Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Paulo Marcio Leal de Menezes, do Departamento de Geografia da UFRJ, afirma que atualmente medições são feitas por satélites e GPS. Antigamente, eram feitas por coordenadas astronômicas. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 Rio Postado em 02 de abril de 2023 às 07h30m #.*Post. - N.\ 10.745*.#
Globo terrestre — Foto: Marcos Serra Lima/G1
O crescimento do território do Brasilem 72,2 km²,
que gerou curiosidade nas redes sociais esta semana - por não
representar aumento real de dimensões nas fronteiras - é fruto da
precisão tecnológica.
O professor Paulo Marcio Leal de Menezes, do Departamento de Geografia
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que os ajustes
nos cálculos de áreas são feitos por medições por GPS e satélites, com
um nível de precisão cada vez maior.
"Esse aumento é registrado pela precisão de instrumentos e processos de
medição. Temos exatamente as mesmas demarcações de fronteira. Na medida
em que a tecnologia nos permite ajustar o cálculo de área, vamos
modificando e melhorando as coordenadas. Podemos delimitar e calcular de
forma mais precisa", explica Paulo Marcio.
A expansão foi de 8.510.345,540 km², em 2021, para 8.510.417,771 km²,
no ano passado. Segundo o instituto, o aumento do território se deve a
novos delineamentos de fronteira internacional em trechos do Amazonas,
Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
"Temos
exatamente as mesmas demarcações de fronteira. Na medida em que a
tecnologia nos permite ajustar o cálculo de área, vamos modificando e
melhorando as coordenadas. Podemos delimitar e calcular de forma mais
precisa", explica Paulo Marcio.
O professor esclarece ainda que a medição antes era feita com o auxílio da Astronomia. Ele também diz que as medições por terra quase não existem mais.
"O cálculo é complicado, feito sobre uma superfície de referência.
Antes, eram feitos por coordenadas astronômicas, em relação à esfera
celeste e não terrestre, pela Astronomia, com menos precisão. A medição
terrestre hoje está praticamente abandonada", afirma.
Mapas atualizados
Os mapas foram atualizados
com os novos limites em 174 municípios brasileiros. As mudanças na
divisão político-administrativa aconteceram entre 1º de maio de 2021 e
31 de julho de 2022.
O estado com maior número de mudanças nos limites municipais foi o Rio
Grande do Sul (61 municípios), seguido por Pernambuco (50) e Paraná
(47).
Também houve alterações em Mato Grosso (6), Maranhão (3), Rio Grande do Norte (3), além de Tocantins (2) e Goiás (2).
O que diz o IBGE
O IBGE explicou como é feito o ajuste nos cálculos. De acordo com o
instituto, a partir de imagens de satélite atualizadas, a área de
Geociências aprimorou o cálculo do delineamento da cobertura do
território brasileiro e descobriu que a extensão do país é maior do que
se imaginava antes.
Esse cálculo é feito com base nos dados fornecidos pelas Comissões
Demarcadoras de Limite do Ministério das Relações Exteriores e na
melhoria de insumos cartográficos (imagens de satélite).
O instituto reforçou que as fronteiras são as mesmas. O mapeamento que evoluiu e conseguiu captar o tamanho mais precisamente.
'Fico frustrado quando as pessoas dizem que não sabemos nada sobre o fundo do mar. Nós sabemos. As coisas estão mudando muito rápido', diz o pesquisador Alan Jamieson. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Jonathan Amos, BBC 01/04/2023 16h41 Atualizado há uma hora Postado em 01 de abril de 2023 às 17h25m #.*Post. - N.\ 10.744*.#
Peixes da família Liparidae foram capturados a 8.022 metros de
profundidade na Fossa do Japão — Foto: Minderoo-UWA Deep Sea Research
Centre via BBC
Cientistas filmaram um peixe nadando em uma profundidade extraordinária no oceano, tornando-se a observação no ponto mais profundo do mar já feita.
A espécie - um tipo de peixe da família Liparidae e do gênero Pseudoliparis - foi filmada nadando a 8.336 metros de profundidade.
O animal foi registrado por uma câmera acoplada a uma estrutura metálica operada à distância e lançada na fossa oceânica de Izu-Ogasawara, ao sul do Japão.
O peixe filmado estava na profundidade máxima em que um peixe pode sobreviver ou muito próximo dela,
segundo Alan Jamieson, professor da Universidade da Austrália Ocidental
e principal pesquisador do estudo que registrou o bicho.
A observação anterior mais profunda de peixes foi feita a 8.178 metros,
ao sul do Pacífico, na Fossa das Marianas. Esta descoberta no Japão, portanto, bate o recorde de profundidade em 158 m.
"Se
esse novo recorde for quebrado, será apenas por pouquíssima diferença,
potencialmente por apenas alguns metros", disse Jamieson à BBC News.
Pesquisador das regiões mais profundas do oceano, Jamieson fez uma
previsão há 10 anos de que peixes provavelmente seriam encontrados em
profundidades de 8.200 m a 8.400 m. Uma década de pesquisas em todo o
mundo confirmou essa previsão.
Peixe filmado a maior profundidade pode ser visto no canto esquerdo
inferior da imagem — Foto: Minderoo-UWA Deep Sea Research Centre via BBC
Animais notáveis
O espécime jovem de Pseudoliparis foi filmado por um sistema de câmera
acoplado a uma estrutura metálica e lançado pela lateral do navio DSSV
Pressure Drop. Uma isca foi adicionada à estrutura para atrair a vida
marinha.
Embora o peixe não tenha sido capturado para identificar exatamente
qual era sua espécie, vários peixes foram capturados a uma profundidade
um pouco menor na Fossa do Japão, a 8.022m.
Os peixes capturados também eram da família Liparidae, da espécie Pseudoliparis belyaevi, e estabeleceram o recorde para ‘peixe pescado em local mais profundo do oceano’.
Os peixes Liparidae são incríveis. Existem mais de 300 espécies, muitas das quais vivem em águas rasas e podem ser encontradas em estuários de rios.
Mas as espécies dessa família também se adaptaram às águas frias do
Ártico e da Antártica e às condições de extrema pressão que existem nas
fossas mais profundas do mundo.
A 8 km de profundidade, eles estão sob uma pressão de mais de 80 megapascais - 800 vezes a pressão na superfície do oceano.
Seus corpos gelatinosos os permitem sobreviver. Uma
vantagem adicional é não ter uma bexiga natatória, um órgão cheio de
gás encontrado em muitos peixes e usado para controlar a flutuabilidade -
que sofreria com a alta pressão.
A
forma como se alimentam também favorece a vida nas profundezas. Eles
comem por sucção e consomem minúsculos crustáceos, muitos dos quais
existem nas fossas do oceano.
O professor Jamieson diz que a descoberta de um peixe a uma
profundidade maior do que o encontrado na Fossa das Marianas
provavelmente se deve às águas ligeiramente mais quentes da fossa de
Izu-Ogasawara.
"Nós previmos que o peixe em local mais profundo estaria lá e previmos
que seria um Liparidae", disse ele. "Fico frustrado quando as pessoas
dizem que não sabemos nada sobre o fundo do mar. Nós sabemos. As coisas
estão mudando muito rápido."
Outros peixes foram filmados a uma profundidade um pouco menor — Foto: Minderoo-UWA Deep Sea Research Centre via BBC
Jamieson é o fundador do centro de pesquisa Minderoo-UWA Deep Sea.
Nessa expedição, que também explorou a fossa de Ryukyu, ele trabalhou
com uma equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia Marítima da
Universidade de Tokyo.
O navio DSSV Pressure Drop e seu submarino tripulável chamado Limiting
Factor haviam sido usados pelo aventureiro americano Victor Vescovo em
2018 e 2019 para visitar as partes mais profundas dos cinco principais
oceanos da Terra. O texano se tornou a primeira pessoa na história a
completar esse “circuito”, e Jamieson atuou como principal cientista na
empreitada.
O navio e o submarino foram vendidos no ano passado para a organização
de pesquisa marinha Inkfish e agora foram enviados para uma reforma em
San Diego.
Eles também foram renomeados - o navio agora é Dagon e o submarino é
Bakunawa - e voltarão ao mar novamente em junho, com Jamieson novamente
atuando como cientista-chefe.
Jamieson, que nasceu na Escócia, é creditado por descobrir não apenas
os peixes em locais mais profundos dos oceanos, mas também os polvos,
águas-vivas e lulas das profundezas.
Com uma fortuna estimada em mais de US$ 89,3 bilhões, herdeira da L'Oréal desbancou nomes de bilionários famosos, como Mark Zuckerberg, Michael Dell e Sergey Brin. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Bruna Miato, g1 31/03/2023 10h49 Atualizado há 37 minutos Postado em 31 de março de 2023 às 11h35m #.*Post. - N.\ 10.743*.#
Francoise Bettencourt Meyers em foto de 2019. — Foto: Pool via AP/Ian Langsdon
A mulher mais rica do mundo está, novamente, no grupo dos 10 maiores bilionários da atualidade. Com uma fortuna estimada em US$ 90,1 bilhões, Françoise Bettencourt Meyers — a herdeira da L'Oréal — ocupa a 9ª posição do ranking de bilionários da Forbes depois de uma
alta de mais de US$ 2 bilhões em seu patrimônio entre quinta-feira (30) e
as primeiras horas desta sexta (31).
A francesa de 69 anos é a atual vice-presidente do conselho da L'Oréal,
a maior empresa de cosméticos e beleza do mundo. Ela é filha única e
herdeira de Liliane Bettencourt e neta do fundador da companhia, Eugène
Paul Louis Schueller.
Foi só em 2017, quando sua mãe faleceu aos 94 anos, que Françoise se
tornou a herdeira direta da L'Oréal e passou a ter 33% das ações da
companhia. Um ano depois, em 2018, a bilionária apareceu pela primeira
vez na lista das mulheres mais ricas do mundo.
Herdeira da L'Oréal é a mulher mais rica do mundo — Foto: Reprodução/Instagram L'Oréal Groupe
Desde 2021, Françoise é também a mulher mais rica do mundo, segundo a
Forbes. Em 2022, a executiva encerrou o ano na 14ª colocação dos maiores
bilionários.
Ela é a segunda francesa na lista dos mais ricos. Bernard Arnault,
presidente e diretor executivo da LVMH, controladora da marca de luxo
Louis Vuitton, ocupa o primeiro posto do ranking, como o homem mais
ricos do mundo, com uma fortuna de mais de US$ 220 bilhões.
Françoise é membro do conselho da L'Oréal desde 1997. A empresa tem
atuação em 130 países, conta com um portfólio de 35 marcas e seus
principais mercados são Estados Unidos, França, China, Alemanha e Brasil.
Embora a fortuna da família Bettencourt e da L'Oréal já fossem
expressivas antes de Françoise se tornar a herdeira direta, desde 2017, a
executiva triplicou seu patrimônio com investimentos que valorizaram os
papéis da empresa na bolsa de valores.
Em 2021, segundo dados da Bloomberg, a empresa se recuperou da pandemia graças à oferta diversificada de produtos.
Françoise também é escritora, pianista e filantropa. A executiva também
preside a fundação filantrópica da família, que incentiva e participa
de projetos na ciência e na arte na França.
Os mais ricos do mundo
Para estar entre as 10 pessoas mais ricas do mundo, Françoise precisou
desbancar nomes de bilionários bastante populares, principalmente do
ramo da tecnologia.
Apenas para se ter dimensão, o dono da Meta(controladora do Facebook), Mark Zuckerberg, tem um patrimônio estimado em US$ 74,6 bilhões e é, hoje, o 15° mais rico do mundo.
Sergey Brin (um dos fundadores doGoogle) e Michael Dell (presidente e fundador da Dell) são, respectivamente, o 12° e 23°
homens mais ricos do mundo, com fortunas de U$ 84,1 bilhões e US$ 52,5
bilhões, na sequência.
Atualmente, este é o top 10 de maiores bilionários:
Bernard Arnault, CEO da LVMH, controladora da grife Louis Vuitton, com US$ 225,9 bilhões
Inscrições eram desconhecidas até que, em 2022, uma pesquisadora britânica conseguiu decidiu dar uma olhada mais de perto e ficou surpresa ao descobrir um rabisco escondido na página 18, exatamente abaixo do texto em latim. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 31/03/2023 01h00 Atualizado há 6 horas Postado em 31 de março de 2023 às 07h10m #.*Post. - N.\ 10.742*.#
Os desenhos do livro de Eadburg, ressaltados digitalmente na cor azul — Foto: Archiox/Bodleian Library/Via BBC
Cerca de 1,3 mil anos atrás, uma mulher pegou um livro precioso e rabiscou letras e desenhos nas margens.
Ela não usou tinta – apenas arranhou o papel – e os rabiscos ficaram
quase invisíveis a olho nu. Ninguém sabia que eles estavam ali, até o
ano passado.
O
livro é uma cópia dos Atos dos Apóstolos, parte do Novo Testamento,
datada do século 8°. Ele agora está guardado na Biblioteca Bodleiana, na
Universidade britânica de Oxford.
Os pesquisadores sabiam há algum tempo que o texto religioso
provavelmente seria de propriedade de uma mulher, mas não tinham certeza
de quem se tratava.
Até que, em 2022, a pesquisadora Jessica Hodgkinson, da Universidade de
Leicester, também no Reino Unido, decidiu dar uma olhada mais de perto e
ficou surpresa ao descobrir um rabisco escondido na página 18,
exatamente abaixo do texto em latim.
Os traços foram destacados digitalmente e agora é possível ver as letras com clareza: "EaDBURG BIREð CǷ…N".
Significado incerto
A última palavra está incompleta. E análises posteriores revelaram que o
livro foi deliberadamente arranhado com algum objeto contundente em
mais quatro páginas.
O rabisco oculto no livro que deu origem às investigações — Foto: Archiox/Bodleian Library
Qual pode ser o significado?
Hodgkinson interpretou o primeiro símbolo como uma cruz, seguida por "Eadburg" – quase com certeza, o nome da dona do livro.
Não se sabe muito sobre ela, mas Hodgkinson e sua equipe suspeitam que
Eadburg fosse uma freira – a abadessa de uma comunidade religiosa de
Minster-in-Thanet – uma vila no condado de Kent, na Inglaterra.
As letras seguintes são um pouco mais enigmáticas. Talvez elas possam significar "está na cwærtern" – "prisão", em inglês arcaico.
O trecho em latim acima dos rabiscos descreve a prisão dos apóstolos e
Eadburg pode ter traçado um paralelo com a sua própria situação.
O mais curioso é que Hodgkinson e seus colegas encontraram desenhos de pessoas em outras páginas.
Em uma das margens, uma figura quadrada com os braços estirados – uma
freira, talvez? Em outra, uma pessoa estendendo sua mão contra o rosto
de um companheiro triste. Será que ela não queria ouvir o que a outra
pessoa estava dizendo?
Enfim, o significado dos desenhos é um mistério. E os rabiscos nas
margens do livro de Eadburg não são os únicos escritos e desenhos
descobertos em Oxford nos últimos meses.
Hodgkinson pôde encontrar as gravuras de Eadburg graças a uma nova
tecnologia de formação de imagens da Biblioteca Bodleiana, que consegue
mapear a textura física e os contornos das páginas dos livros e
manuscritos ou da superfície de outros objetos históricos, como placas
de impressão.
Esse mapeamento detalhado revela marcas que, de outra forma, seriam invisíveis a olho nu, ou mesmo com câmeras comuns.
"A superfície traz consigo uma imensa quantidade de informações",
explica Adam Lowe, fundador da Fundação Factum em Madri, na Espanha – a
organização sem fins lucrativos que produziu a tecnologia para a
biblioteca de Oxford, como parte do projeto Archiox (sigla em inglês
para Análise e Registro do Patrimônio Cultural em Oxford).
Lowe afirma que "quanto mais você puder tornar visível, mais descobertas verdadeiramente impressionantes irão surgir".
Os pesquisadores do projeto Archiox utilizam dois aparelhos para criar
representações digitais de páginas e objetos. Um deles chama-se
"Selene". Ele tem quatro câmeras capazes de capturar diferenças de
relevo das superfícies de até 25 micrômetros (0,025 mm).
Cena de caça oculta em um manuscrito com 1,2 mil anos de idade — Foto: Archiox/Bodleian Library/Via BBC
O outro é "Lucida", que emite lasers e possui duas câmeras minúsculas para criar varreduras 3D.
"Tudo pode ser medido. Não é apenas uma ferramenta de formação de
imagens, é também um instrumento de medição. E isso torna tudo mais
fascinante", destaca John Barrett, fotógrafo da Biblioteca Bodleiana e
líder técnico do projeto Archiox.
A
tecnologia está sendo usada no porão da Biblioteca Bodleiana para criar
representações digitais de diversos itens da sua coleção. E o livro de
Eadburg não foi o único documento com séculos de idade a revelar
rabiscos escondidos.
Em um manuscrito do século 9º, os pesquisadores do projeto Archiox mapearam uma cena de caça arranhada na sua superfície.
E, abaixo dos animais, foi encontrada a palavra "RODA", provavelmente
relacionada ao dono do livro. Barrett afirma que "isso nunca havia sido
observado".
Por que as pessoas arranhavam seus nomes em livros e acrescentavam
desenhos quase invisíveis como esses? Bem, em relação aos nomes, pode
ter sido simplesmente para mostrar quem era o dono da obra, sem rabiscar
um precioso texto religioso.
"Estes manuscritos eram considerados sagrados. E, mesmo que quisesse
deixar sua marca neles, você não iria querer ser óbvio demais", explica
Barrett.
E, sobre as figuras, "não acho que elas tenham sido necessariamente
rabiscadas de propósito", afirma ele. "Muitas vezes, essas anotações e
certamente outras que registrei mais recentemente tinham, sem dúvida,
relação com o próprio texto."
Placas de cobre
Alguns dos primeiros objetos da coleção da Biblioteca Bodleiana a serem
examinados para o projeto Archiox foram as placas de impressão de cobre
com 200 a 300 anos de idade, que formam a chamada coleção Rawlinson.
Elas foram selecionadas por Alexandra Franklin, coordenadora do Centro
de Estudos do Livro, e Chiara Betti, estudante de PhD da Universidade de
Londres.
Um exemplo de gravação que antes estava oculta e foi revelada pela
tecnologia Archiox é o de uma placa que, na frente, inclui o retrato de
um influente cardeal francês. Mas, quando os pesquisadores olharam o
verso da ilustração, parecia haver uma partitura musical quase apagada.
A tecnologia permitiu observar as notas com total clareza.
"Provavelmente, [a melodia] foi inspirada pelo Salmo 9, pois as palavras
[em inglês] parecem se encaixar", afirma Barrett.
Em português, o Salmo 9 da Bíblia começa com estes dizeres:
"Louvar-te-ei, Senhor, de todo o meu coração; contarei todas as tuas
maravilhas. Alegrar-me-ei e exultarei em ti; ao teu nome, ó Altíssimo,
eu cantarei louvores."
Mas por que alguém teria feito isso?
"O material [cobre] era muito valioso", explica Barrett. "Ele pode ter
sido reutilizado ou simplesmente foi uma oportunidade para que o artista
ou gravador pudesse praticar."
Mas ele ressalta que não existe impressão conhecida daquela música
feita a partir da placa. Por isso, sua descoberta acrescentou um novo
item ao registro histórico.
"Ela não foi registrada na referência catalográfica da placa. São
descobertas totalmente novas que estão sendo feitas", afirma Barrett.
"Eu diria que, provavelmente, um terço das placas analisadas para o
Archiox tinha também alguma coisa na parte de trás. Muitas vezes, os
desenhos são muito bonitos, estranhos ou misteriosos", segundo o
pesquisador.
Mapas e artistas
A tecnologia do projeto Archiox também revelou novas indicações sobre
as técnicas de criação dos objetos. Foi o caso de um mapa historicamente
importante.
"Trata-se do mais antigo mapa reconhecível das ilhas britânicas, datado do século 14", afirma Barrett.
A varredura da superfície pela equipe do projeto Archiox revelou que
"ele está absolutamente repleto de furos de alfinete, mais de 2 mil
deles... pontos como catedrais, rios e outros foram alfinetados ou
marcados", segundo Barrett.
Isso indica que o mapa foi copiado, pois os fabricantes de mapas teriam
usado alfinetes para ajudar na reprodução. Eles teriam depositado o
mapa original sobre a réplica, usando objetos pontiagudos para marcar
locais importantes sobre o material abaixo do mapa.
"Você pode imaginar que esse mapa original provavelmente teria sido
usado para gerar outros mapas, mas, na verdade, é o contrário", afirma
ele.
O mapeamento da superfície revelou que "os buracos de alfinete não
perfuram totalmente o mapa. Por isso, podemos deduzir que este mapa, na
verdade, foi copiado de uma matriz: um mapa anterior."
E a tecnologia do projeto Archiox também está ajudando a revelar novas
indicações sobre o talento artístico que levou à criação das obras.
Quando os pesquisadores do projeto Archiox analisaram a superfície de
uma impressão japonesa em blocos de madeira, eles perceberam que o
artista havia acrescentado texturas que ele saberia que seriam
invisíveis para o olho humano.
Quando observamos o rosto da figura e o arco em volta da cabeça, ambos
impressos com a mesma cor, a tecnologia nos permite ver a diferença de
textura.
"Você se pergunta por que cargas d’água o impressor se deu ao trabalho
de fazer esse trabalho realmente incrível de entalhe e gravação, se ele
não pode ser observado", questiona Barrett.
Seria para mudar a forma em que a luz é refletida na impressão acabada? Talvez. Mas o pesquisador tem outra opinião.
"Acho que a resposta é que foi um ato de amor. Essas coisas eram feitas
da forma mais perfeita possível. Ele traz uma nova perspectiva das
técnicas envolvidas na sua produção, que você realmente não tinha antes,
apenas fotografando com a tecnologia convencional."
Lowe sugere que, com esta nova abordagem, pode haver milhares de novas
descobertas esperando para serem encontradas, ocultas à vista de todos
nas bibliotecas e galerias de arte.
"As pessoas estão começando a perceber que as 'informações sobre o
relevo' estão transformando o nosso conhecimento", explica ele. "Deve
haver objetos nas bibliotecas de todo o mundo que podem se beneficiar
dessa tecnologia... é questão de tratar os objetos materiais como
evidências."
"Existem muitas coisas que sabemos, mas existem também muitas outras
que podem ser descobertas. E acho que este é um pensamento incrivelmente
estimulante e inspirador", conclui ele.
Richard Fisher é jornalista sênior da BBC Future.
A
repórter Hannah Fisher apresentou recentemente as pesquisas do projeto
Archiox no programa de rádio Digital Planet, do Serviço Mundial da BBC.
Ouça o episódio (em inglês – a reportagem começa no minuto 11:20) no
site BBC Sounds.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.