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quarta-feira, 7 de julho de 2021

Mundo passa de 4 milhões de mortes por Covid, mas número 'subestima o total de vítimas', diz OMS

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OMS O último milhão de óbitos foi registrado em tempo recorde: apenas 81 dias. Brasil passou a Índia de novo e é o país que tem a maior média de novas vítimas do novo coronavírus.
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Por Lucas Sampaio, G1

Postado em 07 de julho de 2021 às 11h45m


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Mundo passa de 4 milhões de mortes por Covid-19 — Foto: Bruno Kelly/Reuters
Mundo passa de 4 milhões de mortes por Covid-19 — Foto: Bruno Kelly/Reuters

O mundo passou de 4 milhões de mortes causadas pela Covid-19, mas o número "subestima o total de vítimas", afirmou nesta quarta-feira (7) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom.

A marca é superada com o Brasil de novo como o país que tem a maior média diária de novas vítimas do coronavírus do planeta (veja mais abaixo).

Foram 263 dias para a pandemia chegar ao 1º milhão de vítimas, mais 108 dias para o 2º milhão, outros 93 dias para o 3º milhão e apenas 81 dias para ultrapassar a marca atual.

"O mundo está em um ponto perigoso nesta pandemia. Acabamos de ultrapassar a trágica marca de 4 milhões de mortes registradas de Covid-19, o que provavelmente subestima o número total de vítimas", afirmou Tedros.

Apesar da declaração, o painel da OMS reporta na manhã desta quarta 3.988.565 mortes causadas pela Covid-19. O monitoramento da Universidade Johns Hopkins aponta 3.995.703 vítimas e o "Our World in Data", projeto ligado à Universidade de Oxford, 3,99 milhões.

VEJA TAMBÉM: Variantes estão vencendo 'corrida contra vacinas' por causa da desigualdade na aplicação, diz OMS

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante reunião em Genebra em 24 de maio — Foto: Laurent Gillieron/Pool via Reuters
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante reunião em Genebra em 24 de maio — Foto: Laurent Gillieron/Pool via Reuters

O mundo registrou o último milhão de mortes em tempo recorde, mas número de novas vítimas tem desacelerado nos últimos meses, de uma média de 13,9 mil no fim de de abril para 7,8 mil atualmente.

Brasil como o pior país

O número de mortes por Covid-19 tem recuado também no Brasil, de uma média de mais de 3,1 mil em meados de abril para cerca de 1,5 mil por dia na última semana, mas o patamar atual ainda é muito alto.

O Brasil é o país que a maior média de óbitos por dia por Covid-19 desde 20 de junho (posto que já havia ocupado entre março e abril deste ano e entre junho e julho do ano passado).

Atualmente, a média diária de vítimas no Brasil é mais do que a de Índia e Rússia juntos (o 2º e 3º países do ranking. Veja na tabela abaixo:)

Países com as maiores médias de novas mortes por Covid-19

1. Brasil 1.574
2. Índia 806
3. Rússia 658
4. Colômbia 591
5. Indonésia 511
6. Argentina 483
7. África do Sul 305
8. Peru 213
9. EUA 198
10. México 154

O mundo tem atualmente 184 milhões de casos de Covid-19 confirmados, e os países já aplicaram mais de 3,2 bilhões de vacinas para combater a doença e o vírus.

O Brasil é o 2º país com mais óbitos, o 3º com mais infectados e o 4º que mais aplicou doses de imunizantes.

Todos os números são do "Our World in Data", projeto ligado à Universidade de Oxford, e da Universidade Johns Hopkins.

As 10 nações com mais óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia são:

Os 10 países com mais mortes por Covid

1. EUA 605 mil
2. Brasil 525 mil
3. Índia 403 mil
4. México 233 mil
5. Rússia 137 mil
6. Reino Unido 128 mil
7. Itália 127 mil
8. França 111 mil
9. Colômbia 109 mil
10. Argentina 96 mil

Os 10 países com mais casos confirmados de Covid

1. EUA 33,7 milhões
2. Índia 30,6 milhões
3. Brasil 18,7 milhões
4. França 5,8 milhões
5. Rússia 5,5 milhões
6. Turquia 5,4 milhões
7. Reino Unido 4,9 milhões
8. Argentina 4,5 milhões
9. Colômbia 4,3 milhões
10. Itália 4,2 milhões

Os 10 países com mais vacinas contra a Covid-19 aplicadas são:

Os 10 países com mais vacinas contra Covid aplicadas

1. China 1,32 bilhão
2. Índia 351 milhões
3. EUA 330 milhões
4. Brasil 106 milhões
5. Reino Unido 79 milhões
6. Alemanha 77 milhões
7. França 56 milhões
8. Turquia 54 milhões
9. Itália 53 milhões
10. Japão 50 milhões

O primeiro milhão de mortes foi marcado por uma primeira onda na Europa, entre março e abril de 2020, que assustou o mundo e levou os países a adotarem severas medidas de restrição para diminuir a proliferação do vírus.

O segundo milhão de vítimas foi marcado por uma aceleração constante no número de óbitos primeiro na Europa, impulsionada pela variante alfa, detectada inicialmente no Reino Unido, e posteriormente nos Estados Unidos, o que levou o mundo a atingir na época o recorde de mortes diárias.

O terceiro milhão de óbitos foi marcado por uma forte queda no número de mortes tanto nos EUA quanto na Europa, após severas restrições e com a aceleração da vacinação. Ao mesmo tempo, os óbitos já começavam a crescer na América do Sul e na Ásia, a partir de março.

Já o quarto milhão foi marcado por uma disparada da pandemia na América do Sul e na Ásia, sobretudo por causa do Brasil e da Índia.

Corpos enterrados em covas rasas nas margens do Rio Ganges, perto de um local de cremação, em Prayagraj, na Índia, em 15 de maio de 2021. Suspeita é que corpos são de vítimas da Covid-19. — Foto: Rajesh Kumar Singh/AP
Corpos enterrados em covas rasas nas margens do Rio Ganges, perto de um local de cremação, em Prayagraj, na Índia, em 15 de maio de 2021. Suspeita é que corpos são de vítimas da Covid-19. — Foto: Rajesh Kumar Singh/AP

Variantes gama e delta

Na América do Sul, a variante gama (ou P.1) se espalhou pelo Brasil e depois para os outros países da região, causando uma onda de casos e mortes inclusive em países com a vacinação mais adiantada, como Chile e Uruguai.

Na Ásia, a variante delta devastou a Índia, que passou por um completo colapso sanitário e hospitalar entre abril e maio e bateu todos os recordes mundiais de casos e mortes por Covid-19.

Desde então, a variante delta tem se espalhado pelo mundo e causado uma forte alta de mortes em diversos países — da Rússia à Indonésia — e também de casos até em nações que são referência na vacinação contra a Covid-19, como Israel e Reino Unido.

Entenda por que a chegada da variante delta preocupa especialistas
Entenda por que a chegada da variante delta preocupa especialistas

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terça-feira, 6 de julho de 2021

Eduardo Saverin, do Facebook, ultrapassa Jorge Paulo Lemann como brasileiro mais rico; veja lista

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A fortuna do empresário nesta terça-feira é estimada pela revista Forbes em US$ 19,4 bilhões.
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Por G1

Postado em 06 de julho de 2021 às 17h10m


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Eduardo Saverin, cofundador do Facebook — Foto: Roslan Rahman/AFP/Arquivo
Eduardo Saverin, cofundador do Facebook — Foto: Roslan Rahman/AFP/Arquivo

O empresário Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, tornou-se nesta terça-feira (6) o brasileiro mais rico na lista de bilionários da Forbes, com fortuna estimada de US$ 19,4 bilhões. Ele ultrapassa o empresário e investidor Jorge Paulo Lemann, do 3G Capital, que detém US$ 19 bilhões.

Eduardo Luiz Saverin nasceu em São Paulo e tem 39 anos de idade. Sua família se mudou no início dos anos 1990 para os Estados Unidos, onde foi criado.

Em 2004, Saverin fundou o Facebook ao lado de seu colega de classe de Harvard Mark Zuckerberg. Nos anos seguintes, eles discordaram sobre os rumos da rede social, caso que acabou indo parar na justiça e foi retratado no filme "A Rede Social", de 2010.

Depois de deixar a empresa, Saverin mudou-se para Singapura, onde se tornou investidor-anjo de novas empresas de tecnologia.

Com a abertura de capital da empresa, o brasileiro entrou para a lista de bilionários da Forbes em 2011 com a valorização de sua participação minoritária no Facebook. Em 2015, ele lançou o fundo de risco B Capital, com o Boston Consulting Group e o investidor Raj Ganguly.

Mudanças na lista

A última lista de bilionários da Forbes mostrou que o número de bilionários 'explodiu' durante a pandemia e chegou a 2.755 – 660 a mais que um ano atrás. No Brasil, a principal mudança foi a estreia dos irmãos Safra na lista: Jacob, David, Alberto e Esther.

Os quatro são filhos de Joseph Safra, dono do Banco Safra falecido em dezembro, e até então o homem mais rico do país. Juntos, a fortuna do quarteto é estimada em US$ 7,8 bilhões.

Atrás de Saverin, o segundo lugar entre os brasileiros fica com Jorge Paulo Lemann, do 3G Capital, e sua fortuna de US$ 19 bilhões. O pódio brasileiro se completa com Jorge Moll Filho, fundador da Rede D'Or, e seu patrimônio estimado de US$ 13,4 bilhões.

Os sócios de Lemann no fundo, Marcel Telles (4º lugar), Carlos Alberto Sicupira (6º lugar) e Alexandre Behring (9º lugar), também estão na lista. Veja abaixo o "top 10".

  1. Eduardo Saverin (Facebook): US$ 19,4 bilhões
  2. Jorge Paulo Lemann (3G Capital): US$ 19 bilhões
  3. Jorge Moll Filho (Rede D'Or): US$ 13,4 bilhões
  4. Marcel Telles (3G Capital): US$ 12,7 bilhões
  5. André Esteves (BTG Pactual): US$ 9,9 bilhões
  6. Carlos Alberto Sicupira (3G Capital): US$ 9,8 bilhões
  7. Rubens Ometto (Cosan): US$ 9,2 bilhões
  8. Irmãos Safra (Banco Safra): US$ 7,8 bilhões
  9. Alexandre Behring (3G Capital): US$ 7,2 bilhões
  10. Alceu Feldmann (Fertipar): US$ 6,1 bilhões
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Onda de calor: 'Terra do Papai Noel' tem dia mais quente em mais de um século

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Segundo especialistas em mudanças climáticas, o aquecimento global não vai necessariamente aumentar as temperaturas em todas as estações do ano, mas principalmente ampliar os episódios de condições climáticas extremas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 06 de julho de 2021 às 14h25m


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Mapa feito a partir de imagens de satélite divulgado pela Organização Meteorológica Mundial — Foto: WMO via BBC
Mapa feito a partir de imagens de satélite divulgado pela Organização Meteorológica Mundial — Foto: WMO via BBC

Em meio a ondas de calor no verão do hemisfério norte, a região da Lapônia, conhecida popularmente como a "Terra do Papai Noel", registrou as temperaturas mais altas em pouco mais de cem anos.

Segundo dados do Instituto de Meteorologia da Finlândia, a estação meteorológica da reserva natural de Kevo, por exemplo, registrou 33,6ºC na segunda-feira (5), a maior marca na região desde 1914. Naquele ano, o mais extenso município finlandês, Inari, registrou a marca de 34,7ºC.

Em geral, a temperatura média no mês de julho no município de Utsjoki, onde fica a reserva natural de Kevo, gira entre a temperatura máxima de 16ºC e a mínima de 8ºC. No inverno, a temperatura média fica em -4ºC. Em 2015, a região bateu o recorde de -37,3ºC.

Segundo especialistas em mudanças climáticas, o fenômeno do aquecimento global não vai necessariamente aumentar as temperaturas em todas as estações do ano, mas principalmente ampliar os episódios de condições climáticas extremas.

No verão do hemisfério norte deste ano, por exemplo, a amplitude térmica ao longo do dia pode ser enorme: ir de 32ºC de dia a 10ºC durante a noite.

A principal atração turística da região ligada ao tema natalino fica na cidade de Rovaniemi, capital da Lapônia, a quase cinco horas de carro ao sul de Kevo. Ali, fica a Vila do Papai Noel, criada nos anos 1980 e que hoje conta com um complexo de chalés em que funcionam um hotel, dois restaurantes, lojas temáticas, o recanto do Papai Noel e o correio que recebe cartas do mundo todo. A linha do Círculo Polar Ártico passa pelo meio da Vila do Papai Noel.

Uma equipe do turismo local, vestida como Papai Noel e duendes, chegou a publicar uma foto no Instagram ao lado de um termômetro que marcava 34ºC.

O calor intenso neste ano na Lapônia levou o Instituto de Meteorologia da Finlândia a emitir alertas. "Pessoas com doenças crônicas devem apresentar sintomas mais acentuados e difíceis. O estresse causado pelo calor limitará a capacidade de trabalho de pessoas saudáveis", afirmou o órgão sobre a onda de calor.

O instituto também alertou sobre os riscos de incêndio nas florestas desta que é a região mais setentrional (ao norte) do país.

"O perigo de incêndios florestais se dá por causa da secura do solo. Em caso de tempo com muito vento, incêndios florestais espalham-se rapidamente."

Algo parecido tem acontecido no Canadá nos últimos dias, país da América do Norte que enfrenta um fenômeno conhecido como "cúpula de calor". A cidade de Lytton beirou os 50ºC, e mais de cem mortes súbitas foram associadas ao calor extremo.

Veja no VÍDEO abaixo: incêndio após onda de calor devastou a cidade canadense de Lytton
VÍDEO: Imagens mostram queimada que devasta vilarejo no Canadá
VÍDEO: Imagens mostram queimada que devasta vilarejo no Canadá


A Vila do Papai Noel, a oito km da cidade, é um complexo de chalés em que funcionam hotel, restaurantes e lojas temáticas — Foto: VISIT ROVANIEMI/DIVULGAÇÃO via BBC
A Vila do Papai Noel, a oito km da cidade, é um complexo de chalés em que funcionam hotel, restaurantes e lojas temáticas — Foto: VISIT ROVANIEMI/DIVULGAÇÃO via BBC

O meteorologista Mika Rantanen, pesquisador de mudanças climáticas e climas extremos do Instituto de Meteorologia da Finlândia, afirmou à emissora pública Yle que as mudanças climáticas não são as únicas causas dessas altas temperaturas. Para ele, não devemos nos perguntar se o aquecimento global causou ondas de calor ou temporais, por exemplo, mas quanto esse fenômeno intensificou as ondas de calor ou os temporais.

Rantanen publicou em seu perfil no Twitter que o país está próximo de bater o recorde de 26 dias consecutivos de temperaturas máximas acima de 25ºC. A contagem atual soma 19 dias.

Enquanto isso, aponta o pesquisador, a extensão do gelo do Ártico também bateu recorde, mas negativo. São 1,1 milhão de quilômetros quadrados a menos do que a extensão registrada na primeira década dos anos 2000, uma área quase equivalente ao Estado do Pará.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

A mulher que deu a volta ao mundo andando

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Em busca de conexões mais profundas, Angela Maxwell partiu em uma caminhada que durou mais de seis anos, foi marcada por muitos percalços e transformou sua vida.
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TOPO
Por Florian Sturm, BBC

Postado em 05 de julho de 2021 às 15h50m


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Angela Maxwell buscou inspiração em outras exploradoras, incluindo Robyn Davidson e Rosie Swale-Pope — Foto: Angela Maxwell via BBC
Angela Maxwell buscou inspiração em outras exploradoras, incluindo Robyn Davidson e Rosie Swale-Pope — Foto: Angela Maxwell via BBC

"Por quê?" É uma pergunta simples, que as pessoas fazem com frequência a Angela Maxwell.

No entanto, até recentemente, a americana tinha dificuldade de apontar o motivo exato que a fez abrir mão de tudo para ir em busca de um grande sonho.

Mas, para Maxwell, é uma pergunta que vale a pena responder. Afinal, ela embarcou em uma jornada que poucas pessoas se atreveriam a enfrentar: em 2013, ela decidiu dar a volta ao mundo — andando e sozinha.

Uma caminhada solo dessa magnitude não era algo que Maxwell havia planejado. Na verdade, ela partiu nesta aventura nove meses depois de ter ouvido uma conversa em seu curso de arte sobre um homem que supostamente havia dado a volta ao mundo andando.

A jornada de Maxwell não nasceu de um momento de perda, derrota ou crise pessoal. Quando ela decidiu embarcar em uma caminhada de longa distância, ela estava na casa dos 30 anos, tinha um negócio de sucesso e estava em um relacionamento.

"Achava que estava feliz", diz ela, "mas fazendo uma retrospectiva, percebi que estava à procura de algo mais... de uma conexão mais profunda com a natureza e as pessoas — vivendo com menos e me conectando com o mundo ao meu redor."

A melhor maneira de descobrir isso, ela imaginou, era dando um passo atrás do outro.

Inspiração

Caminhar minimizaria sua pegada de carbono, além do que o ritmo lento significava que ela poderia mergulhar totalmente na natureza, conhecer pessoas e entender outras culturas de uma forma que é única para andarilhos.

Enquanto se preparava, Maxwell descobriu todo um universo de mulheres exploradoras para encoraja-la. Ela se apaixonou pela escrita e pelo estilo slow travel de Robyn Davidson, que atravessou a Austrália em um camelo.

Ela aprendeu sobre a andarilha Ffyona Campbell; e leu sobre Rosie Swale-Pope, que viajou de carona da Europa ao Nepal, deu a volta ao mundo velejando, cruzou o Chile a cavalo e, aos 59 anos, começou a dar a volta ao mundo correndo.

"Eu li seus livros na esperança de encontrar incentivo — e encontrei —, ao aprender sobre seus desafios e dificuldades, assim como seus triunfos. A história de cada mulher era muito diferente e isso me deu a confiança para tentar minha caminhada", conta Maxwell.

Assim que tomou a decisão de ir, ela vendeu todos os seus pertences e organizou o equipamento necessário. Encheu um carrinho de mão com 50 quilos de equipamento para acampar, comida desidratada, filtro de água de padrão militar e roupas para as quatro estações do ano.

Maxwell deixou Bend, sua cidade natal no Oregon, em 2 de maio de 2014 e partiu para uma aventura tão grande que era provavelmente melhor que não soubesse exatamente o que a esperava ao longo do caminho.

'Ambição, teimosia e paixão'

A americana teve insolação no deserto australiano e pegou dengue no Vietnã — Foto: Angela Maxwell via BBC
A americana teve insolação no deserto australiano e pegou dengue no Vietnã — Foto: Angela Maxwell via BBC

Quando falei com Maxwell pela primeira vez em junho de 2018, ela já estava viajando há quase quatro anos. Tinha caminhado mais de 20 mil quilômetros por 12 países em três continentes.

Curioso, perguntei a ela que tipo de pessoa é preciso ser para dar a volta ao mundo andando. Ela brincou: "Teimosa".

Em seguida, acrescentou: "É provavelmente uma combinação de ambição, um pouco de teimosia e uma pitada de paixão — não pela caminhada como um esporte, mas como autoconhecimento e aventura".

Maxwell contou que, embora ela rapidamente tenha encontrado sua rotina — acordar por volta do nascer do sol, tomar duas xícaras de café instantâneo acompanhadas por uma tigela de mingau de aveia no café da manhã, empacotar tudo, caminhar, armar o acampamento para passar a noite, comer macarrão instantâneo e se aconchegar no saco de dormir — nenhum dia era igual ao outro.

Inicialmente, ela traçou um plano, mas logo percebeu que os desvios faziam parte da aventura. É por isso que, apesar de seguir uma direção geral, ela sempre confiaria em sua intuição sobre onde virar à esquerda ou à direita.

Maxwell sofreria queimaduras do sol e insolação no deserto australiano e pegaria dengue no Vietnã; seria atacada e estuprada por um nômade que invadiu sua tenda na Mongólia; ouviria tiros ao acampar na Turquia; e aprenderia a dormir com um olho e um ouvido bem abertos, para não ficar à mercê da vulnerabilidade do sono profundo.

'Estava decidida a não desistir do meu sonho'

'Não comecei a andar porque era destemida — mas, sim, porque estava apavorada' — Foto: Angela Maxwell via BBC
'Não comecei a andar porque era destemida — mas, sim, porque estava apavorada' — Foto: Angela Maxwell via BBC

Maxwell havia previsto provações de todos os tipos, embora fosse impossível saber quais seriam.

"Mesmo assim", diz ela, "não comecei a andar porque era destemida — mas, sim, porque estava apavorada. Tinha mais medo de não seguir meu coração do que de perder tudo o que possuía e amava."

Lidar com o trauma do abuso sexual acabou se tornado um momento decisivo, no qual Maxwell decidiu continuar caminhando. Embora ela ainda estivesse com medo, as histórias de perseverança e força de outras mulheres a ajudaram a continuar:

"Estava decidida a não deixar que aquilo me obrigasse a desistir do meu sonho e a voltar para casa. Tinha deixado todo o meu mundo para trás, não tinha nada para voltar e compreendia os riscos inerentes à minha jornada."

Maxwell estava caminhando para descobrir o quão forte seu corpo e mente poderiam ser, mesmo diante da violência. Ao longo do caminho, o ritmo lento permitiu que ela fosse atraída — brevemente, mas profundamente — por outras culturas.

Encontros interculturais

O ritmo lento da viagem a estabelecer conexões significativas aonde quer que ela fosse — Foto: Angela Maxwell via BBC
O ritmo lento da viagem a estabelecer conexões significativas aonde quer que ela fosse — Foto: Angela Maxwell via BBC

Ela percorreu pequenos vilarejos à beira-mar ao longo do Mar Tirreno, na Itália, absorvendo a atmosfera vibrante e aceitando convites para conversar, sentar e tomar vinho.

No Vietnã, exausta depois de chegar ao topo da montanha Hai Van Pass, ela foi saudada por uma senhora idosa que a convidou para descansar em sua pequena cabana de madeira no cume durante a noite.

Uma relação de amizade nasceu na fronteira entre a Mongólia e a Rússia, levando a um reencontro anos depois na Suíça. Maxwell até se tornou madrinha da filha de uma mulher que conheceu na Itália.

Independentemente de esses encontros interculturais durarem sete minutos ou sete dias, Maxwell sempre manteve duas coisas em mente. Primeiro, ser uma boa ouvinte para aprender.

"Andar me ensinou que tudo e todos têm uma história para compartilhar, só temos que estar dispostos a ouvir", observa.

Ao longo de sua jornada, ela aprendeu receitas tradicionais de família em um vilarejo italiano, apicultura na Geórgia e tratamento de camelos na Mongólia na histórica Rota da Seda.

Em segundo lugar, Maxwell aprendeu a importância da contribuição. Ela cortou lenha na Nova Zelândia e distribuiu comida para moradores de rua na Itália. Na Sardenha, ela ajudou um fazendeiro italiano a reformar sua casa.

'Desistir nunca foi opção'

Maxwell sempre seguiu sua intuição sobre onde virar à esquerda ou à direita — Foto: Angela Maxwell via BBC
Maxwell sempre seguiu sua intuição sobre onde virar à esquerda ou à direita — Foto: Angela Maxwell via BBC

Na maioria das vezes, no entanto, as histórias de Maxwell foram sua maior contribuição. Ela falou em encontros informais, em escolas e universidades, e até mesmo no palco do TEDx em Edimburgo, na Escócia, compartilhando suas experiências para inspirar outras pessoas.

Ela se tornou uma voz pelo empoderamento feminino, especialmente depois que decidiu continuar caminhando apesar do ataque na Mongólia. "Desistir nunca foi uma opção", diz ela.

Ao longo de sua peregrinação, Maxwell coletou doações para ONGs como a World Pulse e Her Future Coalition, que se dedicam a apoiar meninas e mulheres jovens. No total, ela arrecadou cerca de US$ 30 mil.

Abraçar a curiosidade e a mente aberta, sugere Maxwell, é uma maneira poderosa de "vivenciar mais profundamente o mundo e seus habitantes".

Por seis anos e meio, Maxwell escolheu um estilo de vida de curiosidade, incerteza e extrema vulnerabilidade. E ela fez isso em busca de algo que nunca poderia ter certeza de encontrar: felicidade pessoal e uma conexão mais profunda com o mundo ao seu redor.

Em 16 de dezembro de 2020, a peregrinação de Maxwell chegou ao fim exatamente onde começou: na casa de sua melhor amiga Elyse em Bend.

Assim como ela atendeu ao chamado para começar sua jornada, ela sabia que era a hora certa para encerrá-la. Ela sabia, também, que essa aventura havia se tornado um modo de vida ao qual ela poderia retornar a qualquer momento.

Por enquanto, porém, ela está trabalhando em um livro, planejando futuras viagens e criando maneiras de as mulheres encontrarem, expressarem e incorporarem coragem em suas vidas diárias.

Quer uma caminhada leve ao outro lado do mundo ou só até o fim da rua, Maxwell mostrou o verdadeiro valor de desacelerar, prestar mais atenção e dar mais do que recebemos ao longo do caminho.

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