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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Telescópio James Webb, da Nasa, chega ao destino final, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra

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Telescópio espacial James Webb foi lançado ao espaço em 25 de dezembro de 2021 pela agência espacial americana. Ele vai complementar o Hubble, telescópio mais famoso da agência, que está há 31 anos em órbita.
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Por g1

Postado em 24 de de janeiro de 2022 às 17h35m

Post.- N.\ 10.184

A Nasa, agência espacial americana, anunciou nesta segunda-feira (24) que o telescópio James Webb, lançado ao espaço no dia 25 de dezembro, chegou ao destino final, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

O James Webb é o novo telescópio espacial da Nasa (JWST, na sigla em inglês: James Webb Space Telescope). Ele é, basicamente, um grande observatório espacial que consegue enxergar objetos – como estrelas, galáxias e exoplanetas – super distantes no espaço.

Sua massa é de 6,5 toneladas. Ele custou US$ 10 bilhões (cerca de R$ 56,4 bilhões).

Ele vai permitir aos astrônomos, literalmente, enxergar coisas no Universo que eles não conseguiam ver antes – como as primeiras galáxias que surgiram nele.

Isso é possível por dois motivos: o primeiro é que o James Webb é muito grande: seu espelho primário tem 6,5m de diâmetro (quase 3 vezes maior que o do telescópio Hubble, seu antecessor).

Nasa lança com sucesso telescópio James WebbNasa lança com sucesso telescópio James Webb

O segundo é que ele consegue enxergar em infravermelho. O Hubble só enxergava uma faixa limitada desse comprimento de onda.

Como a luz infravermelha tem um comprimento de onda mais longo que os outros, o James Webb vai conseguir olhar mais para trás no tempo – e enxergar as primeiras galáxias que se formaram no início do Universo.

É como olhar para o passado.

Telescópio James Webb, da Nasa. — Foto: Reprodução/Twitter Nasa Webb Telescope
Telescópio James Webb, da Nasa. — Foto: Reprodução/Twitter Nasa Webb Telescope

"Quanto mais longe [está a galáxia], mais no passado. É um efeito meio maluco de relatividade, mas você pode pensar assim: quando a gente está vendo uma coisa muito distante, está vendo uma coisa que aconteceu há muito tempo atrás – há bilhões de anos – e simplesmente levou muito tempo para a luz chegaàr até aqui", explica o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nas palavras da própria Nasa, o telescópio vai "alterar de forma fundamental o nosso entendimento sobre o universo".

Entenda a importância do telescópio James Webb, lançado em 25 de dezembro de 2021 pela NasaEntenda a importância do telescópio James Webb, lançado em 25 de dezembro de 2021 pela Nasa

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domingo, 23 de janeiro de 2022

A desconhecida riqueza de fósseis de dinossauro na Índia

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A Índia tem alguns dos fósseis mais espetaculares do planeta, desde vastos leitos de ovos de dinossauros até estranhas criaturas pré-históricas novas para a ciência.
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TOPO
Por Kamala Thiagarajan, BBC

Postado em 23 de janeiro de 2022 às 11h00m

Post.- N.\ 10.183

Esta pode ter sido a aparência do rajassauro, uma das espécies de dinossauro descobertas na Índia. — Foto: Alamy
Esta pode ter sido a aparência do rajassauro, uma das espécies de dinossauro descobertas na Índia. — Foto: Alamy

A Índia abriga alguns dos fósseis mais espetaculares do mundo, que vão desde vastos leitos de ovos de dinossauro até estranhas criaturas pré-históricas desconhecidas da ciência. Mas muitos deles ainda aguardam no solo para que sejam estudados.

Em 2000, visitando o Museu Central de Nagpur, no oeste da Índia, o paleontólogo Jeffrey A. Wilson debruçou-se sobre um dos fósseis mais fascinantes que ele já tinha visto. Um dos seus colegas o havia escavado em 1984, na localidade de Dholi Dungri, em Gujarat, na costa oeste da Índia. "Foi a primeira vez em que os ossos de um bebê dinossauro e seus ovos foram encontrados juntos no mesmo fóssil", afirma Wilson, que é professor do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Mas, para sua surpresa, havia algo mais. Segundo ele, "nesse fóssil, os ossos que eu estava examinando tinham duas pequenas vértebras com uma conexão especial - algo que só as cobras têm".

Para evitar qualquer possibilidade de erro de interpretação, Wilson procurou o mesmo padrão ao longo da coluna vertebral - e o encontrou, confirmando sua impressão inicial. "Foi como se uma lâmpada se acendesse na minha cabeça. Poderia haver também uma cobra pré-histórica nesse fóssil?"

Mas não havia nenhum lugar na Índia que pudesse fazer a limpeza profunda do fóssil que era necessária para o estudo. Wilson levou quatro anos para conseguir a aprovação da agência de Pesquisas Geológicas da Índia (GSI, na sigla em inglês) - o organismo governamental que fiscaliza as pesquisas geológicas em todo o país - para transportar o fóssil para os Estados Unidos.

Wilson conta que, chegado o momento, ele embalou tudo em uma caixa e colocou em uma mochila que carregou consigo para os Estados Unidos. Ao chegar lá, a limpeza levou um ano inteiro para remover a matriz rochosa em volta dos seus ossos moles e delicados.

Nos anos que se seguiram, cientistas, paleontólogos e especialistas em cobras dedicaram-se ao estudo do fóssil. Até que, em 2013, em conjunto com o paleontólogo indiano Dhananjay Mohabey e outros colegas da GSI, Wilson redigiu um estudo que descreve o momento incrivelmente cheio de ação capturado pelo fóssil.

Os autores não apenas confirmaram a presença de uma cobra pré-histórica, mas também descobriram que sua mandíbula estava totalmente aberta para comer o bebê dinossauro que havia acabado de nascer. Esse nascimento ocorreu ao lado de uma ninhada de ovos de dinossauro que ainda estavam inteiros.

O geólogo que estudou o projeto deduziu que os animais provavelmente haviam sido enterrados por um deslizamento de terra - um evento que teria começado rapidamente, sem aviso, capturando para sempre aquele momento vivido entre a presa e o predador.

Centenas de ninhos de dinossauro fossilizados já foram encontrados na Índia — Foto: Alamy
Centenas de ninhos de dinossauro fossilizados já foram encontrados na Índia — Foto: Alamy

E é assim que foi apresentada ao mundo da ciência a espécie Sanajeh indicus - nome derivado de "maravilha antiga da Índia", em sânscrito. Os cientistas observaram que as cobras pré-históricas não conseguiam abrir suas mandíbulas completamente para abocanhar presas grandes - uma capacidade adquirida por algumas cobras modernas ao longo do processo de evolução.

Em 2013, um fóssil similar foi descoberto naquele local e a mesma equipe agora prepara outro estudo que descreve como a anatomia do Sanajeh indicus relembra muito os lagartos modernos.

Os fósseis podem revelar segredos de um passado distante que não conheceríamos de outra forma. Mas, apesar das descobertas revolucionárias da ciência nos últimos anos, simplesmente não existe dinheiro suficiente, nem estudos sistemáticos do imenso patrimônio fóssil da Índia, segundo os paleontólogos.

"Acho que grande parte da herança de fósseis da Índia encontra-se inexplorada e foi esquecida", afirma Advait M. Jukar, paleontólogo de vertebrados da Universidade Yale e pesquisador do Departamento de Paleobiologia do Instituto Smithsonian em Washington, ambos nos Estados Unidos.

"A Índia produziu as primeiras baleias, alguns dos maiores rinocerontes e elefantes que já existiram, vastos leitos de ovos de dinossauro e estranhos répteis com chifres anteriores à era dos dinossauros. Mas existem muitas lacunas que ainda precisam ser preenchidas", segundo ele. E isso ocorre porque grandes partes da Índia não foram sistematicamente exploradas por paleontólogos profissionais.

Quebra-cabeças da evolução

Apesar disso, no decorrer dos anos, importantes descobertas paleontológicas na Índia ajudaram os cientistas a reunir informações fundamentais para desmistificar velhas teorias e lançar nova luz sobre a evolução da vida ao longo do tempo.

O paleontólogo pioneiro Ashok Sahni, cujo avô, pai e tio trabalharam no campo, está no centro de muitas dessas descobertas. Sahni muitas vezes financia suas expedições com recursos próprios - e sua própria coleção de fósseis preencheu as prateleiras do Museu de História Natural da Universidade de Punjab, na Índia.

Sahni se lembra de pesquisar cada centímetro de terra de um sítio de dinossauros no calor intenso da cidade de Jabalpur, no centro da Índia, em busca de fósseis, em 1982. Quando ele se abaixou para amarrar seus cadarços, encontrou na sua frente quatro ou cinco estruturas esféricas, com 16-20 cm de comprimento. "Eram estruturas muito desgastadas, redondas, quase todas do mesmo tamanho. Fiquei perplexo. Seriam ovos de dinossauro?"

O Titanosaurus indicus foi descoberto depois que foram encontradas vértebras gigantes na cidade indiana de Jabalpur, no Estado de Madhya Pradesh (centro da Índia), em 1828 — Foto: Alamy
O Titanosaurus indicus foi descoberto depois que foram encontradas vértebras gigantes na cidade indiana de Jabalpur, no Estado de Madhya Pradesh (centro da Índia), em 1828 — Foto: Alamy

E eram realmente ovos de Titanosaurus indicus, um grande dinossauro herbívoro do período cretáceo. Foi a primeira vez em que uma ninhada de ovos de dinossauro havia sido descoberta na Índia. Hoje, 40 anos depois, locais de ninhos de dinossauro já foram encontrados em todo o país.

Em agosto de 2003, Sahni ficou mundialmente famoso depois de 20 anos de escavações, identificações e reconstituições dos ossos da mais nova espécie descoberta de dinossauro carnívoro da Índia, o Rajasaurus narmadensis, que se acredita tivesse pouco mais de nove metros de comprimento.

Mas são as descobertas menos conhecidas e glamurosas de Sahni que realmente enriqueceram a ciência. Em 2010, ele participou de uma equipe de cientistas indianos, alemães e norte-americanos que descobriu insetos perfeitamente preservados em âmbar. Estima-se que os insetos tenham vivido há mais de 54 milhões de anos.

A descoberta veio de uma mina de linhito a 30 km a nordeste de Surat, no Estado de Gujarat (oeste da Índia). Indica-se atualmente que a região pode abrigar algumas das mais antigas florestas decíduas (formadas por árvores que perdem suas folhas no inverno) do mundo. "As conclusões publicadas questionaram a noção de que a Índia foi sempre um continente isolado", afirma Sahni.

Outro evento importante na evolução ocorreu quando mamíferos similares aos cervos que habitavam a terra evoluíram, tornando-se as baleias. Pesquisas revelaram que todas as baleias do mundo originaram-se nos leitos oceânicos da Índia e do Paquistão. "Conhecemos a aparência dessas primeiras baleias devido a descobertas feitas em Kutch [no Estado de Gujarat] e no norte da Índia e do Paquistão, mas não sabemos muito sobre a aparência dos seus precursores", explica Advait Jukar.

Estudar esses pedaços do passado também nos ajuda a entender como considerar o futuro e a medir o nível dos danos que estamos causando ao meio ambiente, segundo ele. "A maioria dos paleontólogos concorda, por exemplo, que a nossa espécie desempenhou papel dominante na extinção dos grandes mamíferos como o mamute em todo o mundo [durante a última Idade do Gelo]. Isso nos dá uma ideia de como muitas funções ecológicas, como a dispersão das sementes ou o transporte dos nutrientes, podem ter sido perdidas com essas extinções", afirma Jukar.

Registros de fósseis mais novos podem também ajudar a compreender onde as espécies costumavam viver antes que os seres humanos transformassem a paisagem - e podemos empregar essas informações em planos de conservação futura ou gestão da terra, segundo ele. "Sabemos que as mudanças climáticas causam movimentação das espécies para seus ambientes preferidos. Podemos usar as informações sobre onde os animais e as plantas viviam no passado para prever melhor os locais para onde eles poderão migrar em cenários de mudanças climáticas futuras", afirma Jukar.

Pegadas coloniais

Historicamente, os cientistas ocidentais costumavam patrocinar escavações nas regiões mais pobres do mundo e depois enviavam os fósseis para seus países. — Foto: Alamy
Historicamente, os cientistas ocidentais costumavam patrocinar escavações nas regiões mais pobres do mundo e depois enviavam os fósseis para seus países. — Foto: Alamy

Certos locais, como a América do Norte, possuem fama estabelecida como locais com abundância de fósseis, muitas vezes por conta de ricas descobertas de dinossauros extensamente popularizadas por exibições em museus, obras literárias, filmes e, mais recentemente, na internet, segundo Amelia Bonea, historiadora da Índia contemporânea e pesquisadora do Centro Heidelberg de Estudos Transculturais da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.

"Já os locais de fósseis em outras partes do mundo nem sempre contaram o mesmo grau de visibilidade, apesar do seu significado científico", afirma Bonea. Ela acredita que, no caso da Índia, existem duas razões principais para esse tipo de desatenção.

De um lado, Bonea culpa o passado colonial. Era prática comum, por exemplo, enviar as descobertas pioneiras para a Europa ou a América do Norte, onde elas seriam estudadas para benefício da ciência ocidental, em detrimento dos habitantes locais. Um estudo recente concluiu que, mesmo nos últimos 30 anos, 97% dos fósseis descobertos em um banco de dados importante foram adicionados por autores originalmente de países de renda alta ou média-alta.

O segundo fator, segundo Bonea, é a falta de reconhecimento, pelos Estados pós-coloniais, do valor do seu patrimônio fóssil e da relevância pública das disciplinas que o estudam, além da falta de apoio ao seu desenvolvimento.

"Esse desenvolvimento é irônico, considerando que a Índia possui uma instituição de pesquisa - o Instituto de Paleociências Birbal Sahni, em Lucknow [no norte do país] - que é algo único", explica Bonea. "Quando ele foi inaugurado, em 1946, era uma das duas únicas instituições do mundo dedicadas especificamente ao estudo da paleobotânica. O outro instituto similar era o Laboratório de Palinologia da Universidade do Estado da Pensilvânia [nos Estados Unidos]."

Mesmo antes de ter sido cunhada a palavra "dinossauro", sabíamos que os primeiros fósseis haviam sido encontrados no Reino Unido em 1824. O megalossauro foi encontrado em Oxfordshire, na Inglaterra, e data do período jurássico médio (cerca de 174 a 164 milhões de anos atrás). Mas um fato menos conhecido é que a descoberta dos primeiros ossos de dinossauro na Índia veio logo em seguida.

Apenas quatro anos depois, em 1828, W. H. Sleeman encontrou os dois primeiros fósseis do que viria a ser chamado de Titanosaurus indicus ("lagarto indiano colossal") em Jabalpur, no centro da Índia. Eles passaram por muitas mãos, até que um homem britânico os enviou para a Inglaterra, junto com milhares de outros fósseis que foram embalados em baús e transportados de navio.

Acredita-se que o rajassauro tenha sido um predador de emboscada e tinha um único chifre na sua cabeça, que pode ter sido usado como atrativo para o acasalamento. — Foto: Alamy
Acredita-se que o rajassauro tenha sido um predador de emboscada e tinha um único chifre na sua cabeça, que pode ter sido usado como atrativo para o acasalamento. — Foto: Alamy

"No início dos anos 1900, geólogos britânicos estiveram na Índia coletando mais exaustivamente, de forma que hoje, se você quiser ver coleções completas de dinossauros indianos, precisa ir a Londres ou a Nova York", afirma Jeffrey Wilson.

Tudo isso causou impactos, especialmente sobre uma geração de crianças indianas que cresceu sabendo muito pouco sobre os seus próprios dinossauros nativos. Essa situação surpreendeu Wilson quando começou a trabalhar na Índia.

Ele encontrou modelos de Tyrannosaurus rex e Triceratops recebendo os visitantes no lado externo dos museus indianos. "Eu sempre me perguntava o que é que eles estavam fazendo ali. Você deveria ter um Rajasaurus, um Jainosaurus ou um Rahiolisaurus no lugar deles. As crianças indianas deveriam conhecer os dinossauros indianos", afirma ele.

Formar consciência é difícil quando essa informação não tem lugar nos currículos escolares, nem nos livros didáticos. Mas indivíduos de todas as profissões vêm preenchendo essa lacuna nos últimos anos - especialmente professores, produtores de podcasts e escritores de livros infantis.

The Adventures of Padma and a Blue Dinosaur ("As aventuras de Padma e o dinossauro azul", em tradução livre), da escritora Vaishali Shroff, foi publicado em 2018 para cativar as crianças. Usando ficção e fantasia para contar detalhes reais sobre os dinossauros indianos, o livro ganhou o prêmio de Melhor Livro Infantil Indiano na categoria Meio Ambiente em 2019.

Desde então, Shroff vem falando para centenas de crianças nas escolas de muitas cidades indianas, ensinando sobre as diversas espécies de dinossauros da Índia e as principais descobertas ao longo dos anos. "Minha intenção era fazer as crianças se apaixonarem pelo patrimônio fóssil dos dinossauros do nosso país e fazer com que elas soubessem que poderia muito bem haver fósseis de dinossauro no quintal das suas casas", conta ela.

Já Desi Stones and Bones ("Pedras e ossos da Índia", em tradução livre) é um podcast jornalístico independente sobre a rica herança dos dinossauros indianos, criado pela jornalista Anupama Chandrasekaran, de Chennai, na costa leste do país. Ao longo de uma série de oito episódios desde 2019, ela rastreou a jornada do patrimônio fóssil indiano, entrevistando habitantes locais e os paleontólogos que tentam protegê-lo.

"Embora grande parte da herança dos dinossauros indianos venha definhando por negligência ao longo dos anos, fiquei fascinada ao ver a paixão com que alguns habitantes locais a estão protegendo", afirma Chandrasekaran.

Ela relembra uma reunião, em 2018, com o professor de física do ensino médio Vishal Verma, na casa dele em Manavar, no centro da Índia, que a impressionou muito. A casa de Verma era repleta de caixas de fósseis até o teto.

Ele a ensinou a identificar os poros das cascas de ovos de dinossauro fossilizados que podem dizer se ele era herbívoro ou carnívoro. Ela ficou maravilhada ao saber como o conhecimento indiano dos dinossauros do país tinha motivação pessoal e, muitas vezes, não era documentado.

A Índia tem uma grande quantidade de locais de ocorrência de fósseis, como Balasinor, no Estado de Gujarat - muitas vezes chamado de "Jurassic Park" do país. — Foto: Alamy
A Índia tem uma grande quantidade de locais de ocorrência de fósseis, como Balasinor, no Estado de Gujarat - muitas vezes chamado de "Jurassic Park" do país. — Foto: Alamy

Desafios persistentes

Mesmo com o aumento da consciência nos últimos anos, roubos e vandalismo dos principais locais de ocorrência de fósseis de dinossauros do país tornaram-se mais uma dificuldade.

Este não é um problema exclusivo da Índia, segundo Jeffrey Wilson. "Nos Estados Unidos, se você encontrar um fóssil na sua propriedade, também pode fazer com ele o que quiser. Não existem leis protegendo fósseis de dinossauros - eles são tratados como minerais. E existem muitas dificuldades com essa abordagem", afirma ele.

Ao contrário dos minerais, o valor de um fóssil de dinossauro não é imediatamente evidente. Wilson destaca que, na Índia, muitos dados paleontológicos são perdidos devido à mineração e outras atividades humanas.

Para muitos paleontólogos indianos, a luta muitas vezes é bem mais básica - como a falta de espaço para abrigar os ossos. Sem infraestrutura de museus adequada, a maioria dos fósseis acaba nos corredores empoeirados dos edifícios das universidades, segundo Ashok Sahni. "A descoberta do rajassauro também aconteceu assim", ele conta. Os ossos ficaram guardados por 20 anos antes de serem identificados e reunidos.

Financiamentos inconstantes também podem prejudicar os projetos. "Se existirem dois projetos precisando de financiamento - um sobre águas subterrâneas e outro sobre paleontologia, é fácil adivinhar qual será mais importante em um país em desenvolvimento", explica Sahni.

Existe uma correlação muito forte entre o PIB de um país e as descobertas de fósseis. Isso ocorre, em grande parte, porque um campo como a paleontologia exige muito financiamento, patrocínio e museus de renome mundial com laboratórios de preparação de fósseis e instalações de armazenagem, que os países em desenvolvimento frequentemente não têm, segundo Advait Jukar.

Outra questão mais preocupante que dificulta o estudo dos fósseis indianos é a necessidade de maior cooperação regional entre os cientistas. A paleontologia indiana simplesmente não pode existir em isolamento, afirma Wilson, porque a Índia é indissociável do Paquistão, Mianmar e Bangladesh, em termos de patrimônio fóssil. Todos esses países formam uma unidade geológica, mas questões políticas podem dificultar viagens e a livre troca de informações entre os cientistas.

"Poder fazer isso é uma etapa muito importante para aumentar o aprendizado", conclui Wilson.

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sábado, 22 de janeiro de 2022

Contribuição ao INSS muda em fevereiro: saiba quanto você vai pagar

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Faixas de contribuição dos empregados com carteira assinada, domésticos e trabalhadores avulsos foram atualizadas para 2022; novos valores deverão ser recolhidos apenas em fevereiro.
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Por Marta Cavallini, G1

Postado em 22 de janeiro de 2022 às 114h00m

Post.- N.\ 10.182

Benefícios do INSS sobem 10,16%
Benefícios do INSS sobem 10,16%

O valor das contribuições dos trabalhadores ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai mudar a partir de fevereiro. Com o reajuste do teto dos benefícios, de R$ 6.433,57 para R$ 7.087,22, foram atualizadas também as faixas de contribuição dos empregados com carteira assinada, domésticos e trabalhadores avulsos.

Com o reajuste de 10,16% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), quem ganha menos vai contribuir menos para o INSS, e quem ganha mais, vai contribuir mais.

Esses novos valores deverão ser recolhidos apenas em fevereiro, pois são relativos aos salários de janeiro. Os recolhimentos relativos aos salários de dezembro de 2021 e efetuados em janeiro deste ano ainda seguem a tabela anterior.

Com a reforma da Previdência de 2019, as alíquotas de contribuição passaram a ser progressivas, ou seja, cobradas apenas sobre a parcela do salário que se enquadrar em cada faixa. Assim, se o trabalhador ganha mais de um salário mínimo, ele paga 7,5% de alíquota de contribuição sobre R$ 1.212 e outros percentuais no que exceder esse valor, de acordo com a tabela abaixo:

Novos valores de contribuição ao INSS — Foto: Juan Silva/G1
Novos valores de contribuição ao INSS — Foto: Juan Silva/G1

Por exemplo: um trabalhador que ganha R$ 1.500 pagará 7,5% sobre R$ 1.212 (R$ 90,90), mais 9% sobre os R$ 288 que excedem esse valor (R$ 25,90), totalizando R$ 116,82 de contribuição.

Já quem ganha R$ 4.500 terá a seguinte contribuição, seguindo as faixas de valores da tabela acima:

  • Paga 7,5% sobre R$ 1.212: R$ 90,90 de contribuição
  • Mais 9% sobre R$ 1.215,35, que é a diferença de R$ 2.427,35 de R$ 1.212: R$ 109,38
  • Mais 12% sobre R$ 1.213,68, que é a diferença de R$ 3.641,03 de R$ 2.427,35: R$ 145,64
  • Mais 14% sobre R$ 858,97, que é a diferença de R$ 4.500,00 de R$ 3.641,03: R$ 120,26
  • Total de contribuição: R$ 466,18
Simulações de contribuições

A pedido do g1, Emerson Lemes, diretor do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), calculou como fica a contribuição para pessoas com diversos salários. Quem ganha até 1 salário mínimo pagará R$ 1,68 a menos por mês em relação ao ano passado.

Já todos que recebem acima de R$ 7.087,22 pagarão a contribuição máxima de R$ 828,39 - R$ 76,40 a mais em relação ao ano passado (R$ 751,99). Isso ocorre porque a contribuição é limitada ao teto da Previdência Social.

Veja na tabela abaixo:

Valores de contribuição ao INSS — Foto: Economia g1
Valores de contribuição ao INSS — Foto: Economia g1

Benefícios do INSS têm reajuste de 10,16% e teto sobe para R$ 7.087Benefícios do INSS têm reajuste de 10,16% e teto sobe para R$ 7.087

Mudança com reajuste de salários

De acordo com os cálculos de Lemes, somente os salários a partir de R$ 6.541,55 terão aumento no valor da contribuição em relação a 2021.

Isso ocorre, segundo ele, porque, com a tabela progressiva, momentaneamente os trabalhadores que não tiveram reajuste de salário terão a redução de contribuição. A exceção fica por conta dos trabalhadores que, em janeiro de 2022, tiverem reajustes de salários.

A tabela foi reajustada, mas os salários das pessoas ainda não foi, então elas pagarão menos até que seus empregadores lhes deem reajuste, explica.

Se houver reajustes dos salários durante o ano, haverá mudança nas contribuições por conta do reenquadramento nas faixas de contribuição.Se o trabalhador recebe R$ 2 mil e, em abril, tiver seu salário reajustado para R$ 2.200, até março ele vai pagar R$ 161,82, e a partir de abril pagará R$ 179,82, exemplifica.

"Em resumo, quem ainda não teve reajuste de salário e recebe entre o mínimo e o teto terá redução de contribuição. No caso de salário de R$ 1,3 mil, por exemplo, vai pagar R$ 1,68 a menos do que pagava no ano passado até ter o reajuste. No caso de salário de R$ 6 mil, vai pagar R$ 15,11 a menos", explica.

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Por que a Nasa está explorando as profundezas dos oceanos

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Compreender o mundo submarino poderá ajudar a desvendar os mistérios do espaço sideral? Uma missão espacial da Nasa está nos levando às profundezas inexploradas do nosso próprio planeta.
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TOPO
Por BBC

Postado em 22 de janeiro de 2022 às 10h50m

Post.- N.\ 10.181

O veículo robótico subaquático Orpheus aventura-se em regiões não mapeadas nas profundezas do oceano — Foto: MARINE IMAGING TECHNOLOGIES, LLC/WOODS HOLE OCEANO, via BBC
O veículo robótico subaquático Orpheus aventura-se em regiões não mapeadas nas profundezas do oceano — Foto: MARINE IMAGING TECHNOLOGIES, LLC/WOODS HOLE OCEANO, via BBC

Nossos oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra, e mais de 80% deles permanecem inexplorados. Costuma-se afirmar que sabemos mais sobre a superfície de Marte e da Lua que sobre o leito oceânico do nosso próprio planeta.

A Nasa está em uma missão para mudar isso. A agência espacial norte-americana está explorando as profundezas oceânicas em busca de indicações de qual poderá ser a aparência dos oceanos em outros planetas, a fim de expandir os limites da ciência e da tecnologia em um dos ambientes mais extremos da Terra. É uma missão cheia de maravilhas, perigos e um risco de implosão que não pode ser menosprezado.

A esperança é que as descobertas subaquáticas da missão ajudem a desvendar alguns dos mistérios do espaço sideral, além de testar parte do equipamento e os experimentos necessários para missões em outros pontos do Sistema Solar.

As profundezas dos oceanos da Terra são surpreendentemente similares a algumas das condições que a Nasa espera encontrar em outros mundos do nosso Sistema Solar. Elas poderão até fornecer indicações sobre os lugares onde os cientistas deverão procurar vida alienígena.

As partes mais profundas dos oceanos da Terra são conhecidas como a zona hadal. Seu nome vem de Hades, o deus grego do submundo, e é um lugar hostil que faz jus à denominação. Ela consiste de fossas e canais profundos e se estende até 11 km abaixo da superfície dos oceanos do planeta. Ao todo, ela representa uma área de leito marítimo equivalente ao tamanho da Austrália — e poucos veículos conseguem sobreviver a um mergulho nesse abismo escuro.

É na zona hadal que os cientistas da Nasa, em parceria com o Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI, na sigla em inglês) de Massachusetts, nos Estados Unidos, estão tentando explorar e sondar os limites da vida na Terra.

Até a linguagem empregada pelos cientistas para suas missões naquela região utiliza termos adotados pela exploração espacial. Nos últimos anos, biólogos marinhos enviaram diversos "módulos de aterrissagem" equipados com sensores e câmeras para "aterrissagens acidentadas" sobre o leito da zona hadal, onde eles fazem medições.

Mas os engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, estão construindo um novo veículo subaquático autônomo chamado Orpheus — o nome em inglês do herói da Grécia antiga que viajou para o submundo e voltou — para mapear as profundezas mais inacessíveis.

Utilizando tecnologia de navegação visual similar à da sonda Perseverance da Nasa em Marte, Orpheus possui câmeras altamente sensíveis para identificar formações rochosas, conchas e outras características do leito oceânico e elaborar mapas tridimensionais pontilhados com marcas do terreno — ou melhor, marcas do leito oceânico. Isso permite que o robô encontre seu caminho e reconheça lugares onde já esteve, mas deverá também ajudar a lançar novas luzes sobre a biodiversidade daquele ambiente hostil.

"Orpheus é um veículo que serve de portal", afirma Tim Shank, biólogo das profundezas marinhas que está liderando o programa de exploração hadal do WHOI. "Se ele funcionar, não haverá lugar no oceano aonde não possamos ir."

Não é a primeira vez que Shank tenta atingir as profundezas escuras da zona hadal. Em 2014, o veículo predecessor de Orpheus — Nereus — foi enviado para a Fossa de Kermadec, a nordeste da Nova Zelândia. Mas o veículo subaquático implodiu a cerca de 10 mil metros de profundidade, muito provavelmente devido à imensa pressão.

"Depois de 12 horas, nós o vimos emergir em pequenos pedaços", relembra Shank, acrescentando que a perda de Nereus fez com que eles repensassem a forma de explorar as profundezas dos mares. Com o tamanho aproximado de um quadriciclo e pesando cerca de 250 kg, Orpheus foi projetado para ser muito mais leve, menor e mais barato que os veículos subaquáticos anteriores. E ele também deve ser mais ágil e capaz de entrar em fossas e respiradouros no leito oceânico que nunca haviam sido explorados antes.

Europa na Terra

Por muito tempo, os biólogos marinhos acreditaram que a vida na zona hadal era impossível — até que, quando os veículos submergíveis começaram a aventurar-se na região, na primeira metade do século 20, ficou evidente que a vida poderia suportar aquelas condições.

Mas ainda se acreditava na época que todos os organismos vivos fossem sustentados por uma cadeia alimentar abastecida, em última análise, pela fotossíntese. Plantas, algas e algumas bactérias marinhas nas águas da superfície convertem a energia do Sol em açúcares que são armazenados na sua matéria orgânica. Essa matéria é comida pelos herbívoros que, por sua vez, são comidos por animais carnívoros.

Os cientistas estavam convencidos de que os organismos do leito oceânico sobreviviam com matéria orgânica morta — carcaças de animais, fezes e a queda constante de outros detritos orgânicos, ou "neve marinha", flutuando de cima para baixo. Mas se acreditava que não haveria alimento suficiente para sustentar muitas criaturas marinhas e que as áreas mais profundas fossem ainda escuras e frias demais para a vida.

Essa percepção das profundezas oceânicas se alteraria em 1977, quando uma equipe de pesquisa norte-americana lançou um veículo de operação remota a 2.440 metros de profundidade no Oceano Pacífico. O veículo foi enviado para fotografar os respiradouros hidrotérmicos, onde o calor da atividade vulcânica emerge do leito oceânico.

Para sua surpresa, os cientistas descobriram ecossistemas vibrantes em volta dos respiradouros, repletos de organismos marinhos, como o peixe-caracol transparente e anfípodes — crustáceos que se parecem com pulgas — que nunca haviam sido vistos antes.

"Com essa descoberta, nós [encontramos] uma forma inteiramente nova de vida na Terra", afirma Shank. "Esses animais não precisam da luz solar direta... eles vivem das substâncias que saem do leito oceânico."

Os cientistas estavam perplexos: como essas espécies conseguem sobreviver à pressão esmagadora da zona hadal? "A pressão [ali] é de cerca de 1 mil atmosferas", explica Shank. "Ela é tão forte que as células individuais de um animal seriam arrancadas."

Desde aquela primeira observação em 1977, os cientistas descobriram que os organismos que vivem nas profundezas adaptaram-se em nível celular para sobreviver naquela região, segundo Shank. As criaturas da zona hadal, como os crustáceos anfípodes e o peixe-caracol, possuem enzimas chamadas piezólitos (palavra derivada de "piezin", ou pressão em grego), que impedem suas proteínas e membranas celulares de serem esmagadas sob pressão extremamente alta.

Os piezólitos combatem a pressão aumentando o espaço ocupado pelas proteínas no interior das células do organismo para compensar o peso da água à sua volta. "É como colocar estacas em uma tenda", compara Shank.

Descobrir organismos que podem não apenas sobreviver, mas proliferar-se nesse ambiente repressivo levanta questões importantes para os biólogos que examinam além dos domínios do nosso planeta - como se eles poderão também ser encontrados nos oceanos de outros mundos.

Abaixo da superfície de gelo de uma das maiores luas de Júpiter — Europa — encontra-se um oceano de água salgada. Acredita-se que ele tenha 60 a 150 mil metros de profundidade e contenha duas vezes mais água que todos os oceanos da Terra juntos. A luz do Sol não penetra na espessa camada de gelo de Europa, repleta de fraturas e rachaduras. Abaixo da crosta de gelo, a pressão é comparável à da zona hadal da Terra.

"Aqui temos Europa na Terra", afirma Shank. "Não vejo como podemos explorar Europa sem antes fazer o mesmo na Terra."

Um robô capaz de explorar a zona hadal da Terra poderá fazer o mesmo em uma lua congelada a 628 milhões de quilômetros de distância.

"O leito oceânico é uma grande plataforma de teste para podermos desenvolver a tecnologia necessária para uma missão bem sucedida até o oceano desses mundos", afirma Russell Smith, engenheiro do Laboratório de Propulsão de Jatos da Nasa, que é parte da equipe responsável pela construção de Orpheus.

Mas um robô em operação no espaço sideral ou nas profundezas do oceano precisa ser totalmente autônomo. "O robô precisa ser capaz de tomar decisões", afirma Smith, acrescentando que o objetivo é que Orpheus possa detectar e classificar DNA ambiental e substâncias da água, além de trazer amostras do leito oceânico.

Construir um robô para a zona hadal é um desafio incrível, segundo ele. Orpheus precisa suportar pressões intensas e temperaturas extremas. A água na zona hadal está pouco acima do ponto de congelamento, mas, nos respiradouros hidrotérmicos, as temperaturas podem atingir 370°C.

"Desenvolver um veículo que possa sobreviver é muito difícil", afirma Smith. "Você precisa de paredes muito espessas para evitar que o circuito eletrônico seja molhado ou esmagado."

Orpheus é parcialmente construído com espuma sintática, um material flutuante composto de esferas de vidro microscópicas embutidas em resina epóxi. A espuma usada em Orpheus vem de resíduos do material produzido para o veículo subaquático Deepsea Challenger, do diretor cinematográfico James Cameron, que desceu até o fundo da Fossa das Marianas, no oeste do Oceano Pacífico, em 2012.

Como é totalmente escuro nas profundezas do oceano, Orpheus é equipado com uma enorme lanterna. Se a luz ficar ligada todo o tempo, ela esgotará rapidamente a bateria do robô, que ficaria encalhado nas esmagadoras profundezas. Para economizar energia, Orpheus entrará em modo de baixo consumo quando não estiver recolhendo amostras ou imagens, segundo explica Smith.

Missão para a Lua

Em 2017, a Nasa lançou o projeto chamado Exploração Analógica Subaquática Sistemática de Ciências Biogeoquímicas (Subsea, na sigla em inglês), para reunir os campos da exploração espacial e oceânica. Até o momento, foram conduzidas duas missões com veículos operados com controle remoto para respiradouros hidrotérmicos no Oceano Pacífico.

Acredita-se que a atividade vulcânica em volta do monte submarino Lō'ihi, a cerca de 30 km do litoral do Havaí, e do Dorsal de Gorda, a 120 km da divisa entre os Estados da Califórnia e de Oregon no litoral norte-americano, seja similar à encontrada nos mundos oceânicos de Europa e da lua de Saturno Encélado.

"Todo o projeto foi baseado em descobrir áreas nas profundezas dos nossos oceanos que realmente tivessem natureza análoga ao que prevemos encontrar em lugares como Encélado", afirma Darlene Lim, geobióloga da Nasa que lidera o programa Subsea e prepara os astronautas para a exploração da Lua e do espaço sideral.

Os cientistas usaram as missões Subsea para conseguir compreender melhor a química e a geologia desses respiradouros, bem como a vida em torno deles.

"Esses respiradouros são muito inócuos", afirma Lim. "Você precisa examinar com muita atenção para perceber alterações da temperatura da água que sai da terra e interage com a água do mar, muito fria. Até mesmo essa ação isolada é muito importante para podermos prever como explorar alguns desses mundos oceânicos do nosso sistema solar."

Poderão ainda passar décadas até podermos enviar robôs para Europa e Encélado, mas os cientistas da Nasa já estão aplicando nas missões espaciais o que aprenderam com a exploração das profundezas do oceano.

Em 2023, a Nasa enviará uma sonda robótica para procurar água congelada no polo sul da nossa Lua. Conhecida como Sonda de Exploração Polar para Investigar Substâncias Voláteis (Viper, na sigla em inglês), a missão estudará o gelo perto da cratera lunar Nobile, na esperança de que ele possa ser minerado para uso como combustível para foguetes ou água potável. Embora não opere embaixo d'água, uma sonda caminhando na Lua enfrentará muitos desafios técnicos idênticos.

"Estamos reunindo todo o aprendizado do Subsea e aplicando no Viper", afirma Lim, que também é a cientista vice-líder do projeto Viper.

O objetivo do programa Subsea foi garantir que os cientistas atinjam seus objetivos de pesquisa em condições extremamente desafiadoras, do ponto de vista da tecnologia e de comunicações.

Do ponto de vista operacional, a exploração oceânica e a espacial também têm muitos pontos em comum. Nesses dois campos, robôs são enviados para explorar ambientes traiçoeiros que os seres humanos não conseguem alcançar, apoiados por equipes remotas de cientistas. Mas poderá também ser conveniente preparar astronautas para controlar equipamento robótico de uma base lunar no futuro.

Menos de 10 cientistas foram para o mar com a missão Subsea. Eles trabalharam com um grupo maior de colegas em terra. Para a missão Viper, uma equipe irá operar a sonda na Terra quase em tempo real e precisará analisar dados e tomar decisões com muita rapidez.

A comunicação eficiente é fundamental durante essas missões, afirma Zara Mirmalek, cientista social da Nasa que ajuda os cientistas a se prepararem para exploração em ambientes extremos. Ela trabalhou nos programas Subsea e Viper.

Para explorar as profundezas oceânicas, os cientistas precisam tomar decisões todo o tempo, dependendo das condições marítimas, do tempo e da salinidade. "Você sabe que terá menos tempo que o planejado", explica Mirmalek. "É muito mais difícil trabalhar nas profundezas oceânicas porque as condições são um grande desafio para a tecnologia."

Ela ressalta que, nas missões espaciais, as comunicações são extremamente limitadas. Como preparação para as condições do espaço sideral, Mirmalek restringiu os cientistas da missão Subsea para que se comunicassem entre si apenas uma vez por dia. "Não houve falhas — eles atingiram todos os seus objetivos de pesquisa", segundo ela.

Já Darlene Lim afirma que "tudo aquilo que aprendemos trabalhando em conjunto com a comunidade oceanográfica foi muito valioso, realmente inestimável, para ajudar-nos a confiar nos processos que estamos adotando para projetar nossas operações científicas para o Viper".

Mas, da mesma forma que nas missões para fora do planeta, a exploração do fundo dos oceanos também está permitindo à humanidade olhar para a Terra de outra maneira.

A Nasa afirma que suas explorações oceanográficas geraram "milhares" de descobertas científicas, mas elas também estão fornecendo outras informações que poderão ser vitais se quisermos continuar vivendo em um mundo com oceanos saudáveis. Precisamos compreender nossos ambientes oceânicos se quisermos salvá-los, segundo Laura Lorenzoni, cientista do programa de biogeoquímica e biologia dos oceanos da direção de missões científicas da Nasa.

"Isso é fundamental para a vida na Terra e as medições constantes que a Nasa realizou — e continua a realizar — são fundamentais para garantir o uso sustentável dos nossos recursos oceânicos", afirma ela.

Ou seja, a cada passo que damos rumo à exploração de outros mundos, aprendemos também um pouco mais sobre algumas das partes mais inexploradas do nosso próprio planeta azul.

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