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quinta-feira, 22 de julho de 2021

Incêndio florestal na Califórnia atravessa para Nevada nos EUA

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Por outro lado, a melhora no clima tem ajudado no combate ao maior incêndio do país, no Oregon.
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Por Associated Press

Postado em 22 de julho de 2021 às 10h35m


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Avião lança retardante de fogo para combater incêndio no sul do Oregon, nos Estados Unidos, em 17 de julho de 2021 — Foto: Comando de Incidente de Fogo Bootleg via AP
Avião lança retardante de fogo para combater incêndio no sul do Oregon, nos Estados Unidos, em 17 de julho de 2021 — Foto: Comando de Incidente de Fogo Bootleg via AP

Um incêndio florestal no norte da Califórnia atingiu o estado vizinho de Nevada, causando novas evacuações na costa leste dos Estados Unidos. Por outro lado, a melhora no clima tem ajudado no combate ao maior incêndio do país, no Oregon.

As chamas na Califórnia começaram no dia 4 em Tamarack, ao sul do Lago Tahoe, e já queimaram mais de 176 km².

A fumaça dos incêndios florestais que estão devastando a Costa Oeste cruzou o país e deixou o céu encoberto a mais de 4 mil km de distância, em Nova York, na Costa Leste (veja no vídeo abaixo).


Fumaça de incêndio florestal no Oregon, na Costa Oeste dos EUA, atinge Nova York
Fumaça de incêndio florestal no Oregon, na Costa Oeste dos EUA, atinge Nova York

Mais de 1,2 mil bombeiros lutam contra o fogo no condado de Alpine, na divisa entre Califórnia e Nevada, e as chamas já destruíram pelo menos 10 prédios, forçaram a evacuação de várias comunidades e fecharam partes da rodovia federal 395.

Autoridades emitiram um pedido de evacuação voluntária em partes do Condado de Douglas, em Nevada, e um centro foi instalado em Gardnerville para receber a população.

Maior incêndio do país

No Oregon, autoridades proibiram na quarta-feira (21) todas as fogueiras em terras e acampamentos estaduais a leste da rodovia interestadual 5, que é considerada a linha divisória entre a parte úmida no oeste do estado e a seca no leste.

Filhote de urso se agarra a árvore no sul do Oregon, em 18 de julho de 2021, em meio ao maior incêndio florestal dos Estados Unidos — Foto: Bryan Daniels/Bootleg Fire Incident Command via AP
Filhote de urso se agarra a árvore no sul do Oregon, em 18 de julho de 2021, em meio ao maior incêndio florestal dos Estados Unidos — Foto: Bryan Daniels/Bootleg Fire Incident Command via AP

O estado enfrenta o maior incêndio florestal do país, que já atingiu uma área de 1,6 mil km² (equivalente ao tamanho da cidade de São Paulo).

As chamas foram desencadeadas por um raio e devastaram a parte sul do Oregon e se expandiram a uma velocidade de até 6 km por dia, impulsionadas por ventos fortes e um clima extremamente seco que transformaram árvores e vegetações rasteiras em uma "caixa de fogo".

Os bombeiros tiveram que se retirar do local por 10 dias consecutivos, enquanto bolas de fogo saltavam de uma árvore para outra e as brasas iniciavam novas chamas. Nuvens monstruosas de fumaça e cinzas subiram a até 10 km no céu e se tornaram visíveis por mais de 161 km.

Imagem de satélite mostra a fumaça dos incêndios florestais no Oregon, em Idaho e no norte da Califórnia em 18 de julho de 2021. Condições extremamente secas e ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos Estados Unidos. — Foto: Maxar Technologies via AP
Imagem de satélite mostra a fumaça dos incêndios florestais no Oregon, em Idaho e no norte da Califórnia em 18 de julho de 2021. Condições extremamente secas e ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos Estados Unidos. — Foto: Maxar Technologies via AP

O incêndio está sendo combatido por mais de 2,2 mil pessoas e está cerca de um terço contido. Mas autoridades dizem que os ventos e as temperaturas menores agora estão permitindo que as equipes possam trabalhar.

Ao menos 2 mil casas foram evacuadas durante o incêndio e outras 5 mil estavam em áreas ameaçadas. Cerca de 70 casas e mais de 100 edifícios foram queimados, mas ninguém morreu.

As condições extremamente secas e as recentes ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos EUA.

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Na guerra tecnológica, 'máquina complicada' é bloqueada para a China

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San Francisco – O presidente Joe Biden e muitos legisladores em Washington estão preocupados atualmente com os chips de computador e as ambições da China em relação a essa tecnologia fundamental.
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Don Clark
23 horas atrás
Postado em 22 de julho de 2021 às 10h00m


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San Francisco – O presidente Joe Biden e muitos legisladores em Washington estão preocupados atualmente com os chips de computador e as ambições da China em relação a essa tecnologia fundamental.

© Distributed by The New York Times Licensing Group Máquina de fabricação de chips na instalação de pesquisa da IBM em Albany, Nova York, 30 de junho de 2021. (Bryan Derballa/The New York Times)

Mas uma máquina imensa vendida por uma empresa holandesa surgiu como um auxílio estratégico fundamental para os formuladores de políticas – e mostra como são irrealistas as esperanças de qualquer país de construir uma cadeia de suprimentos completamente autossuficiente em tecnologia de semicondutores.

A máquina é fabricada pela ASML Holding, sediada em Veldhoven. Seu sistema usa um tipo diferente de luz para produzir circuitos ultrapequenos nos chips, aumentando o desempenho das pequenas fatias de silício. A ferramenta, que levou décadas para ser desenvolvida e foi introduzida para fábricas com alto volume de produção em 2017, custa mais de US$ 150 milhões. O envio aos clientes requer 40 contêineres de transporte, 20 caminhões e três Boeings 747.

A máquina complexa é amplamente reconhecida como necessária para fazer os chips mais avançados, habilidade com implicações geopolíticas. O governo Trump pressionou com sucesso o governo holandês a bloquear seu envio para a China em 2019, e o governo Biden não mostrou sinais de reverter essa postura.

Os fabricantes não podem produzir chips de ponta sem esse sistema, e "ele só é feito pela empresa holandesa ASML", afirmou Will Hunt, analista de pesquisa do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade de Georgetown, que concluiu que os chineses levariam pelo menos uma década para construir equipamento semelhante. "Do ponto de vista da China, isso é frustrante."

A máquina da ASML se tornou efetivamente um gargalo na cadeia de suprimentos para chips, que são o cérebro de computadores e outros dispositivos digitais. O desenvolvimento e a produção da ferramenta em três continentes – usando expertise e peças do Japão, dos Estados Unidos e da Alemanha – também é um lembrete de que essa cadeia de suprimentos é global, mostrando a dificuldade para qualquer país que queira avançar sozinho na produção de semicondutores.

© Distributed by The New York Times Licensing Group O engenheiro de equipamentos Robert Young segura um wafer de silício de uma máquina de fabricação de chips na instalação de pesquisa da IBM em Albany, Nova York, 30 de junho de 2021. (Bryan Derballa/The New York Times)

Isso inclui não só a China, mas também os Estados Unidos, onde o Congresso está debatendo planos de gastar mais de US$ 50 bilhões para reduzir a dependência de fabricantes de chips estrangeiros. Muitas áreas do governo federal, particularmente o Pentágono, estão preocupadas com a dependência americana do principal fabricante de chips de Taiwan e com a proximidade da ilha com a China.

Criada em 1984 pela gigante eletrônica Philips e outra fabricante de ferramentas, a ASML, Advanced Semiconductor Materials International, tornou-se uma empresa independente e, de longe, a maior fornecedora de equipamentos de fabricação de chips envolvendo um processo chamado litografia.

Com a litografia, os fabricantes projetam repetidamente padrões de circuitos de chips em pastilhas de silício. Quanto mais transistores minúsculos e outros componentes podem ser adicionados a um chip individual, mais poderoso ele se torna e aumenta sua capacidade de armazenar dados. O ritmo dessa miniaturização é conhecido como Lei de Moore, em homenagem a Gordon Moore, um dos cofundadores da gigante de chips Intel.

Em 1997, a ASML começou a estudar a adoção da luz ultravioleta extrema (ou EUV, na sigla em inglês). Essa luz tem comprimentos de onda ultrapequenos que podem criar circuitos muito menores do que é possível com a litografia convencional. Mais tarde, a empresa decidiu fazer máquinas baseadas na tecnologia, esforço que custou US$ 8 bilhões desde o fim dos anos 1990.

O processo de desenvolvimento rapidamente se tornou global. A ASML agora monta as máquinas usando espelhos da Alemanha e hardware desenvolvido em San Diego, que gera luz explodindo gotículas de estanho com um laser. Os principais produtos químicos e componentes vêm do Japão.

O executivo-chefe da ASML, Peter Wennink, disse que a falta de dinheiro nos primeiros anos da empresa o levou a integrar invenções de fornecedores especializados, criando o que chama de "rede de conhecimento colaborativo" que inova rapidamente. "Fomos forçados a não fazer o que os outros fazem melhor."

A ASML lançou mão de outra cooperação internacional. No início da década de 1980, pesquisadores dos Estados Unidos, do Japão e da Europa começaram a considerar a mudança radical nas fontes de luz. O conceito foi retomado por um consórcio que incluía a Intel e outros dois fabricantes de chips dos EUA, bem como laboratórios do Departamento de Energia.

A ASML aderiu em 1999 depois de mais de um ano de negociações, de acordo com Martin van den Brink, presidente e diretor de tecnologia da empresa. Outros parceiros eram o Centro de Pesquisa Imec na Bélgica e outro consórcio americano, a Sematech. Mais tarde, a ASML atraiu grandes investimentos da Intel, da Samsung Electronics e da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company para ajudar a financiar o desenvolvimento.

Esse desenvolvimento foi dificultado pelas peculiaridades da luz EUV. Máquinas de litografia geralmente concentram a luz através de lentes para projetar padrões de circuito em pastilhas; mas os pequenos comprimentos de onda EUV são absorvidos pelo vidro, por isso as lentes não funcionam. Os espelhos, outra ferramenta comum para direcionar a luz, têm o mesmo problema. Isso significava que a nova litografia exigia espelhos com revestimentos complexos que, combinados, refletissem melhor os pequenos comprimentos de onda.

Assim, a ASML recorreu à Zeiss Group, empresa óptica alemã com 175 anos de existência e parceira de longa data. Suas contribuições incluíram um sistema de projeção de 1,8 tonelada para lidar com a luz EUV, que conta com seis espelhos especialmente moldados que são moídos, polidos e revestidos ao longo de vários meses em um processo robótico elaborado que usa feixes de íons para remover defeitos.

A geração de luz suficiente para projetar imagens rapidamente também causou atrasos, segundo Van den Brink. Mas a Cymer, empresa de San Diego que a ASML comprou em 2013, acabou melhorando um sistema que direciona pulsos de um laser de alta potência para atingir gotículas de estanho 50 mil vezes por segundo – uma vez para achatá-los e uma segunda vez para vaporizá-los –, criando luz intensa.

O novo sistema também exigiu componentes redesenhados chamados fotomáscaras, que agem como estêncil em projetos de circuitos de projeção, além de novos produtos químicos depositados em pastilhas que geram essas imagens quando expostos à luz. Empresas japonesas agora fornecem a maioria desses produtos.

Desde que a ASML introduziu seu modelo comercial de EUV em 2017, os clientes compraram cerca de cem deles. Os compradores incluem a Samsung e a TSMC, o maior serviço de produção de chips projetados por outras empresas. A TSMC usa a ferramenta para fazer os processadores projetados pela Apple para seus iPhones mais recentes. A Intel e a IBM declararam que o EUV é crucial para seus planos. "É definitivamente a máquina mais complicada que os humanos construíram", afirmou Darío Gil, vice-presidente sênior da IBM.

As restrições holandesas à exportação dessas máquinas para a China, adotadas desde 2019, não tiveram muito impacto financeiro na ASML, uma vez que há um atraso nos pedidos de outros países. Mas cerca de 15 por cento das vendas da empresa provêm da venda de sistemas mais antigos na China.

Em um relatório final ao Congresso e a Biden em março, a Comissão de Segurança Nacional de Inteligência Artificial propôs estender os controles de exportação para algumas outras máquinas avançadas da ASML. O grupo, financiado pelo Congresso, busca limitar os avanços da inteligência artificial com aplicações militares.

Hunt e outros especialistas em política argumentaram que, como a China já estava usando essas máquinas, bloquear vendas adicionais prejudicaria a ASML sem muito benefício estratégico. A empresa concorda. "Espero que o bom senso prevaleça", disse Van den Brink.

c. 2021 The New York Times Company

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quarta-feira, 21 de julho de 2021

Conheça o trem chinês que 'levita' e chega a 600 km/h

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Utilizando a força de eletromagnética para ficar suspenso, evitando contato entre a carroceria e os trilhos, trem ainda está em fase de testes, mas já é considerado um dos mais rápidos.
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Por G1

Postado em 21 de julho de 2021 às 16h05m


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VÍDEO: Trem que funciona por 'levitação magnética' é revelado na China
VÍDEO: Trem que funciona por 'levitação magnética' é revelado na China

A China revelou um novo trem de levitação magnética capaz de atingir velocidade máxima de 600 km/h, de acordo com informações da mídia estatal do país.

O veículo é do tipo "maglev" que utiliza a força de imãs para ficar suspenso, evitando contato entre a carroceria e os trilhos.

De acordo com a agência Reuters, a velocidade máxima do trem bala tornaria este o veículo de solo mais rápido do mundo.

Por enquanto, o trem "maglev" chinês está em fase de testes na cidade de Qingdao.

Uma viagem entre Xangai e Pequim com este trem levaria apenas 2,5 horas para rodar os 1.000 quilômetros de distância.

A China tem usado a tecnologia por quase duas décadas em uma escala muito limitada. Xangai tem uma pequena linha "maglev" que vai de um de seus aeroportos à cidade.

Países como Japão e Alemanha também estão procurando construir redes "maglev", embora os altos custos e a incompatibilidade com a infraestrutura de vias atual continuem sendo obstáculos para o rápido desenvolvimento.

Homem voa em 'skate' nos EUA; assista

VÍDEO: 'Skate voador' roda pelas ruas de Los Angeles
VÍDEO: 'Skate voador' roda pelas ruas de Los Angeles

Mark Zuckerberg surfa em prancha 'diferentona'

Mark Zuckerberg posta vídeo "surfando" com uma prancha em pequenas ondas
Mark Zuckerberg posta vídeo "surfando" com uma prancha em pequenas ondas

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Com pandemia, indústria perde ainda mais participação no PIB e agronegócio ganha protagonismo

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Peso da indústria vem encolhendo continuamente nos últimos anos e fatia do setor manufatureiro no PIB atingiu 11,3% no 1º trimestre – menor percentual desde 1947.
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Por Darlan Alvarenga, G1

Postado em 21 de julho de 2021 às 10h00m


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Fábrica da Audaces em Palhoça (SC), que produz máquinas inteligentes de corte e softwares para o segmento têxtil. Empresa é exemplo raro de indústria brasileira 4.0 que tem conseguido crescer mesmo durante a pandemia — Foto: Audaces/Divulgação
Fábrica da Audaces em Palhoça (SC), que produz máquinas inteligentes de corte e softwares para o segmento têxtil. Empresa é exemplo raro de indústria brasileira 4.0 que tem conseguido crescer mesmo durante a pandemia — Foto: Audaces/Divulgação

O processo de desindustrialização da economia brasileira se acentuou com a pandemia do novo coronavírus. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) mostra que a participação do setor manufatureiro no PIB (Produto Interno Bruto) atingiu novas mínimas históricas e que a indústria continua perdendo protagonismo na economia brasileira.

O peso da indústria de transformação (que reúne todo o setor manufatureiro) caiu de 11,79% do PIB em 2019 para 11,30% em 2020, se mantendo nesse patamar no 1º trimestre de 2021. Trata-se do menor percentual desde 1947, ano em que se inicia a série histórica das contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A série mostra que a indústria vem sofrendo um retrocesso quase contínuo desde o início dos anos 2000, evidenciando tanto as dificuldades de competitividade como também de recuperação das perdas provocadas pela crise da Covid-19. No melhor momento, em 1985, o peso do setor manufatureiro chegou a 24,5% do PIB. Ou seja, de lá para cá a participação encolheu para menos da metade de sua máxima histórica. Veja no gráfico abaixo:

Indústria de transformação perde participação no PIB — Foto: Economia G1
Indústria de transformação perde participação no PIB — Foto: Economia G1

a participação da indústria geral (que inclui também extrativa, construção civil e atividades de energia e saneamento) no PIB caiu de 21,4% em 2019 para 20,4% em 2020 e nos 3 primeiros meses deste ano – também nova mínima.

O levantamento, elaborada pela economista Silvia Matos, mostra a evolução da participação dos diferentes setores no PIB brasileiro, excluídos os impostos, utilizando a metodologia de preços correntes corrigidos.

Agro ganha protagonismo com crise da Covid-19

A perda de relevância da indústria no PIB é um fenômeno mundial e estrutural. Nas últimas décadas, em diversos países do mundo, a diminuição do peso do setor manufatureiro tem sido acompanhada por um avanço de setores de serviços destinados a atender uma demanda cada vez maior por atividades como serviços de tecnologia e informação, serviços pessoais, de saúde e educação.

No Brasil, no entanto, o processo de desindustrialização tem sido há tempos classificado como "prematuro", por se dar numa velocidade mais rápida do que a verificada em outras economias e por ocorrer antes de o país ter atingido um maior nível de desenvolvimento e de renda per capita. Os economistas destacam também que os serviços que mais crescem no país costumam empregar profissionais com pouca especialização e baixos salários.

"O que tem de novidade na pandemia é que o agronegócio vem ganhando protagonismo como a gente nunca viu. Tudo caiu, só o agro se beneficiou, ficando praticamente imune à crise na maioria dos países. O mundo continuou demandando muito alimentos, teve um boom de commodities e é um setor que continua inovando muito, com adoção de tecnologias", afirma a pesquisadora do Ibre/FGV.

O levantamento mostra que o setor de serviços – o mais afetado pelas medidas de restrição para conter a propagação do coronavírus – viu seu peso no PIB cair de 73,5% em 2019 para 71,7% no 1º trimestre de 2021. Já a participação do agronegócio saltou no mesmo período de 5,1% para 7,9% – maior percentual trimestral desde 1996. Veja no gráfico abaixo:

Agropecuária e serviços ganham participação — Foto: Economia G1
Agropecuária e serviços ganham participação — Foto: Economia G1

Na avaliação da pesquisadora do Ibre, o agronegócio tende a continuar sendo favorecido pela forte e crescente demanda mundial por alimentos como soja, milho e carnes. Mas, com o avanço da vacinação e o gradual fim das medidas de restrição, a tendência é que o setor de serviços volte a recuperar rapidamente uma boa parte da fatia perdida no PIB.

"O setor de serviços foi o que mais sofreu. O país parou de consumir serviços. Então, acabando a pandemia, o natural é que o setor volte a crescer", afirma Matos.

Já para a indústria os desafios são maiores, uma vez que não dependem apenas da reabertura total da economia e da recuperação da demanda interna, mas também do enfrentamento de questões estruturais que se arrastam há anos e de problemas novos como falta de insumos, inflação elevada e aumento do custo do crédito em meio à elevação da taxa básica de juros.

Após 3 quedas seguidas, produção industrial cresce 1,4% em maio, mas não elimina perdas dos meses anteriores.
Após 3 quedas seguidas, produção industrial cresce 1,4% em maio, mas não elimina perdas dos meses anteriores.

Desafios da indústria para recuperar perdas da pandemia

Matos lembra que a continuidade do processo de desindustrialização durante a pandemia se deu mesmo diante de alguns fatores que beneficiaram segmentos manufatureiros. A forte desvalorização do dólar no ano passado favoreceu as exportações e as mudanças na cesta de consumo dos brasileiros durante a quarentena, por exemplo, impulsionaram as vendas de produtos como material de construção, eletrodomésticos e móveis.

"O resultado da indústria poderia ser até pior", afirma a pesquisadora, acrescentando que segmentos relacionados ao agronegócio como indústrias de alimentos processados e de máquinas também se deram bem, na contramão da economia e da média do setor.

Pesquisa mensal do IBGE mostrou que a produção industrial brasileira voltou a crescerem maio, após 3 meses consecutivos de queda, mas que o setor ainda eliminou as perdas dos meses de fevereiro, março e abril.

Dos 26 setores acompanhados pelo IBGE, 13 setores, ou seja, metade deles, ainda se encontram abaixo do pré-pandemia. Veja no gráfico abaixo:

Apenas metade das atividades industriais retomaram em maio o patamar pré-pandemia, segundo o IBGE. — Foto: Economia/G1
Apenas metade das atividades industriais retomaram em maio o patamar pré-pandemia, segundo o IBGE. — Foto: Economia/G1 

Baixa produtividade e competitividade

Estudo recente divulgado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostrou que a parcela da manufatura no PIB brasileiro em 2020 ficou 4,7 pontos percentuais (p.p.) abaixo da média global em 2020 e 2,1 p.p. ao excluir a China da média mundial.

"Desde o início do século XXI, o grau de industrialização brasileiro tem sido menor que da economia mundial e essa diferença vem aumentando. Em síntese, é um retrocesso de longo prazo que reforça a tese de que se trata de um problema estrutural com vários componentes – entre eles o Custo Brasil – e não circunscrito a apenas um governo", destacou o Iedi.

A recuperação de um maior protagonismo da indústria na economia é apontada como essencial para o país alcançar maiores taxas de crescimento do PIB e níveis mais elevados de desenvolvimento, uma vez que produtos industriais são os que mais possuem ramificações e conexões com múltiplos setores e pela capacidade de reduzir custos e agregar valor a produtos básicos e por seu papel ofertante e demandante de tecnologias e inovação.

Para Matos, no entanto, mais importante do que elevar o percentual de participação da indústria no PIB, é buscar ganhos de produtividade e uma maior eficiência e competitividade da economia brasileira como um todo.

"O importante é ser eficiente, não importa em qual setor. Mas a produtividade do Brasil é inferior a de lá de fora em todos os setores, e a indústria sofre mais porque é um segmento intensivo em capital e cada vez mais também em tecnologia e mão de obra qualificada, e isso é uma carência do Brasil", afirma a economista. 
Indústria de SC cresce ao oferecer soluções para indústrias virarem 4.0

Na contramão do setor manufatureiro, a Audaces é exemplo raro de indústria brasileira que tem conseguido crescer mesmo durante a pandemia.

A empresa de Santa Catarina desenvolve softwares e produz maquinários para outras indústrias, sobretudo para o segmento têxtil, e registrou um crescimento de 20% no faturamento em 2020. Com o aumento do número de clientes, o número de funcionários que era de 170 antes do início da pandemia aumentou para 200.

A estratégia é focada na inovação e no desenvolvimento de produtos e soluções que ajudam outras empresas a reduzir custos, automatizar processos e melhorar a eficiência na indústria de moda.

Audaces, de Santa Catarina, fabrica máquinas de corte de tecidos automatizadas, que reduzem custos e o desperdício dos materiais utilizados. — Foto: Divulgação/Audaces
Audaces, de Santa Catarina, fabrica máquinas de corte de tecidos automatizadas, que reduzem custos e o desperdício dos materiais utilizados. — Foto: Divulgação/Audaces

A empresa nasceu em 1992 atuando apenas no desenvolvimento de softwares e, desde 2000, se transformou também em indústria. Atualmente, possui mais de 15 mil clientes em mais de 70 países.

A companhia fabrica máquinas digitais e automáticas para confecções têxteis, e desenvolveu também uma plataforma de gestão com tecnologias que integram desde a etapa de criação de peças e moldes até o controle da ordem de produção, permitindo que dados sejam enviados remotamente, até mesmo de fora da fábrica, para os equipamentos de corte automatizados.

"Não é só uma máquina que corta sozinha. Temos clientes que conseguiram reduzir em mais de 30% o seu tempo de criação de coleção e uma redução de mais de 20% do consumo de tecidos", afirma o diretor executivo Matheus Fagundes. "Quando tem uma crise, as empresas acabam olhando para dentro, como podem se tornar mais eficiente. Então, neste momento, a gente acaba ganhando espaço e as nossas soluções têm ajudado também a indústria a se tornar mais 4.0".

"Não importa quanto a indústria vai ter de participação no PIB. A indústria vai ganhar mais protagonismo se for mais eficiente, não com protecionismo ou subsídio. Por isso, a agenda precisa ser pró-produtividade, de melhora do ambiente de negócios, de reforma tributária, de melhoria da educação e de adoção de tecnologias", resume Matos.


Conceito de indústria 4.0 ganha força com a pandemia
Conceito de indústria 4.0 ganha força com a pandemia

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terça-feira, 20 de julho de 2021

Chuva causa alagamentos e deixa mortos em província na região central da China

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Em apenas uma hora moradores ficaram ilhados em escolas e locais de trabalho na província de Henan; ao menos 12 pessoas morreram e 100 mil foram levadas para locais mais seguros. Estações de metrô foram inundadas e bairros inteiros ficaram cobertos de água.
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TOPO
Por Associated Press

Postado em 20 de julho de 2021 às 21h15m


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Inundação na China deixa passageiros presos em vagões do metrô
Inundação na China deixa passageiros presos em vagões do metrô

Ao menos 12 pessoas morreram e 100 mil tiveram que ser levadas para locais mais seguros devido a graves enchentes na capital da província de Henan, na região central China, nesta terça-feira (20). Alagamentos deixaram pessoas presas em metrôs, escolas e locais de trabalho durante toda a noite em Zhengshou.

Segundo a agência oficial de notícias chinesa Xinhua, com dados da agência meteorológica de Henan, apenas entre as 16h e às 17 horas, foram 20 centímetros de chuva, que transformaram as ruas em riachos de forte correnteza, prendendo carros e inundando estações de metrô.

Vídeos postados online mostravam bairros inteiros cobertos de água na altura da cintura e veículos flutuando na água lamacenta.

Veículos presos após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20) — Foto: Chinatopix Via AP
Veículos presos após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20) — Foto: Chinatopix Via AP

Ao norte, o famoso Templo Shaolin, conhecido pelo domínio das artes marciais de seus monges budistas, foi duramente atingido. A província de Henan abriga muitos locais culturais e uma importante base para a indústria e agricultura.

Pessoas ilhadas passaram a noite em seus locais de trabalho ou se hospedaram em hotéis próximos, sem conseguir chegar em suas casas.

Wang Guirong, uma gerente de restaurante de 56 anos, disse que planejava dormir no sofá de seu restaurante após ser informada de que não havia eletricidade em seu bairro. A State Grid Zhengzhou Power Supply Co. disse que uma subestação no centro da cidade foi forçada a fechar por causa da chuva.

Pessoas tentam atravessar ruas alagadas após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20) — Foto: Chinatopix Via AP
Pessoas tentam atravessar ruas alagadas após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20) — Foto: Chinatopix Via AP 

Vivi em Zhengzhou toda a minha vida e nunca vi uma tempestade tão forte como hoje, disse Wang.

A China sofre inundações regulares durante os meses de verão, mas o crescimento das cidades e a conversão de terras agrícolas em subdivisões aumentaram o impacto de tais eventos.

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