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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Inflação no governo Bolsonaro atinge o maior patamar para um mandato desde a primeira gestão de Dilma

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Entre 2019 e 2022, preços ficaram mais altos em 26,93%; pandemia foi principal motor de alta.
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Por Isabela Bolzani, g1

Postado em 10 de janeiro de 2022 às 12h55m

 #.*Post. - N.\ 10.627*.#

Pandemia trouxe alta nos preços de alimentos e combustíveis e influenciou na inflação dos últimos quatro anos. — Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Pandemia trouxe alta nos preços de alimentos e combustíveis e influenciou na inflação dos últimos quatro anos. — Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A inflação oficial do país observada entre 2019 e 2022 ficou em 26,93%, no maior patamar para um mandato desde o primeiro governo de Dilma Rousseff, que aconteceu entre 2011 e 2014 (27,03%).

Os dados foram compilados por Einar Rivero, da consultoria TradeMap, a pedido do g1. O levantamento já considera o resultado final do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2022, divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (10).

A sondagem ainda traz a comparação do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e que é conhecido como a inflação do aluguel, por servir como base para o reajuste de grande parte desses tipos de contrato.

Considerando o IGP-M, os dados registrados no governo de Jair Bolsonaro (PL) ficaram em 64,11%, os maiores desde o 2º governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), que aconteceu entre 1999 e 2003 (82,66%).

Nesta terça-feira (10), dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial do país) ficou em 0,62% em dezembro. Em 2022 como um todo, o indicador ficou em 5,79%.

Esse foi o 4º ano consecutivo em que os preços ficaram acima do teto da meta. Para 2022, a meta era de 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (5%).

Segundo os especialistas, foram vários os fatores que influenciaram nos preços brasileiros ao longo dos últimos quatro anos — a maior parte vinda como reflexo da pandemia de Covid-19. Entre os exemplos, estão:

  • Desvalorização do câmbio;
  • Problemas de oferta nas cadeias produtivas;
  • Episódios climáticos que prejudicaram a agricultura;
  • Choque de alta nos preços das commodities;
  • Guerra na Ucrânia; entre outros

Para o economista da ASA Investments Leonardo Costa, a variação dos preços brasileiros ilustra “dois mundos distintos”: o de antes da pandemia — de inflação mais baixa, vista como herança da crise econômica que o país enfrentou entre 2015 e 2016 — e o de depois da pandemia, com efeitos vindos tanto do quadro doméstico quanto do internacional.

“A pandemia veio como um fator exógeno gigante. Por aqui, tivemos uma desvalorização brutal do câmbio e, apesar de o impacto adicional na atividade de serviços ter mantido a inflação do setor relativamente baixa, tivemos outros efeitos de alta nos preços, vindos principalmente de alimentação e bens”, afirma.

No quadro doméstico, especialistas afirmam que esse aumento reflete bastante do comportamento do brasileiro no período — que, sendo obrigado a ficar em casa, acabou aumentando seu consumo de alimentos no domicílio e de bens — e, especialmente na parte de alimentação, os preços ainda refletem os episódios climáticos que prejudicaram a agricultura.

Mas mesmo que esses preços tenham arrefecido conforme o programa de vacinação no país evoluía, não houve um reflexo tão grande na inflação, já que essa desaceleração foi compensada por um aumento da inflação de serviços em meio à reabertura da economia.

Impactos internacionais também entram na conta

Os impactos vindos do exterior, como a disparada dos preços das commodities (que depois ainda foi agravada por conta da guerra na Ucrânia) e as restrições de oferta nas cadeias produtivas, por exemplo, também se refletiram no IPCA ao longo dos últimos anos.

A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andrea Angelo, lembra, por exemplo, da escassez de semicondutores que atingiu a indústria global em 2021, afetando desde montadoras de veículos a fabricantes de smartphones, por exemplo.

“Toda essa parte de bens industriais teve o preço influenciado por essa crise de oferta, que acelerou a inflação no atacado em 2020 e se refletiu nos preços do varejo em 2021. Além disso, o câmbio e o aumento nos preços dos combustíveis e da energia elétrica, esse último por conta da crise hídrica de 2021, também ajudam a explicar os preços mais caros que vimos nos últimos anos”, completa a especialista.

Vale lembrar, ainda, que esse cenário também influenciou os preços do IGP-M, já que a maior parte do indicador é composta por commodities ligadas ao setor industrial e ao agronegócio. Como esses itens são normalmente cotados em dólar, a desvalorização da moeda brasileira levou a um encarecimento desses produtos, pressionando o indicador para cima. O índice fechou o ano passado com uma alta de 5,45%.

E o que esperar daqui para frente?

Segundo os especialistas, o cenário internacional mais ameno, com desaceleração da inflação mundial e um maior controle dos impactos vindos da guerra na Ucrânia, já começa a se refletir em uma melhora nos preços globais — e isso também deve dar uma folga à inflação brasileira.

Em relação à China, falta vermos como o país deverá caminhar após o fim de sua política de 'Covid zero'. Alguns analistas já indicam que o crescimento do gigante asiático deve vir mais baixo, mas essa é uma desaceleração que já está na conta do mercado. De qualquer forma, é preciso avaliar como tudo isso deve caminhar”, diz Costa, da ASA Investments.

Já no ambiente doméstico, o principal alerta fica para os preços dos combustíveis, que tendem a aumentar a partir do momento em que volte a cobrança dos tributos federais em produtos que foram desonerados no ano passado.

No dia de sua posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma medida provisória que prorroga a desoneração sobre o etanol e a gasolina até o final de fevereiro. Já os impostos sobre o diesel, por sua vez, devem ficar zerados até o final deste ano.

“Precisamos entender como tudo isso deve ficar daqui para frente, pois se a cobrança voltar toda de uma vez, é possível que haja um forte impacto na inflação, porque volta toda a parte que ajudou a desinflar os preços nos últimos meses”, explica Angelo, da Warren.

“Além disso, também devemos ficar de olho nas incertezas fiscais. O Haddad [ministro da Fazenda], por exemplo, já mencionou que deve entregar a proposta para um novo arcabouço fiscal em abril, o que é muito importante para as expectativas de inflação”, completa.
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IPCA fica em 0,62% em dezembro e fecha 2022 com alta de 5,79%, aponta IBGE

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Pelo quarto ano seguido, país estourou a meta anual da inflação. Alta de preços dos alimentos foi o que mais pesou sobre o indicador.
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Por g1 — Rio de Janeiro

Postado em 10 de janeiro de 2023 às 10h00m

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Alta de preços dos alimentos foi o que mais pesou no bolso dos brasileiros em 2022 — Foto: Prefeitura/Divulgação
Alta de preços dos alimentos foi o que mais pesou no bolso dos brasileiros em 2022 — Foto: Prefeitura/Divulgação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador considerado a inflação oficial do país, acelerou para 0,62% em dezembro, acima da alta de 0,41% em novembro. Com isso, o país fechou o ano com inflação acumulada de 5,79%, acima da meta definida pelo governo, apontam os dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este foi o quarto ano seguido em que o país fechou o ano com alta de preços superior à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2022, a meta era de 3,5% com teto de 5%. Embora tenha estourado o teto da meta, ficou bem abaixo do registrado em 2021, quando ficou em 10,06%.

De acordo com o IBGE, dos nove grupo de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta no ano, seis deles acima do índice geral. Transportes e comunicação foram os únicos com deflação no ano.

O grupo que teve a maior alta de preços no ano foi o de vestuário, que teve altas superiores a 1% em 10 dos 12 meses. Já o grupo Habitação fechou o ano próximo da estabilidade.

O maior impacto sobre a inflação do ano de 2022, porém, partiu do grupo de alimentação e bebidas, respondendo por 2,41 pontos percentuais (p.p.) do indicador. A segunda maior pressão sobre o índice veio do grupo de saúde e cuidados pessoais, com 1,42 p.p. de impacto.

No oposto, a maior pressão negativa sobre o IPCA acumulado no ano foi exercida pelo grupo de Transportes, com impacto de 0,28 p.p.

Veja o resultado de cada um dos nove grupos que compõem o IPCA:

  • Vestuário: 18,02%
  • Alimentação e bebidas: 11,64%
  • Saúde e cuidados pessoais: 11,43%
  • Artigos de residência: 7,89%
  • Despesas pessoais: 7,77%
  • Educação: 7,48%
  • Habitação: 0,07%
  • Transportes: -1,29%
  • Comunicação: -1,02%
Alimentação, 'vilã' da inflação

A alta de preços dos alimentos foi a que mais pesou no bolso dos brasileiros em 2022. Segundo o IBGE, a alimentação no domicílio teve alta de 13,23%, superior à da alimentação fora do domicílio, que foi de 7,47%.

Na alimentação no domicílio, a maior alta de preços foi da cebola, que subiu 130,14% no ano - de acordo com o IBGE, foi a maior alta entre os 377 produtos e serviços pesquisados para composição do IPCA.

A segunda maior pressão sobre a alimentação no domicílio partiu do leite longa vida, com alta de 26,18%. Outros alimentos com aumento relevante de preços foram a batata-inglesa (51,92%), as frutas (24,00%) e o pão francês (18,03%).

No caso da cebola, a alta está relacionada à redução da área plantada, ao aumento do custo de produção e a questões climáticas. Já os preços do leite subiram de forma mais intensa entre março e julho de 2022, quando a alta acumulada no ano chegou a 77,84%. A partir de agosto, com a proximidade do fim do período de entressafra, os preços iniciaram uma sequência de quedas até o final do ano, sendo a mais expressiva delas em setembro (-13,71%), destacou o analista de preços do IBGE, André Almeida.

Na alimentação fora do domicílio, o lanche acumulou alta de 10,67%, quase o dobro da refeição, que aumentou 5,86% no ano.

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Rolls-Royce ignora a crise e bate recorde de vendas em 2022

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Com o maior faturamento anual de seus 118 anos de história, montadora vendeu um total de 6.021 unidades no ano.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 09 de janeiro de 2023 às 15h15m

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O cantor Drake customizou seu Rolls-Royce Cullinan com tema gótico e palavrão na roda — Foto: Divulgação
O cantor Drake customizou seu Rolls-Royce Cullinan com tema gótico e palavrão na roda — Foto: Divulgação

A crise do custo de vida não afeta os carros de luxo: a fabricante britânica Rolls-Royce registrou em 2022 o maior faturamento anual em seus 118 anos de história, com um total de 6.021 unidades vendidas.

Este valor representa um aumento de 8% em relação a 2021, com entregas "a clientes em cerca de 50 países", informou a marca, pertencente ao grupo alemão BMW, em um comunicado divulgado nesta segunda-feira (9). Os principais mercados são Estados Unidos, China e Europa.

Os números informados pela Rolls-Royce Motor Cars contrastam com o restante do mercado automotivo, que luta para se recuperar da pandemia da Covid-19 e sofre com a escassez mundial de semicondutores.

As vendas de carros novos no Reino Unido caíram em 2022 até seu nível mais baixo em 30 anos, apesar da recuperação registrada no final do ano, conforme noticiado na última quinta-feira (5) pela associação do setor, a SMMT.

Porém, assim como outras marcas de luxo, como Bentley e Bugatti, a Rolls-Royce já havia experimentado um ano recorde em 2021. E, em agosto, a Lamborghini anunciou que já havia pré-vendido toda a sua produção até o início de 2024.

Fundada no início do século 20 e comprada pela BMW em 1998, a Rolls-Royce prepara o lançamento do Spectre, seu primeiro veículo totalmente elétrico, previsto para este ano. Segundo a marca, as encomendas "superaram as expectativas". As primeiras entregas estão previstas para o quarto trimestre de 2023.

A partir de 2030, a Rolls-Royce planeja fabricar apenas veículos elétricos.

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domingo, 8 de janeiro de 2023

Produção de veículos cresce 5,4% em 2022, mas vendas caem, diz Anfavea

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Segundo a associação, foram produzidos 2,37 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus em todo o ano passado. As vendas ao mercado interno passaram das 2,1 milhões de unidades.
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TOPO
Por Reuters, g1

Postado em 08 de janeiro de 2022 às 08h00m

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As montadoras produziram 11,3% menos em dezembro no Brasil na comparação com novembro, enquanto as vendas avançaram 6,3% na mesma comparação, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pela associação que representa o setor, Anfavea.

A produção de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos no mês passado somou 191,5 mil unidades, uma queda de 9,2% em relação a dezembro de 2021.

Com isso, em todo 2022, o volume montado foi de 2,37 milhões de veículos, alta de 5,4% sobre o ano anterior.

Já os emplacamentos totalizaram 216,9 mil unidades em dezembro, fechando o ano em 2,1 milhões de veículos, queda de 0,7% ante 2021.

A Anfavea informou ainda que as exportações no ano passado tiveram expansão de 27,8%, para 480,9 mil veículos. Segundo a associação, este foi o resultado mais inesperado.

"O que não deixa de ser surpreendente, dadas as restrições de comércio exterior impostas pela Argentina em crise, nosso maior parceiro comercial. Em contrapartida, o sensível crescimento dos embarques para todos os outros mercados latino-americanos, em especial México, Colômbia e Chile, permitiram esse bom resultado no ano", comenta a entidade.

Segundo o presidente da associação, Márcio de Lima Leite, o setor conseguiu recuperar a atividade em relação ao começo do ano. "Depois de um primeiro quadrimestre muito difícil em função da falta de semicondutores, o setor acelerou o ritmo e conseguiu atender parte da demanda reprimida nos mercados interno e externos", afirmou.

Na véspera, a associação de concessionárias de veículos Fenabrave afirmou que as vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos em 2023 devem ficar praticamente estáveis frente ao ano passado, em uma previsão que, se for cumprida, marcará um terceiro ano de fraca performance do setor.

Já Leite acredita que o principal desafio do setor será o acesso ao crédito. "Precisamos de juros mais baixos para atrair mais compradores para os veículos novos, sobretudo os modelos de entrada. Além disso, temas como a reindustrialização e a descarbonização nos impõem desafios e oportunidades", disse.

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sábado, 7 de janeiro de 2023

James Webb: supertelescópio detecta galáxias semelhantes à Via Láctea

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As imagens são de um período em que o universo tinha apenas 25% de seu tamanho atual, cerca de 11 bilhões de anos atrás.
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Por Júlia Putini, g1

Postado em 07 de janeiro de 2023 às 11h20m

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Galáxia EGS-23205 capturada pelo Telescópio Hubble à esquerda e, à direita, imagem feita pelo supertelescópio James Webb. — Foto: Reprodução/NASA/CEERS/Universidade do Texas em Austin
Galáxia EGS-23205 capturada pelo Telescópio Hubble à esquerda e, à direita, imagem feita pelo supertelescópio James Webb. — Foto: Reprodução/NASA/CEERS/Universidade do Texas em Austin

O telescópio espacial internacional James Webb capturou imagens de galáxias com barras estelares, estruturas alongadas de estrelas que se estendem desde o centro até o disco externo.

As imagens são de uma época em que o universo tinha apenas 25% de seu tamanho atual e revelam que existem galáxias parecidas com Via Láctea.

A galáxia foi identificada por astrônomos da Universidade do Texas, nos EUA. De acordo com Shardha Jogee, professor da universidade, as barras desempenham um papel importante na evolução da galáxia ao canalizar o gás para as regiões centrais, impulsionando a formação de estrelas.

Na imagem à esquerda, capturada pelo Hubble, a galáxia EGS-23205 é pouco mais que uma mancha em forma de disco obscurecida pela poeira e impactada pelo brilho de estrelas jovens. Já na imagem à direita, feita pelo Webb, a galáxia espiralada com barras estelares é mais nítida.

"Assim como precisamos trazer matéria-prima do porto para as fábricas no interior que produzem novos produtos, uma barra transporta poderosamente o gás para a região central, onde o gás é rapidamente convertido em novas estrelas a uma taxa tipicamente 10 a 100 vezes mais rápida do que na região central", explicou Jogee, no artigo publicado no The Astrophysical Journal Letters.

Outra galáxia descoberta, a EGS-24268, data de aproximadamente 11 bilhões de anos atrás. Essas duas são as mais antigas galáxias das quais se tem registro.

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Ave bate recorde de voo mais longo sem intervalo após viajar do Alasca à Austrália

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Um fuselo entrou para o Guinness após percorrer 13.650 quilômetros sem parar para comer ou descansar. Viagem durou 11 dias.
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Por g1

Postado em 07 de janeiro de 2023 às 10h35m

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Fuselo conhecido pela etiqueta “234684” percorreu 13.560 quilômetros do Alasca ao estado australiano da Tasmânia, sem parar para comer ou descansar. — Foto: Guinness World Records
Fuselo conhecido pela etiqueta “234684” percorreu 13.560 quilômetros do Alasca ao estado australiano da Tasmânia, sem parar para comer ou descansar. — Foto: Guinness World Records

Um fuselo (Limosa lapponica) entrou para o livro dos recordes "Guinness" após fazer o voo mais longo sem intervalo.

  • O pássaro, conhecido pela etiqueta 234684, percorreu 13.560 quilômetros do Alasca ao estado australiano da Tasmânia, sem parar para comer ou descansar;
  • A distância percorrida equivale a duas viagens e meia entre Londres e Nova York;
  • A viagem começou no dia 13 de outubro de 2022 e durou 11 dias e 1 hora;
  • A ave pode ter perdido metade do seu peso corporal durante o voo, disse o organizador da Birdlife Tasmânia, Eric Woehler;
  • Para terem energia, os fuselos absorvem 25% do tecido que forma seu trato digestivo, fígado e rins;
  • Normalmente, os fuselos migram para a Nova Zelândia, mas o recordista fez uma curva acentuada e pousou no leste da Tasmânia;
Essa virada errada aumentou a capacidade de voo da espécie. Para Woehler, isso levanta a questão: outro fuselo poderia no futuro voar ainda mais longe sem parar?
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Falta de neve para esqui na Europa, compensada com neve artificial, é novo alerta da crise climática

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Falta de neve prejudica atividade econômica e turismo nas montanhas, além de atingir natureza como um todo e, em especial, agricultura.
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TOPO
Por Lúcia Müzell, RFI

Postado em 06 de janeiro de 2023 às 07h00m

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Teleférico parado na estação de esqui Le Semnoz, perto de Annecy, em 27 de dezembro de 2022, uma das estações fechadas pela falta de neve — Foto: AFP - JEFF PACHOUD
Teleférico parado na estação de esqui Le Semnoz, perto de Annecy, em 27 de dezembro de 2022, uma das estações fechadas pela falta de neve — Foto: AFP - JEFF PACHOUD

Depois de dois anos marcados pela Covid-19, os europeus estavam ansiosos para voltar a frequentar as estações de esqui nas férias de fim de ano em dezembro – mas a desregulação do clima atrapalhou os planos. Sem neve, metade das pistas na França estiveram fechadas no fim do ano, e uma parte considerável das que puderam abrir só funcionaram graças ao uso de neve artificial.

O país, assim como os vizinhos alemães ou austríacos, viveu uma rara onda de calor no período.Nós ultrapassamos índices recordes em várias regiões da França e do leste da Europa, principalmente nos dias 31 de dezembro e 1° de janeiro, datas simbólicas. As temperaturas estavam de 1°C a 2°C acima do normal, e chegaram a passar de 22°C no sudoeste francês – mas também na região central, no norte, no leste, as temperaturas chegaram a números totalmente excepcionais para a estação, explica o climatologista Robert Vautard, diretor do Instituto Pierre-Simon Laplace (IPSL), que reúne especialistas das ciências climáticas.

As altas temperaturas, associadas à chuva também atípica, levaram ao derretimento da pouca neve que cobria as estações em baixa e média altitude, como em Mont Dore, no centro da França, onde a decoradora Amandine Pernelle tinha escolhido passar as férias com a família. No local, uma camada de neve de cultura (fabricada a partir da pulverização de água) havia sido aplicada em novembro, à espera dos primeiros flocos da temporada, no início de dezembro. Mas com os termômetros subindo a mais de 10°C, só as crianças puderam aproveitar.

Estou acostumada com a neve artificial. Sempre que eu fui esquiar, tinha na parte baixa das estações, então isso não me choca. E sem contar que, para o clima, é melhor ficar na França e esquiar na neve artificial que pegar avião em busca de calor nos trópicos, comenta a francesa.

Cada vez mais neve artificial

O recurso à neve de cultura é recomendado para prorrogar a duração da neve natural que cairá nos meses frios – e que, segundo os especialistas, tende a se tornar mais rara. A prática é comum nos países europeus e se tornou indispensável a partir dos anos 2000, com a subida progressiva das temperaturas devido às mudanças climáticas.

Entretanto, os ecologistas criticam o alto volume de água utilizada para ser transformada em neve: 1m³ de água resulta no dobro de neve artificial, num total de pelo menos 20 milhões de metros cúbicos de água usada por ano para este fim, na França. Hoje, mais de um terço das pistas francesas e a metade ou mais das suíças e austríacas usam essa solução, principalmente a menos de 1,5 mil metros de altitude.

Canhão de neve na estação de esqui de Val Thorens, em 26 de novembro de 2022. Uso é criticado por ecologistas — Foto: AFP - JEFF PACHOUD
Canhão de neve na estação de esqui de Val Thorens, em 26 de novembro de 2022. Uso é criticado por ecologistas — Foto: AFP - JEFF PACHOUD

A água é retirada do meio natural na primavera quando é abundante. Se ela não é recuperada após o derretimento da neve e estocada em lagos artificiais, ela seria perdida, rebate Jean-Luc Boch, presidente da France Montagnes, que reúne os principais organismos de turismo nas montanhas da França. Essa água correria pelos riachos, depois nos rios, afluentes e enfim no Mar Mediterrâneo. Estocá-la no momento em que ela é muito abundante significa poder devolvê-la para todo o nosso território, lembrando que ela também pode servir para consumo humano e animal, se necessário, afirma.

Incertezas sobre o futuro

Boch ressalta que ainda há muita variação entre os anos e não há certezas absolutas sobre o futuro: o inverno com mais neve em décadas ocorreu há cinco anos, relembra. Mas outro ator importante do setor, o secretário-geral do Domaines Skiables de France, Laurent Reynaud, analisa a situação com mais cautela e diz que o tema é levado muito a sério.

Sabemos que, no futuro, deveremos enfrentar uma incerteza ainda maior sobre a ocorrência de neve e também sobre a cobertura de neve, principalmente nas estações de baixa altitude. Cada uma delas vai precisar elaborar um planejamento para os 15, 20, 50 ou 80 próximos anos. Essas projeções já existem e foram determinadas pelo IPCC [Painel da ONU de cientistas especialistas nas mudanças climáticas], indica Reynaud.

As estações mais vulneráveis são estimuladas a diversificar as atividades, de modo a atrair turistas durante todo o ano, com foco não só no inverno, mas também no verão. Quanto ao uso da neve artificial, Reynaud destaca que a transição ecológica também está em curso no setor.

Hoje, em todos os processos industriais, teremos medidas de sobriedade energética e eco-concepção, para conseguirmos aproveitar ao máximo um litro de água ou 1kw/h. Dividimos por três o consumo elétrico necessário nos compressores de água, para a produção de um metro cúbico de neve, e conseguimos reduzir 10% do consumo de eletricidade dos teleféricos, responsáveis pela maior parte do consumo elétrico nas estações, pondera o representante das pistas de esqui francesas.

Falta de neve na primavera gera prejuízos agrícolas

O climatologista Robert Vautard observa ainda que a falta de neve prejudica a atividade econômica e o turismo nas montanhas, mas também atinge a natureza como um todo e, em especial, a agricultura.

Organismos que criam doenças nas árvores e plantas são eliminados no inverno, com o gelo. Sem frio, eles acabam se reforçando na primavera e isso altera a produção agrícola, em especial de frutas, aponta o especialista em fenômenos meteorológicos extremos.O fato de que a vegetação começa mais cedo do que o previsto faz com que os brotos fiquem expostos a eventuais geadas em abril. É um fenômeno em que todo ciclo da natureza começa mais cedo porque está quente demais.

Por essa razão, graves prejuízos agrícolas têm sido frequentes no país: aconteceram em 2022, 2021 ou 2017, relembra o pesquisador. Este mês de janeiro já se anuncia mais seco que os padrões, o que pode ser um indício de mais um ano marcado por temperaturas em alta.

De forma geral, se observarmos as variações das temperaturas em 2022 na França, em relação aos padrões, há muito poucos episódios – apenas três ou quatro, e muito curtos – em que as temperaturas estiveram abaixo do normal. Em todas os outros, elas estiveram acima, destaca Vautard. É claro que sempre teremos variações meteorológicas, mas nos próximos anos, devemos esperar a mesma tendência de alta verificada em 2022.

O pesquisador frisa ainda que seria um erro comparar este início de inverno ameno na Europa com as nevascas que atingiram os Estados Unidos no mesmo período. Na América do Norte, explica, as variações de temperaturas sempre foram extremamente fortes e mais intensas que no continente europeu, e não são uma consequência das mudanças climáticas, mas sim da geografia.

Enquanto as massas de ar frio que descem do Midwest americano não encontram uma zona marítima que amenizaria a temperatura, este não é o caso em países como a França, onde os Alpes são influenciados pelo clima mediterrâneo.

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