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segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Água de chuva no mundo todo está contaminada com 'poluentes eternos', mostram estudos

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Da Antártida ao Tibete, os produtos químicos de longa duração na água da chuva estão em nível bem acima das diretrizes de segurança dos EUA
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TOPO
Por BBC

Postado em 08 de agosto de 2022 às 15h40m

 #.*Post. - N.\ 10.415*.#

— Foto: Getty Images
— Foto: Getty Images

Novas pesquisas mostram que a água da chuva na maioria dos locais da Terra contém níveis de produtos químicos que "excedem muito" os níveis de segurança.

Essas substâncias sintéticas — poli e perfluoroalquil, conhecidas pela sigla PFAS em inglês — são usadas em produtos como panelas antiaderentes, espuma de combate a incêndio e roupas impermeáveis.

Apelidados de "produtos químicos eternos", eles persistem por anos no meio ambiente.

Tal é a sua prevalência agora que os cientistas dizem que não há mais lugar na Terra onde se possa evitá-los.

Pesquisadores da Universidade de Estocolmo dizem que é "de vital importância" que o uso dessas substâncias seja rapidamente restringido.

Os cientistas temem que os PFAS possam representar riscos à saúde, incluindo câncer, embora a pesquisa até agora tenha sido inconclusiva. Eles estão cada vez mais preocupados com a proliferação de PFAS nos últimos anos.

Existem cerca de 4.500 desses compostos à base de flúor e são encontrados em quase todas as residências da Terra em centenas de produtos de uso diário, incluindo embalagens de alimentos, capas de chuva, adesivos, papel e tintas.

Preocupações de segurança sobre a presença dessas substâncias duradouras na água potável também foram levantadas.

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Riscos ainda incertos

No início deste ano, uma investigação da BBC encontrou PFAS em amostras de água na Inglaterra em níveis que excederam os níveis de segurança europeus, mas não excederam o nível de segurança atual na Inglaterra e no País de Gales.

Uma nova pesquisa publicada na revista Environmental Science & Technology analisa quatro produtos químicos específicos da classe e indica que os níveis das substâncias na água da chuva em todo o mundo muitas vezes "excedem muito" os níveis recomendados para água potável nos EUA.

O solo em todo o mundo está contaminado da mesma forma, sugerem evidências.

As descobertas do estudo levam os autores a concluir que uma fronteira planetária foi ultrapassada - simplesmente não há espaço seguro na Terra para evitar essas substâncias.

"Argumentamos aqui que não estamos mais dentro desse espaço seguro, porque agora temos esses produtos químicos em todos os lugares", disse o professor Ian Cousins, principal autor do estudo feito na Universidade de Estocolmo.

"Não estou dizendo que todos vamos morrer desses efeitos. Mas estamos em um momento no qual você não pode viver em nenhum lugar do planeta e ter certeza de que o meio ambiente é seguro."

Embora isso seja, sem dúvida, motivo de preocupação, existem algumas ressalvas.

Muitos desses níveis de segurança em vigor são consultivos, o que significa que não são legalmente aplicáveis.

Outros cientistas consideram que a ações contra esses produtos químicos não devem ser tomadas até que os riscos à saúde sejam mais claramente comprovados.

Muita pesquisa foi realizada sobre os riscos à saúde representados pelos PFAS, e os cientistas dizem que a exposição a altos níveis pode estar associada a um risco aumentado de alguns tipos de câncer, problemas de fertilidade e atrasos no desenvolvimento em crianças.

No entanto, tais associações não provam causa e efeito e outros estudos não encontraram conexão entre PFAS e doenças.

Mas para aqueles que passaram anos trabalhando em funções que os faziam ter contato com PFAS, as evidências no novo trabalho de pesquisa sublinham a necessidade de uma abordagem preventiva.

"Na chuva, os níveis já são mais altos do que os critérios de qualidade ambiental. Isso significa que, com o tempo, teremos um impacto estatisticamente significativo desses produtos químicos na saúde humana", disse Crispin Halsall, da Universidade de Lancaster. Ele não está envolvido com o estudo sueco.

"E como isso vai se manifestar? Não tenho certeza, mas veremnos com o tempo, porque estamos excedendo as concentrações que vão causar algum dano, por causa da exposição de humanos em sua água potável."

A remoção dos produtos químicos do estudo da água potável nas estações de tratamento é possível, embora dispendiosa.

Mas ficar abaixo dos níveis de aconselhamento dos EUA é extremamente desafiador, de acordo com os autores.

À medida que os cientistas obtiveram mais conhecimento sobre PFAS nos últimos 20 anos, os avisos de segurança foram continuamente reduzidos.

O mesmo aconteceu com a presença desses produtos químicos no solo - e isso também está causando problemas.

Pressão econômica

Na Holanda, em 2018, o ministério da Infraestrutura estabeleceu novos limites para as concentrações de PFAS no solo e no material de dragagem.

Mas isso fez com que 70% dos projetos de construção envolvendo remoção de solo ou uso de material escavado fossem interrompidos. Após protestos, o governo relaxou as diretrizes.

De acordo com o novo estudo, esse tipo de relaxamento dos níveis de segurança provavelmente também acontecerá com a contaminação da água.

"Se você aplicasse essas diretrizes em todos os lugares, não seria capaz de construir em qualquer lugar", disse o professor Ian Cousins.

"Acho que eles farão a mesma coisa com os avisos de água potável dos EUA, porque não são práticos de aplicar. Não é porque há algo errado com a avaliação de risco. É apenas porque você não pode aplicar essas coisas. É simplesmente impossível, do ponto de vista econômico, aplicar qualquer uma dessas diretrizes."

O principal desafio com esses produtos químicos é sua persistência, e não sua toxicidade, dizem os autores do estudo.

Embora alguns PFAS prejudiciais tenham sido eliminados pelos fabricantes há duas décadas, eles persistem na água, no ar e no solo.

Uma maneira pela qual os PFAS percorrem o ambiente é na forma de pequenas partículas transportadas em spray do mar para o ar e depois de volta à terra.

Essa incapacidade de se decompor no meio ambiente significa que os PFAS agora são encontrados mesmo em áreas remotas da Antártida, conforme relatado pelo Halsall recentemente.

Embora haja movimentos a nível europeu para restringir o uso desses produtos químicos e encontrar substitutos mais benignos, também há esperanças de que a indústria afaste-se rapidamente do uso de PFAS.

"Precisamos de produtos químicos e substâncias persistentes, queremos que nossos produtos durem muito tempo enquanto os usamos", disse o professor Cousins.

"E embora existam vozes conservadoras na indústria, também existem atores progressistas. Fico muito otimista quando vejo essas indústrias progressistas trabalhando juntas."

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- Este texto foi publicado em http://bbc.co.uk/portuguese/geral-62414858

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Nasa enviará mais dois helicópteros em missão para Marte

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Missão faz parte de um plano B da agência espacial para o transporte de amostras do solo marciano à Terra.
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Por g1

Postado em 08 de agosto de 2022 às 11h35m

 #.*Post. - N.\ 10.414*.#

Ilustração da Nasa mostra robôs e helicópteros que se juntarão à missão no planeta vermelho para coleta de amostras de rocha e solo da superfície marciana.  — Foto: NASA/JPL-Caltech
Ilustração da Nasa mostra robôs e helicópteros que se juntarão à missão no planeta vermelho para coleta de amostras de rocha e solo da superfície marciana. — Foto: NASA/JPL-Caltech

A Nasa, a agência espacial norte-americana, deve lançar mais dois mini-helicópteros para Marte numa missão que pretende retornar amostras científicas do solo marciano à Terra.

Em 2021, o mini-helicóptero Ingenuity fez o histórico primeiro voo motorizado e controlado no planeta vermelho, como parte de uma estratégia da agência apenas para avaliar as condições de voo no planeta.

Desde então, o Ingenuity fez cerca de 30 voos experimentais. Agora, a Nasa e a ESA, a agência espacial europeia, planejam construir e lançar no final desta década dois equipamentos semelhantes que irão transportar ao nosso planeta amostras de rochas e solo de Marte.

Se tudo correr como planejado, até 30 amostras seriam coletadas em 2031 e chegariam à Terra em 2033.

O programa Mars Sample Return (Programa de Retorno de Amostras de Marte, em tradução livre) está na fase final do seu projeto de design, depois de uma revisão da estratégia inicial de lançamento.

Antes, a NASA tinha a intenção de levar um novo robô para Marte que seria construído pela ESA e que transportaria os materiais científicos coletados pelo Perseverance (robô lançado junto com o Ingenuity e que busca vestígios de vida no planeta) até um foguete fabricado pelos americanos.

O Perseverance, o robô que a Nasa enviou a Marte. — Foto: Nasa

Agora, a missão pretende fazer com que o Perseverance se desloque por conta própria até o módulo de pouso onde estará estacionado esse foguete.

Contudo, se o robô falhar nessa tarefa, é aí que os novos helicópteros entram em cena: os dois equipamentos que estão sendo construídos carregariam as amostras do Perseverance.

Segundo informou à Associated Press o diretor do programa da Nasa, Jeff Gramling, cada helicóptero está sendo projetado para transportar um tubo de amostra do robô por vez, fazendo várias viagens de ida e volta.

Temos confiança de que podemos contar com o Perseverance para trazer as amostras de volta e adicionamos os helicópteros como uma espécie de plano B, disse Gramling.

A agências esperam que essa nova estratégia reduza a complexidade de futuras missões a Marte e aumente a probabilidade de sucesso do programa espacial.

Existem algumas mudanças significativas e vantajosas no plano, que podem ser atribuídas diretamente aos sucessos recentes do Perseverance em Jezero [uma cratera do planeta que já foi um lago há bilhões de anos] e ao incrível desempenho do nosso helicóptero em Marte", disse Thomas Zurbuchen, diretor de missões científicas da Nasa.



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domingo, 7 de agosto de 2022

O mundo está a caminho de uma recessão?

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Entenda os riscos e as consequências para o Brasil Boa notícia é que esfriamento da demanda pode ajudar a aliviar a pressão inflacionária e a acomodar preços das commodities, apesar da piora nas projeções para 2023.
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Por Darlan Alvarenga, g1

Postado em 07 de agosto de 2022 às 13h35m

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Homem faz compras em um supermercado de Nova York, em imagem de 27 de julho de 2022. PIB dos EUA encolheu de abril a junho pelo segundo trimestre consecutivo. — Foto: Andres Kudacki/AP Photo
Homem faz compras em um supermercado de Nova York, em imagem de 27 de julho de 2022. PIB dos EUA encolheu de abril a junho pelo segundo trimestre consecutivo. — Foto: Andres Kudacki/AP Photo

A contração do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos pelo segundo trimestre seguido e indicadores econômicos na Europa evidenciam o cenário de desaceleração da economia mundial, aumentando os temores de uma nova recessão global apenas dois anos após a última – daquela vez, na esteira da pandemia da Covid-19.

Cada vez mais economistas veem como iminente a chegada de uma recessão não só na maior economia do mundo, mas também em países europeus, além de riscos de retração inclusive em países como o Brasil.

O pano de fundo para o novo abalo na economia global é a disparada da inflação, que tem batido recorde de mais de quatro décadas no mundo.

A alta de preços acontece em meio à guerra na Ucrânia e gargalos nas cadeias de produção após o impacto da pandemia. E, buscando conter a inflação, o Federal Reserve (Fed) e outros bancos centrais ao redor do mundo têm elevado as taxas de juros – 'esfriando' a economia, ou seja, colocando freios no crescimento.

"Um processo inflacionário dessa magnitude não é trivial. Toda vez que teve inflação elevada no passado e que o Fed e os bancos centrais tiveram que subir taxas de juros, tivemos uma recessão", afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Se a recessão global, por ora, ainda não é realidade, não há dúvidas a respeito de uma desaceleração rápida da atividade econômica global e da piora das expectativas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou no final do mês passado sua previsão de crescimento global para 2022 e 2023, alertando que a perspectiva piorou significativamente e que o mundo poderá em breve estar à beira de uma recessão global.

Mas o que define uma recessão e quais as consequências para a economia? O que explica a atual desaceleração global e quais os riscos de uma nova retração do PIB do Brasil?

Veja abaixo perguntas e respostas sobre os riscos de recessão global e consequências para o Brasil

Entenda os impactos mundiais da inflação dos EUA e risco de recessão globalEntenda os impactos mundiais da inflação dos EUA e risco de recessão global

Como se define uma recessão? EUA já estão?

A definição de recessão técnica é o registro de dois trimestres consecutivos de declínio do PIB. Por esse critério, a economia dos EUA já estaria em recessão.

Muitos economistas, porém, assim como o governo de Joe Biden, avaliam que a economia norte-americana não está em uma recessão clássica, porque ainda registra outros indicadores mais favoráveis, como de gastos das famílias e de criação de vagas de trabalho.

"Recessão na verdade é quando você tem um conjunto amplo de indicadores – consumo, investimento, emprego –, todos eles piorando, não só o PIB negativo", afirma Caio Megale, economista-chefe da XP. A avaliação dele, de qualquer forma, é que tanto os EUA como a economia global dificilmente escaparão de uma nova recessão.

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos saltou para 9,1% em julho, atingindo a maior taxa anual em 40 anos e meio – e, por outro lado, o mercado de trabalho continua aquecido, o que tem elevado as apostas de que o Fed terá que promover uma elevação mais rápida dos juros para esfriar a economia e frear a alta de preços.

Para os economistas, os EUA podem até não estar em recessão ainda, mas será difícil escaparem dela.

"Para a que a economia americana se reequilibre e tenha uma queda de inflação, os EUA vão precisar passar por uma por uma recessão nesse conceito mais amplo, com queda mais expressiva de consumo, aumento da taxa de desemprego. Então, o Fed e o mundo irão ajustar os juros, até esse cenário de recessão ficar mais claro", diz Megale.


Qual a dimensão esperada do abalo e os riscos?

Na Europa, o banco central britânico alertou nesta semana que o Reino Unido enfrentará uma recessão e avaliou que a economia começará a encolher a partir do último trimestre de 2022, podendo se contrair até o fim de 2023.

"Há um conjunto de países sofrendo desse mesmo processo inflacionário que advém das pressões da pandemia e da guerra. Então, tudo indica que de fato tem um ciclo recessivo global pela frente, que vai pegar um cheio especialmente os Estados Unidos da Europa. Ainda não aconteceu, mas estamos caminhando para uma recessão global sincronizada", avalia o economista da MB.

Ainda que o movimento de contração econômica não se dissemine por todas as regiões do globo, vale destacar que somente o bloco dos países do G7 (EUA, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido) respondem por quase 50% do PIB global. E, num mundo globalizado, um abalo nas maiores economias significa um freio na atividade econômica em todos os continentes.

Importante destacar que, apesar da piora das projeções para a economia global, instituições como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o FMI continuam prevendo que o PIB global anual irá crescer em 2022 e 2023, ainda que com taxas mais fracas.

Veja no gráfico abaixo:

Nem os mais pessimistas veem, porém, o risco de uma recessão tão aguda como a registrada em 2020 ou um colapso como o ocorrido durante a crise financeira global de 2008 e 2009.

"Dessa vez eu acho que vai ser uma recessão que pode ser curta. É uma questão mais cíclica mesmo. Acho que serão dois, três trimestres de desaceleração mais expressiva e de queda do consumo. Mirando meados do ano que vem, o trabalho pode estar feito e o Fed pode começar a pensar em cortar juros," avalia Megale.

Ainda que de baixa magnitude e de curta duração, uma recessão sempre traz consequências amargas, pois provoca um freio nos investimentos e no comércio global, e derruba a confiança de empresários e consumidores, o que fatalmente implicará em cortes de empregos e maior risco de falência de empresas no mundo todo. 
E qual é a situação da China?

Na China, a inflação não é um problema, mas a segunda maior economia do mundo também tem mostrado um esfriamento desde 2019. O PIB chinês registrou forte desaceleração no segundo trimestre, afetado por 'lockdows' em várias cidades do país por causa da Covid-19.

A China foi a única grande economia do mundo que escapou de uma contração em 2020 e uma recessão está novamente fora do horizonte. A performance do PIB neste ano, porém, está bem abaixo da meta do governo de cerca de 5,5% para este ano.

Em razão do peso das exportações no PIB do país, uma recessão global pode colocar um freio ainda maior na economia chinesa. O FMI projeta para a China um crescimento de 3,3% em 2022 e de 4,6% em 2023.

"Costuma-se dizer que quando a China está crescendo em torno de 4% ela já está em recessão, porque não consegue absorver toda a mão-de-obra entrante", afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, destacando que a economia chinesa possui um peso de 18,5% no PIB global e imenso protagonismo no comércio global.
Movimentação de cargas no porto de Xangai, na China. Pais possui um peso de 18,5% no PIB global. — Foto: Aly Song/Reuters
Movimentação de cargas no porto de Xangai, na China. Pais possui um peso de 18,5% no PIB global. — Foto: Aly Song/Reuters 
 
Quais as consequências para o Brasil?

Ainda que os riscos domésticos superem de longe os externos, uma recessão global terá consequências também no Brasil, sobretudo para o canal de exportações. Isso porque se o mundo passar a consumir menos, comprará também menos produtos brasileiros como petróleo, minério de ferro e grãos.

A balança comercial brasileira já registrou uma queda no superávit em julho, que encolheu para US$ 5,4 bilhões, contra US$ 8,8 bilhões em junho. No acumulado em 7 meses, o recuo é de 10,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Uma recessão global tem potencial também de interromper o processo de recuperação do mercado de trabalho brasileiro, com reflexos negativos na taxa de desemprego. Apesar do recuo nos últimos meses, cerca de 10 milhão de brasileiros estão em busca de trabalho.

Curiosamente, uma recessão global traria um efeito positivo para o cenário macroeconômico brasileiro. Como boa parte das pressões inflacionárias é global, um desaquecimento da economia mundial tende a acomodar os preços das commodities, podendo ajudar a frear a inflação, que segue em dois dígitos no Brasil.

"O nosso principal problema hoje é inflação. A gente sabe que boa parte da inflação é global, o mundo inteiro está com inflação alta. Quanto mais bancos centrais atuarem, mais a inflação desacelerar, melhor vai ser para o nosso processo de reequilíbrio", afirma o economista-chefe da XP.


O Brasil corre o risco de entrar em recessão em 2023?

Os analistas alertam, porém, para o aumento das incertezas domésticas – e não descartam o risco de uma nova recessão ou de mais um ano de PIB pífio.

"Vamos estar trocando uma inflação alta por uma inflação menor com um crescimento também menor", resume Alex Agostini.

Sergio Vale acrescenta que o crescimento do PIB brasileiro neste ano tem sido "anabolizado" pelo pacote de medidas aprovadas que permitiram ao governo a criação de uma série de benefícios às vésperas das eleições. Apelidada de PEC Kamikaze, a proposta prevê um gasto adicional de R$ 41,2 bilhões neste ano.

"Estamos uma economia muito frágil há muito tempo. Desde 2015, 2016, o Brasil não conseguiu imprimir o ritmo forte de crescimento. A gente não tem conseguido avançar nas reformas e, ao mesmo tempo, o governo resolveu entregar todas as cartas e fazer todo um movimento pró-eleição, jogando um crescimento artificial esse ano, mas que lá na frente vamos ter que pagar o preço disso", avalia o economista da MB.

A XP trabalha com o cenário base de alta de 0,5% do PIB em 2023, mas não descarta o risco de uma eventual retração no ano que vem.

"A gente vai precisar passar por uma acomodação de crescimento para trazer a inflação para baixo. Pode acontecer uma queda mais bruta, mas eu acho que é menos pelo risco global e mais pelo risco doméstico mesmo", diz Megale, citando as preocupações com a expansão dos gastos do governo e trajetória da dívida pública.

Do ponto de vista econômico, a PEC Eleitoral só adiciona instabilidade ao cenário, destaca especialista
Do ponto de vista econômico, a PEC Eleitoral só adiciona instabilidade ao cenário, destaca especialista

E quais os impactos para o câmbio?

Diante dos aumentos da taxa de juros nos EUA, o dólar vem se valorizando frente a outras moedas. Em julho, por exemplo, o euro caiu abaixo da paridade em relação ao dólar pela primeira vez em 20 anos com o aumento dos riscos de recessão na Europa.

Frente ao real, no entanto, o dólar ainda acumula desvalorização de cerca de 7% no ano.

A perspectiva de novas altas de juros na maior economia do mundo torna os títulos do Tesouro norte-americano mais atraentes, porque pagam taxa maior, o que faz aumentar a demanda por dólares e, consequentemente, a eleva a cotação da divisa frente a outras moedas.

No Brasil, entretanto, o chamado diferencial de juros tem mantido a atratividade da renda fixa, o que continua estimulando o ingresso de recursos de investidores estrangeiros e a valorização do real frente ao dólar. Com a elevação da Selic para 13,75% ao ano, o Brasil se isolou ainda mais da liderança do ranking mundial de juros reais, com uma taxa de 8,52% de retorno, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.

A projeção do mercado para a taxa de câmbio permanece em R$ 5,20 para o fim de 2022 e para o fim de 2023. Na visão dos analistas, a cotação do dólar continuará sendo guiada pela intensidade do aperto de juros nos EUA e pelas incertezas em relação às eleições presidenciais e controle da dívida pública.

"Trajetória de dívida crescente pressiona juros e vai gerando incerteza. A gente está meio que patinando no gelo fino do lado fiscal. É preciso tomar cuidado para que nessa transição haja, pelo menos no início do próximo governo, um ajuste e uma sinalização clara de qual é a próxima âncora fiscal", afirma Megale.

Reino Unido faz aumento recorde na taxa de juros para tentar deter a inflaçãoReino Unido faz aumento recorde na taxa de juros para tentar deter a inflação
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