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quinta-feira, 4 de junho de 2020

China demorou para divulgar genoma do coronavírus para a OMS, de acordo com agência de notícias

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Associated Press ouviu gravações de reuniões da Organização Mundial de Saúde que revelam que autoridades da entidade estavam frustradas com a demora da China para tornar público o sequenciamento genético do coronavírus. 
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Por G1  
03/06/2020 10h34  Atualizado há um dia  
Postado em 04 de junho de 2020 às 11h00m  


      Post.N.\9.319  
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Pesquisador realiza testes no Centro de Inovação Avançada de Genômica da Universidade de Pequim, na China. O laboratório trabalha no desenvolvimento de um medicamento que acredita ter o poder de interromper a pandemia de coronavírus COVID-19, diminuindo o tempo de recuperação dos infectados e até oferecendo imunidade a curto prazo — Foto: Wang Zhao/AFP
Pesquisador realiza testes no Centro de Inovação Avançada de Genômica da Universidade de Pequim, na China. O laboratório trabalha no desenvolvimento de um medicamento que acredita ter o poder de interromper a pandemia de coronavírus COVID-19, diminuindo o tempo de recuperação dos infectados e até oferecendo imunidade a curto prazo — Foto: Wang Zhao/AFP

Ao longo do mês de janeiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elogiou publicamente a China pela prontidão na resposta da China ao novo coronavírus. A entidade agradeceu o governo chinês por compartilhar um mapa genético "imediatamente" e disse que seu trabalho e compromisso com a transparência eram muito impressionantes.
No entanto, nos bastidores a história era diferente. Autoridades da OMS ficaram frustrados por não ter as informações que precisavam para combater a Covid-19, de acordo com uma reportagem da The Associated Press.
Assembleia Mundial da Saúde termina em meio a agravamento da tensão entre EUA, OMS e China
Assembleia Mundial da Saúde termina em meio a agravamento da tensão entre EUA, OMS e China

Nesta quarta-feira (3), o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, afirmou que a reportagem da Associated Press é completamente falsa.

A China demorou para divulgar o mapa genético (ou genoma) do vírus por mais de uma semana depois que três laboratórios do governo já tinham decodificado a informação.

Controles rígidos de informação e a competição interna no sistema de saúde pública chinês são os culpados, de acordo com dúzias de entrevistas e relatórios internos.

Informações chegaram tarde
O governo chinês só divulgou o genoma depois que um outro laboratório publicou a informação em um site de virologia, em 11 de janeiro. Mesmo então, a China demorou ao menos duas semanas para fornecer dados detalhados à OMS sobre pacientes e casos, de acordo com registros de encontros internos feitos pela agência ao longo de janeiro --um momento no qual a pandemia poderia ter sido reduzida.

Os elogios da OMS à China se deram porque havia a intenção de obter mais informação do governo. De forma privada, eles reclamaram no dia 6 de janeiro que a China não estava compartilhando dados para avaliar o surto do vírus entre as pessoas ou os riscos que ele representava ao resto do mundo. Foi uma perda de tempo valioso.

"Nós estamos com apenas o mínimo de informação, claramente não é o suficiente para o planejamento apropriado", disse a epidemiologista dos EUA Maria Van Kerkhove, hoje a técnica líder da OMS para Covid-19, em uma reunião interna.

"Estamos no momento em que ficamos sabendo 15 minutos antes de aparecer na TV estatal chinesa", disse Gauden Galea, líder da OMS na China, em outra reunião interna.

A história por trás das respostas iniciais ao vírus aparece em um momento em que a agência está sob ataque, e aceitou uma avaliação externa de como a pandemia foi gerenciada globalmente.

Depois de elogiar a resposta chinesa, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a OMS e cortou as ligações com a entidade. Os americanos eram os maiores doadores, com cerca de US$ 450 milhões por ano.

O presidente da China, Xi Jinping, prometeu contribuir com US$ 2 bilhões nos próximos dois anos para a luta contra a Covid-19. Xi afirma que a China sempre informou a OMS no tempo adequado.

A nova informação não corrobora com a narrativa dos EUA ou da China, mas mostra que uma agência está entre os dois, e que tentou obter dados com urgência, apesar de sua autoridade limitada.

Apesar de a lei internacional obrigar os países a relatar informação à OMS, a agência não tem poder para obrigar um governo a tomar uma ação.

As gravações sugerem que a OMS estava no escuro, e não compactuou com a China.
A agência, no entanto, retratou o governo chinês em uma boa forma, provavelmente para obter mais informações.

CORONAVÍRUS

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quarta-feira, 3 de junho de 2020

Com pandemia, produção industrial tem tombo recorde de 18,8% em abril, diz IBGE

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Foi a queda mais intensa já registrada desde o início da série histórica, em 2002. Entre os grupos, só produtos alimentícios, farmacêuticos e de higiene e limpeza tiveram alta. Produção de caixões e bicicletas ergométricas cresceu.  
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1  
03/06/2020 09h00  Atualizado há 2 horas  
Postado em 03 de junho de 2020 às 11h05m  
      Post.N.\9.318  
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Produção industrial cai 18,8% em abril e tem pior resultado em 18 anos
Produção industrial cai 18,8% em abril e tem pior resultado em 18 anos

A produção industrial brasileira desabou 18,8% em abril, na comparação com março e atingiu o nível mais baixo já registrado no país, conforme divulgou nesta quarta-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O tombo recorde evidencia a dimensão do impacto da pandemia de coronavírus e das medidas de isolamento social na atividade econômica.
"É a queda mais intensa da indústria desde o início da série histórica, em 2002, e o segundo resultado negativo seguido, com perda acumulada de 26,1% no período", informou o IBGE.
Em março, a produção já havia recuado 9% frente ao mês anterior — variação que foi revisada pelo IBGE ante queda de 9,1% anteriormente divulgada.

Com o tombo de abril, o patamar da produção industrial no país ficou 38,3% abaixo de pico histórico, registrado em maio de 2011. "É o patamar mais baixo da série histórica na pesquisa. Estamos no piso da produção industrial", afirmou o gerente da pesquisa, André Macedo.
Produção industrial mensal — Foto: Economia G1
Produção industrial mensal — Foto: Economia G1

Na comparação com abril do ano passado, a queda foi ainda maior, de 27,2%, o sexto resultado negativo seguido nessa comparação e também recorde negativo da série histórica da pesquisa.

Apesar da forte queda, o resultado de abril veio menos ruim que o esperado. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de queda de 29,2% na variação mensal e de 33,1% na base anual.
No ano, de janeiro a abril, a produção industrial encolheu 8,2%, e nos últimos 12 meses, passou a acumular retração de 2,9%.
O resultado de abril decorre, claramente, do número maior de paralisações das várias unidades produtivas, em diversos segmentos industriais, por conta da pandemia. Março já tinha apresentado resultado negativo. Agora, em abril, vemos um espalhamento, com quedas de magnitudes históricas, de dois dígitos, em todas as categorias econômicas, destacou Macedo.
22 dos 26 segmentos tiveram queda
A queda da produção foi generalizada, alcançando todas as grandes categorias econômicas e 22 dos 26 ramos pesquisados, sendo que 15 registraram queda recorde.
Segundo o IBGE, a maior influência em abril veio da paralisação quase que completa da indústria automobilística.

A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias desabou 88,5%, na comparação com março e 92,1% na comparação anual, pressionada, em grande medida, pelas paralisações e interrupções na maioria das fábricas do país. Foi a queda mais intensa desde o início da série histórica. Considerando apenas a produção de automóveis, o recuou chegou a 99,9% na comparação com abril do ano passado.


Volkswagen retoma produção em Taubaté após dois meses de paralisação
Volkswagen retoma produção em Taubaté após dois meses de paralisação

A interrupção da produção de veículos impactou outros segmentos industriais, como metalurgia (-28,8%), produtos de borracha e de material plástico (-25,8%) e máquinas e equipamentos (-30,8%).

Outros recuos relevantes no mês foram observados nas atividades de couro, artigos para viagem e calçados (-48,8%), bebidas (-37,6%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-37,5%), máquinas e equipamentos (-30,8%) e produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-18,4%).

A produção só cresceu nas nas atividades relacionadas a itens essenciais e a mudanças de hábitos de consumo em meio à pandemia. 

Produtos alimentícios (3,3%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,6%) voltaram a crescer após recuarem em março (-1,0% e -11%, respectivamente). O ramo de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal também teve alta (1,3%), enquanto o setor extrativo ficou estável.
Destaques da produção industrial em abril — Foto: Economia G1
Destaques da produção industrial em abril — Foto: Economia G1

Alta na produção de caixões e bicicletas ergométricas
O gerente da pesquisa destacou que, embora tenha apresentado queda de 30,6%, a atividade de produtos diversos registrou alta na produção de itens que estão relacionados com o consumo durante a pandemia. Entre eles, estão os caixões.

"Por questões de confidencialidade da pesquisa, não podemos informar a taxa de crescimento da produção dos itens individuais. Mas destaco que outros itens tiveram crescimento ainda maior que o de caixões, como as bicicletas ergométricas, o que pode estar associado à maior demanda por atividade física dentro de casa", ponderou.

Resultado por grandes categorias
Entre as grandes categorias econômicas, as quedas mais acentuadas em abril foram entre os bens de consumo duráveis, em grande parte, pela menor fabricação de automóveis. O tombo de quase 80% foi o maior desde o início da série histórica e marcou o terceiro mês seguido de queda.
  • bens de consumo duráveis: -79,6%
  • bens de capital: -41,5%
  • bens de consumo semi e não-duráveis: -12,4%
  • bens intermediários: -14,8%
Segundo Macedo, bens intermediários e de bens de consumo semi não duráveis tiveram quedas menos acentuadas por conta do crescimento na produção de alimentos, na indústria farmacêutica e no segmento de perfumaria, sabão e produtos de limpeza. São essas três atividades que vêm na contramão da indústria geral, destacou.

Perspectivas
No 1º trimestre, a produção industrial registrou queda de 2,6%, na comparação com o 4º trimestre, refletindo apenas os primeiros reflexos da pandemia no país e no comércio exterior. Já o PIB (Produto Interno Bruto) do setor industrial caiu 1,4% nos 3 primeiros meses do ano, na primeira retração desde o 4º trimestre de 2018.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o nível de utilização da capacidade de produção da indústria brasileira caiu para 49% em abril. Ou seja, a indústria brasileira operou com metade de sua capacidade de produção.

Os primeiros indicadores de maio apontam que a atividade do setor se manteve em nível crítico. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas avançou 3,2 pontos em maio, para 61,4 pontos, mas mesmo assim registrou o o segundo menor valor da série histórica da pesquisa, só ficando atrás da marca de abril (58,2 pontos).

Questionado sobre as perspectivas para o resultado da produção industrial em maio, o pesquisador do IBGE disse não ser possível fazer previsão, mas ponderou que a perda de fôlego do setor é evidente.

Temos uma grande quantidade de empresas que mantiveram paralisações. A forma como isso vai se refletir no mês de maio, a gente precisa aguardar. Mas é claro que o setor industrial está em um movimento importante de perda de ritmo. Isso fica muito traduzido pelo resultado de abril, avaliou.

Com a economia à beira de uma nova recessão, os economistas do mercado financeiro reduziram novamente a previsão para o PIB neste ano, conforme boletim "Focus" do Banco Central divulgado na segunda-feira. A projeção passou de queda de 5,89% para um tombo de 6,25% em 2020. Caso a expectativa se confirme, será o pior desempenho anual desde 1901, pelo menos.

Já projeção do mercado para a produção industrial em 2020 é de uma retração de 3,59%.


Indústria leva tombo no primeiro trimestre após 2019 devagar
Indústria leva tombo no primeiro trimestre após 2019 devagar

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terça-feira, 2 de junho de 2020

O 'salto genético' do coronavírus que facilita sua propagação

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Geneticista Maria Cátira Bortolini, da (UFRGS), e sua equipe vão publicar estudo sobre como vírus 'se adaptou' para contaminar humanos e sobre a proteína que permite entrada do vírus nas células.   
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 Por BBC  
 02/06/2020 09h55  Atualizado há 6 horas  
 Postado em 02 de junho de 2020 às  16h00m  

      Post.N.\9.317  
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Salto genético facilitou a propagação da pandemia — Foto: Getty Images via BBC
Salto genético facilitou a propagação da pandemia — Foto: Getty Images via BBC
Mutações aleatórias — como são todas as mutações — levaram o novo coronavírus, o Sars-CoV-2, a adquirir uma grande afinidade com uma proteína, a ACE2, presente nas células dos sistemas cardiovascular e respiratório humanos, transformando-a em porta de entrada para a infecção. A tarefa é facilitada pelo fato de que todas as pessoas têm os mesmos aminoácidos em 30 pontos chaves do contato entre o vírus e a ACE2, o que torna todas as populações humanas do planeta suscetíveis ao micro-organismo, facilitando a propagação da pandemia de Covid-19.

A descoberta é de um grupo de pesquisadores, liderados pela geneticista Maria Cátira Bortolini, coordenadora do Laboratório de Evolução Humana e Molecular, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O trabalho, que foi revisado por outros pesquisadores, será publicado em breve na revista científica de circulação internacional "Genetics and Molecular Biology", publicação da Sociedade Brasileira de Genética.

O estudo foi feito por meio de encontros virtuais, entre Maria Cátira, estudantes do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da UFRGS, do qual ela é orientadora, e ex-orientados, que hoje estão nas universidade de São Paulo (USP) e de Lausanne, na Suíça. Eles usaram informações sobre o novo coronavírus e a Covid-19 de artigos científicos que vêm sendo publicados desde janeiro deste ano e bancos públicos de dados genéticos.

Ele verificaram que o Sars-CoV-2 cooptou a proteína ACE2 — que está relacionada ao metabolismo do sistema cardiovascular, atuando na regulação da pressão sanguínea — para ingressar na célula do hospedeiro humano. Quando age de forma errada, ela está envolvida em hipertensão, arteriosclerose e infarto do miocárdio. Por isso, as pessoas com problemas cardíacos são do grupo de risco para a Covid-19.

Partindo desse conhecimento, Maria Cátira e sua equipe decidiram estudar a variabilidade da ACE2 e do gene que a codifica em 70 espécies de mamíferos placentários, entre os quais cães, gatos, tigres, carneiros, morcegos e pangolins. Também foram analisados os genomas de mais de mil seres humanos.

"Descobrirmos que esta proteína, considerando 30 pontos de contato com o vírus, é invariável em qualquer população humana", conta. "Isso significa que, potencialmente, somos todos igualmente suscetíveis ao micro-organismo. Portanto, há outros mecanismos para explicar a heterogeneidade da infecção e da doença em humanos, como, por exemplo, o sistema imunológico, cuidados, isolamento social ou tratamento médico."

O mesmo não ocorre nas outras espécies de mamíferos placentários estudados. Há diferenças importantes na proteína ACE2, que poderiam protegê-las da infecção. "Nosso estudo mostrou que os humanos são perfeitos como hospedeiros para o novo coronavírus", diz Maria Cátira. "Ele também poderia infectar, talvez com eficiência similar, grandes macacos, como chimpanzés e gorilas, mas não outras espécies, como os animais domésticos (cães e gatos) e outras selvagens."

De acordo com a pesquisadora, o Sars-CoV-2 provavelmente veio de um coronavírus do morcego e sofreu mutações. "Neste caso, elas levaram ao tropismo (afinidade) com as células humanas que apresentam a ACE2", explica. "Nesse momento, essa proteína passou a trabalhar para o vírus. Ou seja, além de deixar de funcionar para a célula humana começou a ajudar para o vírus."

De animais para os seres humanos
A primeira vez em que houve um salto genético desse tipo, ou seja, que um coronavírus oriundo de um animal infectou seres humanos, ocorreu em 2002, com o Sars-Cov-1, causador da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave, na sigla em inglês). Originado do civeta-de-palmeiras-mascarado (Paguma larvata), um pequeno carnívoro que vive no sudeste asiático, o Sars-CoV-1 atingiu 29 países, infectando mais de 8 mil pessoas, das quais cerca de 800 morreram.

Mais recentemente, em 2012, apareceu o Mers-CoV, oriundo de camelos da Arábia Saudita. Ele causa uma doença chamada de síndrome respiratória do Oriente Médio, que, do seu país de origem, se espalhou pela Europa, África e Estados Unidos. Com alta taxa de mortalidade (de 30 a 40%), ele infectou cerca de 2,5 mil pessoas. Apesar de perigosos, esses dois vírus não chegaram nem perto de causar os danos do Sars-CoV-2. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até hoje, 02/06, há 6,2 milhões de casos confirmados, com 376 mil mortes.

Não é de hoje que o homo sapiens tem convivido com epidemias de coronavírus. As três ocorridas nos últimos 20 anos são apenas as mais recentes.

"Esse tipo de vírus infectar humanos é algo comum, que faz parte da história da vida", diz Maria Cátira. "O que é marcante no novo coronavírus e na pandemia associada a ele é que agora somos uma espécie com tamanho populacional enorme, que vivemos em grandes aglomerados urbanos e com muita facilidade de se locomover de um local para outro, facilitando enormemente a sua propagação."

Isso começou a ocorrer quando os humanos passaram a ser sedentários, com a domesticação de animais e plantas, que caracterizou a chamada revolução neolítica ou agrícola, ocorrida há 12,5 mil anos. "Até então, homo sapiens vivia em pequenos bandos de caçadores-coletores e um ataque de coronavírus com muita virulência poderia dizimar somente um grupo isolado, de 20 a 30 pessoas, ou com relativas poucas mortes", explica Maria Cátira.
"Quando trocaram a vida de nômades pela sedentária de agricultores e domesticadores de animais e começaram a se aglomerar em aldeais e, mais tarde, cidades, o que não era tão relevante do ponto de vista epidemiológico se tornou devastador."
Ela lembra que, hoje, a população humana é de quase 8 bilhões de habitantes, interconectados de uma maneira sem precedentes. Uma pessoa pode ir de um lugar do planeta a qualquer outro em menos de 24 hoje, levando seus vírus e doenças. "Essa é a grande diferença", diz. "Patógenos [organismos causadores de doenças] sempre existiram na história de qualquer espécie. Com a nossa não é diferente."

CORONAVÍRUS

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Farmacêutica trabalha em versão inalável de antiviral em teste para Covid-19

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Em testes, remdesivir trouxe melhoras a pacientes com Covid-19, mas a Gilead e outras empresas estão procurando maneiras de fazê-lo funcionar melhor. 
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Por G1  
02/06/2020 11h04  Atualizado há 3 horas  
Postado em 02 de junho de 2020 às 14h15m  


      Post.N.\9.315  
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Laboratório da empresa Gilead produz antiviral Remdesivir — Foto: Gilead Sciences via AP
Laboratório da empresa Gilead produz antiviral Remdesivir — Foto: Gilead Sciences via AP

A Gilead Sciences está desenvolvendo versões mais fáceis de administrar do tratamento antiviral remdesivir para a Covid-19 que podem ser usadas fora de hospitais, incluindo por meio de inalação, depois que os testes mostraram eficácia moderada do medicamento administrado por infusão.

Em testes, o remdesivir trouxe melhoras a pacientes com Covid-19, mas a Gilead e outras empresas estão procurando maneiras de fazê-lo funcionar melhor.

Para pacientes gravemente doentes, a Roche e a Eli Lilly estão testando drogas em combinação com o remdesivir.

A Gilead também está tentando tratar o vírus mais cedo. Outros antivirais, como o comprimido de influenza Tamiflu, funcionam melhor quando administrados o mais cedo possível depois que alguém é infectado.

A Gilead disse em comunicado na segunda-feira (1) que está buscando maneiras de usar o remdesivir mais cedo no curso da doença, inclusive por meio de formulações alternativas. A empresa confirmou em um email mandado à agência Reuters que está pesquisando uma versão por meio de inalação, mas não deu mais detalhes.

Executivos da empresa, como o diretor médico Merdad Parsey e o vice-presidente financeiro Andrew Dickinson, vêm fazendo entrevistas com analistas de Wall Street nas últimas semanas para discutir os planos, que estão em estágios iniciais.

Eles disseram que, a longo prazo, a empresa está explorando uma formulação de injeção subcutânea de remdesivir, bem como versões de pó seco a serem inaladas. O medicamento não pode ser administrado como pílula, pois possui uma composição química que se degradaria no fígado, e a formulação intravenosa é usada apenas em hospitais.

A curto prazo, a Gilead está estudando como sua formulação intravenosa existente de remdesivir pode ser diluída para uso com um nebulizador.
A ideia é que um nebulizador tornaria o remdesivir mais diretamente disponível para as vias aéreas superiores e o tecido pulmonar, já que o coronavírus é conhecido por atacar os pulmões. Também permitiria o tratamento precoce de pacientes com coronavírus que não são hospitalizados.
"As pessoas esperam ansiosamente uma formulação para inalação a tempo", mas o desenvolvimento está nos estágios iniciais, disse Michael Yee, analista da Jefferies, acrescentando que a demanda pode ser limitada, pois muitas pessoas infectadas pelo vírus requerem tratamento mínimo.

Ele disse que a Gilead está aumentando sua capacidade de fornecer remdesivir e começou a conversar com governos de todo o mundo sobre preços comerciais.

Na segunda-feira, a Gilead relatou resultados de testes mostrando que o remdesivir intravenoso proporcionou um benefício modesto para pacientes hospitalizados com Covid-19 moderado em comparação ao tratamento padrão.

Antiviral
O remdesivir, desenvolvido pela farmacêutica Gilead, é um remédio experimental – não foi aprovado para tratar nenhuma doença até agora e não está disponível para compra no Brasil. O medicamento foi originalmente pensado para tratar hepatite, mas não funcionou; também foi testado para o ebola, sem resultados promissores, como reportou o jornal americano "The New York Times".

Um primeiro estudo publicado em 22 de maio na revista científica "The New England Journal of Medicince" apontou que o medicamento melhora o tempo de recuperação de pacientes de Covid-19 hospitalizados e com infecção do trato respiratório inferior.

Os dados continham uma análise preliminar de um ensaio clínico feito com 1.063 pacientes em 10 países (Estados Unidos, Dinamarca, Reino Unido, Grécia, Alemanha, Coreia do Sul, México, Espanha, Japão e Singapura). A pesquisa foi patrocinada pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos EUA.

As pessoas foram divididas em dois grupos – cerca de metade delas recebeu o remdesivir e a outra metade recebeu um placebo. Os resultados apontam que, entre os que se recuperaram, aqueles que tomaram o remdesivir tiveram um tempo médio de recuperação de 11 dias, comparados com os 15 dias necessários para os que não receberam o tratamento.

CORONAVÍRUS


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