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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Caatinga tem 182 animais ameaçados; no país, quase 10% dos monitorados estão sob risco de extinção

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Araras, onças e periquito-cara-suja estão entre os animais do bioma que podem desaparecer.

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Por Patrícia Figueiredo, G1 

Postado em 20 de fevereiro de 2019 às 14h00m 




Animais em extinção no Brasil — Foto: Roberta Jaworski/G1 
Animais em extinção no Brasil — Foto: Roberta Jaworski/G1

Pelo menos 1.173 espécies de animais vivem sob risco de extinção no país atualmente. Há outros dez animais que existiam no Brasil e que já desapareceram completamente do território nacional. Os dados são do Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio). O órgão publicou em janeiro a mais recente edição do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018. A versão anterior do relatório havia sido publicada há mais de dez anos, em 2008.
Não é possível comparar o número de espécies ameaçadas em 2018 com os registrados anteriormente porque a abrangência da pesquisa foi maior na edição recém-lançada. De 2008 para 2018, 716 espécies passaram a integrar a lista de ameaçados e 170 saíram. Em 2008 eram analisadas 1.400 espécies e, agora, são 12.254.

Desses mais de 12 mil animais, 9,7% foram classificados em algum nível de ameaça. De acordo com o ICMBio, das 1.173 espécies ameaçadas no país, 724 estão nas duas categorias mais críticas, com risco alto ou extremamente alto de extinção.

A Mata Atlântica é o bioma que acolhe maior número de espécies ameaçadas, tanto em números absolutos quanto em proporcionais à riqueza dos ecossistemas. São 1.026 animais ameaçados que vivem ali, sendo que 428 deles são endêmicos, ou seja, só existem em regiões de Mata Atlântica.

A Caatinga abriga ao todo 182 animais ameaçados. Desses, 46 existem apenas nesse bioma. Um deles é a arara-azul-de-lear, que é alvo de ações de preservação no Raso da Catarina e está sendo reinserida na natureza no Boqueirão da Onça, na Bahia.

A arara-azul-de-lear se tornou símbolo da biodiversidade do sertão junto com felinos como a onça-parda e a onça-pintada. As onças quase desapareceram do semiárido nos últimos anos, principalmente por causa da expansão de atividades agropecuárias que, segundo pesquisadores, já devastaram mais de 50% da vegetação nativa.
Retorno de arara quase extinta na caatinga mostra os desafios da conservação de espécies
Retorno de arara quase extinta na caatinga mostra os desafios da conservação de espécies

Esses mascotes fazem companhia na lista a outros representantes menos conhecidos do bioma. É o caso, por exemplo, dos periquitos-cara-suja. Encontrados na região da Serra do Baturité, no Ceará, eles são capturados por caçadores quando ainda estão nos ninhos e acabam abastecendo as feiras cearenses de venda ilegal de animais silvestres.
Antes encontrada em diversos locais do Nordeste, a espécie sofreu um declínio populacional e acabou incluída na lista de animais em perigo de extinção. A tendência só se reverteu com o trabalho de ONGs que fazem campanhas de conscientização e ações de reprodução em cativeiro.

Classificações de risco
Há oito classificações usadas para analisar o risco de extinção de um animal. O termo ameaçado é adequado para designar apenas três dessas categorias: Criticamente em Perigo, Em Perigo e Vulnerável.
Conheça os níveis de ameaça de espécies animais:
  1. Extinto: usada apenas quando não há nenhuma dúvida razoável de que o último indivíduo da espécie já morreu.
  2. Extinto Na Natureza: animal não existe mais na sua área de distribuição original mas ainda pode haver exemplares criados em cativeiro ou em outros habitats.
  3. Criticamente Em Perigo: é a designação mais elevada de risco. Nela estão os animais que enfrentam perigo extremamente elevado de extinção na natureza.
  4. Em Perigo: são animais que, segundo os pesquisadores, enfrentam risco muito alto de extinção e que provavelmente vão desaparecer em um futuro próximo.
  5. Vulnerável: enfrentam risco alto de extinção na natureza a menos que as circunstâncias que ameaçam a sua sobrevivência e reprodução melhorem.
  6. Pouco Preocupante: usada para espécies que são abundantes e amplamente distribuídas.
  7. Não Avaliado ou Não Aplicado: espécies consideradas inelegíveis para avaliação em nível regional.
  8. Dados Insuficientes: faltam dados adequados sobre a distribuição e abundância da espécie.
Essa catalogação de risco é utilizada não apenas no Brasil mas em todo o mundo. Ela segue o padrão criado pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) em 1964.

Espécies mais ameaçadas
Não existe um ranking dos animais mais ameaçados do Brasil. Para defensores do meio ambiente, colocar a lista em uma ordem determinada de prioridade seria prejudicial aos esforços de conservação da biodiversidade.

As três categorias que compõem o nível de ameaça já constituem um ranking: espécies Criticamente em Perigo estão mais ameaçadas do que as que recebem o selo Vulnerável, por exemplo, diz o pesquisador Márcio Martins, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).

A IUCN afirma que as todas as espécies classificadas com o mesmo selo têm risco de extinção igual. Envolvido na coordenação de alguns grupos de pesquisadores do Livro Vermelho, Martins, avalia que ranquear as espécies pode favorecer aquelas que têm mais apelo entre os humanos, como os mamíferos.
As listas de animais ameaçados devem ser feitas da maneira mais cientifica e fria possível. Dentro das categorias que já existem não é correto fazer diferenciação porque isso partiria de argumentos subjetivos. É nessa hora que a paixão fala mais alto que a razão, diz Márcio Martins, do IB-USP.
A partir das listas de animais ameaçados são elaboradas desde campanhas de conscientização de ONGs até políticas públicas nacionais. A principal política de conservação natural do ICMBio são os planos de ação nacional, que identificam populações em risco e seus ambientes naturais para propor intervenções do poder público. Graças a essas ações algumas espécies conseguem ter sua chance de extinção diminuída ou até mesmo sair das listas do Livro Vermelho.

Conheça a história de cinco espécies cujo risco de extinção diminuiu nos últimos anos:
Ícone de campanhas de preservação ambiental, o mico-leão-dourado foi parar até na nota de R$ 20  — Foto: Nadine Doerlé/PixabayÍcone de campanhas de preservação ambiental, o mico-leão-dourado foi parar até na nota de R$ 20 — Foto: Nadine Doerlé/Pixabay

Mico-leão-dourado
Mascote de diversas campanhas de preservação ambiental, o mico-leão-dourado melhorou seu status de conservação nos últimos anos mas ainda corre risco de extinção. A espécie é classificação com risco alto na última lista de animais ameaçados. O maior perigo para esse animal que quase foi extinto nos anos 1970 é o desmatamento de seu bioma natural, a Mata Atlântica. A febre amarela também coloca em risco algumas populações.
Ameaçado por doenças e pela caça, veado-campeiro vive em pequenos grupos de até seis indivíduos — Foto: Cláudio Timm/VC no TGAmeaçado por doenças e pela caça, veado-campeiro vive em pequenos grupos de até seis indivíduos — Foto: Cláudio Timm/VC no TG

Veado-campeiro
Natural do Cerrado, o veado-campeiro teve sua população diminuída nos anos 1980 porque fazendeiros acreditavam que ele era responsável por espalhar febre aftosa. A espécie era, na verdade, vítima da doença: muitos animais acabaram morrendo por conta do contato com gado contaminado. Depois que um espaço especial foi criado para a espécie no Parque Nacional das Emas, em Goiás, outros estados também criaram iniciativas de preservação. No Livro Vermelho de 2018 sua classificação de risco caiu para vulnerável.
Sapinho-admirável-de-barriga-vermelha quase foi extinto por conta da construção de uma hidrelétrica — Foto: Divulgação/UFRGSSapinho-admirável-de-barriga-vermelha quase foi extinto por conta da construção de uma hidrelétrica — Foto: Divulgação/UFRGS

Sapinho-admirável-de-barriga-vermelha
O pequeno anfíbio, descrito pelos cientistas pela primeira vez em 2006, existe apenas ao longo de um trecho de 700 metros do rio Forqueta, no município de Arvorezinha, no Rio Grande do Sul. A reduzidíssima área de distribuição da espécie levou-a a condição de criticamente em perigo de extinção. Em 2014, o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha quase acabou extinto por conta da criação da Pequena Central Hidrelétrica de Perau de Janeiro. A obra ia deixar submerso todos os seus 700 metros de habitat. Graças à ação de pesquisadores e autoridade ambientais, abdicou-se do empreendimento em favor da espécie.
Jararaca-de-alcatrazes vive em um sub-bosque da Mata Atlântica — Foto: Carlos Alberto Coutinho / TGJararaca-de-alcatrazes vive em um sub-bosque da Mata Atlântica — Foto: Carlos Alberto Coutinho / TG

Jararaca-de-alcatrazes
Encontrada apenas na Ilha de Alcatrazes, no litoral paulista, esta serpente foi considerada criticamente em perigo de extinção porque a ilha, onde funciona uma base militar da Marinha, era usada há trinta anos para a prática de exercícios de tiro de canhão. 

Depois de insistentes pedidos de ambientalistas, a Marinha brasileira anunciou o fim dos exercícios em 2013. Pesquisadores acreditam que, com o fim da principal ameaça, a jararaca de Alcatrazes deve mudar de categoria de risco na próxima edição do Livro Vermelho.
Peixe-royal-gramma é muito procurado por aquaristas por suas cores chamativas — Foto: WikimediaPeixe-royal-gramma é muito procurado por aquaristas por suas cores chamativas — Foto: Wikimedia

Peixe-royal-gramma
O peixe grama, espécie ornamental marinha intensamente capturada para o comércio aquarista, apareceu pela primeira vez na lista de espécies ameaçadas em 2003. A inclusão teve efeitos práticos: sua caça foi proibida pelo Ministério do Meio Ambiente, o que permitiu um aumento populacional nos últimos anos. No Livro Vermelho de 2018 o pequeno peixe aurirroxo não figura mais na lista de ameaçados.

Entenda o Livro Vermelho
O Livro Vermelho do ICMBio é a relação oficial de animais ameaçados da fauna brasileira. Participaram de sua elaboração 1.270 pesquisadores de mais de 250 instituições do Brasil e do exterior.

No final de 2014 foram publicadas listas de espécies ameaçadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). São os dados dessas listas que alimentam o Livro Vermelho 2018.

Enquanto os documentos do MMA destacam apenas a classificação de risco de cada espécie, o livro traz fichas detalhadas com mais informações para cada animal ameaçado. Esses dados ajudam biólogos a entender de onde surgem as ameaças e como combatê-las.

As informações do livro do ICMBio são enviadas para a IUCN para compor a lista vermelha internacional. A versão global mais recente é de 2012 e contabilizou 19.817 espécies ameaçadas de extinção em todo o mundo, entre animais e vegetais.


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    terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

    Tailândia enfrenta difícil caminho para deixar dependência de plástico

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    Governo tailandês planeja eliminar as sacolas plásticas mais finas e de uso único em 2022 e, três anos mais tarde, os canudinhos e os corpos descartáveis deste material derivado do petróleo.

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    Por Agência EFE 

    Postado em 19 de fevereiro de 2019 às 22hh00 





    Panorama da Tailandia — Foto: Reprodução/Twitter/@TravelnPleasurePanorama da Tailandia — Foto: Reprodução/Twitter/@TravelnPleasure

    Todas as manhãs, milhares de pessoas caminham para o trabalho com suas marmitas de plástico e copos descartáveis de café e chá na Tailândia, um dos países do mundo que mais descarta resíduos plásticos no mar.

    Diante da gravidade do problema, o governo tailandês planeja eliminar as sacolas plásticas mais finas e de uso único em 2022 e, três anos mais tarde, os canudinhos e os corpos descartáveis deste material derivado do petróleo.

    O plano, elaborado pelo Departamento de Controle de Poluição, também busca acabar com 70% das sacolas mais grossas, como as dos shoppings, nos próximos 20 anos.

    No entanto, esta ambiciosa iniciativa enfrenta a lenta burocracia, a pressão dos produtores e anos de maus hábitos de consumo na Tailândia, que geram mais de 2 milhões de toneladas de resíduos plásticos a cada ano.

    Os estabelecimentos oferecem sacolas para compras mínimas, a água quase sempre é servida em uma garrafa com canudo de plástico e as embalagens de poliestireno abundam nos vários e famosos locais de comida popular.

    "Não uso muitas sacolas de plástico porque geralmente carrego na mochila", explicou à Agência Efe Praew, uma tailandesa de 29 anos na saída de um supermercado em Bangcoc segurando várias sacolas de suas compras.

    Outro tailandês, Note, de 37 anos, diz que sua forma de reduzir o plástico é fazer grandes compras de uma só vez para utilizar menos sacolas.

    "O governo deveria fazer campanha para o uso de sacolas de tecido", opinou, enquanto empurrava um carrinho cheio de recipientes plásticos.

    Fontes do Departamento de Controle de Poluição indicaram à Efe que a Tailândia produz mais de 2 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, dos quais 1 milhão são reciclados ou eliminados.

    Segundo o Greenpeace, há 2.490 centros de gestão de resíduos no país, dos quais apenas 466 contam com instalações e equipamentos adequados para evitar a poluição do ar e da água.

    Pongsak Likithattsin, diretor-gerente da Thaiplastic Recycle Group, emprega mais de 100 funcionários, a grande maioria imigrantes, em sua empresa que se dedica há 11 anos à reciclagem de garrafas PET (politereftalato de etileno), usadas normalmente para água e bebidas gaseificadas.

    A fábrica, situada na província de Samut Sakhon, vizinha a Bangcoc, recicla cerca de 2 mil toneladas de plástico por mês e há planos para dobrar esta quantidade nos próximos anos.

    As embalagens vêm comprimidas em cubos que os operários têm que romper a marteladas e depois separam em fileiras os resíduos do plástico para submetê-los ao tratamento em máquinas.

    "A matéria-prima após o processo de reciclagem é poliéster", que é usado para fabricar roupa e objetos de plástico, explicou à Efe Pongsak.

    Cerca de 50% de sua produção é vendida na Tailândia, enquanto a outra metade é exportada para países como China, Austrália e Polônia.

    Apesar desse exemplo, grande parte do plástico gerado na Tailândia não é reciclado e, em muitas ocasiões, acaba indo parar no mar.
    Segundo um artigo da revista "Science" de 2015, a Tailândia era o sexto país que mais descartava plástico no mar depois de China, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Sri Lanka, nações onde o rápido crescimento econômico fez disparar o consumo e o desperdício.

    O estudo, dirigido pela professora Jenna R. Jambeck, estimava que a Tailândia descartava a cada ano no mar entre 150 mil e 410 mil toneladas de plástico, de um total mundial que fica entre 4,8 e 12,7 toneladas anuais.

    Segundo os ambientalistas, dezenas de animais marinhos, entre eles baleias, tartarugas e golfinhos, morrem a cada ano na Tailândia devido ao plástico, que nunca se decompõe totalmente, já que acaba se transformando em micropartículas que poluem a água e os alimentos.

    Em junho, uma baleia-piloto morreu no sudeste do país depois de agonizar durante cinco dias devido à ingestão de 80 sacolas e outros objetos de plástico que pesavam 8 quilos no total. EFE.
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