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sábado, 29 de janeiro de 2022

Mundo ultrapassa 10 bilhões de vacinas contra Covid aplicadas

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Imunização tem sido impulsionada por China e Índia, os 2 países mais populosos do planeta. Mas desigualdade é gritante: 17 dos 20 países que menos aplicaram doses são da África.
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Por Lucas Sampaio, g1

Postado em 29 de janeiro de 2022 às 09h00m

Post.- N.\ 10.189

Profissional de saúde com máscara do Capitão América vacina menina contra a Covid-19 com a CoronaVac em Jacarta, na Indonésia, em 16 de janeiro de 2022 — Foto: Willy Kurniawan/Reuters
Profissional de saúde com máscara do Capitão América vacina menina contra a Covid-19 com a CoronaVac em Jacarta, na Indonésia, em 16 de janeiro de 2022 — Foto: Willy Kurniawan/Reuters

Puxado pela China e pela Índia, o mundo ultrapassou as 10 bilhões de doses de vacinas contra a Covid-19 aplicadas, apontam dados do "Our World in Data", projeto ligado à Universidade de Oxford.

Os dois países mais populosos do planeta, que concentram cerca de 36% da população mundial, foram responsáveis pela aplicação de 46% de todos os imunizantes administrados até agora.

E os dados mostram como a vacinação é desigual no mundo, sobretudo na África (veja mais abaixo).

Os 10 países com mais doses aplicadas são:

  1. China: 2,99 bilhões de vacinas administradas
  2. Índia: 1,64 bilhão
  3. Estados Unidos: 536 milhões
  4. Brasil: 358 milhões
  5. Indonésia: 309 milhões
  6. Japão: 204 milhões
  7. Vietnã: 179 milhões
  8. Paquistão: 174 milhões
  9. Alemanha: 163 milhões
  10. México: 162 milhões

O mundo tem quase 7,8 bilhões de habitantes, e há mais vacinas contra a Covid-19 aplicadas do que habitantes pois quase todos os imunizantes já disponíveis são aplicados em mais de uma dose (veja mais abaixo).

Além disso, diversos países estão aplicando doses de reforço na população para ampliar a resposta imune das pessoas – que tende a cair ao longo dos meses – e enfrentar novas ondas causadas por novas variantes, como a ômicron.

Vacinação proporcional

Mulher recebe dose da Abdala, uma das vacinas cubanas contra a Covid-19, em um centro de vacinação em Havana, em 23 de junho de 2021 — Foto: Alexandre Meneghini/Reuters
Mulher recebe dose da Abdala, uma das vacinas cubanas contra a Covid-19, em um centro de vacinação em Havana, em 23 de junho de 2021 — Foto: Alexandre Meneghini/Reuters

Os países mais populosos lideram a administração de vacinas contra a Covid-19 em termo absolutos, mas nações com menos habitantes se destacam na vacinação proporcional.

Os 10 países mais populosos do mundo são:

  1. China: 1,44 bilhão de habitantes
  2. Índia: 1,39 bilhão
  3. Estados Unidos: 332 milhões
  4. Indonésia: 276 milhões
  5. Paquistão: 225 milhões
  6. Brasil: 213 milhões
  7. Nigéria: 211 milhões
  8. Bangladesh: 166 milhões
  9. Rússia: 145 milhões
  10. México: 130 milhões

Mas China e Índia, os países mais populosos do mundo (e que mais aplicaram doses), não são os que têm o maior percentual da população imunizada.

Até o momento, os chineses já aplicaram 207 doses a cada 100 habitantes e os indianos, "apenas" 117.

Proporcionalmente à população, os países com mais doses aplicadas são:

  1. Cuba: 299 vacinas aplicadas a cada 100 habitantes
  2. Chile: 241
  3. Emirados Árabes Unidos: 234
  4. Malta: 233
  5. Singapura: 232
  6. Dinamarca: 224
  7. Coreia do Sul: 221
  8. Brunei: 218
  9. Uruguai: 211
  10. Portugal: 208

Cuba lidera a lista pois uma das vacinas contra a Covid-19 desenvolvidas no país, a Soberana 02, é administrada em três doses. Além disso, o governo já está imunizando crianças a partir de 2 anos.

Menino recebe dose da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em Roma, na Itália, em 15 de dezembro, dia que marcou o início da vacinação de crianças contra a doença na Europa. — Foto: Andrew Medichini/AP
Menino recebe dose da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em Roma, na Itália, em 15 de dezembro, dia que marcou o início da vacinação de crianças contra a doença na Europa. — Foto: Andrew Medichini/AP

Vacinação desigual

A vacinação contra a Covid-19 no mundo é, sobretudo, desigual.

Enquanto os países menos desenvolvidos aplicaram apenas 92 milhões de imunizantes (0,14 doses por habitante), os mais desenvolvidos já aplicaram 2,2 bilhões (1,81 doses por habitante), quase 1.200% a mais. Veja na tabela abaixo:

Vacinação desigual

Doses aplicadas População Doses por habitante
Mundo 10 bilhões 7,87 bilhões 1,27
Países de renda média alta 4,5 bilhões 2,51 bilhões 1,79
Países de renda média baixa 3,22 bilhões 3,33 bilhões 0,97
Países de renda alta 2,2 bilhões 1,21 bilhões 1,81
Países de renda baixa 92 milhões 665 milhões 0,14

A vacinação também é bastante desigual quando comparados as regiões. Enquanto as nações africanas aplicaram apenas 0,25 doses por habitante, nas europeias essa proporção chega a 1,59 – 536% a mais. Veja no na tabela abaixo:

Imunização contra Covid por região

Doses aplicadas População Doses por habitante
Mundo 10 bilhões 7,87 bilhões 1,27
Ásia 6,81 bilhões 4,68 bilhões 1,45
Europa 1,19 bilhões 749 milhões 1,59
América do Norte 887 milhões 596 milhões 1,49
América do Sul 704 milhões 434 milhões 1,62
África 348 milhões 1,37 bilhão 0,25
Oceania 62 milhões 43 milhões 1,43

O país que menos aplicou vacinas contra a Covid-19 do mundo é Burundi, nação que faz fronteira com República Democrática do Congo, Ruanda e Tanzânia na África Oriental e tem mais de 12 milhões de habitantes, mas apenas 8,4 mil imunizantes administrados.

São 0,0007 doses aplicadas por habitante em Burundi – a pior vacinação proporcional do planeta. Na sequência vem a vizinha República Democrática do Congo (0,0043).

Segundo o "Our World in Data", 17 dos 20 países que aplicaram menos doses proporcionalmente à sua população são África:

  1. Burundi: 0,0007 vacinas administradas por habitante
  2. República Democrática do Congo: 0,0043
  3. Haiti*: 0,0178
  4. Chade: 0,0222
  5. Iêmen*: 0,0234
  6. Sudão do Sul: 0,0280
  7. Madagascar: 0,0342
  8. Camarões: 0,0376
  9. Tanzânia: 0,0395
  10. Papua Nova Guiné*: 0,05,72
  11. Burkina Faso: 0,0586
  12. Níger: 0,0708
  13. Mali: 0,0792
  14. Sudão: 0,0828
  15. Nigéria: 0,0916
  16. Etiópia: 0,0931
  17. Malaui: 0,0968
  18. Somália: 0,0984
  19. Senegal: 0,1119
  20. Serra Leoa: 0,1135

* Haiti, Iêmen e Papua Nova Guiné são os únicos 3 países da lista que não ficam no continente africano.

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Desemprego cai para 11,6% em novembro, mas rendimento real é o menor da série do IBGE

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É a menor taxa de desemprego desde o trimestre encerrado em janeiro de 2020, quando ficou em 11,4%.
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Por Laura Naime, g1

Postado em 28 de janeiro de 2022 às 11h00m

Post.- N.\ 10.188

A taxa de desemprego no Brasil recuou para11,6% no trimestre encerrado em novembro, mas a falta de trabalho ainda atinge 12,4 milhões de brasileiros, informou nesta sexta-feira (28) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se da menor taxa de desemprego desde o trimestre encerrado em janeiro de 2020 (11,4%).

Apesar da queda do desemprego, o rendimento real habitual caiu 4,5% frente ao trimestre anterior, para R$ 2.444 – o menor rendimento da série histórica iniciada em 2012.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). No levantamento anterior, referente ao trimestre encerrado em outubro, a taxa de desemprego estava em 12,1%, atingindo 12,9 milhões de pessoas.

Principais destaques da pesquisa

  • Taxa de desemprego recuou para 11,6%
  • Número de desempregados caiu para 12,4 milhões
  • Rendimento médio real habitual caiu 4,5%, para R$ 2.444, menor taxa da série do IBGE
  • População ocupada cresceu para 94,9 milhões de pessoas
  • Percentual de desalentados recuou para 4,4%
  • Taxa de informalidade ficou estável em 4,6%
  • Comércio puxou recuperação do trabalho no trimestre
  • Proporcionalmente, emprego cresceu mais entre os sem carteira
Ocupação mostra recuperação

A população ocupada cresceu 3,5% frente aos três meses anteriores, para 94,9 milhões de pessoas. Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, a alta foi de 9,7%. Com o crescimento, o nível de ocupação chegou a 55,1%.

"Esse resultado acompanha a trajetória de recuperação da ocupação que podemos ver nos últimos trimestres da série histórica da pesquisa. Esse crescimento também já pode estar refletindo a sazonalidade dos meses do fim de ano, período em que as atividades relacionadas principalmente a comércio e serviços tendem a aumentar as contratações", explica em nota a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Na outra ponta, a população desocupada diminuiu 10,6% (menos 1,5 milhão de pessoas) frente ao trimestre terminado em agosto, para 12,4 milhões de pessoas. Frente ao mesmo trimestre de 2020, são 2,1 milhões de desocupados a menos.

Evolução do número de desempregados - novembro/21 — Foto: Economia g1
Evolução do número de desempregados - novembro/21 — Foto: Economia g1

Emprego cresce mais entre os sem carteira e informalidade fica estável

O recorte por posição na ocupação mostra a fragilidade da recuperação do emprego no país. O número de empregados sem carteira assinada no setor privado cresceu 7,4% na comparação com o trimestre anterior, para 12,2 milhões de pessoas. Já entre os com carteira, a alta foi proporcionalmente menor, de 4%, para 34,2 milhões – embora, em números absolutos, a expansão tenha sido maior.

Houve alta ainda de 2,3% entre os trabalhadores por conta própria, de 2,3% frente ao trimestre anterior,, para 25,8 milhões de pessoas, e entre os trabalhadores domésticos, de 6%, para 5,6 milhões.

Por posição na ocupação — Foto: Economia g1
Por posição na ocupação — Foto: Economia g1

Com a variação, a taxa de informalidade ficou estável em 40,6%.

"Do crescimento de 3,2 milhões de trabalhadores no número de pessoas ocupadas, 43% vieram do trabalho informal", explica Adriana Beringuy. "Então, embora a informalidade continue se destacando na expansão da ocupação, a participação do trabalho formal no setor privado vem aumentando e contribuindo também para a recuperação da ocupação no país”. 
Rendimento tem menor valor da série

A massa de rendimento real habitual (a soma dos rendimentos recebidos por todos os ocupados) ficou estável no trimestre encerrado em novembro, em R$ 227 bilhões.

Com o aumento no número de ocupados, o dado aponta que os trabalhadores estão recebendo menos do que um trimestre antes. De fato, o rendimento real habitual caiu 4,5% frente ao trimestre anterior para R$ 2.444 – o menor da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Frente ao mesmo trimestre de 2020, a queda é de 11,4%.

Isso significa que, apesar de haver um aumento expressivo na ocupação, as pessoas que estão sendo inseridas no mercado de trabalho ganham menos. Além disso, há o efeito inflacionário, que influencia na queda do rendimento real recebido pelos trabalhadores, explica Adriana.


Comércio puxou melhora do mercado de trabalho

Segundo o IBGE a maior parte da expansão da ocupação na comparação com o trimestre anterior veio do comércio, com aumento de 4,1%, ou 719 mil pessoas a mais trabalhando no setor.

Já a indústria teve crescimento de 3,7%, um acréscimo de 439 mil pessoas a esse grupamento de atividade. O segmento de alojamento e alimentação, um dos mais prejudicados desde o início da pandemia de Covid-19, teve seu contingente de trabalhadores aumentado em 9,3%. São 438 mil empregados a mais.

Segmento de atividade - novembro/21 — Foto: Economia g1
Segmento de atividade - novembro/21 — Foto: Economia g1

Faltam oportunidades para 29,1 milhões

O levantamento do IBGE mostrou ainda que faltavam oportunidades no mercado para cerca de 29,1 milhões de trabalhadores. Este contingente forma o que o instituto classifica como trabalhadores subutilizados. Há 1 ano, porém, a mão de obra "desperdiçada" somava 32,7milhões.

A taxa composta de subutilização caiu para 25%, ante 27,2% no trimestre anterior e 29,1% no mesmo trimestre do ano passado.

Entre os destaques positivos, houve queda de 2% na população fora da força de trabalho na comparação com o último trimestre e redução de 6,7% no comparativo interanual. O total de pessoas que não estavam nem ocupadas nem desocupadas somaram 64,8 milhões de pessoas.

Houve queda também na população desalentada – aquela que por algum motivo desistiu de procurar trabalho. Esse grupo foi estimado pelo IBGE em 4,9 milhões de pessoas, uma queda de 6,8% frente ao trimestre anterior, e de 14,4% ante igual período de 2020.

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quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Begonia maculata 'Wightii': a misteriosa origem da planta queridinha do Instagram

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Ela é confundida com a maculata nativa do RJ, mas a planta ornamental foi criada em viveiros e sua produção atual vem da Holanda. Visual exuberante a tornou febre nas redes.
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Por Rafael Miotto, g1

Postado em 27 de janeiro de 2021 às 08h15m

Post.- N.\ 10.187

Begonia maculata 'Wighti', a planta queridinha do Instagram e de origem misteriosa — Foto: Rafael Miotto/g1
Begonia maculata 'Wighti', a planta queridinha do Instagram e de origem misteriosa — Foto: Rafael Miotto/g1

As folhas são de um verde escuro e profundo. Em contraste, bolinhas brancas se espalham como máculas (manchas) por sua superfície e parecem feitas à mão.

Não bastasse também seu formato recortado e assimétrico, que lembra o de asas de anjo, um vermelho pulsante surge na parte de trás da folha.

Essa combinação acabou tornando a Begonia maculata cv. Wightii(nome científico) uma das plantas mais queridinhas do Instagram. Dona de uma beleza enigmática, outro mistério que ronda as suas folhagens é o de sua própria origem.

Essa planta não é da natureza, não é a planta que dizem ser nativa do Brasil, da região Sudeste, e que está em vias de extinção. Na realidade, essa planta é um cultivar, explica Samuel Gonçalves, doutor em botânica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Os cultivares como a "Wightii" são vegetais que passaram por transformação durante o cultivo feito por humanos. Novas características surgiram nesta begônia criada em viveiro, e a variedade passou a ser replicada intencionalmente por seu valor comercial.

Begonia maculata 'Wightii' tem suas famosas pintas brancas — Foto: Rafael Miotto/g1
Begonia maculata 'Wightii' tem suas famosas pintas brancas — Foto: Rafael Miotto/g1

Samuel Gonçalves explica que os cultivares podem surgir de maneira natural ou de forma induzida por humanos. "São selecionadas as melhores plantas para que características sejam mantidas. Isso é o melhoramento genético", explica.

A Begonia maculata de fato, ocorre apenas no Rio de janeiro; é uma planta com populações pequenas, explica Eliane de Lima Jacques, doutora em botânica pela Universidade de São Paulo (USP).

Em contraste com o verde da frente, as folhas da Begonia maculata 'wightii' tem uma coloração rubra na parte de traz — Foto: Rafael Miotto/g1
Em contraste com o verde da frente, as folhas da Begonia maculata 'wightii' tem uma coloração rubra na parte de traz — Foto: Rafael Miotto/g1

Mas qual o mistério?

O primeiro registro histórico sobre a Wightii é de 1933, quando o botânico Karl Albert Fotsch a descreveu no livro Die Begonien” ("As Begônias", em tradução livre para português).

A planta nativa do Brasil tem registro anterior, de 1819, descrita pelo italiano Giuseppe Raddi.

"A Begonia maculata 'Wightii' tem que ter vindo da Begonia maculata 'Tipo', a original do sudeste brasileiro. Só não dá pra se afirmar como esse cultivar foi produzido ou como ele surgiu", afirma o botânico Samuel Gonçalves.

Begonia maculata nativa do Rio de Janeiro não tem pintas tão grandes e nem folhas tão recortadas — Foto: J.Wesenberg / Eliane Jacques
Begonia maculata nativa do Rio de Janeiro não tem pintas tão grandes e nem folhas tão recortadas — Foto: J.Wesenberg / Eliane Jacques

No entanto, essa origem não é um consenso entre os estudiosos. Como falta material histórico sobre a criação da "Wightii", a ligação com a Begonia maculata (nome científico) endêmica do Rio de Janeiro acabou se perdendo, afirma Eliane, que é especialista em taxinomia (ciência que classifica organismos vivos) de Begoniaceae, a família de plantas da qual as begônias fazem parte.

"Nós não temos os materiais que atestam esse nome, ficamos acreditando nesta similaridade [entre a Maculata nativa e a 'Wightii'] porque o autor [Fotsch] descreve, mas nenhum material foi encontrado em um herbário com esse nome de 'Wigthii'", aponta Eliane.

A hipótese defendida pela botânica é que a "Wightii" surgiu por meio de variedade de begônia levada para a Europa por naturalistas no século 19. "São plantas que chegavam ao Jardim Botânico de São Petersburgo [Rússia] e eram disseminadas", diz Eliane.

Esse processo pode ter sido o responsável pelo surgimento da "Wightii". "Dentro da própria estufa, muitas deles podiam se hibridizar", diz a botânica.

Existem mais de 2.060 espécies de begônia espalhadas pelo mundo. Elas vivem, sobretudo, em zonas tropicais da América, África e Ásia.

Begonia maculata 'Wigthii' é altamente instagramável — Foto: Rafael Miotto/g1
Begonia maculata 'Wigthii' é altamente instagramável — Foto: Rafael Miotto/g1

Mudas da 'Wightii' vêm da Holanda

A grande onda da Wightii começou em 2020 no Brasil. Com o crescimento da procura por plantas ornamentais para dentro de casa durante a pandemia, a planta cheia de pintinhas virou febre.

No início, a Flora Fujimaki vendia cerca de 100 unidades da planta por semana para lojas – eles não comercializam diretamente ao consumidor. Mas a procura era tanta que a "Wightii" chegou a atingir valores de R$ 400 em alguns revendedores.

Criação da Begonia maculata 'Wightii' no Brasil a partir de mudas vindas da Holanda — Foto: Flora Fujimaki
Criação da Begonia maculata 'Wightii' no Brasil a partir de mudas vindas da Holanda — Foto: Flora Fujimaki

Hoje nós conseguimos uma produção que consegue atingir bem o mercado, e o preço baixou, afirma Rita Takahashi, analista comercial da Flora Fujimaki, uma das pioneiras da venda da "Wightii" no Brasil.

O encarecimento não foi positivo, porque parecia um produto inacessível. Hoje é possível achar por a partir de R$ 49,90 em alguns pontos, diz. A Flora Fujimaki vende até 4 mil dessas begônias em uma semana.

As mudas vêm da Holanda ao Brasil via um importador. Elas chegam bem pequinininhas e podem levar de 15 a 20 semanas para chegar ao porte de venda, dependendo do tamanho do pote [vaso]", conta Rita.

O g1 entrou em contato com a Terra Viva, responsável pela importação da "Wightii", para obter mais informações sobre a origem da planta na Holanda, mas a empresa não respondeu as perguntas enviadas até a última atualização dessa reportagem.

Como cuidar da Begonia maculata “Wightii”

A planta é considerada fácil de cuidar. Veja algumas dicas do botânico Samuel Gonçalves a seguir:

Rega: são plantas que gostam de umidade, mas o substrato não pode ser muito encharcado, permitindo que a superfície seque entre as regas.

Substrato: deve ser fértil, fibroso e rico em matéria orgânica. É preciso de adubação frequente para que a planta se desenvolva. O indicado é o NPK líquido 10 10 10 uma vez ao mês.

Luz: precisa de muita claridade, de luz indireta, para seu desenvolvimento. Pode também ser adaptada ao sol pleno, para isso, deve-se ir aumentando gradativamente a sua exposição ao sol.

Poda: fazer apenas a limpeza, retirando folhas velhas e as flores (sim, ela esporadicamente também dá flores) que secarem.

Begonia maculata 'Wightii' é de fácil cuidado — Foto: Rafael Miotto/g1
Begonia maculata 'Wightii' é de fácil cuidado — Foto: Rafael Miotto/g1

Dá para fazer muda?

Sim, e não é difícil. "Bastar cortar a pontinha de um caule que tenha duas ou três folhas e colocar o caule na água, após o enraizamento, basta plantá-la em substrato adequado [fibroso e rico em matéria orgânica], diz o botânico Samuel Gonçalves.

Também é possível tentar fazer uma muda a partir das folhas. Mas o enraizamento é um pouco mais demorado, explica.

A vela folhagem da Begonia maculata 'wightii' — Foto: Rafael Miotto/g1
A vela folhagem da Begonia maculata 'wightii' — Foto: Rafael Miotto/g1

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