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quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Por que África é um dos continentes com 'menos mortes' por Covid?

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Enquanto na América já morreram mais de 1,5 milhão de pessoas desde o início da pandemia, na África, o número total de mortes é de pouco mais de 224 mil.
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TOPO
Por Israel Campos, BBC — De Londres para a BBC News Brasil

Postado em 16 de dezembro de 2021 às 11hh00m

Post.- N.\ 10.133

Mulher recebe uma dose da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 em um hospital em Abuja, na Nigéria, no dia 5 de março. — Foto: Afolabi Sotunde/Reuters
Mulher recebe uma dose da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 em um hospital em Abuja, na Nigéria, no dia 5 de março. — Foto: Afolabi Sotunde/Reuters

Apesar de ter sido apontado como um grande foco de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020, devido ao seu frágil sistema de saúde e falta de condições sanitárias adequadas, o continente africano continua a ser dos menos afetados pela Covid-19, quando comparado com a Europa, as Américas e a Ásia.

Só a Oceania tem menos mortes, em números absolutos, que a África.

Enquanto nas Américas já morreram mais de 1,5 milhões de pessoas desde o início da pandemia, na África, o número total de mortes é de pouco mais de 224 mil.

Mais de 600 mil brasileiros morreram de Covid desde o início da pandemia, ou seja, o Brasil teve quase três vezes mais mortes que todo o continente africano. E a África tem um bilhão de pessoas a mais que o Brasil.

Mas o que existe por trás deste "fenômeno"?

A BBC News Brasil lista aqui cinco teorias que podem explicar melhor o que tem acontecido na África:

1. Média de idade

Mulher é vacinada contra a Covid-19 em Joanesburgo, África do Sul, no dia 6 de dezembro. — Foto: Shiraaz Mohamed/AP
Mulher é vacinada contra a Covid-19 em Joanesburgo, África do Sul, no dia 6 de dezembro. — Foto: Shiraaz Mohamed/AP

Segundo dados da ONU, a população africana é a mais jovem do mundo, com uma idade média de 19 anos.

Globalmente, a maioria das mortes por Covid-19 ocorre em pessoas com 65 anos de idade ou mais. Ou seja, o fato de a África ter uma população bastante jovem pode ter tido um papel relevante no seu número de mortes por coronavírus.

Vamos comparar dois países com tamanho populacional semelhante para essa diferença ficar mais clara: Canadá e Uganda. No Canadá, a idade média é de 41 anos e a expectativa de vida é de 82 anos. Cerca de 18% da população tem 65 anos ou mais.

Já em Uganda a expectativa de vida é bem mais baixa, de 63 anos. A idade média lá é de 16 anos e apenas 2% da população têm 65 anos ou mais.

Na pandemia de Covid-19, os dois países têm tido resultados bastante diferentes. Até o momento, o Canadá registrou quase 1,8 milhões de casos de covid e 29 mil mortes, enquanto que Uganda registrou 128 mil casos e 3 mil mortes, até o dia 9 de dezembro.

2. Respostas eficazes de saúde pública de governos

23 de abril: profissionais de saúde se desinfectam depois de testarem pacientes para Covid-19 em um hospital em Dacar, no Senegal. — Foto: John Wessels/AFP
23 de abril: profissionais de saúde se desinfectam depois de testarem pacientes para Covid-19 em um hospital em Dacar, no Senegal. — Foto: John Wessels/AFP

O primeiro caso de covid na África foi confirmado no Egito, em 14 de fevereiro de 2020. Àquela altura, havia muito receio de que o novo vírus pudesse levar os sistemas de saúde do continente ao colapso.

Entretanto, os governos africanos, que já assistiam o caos que se instalava em países da Europa com a propagação do vírus, adotaram respostas rápidas de saúde pública tais como medidas de distanciamento social e obrigação de usar máscaras.

De acordo com um índice da Universidade de Oxford, na Inglaterra, sobre as respostas dos governos à pandemia, países africanos como Marrocos, Tunísia e Ruanda estiveram entre os primeiros do mundo a estabelecer medidas mais duras como lockdowns e controle rígido de viagens.

Mas os governos não agiram sozinhos. A população, em sua grande maioria, colaborou bastante.

Uma pesquisa feita em 18 países africanos em agosto de 2020 apontou um grande apoio das pessoas às medidas de segurança. Segundo esse estudo, 85% dos entrevistados disseram que estavam usando máscara.

3. Subnotificação de mortes por Covid

Pessoas fazem fila para receber vacina contra a Covid-19 em Narok, no Quênia, no dia 1º de dezembro. — Foto: Baz Ratner/Reuters
Pessoas fazem fila para receber vacina contra a Covid-19 em Narok, no Quênia, no dia 1º de dezembro. — Foto: Baz Ratner/Reuters

Alguns especialistas sugerem que a subnotificação do número de mortes por Covid pode pintar um quadro mais positivo do que a realidade. Ou seja, mais pessoas podem ter morrido de Covid no continente sem o devido registro por causa da baixa capacidade de testagem em alguns países.

"A coleta insuficiente de dados pode significar que não sabemos realmente a incidência e prevalência de Covid-19. Embora variem na África Subsaariana, os níveis de teste têm sido baixos em comparação com outras áreas do mundo", dizem os especialistas Alex Ezeh, da Drexel University, Michael Silverman e Saverio Stranges, ambos da Western University, num artigo acadêmico publicado no dia 17 de agosto.

Mas Jeremias Agostinho, especialista em saúde pública de Angola, contesta essa teoria.

O médico disse à BBC News Brasil que "se houvesse um número elevado de mortes por Covid não identificados, nós teríamos um aumento na mortalidade por outras doenças ou por doenças desconhecidas. Mas neste momento este fenômeno não ocorre".

"Independentemente de nós fazermos poucos testes, não temos uma alteração significativa na taxa total de mortalidade a nível do continente", acrescentou o especialista. 
4. Falta de casas de repouso

As casas de repouso foram tidas como um grande foco de contágio da Covid-19. No Reino Unido e outros países da Europa, a doença se espalhou rapidamente nessas instituições, matando milhares de idosos.

Em boa parte dos países na África, o número de idosos que vivem em clínicas ou casas de repouso é pequeno, o que contrasta com a realidade em muitos países chamados desenvolvidos.

Anne Soy, correspondente sênior da BBC África, explicou à BBC News Brasil que, por razões culturais, "quando as pessoas se aposentam em muitas cidades africanas elas voltam para as zonas rurais."

"É quase um tabu mandar embora os seus velhos, porque as pessoas vão pensar assim, 'eles cuidaram de você quando você era mais novo, e você agora está jogando eles fora", ela complementa.

Na visão de Soy, este pode ter sido um elemento que contribuiu para o baixo número de mortes do continente.

"A configuração nas zonas rurais é tal que as casas ficam distantes umas das outras. Então, eles já estão socialmente distanciados. Você não pode comparar isso com pessoas que moram em um apartamento que provavelmente tem centenas de famílias."

Durante a primeira onda da pandemia, por exemplo, cerca de 81% das mortes no Canadá ocorreram em casas de repouso para idosos.

5. O clima favorável

Um estudo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, encontrou uma correlação entre temperatura, umidade e latitude e a disseminação da Covid-19.

Em entrevista à BBC África em outubro de 2020, Mohammad Sajadi, o líder da pesquisa, disse: "Nós observamos a propagação precoce [do vírus] em 50 cidades ao redor do mundo. O vírus teve mais facilidade de se espalhar em temperaturas e umidade mais baixas".

Sajadi acrescentou que: "Não é que o coronavírus não se espalhe em outras condições — ele apenas se espalha melhor quando a temperatura e a umidade caem".

No entanto, alguns casos de alta mortalidade em países quentes, como o Brasil, podem desafiar essa teoria. Ou será que teria havido ainda mais mortes no Brasil se o clima fosse mais frio e menos úmido?

Não há resposta para essa pergunta — o fato é que é preciso mais estudos para entender melhor a dinâmica do contágio.

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Sonda da Nasa 'toca' o Sol pela primeira vez

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Nave realiza feito histórico de entrar na atmosfera do astro, o que deve ajudar a compreender sua evolução e seus impactos sobre o Sistema Solar e a Terra. "É um momento monumental para a ciência", comenta cientista.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 15 de dezembro de 2021 às 18h35

Post.- N.\ 10.132

Ilustração mostra uma representação da Parker Solar Probe se aproximando do Sol — Foto: Nasa/Johns Hopkins APL/Steve Gribben
Ilustração mostra uma representação da Parker Solar Probe se aproximando do Sol — Foto: Nasa/Johns Hopkins APL/Steve Gribben

Pela primeira vez na história, uma nave espacial "tocou o Sol, ou seja, entrou na camada externa da atmosfera solar, conhecida como corona, anunciou a Nasa nesta terça-feira (14). Durante o mergulho, a sonda Parker Solar Probe coletou amostras de partículas e campos magnéticos.

"É um marco monumental para a ciência solar e um feito realmente extraordinário, disse o astrofísico Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missão Científica da Nasa.

"Não apenas este marco nos proporciona uma compreensão mais profunda da evolução do nosso Sol e de seus impactos em nosso sistema solar, mas tudo o que aprendemos sobre nossa própria estrela também nos ensina mais sobre as estrelas no resto do universo", completou.


Vento solar

Nour Raouafi, da Universidade Johns Hopkins e cientista de projeto da sonda Parker, descreveu o feito como "fascinantemente empolgante".

Raouafi afirmou que a corona parece conter mais poeira do que se pensava. Segundo ele, futuros mergulhos na atmosfera solar ajudarão cientistas a entender melhor a origem do vento solar e como ele é aquecido e acelerado através do espaço.

Diferentemente da Terra, o Sol não tem uma superfície sólida. Mas tem uma atmosfera superaquecida, feita de material solar ligado a ele pela gravidade e forças magnéticas. O calor e a pressão empurram esse material para longe do Sol até que a gravidade e os campos magnéticos ficam fracos demais para contê-lo.

Esse fenômeno dá origem ao vento solar, que é um fluxo contínuo de partículas energéticas emitidas pela corona solar e que pode afetar as atividades na Terra, desde os satélites até as telecomunicações.
Sonda espacial da Nasa toca o sol pela primeira vezSonda espacial da Nasa toca o sol pela primeira vez

Mergulhos na corona

Na realidade, a sonda já entrou na atmosfera solar em abril, na oitava aproximação que fez do Sol. Cientistas afirmaram que levou alguns meses para receber os dados e outros mais para confirmá-los.

Lançada em 2018, a Parker estava a 13 milhões de quilômetros do centro do Sol quando entrou pela primeira vez na atmosfera solar, e ali permaneceu por cerca de cinco horas.

A nave espacial mergulhou para dentro e para fora da corona pelo menos três vezes, se deslocando a mais de 100 quilômetros por segundo, de acordo com os cientistas.

Dados preliminares sugerem que a Parker também mergulhou na corona durante sua nona aproximação, em agosto, mas cientistas afirmaram que mais análises são necessárias. No mês passado, a sonda fez sua décima aproximação da atmosfera solar.

A Parker vai continuar se aproximando do Sol e mergulhando mais fundo na corona até sua órbita final em 2025.

Parker Solar Probe, missão da Nasa para o Sol — Foto: Claudia Ferreira/G1
Parker Solar Probe, missão da Nasa para o Sol — Foto: Claudia Ferreira/G1

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Setor de serviços cai 1,2% em outubro e registra 2ª queda seguida

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Com resultado, setor ainda está 2,1% acima do patamar pré-pandemia, mas 3 das 5 grandes atividades ainda não recuperaram nível de fevereiro de 2020.
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Por Darlan Alvarenga, g1

Postado em 15 de dezembro de 2021 às 10h00m

Post.- N.\ 10.131

Setor de serviços recua 1,2% em outubro e registram 2º mês negativo
Setor de serviços recua 1,2% em outubro e registram 2º mês negativo

O volume de serviços prestados no Brasil caiu 1,2% em outubro, na comparação com setembro, na segunda retração mensal consecutiva, mostram os dados divulgados nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior queda para meses de outubro desde 2016 (-1,5%).

No confronto com outubro de 2020, o volume de serviços avançou 7,5%, a oitava taxa positiva consecutiva.

Com o resultado de outubro, o setor ainda está 2,1% acima do patamar pré-pandemia, mas reduziu a distância em relação ao nível de fevereiro de 2020, evidenciando a perda de fôlego da recuperação.

Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia g1
Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia g1

Essa perda não elimina o ganho de 6,2% observado no período abril-agosto, mas reduz o distanciamento em relação ao nível pré-pandemia. Em agosto, o setor estava 4,1% acima do patamar de fevereiro de 2020, passando para 3,3% em setembro e 2,1% agora em outubro, destacou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa.

Com a segunda queda seguida, o setor está agora 9,3% abaixo do recorde alcançado em novembro de 2014.

O IBGE também revisou o resultado de setembro, de queda de 0,6% para uma retração de 0,7%.

O resultado de outubro veio pior que o esperado. A mediana das projeções captadas pelo Valor Data era de queda de 0,2%. O intervalo das projeções ia de queda de 1,2% a alta de 0,5%. Já a expectativa mediana para o resultado de outubro de 2021 frente a outubro de 2020 era de 9,1%, com intervalo entre 7,5% e 10,4%.

Apesar da queda de 1,9% em dois meses, o setor ainda acumula avanço de 11% no ano. Em 12 meses, registra alta de 8,2%, alcançando a maior taxa da série histórica, iniciada em dezembro de 2012.

O índice de média móvel trimestral caiu 0,5% no trimestre encerrado em outubro, interrompendo a trajetória predominantemente positiva iniciada em julho de 2020.

Volume de serviços acumulado em 12 meses — Foto: Economia g1
Volume de serviços acumulado em 12 meses — Foto: Economia g1

O que puxou a queda

Quatro das cinco atividades investigadas tiveram queda em outubro, com destaque para serviços de informação e comunicação (-1,6%) e outros serviços (-6,7%).

O segmento que mostrou o principal impacto negativo foi o de telecomunicações. Essa queda é explicada pelo reajuste nas tarifas de telefonia fixa, que avançaram 7,33% nesse mês. Essa pressão vinda dos preços, acabou impactando o indicador de volume do subsetor, explicou Lobo.

Por outro lado, os serviços prestados às famílias cresceram 2,7% na passagem de setembro para outubro, emplacando a sétima alta consecutiva. Ainda assim, é o segmento que se encontra mais distante do patamar pré-pandemia, estando 13,6% abaixo do patamar de fevereiro de 2020.

Regionalmente, 23 das 27 unidades da federação tiveram retração em outubro de 202. O impacto mais importante veio do Rio de Janeiro (-3,2%), seguido por São Paulo (-0,5%), Rio Grande do Sul (-4,0%), Paraná (-2,1%) e Mato Grosso (-6,0%). Do lado das altas, o Ceará (1,4%) registrou a principal expansão.

Veja o resultado dos subgrupos de cada grande atividade:

  • Serviços prestados às famílias: 2,7%
  • Serviços de alojamento e alimentação: 2,5%
  • Outros serviços prestados às famílias: 1
  • Serviços de informação e comunicação: -1,6%
  • Serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC): -1,2%
  • Telecomunicações: -2,2%
  • Serviços de tecnologia da informação: -0,2%
  • Serviços audiovisuais: -1,7%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -1,8%
  • Serviços técnico-profissionais: -4,1%
  • Serviços administrativos e complementares: -1,3%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: -0,3%
  • Transporte terrestre: 1%
  • Transporte aquaviário: 1,4%
  • Transporte aéreo: -5,3%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: -1,4%
  • Outros serviços: -6,7%

Dos 17 grupos e subgrupos monitorados pelo IBGE, 9 ainda se encontram abaixo do patamar pré-pandemia. E das 5 grandes atividades, 3 ainda não se recuperaram das perdas. Veja gráfico abaixo:

Distância (em %) do patamar pré-pandemia por atividade de serviços — Foto: Economia g1
Distância (em %) do patamar pré-pandemia por atividade de serviços — Foto: Economia g1

Atividades turísticas crescem 1% em outubro

O índice de atividades turísticas cresceu 1% na passagem de setembro para outubro, registrando a sexta taxa positiva consecutiva. Contudo, o segmento ainda se encontra 19,5% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado.

A contribuição positiva mais relevante no mês veio de São Paulo (1,1%), seguido por Minas Gerais (1,8%). Em sentido oposto, Bahia (-7,2%) e Distrito Federal (-10,1%) registraram os recuos com maior impacto no índice.

Piora das expectativas

O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira e foi o mais atingido pela pandemia de Covid-19, mas tem sido o principal destaque de recuperação em 2021, favorecido pelo avanço da vacinação e pela reabertura da economia.

No 3º trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) de serviços cresceu 1,1%, enquanto que a economia brasileira como um todo teve retração de 0,1%, o que colocou o país em recessão técnica.

A desaceleração da economia vem sendo pressionada pela escalada da inflação, alta dos juros, queda de renda das famílias, aumento do endividamento, desemprego ainda elevado e preocupações com a situação das contas públicas. A confiança do consumidor cai em novembro para o menor nível desde abril, segundo sondagem da Fundação Getúlio Vargas.

"Com a reabertura da economia, serviços prestados às famílias seguem se recuperando e devem manter essa dinâmica para os próximos meses. A alta da inflação, porém, parece já impactar o consumo dos demais serviços e, conjuntamente ao aperto monetário promovido pelo BC, deverá manter o viés negativo para o crescimento", avaliou Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco Modalmais.

Na semana passada, o IBGE mostrou que as vendas do comércio caíram em outubro pelo 3º mês seguido, contrariando as expectativas de alta. Já a produção industrial teve a quinta retração mensal consecutiva.

O mercado passou a projetar um avanço de 4,65% para o PIB em 2021. Já a previsão de crescimento para o ano que vem agora está em apenas 0,50%. E parte dos analistas já fala em estagnação e até mesmo uma nova recessão.

Para a inflação de 2021, a expectativa é de uma taxa de 10,05% em 2021 e de 5,02% em 2022, também acima do teto da meta do governo. E a projeção para a taxa básica de juros da economia ao final de 2022 está em 11,50% ao ano.

PIB cai pelo segundo trimestre seguido e Brasil entra em recessão técnica
PIB cai pelo segundo trimestre seguido e Brasil entra em recessão técnica

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terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Agência da ONU confirma recorde de calor no Ártico com temperatura de 38ºC em 2020

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Temperatura de 38ºC foi registrada em 20 de junho de 2020 na cidade russa de Verkhoyansk. A média das temperaturas na região do Ártico da Sibéria ficou 10ºC acima do normal durante grande parte do verão passado.
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Por g1

Postado em 14 de dezembro de 2021 às 11h05m

Post.- N.\ 10.130

Banhistas tomam sol em região onde foi registrada a temperatura recorde do Ártico em 2020 — Foto: Reprodução/TV Globo
Banhistas tomam sol em região onde foi registrada a temperatura recorde do Ártico em 2020 — Foto: Reprodução/TV Globo

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), da ONU, reconheceu oficialmente nesta terça-feira (14) a temperatura de 38ºC registrada na Sibéria no ano passado como a nova máxima para a região do Ártico.

O calor intenso foi registrado no dia 20 de junho de 2020 na cidade russa de Verkhoyansk, durante uma onda de calor prolongada que causou alarme generalizado sobre a intensidade do aquecimento global.

"Este novo recorde no Ártico é parte de uma série de observações registradas no Arquivo de Fenômenos Meteorológicos e Climáticos Extremos da OMM, o que provoca alerta sobre a mudança climática", afirmou em um comunicado o diretor da agência, Petteri Taalas.

Veja vídeo sobre o calor em Verkhoyansk, exibido no Jornal Nacional em 2020:

 Cidade da Sibéria, no Circulo Polar Ártico, registra 38°C
Cidade da Sibéria, no Circulo Polar Ártico, registra 38°C

Verkhoyansk, que abriga cerca de 1,3 mil pessoas, está dentro do Círculo Polar Ártico, em um lugar remoto na Sibéria. O local tem temperaturas extremas, que podem ir de uma média de -42 graus em janeiro a uma média de 20 graus na estação quente.

A média das temperaturas na região do Ártico da Sibéria ficou 10ºC acima do normal durante grande parte do verão (hemisfério norte) passado, o que provocou incêndios e perdas significativas de gelo marinho.

A organização também está verificando o recorde de 54,4ºC registrado pelos termômetros no Vale da Morte, na Califórnia, e tenta comprovar a marca de 48,8º na Sicília, que pode ser o recorde para a Europa.

"A OMM nunca teve tantas investigações simultâneas", informou Taalas.

Foto do dia 21 de junho de 2020: Termômetro em Verkhoyansk, na Rússia, marca mais de 30°C, temperatura pouco usual mesmo no verão russo — Foto: Olga Burtseva via AP
Foto do dia 21 de junho de 2020: Termômetro em Verkhoyansk, na Rússia, marca mais de 30°C, temperatura pouco usual mesmo no verão russo — Foto: Olga Burtseva via AP

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Por que África tem enviado toneladas de celulares quebrados para Europa

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Só em Gana, 30 mil aparelhos sem uso serão recolhidos e enviados a outro continente.
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TOPO
Por BBC

Postado em 13 de dezembro de 2021 às 12h30m

Post.- N.\ 10.129

Eric Arthur não tem muito tempo livre. Ele passa a maior parte dos fins de semana dirigindo pelas ruas e avenidas de Cape Coast, em Gana, coletando telefones celulares quebrados.

Chega a se deslocar mais de 160 km peregrinando entre lojas de consertos e reparos e depósitos de lixo - qualquer lugar que tenha um estoque razoável de aparelhos sem uso.

Em um bom fim de semana, ele coleta cerca de 400. Outras seis pessoas fazem a mesma coisa em outras partes do país. Cada aparelho sai por algo entre 2,5 e 2,7 cedis ganeses, cerca de 44 centavos de dólar (R$ 2,5). Até o fim deste ano, o grupo espera conseguir recolher cerca de 30 mil celulares.

O serviço é pago por uma empresa social holandesa chamada Closing the Loop ("fechando o ciclo", em tradução livre), que envia o material à Europa, onde é reciclado. Uma empresa especializada em fundição recupera cerca de 90% dos metais do telefone em um processo que incinera as peças de plástico.

Mas por que enviar telefones a milhares de quilômetros da África Ocidental?

'Closing the Loop' também tem parceiros em países como a Nigéria, como a Hinckley Recycling — Foto: VICTOR ADEWALE/CLOSING THE LOOP
'Closing the Loop' também tem parceiros em países como a Nigéria, como a Hinckley Recycling — Foto: VICTOR ADEWALE/CLOSING THE LOOP

Segundo Joost de Kluijver, cofundador da companhia, o continente africano ainda não possui usinas de fundição com a estrutura e capacidade necessárias para recuperar as pequenas quantidades de metais altamente valiosos que são usadas ​​na fabricação dos telefones celulares.

"Falta tudo o que você precisa ter para que uma unidade fabril seja financeiramente sustentável", diz ele. "Não há legislação, infraestrutura e nem consciência do consumidor. Como resultado, não há recursos para financiar coleta e reciclagem adequadas."

Enquanto isso, cerca de 230 milhões de telefones são vendidos na África todos os anos. Quando os consumidores querem se desfazer deles, alguns são recolhidos pela indústria informal de reciclagem, mas a maioria é jogada fora.

De acordo com o Global E-waste Monitor, iniciativa apoiada pelas Nações Unidas, a África gerou 2,9 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2019. O volume é muito menor do que o da Europa, por exemplo, que produziu 12 milhões de toneladas no mesmo período. A taxa de reciclagem, contudo, é bem mais tímida, de apenas 1%, ante 42,5% na Europa.

Para cobrir os custos da coleta, a Closing the Loop tem uma série de acordos com empresas que se comprometem a lhe pagar cerca de US$ 5,60 (R$ 31,5) a cada novo telefone que adquirem para suas próprias operações.

O valor cobre os custos de coleta, envio e reciclagem de um telefone do continente africano, além de uma margem de lucro para a empresa.

A lista de clientes tem crescido, e inclui desde o governo holandês até empresas de consultoria como a KPMG. Para os colaboradores, é um investimento relativamente pequeno, mas com um benefício ambiental significativo.

A 'Closing the Loop' estima que recolherá ao todo cerca de 300 mil telefones em 2021 — Foto: CLOSING THE LOOP
A 'Closing the Loop' estima que recolherá ao todo cerca de 300 mil telefones em 2021 — Foto: CLOSING THE LOOP

Também há iniciativas locais buscando fazer frente ao problema do lixo eletrônico na região.

No Quênia, por exemplo, outro país que não conta com um sistema nacional estruturado de reciclagem administrado pelo governo, a organização sem fins lucrativos Computers For Schools Kenya ("computadores para escolas no Quênia", em tradução literal) montou em 2012 o Centro de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (WEEE, na sigla em inglês).

O Computers For Schools Kenya busca suprir a falta de computadores nas escolas quenianas com produtos remanufaturados (ou "refurbished", como são mais conhecidos, no termo em inglês). Por lidar muito com eletrônicos no dia-a-dia, a ONG percebeu rapidamente o problema que os resíduos desses materiais representava, diz Simone Andersson, diretora comercial do WEEE.

Neste ano, o WEEE espera coletar 250 toneladas de lixo eletrônico, graças, em parte, a acordos com grandes empresas como Total Energies e Absa.

Esta é, contudo, apenas uma pequena fração das cerca de 50 mil toneladas de lixo eletrônico que o país produz a cada ano. Nesse sentido, Andersson diz ter planos ambiciosos de estabelecer pontos de coleta em todo o país, onde as pessoas possam deixar os eletrônicos dos quais querem se desfazer.

Os quenianos, ela acrescenta, estão se tornando mais conscientes dos problemas ambientais causados ​​pelo lixo eletrônico e querem cada vez mais agir para evitá-los.

"Muitas pessoas gostariam de mudar de hábitos, se houvesse alguma infraestrutura que lhes possibilitasse isso. É nesse sentido que queremos ser parte da solução", ressalta.

O governo queniano, por sua vez, vem sendo instado a responder a essas mudanças e tem estudado, por exemplo, a introdução de uma lei de responsabilidade estendida do fabricante (EPR, na sigla em inglês), que atribuiria o ônus financeiro da reciclagem aos fabricantes ou importadores de produtos eletrônicos.

"Estamos pressionando por isso, porque vemos que é necessário neste país", diz Andersson. "Queremos que o Quênia seja um bom modelo para o resto da África. Ter o EPR vai ajudar se conseguirmos implementar as leis. Talvez não imediatamente, mas com certeza vai introduzir uma mentalidade totalmente diferente."

Técnicos do WEEE: centro recicla 250 toneladas por ano — Foto: WEEE CENTRE
Técnicos do WEEE: centro recicla 250 toneladas por ano — Foto: WEEE CENTRE

Na oficina do WEEE, 10 técnicos classificam e desmontam cuidadosamente os dispositivos eletrônicos. Alguns metais - ferro e cobre - conseguem ser recuperados localmente, mas metais preciosos como ouro, platina e paládio que estão incrustados nas placas de circuitos só são extraídos em usinas de fundição especializadas na Europa ou na Ásia.

Tanto Andersson quanto Kluijver, da Closing the Loop, esperam que um dia seja possível instalar centros de fundição de ponta na África. Enquanto isso, diz Kluijver, a solução para os telefones segue sendo enviá-los para outros continentes.

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