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segunda-feira, 30 de março de 2020

Por que o H1N1 não parou economias como a pandemia de coronavírus?


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Em 2009, vírus da gripe suína se alastrou pelo mundo na 1ª pandemia do século 21; mas por que ele não fez cidades e países entrarem em quarentena? Entenda.
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 Por BBC  

 Postado em 30 de março de 2020 às 13h25m  
Gipope-Marketing

      Post.N.\9.195  
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Enfermeira prepara injeção com vacina para o vírus H1N1, em imagem de arquivo. As previsões mais realistas dizem que uma vacina contra o novo coronavírus não estará disponível ao menos até meados do próximo ano. — Foto: Carla Carniel/Estadão Conteúdo
Enfermeira prepara injeção com vacina para o vírus H1N1, em imagem de arquivo. As previsões mais realistas dizem que uma vacina contra o novo coronavírus não estará disponível ao menos até meados do próximo ano. — Foto: Carla Carniel/Estadão Conteúdo

Para conter a pandemia do novo coronavírus, um terço da população mundial vive hoje sob medidas de isolamento, que fecharam lojas, aeroportos, empresas, atividades culturais e esportivas o obrigaram as pessoas a ficar em suas casas.

Isso é inédito na história recente e não foi visto nem quando o mundo enfrentou outra pandemia devastadora pouco tempo atrás.

A gripe suína também era causada por um novo vírus que passou por uma mutação em animais e começou a infectar humanos, em quem causa uma doença que pode ser grave.

Entre 2009 e 2010, mais de 200 países tiveram casos confirmados da primeira pandemia do século 21.

Mas o H1N1 não colocou cidades ou nações inteiras em quarentena. Em alguns países, viajantes passaram por triagens, casos suspeitos foram isolados, e aulas chegaram a ser suspensas, mas a disseminação daquele vírus não chegou a praticamente paralisar algumas das maiores economias do mundo como vemos agora.

China, França, Espanha, Itália, Índia e Reino Unido tomaram medidas drásticas para frear o avanço do Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus. O governo brasileiro se recusou até agora a seguir pelo mesmo caminho — na verdade, vem atuando na contramão.

O presidente Jair Bolsonaro pediu em um pronunciamento o fim da quarentena que Estados brasileiros implemetaram e afirmou que o impacto econômico delas será pior que o da própria pandemia.

Também criticou as medidas adotadas ao redor do mundo e, referindo-se à pandemia de H1N1, disse: "Tivemos uma crise semelhante no passado. A reação não foi nem sequer perto dessa do que está acontecendo hoje em dia".

Afinal, essas respostas drásticas ao novo coronavírus se justificam? Ou há um exagero?
Médicos, virologistas e economistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem que elas são necessárias no momento, porque o Sars-Cov-2 tem características diferentes do H1N1 — e causou uma pandemia mais grave, contra a qual não temos outras armas até agora além do isolamento social. Entenda a seguir por quê.
Médico intensivista comenta importância do isolamento social para enfrentar coronavírus
Médico intensivista comenta importância do isolamento social para enfrentar coronavírus

O novo coronavírus é mais transmissível do que o H1N1...
Em abril de 2009, o H1N1, um subtipo inédito de vírus influenza, que causam a gripe, foi identificado no México e nos Estados Unidos. Quatro meses depois, ele havia se disseminado para mais de 120 países e deixado dezenas de milhares de pessoas doentes.

Assim como o Sars-Cov-2, o novo H1N1 era transmitido por meio de tosse e espirros ou pelo contato direto com uma pessoa infectada e com secreções respiratórias. Mas o H1N1 era duas vezes menos transmissível do que o novo coronavírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que uma pessoa com H1N1 era capaz de infectar de 1,2 a 1,6 pessoas.

O índice para o Sars-Cov-2 varia bastante de local para local. Mas um estudo recente, usado como referência pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Europa, revisou 12 pesquisas sobre o tema e apontou uma taxa intermediária de 2,79.

No entanto, sua rápida disseminação tem levado epidemiologistas a revisar o índice e a sugerir que ele é maior do que 3, disse o cientista Neil Ferguson, do Imperial College London, no Reino Unido.

"Isso fornece ainda mais evidências que apoiam medidas de distanciamento social mais intensas", afirmou Ferguson à revista New Scientist.
Imagem obtida por um microscópio eletrônico mostra o primeiro caso americano de COVID-19 obtida pelo Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) em Atlanta, nos EUA — Foto: Hannah A Bullock e Azaibi Tamin/CDC/Divulgação via Reuters
Imagem obtida por um microscópio eletrônico mostra o primeiro caso americano de COVID-19 obtida pelo Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) em Atlanta, nos EUA — Foto: Hannah A Bullock e Azaibi Tamin/CDC/Divulgação via Reuters

... e mais letal também
A OMS estima a taxa de letalidade do Sars-Cov-2 em 3,4% (do total de doentes). Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), diz que ela é ainda maior em algumas regiões do mundo.

"Em Bergamo, na Itália, fica na faixa de 12%. Se pensarmos que, com a gripe comum, temos de 1% a 2% entre pacientes com idade mais avançada, o que já é alto, isso que estamos vendo agora é assustador", diz ele.

No entanto, cientistas alertam que esse valor pode ser menor, porque só uma minoria da população tem sido testada. Muitas pessoas assintomáticas ou com sintomas leves não estariam entrando para as estatísticas oficiais de casos confirmados, o que produziria uma taxa de letalidade maior do que a real.

Consultores científicos do governo britânico apontam, por exemplo, que essa taxa está provavelmente entre 0,5% e 1%.

Porém, Spilki afirma que só será possível saber qual é o índice exato se a testagem for ampliada, o que, no momento, não pode ser feito, porque faltam materiais para exames.

"O sistema de diagnósticos está saturado. Todos os países estão tentando testar ao máximo, e isso elevou demais a demanda", afirma o presidente da SBV.

Ainda assim, mesmo que a taxa do novo coronavírus seja de 0,5% a 1%, seria muito maior do que a da pandemia de H1N1, que é estimada em 0,02%, segundo um estudo liderado pela cientista Maria Van Kerkhove, da OMS.

Um dos motivos possíveis disso, diz Spilki, é que o Sars-Cov-2 parece matar de forma mais direta do que vírus como o H1N1.

"Normalmente, uma infecção viral está associada a outros elementos, como bactérias, que complicam o quadro clínico. Mas evidências apontam que o novo coronavírus consegue gerar por conta própria uma doença grave e levar o paciente a óbito sozinho", diz ele.

Isso torna essa pandemia mais grave do que a anterior
Esses dois aspectos — as maiores transmissibilidade e letalidade do Sars-Cov-2 — se refletem nos números oficiais da OMS sobre as duas pandemias.

A agência contabilizou em quase 16 meses da pandemia de H1N1 mais de 493 mil casos confirmados e de 18,6 mil mortes.

A pandemia atual ainda não completou três meses e já superou o número de infecções e vítimas fatais da anterior. Até 29 de de março, a OMS contabilizou 571,6 mil casos confirmados e 26,4 mil mortes.
Um terceiro fator é importante para explicar os números desta pandemia em relação à de 2009: nenhuma pessoa tem imunidade contra o Sars-Cov-2, ao contrário do H1N1, que afetava menos idosos do que uma gripe comum.
O virologista Anderson Brito, do departamento de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, diz que isso provavelmente está relacionado a outras duas pandemias anteriores, da gripe asiática, em 1957, e da gripe de Hong Kong, de 1968, também causadas por outros vírus influenza.

"As pessoas com mais de 60 anos já estavam de certa forma imunizadas por aqueles vírus e não eram infectadas ou conseguiam reagir melhor", afirma Brito.

Não há um medicamento contra o vírus como em 2009...
Até o momento, não existe um antiviral para combater o novo coronavírus. Mas, quando a pandemia de H1N1 ocorreu, já havia medicamentos deste tipo para vírus da gripe comum. Por isso, em 2009, dois antivirais — oseltamivir, mais conhecido no mercado como Tamiflu, e, em menor escala, zanamivir — foram usados para combater o H1N1.
O oseltamivir havia sido aprovado em 1999 pela Food and Drugs Administration (FDA), agência do governo americano equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O mesmo aconteceu na Europa três anos depois. O zanamivir também passou a ser recomendado nos Estados Unidos e na Europa contra a gripe em 2006.

Mas, quando a pandemia de 2009 começou, não havia evidências científicas de que esses medicamentos funcionariam contra o H1N1, explica o pneumologista Paulo Teixeira, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

"Estávamos na mesma situação que agora, sem provas de que um medicamento funcionasse, mas o oseltamivir começou a ser aplicado para os (casos mais) graves, porque não havia outra opção. Só depois estudos comprovaram que ele ajudou no combate à doença e reduziu a mortalidade", diz Teixeira.

Ele explica que, após as epidemias de outros coronavírus — da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês), em 2003, e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), em 2012 —, houve tentativas de criar antivirais contra esse tipo de vírus, mas o que foi testado não se mostrou eficaz, e novas pesquisas não foram para frente desde então.

"Talvez tenha faltado interesse da indústria farmacêutica, que prioriza medicamentos para doenças crônicas", afirma Teixeira.

Diante da nova pandemia, estão sendo testados medicamentos contra o Sars-Cov-2 que são hoje usados para outros vírus.

"Há apenas um medicamento no momento que acreditamos ter eficácia real, o remdesivir", disse o epidemiologista Bruce Aylward, consultor da OMS.

Essa droga, desenvolvida para o combate ao ebola, parece ser capaz de matar uma grande variedade de vírus. Mas os estudos ainda estão em andamento. Ainda assim, é uma alternativa mais viável do que começar a produzir um medicamento do zero, diz Brito.
"Um antiviral específico leva um ano e meio, dois ou até mais para ser criado. Não é algo que dá para fazer de uma hora para outra", afirma o virologista.
Outras duas substâncias, a hidroxocloroquina e a cloroquina, usadas em medicamentos contra doenças como lúpus e malária, têm sido administradas a pacientes em estado crítico.

Há um esforço internacional para testar se elas são de fato eficientes e seguras contra o novo coronavírus. Estudos feitos com células em laboratório apontam que elas têm o potencial de impedir a replicação do Sars-Cov-2, disse o Ministério da Saúde, que autorizou seu uso no Brasil para os casos mais graves de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Mas, fora do ambiente laboratorial, não existe um estudo clínico que aponte que funcionem de fato ou que sejam seguras para quem foi infectado pelo novo coronavírus.

E, mesmo quando são usadas nestes casos, só devem ser administradas por médicos e nunca tomadas por conta própria. "Não são drogas fáceis, porque geram efeitos colaterais, e têm de ser usadas com parcimônia, porque podem ter efeitos tóxicos", diz Spilki.

... e não vai dar para fazer uma vacina tão rápido quanto antes
A pesquisa de uma vacina contra o Sars-Cov-2 vem avançando rapidamente, e há mais de 20 versões em desenvolvimento. Mas ainda é preciso garantir que funcionam e são seguras. E, mesmo que alguma se prove eficaz, será preciso ter formas de produzi-la em massa.

Com isso, as previsões mais realistas dizem que uma vacina contra o novo coronavírus não estará disponível ao menos até meados do próximo ano.

Na pandemia de 2009, as perspectivas eram mais otimistas, porque já havia uma vacina contra outros vírus influenza. Foi uma questão de adaptar o que existia para criar uma versão capaz de conferir imunidade contra o H1N1, e foi possível aplicá-la na população partir de novembro daquele ano.

O número de novos casos já havia caído em todo o mundo àquela altura, mas isso foi importante no controle da pandemia a partir de 2010 e permitiu à OMS declarar seu fim em agosto daquele ano.

"Ela teve um papel na redução da magnitude das segunda e terceira onda de infecções em 2010 e um impacto maior ainda em 2011", diz Spilki.

E também para proteger a população daquele subtipo de H1N1 desde então — a vacina oferecida no Brasil neste ano, por exemplo, confere imunidade contra ele.

Tudo isso junto faz a pandemia atual ter um impacto maior sobre os sistemas de saúde
Os dados científicos atuais apontam que, em média, 80% das pessoas infectadas pelo novo coronavírus são assintomáticas ou têm sintomas leves, mas 15% desenvolvem formas graves de covid-19 e 5% ficam em estado crítico.

Apesar destes casos mais sérios serem minoria, o volume de pessoas que precisam de hospitalização é alto, porque o Sars-Cov-2 infecta qualquer pessoa e é muito transmissível.

Isso pode sobrecarregar o sistema de saúde de um país, como ficou claro naqueles mais afetados, como Itália e Espanha, e também China, onde hospitais foram construídos em poucos dias para dar conta do grande volume de pacientes.

Além disso, como não temos medicamentos contra o Sars-Cov-2, o impacto desta pandemia sobre hospitais ao redor do mundo é maior do que em 2009.

"Se você tem um medicamento, o paciente sai de um quadro grave e se cura mais rápido, o que reduz o tempo de hospitalização e libera a vaga para outra pessoa. Isso aumenta o fluxo de atendimento", afirma Brito.

Sem esse recurso, a forma de reduzir o volume de pacientes que chegam ao mesmo tempo aos hospitais é conter a disseminação do vírus por meio do distanciamento social, como a China demonstrou ao colocar milhões de pessoas sob quarentena.

O Ministério da Saúde aponta que, em média, o número de casos nesta pandemia aumenta 33% por dia e que, sem ações que reduzam a circulação e o contato social, o total pode dobrar a cada dois ou três dias.

Spilki diz que, na pandemia de H1N1, isso acontecia em um período de uma semana a dez dias. "Agora, está muito mais rápido, o que pode saturar o sistema de saúde e impedir tratar quem poderia ser salvo. É o que estamos vendo em alguns países", diz ele.

Para Brito, "as UTIs já estão operando quase em sua capacidade máxima, tanto na rede pública quanto na privada. Se o sistema de saúde entrar em colapso, não vai adiantar ter o melhor plano de saúde, porque não vai ter maca, leito ou respirador suficiente."

O isolamento permite diluir ao longo do tempo o fluxo de pacientes, analisar como o novo coronavírus se comporta localmente e preparar os sistemas de saúde para a demanda maior.
"Neste momento, o isolamento não é um exagero, porque o que estamos vivendo tem as características de uma epidemia de nível global de grande gravidade como aquelas que imaginávamos que poderiam ocorrer há algum tempo", diz Spilki.
Brito diz que se trata de um momento sem precedentes na história e que, diante disso, "é melhor pecar pelo excesso", mesmo que o isolamento gere prejuízos à economia. "Pessoas mortas não movem economias."

Mas e o que dizem os economistas?
Mais de uma década separa as pandemias de H1N1 e do novo coronavírus.
Em 2009, o mundo saía de uma recessão global causada pela crise financeira de 2008, comparada somente à Grande Depressão de 1929 em termos de gravidade.

Grandes instituições financeiras foram à falência em sequência, derrubando bolsas ao redor do mundo e gerando uma escassez de crédito que obrigou diversos países a injetar dinheiro em suas economias.

O mundo ainda vivia a ressaca desse colapso da economia global quando o H1N1 começou a se alastrar. Esse momento delicado poderia ter influenciado as medidas tomadas para conter esse vírus, por haver menos espaço para ações que reduziriam a atividade econômica e abalariam a recuperação que ensaiava seus primeiros passos?

José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, avalia que não. Ele diz que o mundo tinha em 2009 uma perspectiva de crescimento da economia, situação inversa a do final de 2019, quando o novo coronavírus deu seus primeiros sinais na China.
"A perspectiva agora era de uma piora da atividade econômica mundial. A China estava desacelerando. Já havia uma desaceleração na Europa e nos Estados Unidos. Então, o ambiente é mais desfavorável hoje e há menos espaço para esse tipo de medida do que em 2009", afirma Gonçalves.
O economista afirma que as medidas de isolamento adotadas ao redor do mundo se baseiam em conhecimentos médicos e epidemiológicos e que a preocupação com seu impacto econômico perde cada vez mais espaço diante da gravidade da pandemia.

"Essa discussão é travada só por alguns empresários e por alguns poucos economistas, que, a cada dia que passa, são menos numerosos, porque fica claro que não fazer o isolamento ou adotar um isolamento parcial é mais prejudicial para a economia", diz Gonçalves.

Marcel Balassiano, professor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, afirma que, se o mundo tivesse enfrentado uma pandemia desta proporção em 2009, "as mesmas medidas teriam sido tomadas, mesmo saindo de uma recessão".

"Diante dos níveis de contágio que estamos vendo, a quarentena é necessária. Ela não pode ser muito prolongada para não ter um impacto econômico pior do que o da própria pandemia, mas quem vai determinar isso não é o ministro da Economia, mas os médicos e infectologistas", diz o economista.
"Essa é uma crise de saúde, não uma crise econômica. Quanto mais tempo demorar para resolver o problema que a causa, maior vai ser a crise econômica."
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domingo, 29 de março de 2020

De onde vem o novo coronavírus e qual a relação dele com os animais?

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Existem vários tipos de coronavírus e os que afetam os bichos não necessariamente atingem os humanos. Portanto, nenhuma vacina serve para as pessoas.
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 Por Globo Rural  

 Postado em 29 de março de 2020 às 13h45m  
Gipope-Marketing
      Post.N.\9.194  
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De onde vem o novo coronavírus e qual a relação dele com os animais?
De onde vem o novo coronavírus e qual a relação dele com os animais?

A Covid-19 assusta a humanidade, mas ainda não se sabe a origem desta doença. Isso porque, segundo cientistas, existem vários tipos de coronavírus.
Alguns deles só contaminam bichos e não passam para o ser humano, já o novo coronavírus atinge apenas as pessoas, mas não contamina os animais.

Desde a década de 1970, a família dos coronavírus vem sendo estudada por cientistas do mundo todo, e são dezenas de tipos da doença que infectam animais silvestres, como os morcegos; animais de criação, como gado, porco e cavalo; e animais de estimação, como gato, cachorro. Agora, também os humanos.

Mas toda essa história começou há muito mais tempo, e foi com as galinhas.

A origem
Na década de 1930 foi descrita uma doença que até hoje atinge esses animais: a bronquite infecciosa. o veterinário Paulo Brandão, da Universidade de São Paulo (USP), dedica seus estudos ao mundo dos vírus. ele explica que esta foi a primeira doença registrada por coronavírus.

Depois, várias doenças foram descritas, em bovinos, suínos e em humanos Até que a famílias dos coronavírus começou a ser formalizada, ali pelos anos 1960 e, dali, os estudos mais aprofundados continuaram, afirma.

Foram essas pesquisas que deram a certeza de que os coronavírus dos animais não passam para o homem, assim como o novo coronavírus não passa do homem para os animais.
Cada animal tem o seu próprio coronavírus. Para qualquer vírus, para ele entrar no seu hospedeiro é como uma chave e a fechadura. Se ele quer entrar no meu organismo, na minha fechadura, tem que ser a chave própria.O coronavírus de bovino tem a chave para entrar no nosso organismo? Não.
Esse coronavírus novo, humano, tem a chave certinha para entrar na nossa fechadura e entrar no nosso organismo. Coronavírus não gosta de passar de hospedeiro (animal) para hospedeiro (humano), acrescenta Brandão.

Nessa regra, houve apenas uma exceção. O único animal implicado em passar coronavírus para humano até hoje foram os morcegos. Não tem nenhum outro, que é de onde veio esse novo agora aqui, afirma o veterinário da USP.

Paulo Brandão explica que, na natureza, os morcegos funcionam como um reservatório com vírus de todos os tipos. Ele afirma que existem duas teses que justificam a passagem do coronavírus deles para os humanos.

Ou o vírus já veio pronto do morcego e já sabia infectar humanos muito bem. A pessoa foi lá se expôs a esse morcego, pegou o vírus prontinho já. Ou esse vírus foi se adaptando aos poucos nas pessoas.

Mas fica o alerta: caçar morcego é proibido por lei. Além disso, é perigoso, já que ele transmite a raiva. E tem papel importante na natureza, espalhando sementes e polinizando plantas.

Vacina de animais não servem em humanos
A primeira vacina contra o coronavírus dos animais surgiu já na década de 1970, em uma corrida para diminuir as perdas na criação. Vale lembrar que ela não serve para curar humanos.
Nem pensar em usar nenhum produto veterinário, e nem essas vacinas de coronavírus muito menos, para humano. Os vírus são totalmente diferentes, explica Paulo Brandão, veterinário da USP.
A venda das vacinas que combatem os coronavírus em animais, movimenta algo em torno de R$ 184 milhões por ano no Brasil. incluindo a medicação para cães, aves e ruminantes.

Assim, no dia a dia, as atitudes são as mesmas tanto para quem mora na cidade quanto para quem vive no campo.

A pessoa doente, ela tem que ficar em quarentena. Não porque ela vai infectar o animal, mas porque o animal pode servir como um carregador ali, né, no pelo, na rédea, na sela, para não infectar essas coisa e para não contaminar o seu colega de trabalho, diz.

Prejuízos na criação de aves
O coronavírus atua diretamente nas células, desorganizando a estrutura até levá-las à morte. Nas aves, por exemplo, se não houver nenhuma prevenção, a conta pode ficar alta.

A gente fez um estudo, por exemplo, em avicultura que tem bronquite infecciosa das galinhas. O que a gente encontrou foi: que para mil matrizes, a perda é de US$ 4,6 mil, diz.

CORONAVÍRUS


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sábado, 28 de março de 2020

Cidades dos EUA que usaram isolamento social contra gripe espanhola tiveram recuperação econômica mais rápida, diz estudo

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Medidas contra pandemia de 1918 incluíram ações similares as que têm sido adotadas hoje contra o novo coronavírus, como fechamento de escolas, teatros e igrejas.
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 Por BBC  

 Postado em 28 de março de 2020 às 13h55m  

Gipope-Marketing

      Post.N.\9.193  
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Economistas analisaram a recuperação econômica de cidades americanas após o fim da pandemia de gripe espanhola — Foto: Getty Images via BBCEconomistas analisaram a recuperação econômica de cidades americanas após o fim da pandemia de gripe espanhola — Foto: Getty Images via BBC

Preocupado em evitar uma forte retração econômica, o presidente Jair Bolsonaro contraria a orientação de epidemiologistas e tenta convencer a maioria dos brasileiros a abandonar a quarentena contra o novo coronavírus. Na sua avaliação, apenas os mais idosos e portadores de outras doenças deveriam ficar em casa.

Médicos e economistas críticos a essa proposta têm argumentado, no entanto, que essa estratégia levaria à rápida expansão da doença no Brasil — o que também provocaria danos à economia, além de um número maior de mortes.
Um estudo sobre os efeitos da epidemia de gripe espanhola sobre cidades americanas em 1918 indica que, ao menos um século atrás, medidas preventivas de isolamento social foram positivas não apenas para prevenir mortes, mas também amenizar o impacto da pandemia sobre a economia.

Ao analisar como se deu a recuperação econômica em 43 cidades americanas após o fim do surto de gripe espanhola, seus autores concluíram que a atividade voltou a crescer mais rápido onde as autoridades municipais adotaram medidas para conter a expansão da epidemia, em comparação com locais que não atuaram para reduzir o contágio.

A pesquisa publicado na última quinta-feira (26/03) é assinada pelos economistas Sergio Correa, do Banco Central americano, Stephan Luck, do Banco Central de Nova York, e Emil Verner, do Instituo de Tecnologia de Massachusetts.

Segundo eles, diversas cidades americanas adotaram em 1918 estratégias de distanciamento social similares às que têm sido usadas hoje ao redor do mundo contra o coronavírus, como "fechamento de escolas, teatros e igrejas" e "a proibição de reuniões de massa".

Além disso, também aplicaram outras ações como "uso obrigatório de máscara, isolamento de pessoas infectadas, tornar a gripe uma doença notificável e medidas públicas de desinfecção e higiene".

A adoção dessas políticas contra a gripe espanhola, no entanto, não foi uniforme em todo país. "As autoridades da cidade de Filadélfia intervieram apenas muito tarde e até permitiram a realização de grandes reuniões públicas, como o Liberty Loan Parade (um desfile patriótico para angariar fundos para os esforços militares americanos na 1ª Guerra Mundial), amplamente frequentado", diz o estudo.

"Como consequência, a Filadélfia teve um aumento considerável na mortalidade relacionada à gripe espanhola durante o outono de 1918. As autoridades da cidade de Saint Louis, por outro lado, intervieram rapidamente, e a taxa final de mortalidade foi substancialmente mais baixa."

Recuperação mais rápida da indústria e dos bancos
Ao comparar a forma como 43 cidades usaram essas medidas, os economistas notaram que ações preventivas precoces e com mais intensidade não agravaram a crise econômica.

"Pelo contrário, cidades que intervieram antes e mais agressivamente experimentam um aumento relativo do emprego na indústria, da produção industrial e dos ativos bancários em 1919, após o fim da pandemia", dizem os autores.

Para essa análise, foram cruzados dados como a duração das medidas adotadas, as mortes por gripe espanhola registradas nestas cidades e seus indicadores econômicos.
Desfile na Filadélfia em 1918 foi realizado apesar de alertas de que representava risco de disseminação da gripe espanhola — Foto: U.S. Naval History and Heritage CommadDesfile na Filadélfia em 1918 foi realizado apesar de alertas de que representava risco de disseminação da gripe espanhola — Foto: U.S. Naval History and Heritage Commad

Ações preventivas adotadas dez dias antes da chegada da doença contribuíram para um aumento de 5% no emprego industrial das cidades no período posterior à pandemia de 1918, por exemplo.

Da mesma forma, implementar essas medidas preventivas por mais 50 dias resultaram em um crescimento de 6,5% do emprego na indústria após o fim da pandemia.

Segundo os autores, medidas preventivas que restringem a interação social realmente deprimem a atividade econômica. Mas eles ressaltam que a expansão da epidemia quando essas medidas não são adotadas também impacta negativamente a economia, já que as famílias reduzem por conta própria seu consumo e trabalho para diminuir a chance de contrair a doença.

"Assim, enquanto as medidas preventivas diminuem a atividade econômica, elas (ao mesmo tempo) podem resolver problemas de coordenação associados ao combate à transmissão de doenças e mitigar a ruptura econômica relacionada à pandemia", observam os economistas.

Ações para reduzir a expansão da doença "podem reduzir a mortalidade e, ao mesmo tempo, serem economicamente benéficas".

O que o estudo sinaliza para a pandemia de 2020?
Os autores do estudo afirmam que "há lições importantes da gripe de 1918 para a pandemia atual de Covid-19 (nome da doença causada pelo coronavírus)". Eles reconhecem, porém, que há alguns limites na comparação do contexto atual com o de um século atrás.

Estimativas indicam que a taxa de mortalidade da gripe espanhola é maior que a da Covid-19, especialmente entre trabalhadores mais jovens, o que sugere que o impacto econômico da pandemia de 1918 pode ter sido maior.

Além disso, elementos importantes da economia atual — como o avanço de tecnologias de comunicação, o crescimento do setor de serviços e a grande complexidade da cadeia mundial de fornecedores — não estavam presentes em 1918 e, por isso, não são capturados na análise econômica da pandemia de gripe espanhola.
As autoridades da cidade de Saint Louis intervieram rapidamente e reduziram a taxa de mortalidade — Foto: Library of CongressAs autoridades da cidade de Saint Louis intervieram rapidamente e reduziram a taxa de mortalidade — Foto: Library of Congress

O pesquisador Marcelo Medeiros, professor visitante na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, também aponta limitações no estudo para entender a crise do coronavírus no Brasil, já que a economia do país de hoje é muito diferente da americana em 1918.

"Estamos vivendo uma crise sem precedentes. Por isso, nada do passado serve de referência exata para o nosso futuro. A gente ainda sequer conhece os detalhes dessa epidemia, que pode progredir em várias direções diferentes", pondera.

Feita essa ressalta, Medeiros considera que devemos "prestar atenção no recado que o estudo dá", em especial para analisar como diferentes países estarão posicionados para se recuperar após a pandemia.

"O país que tomar a decisão de se proteger bem agora, controlar a epidemia o máximo possível, vai ter uma vantagem em termos globais. Ao sair mais rápido e menos abalado da crise, vai entrar numa posição de vantagem na economia internacional", afirma ele.

Medeiros cita como exemplo a Alemanha, que já anunciou medidas contra crise que somam mais de 30% do seu PIB.

"A Alemanha está agindo massivamente para combater a epidemia e os efeitos da recessão causada por ela. Está claramente com uma estratégia de avançar em posições na geopolítica global, no seu poder econômico, saindo de uma crise em boas condições", avalia.

Para Medeiros, é um processo semelhante com o que ocorreu com os Estados Unidos após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), conflito que devastou especialmente as potências europeias.

"Em alguma medida a gente já observou isso no passado. Foi o que aconteceu quando os Estados Unidos saíram da 2ª Guerra sem destruição do seu capital físico. Eles se tornaram rapidamente a maior potência mundial", compara.

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