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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Como as medidas contra o coronavírus estão fazendo a Terra vibrar menos

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Isolamento social fez com que 'ruído sísmico' causado por seres humanos fosse reduzido nas últimas semanas.
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 Por BBC  

 Postado em 06 de abril de 2020 às 20h05m  
      Post.N.\9.207  
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A Terra está vibrando menos por causa das medidas contra o coronavírus — Foto: Getty Images/BBCA Terra está vibrando menos por causa das medidas contra o coronavírus — Foto: Getty Images/BBC

A Terra está em pausa. Enquanto nós, humanos, enfrentamos o medo e o caos da pandemia de coronavírus, o planeta apresenta uma quietude incomum.

As medidas de confinamento que se espalharam pelo mundo fizeram bilhões de pessoas ficarem em casa. É um acontecimento sem precedentes, cujas consequências os cientistas estão começando a medir.

As ruas estão vazias, as lojas fechadas, os carros estacionados. Tudo isso reduziu o que os geólogos chamam de "ruído sísmico" gerado pelos seres humanos.

É o termo usado para descrever as vibrações que nossas atividades diárias causam na crosta terrestre.

O que está ocorrendo?
O que acontece pode ser comparado a várias pessoas pulando em um colchão ao mesmo tempo... e, de repente, todos param.
O fenômeno foi registrado por Thomas Lecocq, um sismólogo no Observatório Real da Bélgica.

Há três semanas, quando as medidas de contenção foram implementadas, Lecocq começou a perceber que seus equipamentos indicavam uma drástica diminuição nas vibrações.

"Tudo está calmo e as estações sísmicas também sentem essa tranquilidade", diz Lecocq à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

O sismólogo observou o efeito em Bruxelas, mas desde que publicou suas medições, ele começou a receber relatos de que algo semelhante está acontecendo em várias partes do mundo.
5 de abril - Moradores escrevem as palavras 'Fique em casa' com seus telefones, em Ruisbroek, perto de Bruxelas, na Bélgica — Foto: Francois Lenoir/Reuters 5 de abril - Moradores escrevem as palavras 'Fique em casa' com seus telefones, em Ruisbroek, perto de Bruxelas, na Bélgica — Foto: Francois Lenoir/Reuters

Um mundo mais calmo
As medições de Lecocq mostram que, desde que as medidas de confinamento começaram a ser aplicadas, o ruído sísmico gerado pelo homem foi reduzido em cerca de um terço.

"Diariamente está em níveis como os dos dias em torno do Natal, quando as escolas estão fechadas e as pessoas estão em casa", diz Lecocq.
A residente Françoise e seu filho Denis posam na varanda de sua casa com objetos significativos para eles durante isolamento imposto pelo governo belga na tentativa de retardar o surto de doença por coronavírus (COVID-19) em Bruxelas, na Bélgica, em 19 de março — Foto:  Yves Herman/ReutersA residente Françoise e seu filho Denis posam na varanda de sua casa com objetos significativos para eles durante isolamento imposto pelo governo belga na tentativa de retardar o surto de doença por coronavírus (COVID-19) em Bruxelas, na Bélgica, em 19 de março — Foto: Yves Herman/Reuters

Depois que Lecocq compartilhou suas medidas no Twitter, colegas de lugares como Zurique, Londres, Paris e Los Angeles também relataram reduções no ruído sísmico.

Lecocq afirma que também recebeu relatórios semelhantes do Japão, Itália, Costa Rica e Chile.

"As estações sísmicas mostram que as pessoas estão de fato em casa e estão fazendo a Terra vibrar menos", diz o sismólogo.

Boa notícia
A diminuição do ruído sísmico é uma boa notícia para os sismólogos.

À medida que há mais silêncio e quietude, os dispositivos sísmicos se tornam mais sensíveis e podem detectar outros movimentos que os alcançavam anteriormente com um sinal menos claro.
25 de março - Sinais que auxiliam no distanciamento social são usados ​​por compradores que esperam na fila de um supermercado em Austin, Texas, nos EUA. Os moradores da cidade estão sob ordens de ficarem em casa para ajudar a combater a propagação do novo coronavírus — Foto:  Eric Gay/AP25 de março - Sinais que auxiliam no distanciamento social são usados ​​por compradores que esperam na fila de um supermercado em Austin, Texas, nos EUA. Os moradores da cidade estão sob ordens de ficarem em casa para ajudar a combater a propagação do novo coronavírus — Foto: Eric Gay/AP

"Podemos notar mais terremotos pequenos e melhorar os estudos da crosta terreste porque há menos ruído e a qualidade do sinal é melhor", diz Lecocq.

A diminuição do ruído, segundo ele, tem um significado importante não apenas para os cientistas.

"Como sismólogos, estamos testemunhando a boa vontade do povo em respeitar as medidas", diz Lecocq.

"Todo ser humano pensa que o que ele faz não é importante, mas quando milhões de pessoas fazem isso ao mesmo tempo, a superfície da Terra percebe."

"Espero que continuemos em casa e respeitemos as regras para sairmos juntos dessa crise", conclui o sismólogo.

CORONAVÍRUS


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domingo, 5 de abril de 2020

Tigre tem teste positivo para coronavírus em zoológico de Nova York

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De acordo com o 'The New York Times', esta pode ser a primeira infecção do vírus em um animal nos EUA e também a primeira em um tigre no mundo.
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 Por G1  

 Postado em 05 de abril de 2020 às 21h35m  
      Post.N.\9.206  
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Nadia, uma tigresa malaia de 4 anos, no Zoológico do Bronx, em Nova York, em imagem se data; a instituição informou, em 5 de abril de 2020, que o animal testou positivo para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) — Foto: Reuters 
Nadia, uma tigresa malaia de 4 anos, no Zoológico do Bronx, em Nova York, em imagem se data; a instituição informou, em 5 de abril de 2020, que o animal testou positivo para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) — Foto: Reuters

Um tigre de 4 anos testou positivo para o coronavírus Sars-CoV-2 no zoológico do Bronx, em Nova York. Esse pode ser o primeiro caso de infecção pelo vírus em um animal nos Estados Unidos e também o primeiro em um tigre no mundo, de acordo com o "The New York Times".

A fêmea Nádia passou a apresentar alguns sintomas em 27 de março. De acordo com o zoológico, o animal está em recuperação e estável. O local está fechado para visitantes desde 16 de março.

Segundo o Laboratório Nacional de Serviços Veterinários dos Estados Unidos, outros leões e tigres também apresentaram sintomas respiratórios no zoológico.

"Embora eles tenham tido uma diminuição do apetite, os felinos no zoológico do Bronx estão se saindo bem sob os cuidados veterinários e estão sendo brilhantes, em alerta e interativos com seus criadores. Não sabemos como a doença se desenvolverá em grandes felinos, já que espécies diferentes podem reagir de forma diferente às novas infecções, mas continuaremos o monitoramento de perto", disse um comunicado do zoológico. 

Infecção em cachorro
Em 28 de fevereiro, exames em um cão em Hong Kong também detectaram a presença de coronavírus, de acordo com um porta-voz do Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação do território semiautônomo da China.
Cão com máscara em área comercial de Shanghai — Foto: Aly Song/ReutersCão com máscara em área comercial de Shanghai — Foto: Aly Song/Reuters

Os níveis detectados no cachorro eram baixos, e o animal não apresentou sintomas. Ainda não está claro se o vírus do animal pode infectar humanos.

Além disso, novos exames adicionais serão feitos para comprovar se o cão está realmente infectado pelo vírus ou se o resultado do exame se deve à contaminação ambiental do nariz e boca do animal.

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sábado, 4 de abril de 2020

Pico da pandemia: entenda os cenários no Brasil e como o isolamento afeta projeções sobre o coronavírus

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Veja perguntas e respostas sobre o pico da pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus que já teve mais de 1 milhão de casos ao redor do mundo.
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 Por Lara Pinheiro, G1  

 Postado em 04 de abril de 2020 às 09h00m  
      Post.N.\9.205  
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3 de abril: agente de saúde em equipamento protetor tira amostra de paciente possivelmente infectado com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em Turku, na Finlândia. — Foto: Roni Lehti / Lehtikuva / AFP
3 de abril: agente de saúde em equipamento protetor tira amostra de paciente possivelmente infectado com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em Turku, na Finlândia. — Foto: Roni Lehti / Lehtikuva / AFP

Com mais de 1 milhão de casos de Covid-19 ao redor do mundo, as perguntas sobre quando a doença atingirá seu pico no Brasil se tornam cada vez mais comuns. Com mais de 9 mil casos confirmados da infecção até sexta-feira (3), o que os especialistas dizem sobre o cenário futurno no país? Além disso, é possível dizer que alguns países já passaram pelo pior? Pode haver uma nova onda de casos na China? O isolamento pode influenciar o ritmo e o pico da pandemia?
Entenda, abaixo, o que se sabe até agora sobre essas e outras perguntas:

Quando a doença atingirá o pico no Brasil?
Segundo previsão feita pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a infecção pela doença deve disparar neste mês e continuar crescendo até junho, quando essa curva deve começar a desacelerar. O secretário-executivo da pasta, João Gabbardo, também previu que o país terá "dias difíceis" em abril.

Mas determinar de forma exata quando a pandemia atingirá o ápice no país não é tão fácil, afirmam especialistas ouvidos pelo G1. Isso ocorre por vários fatores.

Um deles é a demora para os resultados dos testes. Só o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, tem 16 mil amostras na fila de análise para Covid.

"Na hora que o exame é colocado na linha do tempo, ele precisa ser colocado na data que foi coletado", explica o epidemiologista Paulo Lotufo, da Faculdade de Medicina da USP. Caso contrário, explica o professor, pode se ter a falsa impressão de que um grande número de casos novos ocorreu em um dia quando, na verdade, os resultados se referem a exames que estavam aguardando há mais tempo, 10 ou 15 dias, na fila.

Essa demora nos testes faz com que a "decolagem" dos números ainda não tenha sido percebida, explica o físico Vitor Sudbrack, do Instituto de Física Teórica da Unesp, apesar de o Brasil viver, hoje, a fase de crescimento exponencial da Covid-19, representado pelo crescimento vertiginoso do número de novos casos de infecção. (Entenda mais aqui).

E os testes não são os únicos que demoram: as notificações de óbitos por Covid-19 e de internações também estão levando tempo para serem computadas. Dados da Fiocruz divulgados na quarta (1º) apontaram uma queda no ritmo de crescimento de internações por problemas respiratórios no Brasil. Mas o cientista Marcelo Gomes, que coordena a pesquisa da fundação, explica que, pela demora em colocar essas informações nos bancos de dados ao redor do país, só se poderá ter uma melhor noção dessa queda na semana que vem.

Existe, ainda, um terceiro ponto: as regiões brasileiras enfrentarão os picos da doença em momentos diferentes. Primeiro, explica Paulo Lotufo, serão São Paulo e Rio de Janeiro, que registraram os primeiros casos e têm maior número de infecções.

Depois, segundo relatório divulgado pela Fiocruz em de março, correm risco os centros urbanos de Brasília, Recife, Salvador, e, então, a região litorânea entre Porto Alegre e Salvador e várias microrregiões de Paraíba, Ceará e Pernambuco. Outras áreas com risco alto são as microrregiões no entorno de Cuiabá, Goiânia e Foz do Iguaçu, no Paraná, de acordo com o relatório.

"Isso se não acontecer uma imensa bobagem, que é: São Paulo se resolve, por exemplo, e aí você abre as fronteiras [para outros estados] – todo mundo pode vir para cá", ressalva Lotufo. "Isso aconteceu na China, Hong Kong, outros lugares. Aí você volta com os infectados", diz o epidemiologista, que prefere não fazer previsões para um pico da pandemia no Brasil.
"Tem um monte de gente que fala com muita certeza quando vai ser o pico. Eu não ouso falar, até porque não é um experimento natural, observacional – muito pelo contrário: está sendo feita uma baita intervenção, com o isolamento. Há um paradoxo: quanto mais efetiva for a nossa ação, nós vamos tender a prolongar um pouco mais – esse pico vai demorar mais", explica Lotufo.
Mas, alerta Lotufo, se as medidas tiverem efeito, esse pico pode nem chegar a existir. "Talvez não tenha um pico, tenha um platô – aquela coisa que vai achatando e depois caindo, não vai ter uma espícula", pondera o epidemiologista.

As medidas de isolamento vão atrasar o pico da pandemia no Brasil?
Os especialistas ouvidos pelo G1 foram unânimes em dizer que as medidas de isolamento social podem interferir na disseminação do vírus no país. E esse efeito pode significar duas coisas:
  • que o pico da pandemia no país pode ser adiado, dando mais tempo ao sistema de saúde para se preparar e atender mais pessoas;
  • que esse pico pode não ser tão alto quanto seria se as medidas de isolamento fossem suspensas e as atividades no país fossem retomadas normalmente.
"Acho que [o isolamento] já é consenso de toda a comunidade científica – acho que quem está discordando disso é quem não está enxergando e olhando para todas as variáveis", pondera Diógenes Justo, matemático e mestre em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor na Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), em São Paulo.
SÃO PAULO - Um homem caminha por uma rua comercial vazia no centro de São Paulo nesta terça-feira (24) depois que o governo da cidade decretou o fechamento de lojas como medida de precaução contra a disseminação do novo coronavírus  — Foto: Nelson Almeida/AFP
SÃO PAULO - Um homem caminha por uma rua comercial vazia no centro de São Paulo nesta terça-feira (24) depois que o governo da cidade decretou o fechamento de lojas como medida de precaução contra a disseminação do novo coronavírus — Foto: Nelson Almeida/AFP

O professor é parte de uma equipe de pesquisadores voluntários, de várias universidades e empresas no Brasil e no exterior, que criou um monitoramento para tentar prever quando será o colapso do sistema de saúde de São Paulo, levando em conta as medidas de isolamento e os leitos de UTI disponíveis na cidade.

Eles montaram quatro possíveis cenários:
  • no primeiro, com nenhuma intervenção para isolamento, o sistema de saúde entraria em colapso no dia 23 de abril;
  • no segundo, com redução de 25% do contato social, o colapso seria em 1º de maio;
  • no terceiro, com redução do contato social à metade, o colapso seria adiado para 17 de maio;
  • no quarto, com redução de 65% do contato social, o colapso só ocorreria em 17 de junho.
Os especialistas escolheram estudar a capital paulista por ser a que tem maior número de casos e a maior quantidade de dados, mas também pretendem estender o monitoramento para outras capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Fortaleza.
24 de março: Avenida vazia em São Paulo, que está em quarentena — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
24 de março: Avenida vazia em São Paulo, que está em quarentena — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
"Se a gente empurrar [o pico da pandemia] para a frente, não estamos dizendo que vão ser os mesmos infectados, só que ao longo do tempo. A gente está falando, também, que, [se as medidas de isolamento forem suspensas], vai ter um número maior de infectados", explica Justo.
Coronavírus: países europeus prolongam medidas de distanciamento social
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Nos cenários avaliados pelos pesquisadores, mesmo com o número maior de leitos anunciados pelo governo, o sistema de saúde em São Paulo não conseguiria acompanhar a velocidade de novas infecções. Os especialistas destacam que as previsões vão mudando conforme as novas medidas adotadas e elas não indicam que o isolamento deve ser suspenso.
"Não é um argumento para a imunidade de rebanho – primeiro, porque a gente vai ter um colapso muito mais cedo. Tendo um colapso muito mais cedo, não teve nem a chance de acionar mais mil, 2 mil leitos que sejam. A gente está falando de mil, duas mil vidas", lembra Justo.
O Hospital de Campanha H.M Camp, no Pacaembu, será uma unidade de portas fechadas para pacientes transferidos da rede municipal da saúde — Foto: TV Globo/Divulgação
O Hospital de Campanha H.M Camp, no Pacaembu, será uma unidade de portas fechadas para pacientes transferidos da rede municipal da saúde — Foto: TV Globo/Divulgação
A chamada "imunidade de rebanho" é a proteção indireta de uma doença infectocontagiosa que ocorre quando uma população se torna imune a uma doença ou por vacinação ou por já ter sido contaminada com ela. Uma vez que ela tenha sido estabelecida por um tempo, a capacidade da doença de se espalhar é diminuída.
"Se a gente deixa tudo liberado, deixa infectar e fazemos essa imunidade de rebanho, o colapso vai ser muito maior e o sistema vai demorar muito mais tempo para se reerguer. A questão do colapso é qual o grau desse colapso", explica João Vissoci, que também integra a equipe do monitoramento e é Ph.D. em Psicologia Social pela PUC-SP e professor na Universidade Duke, nos Estados Unidos.
"O nosso cenário tenta chegar a 65% de controle da transmissão – mas pode haver um cenário maior, com mais restrição, e que potencialmente diminua isso. Se a gente achata isso, dá fôlego pro sistema, o tamanho desse colapso e o tamanho do problema podem ser muito menores, e [podemos] dar mais habilidade para o sistema de se reaver", avalia Vissoci.
Ele também lembra que outras partes do Brasil podem ter cenários completamente diferentes dos de São Paulo.
"Existe uma chance de o Brasil não colapsar tanto assim se aprender com o que está acontecendo fora do país, se levar em consideração esses monitoramentos e tentar diminuir o impacto que isso vai ter a longo prazo. Daqui a pouco, outras partes do país podem tentar absorver o impacto do que está acontecendo em São Paulo – mas só se tiver um certo movimento do país enquanto entidade, e não simplesmente ações individuais", pondera Vissoci.
Sem isolamento e ações contra a Covid-19, Brasil pode ter até 1 milhão de mortes na pandemia, diz estudo
Mas, lembra Paulo Lotufo, da USP, ainda há um outro fator em jogo: a proporção de leitos de UTI nos setores público e privado e a quantidade de pessoas que têm ou não planos de saúde variam ao redor do país.
"A proporção de leitos do SUS é maior em São Paulo, a população com plano de saúde é maior. Em outros lugares, é uma desproporção muito grande. Vai ser mais uma briga", prevê Lotufo.
Mostrando essa disparidade regional, levantamento feito pelo G1 constatou que, em 861 cidades brasileiras, há apenas um ventilador mecânico disponível. Cinco capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Recife – concentram 26% dos respiradores do Brasil. Já em outros lugares, como o Amapá, a quantidade de habitantes por respirador passa dos 9 mil. 
China se preocupa com segunda onda de contágios por doentes assintomáticos
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Em Hubei, província onde fica Wuhan, parte do comércio e dos transportes já está funcionando, mas, na província vizinha, Henan, os 600 mil habitantes do município de Jia foram isolados pela segunda vez. Só lá, o governo investiga pelo menos dez casos de doentes assintomáticos.

Outra preocupação é com a chegada de pessoas infectadas de fora do país. Na quinta-feira (2), a China confirmou 35 novos casos da doença, todos de pessoas que chegaram de fora. Esse receio, como mostrou a reportagem do JN, afeta cidades como Xangai, centro financeiro chinês onde vivem mais de 160 mil estrangeiros. Para evitar os casos importados, atrações turísticas fecharam de novo. Elas tinham sido abertas no meio de março.

Na semana passada, a China já havia proibido a entrada de estrangeiros na tentativa de evitar uma segunda onda de 
contaminação.

CORONAVÍRUS


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