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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Mudança climática: como é viver onde faz 50ºC?

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A BBC conversou com pessoas ao redor do mundo sobre como o calor extremo está mudando suas vidas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 03 de novembro de 2021 às 10h55m


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Em casas como a de Shakeela, as temperaturas agora chegam a 46°C — Foto: BBC
Em casas como a de Shakeela, as temperaturas agora chegam a 46°C — Foto: BBC

A crise climática não é mais uma preocupação sobre o futuro. Em muitas partes do mundo, ela já começou.

O ano de 2021 foi o mais quente já registrado. Milhões de pessoas estão vivendo em temperaturas extremas, enfrentando uma ameaça crescente de enchentes ou incêndios florestais.

A seguir, cinco pessoas em diferentes partes do mundo explicam como as temperaturas extremas mudaram suas vidas.

'Temos muitas noites sem dormir'

Shakeela Bano costuma colocar as roupas de cama de sua família na laje de sua casa de um andar na Índia. É que algumas noites são muito quentes para dormir dentro de casa. Mas a superfície pode estar quente demais para andar.

"É muito difícil", diz ela. "Temos muitas noites sem dormir."

Shakeela mora com o marido, a filha e três netos em um quarto sem janelas em Ahmedabad. Eles têm apenas um único ventilador de teto para mantê-los frescos.

Com a mudança climática, muitas cidades na Índia estão agora atingindo 50°C. As áreas densamente povoadas e construídas são particularmente afetadas por algo conhecido como efeito de ilha de calor urbana. Materiais como concreto prendem e irradiam calor, elevando as temperaturas. E não há trégua à noite, quando pode, na verdade, ficar mais quente.

Em casas como a de Shakeela, as temperaturas agora chegam a 46°C. Ela fica tonta com o calor. Seus netos sofrem de erupções cutâneas, exaustão pelo calor e diarreia.

Os métodos tradicionais para se manter fresco, como beber água com limão, não funcionam mais. Em vez disso, eles pediram dinheiro emprestado para pintar o telhado de sua casa de branco. As superfícies brancas refletem mais luz do sol e uma camada de tinta branca no telhado pode reduzir as temperaturas internas em 3 a 4 graus.

Para Shakeela, a diferença é enorme; o quarto é mais fresco e as crianças dormem melhor. "Ele não dormia durante a tarde", diz ela, apontando para o neto adormecido. "Agora ele pode adormecer em paz."

'Quente como fogo'

Para evitar temperaturas acima de 45°C no verão, Sidi começou a trabalhar à noite — Foto: BBC
Para evitar temperaturas acima de 45°C no verão, Sidi começou a trabalhar à noite — Foto: BBC

"Eu venho de um lugar quente", diz Sidi Fadoua. Mas o calor no norte da Mauritânia, no oeste da África, agora é quente demais para muitas pessoas viverem e trabalharem. O calor aqui não é normal, diz ele. "É como fogo."

Sidi, de 44 anos, mora em uma pequena vila perto dos limites do Saara. Ele trabalha como mineiro de sal em locais próximos. O trabalho é árduo e fica mais difícil à medida que a região esquenta devido às mudanças climáticas. "Não podemos suportar tais temperaturas", diz ele. "Não somos máquinas."

Para evitar temperaturas acima de 45°C no verão, Sidi começou a trabalhar à noite.

As perspectivas de emprego são escassas. Aqueles que antes ganhavam a vida criando gado não podem mais fazer isso – não há plantas para as ovelhas e cabras pastarem.

Assim como um número cada vez maior de seus vizinhos, Sidi tem planos de migrar para a cidade costeira de Nouadhibou, onde a brisa do mar mantém a cidade mais fresca. Os moradores locais podem pegar uma carona lá em um dos trens mais longos do mundo, levando minério de ferro para a costa.

Na Mauritânia, Sidi tem planos de migrar para a cidade costeira de Nouadhibou, onde a brisa do mar mantém a cidade mais fresca. — Foto: g1
Na Mauritânia, Sidi tem planos de migrar para a cidade costeira de Nouadhibou, onde a brisa do mar mantém a cidade mais fresca. — Foto: g1

"As pessoas estão se mudando daqui", explica Sidi. "Não aguentam mais o calor."

A rota de 20 horas é perigosa. Os moradores locais podem sentar-se no topo das carruagens, onde são expostos ao calor e à luz solar durante o dia, antes que as temperaturas caiam muito à noite.

Em Nouadhibou, ele espera encontrar trabalho na indústria pesqueira. A brisa pode trazer alívio, mas, com o número cada vez maior de pessoas escapando do calor do deserto, é mais difícil encontrar oportunidades de trabalho. Sidi continua esperançoso.

'Como você acaba com um inferno?'

Patrick Michell começou a notar mudanças preocupantes na floresta perto de sua reserva em British Columbia, no Canadá, há mais de três décadas — Foto: BBC
Patrick Michell começou a notar mudanças preocupantes na floresta perto de sua reserva em British Columbia, no Canadá, há mais de três décadas — Foto: BBC

Patrick Michell, chefe do Kanaka Bar First Nation, começou a notar mudanças preocupantes na floresta perto de sua reserva em British Columbia, no Canadá, há mais de três décadas. Havia menos água nos rios e os cogumelos pararam de crescer.

Neste verão, seus medos se tornaram realidade. Uma onda de calor estava varrendo a América do Norte. Em 29 de junho, sua cidade natal, Lytton, bateu recordes, chegando a 49,6ºC. No dia seguinte, sua esposa enviou-lhe a foto de um termômetro que indicava 53ºC. Uma hora depois, sua cidade estava em chamas.

VÍDEO: Imagens mostram queimada que devasta vilarejo no Canadá
VÍDEO: Imagens mostram queimada que devasta vilarejo no Canadá

Sua filha, Serena, grávida de oito meses, correu para colocar seus filhos e animais de estimação no carro: "Saímos com as roupas do corpo. As chamas tinham três andares de altura e estavam bem ao nosso lado."

Patrick correu de volta para ver se poderia salvar a casa. Ele cresceu lidando com incêndios florestais. Mas, assim como o clima, os incêndios também mudaram. "Não são mais incêndios florestais, são infernos", diz ele. "Como você acaba com um inferno?"

Apesar das circunstâncias familiares, Patrick vê o que aconteceu como uma oportunidade: "Podemos reconstruir Lytton para o meio ambiente que está por vir nos próximos 100 anos. É assustador, mas em meu coração existe esse otimismo."

'Quando eu era criança, não era assim'

"Quando eu era criança, o clima não era assim", diz Joy, que mora no Delta do Níger — Foto: BBC
"Quando eu era criança, o clima não era assim", diz Joy, que mora no Delta do Níger — Foto: BBC

"Quando eu era criança, o clima não era assim", diz Joy, que mora no Delta do Níger, na Nigéria. A região é uma das mais poluídas da Terra, e os dias e noites mais quentes estão aumentando.

Joy sustenta sua família usando o calor de chamas a gás para secar tapioca e vender o produto em um mercado local. "Eu tenho cabelo curto", explica Joy, "porque se eu deixar meu cabelo crescer, ele pode queimar minha cabeça se a chama mudar de direção ou explodir."

Mas as chamas são parte do problema. As empresas petrolíferas as usam para queimar o gás que é liberado do solo quando fazem a prospecção de petróleo. As chamas, que atingem 6 metros (20 pés) de altura, são uma fonte significativa de emissões globais de CO2, que contribuem para as mudanças climáticas.

A mudança climática teve um impacto devastador aqui, transformando terras férteis em desertos no norte, enquanto enchentes repentinas atingiram o sul. As pessoas não se lembram de um clima tão extremo enquanto cresciam.

"A maioria das pessoas aqui não está bem informada o suficiente para explicar por que o clima está mudando rapidamente", diz Joy. "Mas suspeitamos das chamas contínuas."

Ela quer que o governo proíba a queima de gás, embora dependa disso para sustentar sua família.

Quase nenhuma riqueza do petróleo foi reinvestida na Nigéria, onde 98 milhões de pessoas vivem na pobreza. Isso inclui Joy e sua família. Por cinco dias de trabalho, eles ganham o equivalente a R$ 30 de lucro.

Ela não está otimista quanto ao futuro. "Acho que a vida (na Terra) está chegando ao fim."

'Este calor não é normal'

Om Naief mora no Oriente Médio, que está esquentando mais rápido do que grande parte do mundo — Foto: BBC
Om Naief mora no Oriente Médio, que está esquentando mais rápido do que grande parte do mundo — Foto: BBC

Seis anos atrás, Om Naief começou a plantar árvores em um pedaço de deserto perto de uma rodovia. Funcionária pública aposentada do Kuwait, ela estava preocupada com as temperaturas cada vez mais severas do verão e o agravamento das tempestades de poeira.

"Falei com alguns funcionários. Todos disseram que era impossível plantar algo na areia", diz ela. "Disseram que a terra era arenosa e a temperatura muito alta. Eu queria fazer algo que surpreendesse a todos."

Om mora no Oriente Médio, que está esquentando mais rápido do que grande parte do mundo. O Kuwait caminha para temperaturas insuportáveis ​​– costuma ser mais quente do que 50°C. Algumas previsões sugerem que a temperatura média aumentará 4°C até 2050. No entanto, a economia do Kuwait é dominada pelas exportações de combustíveis fósseis.

Os dois canteiros que Om plantou são modestos, mas têm um propósito. "As árvores protegem da poeira, eliminam a poluição, limpam o ar e reduzem as temperaturas", diz ela. Ouriços-terrestres e lagartos de cauda espinhosa agora visitam o local. "Há água doce e sombra. É uma coisa linda."

Alguns kuwaitianos estão pedindo agora que um cinturão verde em grande escala seja plantado pelo governo. A esperança compartilhada é que o Kuwait esteja pronto para se posicionar contra a crise climática. Om diz que eles devem proteger a terra e não deixá-la secar.

"Este calor não é normal", conclui Om. "Esta é a terra dos nossos pais. Devemos retribuir, porque ela nos deu muito."

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terça-feira, 2 de novembro de 2021

O que é a leitura profunda e por que ela faz bem para o cérebro

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Esse tipo de leitura estimula o pensamento crítico e a capacidade de análise, mas vem sofrendo cada vez mais a concorrência das plataformas digitais.
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TOPO
Por BBC

Postado em 02 de novembro de 2021 às 14h30m


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Apps de resumo de livros se multiplicam no Brasil — Foto: Celso Tavares/G1
Apps de resumo de livros se multiplicam no Brasil — Foto: Celso Tavares/G1

A pesquisa da neurocientista Maryanne Wolf aponta que "não há nada menos natural do que ler" para os seres humanos — e isso não é de forma alguma ruim.

"A alfabetização é uma das maiores invenções da espécie humana", diz a especialista. Além de útil, é tão poderosa que transforma nossas mentes: "Ler literalmente muda o cérebro".

O avanço da tecnologia e a proliferação das mídias digitais, contudo, têm modificado profundamente a forma como lemos.

Apesar de estarmos lendo mais palavras do que nunca — uma média estimada de cerca de 100 mil por dia —, a maioria vem em pequenas pílulas nas telas de celulares e computadores, e muita coisa é lida "por cima".

Essas mudanças de hábito têm preocupado cientistas, entre outros motivos, porque a transformação de novas informações em conhecimento consolidado nos circuitos cerebrais requer múltiplas conexões com habilidades de raciocínio abstrato que muitas vezes faltam na leitura "digital".

VÍDEO: Livros indicados no TikTok entram em listas de mais vendidos no Brasil
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Um universo de símbolos

Ao contrário da linguagem oral, da visão ou da cognição, não existe uma programação genética nos humanos para aprender a ler.

Se uma criança, em qualquer parte do mundo, estiver em um ambiente em que as pessoas em seu redor conversam umas com as outras, sua linguagem será naturalmente ativada. O mesmo não acontece com a leitura, que implica a aquisição de um código simbólico completo, visual e verbal.

É uma invenção relativamente recente — "é uma piscadela em nosso relógio evolutivo: mal tem 6 mil anos", diz Wolf.

"Começou de forma simples, para marcar quantas taças de vinho ou ovelhas tínhamos. E, com o nascimento dos sistemas alfabéticos, passamos a ter um meio eficiente de armazenar e compartilhar conhecimento."

"Ler é um conjunto adquirido de habilidades que literalmente muda o cérebro", ressalta a neurocientista.

"Permite fazer novas conexões entre regiões visuais, regiões da linguagem, regiões de pensamento e emoção", completa.

Essa transformação "começa com cada novo leitor". "Não existe dentro de nossa cabeça. Cada pessoa que aprende a ler tem que criar um novo circuito em seu cérebro."

E isso abre portas para um novo mundo.

Saúde mental

"A leitura traz três poderes mágicos: criatividade, inteligência e empatia", pontua Cressida Cowell, escritora de literatura infantil e autora da série "Como Treinar Seu Dragão".

"Ler por prazer é um dos fatores-chave para o sucesso financeiro de uma criança na vida adulta. É mais provável que ela não acabe na prisão, que vote, que tenha casa própria…"

Além disso, "ler uma grande história é muito mais do que entretenimento", acrescenta a biblioterapeuta Ella Berthoud.

"A leitura, na verdade, tem muitos benefícios terapêuticos. Seu cérebro entra em um estado meditativo, um processo físico que retarda o batimento cardíaco, acalma e reduz a ansiedade", diz Berthoud.

Para ela, por exemplo, o remédio para "claustrofobia, raiva, exaustão" é o romance "Zorba, o Grego", de Níkos Kazantzákis.

A arte de prescrever ficção para curar as doenças da vida, batizada de biblioterapia, foi reconhecida no Publisher's Illustrated Medical Dictionary de Dorland em 1941.

A prática remonta à Grécia Antiga, quando avisos eram afixados nas portas das bibliotecas para alertar os leitores de que estavam prestes a entrar em um local de cura da alma.

No século 19, psiquiatras e enfermeiras prescreveram todos os tipos de livros para seus pacientes, desde a Bíblia até literatura de viagem e textos em línguas antigas.

Vários estudos mais recentes, dos séculos 20 e 21, mostraram que a leitura aguça o pensamento analítico, o que nos permite discernir melhor padrões, ferramenta muito útil diante de comportamentos desconcertantes dos outros e de nós mesmos.

Semana Pop explica por que ‘1984’, livro rasgado por Flay, é tão importante pra cultura
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A ficção, em particular, pode transformar os leitores em pessoas mais socialmente habilidosas e empáticas. Os romances, por sua vez, podem informar e motivar, os contos confortam e ajudam a refletir, enquanto a leitura de poesia já demonstrou estimular partes do cérebro relacionadas à memória.

Muitos desses benefícios, no entanto, dependem de um estado conhecido como "leitura profunda".

Pensamento analítico

"Quando lemos em um nível superficial, estamos apenas obtendo a informação. Quando lemos profundamente, estamos usando muito mais do nosso córtex cerebral", explica Wolf.

"Leitura profunda significa que fazemos analogias e inferências, o que nos permite sermos humanos verdadeiramente críticos, analíticos e empáticos."

Em seu livro "Proust and the Squid: The Story and Science of the Reading Brain" ("Proust e a Lula: a História e a Ciência por Trás do Cérebro que Lê", em tradução livre), a especialista em neurobiologia da leitura explica como, "a certa altura, quando uma criança vai da decodificação à leitura fluente, o caminho dos sinais através do cérebro muda".

"Em vez de percorrer um trajeto dorsal (...), a leitura passa a se deslocar por um caminho ventral, mais rápido e eficiente. Como o tempo depreendido e o gasto de energia cerebral são menores, um leitor fluente será capaz de integrar mais seus sentimentos e pensamentos à sua própria experiência", escreve.

"O segredo da leitura está no tempo que ela libera para que o cérebro possa ter pensamentos mais profundos do que antes."

Mas, enquanto o processo de aprender a ler muda nosso cérebro, o mesmo acontece com o que lemos e como lemos.

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Tempos modernos

Há aqueles, contudo, que acreditam que as novas plataformas são parte da solução, e não do problema.

Para Chris Meade, autor que utiliza vários tipos de mídia para veicular seu trabalho, "pensamos no livro como a obra, mas o livro é apenas um mecanismo de entrega".

A narrativa transmídia é um tipo de história em que o enredo se desenrola por meio de múltiplas plataformas — aplicativos, livros digitais, games, quadrinhos, blogs — e na qual os consumidores podem assumir um papel ativo no processo de construção.

"As novas mídias estão dando voz a uma nova geração de escritores. Elas impedem que nos condicionemos a pensar que existe apenas um tipo de 'boa escrita' e permitem que as pessoas simplesmente compartilhem histórias e experiências", opina Natalie A. Carter, cofundadora do clube do livro Black Girls Book Club.

"Não importa o meio, é a história que importa", emenda Melissa Cummings-Quarry, também cofundadora do Black Girls Book Club.

"O romance está evoluindo. Há todo tipo de livro incrível sendo escrito especificamente para ser lido no telefone", afirma Berthoud.

"O livro talvez passe a ilusão de que ele é tudo. Nunca foi, é uma forma de entrar em um processo de pensamento", diz Meade.

Ainda assim, os cientistas afirmam que a leitura digital pode ter um custo para o cérebro do leitor.

Fragmentação

"Reunimos acadêmicos e cientistas de mais de 30 países para pesquisar o impacto das mídias digitais na leitura", afirma Anne Mangen, à frente da E-READ (Evolução da Leitura na Era da Digitalização), organização cujo objetivo é melhorar a compreensão científica das implicações da digitalização da cultura.

Faz parte do programa internacional da Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia (ou COST, sigla para European Cooperation in Science and Technology), que considera a leitura um "tema urgente".

"A pesquisa mostra que a quantidade de tempo gasto na leitura de textos longos está diminuindo e, devido à digitalização, a leitura está se tornando mais intermitente e fragmentada", algo que poderia "ter um impacto negativo nos aspectos cognitivos emocionais da leitura".

"Descobrimos que existe o que se chama de inferioridade na tela", destaca Mangen.

"Há muitas coisas que podem ser lidas igualmente bem no smartphone, como as notícias mais curtas, mas, quando se trata de algo que é cognitiva ou emocionalmente desafiador, ler em uma tela leva a uma compreensão de leitura pior do que ler no papel."

"A realidade é que não é apenas o que ou quanto lemos, mas como lemos que é realmente importante", concorda Wolf.

"O próprio volume [de informação disponível nas plataformas digitais] está tendo efeitos negativos porque, para absorver tanto, há uma propensão a se ler 'por cima'. O cérebro leitor tem um circuito plástico, que refletirá as características do meio em que se lê. As características do digital caminham para que sejam refletidas no circuito."

Em outras palavras, assim como ao aprender a ler da maneira tradicional o cérebro formata e registra os itinerários da razão e os caminhos para a emoção, ao aprender a ler da maneira como fazemos nas mídias digitais o cérebro traçará diferentes trajetórias e, se deixarmos a leitura profunda de lado, ele apagará as anteriores, caso tenham um dia existido.

"Se não treinarmos essas habilidades, podemos acabar perdendo a capacidade de entender conteúdos mais complexos e, talvez, de nos envolvermos e usarmos a imaginação", destaca Mangen.

Então, o que o futuro reserva para os livros e para o cérebro da leitura?

"A imaginação humana é uma coisa fantástica, somos muito flexíveis. Encontramos maneiras de fazer o que queremos com a tecnologia disponível", pontua Meade.

Para Carter, o futuro trará "muito mais coleções de contos, e acho que veremos muito mais livros curtos".

Nesse sentido, Cowell diz já ter sentido a mudança: "Mudei a maneira como escrevo, porque o tempo de atenção das crianças diminuiu. Os livros têm capítulos curtos e são incrivelmente visuais, brilhantes, como doces".

Para a neurocientista Maryanne Wolf, "assim como as pessoas podem ser bilíngues e trilíngues, minha esperança é que desenvolvamos um cérebro 'biletrado'. Podemos nos disciplinar para escolher o meio que melhor se adapta ao que estamos lendo e, assim, não perder o dom extraordinário que a leitura deu à nossa espécie".

*Este texto é baseado no vídeo "O que a leitura em telas faz com nosso cérebro?", da BBC Ideas e The Open University

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Os 10 principais destinos para viajar em 2022, segundo o Lonely Planet

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Praias, montanhas, desertos, relíquias históricas; veja lista com os lugares mais desejados para turismo no planeta.
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Por g1

Postado em 02 de novembro de 2021 às 11h00m


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Lonely Planet: os 10 principais destinos turísticos para 2022 — Foto: Globo Repórter/Cook Island Tourismo Corporation/Belize Tourism Board / divulgação/ Monika Deupala/Reuters/Arquivo

A tradicional editora de guias de viagem Lonely Planet revelou nesta semana sua lista com os principais destinos de viagem para 2022.

O guia "Lonely Planet's Best in Travel 2022", em sua 16ª edição, mostra os principais países, regiões e cidades para os viajantes.


Veja o TOP 10 de países para visitar

10. Egito

Um dos destinos mais clássicos para quem adora relíquias históricas continua em alta, o Egito. Impossível não falar sobre as pirâmides de Gizé, um dos pontos turísticos mais famosos e visitados do muno.

GIZÉ (Egito) - O complexo das pirâmides de Gizé, no Egito — Foto: Nariman El-Mofty/AP
GIZÉ (Egito) - O complexo das pirâmides de Gizé, no Egito — Foto: Nariman El-Mofty/AP

9. Malauí

Localizado no sul da África, o Malauí é considerado um dos países mais pobres do planeta, mas é também cheio de atrações naturais. Sem saída para o mar, fica em região montanhosa e tem o lindíssimo lago Malauí. Entre as atrações, estão também os safaris, conhecidos de seus vizinhos africanos.

Rituais religiosos tradicionais no Malauí. — Foto: Wikicommons
Rituais religiosos tradicionais no Malauí. — Foto: Wikicommons

8. Nepal

Nepal é sinônimo de Monte Everest. Do país asiático sai uma das mais famosas rotas para se chegar ao topo deste monte. Localizado entre a Índia e o Tibete, o país é recheado de templos hindus e budistas.

O Monte Everest, o pico mais alto do mundo, e outros picos da cordilheira do Himalaia são vistos através de uma janela de uma aeronave durante um voo de montanha em Katmandu, no Nepal, em janeiro de 2020 — Foto: Monika Deupala/Reuters/Arquivo
O Monte Everest, o pico mais alto do mundo, e outros picos da cordilheira do Himalaia são vistos através de uma janela de uma aeronave durante um voo de montanha em Katmandu, no Nepal, em janeiro de 2020 — Foto: Monika Deupala/Reuters/Arquivo

7. Omã

Com clima desértico, mas repleto de oásis e litoral, Omã é uma das grandes atrações do Oriente Médio. Além das belas praias, você também pode encontrar por lá surpreendentes fiordes de mais de 2 mil metros de altitude.

Centenas de pessoas acompanham a disputa em Wadi Shab, Omã, em imagem de 2016 — Foto: Balazs Gardi/Red Bull/AFP
Centenas de pessoas acompanham a disputa em Wadi Shab, Omã, em imagem de 2016 — Foto: Balazs Gardi/Red Bull/AFP

6. Anguilla

Território britânico no Caribe, Anguilla atrai por suas belas praias de tirarem o fôlego. Além de curtir a beleza do mar, também é possível visitar pinturas rupestres de antigos habitantes das ilhas.

Imagem aérea de Anguila, território britânico no Caribe, em foto sem data — Foto: Agnes Etchegoyen/Turismo Anguila
Imagem aérea de Anguila, território britânico no Caribe, em foto sem data — Foto: Agnes Etchegoyen/Turismo Anguila

5. Eslovênia

Os principais atrativos turísticos do país do leste europeu são um castelo de 900 anos e o rio Sava, conhecido por atravessar também a Croácia, a Bósnia e a Sérvia, desembocando no rio Danúbio. Além das pequenas cidades históricas, há muita beleza natural para conferir na Eslovênia.

Pessoas pulam no Mar Adriático nesta segunda-feira (1º) em Portoroz, na Eslovênia — Foto: Jure Makovec / AFP
Pessoas pulam no Mar Adriático nesta segunda-feira (1º) em Portoroz, na Eslovênia — Foto: Jure Makovec / AFP

4. Belize

Mais uma pérola do Caribe, Belize encanta por suas diversas ilhas. Um prato cheio para mergulhadores, o país conta com uma das barreiras de corais mais belas do planeta.

Belize, no Caribe, aparece na lista dos principais destinos de viagem de 2022 — Foto: Belize Tourism Board / divulgação
Belize, no Caribe, aparece na lista dos principais destinos de viagem de 2022 — Foto: Belize Tourism Board / divulgação

3. Ilhas Maurício

As Ilhas Maurício são um país multiétnico e turístico do Oceano Índico, próximo a Madagascar. Local com praias, lagoas e recifes, também atrai pelas florestas tropicais que rendem caminhadas inesquecíveis.

Golfinhos nadam no Oceano Índico, perto das Ilhas Maurício — Foto: Reuben Pillay/Reuters
Golfinhos nadam no Oceano Índico, perto das Ilhas Maurício — Foto: Reuben Pillay/Reuters

2. Noruega

A Noruega é sinônimo de fiordes, mas não somente isso. Além de cidades que misturam moderno com o antigo, é possível ter acesso a história dos vikings.

Noruega — Foto: Globo Repórter
Noruega — Foto: Globo Repórter

1. Ilhas Cook

Localizadas próxima à Nova Zelândia, as Ilhas Cook são um conjunto de 15 ilhas que se espalham por uma ampla área, conectadas por um recife de corais que circunda as águas calmas de uma lagoa central. Além de ter contato com a cultura Maori, os visitantes podem fazer diversos tipos de mergulhos em praias estonteantes.

Ilhas Cook, no Pacífico, ficam próximas a Nova Zelândia — Foto: Cook Island Tourismo Corporation
Ilhas Cook, no Pacífico, ficam próximas a Nova Zelândia — Foto: Cook Island Tourismo Corporation

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