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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Você comeria um 'filé' fabricado por uma impressora 3D?

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Quase 20 anos depois de ela ter surgido, tecnologia tem sido usada em cada vez mais diferentes setores, incluindo o da construção e o de alimentos.
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 Por BBC  

 Postado em 27 de fevereiro de 2020 às 09h00m  
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Empresa em Barcelona 'imprime' carne feita à base de vegetais — Foto: Nova MeatEmpresa em Barcelona 'imprime' carne feita à base de vegetais — Foto: Nova Meat

Com o uso em larga escala de impressoras 3D por diversas indústrias, alguns setores vêm se aventurando com a tecnologia na expectativa de também incorporá-la a seu processo produtivo no futuro.

Isso está acontecendo, por exemplo, na indústria de alimentos.
A empresa Nova Meat, baseada em Barcelona, na Espanha, lançou recentemente uma "carne vegetariana" feita com ervilhas, arroz e alga marinha.
O uso da impressora 3D permite que os ingredientes sejam dispostos em filamentos, à semelhança das proteínas presentes no músculo dos animais.
"Isso nos permite modular a textura do produto e mimetizar o sabor e as propriedades nutricionais de uma variedade de carnes e frutos do mar, assim como a aparência", afirma Guiseppe Scionti, fundador da startup.

Ele espera que, a partir do próximo ano, restaurantes na Espanha também possam "imprimir" a própria carne.
Hoje, maioria dos aparelhos auditivos já é fabricada por impressoras 3D — Foto: SonovaHoje, maioria dos aparelhos auditivos já é fabricada por impressoras 3D — Foto: Sonova

Um milhão de novas impressoras por ano
Quando a impressão 3D surgiu, cerca de 20 anos atrás, seus entusiastas prenunciaram que a tecnologia revolucionaria muitas indústrias.
E, em muitos aspectos, ela tem sido um sucesso. Em 2018, 1,4 milhões de impressoras 3D foram vendidas no mundo — número que deve subir para 8 milhões em 2027, de acordo com a empresa de pesquisa Grand View Research.
"Novas possibilidades de aplicação da tecnologia são descobertas a todo momento, com o lançamento de materiais e máquinas todo ano", diz Galina Spasova, pesquisadora sênior do IDC Europe, especializada no mercado de TI.
A chamada "revolução da impressão 3D" já dominou, por exemplo, o mercado de aparelhos auditivos.

As impressoras hoje são capazes de fabricar praticamente todas as peças do produto, das partes de plástico e de metal às de resina.

"Antigamente, a fabricação era feita um a um, em um processo demorado e custoso", afirma Stefan Launer, vice-presidente na Sonova, fabricante de aparelhos auditivos.

"Agora, quando recebemos um pedido, são necessários apenas alguns dias para que o produto acabado, customizado para o corpo do cliente, seja entregue", acrescenta.
Com a ajuda da nova tecnologia, fabricantes de aparelhos auditivos conseguem produzir peças com maior precisão — Foto: SonovaCom a ajuda da nova tecnologia, fabricantes de aparelhos auditivos conseguem produzir peças com maior precisão — Foto: Sonova

A técnica também "revolucionou" a indústria da odontologia, destaca Spasova, da IDC Europa, ao reduzir sensivelmente o tempo necessário para se fabricar coroas e pontes para próteses dentárias e aumentar a precisão na fabricação dos produtos.

Em uma escala maior, o equipamento tem sido usado pela Boeing para imprimir partes de aeronaves para uso comercial e militar e pela britânica BAE Systems para fabricar componentes para o caça Typhoon.
A Estação Espacial Internacional conta inclusive com sua própria impressora 3D, usada para gerar peças sobressalentes que possam ser úteis quando houver necessidade de substituição.
Fundador da Nova Meat diz que consegue controlar textura da 'carne vegetal' usando impressora 3D — Foto: NOVAFundador da Nova Meat diz que consegue controlar textura da 'carne vegetal' usando impressora 3D — Foto: NOVA

Um dos campos em que o uso das impressoras 3D tem se mostrado mais promissor é o da medicina. Já há algum tempo médicos têm conseguido imprimir próteses que saem por um valor muito mais barato do que o preço usual e podem ser facilmente personalizadas para cada paciente.
No começo deste ano, aliás, um gato na Rússia recebeu uma prótese de titânio feita em uma impressora após perder a perna por causa do frio.
Até medicamentos têm sido fabricados em impressoras 3D — algo que pode ser útil no tratamento de crianças, que geralmente necessitam de doses menores.
"A maioria dos medicamentos para crianças não foi feita pensando nelas, muitas vezes nem foi submetida a testes clínicos com crianças", pontua Matthew Peak, codiretor da unidade de pesquisa clínica da NIHR Alder Hey.

No ano passado, a equipe do cientista tornou-se a primeira do mundo a produzir uma pílula com impressora 3D especificamente para uma criança.

Um dos feitos que provavelmente mais chamam atenção nessa área é a impressão de órgãos do corpo humano. Pesquisadores do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, anunciaram recentemente haver desenvolvido um processo de fabricação de pele e vasos sanguíneos que poderá ser usada para pacientes vítimas de queimaduras.

A tecnologia foi testada apenas em ratos, mas com resultados promissores. Segundo o professor Pankaj Karande, os enxertos colocados em algumas das cobaias conseguiram se conectar com os vasos sanguíneos dos animais, fazendo com que o tecido se mantivesse "vivo".

"Isso é extremamente importante, porque nós sabemos que há de fato transferência de sangue e nutrientes do corpo para o enxerto."
Empresa americana SQ4D tem usado robôs para construir casas — Foto: SQ4DEmpresa americana SQ4D tem usado robôs para construir casas — Foto: SQ4D

Alguns torcem para que a tecnologia possa ser usada em escala ainda maior.

"Acreditamos que a impressão 3D será usada no futuro para levantar casas e prédios, mudando a forma como o mundo constrói", comenta Kirk Anderson, engenheiro chefe da americana SQ4D, que trabalha com esse tipo de projeto.
No início deste ano, a empresa ergueu uma casa de 175 m² em apenas oito dias usando um robô para construir as paredes em camadas.
Apesar de o telhado ainda ser feito da maneira convencional, o processo reduz "drasticamente" o volume de material e o custo do trabalho, diz Anderson.

Segundo ele, o custo total chega a ser 70% inferior ao de uma casa construída pelos métodos "tradicionais".

A tecnologia está sendo aperfeiçoada. Ainda assim, prédios em várias partes do mundo foram erguidos com a ajuda de impressoras 3D.
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    segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

    Vírus na webcam: pesquisa alerta para falhas que podem transformar periféricos em portas para hackers

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    Uma das falhas encontradas está em um modelo de webcam presente em notebooks Spectre da HP.
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     Por Altieres Rohr  

     Postado em 24 de fevereiro de 2020 às 15h00m  

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    A empresa de segurança Eclypsium publicou um alerta sobre problemas de segurança em componentes de notebooks e computadores, como webcams, touchpads e placas de rede. De acordo com a análise dos especialistas, esses periféricos muitas vezes não possuem funções para autenticar o software de controle dos chips, permitindo que hackers alterem seu funcionamento.

    Uma das falhas encontradas está em um modelo de webcam presente em notebooks Spectre da HP. Qualquer programa no computador é capaz de alterar o software de controle da câmera e, como a câmera é um dispositivo USB, ela poderia ser transformada em um "teclado" USB programado para executar comandos automaticamente. Esses comandos poderiam instalar outros programas ou roubar informações do sistema.

    O que difere esse tipo de ataque de um vírus normal é que a programação estaria armazenada na própria câmera. Reinstalar o sistema ou trocar o dispositivo de armazenamento não removeriam o código malicioso.

    A HP publicou uma atualização na terça-feira (18) que deve ser aplicada por donos de notebooks Spectre de 13 polegadas da linha ap0XXX. O download está disponível no site de segurança da HP.

    O mesmo problema foi encontrado em um touchpad instalado em notebooks ThinkPad X1 Carbon da Lenovo. A fabricante explicou que, na geração atual do produto, o fornecedor da peça não disponibiliza um meio de eliminar a falha.

    O erro também foi encontrado em placas de rede sem fio da marca Killer (Rivet Networks com chip Qualcomm). A Qualcomm explicou que a responsabilidade pela verificação dos códigos cabe ao sistema operacional, que chegou a detectar um problema, mas não impediu o uso da placa. A Microsoft, no entanto, disse que essa verificação cabe ao fabricante do dispositivo.
    Após adulteração de software embutido em placa de rede, Windows deixou de exibir 'certificado' que indica uma assinatura digital válida. Dispositivo continuou funcionando apesar da adulteração, segundo especialistas. — Foto: Eclypsium/Divulgação 
    Após adulteração de software embutido em placa de rede, Windows deixou de exibir 'certificado' que indica uma assinatura digital válida. Dispositivo continuou funcionando apesar da adulteração, segundo especialistas. — Foto: Eclypsium/Divulgação

    Nos três casos – a webcam, o touchpad e a placa de rede sem fio –, a Eclypsium apenas verificou a possibilidade de explorar a brecha não desenvolveu um ataque completo. Mas a empresa demonstrou um ataque real contra outra placa de rede usada em servidores, instalando um software capaz de monitorar os dados que passavam pelo equipamento. O objetivo foi acessar os protocolos de controle, que normalmente ficam fora do alcance do sistema operacional.

    Software 'embarcado'
    Diversos componentes e periféricos possuem um pequeno software embarcado (ou "embutido") chamado de "firmware". Ele é responsável por controlar funções básicas do hardware, mas, em alguns dispositivos – como impressoras, consoles de videogame e modems –, as funções do firmware permeiam todo o funcionamento do equipamento.

    Na opinião da Eclypsium, o firmware deve ser protegido e autenticado por assinatura digital. Se um hacker tentar gravar um firmware não autorizado, essa operação deve ser bloqueada para garantir a integridade do equipamento. Essa proteção já existe em muitos periféricos, mas, como a pesquisa mostrou, não é universal.

    A recorrência dessas falhas preocupa. Em 2015, a fabricante de antivírus Kaspersky Lab divulgou a existência do vírus Equation, capaz de ser instalado diretamente no firmware de discos rígidos. A contaminação do firmware isolava a área de armazenamento do vírus, impedindo que os arquivos fossem removidos com a formatação.

    O vírus foi usado contra poucos alvos para fins de espionagem, mas deveria ter sido um alerta para a necessidade de melhorias na segurança do firmware.

    Ataques são complexos, mas existem
    Em 2017, o Google criou um chip de segurança chamado Titan para ser usado em seus servidores. O chip é instalado na placa-mãe e verifica todos os firmwares carregados antes de permitir que o sistema operacional seja iniciado. Mas, mesmo em computadores comuns – que não possuem chips como o Titan – há alguns desafios para a exploração dessas falhas.

    Como o firmware é programado para um chip específico, qualquer diferença no hardware pode anular o ataque.

    Outra limitação é o espaço de memória. O firmware costuma ser pequeno e pode não haver espaço disponível para armazenar um programa malicioso complexo sem prejudicar o funcionamento do componente.

    Por essas razões, ataques contra firmware são uma preocupação maior para grandes empresas e outros alvos valiosos, que são vítimas de ataques personalizados e de alta sofisticação. O problema também é mais grave em roteadores, câmeras IP e dispositivos da Internet das Coisas, que tem um firmware mais amplo e usam arquiteturas mais parecidas. Em 2018, o vírus VPNFilter atingiu roteadores de diversas marcas.

    O único ataque em massa contra firmwares de componentes de computadores foi realizado pelo vírus Chernobyl, de 1998. Algumas placas-mãe dos computadores da época não possuíam proteção contra a modificação do firmware, permitindo que o vírus apagasse a programação do chip e deixasse a placa inoperante.

    O vírus não destruía os computadores imediatamente, já que isso acabaria inibindo a propagação da praga digital. Em vez disso, ele era ativado apenas no dia 26 de abril, a mesma data do acidente da usina nuclear de Chernobyl – daí o nome do vírus.

    Depois do ataque, diversas placas-mãe passaram a verificar a integridade do firmware da BIOS. Alguns modelos hoje também possuem dois chips para que a placa possa ser facilmente reparada caso um deles seja danificado.

    Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.co


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