho em 20 anos, defesas levam mandantes à maior pontuação no Brasileirão desde 2008

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Série A começa com o terceiro menor número de gols: visitantes têm a menor marca da história dos pontos corridos com 20 times; mandantes têm a maior média dos últimos sete anos
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Valmir Storti — Rio de Janeiro

Postado em 19 de Maio de 2.025 às 13h15m

#.* --  Post. - Nº.\  11.640  --  *.#

Estêvão pega microfone para "entrevistar" Maurício após o gol da virada do Palmeiras
Estêvão pega microfone para "entrevistar" Maurício após o gol da virada do Palmeiras

Os visitantes nunca fizeram tão poucos gols em 90 jogos desde que o Brasileirão por pontos corridos passou a ser disputado por 20 equipes. Neste início de campeonato, marcaram 69 gols, com média 0,77, a menor desde 2006. A eficiência defensiva de quem atuou em casa derrubou a média de gols do campeonato para a terceira menor média histórica: 2,28 gols por partida.

Embora os mandantes estejam com desempenho ofensivo apenas mediano, o 11º desempenho em 20 anos, ao mesmo tempo é o maior das últimas sete temporadas para nove rodadas: 1,51 gol por partida, com 136 gols marcados.

Média de gols marcados nos pontos corridos desde 2006
Visitantes têm o menor número de gols após 90 jogos


1Fonte: Gato Mestre

Com defesas sólidas e ataques com o melhor desempenho em sete anos, os mandantes estão com a segunda maior pontuação da história dos pontos corridos com 20 equipes. Em 90 partidas, quem jogou em casa ficou com 175 pontos, apenas dois a menos do que o recorde histórico de 2008, quando os mandantes ficaram com 177 pontos. O aproveitamento caseiro de pontos neste ano é de 64,8% contra 65,6% há 17 anos.

Das 20 equipes da Série A, apenas sete conseguiram vencer fora de casa: o Palmeiras venceu seus cinco jogos como visitante, Bragantino e Flamengo ganharam duas partidas e Atlético-MG, Bahia, Cruzeiro e Fluminense conquistaram uma vitória cada um.

Gols do Fantástico: um domingo de clássicos no Brasileirão
Gols do Fantástico: um domingo de clássicos no Brasileirão

Bola na área

A análise dos dados disponíveis desde 2013 indica que as equipes estão atuando com uma maior consciência do jogo, ao menos do ponto de vista estatístico: acentuando uma tendência que já se via nos últimos três anos, as equipes estão preferindo finalizar de dentro da área, de onde é menos difícil fazer um gol: 57,9% de todas as finalizações feitas neste ano foram de dentro da área.

Consideradas as últimas 13 edições do Brasileirão, em média as equipes fizeram um gol a cada 6,6 finalizações de dentro da área e um gol a cada 34,7 tentativas de fora da área, o que torna atrativo trabalhar mais a bola para concluir de dentro da área.

Eficiência das finalizações de dentro e de fora da área
Número de finalizações para conseguir um gol


Fonte: Gato Mestre

Uma consequência dessa estratégia de buscar a melhor oportunidade é que tanto mandantes quanto visitantes estão finalizando menos neste ano. Cada partida do Brasileirão 2025 tem em média 24,4 finalizações, a menor dos últimos quatro anos para nove rodadas.

Apesar da queda no número de finalizações e gols, os times mandantes estão com a maior eficiência ofensiva desde 2013, com um gol marcado a cada 9,0 tentativas, enquanto os visitantes estão fazendo um gol a cada 14,6 chances.

Se considerado que quem jogou em casa conseguiu a segunda melhor pontuação da história dos pontos corridos com 20 equipes, a estratégia parece estar alcançando seus resultados, ao menos para a torcida que está no estádio.

O Palmeiras, de Weverton, tem a melhor defesa do Brasileirão ao lado do Flamengo, com quatro gols sofridos — Foto: Fabio Giannelli/AGIF
O Palmeiras, de Weverton, tem a melhor defesa do Brasileirão ao lado do Flamengo, com quatro gols sofridos — Foto: Fabio Giannelli/AGIF

*Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Guilherme Giavoni, Guilherme Maniaudet, Guilherme Marçal, Gustavo Figueiredo, Ingrid Fernandes (estagiária), Leandro Silva, Roberto Maleson, Roberto Teixeira, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.

++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++----

domingo, 18 de maio de 2025

Companhia chinesa é a primeira do mundo a lançar foguete movido a metano

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Startup com sede em Pequim supera rivais SpaceX, de Elon Musk, e Blue Origin, de Jeff Bezos, na inovação.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por Reuters

Postado em 18 de Maio de 2.025 às 13h45m

#.* --  Post. - Nº.\  11.639  --  *.#

O foguete Zhuque-2E Y2, movido a metano e desenvolvido pela LandSpace Technology, decola do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan. — Foto: Reuters
O foguete Zhuque-2E Y2, movido a metano e desenvolvido pela LandSpace Technology, decola do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan. — Foto: Reuters

Por Eduardo Baptista

Um novo foguete movido a metano, desenvolvido pela LandSpace Technology da China, lançou seis satélites em órbita no sábado (17). A startup privada aposta em um combustível barato e mais limpo que espera ajudar a desenvolver foguetes reutilizáveis.

O foguete transportador Zhuque-2E Y2 decolou do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China, marcando o quinto voo da série Zhuque-2, de acordo com um comunicado da empresa.

A LandSpace, com sede em Pequim, tornou-se a primeira empresa do mundo a lançar um foguete de metano e oxigênio líquido em julho de 2023, à frente de rivais dos EUA, incluindo a SpaceX de Elon Musk e a Blue Origin de Jeff Bezos.

Nos últimos anos, cresceu o interesse no lançamento de veículos transportadores movidos a metano, considerado menos poluente, mais seguro e mais barato do que os combustíveis de hidrocarbonetos mais comumente usados.

A LandSpace aumentou a carga útil do foguete, refletindo o aumento da demanda no setor espacial comercial em expansão da China, em meio à crescente concorrência para formar uma constelação de satélites como alternativa à Starlink de Musk.

Fragmentos de nave da SpaceX rasgam os céus e causam atrasos em voos
Fragmentos de nave da SpaceX rasgam os céus e causam atrasos em voos

++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++----

Entenda o que é a Nova Rota da Seda e por que o governo brasileiro evita aderir formalmente ao projeto

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Governo brasileiro prefere falar em 'sinergia' com investimentos chineses e manter equidistância entre China e Estados Unidos.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Pedro Henrique Gomes, g1 — Brasília

Postado em 18 de Maio de 2.025 às 10h00m

#.* --  Post. - Nº.\  11.638  --  *.#

A Nova Rota da Seda foi lançada pela China em 2013 com o objetivo de expandir sua influência global por meio de investimentos em infraestrutura, comércio e conectividade em dezenas de países.

Por meio da nova rota da seda, Pequim tenta expandir os seus laços comerciais no mundo — Foto: GETTY IMAGES
Por meio da nova rota da seda, Pequim tenta expandir os seus laços comerciais no mundo — Foto: GETTY IMAGES

Até 2024, mais de 100 nações já haviam aderido ao projeto, que movimentou mais de um trilhão de dólares em investimentos.

Apesar da relevância econômica da China como principal parceiro comercial do Brasil, o governo brasileiro tem evitado uma adesão formal à iniciativa, chamada oficialmente de Cinturão e Rota.

Em entrevista na China durante viagem do presidente Lula ao país nesta semana, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), negou que o Brasil entrará na iniciativa. O petista afirmou que a ideia do Brasil é encontrar sinergiacom a estratégia de investimentos do país asiático.

A denominação do Cinturão e Rota para a China é a mesma denominação do PAC para nós, uma estratégia governamental de desenvolvimento. E é essa sinergia que buscamos: sintonizar a estratégia chinesa com a brasileira, disse.

Do mesmo jeito que eles não entram no PAC, nós não vamos entrar na estratégia deles. O que buscamos é o que integra as estratégias do Brasil e da China. Então, a China tem sua definição autônoma e o Brasil a sua definição. O que se fala de sinergia é isso: buscar onde essa estratégia se encontra, completou.

Presidente do Brasil e da China se encontraram (13/05) em Pequim
Presidente do Brasil e da China se encontraram (13/05) em Pequim

A estratégia do Brasil

O uso da palavra sinergia permite ao governo brasileiro manter equidistância entre China e Estados Unidos e ao governo de Xi Jinping explorar a imagem de que o Brasil intensificará suas relações com sua estratégia.

Além desta decisão de não aderir formalmente ao movimento chinês, outros dois aspectos são levados em consideração:

  • Regras claras: o Ministério das Relações Exteriores brasileiro argumenta que não há um tratado internacional formal que regulamente a adesão ao programa, o que dificulta uma decisão institucionalizada;
  • Negociação de parcerias específicas: o Brasil identificou que negociar acordos bilaterais com a China em áreas específicas é mais vantajoso.

A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA em 2024 foi usada pelo governo brasileiro como uma ferramenta de barganha nas negociações com a China.

Presidente da China critica mais uma vez tarifaço de Trump em encontro com Lula em Pequim
Presidente da China critica mais uma vez tarifaço de Trump em encontro com Lula em Pequim

A ideia é extrair concessões mais vantajosas de ambos os lados, sem se comprometer exclusivamente com nenhum deles.

Neste cenário, manter a posição de ambiguidade ajuda o Brasil a ter negociações mais favoráveis, utilizando-se do fato de que tanto para Estados Unidos e China é importante que o Brasil não esteja totalmente alinhado com o outro lado da disputa.

Atração de investimentos

Na mesma entrevista, o ministro Rui Costa afirmou que o governo vai adiantar para empresas da China informações de projetos de infraestrutura que serão leiloados no Brasil.

O ministro disse que um acordo sobre este assunto foi assinado na viagem de Lula à China. O objetivo é possibilitar que as companhias chinesas consigam participar com maior volume de investimentos do setor.

Rui Costa disse que essa não é uma possibilidade exclusiva para os chineses e que empresários de outros países também poderão solicitar o acesso antecipado.

Vamos montar um fórum, não só para eles, mas para qualquer país que queira conhecer antecipadamente o que vai ser leiloado em 2025, o que vai ser leiloado em 2026, para que eles possam estudar de forma antecipada, aprovar nos fóruns específicos deles, disse.

O ministro não comentou se este processo afetaria o equilíbrio da concorrência nos leilões em que os chineses terão acesso antecipado aos detalhes dos projetos.

O presidente Lula visitou a montadora chinesa GWM, em Pequim — Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula visitou a montadora chinesa GWM, em Pequim — Foto: Ricardo Stuckert/PR

China anunciou investimento de R$ 27 bi

Entre os setores de investimentos estão o de delivery, com a plataforma Meituan; o de carros elétricos, com a montadora GAC, o de energia limpa, com a estatal CGN; e o de mineração, com o grupo Baiyin Nonferrous (veja lista abaixo).

Os R$ 27 bilhões foram citados pelo presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil), Jorge Viana, após um fórum entre empresários brasileiros e chineses em Pequim.

Segundo a Apex, os investimentos da China incluem:

  • R$ 6 bilhões da GAC, uma das maiores montadoras chinesas, para "expansão de suas operações" no Brasil;
  • R$ 5 bilhões da Meituan, plataforma chinesa de delivery que quer atuar no Brasil com o app "Keeta" e prevê gerar até 4 mil empregos diretos e 100 mil indiretos;
  • R$ 3 bilhões da estatal chinesa de energia nuclear CGN para construir um "hub" de energia renovável (eólica e solar) no Piauí;
  • até R$ 5 bilhões da Envision para construir um parque industrial "net-zero" (neutro em emissões de carbono), com foco em SAF (Combustível Sustentável de Aviação), hidrogênio verde e amônia verde;
  • R$ 3,2 bilhões da rede de bebidas e sorvetes Mixue, que deve começar a operar no Brasil e espera gerar 25 mil empregos até 2030;
  • R$ 2,4 bilhões do grupo minerador Baiyin Nonferrous, que anunciou a compra da mina de cobre Serrote, em Alagoas;
  • a empresa DiDi, que opera no Brasil por meio da empresa de transporte 99, pretende expandir a operação no setor de delivery e pretende construir 10 mil pontos públicos de recarga para veículos elétricos;
  • a Longsys deve aportar R$ 650 milhões para ampliar a capacidade produtiva de fábricas de semicondutores em São Paulo e Amazonas;
  • a brasileira Nortec Química anunciou parceria com a Acebright, Aurisco e Goto Biopharm para construção de plataforma industrial de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) no Brasil, no valor de R$ 350 milhões;
  • a Apex também fechou parcerias para a promoção do café brasileiro com a Lickin Coffe, do cinema do Brasil com a Huaxia Film e de produtos nacionais no varejo chinês com a Hotmaxx.

Lula viajou ao país acompanhado de 11 ministros e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de parlamentares, outras autoridades e cerca de 200 empresários.

Ampliação do comércio

A viagem de Lula à China foi pensada para fortalecer a negociação comercial entre os países. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, e o governo brasileiro avalia que há espaço para ampliar as exportações para o país asiático.

A avaliação tem relação direta com a guerra comercial entre os Estados Unidos e os chineses. Ministros e empresários acreditam que o Brasil pode surgir como "alternativa" para parte dos produtos americanos importados pela China.

++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++----

sábado, 17 de maio de 2025

Fazer perguntas para IAs pode evaporar água suficiente para abastecer cidades; governo quer atrair data centers com isenção de impostos

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Estudo mostra que 20 a 30 perguntas à IA consomem meio litro de água. Governo quer atrair data centers com isenção de impostos e especialistas questionam impacto ambiental.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Poliana Casemiro, g1

Postado em 17 de Maio de 2.025 às 05h00m

#.* --  Post. - Nº.\  11.637  --  *.#

ChatGPT gasta meio litro de água para responder de 20 a 30 perguntas — Foto: Getty Images via BBC
ChatGPT gasta meio litro de água para responder de 20 a 30 perguntas — Foto: Getty Images via BBC

Fazer de 20 a 30 perguntas para uma plataforma de inteligência artificial pode evaporar o equivalente a meio litro de água potável. Longe dos computadores e celulares, todos os dados processados pelas IAs passam por data centers que consomem muita energia e milhares de litros de água para se resfriarem. O uso de água é um dos pontos de debate por trás da ação do governo brasileiro, que tenta atrair a instalação desses centros no país com a promessa de redução de impostos.

🔎 Os data centers são espaços onde ficam os servidores usados para processar, gerenciar e armazenar grandes volumes de dados digitais. É deles que saem as respostas que o ChatGPT, por exemplo, te dá. Esses centros exigem uma infraestrutura robusta, com alto consumo de energia e sistemas de resfriamento que utilizam água potável.

Uma pesquisa feita no ano passado, na Califórnia, analisou a água usada tanto na geração de energia quanto no resfriamento dessas máquinas para estimar o gasto do ChatGPT. O que os cientistas descobriram é que, a cada comando com 20 a 50 perguntas, meio litro de água potável evapora.

Se o número parece pequeno, é preciso lembrar que a ferramenta tem 400 milhões de usuários semanais. Se todos se limitassem a esse volume de comandos, a água usada seria suficiente para manter cidades brasileiras inteiras por pelo menos um dia.

Abaixo, nesta reportagem, o g1 explica:

  • Como a IA consome água?
  • O plano do Brasil com data centers
  • Quais são os riscos ambientais apontados
  • O que dizem as empresas

🔴 Os data centers não processam apenas as IAs, mas também outras tecnologias. No entanto, desde a chegada das ferramentas de inteligência artificial, o consumo de água vem registrando recordes. (Veja mais abaixo)

➡️ O governo brasileiro enviou representantes para os Estados Unidos em uma jornada de encontros para atrair empresas para o país e instalarem seus data centers. Para isso, o país quer oferecer menos impostos para quem quiser vir ao Brasil.

A promessa é de que, no Brasil, as empresas poderiam operar com menor impacto ambiental. A maioria dos data centers hoje está em países cuja matriz energética depende de combustíveis fósseis — e, aqui, a base é hidrelétrica, que não geraria emissões de carbono.

No entanto, especialistas alertam para os impactos ambientais com o aumento exponencial da demanda por água e energia em um país que enfrentou, em 2024, a pior seca da história. O plano apresentado por Haddad — e que ainda não foi publicado — teria sido discutido apenas entre as pastas econômicas do governo, sem consulta ao Ministério do Meio Ambiente.

Como a IA consome água?

Para além da interface exibida na tela, cada comando enviado a uma ferramenta de inteligência artificial é processado em data centers. A IA é uma tecnologia que exige intenso poder de computação — e, por isso, consome grandes quantidades de energia.IA usa meio litro de água por comandos de 20 a 50 respostas — Foto: Arte/g1

IA usa meio litro de água por comandos de 20 a 50 respostas — Foto: Arte/g1

🔴 Esse alto consumo gera calor nos equipamentos, que precisam ser resfriados para evitar o superaquecimento. Hoje, a principal tecnologia usada nesse processo utiliza água doce, que circula entre os sistemas. Toda essa água acaba evaporando depois.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia analisaram a pegada hídrica do modelo GPT-3. Como a empresa responsável pela ferramenta não divulga o volume de água consumido, os cientistas estimaram os dados com base no uso de energia e nos sistemas de resfriamento.

Segundo o estudo, entre 20 e 50 perguntas feitas a um chatbot como o ChatGPT podem evaporar o equivalente a meio litro de água potável.

Atualmente, o ChatGPT tem 400 milhões de usuários semanais. Se cada um fizesse entre 20 e 50 perguntas, o consumo estimado seria de 200 mil de litros de água por semana.

🚰 Para entender a dimensão de toda essa água, analisamos o consumo diário de água nas cidades brasileiras por pessoa, com base nos dados do Instituto Trata Brasil. O valor usado em alguns comandos para a inteligência artificial seria o bastante para manter a população de cidades inteiras por um dia. Veja:

  • Guarulhos (SP): consome 170 milhões de litros de água por dia
  • Dourados (MS): consome 33 milhões de litros de água por dia
  • João Pessoa (PB): consome 116 milhões de litros de água por dia
  • Juiz de Fora (MG): consome 93,03 milhões de litros de água por dia
  • Niterói (RJ): consome 104,29 milhões de litros de água por dia
  • Sorocaba (SP): consome 126,99 milhões de litros de água por dia
  • Boa Vista (RR): consome 63,78 milhões de litros de água por dia

O especialista em inteligência artificial Diogo Cortiz explica que essas ferramentas exigem grande esforço computacional, o que eleva a demanda por energia e, consequentemente, por água para resfriamento. Ele reforça que, além do uso durante as interações, milhares de litros também são consumidos no processo de treinamento desses sistemas.

Essa estimativa é apenas da operação. Se pensarmos todo o processo de treinamento dessa inteligência, que leva meses, o consumo é ainda maior. Enquanto a tecnologia melhora, aparecem novas opções que usam ainda mais recursos.
— Diogo Cortiz, especialista em inteligência artificial.

Não é só a inteligência artificial que precisa de um data center para funcionar. Até mesmo as redes sociais processam seus dados nesses sistemas. No entanto, desde o avanço da IA, a demanda por água e energia vem atingindo recordes.

  • Segundo o Google, que tem o Gemini como ferramenta de IA, foram necessários 6,4 bilhões de galões de água para manter sua estrutura em 2023 — o equivalente a 24 bilhões de litros. É o maior volume desde 2019, antes do lançamento da ferramenta.
Água usada pelo Google para sua operação, incluindo data center


Fonte: Google

O mesmo aconteceu com a Microsoft. A empresa declarou ter usado 12,951 bilhões de litros de água — o maior número já registrado nos últimos anos e que evidencia a diferença no consumo antes e depois da chegada da IA.

Uso de água pela Microsoft para sua operação




Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou plano do governo nos EUA — Foto: Adriano Machado/ Reuters
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou plano do governo nos EUA — Foto: Adriano Machado/ Reuters

O plano do Brasil com data centers

O uso de recursos naturais com o crescimento da inteligência artificial vem se tornando uma preocupação para as big techs, que têm enfrentado pressão crescente. Em alguns países, o consumo de água ainda se soma ao problema da emissão de carbono, já que estão localizados em regiões cuja matriz energética depende de combustíveis fósseis — e é aqui que o plano do governo brasileiro pretende entrar.

Neste mês, o ministro Fernando Haddad esteve em um evento na Califórnia para apresentar os planos do governo federal de abrir espaço para a instalação de data centers. A estratégia foi posicionar o Brasil como um destino competitivo e sustentável para novos investimentos em infraestrutura digital.

💰 A proposta do Plano Nacional de Data Centers (Redata) é atrair R$ 2 trilhões em investimentos para o país na próxima década. Para isso, o governo alinhou o discurso em duas frentes:

  • Disse que vai enviar ao Congresso para instituir a Política Nacional de Data Centers. O texto prevê a isenção de impostos sobre equipamentos importados e a exportação de serviços do setor.
  • E tem se apresentado às empresas como uma solução sustentável, já que a matriz energética do país é hidrelétrica e, portanto, sem emissão de carbono.
País tem quase 2 mil cidades em situação de seca; alerta de risco no Pantanal
País tem quase 2 mil cidades em situação de seca; alerta de risco no Pantanal

Os impactos ambientais

Apesar das apresentações às big techs, o plano que está sendo vendido ainda não foi publicado. Com isso, não é possível saber se há — e quais seriam — as exigências feitas às empresas. Além disso, segundo fontes ouvidas pelo g1, ele foi elaborado sem diálogo com o Ministério do Meio Ambiente.

🔴 A preocupação é que se abram as portas para as big techs no país sem estudos de impacto e sem salvaguardas ambientais. Os principais pontos levantados são: o consumo elevado de água, a alternativa com maior demanda por energia e os efeitos nas regiões com risco hídrico.

A instalação de um centro como esse pode elevar rapidamente a demanda por recursos, sem que haja tempo hábil para pensar em adaptações.

Data center nos Estados Unidos — Foto: Reuters
Data center nos Estados Unidos — Foto: Reuters

🔴 Por exemplo, em Iowa, nos Estados Unidos, em julho 2022, durante o treinamento de uma das versões do GPT, a Microsoft bombear cerca de 41 milhões de litros de água para seu conjunto de datacenters. Isso significa 6% de toda a água do distrito em um mês.

Em 2024, o Brasil enfrentou a pior seca da história. A falta de chuva derrubou os níveis nas bacias hidrográficas, e o governo chegou a anunciar medidas de contingência, como o aumento do uso de usinas termelétricas — que são movidas a combustíveis fósseis e mais poluentes.

Ao longo dos anos, as estiagens têm se tornado mais intensas e menos espaçadas — reflexo das mudanças climáticas. Com isso, especialistas levantam um ponto de atenção: há preocupação com a segurança hídrica?

Não podemos permitir que seja tudo feito pensando apenas no negócio. Essas empresas podem causar estresse hídrico em regiões que não eram afetadas e piorar o cenário onde água é um recurso já em falta.
— Anton Schwyter, gerente de energia do Instituto Arayara.

Além disso, o país tem áreas específicas de vulnerabilidade, como o Nordeste. Especialistas apontam que seria necessário incluir estudos de impacto de longo prazo antes de permitir novas instalações. Isso porque as empresas admitem que parte da água usada nesses sistemas vem de regiões sob estresse hídrico — ou seja, onde não há água suficiente nas bacias para atender à demanda.

  • 🔴 Em seu relatório de 2023, a Microsoft afirmou que 42% da água utilizada veio de áreas com estresse hídrico — regiões sem abundância de água e que enfrentam ciclos recorrentes de seca. No caso do Google, 15% da água consumida teve origem em bacias com alta escassez hídrica.

Antes de pensar em atrair as empresas, tínhamos que pensar em estudos que analisem e que pudessem subsidiar a política pública e nos dizer se é seguro e onde é seguro. No cenário de Brasil que enfrentamos, não dá para ignorar a questão climática.
— Julia Catão Dias, coordenadora do programa de Consumo Responsável e Sustentável do Instituto de Defesa de Consumidores do Idec.
Brasil enfrentou pior seca da história em 2025 — Foto: REUTERS/Bruno Kelly
Brasil enfrentou pior seca da história em 2025 — Foto: REUTERS/Bruno Kelly

Julia ainda critica a posição do governo de não tornar público o plano antes de apresentá-lo às empresas, impedindo a participação de especialistas e da sociedade civil em uma discussão que pode ter impacto direto.

No Brasil, no fim de 2024, uma empresa anunciou R$ 3 bilhões em investimentos para a instalação de um data center voltado ao processamento de dados de inteligência artificial no Rio Grande do Sul. A cidade escolhida foi Eldorado do Sul, às margens do Guaíba.

🔴 O estado vem sendo afetado pela seca e é o mais impactado da Região Sul. Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul estão em condição de seca extrema.

Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, lembra que há milhões de brasileiros sem acesso a água nas condições atuais e que pensar na gestão do recurso hídrico para a população é urgente.

"No Brasil ainda temos 32 milhões de pessoas sem acesso à água tratada. Isso em um cenário onde a gente tem uma elevação da temperatura do planeta, crescimento populacional. Então, a gestão dos recursos hídricos já é um desafio".

Ao g1, o Ministério do Meio Ambiente informou que irá participar do processo de regulamentação da Política Nacional de Data Centers, mas não detalhou quais serão as salvaguardas e contrapartidas ambientais previstas para as empresas.

O g1 procurou o ministério da Fazenda, mas não teve retorno até a publicação.

Existem alternativas?

As empresas sabem que para evoluir, precisam de mais energia e água. O CEO da OpenAI, Sam Altman, chegou a dizer isso publicamente.

Em abril, um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) deu sinais do que esperar nos próximos anos: a previsão é que o consumo global de eletricidade dos data centers mais do que dobre até 2030, impulsionado pela inteligência artificial.

🔴 A estimativa é de que a demanda passe de 415 TWh (terawatts-hora) para 945 TWh por ano — mais do que todo o consumo de energia do Japão.

Com a escassez dos recursos no mundo, que enfrenta a crise climática, elas têm se mobilizado para buscar alternativas tanto para ampliar suas operações, quanto para gerar menos impacto. Algumas anternativas são:

  • Desenvolvido de tecnologias que tornem as máquinas menos dependente de água, com novos sistemas de resfriamento. A Microsoft publicou um estudo que identificou que sistemas com placas de resfriamento poderia reduzir o consumo de água em 30%. A ideia é implantar no futuro.
  • Sistemas de resfriamento por ar, que usam o ar ambiente em vez de água.
  • Investindo em energia solar.
  • Parceria com empresas para reutilizar água industrial e não mais potável.

A Microsoft vinha testando um projeto de data center no mar, a pesquisa chegou a ser feita por alguns anos, mas a iniciativa foi descontinuada. Com isso, as propostas vigentes pela maior parte das empresas ainda não estão tão perto de acontecer.

O especialista em inteligência artificial Diogo Cortiz explica há possibilidades de que a própria IA ajude a compreender e chegar a resultados de uma operação com menos impacto, mas que isso é uma resposta que pode surgir no futuro.

É possível que com o tempo, a IA nos ajude a encontrar soluções para que a tecnologia fique mais eficiente, econômica. Mas não temos como projetar quando isso pode acontecer. Até lá, a tendência é que esse consumo continue crescendo.
— Dogo Cortiz, especialista em inteligência artificial.

O engenheiro da computação e professor no Instituto Mauá, Rudolf Buhler, reforça que as perspectivas do país em atrair esse tipo de tecnologia são boas, desde que haja exigência e fiscalização para as metas ambientas.

As perspectivas são boas, desde que haja exigência técnica nos incentivos. Se o governo quiser realmente atrair investimento sustentável, precisa atrelar os benefícios fiscais a metas ambientais claras, como eficiência energética, reaproveitamento de água e uso de energia limpa. Do contrário, corremos o risco de atrair projetos com alto custo ambiental em nome da digitalização.

Atualmente, as empresas têm investido esforços em ações de devolução, que distribui água em áreas pelo mundo com vulnerabilidade hídrica para compensar o uso. Mas isso não garante a solução do problema nos locais impactados por elas.

Cortiz ressalta que a demanda por água e energia é um ponto central para a sustentabilidade dos negócios — e que isso, sim, impulsiona parte das soluções. Mas enquanto houver disponibilidade de recursos, eles continuarão sendo usados.

Enquanto houver recurso e eles puderem explorar, independente do custo de compensação, eles vão fazer isso. A gente precisa pensar na tecnologia como meio de ser mais eficiência e o impacto ambiental é o oposto disso. A gente tem que cobrar políticas públicas e regulação para que haja limites.
— Dogo Cortiz, especialista em inteligência artificial.

O g1 procurou a OpenAi, o Google e a Microsoft.

O Google informou que se esforça para construir a infraestrutura de computação mais eficiente em termos de energia, apoiada por práticas responsáveis de uso de água e um compromisso de minimizar o desperdício. A empresa informou que com projetos de gestão de água reabasteceu 18% do consumo de água doce em 2023.

A OpenAi e a Microsoft não responderam aos questionamentos.

++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++----