Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Segundo os cientistas da agência, o impacto foi causado por uma das maiores rochas espaciais que já atingiram o planeta vermelho desde que a Nasa começou suas observações, gerando um terremoto de magnitude 4. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por France Presse Postado em 28 de outubro de 2022 às 08h15m #.*Post. - N.\ 10.528*.#
Imagem de um satélite da Nasa em marte mostra blocos de gelo que foram
projetados na superfície e uma cratera de cerca de 150 metros de
diâmetro e 20 metros de profundidade, a maior já observada desde o
início das operações da MRO, há 16 anos. — Foto: Nasa/Divulgação
Cientistas da Nasa que estudam Marte tiveram uma grata surpresa ao
perceberem o impacto de um meteorito sobre o Planeta Vermelho.
O fenômeno foi registrado em 24 de dezembro de 2021, quando o impacto causou solavancos de magnitude 4 na superfície marciana,
detectados graças à sonda Insight e a seu sismômetro, que pousou em
Marte há quase quatro anos, a cerca de 3.500 km do local do impacto.
A origem desse tremor marciano só foi confirmada quando a sonda chamada Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), em órbita ao redor do planeta, captou imagens da cratera recém-formada, menos de 24 horas depois.
A imagem mostra blocos de gelo que foram projetados na superfície e uma
cratera de cerca de 150 metros de diâmetro e 20 metros de profundidade,
a maior já observada desde o início das operações da MRO, há 16 anos.
Embora os impactos de meteoritos não sejam raros em Marte, "nunca
teríamos pensado em presenciar algo tão grande", disse nesta
quinta-feira em entrevista coletiva Ingrid Daubar, da equipe de missões
da sonda Insight e da MRO.
Os pesquisadores estimam que o meteorito devia ter 12 metros, com o que
na Terra teria se desintegrado na atmosfera. "É simplesmente o maior
impacto de meteorito na superfície já ouvido desde que a ciência conta
com sismógrafos ou sismômetros", explicou à AFP o professor de
planetologia Philippe Lognonné, que participou de dois estudos
resultantes dessas observações publicados nesta quinta-feira na revista
"Science".
A presença de gelo, em particular, foi descrita como surpreendentepor
Ingrid Daubar. "É o ponto mais quente de Marte, o mais próximo do
Equador onde já foi visto gelo". Também é de interesse científico para o
estudo do clima marciano, uma vez que a presença de gelo nessa latitude
poderia ser muito útil para futuros exploradores, explicou Lori Glaze,
diretora de ciências planetárias da Nasa.
As informações coletadas devem permitir refinar o conhecimento sobre o interior de Marte e a história da sua formação.
A sonda Insight detectou no total mais de 1.300 tremores em Marte,
alguns deles causados por meteoritos menores, e os dados coletados serão
usados por cientistas de todo o mundo por muitos anos.
Esta é a menor taxa desde o trimestre fechado em junho de 2015 (8,4%); população desocupada chegou ao menor nível desde o trimestre terminado em dezembro de 2015. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Marta Cavallini, g1 27/10/2022 09h00 Atualizado há 56 minutos Postado em 27 de outubro de 2022 às 10h00m #.*Post. - N.\ 10.527*.#
Vagas de emprego — Foto: Reprodução/Governo de Goiás
A taxa de desemprego no Brasil recuou para 8,7% no terceiro trimestre
deste ano. Esta é a menor taxa desde o trimestre encerrado em junho de
2015 (8,4%).
(Correção: o g1errou
ao informar na Primeira Página que o número de trabalhadores informais
bateu recorde. O dado na reportagem estava correto. Na verdade, foi o
número de empregados sem carteira assinada do setor privado que bateu
recorde. Já a taxa de informalidade caiu. A informação foi corrigida às
10h20.)
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quinta-feira (27) pelo IBGE.
A taxa representa queda de 0,6 ponto percentual na comparação com o
trimestre terminado em junho (9,3%) e de 3,9 pontos percentuais frente
ao terceiro trimestre de 2021 (12,6%).
“A taxa de desocupação segue a trajetória de queda que vem sendo
observada nos últimos trimestres. A retração dessa taxa é influenciada
pela manutenção do crescimento da população ocupada”, destaca Adriana
Beringuy, coordenadora da Pnad.
Segundo o IBGE, o contingente de pessoas ocupadas (99,3 milhões)
cresceu 1% (mais 1 milhão) no trimestre e 6,8% (mais 6,3 milhões) no
ano, batendo novamente o recorde na série histórica, iniciada em 2012.
Já população desocupada (9,5 milhões de pessoas) chegou ao menor nível
desde o trimestre terminado em dezembro de 2015, caindo 6,2% (menos 621
mil pessoas) no trimestre e 29,7% (menos 4 milhões) no ano.
Crescem os sem carteira e caem os informais
Outro destaque da Pnad Contínua do IBGE é que o número de empregados sem carteira assinada no setor privado (13,2 milhões de pessoas) foi o maior da série histórica, iniciada em 2012, apresentando estabilidade no trimestre e elevação de 13% (1,5 milhão de pessoas) no ano.
Já a taxa de informalidade caiu para 39,4% da população ocupada, contra
40% no trimestre anterior (terminado em junho) e 40,6% no mesmo
trimestre de 2021. Já o número de trabalhadores informais chegou a 39,1
milhões. A título de comparação, notrimestre terminado em agosto, o número de informais chegou a 39,3 milhões, e a taxa foi de 39,7%.
O nível da ocupação (indicador que mede o percentual de pessoas
ocupadas na população em idade de trabalhar) subiu para 57,2%, o mais
alto desde o trimestre terminado em outubro de 2015.
Já o número de empregados com carteira de trabalho assinada cresceu
1,3% em relação ao trimestre anterior, chegando a 36,3 milhões de
pessoas. Na comparação anual, o contingente cresceu 8,2%.
Recorde de ocupados no setor público
O número de empregados no setor público foi recorde da série histórica
(12,2 milhões), com alta de 2,5% (291 mil pessoas) no trimestre e de
8,9% (989 mil pessoas) no ano. Esse aumento foi puxado pelos empregados
no setor público sem carteira assinada (3,1 milhões), cujo crescimento
foi recorde - 11,6%(317 mil pessoas) no trimestre e 35,4% (799 mil
pessoas) no ano.
“Temos observado um ritmo acelerado no setor público nos últimos três
trimestres em função, principalmente, da recuperação do segmento de
educação e saúde”, diz a coordenadora.
Principais destaques da pesquisa
Desemprego caiu para 8,7%, menor índice da série desde o trimestre encerrado em junho de 2015
Número de desempregados recuou para 9,5 milhões de pessoas
Contingente de pessoas ocupadasbateu novo recorde: 99,3 milhões
População subocupada(por insuficiência de horas trabalhadas) caiu para 6,2 milhões de pessoas
População subutilizada(desempregados, subocupados, desalentados e pessoas que podem
trabalhar, mas que não têm disponibilidade por algum motivo) caiu para
23,4 milhões de pessoas
Pessoas fora da força de trabalho ficou em 64,7 milhões de pessoas
População desalentada(que desistiu de procurar trabalho) ficou em 4,3 milhões
Taxa de informalidadecaiu para 39,4% da população ocupada
Número de trabalhadores informaischegou a 39,1 milhões
Número de empregados sem carteira assinadafoi o maior da série: 13,2 milhões
Número de empregados com carteira de trabalho assinadasubiu para 36,3 milhões
Trabalhadores por conta própria atingiram 25,7 milhões de pessoas
Número de trabalhadores domésticos ficou em 5,9 milhões de pessoas
Número de empregadores foi de 4,4 milhões de pessoas
Nível da ocupação (indicador que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em
idade de trabalhar) subiu para 57,2%, nível mais alto desde outubro de
2015
Rendimento real habitualficou em R$ 2.737
Administração pública, defesa e seguridade social puxam ocupação
Segundo o IBGE, as seguintes atividades influenciaram o aumento da
ocupação e consequente queda no desemprego: administração pública,
defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais
(1,8%, ou mais 315 mil pessoas) e outros serviços (6,8%, ou mais 348 mil
pessoas).
Beringuy destaca que “três atividades vinham se sobressaindo desde
junho: comércio, administração pública, defesa, seguridade social,
educação, saúde humana e serviços sociais, e outros serviços. Nesse
trimestre, o comércio, embora tenha ficado estável, ainda mantém um
contingente bastante importante e permanece sendo uma importante
atividade na absorção de mão de obra, com mais de 19 milhões de
pessoas”.
Rendimento médio cresce
O rendimento real habitual cresceu, pela primeira vez desde junho de
2020, tanto na comparação trimestral (3,7%) quanto na anual (2,5%),
chegando a R$ 2.737. Na comparação trimestre a trimestre, foi a quinta
alta seguida.
Segundo a coordenadora da pesquisa, “o crescimento do rendimento real
está relacionado à redução da inflação, proporcionando ganhos reais. O
rendimento nominal, que não desconta a inflação, já vinha crescendo em
2022, enquanto o real estava registrando queda. Na medida em que há uma
retração da inflação, passa-se a ter registros de crescimento no
rendimento real”.
As posições que tiveram alta significativa no rendimento no trimestre
foram empregado com carteira de trabalho assinada (2,8%, ou mais R$ 71),
empregado no setor público (inclusive servidor estatutário e militar)(2,3%, ou mais R$ 92) e empregador (10%, ou mais R$ 613).
Na comparação com o mesmo trimestre de 2021 houve aumento nas
categorias trabalhador doméstico (4,6%, ou mais R$ 46) e conta própria
(5%, ou mais R$ 103).
Pnad x Caged
Fim de ano no comércio deve ter maior número de vagas temporárias desde 2013, prevê CNC
Na quarta-feira (26), o Ministério do Trabalho e Previdência informou que o paísgerou 278 mil empregos com carteira assinada em setembro, o que representa uma piora em relação a setembro do ano passado, quando foram criados 330 mil empregos formais.
Os dados, no entanto, não são comparáveis com os números do desemprego
divulgados nesta quarta pelo IBGE. Isso porque os dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados consideram os trabalhadores com
carteira assinada, isto é, não incluem os informais.
Os números do Caged são coletados das empresas e abarcam o setor
privado com carteira assinada, enquanto que os dados da Pnad são obtidos
por meio de pesquisa domiciliar e abrangem também o setor informal da
economia.
Revista científica é considerada uma das mais relevantes no mundo. Texto compara Bolsonaro com Trump, lista retrocessos e diz que o PT fez 'grandes investimentos' em ciência e atuou contra o desmatamento. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 25/10/2022 20h10 Atualizado há um dia Postado em 26 de outubro de 2022 às 21h30m #.*Post. - N.\ 10.526*.#
Editorial da Nature diz que reeleição de Bolsonaro é ameaça à ciência, à democracia e ao meio ambiente — Foto: Reprodução
Um editorial da revista científica "Nature" publicado nesta terça-feira
(25) afirma que só há uma escolha na eleição do Brasil, e que um
segundo mandato para o presidente Jair Bolsonaro (PL) representaria uma
ameaça à ciência, à democracia e ao meio ambiente.
No texto de opinião que tem o título "There’s only one choice in Brazil’s election — for the country and the world",
a revista começa lembrando que, logo após a eleição de Bolsonaro há
quatro anos, sinalizou que a vitória do ex-capitão era ruim para a
ciência e para o meio ambiente.
Na avaliação da revista, "o histórico de Bolsonaro é de arregalar os
olhos". Ela cita que o meio ambiente foi devastado (desmatamento quase
dobrou desde 2018) após o presidente retirar proteções legais, e lembra
que Bolsonaro desrespeitou direitos indígenas.
A "Nature" ainda lembra que Bolsonaro seguiu seu "colega populista"
Donald Trump ao ignorar os alertas da ciência sobre a Covid-19. Atuou
contra a vacinação usando questionamento sobre a segurança e eficácia
das doses. A revista ainda lembra que houve diminuição no financiamento
para ciência e inovação.
Como contraponto, a revista diz que o Partido dos Trabalhadores fez
"grandes investimentos" em ciência, criou proteções ambientais, ampliou
oportunidades em educação e criou um programa de transferência de
dinheiro para os pobres, o Bolsa Família.
"Ao contrário de Bolsonaro, Lula não procurou lutar contra
pesquisadores. Ele prometeu alcançar o desmatamento 'zero líquido' e
proteger as terras indígenas se eleito", escreveu a Nature
Após levantar os pontos positivos neste contraponto, a revista lembra a
condenação e a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva por 19 meses e a
posterior anulação da condenação.
"Nenhum líder político chega perto de ser perfeito. Mas os últimos
quatro anos do Brasil são um lembrete do que ocorre quando aqueles que
elegemos desmantelam ativamente as instituições destinadas a reduzir a
pobreza, proteger a saúde pública, impulsionar a ciência e o
conhecimento, proteger o meio ambiente e defender a justiça e a
integridade das evidências", afirma a "Nature".
O texto termina afirmando que os eleitores têm uma oportunidade valiosa
para começar a reconstruir o que Bolsonaro derrubou. "Se Bolsonaro
conseguir mais quatro anos, o dano pode ser irreparável", finaliza o
editorial.
Revista Nature destaca frustração de cientistas com governo brasileiro
A Grande Mancha de Lixo do Pacífico é um enorme aglomerado flutuante de lixo plástico no maior oceano do mundo – mas não é a única. Os cientistas estão agora tentando descobrir como é possível limpá-las. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 25/10/2022 17h22 Atualizado há um dia Postado em 26 de outubro de 2022 às 20h15m #.*Post. - N.\ 10.525*.#
Boa parte do lixo que chega aos oceanos fica perto da costa e acaba sendo trazida de volta para terra — Foto: Getty Images
Reach Penaflor tem uma missão.
Desde 2009, ele trabalha em conjunto com o grupo River Warriors
("Guerreiros do Rio", em tradução livre), que se dedica a limpar os
estuários que deságuam no rio Pasig, que atravessa a maior área urbana
das Filipinas - a região metropolitana da capital do país, Manila,
conhecida pelos seus odores nocivos. Os cientistas afirmam que o Pasig é
o rio que mais contribui para a poluição do ambiente marinho.
Quando a limpeza começou, havia tanto lixo sólido na água que ele
precisou ser removido manualmente. Mulheres voluntárias percorriam as
águas poluídas, quase sem roupas de proteção, antes que pudesse começar a
dragagem.
"Elas precisavam cavar fundo para retirar as coisas, usando apenas
luvas para sua proteção", relembra Penaflor. "Eu decidi ir trabalhar com
elas e só consegui por meio dia. Não parava de me coçar e não conseguia
me livrar daquele mau cheiro."
Penaflor e seus colegas conhecem a reputação duvidosa do rio Pasig e a
tarefa hercúlea de tentar mudar essa situação. As Filipinas são um dos
maiores geradores de poluição marinha da Ásia - e, de forma talvez
surpreendente, a maior parte desse lixo acaba perto do litoral.
Britta Denise Hardesty, principal cientista de pesquisa dos oceanos e
da atmosfera da Organização de Pesquisa Industrial e Científica da
Comunidade Britânica (CSIRO, na sigla em inglês - o organismo nacional
de pesquisa da Austrália), afirma que existem muitos conceitos errôneos
envolvendo o lixo que vemos no oceano.
Existem lugares onde podemos ver o lixo flutuando na nossa linha de
visão, mas, em outros, as correntes oceânicas podem carregar o material
para o mar e fazer com que ele se acumule em sopas de plástico em locais
distantes, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, entre o Havaí e a
costa oeste dos Estados Unidos.
Fragmentos plásticos que não chegam ao mar aberto podem boiar vagando
por anos, servindo de abrigo para a vida marinha — Foto: Alamy
Muito já se falou sobre a Mancha do Pacífico, mas ela é apenas um dos
giros - correntes oceânicas em circulação - que se movem ao longo dos
oceanos do planeta em um círculo sem fim.
Os giros são parte de uma "esteira transportadora oceânica" dirigida
pelas correntes que se movem ao longo da superfície dos oceanos, fluindo
no sentido horário, no norte, e anti-horário, no sul. E, como as
correntes também se comportam como imensas banheiras de hidromassagem,
elas acabam empurrando fragmentos para mais perto do centro, onde podem
acumular-se em concentrações mais altas, devido à redução da ação dos
ventos e das ondas.
Britta Baechler, gerente sênior de pesquisas sobre plásticos nos
oceanos da organização ambiental Ocean Conservancy, afirma que "ao todo,
existem cinco grandes giros oceânicos".
"Todos os cinco giros são grandes sistemas de correntes oceânicas
circulares que acumulam objetos flutuantes, incluindo plásticos",
explica ela, mas "o Giro do Pacífico norte é o giro oceânico mais
pesquisado e sabemos menos sobre os outros quatro". Os outros giros
ficam no Pacífico Sul, no Atlântico Norte e Sul e no Oceano Índico, além
de diversos outros giros menores.
"O que é importante saber ou observar é que a maior parte do plástico
ou do lixo perdido no meio ambiente não vai para esses bolsões", afirma
Hardesty. "Ele não vai para o meio do oceano. A maioria dos nossos
fragmentos, na verdade, fica presa na vegetação litorânea em terra."
De fato, a maior parte dos fragmentos que podem ser encontrados no
oceano já está por lá. Pelo menos a metade vem de navios pesqueiros que
entram e saem de águas internacionais e inclui redes e equipamento de
pesca perdido ou abandonado. Em seguida, vem o material que era
transportado pelo oceano e acabou sendo perdido no mar.
O Conselho Mundial de Transporte Marítimo estima que, em média, 1.382
contêineres sejam perdidos todos os anos, devido a fortes ventos e marés
altas. Mas esse número pode ser muito maior, pois as perdas de
contêineres varridos dos navios somente são relatadas quando se sabe que
eles estão transportando materiais perigosos.
O plástico que fica à deriva decompõe-se em microplásticos menores, que
já foram encontrados na areia da praia em todo o mundo — Foto: Alamy
Uma das perdas de contêineres mais conhecidas do século 20 envolveu
mais de 29 mil brinquedos de banho, incluindo patos, tartarugas, sapos e
castores de brinquedo, embarcados da China para os Estados Unidos em
1992. Esses patos depois chegaram ao noticiário, quando começaram a
aparecer em praias nos Estados Unidos - e continuaram a ser encontrados
por mais de duas décadas depois do incidente.
Pode parecer que se trata de uma boa notícia, mas nem tudo é positivo.
Hardesty explica que, se existirem centenas de toneladas de lixo
caminhando pelo oceano, outros produtos flutuantes podem ainda chegar à
zona do litoral, que se estende até cerca de 8 km da costa. E, dali, uma
combinação de ventos, correntes e ondas pode destruir o lixo e levar os
fragmentos até milhares de quilômetros de distância do seu ponto de
origem.
"Sabemos [por exemplo] que existem objetos que viajaram do Japão até a
costa oeste dos Estados Unidos em menos de um ano depois que o tsunami
[de 2011] carregou objetos grandes, como motocicletas e atracadouros
flutuantes através do Oceano Pacífico em um ou dois anos", relembra ela.
São principalmente os objetos flutuantes levados pelas correntes
oceânicas que podem acabar fazendo parte da Grande Mancha de Lixo do
Pacífico, que foi apresentada pela primeira vez pelo oceanógrafo
americano Curtis Ebbesmeyer, em 1997. Ele passou décadas estudando e
rastreando fragmentos no oceano, até descrever a mancha como um dos
"pontos geológicos mais importantes" do planeta.
Por que o plástico?
A poluição dos oceanos fez com que os giros se tornassem massas
flutuantes em forma de sopa de microplásticos, resultantes da
decomposição física que começa assim que o plástico escapa para o mar.
Materiais orgânicos mais pesados, como madeira e metais, podem
degradar-se ou afundar até o fundo do mar. Mas o plástico se decompõe
perto da superfície, como reação física à abrasão, exposição prolongada
aos raios ultravioleta e degradação pelo contato prolongado com a água.
A decomposição dos pedaços de plástico maiores em fragmentos ou pedaços
menores, devido à sua exposição às forças físicas, como o vento ou as
ondas, cria os microplásticos que infestam nossos oceanos hoje em dia.
Estudos demonstraram que esses pedaços podem medir menos de um terço de
milímetro e compõem até 60% dos fragmentos plásticos flutuantes no Giro
do Pacífico Norte. Mas não se sabe exatamente quanto plástico acaba se
acumulando no centro dos giros.
Entre 2016 e 2017, a Fundação de Pesquisas Marinhas Algalita, com sede
nos Estados Unidos, explorou o Pacífico Sul. Ela recolheu amostras do
Giro Subtropical do Pacífico Sul e encontrou o que eles acreditavam
serem altas concentrações de fragmentos plásticos, mas suas quantidades
não foram reveladas.
A fundação não tinha certeza se aquelas concentrações estavam acima dos
níveis normais. Por isso, eles procuraram obter mais dados para estudar
o que poderia ser um grande erro de estimativa da quantidade de
plástico encontrada atualmente nos oceanos do planeta.
Antes daquele estudo, em 2014, acreditava-se que os giros tivessem
apenas 200 a 600 g de resíduos plásticos por quilômetro quadrado. Mas,
atualmente, Baechler afirma que "as pesquisas existentes indicam que
outros giros podem acumular muito menos resíduos plásticos em comparação
com o Giro do Pacífico Norte".
Amostragens concluíram, por exemplo, que a quantidade média de plástico
no Giro do Pacífico Sul é de 26.898 partículas por quilômetro quadrado.
E, em média, existem 20.328 itens por quilômetro quadrado no giro
subtropical do Atlântico Norte, em comparação com mais de 700 mil
partículas por quilômetro quadrado encontradas no Pacífico Norte.
Enquanto o Programa Ambiental das Nações Unidas estima que existem hoje
de 75 a 199 milhões de toneladas de plástico nos oceanos, não há como
ter certeza de quanto desse plástico está chegando aos giros, já que um
grande percentual fica preso perto do litoral.
Hardesty afirma que a quantidade de plástico encontrada nos oceanos vem
acompanhando a produção mundial de plástico e aumenta em 1,5 a 2% todos
os anos.
"Estamos encontrando cada vez mais plástico nos oceanos", afirma ela.
"E, como esses giros ou áreas de acúmulo estão onde os agregados de
plástico estão se reunindo, é bem razoável observar, pensar e esperar
que, sim, estamos vendo um aumento do plástico também nessas áreas de
acúmulo, os principais giros."
A superfície desses giros de lixo pode ser uma visão desagradável, mas o
que mais preocupa os pesquisadores é o que acontece embaixo.
"Um estudo coletou amostras da superfície do Giro do Pacífico Norte ao
longo de um período de 22 anos (1986-2008) e concluiu que, apesar do
aumento contínuo da produção e do descarte mundial de plástico, a
concentração de fragmentos de plástico naquela região não havia
aumentado", afirma Baechler.
"Isso pode ocorrer porque o plástico flutuante não fica na superfície
para sempre. Descobriu-se que os fragmentos de plástico flutuantes que
se reúnem no giro também afundam pela coluna de água, até o fundo do
mar", explica ela.
À medida que isso acontece, diversos estudos agora demonstram que esses
plásticos estão entrando no ecossistema marinho, onde não só são
ingeridos, mas também inalados pelos animais, incluindo aves marinhas,
peixes e tartarugas.
'Impactos imensos'
Plásticos vagueando pelos oceanos que não se decompõem também têm a
capacidade de viajar pelo mundo como os patos de brinquedo. E também
permitem que micróbios e outros organismos marinhos movam-se de uma
região para outra, inadvertidamente transportando espécies para regiões
onde podem tornar-se invasoras.
Existem também as ameaças representadas pelas redes de pesca perdidas, que podem capturar a vida marinha.
"Diversos objetos causam danos enormes à vida selvagem", afirma
Hardesty. "Plásticos moles são facilmente ingeridos pelos animais e têm
imenso impacto negativo sobre os mamíferos marinhos, aves marítimas e
tartarugas."
"Mas as redes de pesca perdidas ou abandonadas são realmente
problemáticas, porque elas capturam a vida selvagem e continuam pescando
indiscriminadamente. Os animais nadam para essas redes perdidas, ficam
presos e morrem", acrescenta ela. E, como os fragmentos agora estão
muito interligados à vida marinha, é difícil removê-los dos giros.
"Limpar o lixo plástico diretamente do Giro do Pacífico Norte é uma
tarefa muito difícil", segundo Baechler. "O mais rápido e econômico é
reduzir ou remover o fluxo de lixo [na fonte, em terra] bem antes que
ele atinja o oceano e entre nos giros."
Isso aumenta a importância do trabalho de Reach Penaflor e seus
Guerreiros do Rio, além da organização Ocean Conservancy, de Baechler.
"Embora seja difícil medir diretamente o impacto dos nossos esforços em
terra sobre a quantidade de plástico em alto mar e, mais
especificamente, nos giros, o que sabemos é que a redução da poluição
plástica no litoral e em terra significa que menos poluição está
atingindo nossos cursos d'água e, por fim, entrando no oceano", conclui
Baechler.