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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

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Equipe internacional de cientistas detecta fonte de neutrinos de alta energia; emissão das partículas subatômicas elementares encontradas no Polo Sul vem de um corpo celeste localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.
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BBC
Por BBC 
Postado em 13 de julho de 2018 às 10h00m 

O telescópio IceCube, instalado no Polo Sul e em operação desde 2010, detectou a fonte de neurotrinos de alta energia (Foto: ICECUBE/NSF)

Uma nova era de pesquisas especiais se inaugura nesta quinta-feira (12). Isso porque uma equipe internacional de astrônomos descobriu a fonte de neutrinos de alta energia encontrados no Polo Sul – e esta partícula misteriosa abre uma oportunidade para contar a história e esclarecer enigmas do próprio Universo.

A descoberta está na edição desta quinta da revista "Science" e foi divulgada em coletiva de imprensa na sede da National Science Foundation, em Alexandria, Virginia (EUA).
"Neutrinos de alta energia realmente nos fornecem uma nova janela para observar o Universo", comenta o físico Darren Grant, da Universidade de Alberta, em entrevista à BBC News Brasil.

Grant é um dos mais de 300 pesquisadores de 49 instituições que integram o grupo IceCube Collaboration – responsável pela descoberta. "As propriedades dos neutrinos fazem deles um mensageiro astrofísico quase ideal. Como eles viajam de seu ponto de produção praticamente desimpedidos, quando são detectados, podemos analisar que eles transportaram informações de sua origem."

Os neutrinos são partículas subatômicas elementares, ou seja, não há qualquer indício de que possam ser divididas em partes menores. São emitidos por explosões estelares e se deslocam praticamente à velocidade da luz.
Instalado no Polo Sul e em operação desde 2010, o IceCube é considerado o maior telescópio do mundo – mede um quilômetro cúbico. Levou dez anos para ser construído e fica sob o gelo antártico.

O IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. É um macete científico. Quando os neutrinos interagem com o gelo, produzem partículas que geram uma luz azul – e, então, o aparelho consegue detectá-los. Ao mesmo tempo, o gelo tem a propriedade de funcionar como uma espécie de rede, isolando os neutrinos, facilitando sua observação.

Partícula é segredo do Universo
Desde a concepção do projeto, os cientistas tinham a intenção de monitorar tais partículas justamente para descobrir sua origem. A ideia é que isso dê pistas sobre a origem do próprio Universo. E é justamente isso que eles acabam de conseguir.

Os pesquisadores já sabem que a origem de neutrinos observados na Antártica são um blazar, ou seja, um corpo celeste altamente energético associado a um buraco negro no centro de uma galáxia. Este corpo celeste está localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

"Eis a descoberta-chave", explica Grant. "Trata-se das primeiras observações multimídia de neutrinos de alta energia coincidentes com uma fonte astrofísica, no caso, um blazar. Esta é a primeira evidência de uma fonte de neutrinos de alta energia. E fornece também a primeira evidência convincente de uma fonte identificada de raios cósmicos."
Telescópios de espectroscopia nuclear e observações de raio-X e ultravioleta foram usados para identificar a origem da partícula (Foto: Universidade Penn State/Amon/Nate Follmer)

 Conforme afirma o físico, a novidade é a introdução, no campo da astronomia, de uma nova habilidade para "ver" o universo. "Este é o primeiro passo real para sermos capazes de utilizar os neutrinos como uma ferramenta para visualizar os processos astrofísicos mais extremos do universo", completa Grant. 

"À medida que esse campo de pesquisa continua se desenvolvendo, também deveremos aprender sobre os mecanismos que impulsionam essa partículas. E, um dia, começaremos a estudar essa partícula fundamental da natureza em algumas das energias mais extremas imagináveis, muito além daquilo que podemos produzir na Terra." 

"Esta identificação lança um novo campo da astronomia de neutrinos de alta energia, e esperamos que traga avanços emocionantes em nossa compreensão do Universo e da física, incluindo como e onde essas partículas de energia ultra-alta são produzidas", afirma o astrofísico Doug Cowen, da Universidade Penn State. "Por 20 anos, um dos nossos sonhos era identificar as fontes de neutrinos cósmicos de alta energia. Parece que finalmente conseguimos." 

Mapeando o desconhecido 
Foram décadas em que astrônomos de todo o mundo procuraram detectar os chamados neutrinos cósmicos de alta energia, em tentativas frustradas de compreender onde e como essas partículas subatômicas são geradas com energias de milhares a milhões de vezes maiores do que as alcançadas no planeta Terra. 

O IceCube conseguiu detectar pela primeira vez neutrinos do tipo em 2013. A partir de então, alertas eram disparados para a comunidade científica a cada nova descoberta. A partícula-chave, entretanto, só veio em 22 de setembro de 2017: o neutrino batizado de IceCube-170922A, com a impressionante energia de 300 trilhões de elétron-volts demonstrou aos cientistas uma trajetória. 

"Apontando para um pequeno pedaço do céu na constelação de Órion", relata a astrofísica Azadeh Keivani, da Universidade Penn State, coautora do artigo publicado pela Science. Tão logo a partícula foi identificada, de forma coordenada e automatizada, quatorze outros observatórios do mundo passaram a unir esforços para identificar sua origem, com telescópios de espectroscopia nuclear e observações de raio-X e ultravioleta. 

Todos os dados gerados foram analisados pelo grupo internacional de cientistas até a conclusão de que a fonte era o buraco negro supermassivo a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra. 

Essa distância do planeta significa que as informações carregadas pelo neutrino são de 3,7 bilhões de anos atrás, supondo que o mesmo tenha viajado à velocidade da luz. Nesse ponto, compreender tais propriedades é como olhar para os confins do passado do Universo - atualmente, acredita-se que o Big Bang tenha ocorrido há 13,8 bilhões de anos.

Após concluir a origem do neutrino IceCube-170922A, os cientistas vasculharam os dados arquivados pelo detector de neutrinos e concluíram que outros 12 neutrinos identificados entre 2014 e 2015 também eram oriundos do mesmo blazar. Ou seja: há a possibilidade de comparar partículas com a mesma origem, aumentando assim a consistência da amostra.

De acordo com os cientistas do IceCube, essa detecção inaugura de forma incontestável a chamada "astronomia multimídia", que combina a astronomia tradicional - em que os dados dependem da ação da luz - com novas ferramentas, como a análise dos neutrinos ou das ondas gravitacionais. 

"É um campo novo, empolgante e veloz. Que proporciona aos pesquisadores novos insights sobre a maneira como o Universo funciona", analisa o astrofísico Phil Evans, da Universidade de Leicester. 
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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Cientistas descobrem como foi a última refeição de homem que viveu há 5 mil anos

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Carne de veado, trigo selvagem e até samambaia foram encontradas em estômago da múmia de gelo naturalmente preservada mais antiga de que se tem notícia.
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BBC
Por BBC 



































Imagem do trato digestivo do Homem de Gelo - estômago só foi localizado em exames 18 anos após a descoberta da múmia (Foto: Institute for Mummy Studies/Eurach Research/Frank M) 

Uma das modas mais recentes para quem quer perder peso está na volta às origens. No caso, bastante às origens. A chamada dieta paleolítica busca reproduzir (com as devidas atualizações pertinentes) a alimentação que os seres humanos tinham na pré-história: trata-se de um cardápio baseado em plantas selvagens, carne, peixe e ovos.

Não é tão páleo assim, mas ao menos é histórica e cientificamente comprovada: em artigo publicado pela revista Current Biology nesta quinta, um grupo internacional de cientistas concluiu exatamente como foi a última refeição de um homem que viveu há 5,3 mil anos, no período Neolítico.

Trata-se de Ötzi, o Homem do Gelo - a múmia de gelo naturalmente preservada mais antiga de que se tem notícia, que rivaliza com a egípcia Ginger como a mais velha múmia humana conhecida. Esse corpo humano foi descoberto por montanhistas alemães em 1991, nos Alpes, mais precisamente na fronteira entre a Áustria e a Itália, perto do monte Similaun.

A pesquisa, que foi divulgada nesta quinta-feira, mostra os resultados da primeira análise em profundidade do conteúdo do estômago desse ser humano ancestral. Ou seja: revela como eram os hábitos alimentares do homem primitivo que ocupava essa região.
Entre outras coisas, descobriu-se que a última refeição do Homem de Gelo teve muita gordura animal.

"Conseguimos comprovar que ele teve uma proporção notavelmente alta de gordura em sua dieta, suplementada com carnes selvagens de íbex (caprino que habita os Alpes) e de veado, trigo selvagem e vestígios de um tipo de samambaia", explica o pesquisador Frank Maixner, coordenador do Instituto Eurac de Estudos da Múmia da Universidade de Bolzano, na Itália.

"O material do estômago da múmia foi extraordinariamente bem preservado, em comparação com amostras do intestino delgado previamente analisadas", afirma o cientista. "Também verificamos grandes quantidades de biomoléculas únicas, como lipídios, o que abre novas oportunidades metodológicas para abordarmos questões sobre a dieta de Ötzi."

Pesquisa sobre a dieta
Os cientistas mesclaram técnicas tradicionais de microscopia com modernas análises que usam corrente elétrica para identificar a composição residual dos tecidos. Antigas sequências de DNA, além de proteínas, metabólitos e lipídios remanescentes foram estudados.

De acordo com Maixner, uma análise assim nunca havia sido feita antes porque existia uma dificuldade em identificar o estômago do Homem do Gelo. O órgão acabou "subindo" no processo de mumificação, tendo sido localizado, portanto, apenas em exames de tomografia computadorizada realizados em 2009, 18 anos após sua descoberta. 

Ainda segundo o grupo de cientistas, o íbex seria a fonte mais provável de gordura da dieta desse homem primitivo. Metade do conteúdo do estômago de Ötzil era de gordura adiposa. "Faz todo o sentido", aponta Maixner, lembrando o ambiente alpino, de frio extremo, onde este homem viveu e foi encontrado.

"O ambiente alto e frio é particularmente desafiador para a fisiologia humana. E requer o fornecimento ideal de nutrientes, para evitar a fome rápida e a perda de energia", afirma o biólogo Alberto Zink, do mesmo instituto de pesquisa. 

"O Homem do Gelo, ao que parece, tinha plena consciência de que a gordura é uma excelente fonte de energia." 

Modo de fazer
De acordo com a pesquisa, Ötzil não teve muitos cuidados no preparo de sua alimentação. A carne selvagem, conforme a análise, foi consumida fresca - ou, no máximo, seca. A samambaia, segundo o estudo, continha esporos tóxicos, mas não se sabe se essas folhas foram ingeridas intencionalmente pelo homem primitivo. 

Pode ser que ele sofresse de doenças - pesquisas anteriores identificaram parasitas em seu intestino - e tenha ingerido o vegetal em busca de um remédio. Ou pode ser que Ötzil tenha utilizado a planta para embrulhar a carne e acabou comendo-a sem querer.

Os cientistas envolvidos na pesquisa esperam continuar descobrindo particularidades sobre a dieta do homem antigo. O plano agora é tentar reconstruir os microbiomas intestinais de Ötzi.

Exposto no Museu de Arqueologia de Bolzano, no norte da Itália, Ötzi foi encontrado pelo casal de montanhistas alemães Helmut e Erika Simon, em 19 de setembro de 1991. 

Inicialmente, eles acharam que fosse um cadáver contemporâneo. Mas o corpo foi examinado, medido, radiografado e datado: chegou-se à incrível idade de 5,3 mil anos. 

Tanto seus tecidos como seus intestinos foram examinados na época. Também foi estudado o pólen presente em seus artefatos. Acredita-se que ele tenha morrido com uma idade em torno de 30 a 45 anos. Ele media 1, 65 metro de altura. 

O Homem do Gelo vestia um casaco e calçados de couro - solas de pele de urso, parte superior de couro de veado -, trajes considerados sofisticados para a época. Tufos de grama dentro do sapato aparentemente serviam como isolante térmico. 

Seu corpo tem 57 tatuagens, marcas que alguns cientistas acreditam se tratar de um tipo primitivo de acupuntura. Entre os objetos encontrados com ele - um machado com lâmina de cobre, uma faca de sílex, uma aljava e um arco, havia restos de duas espécies de cogumelos. Uma delas, conhecida por propriedades antibacterianas, acredita-se que tenha sido utilizada para fins medicinais. 

















Análise do tecido da múmia permitiu descobrir os detalhes da última refeição de Ötzi (Foto: Institute for Mummy Studies/Eurach Research/Frank M)

Maldição da múmia
A primeira hipótese era de que Ötzi tivesse morrido enquanto levava seu rebanho para as montanhas, surpreendido por uma nevasca. Entretanto, uma tomografia realizada em 2001 revelou que o homem tinha uma ponta de flecha na região de seu ombro - além de um pequeno furo em seu casaco.

Também foi localizado um ferimento profundo na palma de sua mão direita. Atualmente, a explicação mais aceita para sua morte é que essa lesão na proximidade do ombro tenha atingido uma artéria. 

Uma curiosa - e macabra - superstição cerca Ötzi. Isso porque, até agora, sete pessoas que tiveram contato com o cadáver morreram em decorrência de estranhos acidentes. Há uma lenda, portanto, de que a múmia se zanga com quem pertuba seu descanso eterno.

Uma das supostas vítimas dessa maldição foi Helmut Simon, o descobridor do Homem de Gelo. Em 15 de outubro de 2004, ele morreu em uma tempestade de neve, na Áustria, a 100 quilômetros do local onde encontrou Ötzi. 
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Maior sarcófago já encontrado em Alexandria é uma das duas descobertas arqueológicas anunciadas no Egito

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Uma é datada da dinastia ptolemaica, há mais de 2 mil anos, e outra mostra diversas cerâmicas das épocas greco-romana, copta e islâmica, escondidas durante a Segunda Guerra Mundial.
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Por G1 
























Sarcófago é o maior já encontrado na cidade de Alexandria, segundo ministério egípcio (Foto: Ministério da Antiguidades do Egito/AFP) 

O Ministério de Antiguidades do Egito divulgou duas novas descobertas no início deste mês. Uma, datada do período da dinastia ptolemaica - há mais de 2 mil anos -, e a outra das eras greco-romana, copta e islâmica, escondida na época da Segunda Guerra Mundial.

O primeiro achado, divulgado no dia 1º de julho, é resultado de escavações arqueológicas na cidade de Alexandria, na costa norte do país. Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, explicou que foi encontrada uma tumba com um sarcófago de granito preto, com 185 cm de altura, 265 cm de comprimento e 165 cm de largura.

Segundo Wazari, é o maior sarcófago já encontrado no município egípcio. A tumba foi localizada a 5 metros abaixo da superfície e, segundo outro funcionário do setor de antiguidades do país, havia uma camada de argamassa entre a tampa da tumba e o sarcófago, o que indica que o material não foi aberto desde que foi depositado.

Uma cabeça esculpida de alabrasto (gesso e calcite) foi encontrada ao lado, e provavelmente pertence ao dono da tumba, de acordo com o ministério.




































Foto divulgada em 1º de julho mostra a ‘cabeça’ de um homem encontrada em um túmulo antigo que remonta a dinastia ptolemaica (Foto: Ministério de Antiguidades do Egito/AFP) 

A outra descoberta, anunciada na última quarta-feira (4), é de centenas de objetos de cerâmica. Eles datam das eras greco-romana, copta e islâmica, e foram encontrados em um esconderijo "muito provavelmente" construído durante a Segunda Guerra Mundial, no interior de um Museu de Alexandria.

As peças foram descobertas "durante trabalhos de restauração" no jardim interno do museu greco-romano de Alexandria, disse o comunicado do ministério.













Cerâmicas foram encontradas e provavelmente foram escondiadas durante a Segunda Guerra Mundial (Foto: Ministério da Antiguidades do Egito/AFP) 

"Muito provavelmente foram escondidas pelo arqueólogo (britânico) Alan Rowe e pelos funcionários do museu durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945", disse o chefe do Setor de Antiguidades egípcias, Ayman Ashmawi.

Segundo ele, o objetivo era "proteger os objetos da pilhagem e dos bombardeios frequentes durante a guerra". As antiguidades provavelmente foram escondidas "rapidamente" e, por isso, não foram registradas na lista do museu.

"O esconderijo contém uma coleção de cerâmica de tamanhos e formas diferentes", indicou a chefe do Departamento Central de Antiguidades egípcias e greco-romanas, Nadia Jadre.

Entre elas, há urnas funerárias, chamadas "Hidari", onde eram guardadas as cinzas dos mortos após sua cremação no período grego. Também foram encontrados recipientes, vasilhas e pratos das épocas greco-romana e bizantina.



Objetos foram encontrados em museu na cidade de Alexandria, no norte do país (Foto: Ministério de Antiguidades do Egito/AFP)












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