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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Colecionador de caminhões raros de Santa Bárbara guarda relíquia que atuou no 11 de setembro

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Júlio Ometto importou de Michigan veículo usado no rescaldo do atentado às Torres Gêmeas. Veículo será uma das atrações da 'Expo Clássico', neste fim de semana, em Sumaré (SP). 

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Por Rui do Amaral*, G1 Campinas e Região 

Postado em 16 de fevereiro de 2019 às 16h00m 



Júlio Ometto cresceu nos anos 80 e, inspirado no cinema daquela época, desenvolveu o sonho de ser bombeiro ou caminhoneiro. Hoje, aos 44 anos, o empresário de Santa Bárbara d'Oeste (SP) conseguiu unir o velho desejo da infância com a vida adulta, mesmo sem exercer tais profissões. Ele coleciona caminhões antigos, entre eles, uma relíquia usada nos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos.

O veículo, que atuou na operação de rescaldo nas Torres Gêmeas, será uma das atrações da Expo Clássico, que ocorre em Sumaré (SP) neste sábado (16) e domingo (17).

A paixão por carros antigos começou quando, junto ao irmão, Ometto adquiriu um jipe, ainda aos 14 anos de idade. Era o início de um hobby que o acompanharia ao longo das próximas décadas. O primeiro caminhão, no entanto, veio em 2009.

"Comprei um caminhão americano que havia sido importado pelo Exército Brasileiro na década de 1960". O veículo acabou sendo vendido, mas a paixão pelos pesados estava longe de terminar.
O empresário Júlio Ometto, de Santa Bárbara d´Oeste, que importou caminhões dos Estados Unidos — Foto: Luciano Calafiori/G1O empresário Júlio Ometto, de Santa Bárbara d´Oeste, que importou caminhões dos Estados Unidos — Foto: Luciano Calafiori/G1

Do cinema para a garagem
A vontade, agora, era possuir um dos clássicos caminhões americanos, daqueles que Ometto cresceu assistindo em filmes nos anos 70 e 80.
"Fiz uns amigos que possuem esses caminhões e eles me encorajaram a importar um, mas eu não entendia nada desse tipo de veículo", relembra.
Caminhão importado dos Estados Unidos pelo empresário Júlio Ometto — Foto: Luciano Calafiori/G1Caminhão importado dos Estados Unidos pelo empresário Júlio Ometto — Foto: Luciano Calafiori/G1

Em 2012, o empresário encontrou, em um anúncio de um site dos EUA, um Kenworth ano 1972, em perfeito estado de conservação. "O caminhão estava no estado do Novo México e havia pertencido a uma transportadora de gado e madeira", conta. Estava escolhido o próximo xodó.

A ajuda para realizar o sonho veio de um despachante de Porto Alegre (RS).
"É um negócio arriscado. O processo, desde a escolha do caminhão até a retirada no porto, dura cerca de um ano", explica Ometto.
Para mover as mais de 12 toneladas, o modelo conta com 15 marchas, além de um motor turbodiesel de seis cilindros em linha com 400 cavalos de potência . O consumo? Cerca de 2 quilômetros por litro. "Não é mais um veículo de trabalho, nunca está carregado. Uso apenas para passear e quase sempre na rodovia".
O empresário Júlio Ometto posa na frente do caminhão importado dos Estados Unidos — Foto: Luciano Calafiori/G1 O empresário Júlio Ometto posa na frente do caminhão importado dos Estados Unidos — Foto: Luciano Calafiori/G1

A cabine é revestida por um material térmico e acústico. "O Novo México é um estado onde faz muito calor no verão e muito frio no inverno. Como os caminhoneiros dormiam no próprio caminhão, tem que ser confortável em qualquer época do ano".

Paixão em comum
Ometto conta que, no Brasil, o veículo já rodou bastante.
"Viajamos com outros amigos que possuem caminhões e percorremos diversos estados do Brasil. O lugar mais longe que fomos até hoje foi Bonito (MS)".
Os amigos formam a Confraria de Gigantes, um grupo de donos de caminhões raros e antigos que vivem no interior de São Paulo.

Caminhão de Bombeiros do 11/09
A cereja da coleção de Ometto veio da pequena cidade de Ironwood, estado de Michigan, também nos EUA, e chama atenção pela vibrante pintura amarela. Fabricado em 1987, o caminhão de bombeiros esteve ativo até 2016, destacando-se no rescaldo das operações durante o fatídico 11 de setembro de 2001, data que marca o atentado terrorista ao World Trade Center, em Nova Iorque.

A Informação é confirmada pelo próprio Departamento de Segurança Pública da cidade, que lembra, ainda, que o veículo também esteve em exposição no Canadá.
Caminhão de bombeiro importado pelo empresário Júlio Ometto, de Santa Bárbara d´Oeste — Foto: Luciano Calafiori/G1Caminhão de bombeiro importado pelo empresário Júlio Ometto, de Santa Bárbara d´Oeste — Foto: Luciano Calafiori/G1

Em 2017, em contato com o comandante do Corpo de Bombeiros da cidade onde o caminhão estava, Ometto fechou o negócio.
"Eles substituíram o modelo depois que ele completou 30 anos. Até hoje mantenho contato com o comandante. Ele ficou emocionado ao ver que o caminhão veio para um colecionador e que será bem cuidado".
O veículo, fabricado em Detroit pela Seagrave, tradicional fabricante de carrocerias para caminhões de bombeiro dos EUA, possui 300 cavalos, também com seis cilindros. A escolha pelo modelo se deu justamente pela cor.
O empresário Júlio Ometto, que importou um caminhão de bombeiros dos Estados Unidos — Foto: Luciano Calafiori/G1 O empresário Júlio Ometto, que importou um caminhão de bombeiros dos Estados Unidos — Foto: Luciano Calafiori/G1

"Nos EUA, cada estado possui um padrão de pintura para veículos da Polícia ou dos Bombeiros. Em Michigan eles utilizam esse tom de amarelo. Achei muito bonito e diferente", revela.

Família na estrada
Talvez nenhum caminhão teria desembarcado na garagem de Ometto se a esposa, Vanessa, não concedesse o aval necessário para as aquisições. A companheira do empresário, no entanto, garante que a paixão pelos brutos é compartilhada pelo casal.
"Eu adoro viajar de caminhão junto com os outros colecionadores. Somos muito amigos e acabamos nos tornando uma família. Além das viagens, vamos a aniversários uns dos outros, casamentos e outras celebrações, nos tornamos muito próximos", conta Vanessa.
O empresário Júlio Ometto e a esposa Vanessa, que também dirige o caminhão — Foto: Luciano Calafiori/G1 O empresário Júlio Ometto e a esposa Vanessa, que também dirige o caminhão — Foto: Luciano Calafiori/G1

E se engana quem pensa que Vanessa se contenta apenas em ocupar o banco do carona. A esposa de Ometto também fica atrás do volante. "Às vezes eu dirijo o caminhão de bombeiros, que tem câmbio automático".

Os dois filhos do casal, de 13 e oito anos, já se interessam pelos caminhões. "Eles adoram e nos acompanham nos passeios. Logo eles é que vão dirigir", garante Ometto. O empresário prefere não revelar os valores exatos dos xodós, mas demonstra firmeza ao dizer que não se arrepende do investimento. "Qual o preço de um sonho? Para mim, foi um valor que valeu a pena", finaliza.

Expo Clássico
Quem deseja conferir de perto os caminhões de Ometto pode comparecer à 5ª edição da Expo Clássico, que ocorre em Sumaré neste sábado (16), a partir das 9h, e no domingo (17), a partir das 8h. São esperados mais de 600 automóveis, 42 caminhões e 58 veículos militares. Cerca de 18 mil visitantes são aguardados pela organização do evento.
Expo Clássico reúne aficionados por veículos antigos em Sumaré (SP).  — Foto: Ailson RodriguesExpo Clássico reúne aficionados por veículos antigos em Sumaré (SP). — Foto: Ailson Rodrigues

O ingresso é obtido mediante 1 kg de alimento não perecível e o estacionamento é gratuito. Haverá praça de alimentação no local, além de shows de rock clássico, blues, jazz e música country.

Serviço

5ª Expo Clássico em Sumaré (SP)
  • Onde: Expo Águas Sumaré - Rua Ângelo Ôngaro, 1700, Parque Residencial Casarão.
  • Quando: sábado (16), a partir das 9h, e domingo (17), a partir das 8h.
  • Valor: 1 kg de alimento não perecível.
* Sob supervisão de Luciano Calafiori e Lana Torres


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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Era do gelo: cientistas descobrem 'via expressa de gelo' que existiu entre a África e o Brasil milhões de anos atrás

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Formações rochosas peculiares encontradas na Namíbia deram a pesquisadores pista para entender enorme fluxo glacial ocorrido na era do gelo - e que pode dar pistas sobre como coberturas glaciais vão responder ao aquecimento do planeta.

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Por BBC 

Postado em 15 de fevereiro de 2019 às 22h30 

Formações rochosas na Namíbia deram as pistas para que cientistas concluíssem que por ali passavam blocos de gelo em alta velocidade, em direção ao Brasil — Foto: Universidade da Virgínia OcidentalFormações rochosas na Namíbia deram as pistas para que cientistas concluíssem que por ali passavam blocos de gelo em alta velocidade, em direção ao Brasil — Foto: Universidade da Virgínia Ocidental

Centenas de milhões de anos atrás, quando nosso planeta passava por uma era do gelo e quando os continentes não ocupavam os mesmos espaços geográficos que ocupam hoje, havia uma "via expressa" entre a Namíbia (sudoeste da África) e o Brasil, por onde o gelo passava em alta velocidade.

É o que cientistas da Universidade da Virgínia Ocidental (EUA) afirmam ter descoberto, segundo estudo publicado recentemente no periódico PLOS One.

A descoberta foi acidental e começou a se desenhar alguns anos atrás, quando os geólogos Graham Andrews e Sarah Brown viajaram à Namíbia, país de paisagens desérticas e dunas, para estudar rochas vulcânicas.

Na expedição, eles depararam com uma formação geológica peculiar: em um deserto plano, havia centenas de colinas íngremes e alongadas, que se assemelhavam a dorsos de baleia.

É uma típica formação rochosa de lugares que em algum momento foram cobertos por geleiras - algo incomum em paisagens desérticas, o que chamou a atenção dos pesquisadores. De volta à universidade, Andrews e Brown descobriram que essas colinas ainda não haviam sido plenamente estudadas.

"(São) rochas de um período quando o sul da Áfica era coberto de gelo", afirma Andrews em comunicado da universidade. "As pessoas obviamente sabiam que aquela parte do mundo esteve coberta de gelo em determinado momento, mas ninguém havia mencionado nada a respeito de como essas 'drumlins' (como são chamadas as colinas) haviam sido formadas ou por que elas estavam ali."

A partir da medição das formas e padrões dessas estruturas rochosas, Andrews e seus colegas identificaram grandes sulcos, o que indica que blocos de gelo provavelmente passavam por ali em alta velocidade, deixando as profundas marcas nas rochas.
Passagem do gelo é a responsável pelos sulcos nas formações rochosas da Namíbia — Foto: Universidade da Virgínia OcidentalPassagem do gelo é a responsável pelos sulcos nas formações rochosas da Namíbia — Foto: Universidade da Virgínia Ocidental

Do gelo ao aquecimento
"Esses sulcos demonstraram a primeira evidência de um fluxo de gelo no sul da África no fim da Era Paleozoica, que ocorreu 300 milhões de anos atrás", diz comunicado da universidade.

E esse fluxo terrestre de gelo percorria, segundo a pesquisa, centenas de quilômetros em direção ao bloco continental onde hoje fica o Brasil.

Outros estudos prévios apontam que esse período - o fim da era de gelo paleozoica - foi a última era glacial da história da Terra até agora, uma época em que o gelo avançava e retraía e em que os continentes não eram separados como agora, mas sim aglomerados na chamada Pangeia. A África e a América do Sul estavam, nessa época, ligadas uma à outra.

Segundo o estudo publicado no PLOS One, as descobertas reforçam uma crença prévia dos cientistas de que sedimentos geológicos encontrados no Brasil, na bacia do Rio Paraná, foram trazidos por enormes fluxos de gelo vindos do sul da África.

A expectativa é de que as pesquisas sobre esse fluxo de gelo não deem pistas apenas de como era o planeta há 300 milhões de anos, mas ajudem os cientistas a entender como grandes blocos de gelo modernos se movem e reagem ao processo atual de aquecimento do planeta.

"Essas super-rodovias de gelo são, na verdade, a forma como as coberturas de gelo desaparecem", disse Andrews em entrevista ao jornal "The New York Times".

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'Prévia' do PIB do Banco Central indica que economia brasileira cresceu 1,15% em 2018

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Resultado oficial do PIB do ano passado será divulgado pelo IBGE em 28 de fevereiro. Se confirmado o resultado, será a segunda alta seguida do nível de atividade.

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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília 

Postado em 15 de fevereiro de 2019 às 20h15m 


A economia brasileira cresceu pelo segundo ano consecutivo em 2018, indicam números divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Banco Central.

No ano passado, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo BC, registrou uma expansão de 1,15% na comparação com 2017. O número não possui ajuste sazonal, pois considera períodos iguais (ano contra ano). No ano retrasado, a economia já havia avançado 1%.

EVOLUÇÃO DO PIB E ESTIMATIVA DO BC PARA 2018
SE CONFIRMADA ALTA EM 2018, SERÁ O SEGUNDO ANO SEGUIDO
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Fonte: IBGE E BANCO CENTRAL

O resultado oficial do PIB de 2018, porém, será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) somente em 28 de fevereiro.

O mercado, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, estima uma expansão de 1,25% para a economia brasileira em 2018.

Cenário em 2018
O ano passado foi marcado pelo aumento da produção industrial, pelo retorno da criação de empregos com carteira assinada e pela manutenção dos juros básicos da economia, fixados pelo Banco Central, na mínima histórica de 6,5% ao ano. Apesar disso, os juros bancários continuaram em patamar elevado na comparação com outros países.

Por outro lado, o nível de atividade também foi impactado negativamente pela greve dos caminhoneiros. No ano passado, o então Ministério da Fazenda, atualmente Ministério da Economia, avaliou que o prejuízo à economia provocado pelo movimento foi de R$ 15,9 bilhões. A categoria paralisou as atividades e fechou rodovias do país durante 11 dias no final de maio.

IBC-Br e definição da taxa Selic
O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que é divulgado IBGE. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.

O cálculo dos dois é um pouco diferente: o índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Atualmente, a taxa Selic está em 6,5% ao ano, na mínima histórica, e a estimativa do mercado financeiro, até o momento, é de estabilidade até o fim de 2019.

Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Para 2019 e 2020, a meta central é de 4,25% (podendo oscilar entre 2,75% e 5,75%) e de 4% (com uma banda de flutuação de 2,5% a 5,5%), respectivamente.

Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis. O BC baixa os juros quando julga que a inflação está em linha com as metas definidas.

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