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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Brasil e Alemanha assinam acordo para laboratório de R$ 1 bilhão que ajudará em futuras pandemias

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Batizado de Orion, laboratório de biossegurança máxima (NB4) será 'único no mundo', uma vez que será integrado ao Sirius, acelerador de partículas no CNPEM, em Campinas (SP).
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Por Fernando Evans, g1 Campinas e Região

Postado em 05 de dezembro de 2023 às 11h00m

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Perspectiva artística do Orion, complexo laboratorial de máxima contenção biológica que será construído no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: Reprodução/CNPEM
Perspectiva artística do Orion, complexo laboratorial de máxima contenção biológica que será construído no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: Reprodução/CNPEM

Brasil e Alemanha assinaram nesta segunda-feira (4), em Berlim, um acordo de cooperação para implantação do Orion, laboratório de biossegurança máxima (NB4) de R$ 1 bilhão que será construído no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).

A estrutura que permitirá o enfrentamento de futuras pandemias, com estudos de patógenos capazes de causar doenças graves, e terá uma característica única no mundo: é a primeira vez que um NB4 estará conectado a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. Conheça, abaixo, detalhes do projeto.

A declaração conjunta de inteção foi assinada entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM, o Ministério da Saúde (MS) e o Instituto Robert Koch (RKI) da Alemanha.

Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, Luciana Santas, ministra da Ciência e Tecnologia, e Lars Schaade, presidente do Instituto Robert Koch, assinam acordo de cooperação para instalação do Orion, laboratório de biossegurança máxima que será construído em Campinas (SP) — Foto: Lísia Gusmão/MCTI
Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, Luciana Santas, ministra da Ciência e Tecnologia, e Lars Schaade, presidente do Instituto Robert Koch, assinam acordo de cooperação para instalação do Orion, laboratório de biossegurança máxima que será construído em Campinas (SP) — Foto: Lísia Gusmão/MCTI

De acordo com a ministra da Ciência, Luciana Santos, o acordo envolve planejamento, construção, operação, monitoramento e avaliação de instalações de nível de biossegurança 4, além de trabalhos de pesquisa e das oportunidades de intercâmbio.

Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, destacou que o instituto alemão é um dos centros de referência mundial na área de pesquisas em biomedicina, com particular ênfase em patógenos.

"A parceria terá papel importante não apenas durante a execução e desenvolvimento do projeto Orion, mas também ao auxiliar na mobilidade e treinamento de pesquisadores, na realização de pesquisas conjuntas e, de forma mais ampla, na área de saúde, do diagnóstico e do desenvolvimento de vacinas, explicou Silva.
Como será o Orion?

🧪 O complexo laboratorial de máxima contenção biológica representa um avanço para o Brasil, que permitirá pesquisas com patógenos capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade (das chamadas classes 3 e 4) - estrutura essa que não existe até hoje em toda a América Latina.

💉Possuir um laboratório de biossegurança máxima (NB4) oferece condições ao país de monitorar, isolar e pesquisar os agentes biológicos para desenvolver métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos.

🧫No caso do Brasil, mais do que armazenar e manipular essas amostras biológicas, o laboratório de biossegurança máxima terá acesso exclusivo a três linhas de luz (estações de pesquisa) do Sirius, o que não existe em nenhum outro lugar do mundo.

🌟 É por conta dessa conexão com o Sirius que vem o nome do projeto, Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela que batizou o acelerador de partículas brasileiro.

👩‍🔬 O projeto prevê a capacitação de cientistas brasileiros para lidar com agentes infecciosos desses tipos. Essa formação já integra o custo previsto de R$ 1 bilhão.

🏗 O complexo laboratorial terá cerca de 20 mil metros quadrados, e sua construção está prevista para ficar pronta até 2026. Após essa etapa, o Orion passará pelo chamado comissionamento técnico e científico, e também por certificações internacionais de segurança, para que possa entrar em operação regular.

O Orion será único no mundo, uma vez que o complexo laboratorial de máxima contenção biológica estará conectado ao Sirius, fonte de luz síncrotron de 4ª geração — Foto: CNPEM/Divulgação
O Orion será único no mundo, uma vez que o complexo laboratorial de máxima contenção biológica estará conectado ao Sirius, fonte de luz síncrotron de 4ª geração — Foto: CNPEM/Divulgação

Vírus circulantes na mira

De acordo com o CNPEM, existem cerca de 60 laboratórios de máxima contenção no mundo, com estrutura e certificados para manipular amostras biológicas classificados como "classe 4" - nenhum deles na América do Sul, Central ou Caribe.

🥼 E o que isso permite? Para se ter uma ideia, o primeiro e único vírus desta categoria já identificado no Brasil, o Sabiá (SABV), que causa a febre hemorrágica brasileira, doença diagnosticada em humanos pela primeira vez na década de 1990, tem amostras isoladas armazenadas no exterior.

Pesquisas mais aprofundadas sobre a doença não são realizadas hoje em solo brasileiro por falta de infraestrutura adequada. Segundo Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, a doença teve recentes notificações.

😷 Veja exemplos de outros vírus que poderão ser manipulados no Orion e que são circulantes na América Latina:

  • Junín: causador da febre hemorrágica argentina
  • Guanarito: causador da febre hemorrágica venezuelana
  • Machupo: causador da febre hemorrágica boliviana

No mundo, estruturas como essa são as responsáveis por análises e estudos de vírus como o Ebola, por exemplo, que são mais perigosos que o Sars-Cov-2, causador da Covid-19.

E a própria Covid-19 serve de alerta sobre a necessidade de monitoramento de agentes conhecidos, em constante mutação, e novas ameaças - crescimento populacional e desmatamento, por exemplo, são apontados como fatores de desequilíbrio em áreas que podem ser reservatórios naturais de doenças ainda desconhecidas.

A pandemia recolocou no centro do debate a importância do domínio nacional de uma base produtiva em saúde, bem como o papel do Estado na coordenação de agentes e investimentos no enfrentamento da crise sanitária. Nesse contexto, a implantação do laboratório de biossegurança nível 4 é estratégica para o país. E a conexão entre o NB4 e a fonte de luz síncrotron abrirá grandes oportunidades de pesquisa e desenvolvimento na área de patógenos, posicionando o Brasil como liderança global, afirmou a ministra Luciana Santos.

Por que o Orion será único no mundo?

De acordo com Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, além de instalações laboratoriais em NB3 e NB4 e das estações de pesquisa com técnicas de luz síncrotron, junto ao Sirius, o projeto deve ainda reunir laboratórios de pesquisa básica, técnicas analíticas e competências avançadas para imagens biológicas, como microscopias eletrônicas e criomicroscopia.

"Todas essas competências científicas reunidas em um único complexo é algo que o diferencia de toda infraestrutura disponível no Brasil e no mundo", destaca.

Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM — Foto: Fernando Evans/G1
Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM — Foto: Fernando Evans/G1

📝Um dos pontos-chave do projeto está na capacitação de pessoal, que contará com parcerias com instituições internacionais de referência e treinamentos no exterior. O programa prevê atividades práticas em ambiente-modelo (Laboratório Mockup), no próprio CNPEM.

Segundo Silva, as equipes enfrentrão condições simuladas, sem a manipulação de materiais infecciosos ou risco de contágio, sob supervisão de profissionais capacitados.

"Paralelamente às obras e aos desenvolvimentos tecnológicos do Projeto Orion, o CNPEM irá conduzir um programa nacional de treinamento e capacitação em infraestruturas de alta e máxima contenção biológica, voltado à formação de recursos humanos em competências ainda pouco desenvolvidas no Brasil e nos demais países da América Latina", detalha o diretor.

Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, reforça a ciência no enfrentamento do novo coronavírus — Foto: Nelson Kon
Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, reforça a ciência no enfrentamento do novo coronavírus — Foto: Nelson Kon

Sirius, fase 2

Considerado o principal projeto científico brasileiro, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas.

Ele foi projetado para abrigar até 38 linhas de luz (estações de pesquisa), sendo 14 delas previstas na primeira fase. Com o novo PAC, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai destinar mais R$ 800 milhões para avançar no projeto, com a construção de mais 10 novas linhas.

Junto as novas estações previstas, outras três serão construídas e conectadas ao complexo Orion (dentro do orçamento do laboratório). As linhas no Sirius são batizadas com nomes inspirados na fauna e flora brasileira, e essas serão a Hibisco, Timbó e Sibipiruna.

As três linhas, segundo o diretor do CNPEM, devem ser entregues justamente com toda a estrutura voltada para pesquisa básica, técnicas analíticas e competências de bioimagens previstas para o Orion.

"Essas estações de pesquisa permitirão extrair informações estruturais quantitativas a respeito dos sistemas infectados com patógenos de classe 3 e 4, desde o nível subcelular até o nível de organismo. Com isso, geraremos imagens 3D que permitirão, por exemplo, o estudo celular em escala nanométrica, passando pela dinâmica de inflamação nos tecidos e danos aos órgãos, até o acompanhamento do processo de infecção no organismo. Juntamente com as outras técnicas avançadas que serão integradas no Orion, teremos condições para que patógenos, células, tecidos e organismos sejam pesquisados de forma segura, o que tornará possível a compreensão dos fenômenos biológicos relacionados ao desenvolvimento das doenças e guiará o desenvolvimento de futuros métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos", detalha Silva.

Como funciona o Sirius? Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para os experimentos.

🧲 Esse desvio é realizado com a ajuda de ímãs superpotentes, e eles são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo.

CNPEM, que abriga o Sirius, fechou acordo de cooperação com China em maio deste ano, assista:

Brasil e China assinam acordo para cooperação científica
Brasil e China assinam acordo para cooperação científica

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Conheça o Harpastum e o Tsu Chu, precursores do futebol citados em pergunta que fez participante perder prêmio de R$ 1 milhão em 'Quem quer ser um milionário'

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Futebol moderno surgiu na Inglaterra inspirado em influências mais antigas que tinham jogos com bola e divisão de quadra que aconteceram na China e Roma.
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Por Poliana Casemiro, g1

Postado em 04 de dezembro de 2023 às 11h35m

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Participante erra pergunta do milhão no 'Quem quer ser um milionário?' — Foto: Reprodução/TV Globo
Participante erra pergunta do milhão no 'Quem quer ser um milionário?' — Foto: Reprodução/TV Globo

Driblado pela história, o recifense Luiz Pratines, de 51 anos, errou a resposta da pergunta de R$ 1 milhão do quadro "Quem Quer Ser Um Milionário" do programa Domingão com Huck. A questão era sobre duas práticas esportivas da China e da Roma antigas que inspiraram o que conhecemos hoje como o futebol: o Harpastum e o Tsu Chu.

O futebol moderno surgiu na Inglaterra. No entanto, ele é resultado de influências mais antigas que tinham jogos com bola e divisão de quadra. Por desconhecer isso, Luiz errou a pergunta e voltou para casa com R$ 300 mil.

Apaixonado por aviação, Luiz já trabalhou na Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), tem mestrado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), morou em Dubai por 16 anos e, hoje, vive na França.

Veja abaixo quais são os jogos e as regras, segundo a Fifa:

Tsu Chu da China

Ilustração mostra o Tsu Chu — Foto: Reprodução/Fifa
Ilustração mostra o Tsu Chu — Foto: Reprodução/Fifa

O jogo chinês tem uma história que remonta há mais de 2.000 anos. Quando surgiu, ele era disputado na corte imperial, onde os jogos eram organizados para diversão da guarda do império e de outros soldados.

Como funcionava

Há poucos relatos que explicam como o jogo acontecia. Um deles é um poema em que o autor descreve a quadra como um campo com seis objetivos, que seriam como gols, de cada lado. Os times oponentes tinham que acertar os objetivos. No trecho, ele ainda fala sobre como no momento do jogo havia rivalidade.

Selecionar os capitães e nomear o(s) árbitro(s),
com base nos regulamentos inalteráveis.
Não respeite parentes e amigos.
Afaste-se da parcialidade.

Um dos pontos que o Tsu Chu contribuiu para o futebol que hoje conhecemos é a bola. À época, já havia outros jogos que envolviam chutar bola, mas o império chinês decidiu investir e criou uma oficina com processos que foram sendo modernizados e criaram uma bola com o peso similar à que conhecemos hoje. Foi essa mudança que revolucionou o jogo.

Harpastum

Harpastum nasceu em Roma — Foto: Reprodução/FIFA
Harpastum nasceu em Roma — Foto: Reprodução/FIFA

O jogo também nasceu no cenário militar e, além da competição, incluiu combate. Apesar das semelhanças como a bola, a divisão de equipes e os lados opostos no campo, o Harpastum não buscava um gol, por exemplo.

Como funcionava?

No Harpastum, o participante tinha que lançar e pegar uma bola, tirá-la das mãos dos jogadores adversários, atacar (usando golpes de luta livre) e enganar os oponentes.

Os jogadores se alinhavam em lados opostos do campo e se esforçavam para impedir que o jogador do meio, que pertencia a uma das equipes, recebesse a bola.

Primeiro registro de uma partida de futebol na Inglaterra em 1800 — Foto: Reprodução/TV Globo
Primeiro registro de uma partida de futebol na Inglaterra em 1800 — Foto: Reprodução/TV Globo

O futebol na Inglaterra

Milhares de anos depois, em 1700, é que surge o futebol moderno, na Inglaterra. Quando começou, no entanto, era diferente de como hoje o conhecemos pela falta de algumas regras.

  • Era possível, por exemplo, pegar a bola com as mãos no meio do jogo e colocá-la no chão para continuar a partida.
  • O último toque antes do lateral também não tinha a menor importância; cobrava o jogador que pegasse a bola primeiro.
  • E, para fazer o gol, não era preciso balançar a rede. Se a bola passasse por cima do travessão, mas entre as duas traves, o time já podia sair para o abraço.

Foi só em 1863 que a Associação de Futebol Britânica decidiu colocar ordem em campo e escreveu "As leis do futebol", um conjunto com 13 regras.

Anos mais tarde, em 1904, foi formada a Fifa, com a ideia de organizar e difundir a realização de partidas e campeonatos internacionais.

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domingo, 3 de dezembro de 2023

Quais são as cidades mais caras e mais baratas do mundo, segundo a revista The Economist

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Todos os anos, a revista semanal britânica The Economist faz uma lista das cidades mais caras e mais baratas para se viver. A referência monetária é o dólar e a posição de cada país na tabela depende da força da moeda local.
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TOPO
Por Cristina J Orgaz

Postado em 03 de dezembro de 2023 às 11h55m

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Buenos Aires é a cidade mais barata da América Latina. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Buenos Aires é a cidade mais barata da América Latina. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Uma pequena fortuna. É quanto podem custar alimentos, bebidas alcoólicas ou roupas em Singapura, a cidade mais cara do mundo para se viver, segundo um ranking elaborado pela revista britânica The Economist.

Todos os anos, a publicação prepara a lista com base no que um dólar pode comprar em cada uma das cidades que são analisadas.

Quanto mais forte for a moeda local, maior será a posição das cidades do país na lista.

Isso significa que, quanto mais forte for a moeda, mais cara será a cidade. E quanto mais fraca a moeda, mais barato o local vai figurar na tabela.

Em Singapura, uma coisa que tem um valor de extremo luxo é o custo de um certificado necessário para comprar um carro: a versão mais barata deste documento superou a cifra de US$ 106 mil (R$ 521 milno início de outubro.

A cidade introduziu o sistema de certificado de titularidade (conhecido pela sigla COE) em 1990 como uma medida para aliviar os congestionamentos.

Mercosul e Singapura fecham acordo comercial; anúncio será feito na cúpula do dia 7

Os potenciais proprietários de automóveis devem ter um COE antes de poderem adquirir um veículo. A validade do título expira após 10 anos.

Os direitos são vendidos em leilões quinzenais e o governo controla a quantidade de certificados à venda, que depende do número de carros retirados das ruas e estradas.

Apesar de ser relativamente pequena, Singapura é frequentemente classificada como um dos países com maior número de milionários no mundo e, portanto, raramente sai do primeiro lugar do ranking: a cidade-Estado ficou no topo do pódio em nove dos últimos 11 anos.

Muitos bilionários vivem em Singapura. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Muitos bilionários vivem em Singapura. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

A cidade-Estado asiática aparece empatada no ranking deste ano com Zurique. Ambos os locais são considerados capitais financeiros.

A maior cidade da Suíça é sempre cara, especialmente em setores como alimentos, utensílios domésticos e entretenimento. Zurique ficou em primeiro lugar em 2020 e raramente sai das dez primeiras posições do ranking.

"A ascensão [de Zuriqueao topo da lista deve-se principalmente ao fato de o franco suíço ter valorizado mais de 10% em relação ao dólar no ano passado", contextualiza a The Economist.

"A cidade de referência da pesquisa é Nova York, portanto, se a moeda de um país se fortalecer, as cidades geralmente subirão no ranking, explica a revista.

A fraqueza recente do dólar fez com que as cidades americanas caíssem no ranking este ano. Nova York, a cidade mais cara do ano passado, caiu para o terceiro lugar. Nessa posição, aparece ao lado de outra cidade suíça — Genebra.

Para a Unidade de Inteligência da The Economist, a crise global do custo de vida que começou em 2022 ainda persiste em 2023, apesar de os preços cobrados pela energia e os problemas da cadeia de abastecimento terem diminuído.

— Foto: GETTY IMAGES via BBC
— Foto: GETTY IMAGES via BBC

Mesmo assim, a inflação continua elevada em todo o mundo: os preços dos 200 produtos e serviços que foram analisados pela revista aumentaram em média 7,4% durante 2023.

Este valor é ligeiramente inferior aos 8,1% de 2022, mas ainda fica bem acima da média de 2,9% dos cinco anos anteriores.

As cidades mais baratas

A cidade mais barata no ranking continua a ser Damasco, a capital da Síria, apesar de a média de preço na moeda local ter aumentado 321% no ano.

A retirada dos subsídios governamentais e a desvalorização da moeda fizeram com que os custos de importação disparassem por lá.

Nas últimas posições do ranking, também aparecem Teerã (Irã) e Trípoli (Líbia). A taxa de inflação em Teerã é elevada, quase 49%, enquanto os preços em Trípoli subiram pouco mais de 5% no ano passado.

A The Economist afirmou que as três cidades são particularmente baratas em alimentos, bem como em itens domésticos e de higiene pessoal.

O forte investimento interno impulsionou os preços no México. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O forte investimento interno impulsionou os preços no México. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

E a América Latina?

No estudo deste ano, as três cidades que mais subiram no ranking estão na América Latina. Foram Santiago de Querétaro e Aguascalientes, no México, e San José, capital da Costa Rica.

📈Embora o ranking deste ano abranja 173 das principais cidades do mundo, a média global foi calculada excluindo Kiev (Ucrânia) e Caracas (Venezuela), que continuam a enfrentar um ciclo de hiperinflação acima da curva.

Na América Latina, a Cidade do México é a mais cara.

"Em 2023, o peso mexicano provou ser uma das moedas mais fortes dos mercados emergentes, graças aos aumentos das taxas de juro e ao forte investimento interno", detalha a revista.

"Os bancos centrais de grande parte da América Latina foram os primeiros a seguir os aumentos das taxas de juros da Reserva Federal dos EUA para apoiar as moedas locais. Como resultado, o peso mexicano e o colón costarriquenho se fortaleceram", explica a publicação.

Três cidades brasileiras aparecem no ranking da The Economist: São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus. Elas têm uma posição intermediária na América Latina — são mais caras que Assunção (Paraguai) e Buenos Aires (Argentina), mas mais baratas que Quito (Equador), Santiago (Chile) e Montevidéu (Uruguai).

A inflação na Argentina terminará 180% em 2023, segundo especialistas. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A inflação na Argentina terminará 180% em 2023, segundo especialistas. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Buenos Aires, a mais barata da América Latina

Embora as autoridades estimem que a inflação na Argentina terminará 2023 em 180% ao ano, a capital argentina é a cidade mais barata da América Latina e do Caribe.

O principal motivo é a desvalorização sofrida pelo peso.

Atualmente, quem tem dólares na capital argentina pode conseguir em troca muito mais pesos do que há um ano.

"A Argentina tem uma trajetória fiscal insustentável, uma taxa de câmbio sobrevalorizada e uma balança comercial muito vulnerável. A inflação aumentou rapidamente, enquanto o peso argentino oficial enfraqueceu mais lentamente", afirma Mali Chivakul, economista de mercados emergentes do banco J. Safra Sarasin.

"Como resultado, a taxa de câmbio real valorizou-se de forma acentuada desde 2022."

"A estimativa do FMI sobre a sobrevalorização da taxa de câmbio real situa-se entre 15% e 20%. E o mercado paralelo argentino oferece um câmbio não oficial até 150% mais fraco que o oficial, acrescenta o especialista.

Por isso, embora a população da capital sofra intensamente com um ciclo de inflação, a comparação com o dólar torna Buenos Aires uma cidade relativamente barata em relação às demais.

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