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sábado, 9 de junho de 2018

Indígenas do Xingu falam sobre mudanças climáticas em documentário precioso

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Por Amelia Gonzalez, G1 
Documentário "Antes da Chuva" (Foto: Reprodução) 

"Antes da chuva", o documentário realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA), dirigido por Otávio Almeida, que acaba de estrear em plataformas digitais, dá espaço para os indígenas falarem. Mas eles não estão, desta vez, reclamando seus direitos sobre as terras que lhes são devidas. As câmeras captam, neste filme, a triste constatação de jovens indígenas de que o meio ambiente está sofrendo por causa dos abusos cometidos pela humanidade. O filme revela o olhar dos xinguanos a este impacto e deixa possível uma leitura da distância entre esta vivência sensorial e o conhecimento científico sobre o fenômeno das mudanças climáticas.

A primeira cena, impactante e de uma beleza extraordinária, já deixa muito clara esta experiência peculiar. Nela aparece uma mãe indígena com um bebê no colo enrolado em manta e, ao lado, no chão, outro filho, já mais velho. Venta forte e o grupo está na porta de sua oca, feita de palha e madeira, tentando espantar o vento e a chuva que virá, com uma vassoura nas mãos. A vulnerabilidade dos três chega a ser emocionante. Assim como fica aparente a intimidade que eles têm com fenômenos naturais.

É assim, também, quando a câmera acompanha jovens coletoras de sementes pela floresta. Os protagonistas do documentário fazem parte da Associação Rede de Sementes Xingu, uma rede de trocas e encomendas de sementes de árvores e outras plantas nativas das regiões do Xingu e Araguaia, a maior rede de sementes nativas do Brasil. A facilidade com que tais jovens pegam sementes, com que vão desfolhando os mistérios do ambiente que os cerca, é aparente. Muito, muito diferente do conhecimento adquirido em livros e sites que norteiam pesquisas e relatórios de cientistas e outros especialistas em meio ambiente reunidos em fóruns e conferências do meio ambiente. Não estamos em tempo de menosprezar nenhum saber, portanto a comparação não é preconceituosa. Trata-se de uma constatação.

Está mais do que na hora de ouvir os indígenas para que eles possam mostrar os sinais, cada vez mais claros, das mudanças do clima. E para que eles possam ajudar a desenvolver políticas que, quem sabe, ainda nos poupem de piores fenômenos do que a seca que lhes invade os dias.

Tawa, da Rede de Sementes, põe em palavras o que tem observado quando se lança em campo para fazer a coleta:

"Antigamente a gente seguia os sinais, mas não é mais como era", diz ele.
O jovem Oreme Ikpeng, da aldeia Moygu concorda:
"Quando a gente percebia que ia chover, a gente queimava a roça e, no dia seguinte, já chovia. Hoje a gente segue esses sinais, mas a chuva não vem. Queremos seguir as regras antigas, mas o tempo não acompanha essas regras. Ou eu sigo a cultura tradicional, como é, ou eu me adapto à nova cultura e aqueles sinais ficam só na história. Isto, para mim, é triste", diz Ikpeng.

Já estive em algumas aldeias indígenas a trabalho, como repórter e, em todas elas, procurei fazer perguntas sobre as alterações climáticas. Para minha frustração, o que conseguia eram respostas evasivas ou muito ensaiadas. E fiquei com a sensação de que os índios não gostam de falar a respeito. Foi, portanto, uma grata surpresa ouvir os depoimentos no documentário.

Dannyel Sá, que junto com Danilo Urzedo e Raíssa Ribeiro (todos da Rede de Sementes) concebeu o projeto e a pesquisa, aceitou minha provocação para refletir sobre esta minha percepção:
"A dificuldade é fazer a ponte com a linguagem acadêmica, de base racional, das observações feitas, por exemplo, pelos cientistas do IPCC. O que existe é uma incompatibilidade de linguagem porque os indígenas notam mais do que todo mundo. Os sinais que eles usam são a própria referência do tempo. A floração de uma espécie indica que vai estar na época do pracajá, uma estrela tal que aparece avisa que é época de queimar. Todos esses sinais estão completamente desregulados, não tem mais equivalente. Fazer uma tradução para nossa linguagem de forma que dialogue com o nosso sistema é que é o ponto. O filme teve objetivo de mostrar isso, explicando pela observação deles. Eles sabem que tem algo errado, mas não sabem que tem uma discussão ampla, global, falando de motivos para isso acontecer. Ou seja, essa dificuldade de eles falarem das mudanças climáticas pode ser dificuldade de diálogo, de perspectivas, de cosmologia", disse Dannyel, por telefone.

O território indígena do Xingu fica no coração do Brasil e foi a primeira grande terra indígena demarcada pelo governo federal há 57 anos.

"São 2,8 milhões de hectares, oito mil pessoas que compõem uma sociobiodiversidade única em uma região de transição entre Cerrado e Amazônia, diz o site do ISA, organização que está com o povo xinguano desde 1994. O território está preservado, mas há muita destruição em volta causada, basicamente, pelo agronegócio, que provoca sérios impactos nos cerrados e nas florestas, intensificando as mudanças climáticas e dificultando a produção agrícola dos indígenas.

Num dos trechos do documentário, a câmera dialoga com índias coletoras de sementes. Elas não têm dúvida de que o homem branco é que está causando tanto mal à floresta, tanto desmatamento:
"Estamos sofrendo com a falta de alimentos que nós mesmos causamos e que os brancos também estão causando e com isso o sol está mais quente", diz uma das mulheres.
O Rio Xingu, que garante a sobrevivência daquele povo, cuja história está imbricada com a dos indígenas, agora também está mudado. O canoeiro que transporta as sementes coletadas conta que antigamente ele gastava menos combustível em seu pequeno barco porque o caminho era mais direto, não precisava fazer tantas curvas.
"Antigamente o rio era mais cheio e não precisava fazer curvas. Mas agora mudou tudo, está diferente, o rio está muito seco. As viagens noturnas são muito perigosas", diz ele.
São detalhes preciosos que fazem parte de uma vivência que não deve, não pode ser desprezada.

O documentário em curta-metragem foi premiado como melhor fotografia no Festival dos Sertões e selecionado para mostras no Cinecipó – Festival do Filme Insurgente e VI Congresso Latino-americano de Agroecologia. A ideia do pessoal do ISA é que sejam criados grupos de pessoas interessadas no tema para assisti-lo, gerando com isso um debate construtivo.
INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL 
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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Economia brasileira só é menos vulnerável que a argentina entre 18 emergentes, diz estudo

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País ocupa segunda pior posição em ranking elaborado pelo coordenador de economia aplicada do Ibre-FGV. Brasil tem bom desempenho em indicadores de setor externo - o que afasta possibilidade de crise cambial no curto prazo -, mas é o pior na comparação entre as dívidas públicas.

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BBC
Por BBC 
Postado em 08 de junho de 2018 às 22h00m 




















Bovespa teve forte queda nesta semana com incerteza eleitoral (Foto: Rafael Matsunaga/ (Arquivo) – Wikipédia)

 A chance de o Brasil viver uma crise como a da Argentina - apesar do susto com a disparada do dólar nos últimos dias - é pequena. A parcela em dólar da dívida brasileira é marginal, o déficit em transações com outros países é pequeno e a inflação, que costuma ser pressionada quando o real desvaloriza, está controlada.

Ainda assim, a situação está longe de ser confortável. Entre as 18 principais economias emergentes, o país ocupa a segunda pior posição no ranking de vulnerabilidade feito pelo coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), Armando Castelar, com base em índice feito pelo Fed, o Banco Central americano, em 2016.

Dois anos atrás, o Fed tentava identificar as economias mais suscetíveis ao aperto nas condições financeiras externas, logo após os EUA subirem seus juros pela primeira vez em uma década.

Desde então, o indicador mostrou correlação forte com a desvalorização cambial das moedas desses países. Ou seja, quanto pior a posição, maior seria a perda de valor em relação ao dólar.

A arrancada da moeda americana no Brasil nos últimos dias tem um componente, contudo, que foge do escopo das variáveis do indicador: o pessimismo em relação à política, personificado pela incerteza em relação às eleições e pela solução encontrada pelo governo para a greve dos caminhoneiros.

Na quinta-feira, depois de bater R$ 3,96, a cotação fechou o pregão a R$ 3,92. Nesta sexta, depois de o Banco Central intervir no mercado de câmbio, anunciando injeção adicional de R$ 20 bilhões em contratos de dólar na próxima semana para aumentar a oferta de moeda americana, a cotação recuou para R$ 3,70.

Cenário externo adverso
De forma geral, o dólar ganha força quando o banco central americano sobe os juros. O movimento torna os títulos americanos mais rentáveis e estimula a saída de moeda dos mercados considerados mais arriscados, como os emergentes.

O ciclo de alta nos juros dos EUA, contudo, foi mais lento do que se esperava, e apenas agora os efeitos para os quais os economistas chamavam atenção em 2016 estão tomando forma de maneira mais concreta.

Desde março, o dólar ficou mais caro em praticamente todos os emergentes. As maiores desvalorizações, se considerado o acumulado em 2018, aconteceram na Argentina, na Turquia e no Brasil, nessa ordem.

"A mudança no ambiente externo também inclui a ameaça de guerra comercial entre EUA e China, a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã - que, ao lado da crise na Venezuela, pressiona os preços do petróleo -, a política na Itália, na Espanha. Tudo isso gera ainda mais aversão ao risco", avalia Castelar.

O indicador de Fed, que o economista atualizou com dados mais recentes, compila seis variáveis: saldo em conta corrente (o resultado das transações do Brasil com outros países), dívida pública bruta, inflação média trienal, variação trienal do crédito bancário para o setor privado, razão entre dívida externa e exportações, e reservas internacionais.

O Brasil tem uma situação melhor do que a maioria de seus pares nos indicadores relacionados ao setor externo. Ele tem o pior desempenho, contudo, quando se compara a dívida pública dos 18 países.
"O problema do Brasil é fiscal (o desequilíbrio das contas do governo) e o baixo crescimento", diz o economista.

A volta do dólar a R$ 4
A composição do desempenho do Brasil tem duas leituras possíveis. De um lado, a chance de uma crise financeira no curto prazo - como vivem Argentina e Turquia - é pequena.

As reservas do país em moeda americana somam mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), a parcela em dólar da dívida pública é pequena e o déficit em transações correntes (as trocas com outros países) é o menor em muitos anos, compensado pela entrada de investimento direto estrangeiro.

De outro, nossos problemas domésticos acendem um sinal amarelo sobre a recuperação da economia, com chance de que o cenário de desemprego alto e crescimento baixo se prolongue por mais tempo que o previsto.

"A chance de crise é pequena no sentido de que não vai faltar dólar. O Brasil tem espaço para acomodar os choques porque tem um inflação controlada, mas isso não quer dizer que não pode haver estresse social", ele destaca.

Se as incertezas em relação às eleições se concretizarem, no próximo governo, em uma eventual crise de confiança em relação ao risco de crédito do setor público - por uma piora da situação fiscal, por exemplo -, o Brasil pode assistir a uma corrida para longe do real, com consequências amargas para a economia.

No cenário atual, contudo, "o dólar já subiu o que tinha que subir", ele avalia. O componente político das eleições - que não está mensurado pelo indicador - pode exercer pressão sobre o câmbio nos próximos meses - ou seja, o dólar pode ficar mais caro -, mas a chance de que haja uma arrancada como a dos últimos meses é pequena.

O economista da Capital Economics Edward Glossop concorda com a avaliação. Sua estimativa atual para o dólar no fim de 2018 está em R$ 3,80, mas ele admite que deve reavaliar para algo mais próximo de R$ 4 devido à desvalorização rápida dos últimos dias - que ele atribui majoritariamente às questões internas do país.

Uma parte, ele pondera, se deve à falta de clareza sobre as propostas dos atuais pré-candidatos à presidência - ausência de sinais mais diretos em relação ao compromisso com o reequilíbrio das contas públicas, por exemplo.

"Também teve a greve de caminhoneiros. O mercado ficou preocupado com a solução dada pelo governo, com o sinal que ela dá em relação à política fiscal", diz o economista, referindo-se aos subsídios liberados pela União ao diesel em um momento em que a capacidade de gastar é limitada.

Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra, acredita que a Copa do Mundo deve dar um respiro na tensão das últimas semanas. "Depois disso, as eleições vão ganhar as ruas", avalia o especialista, que também atribui a disparada do dólar nesta semana à "contaminação eleitoral".

A partir de então, o mercado estará atento à comunicação dos candidatos com os eleitores e à agenda de propostas, ele afirma, especialmente em relação à reforma da Previdência, ao equacionamento do déficit orçamentário do governo e às medidas para retomar o crescimento e impulsionar a produtividade. 
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quinta-feira, 7 de junho de 2018

EUA devolvem à Espanha carta roubada de Cristóvão Colombo achada no Brasil

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Documento fazia parte da coleção da Biblioteca da Catalunha desde 1918.

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France Presse
Por France Presse 






















Carta roubada de Cristóvão Colombo volta para a Espanha (Foto: Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA/Reuters) 

Uma rara e valiosa carta de Cristóvão Colombo, impressa em 1493 e roubada há mais de uma década da Biblioteca da Catalunha, foi devolvida pelos Estados Unidos à Espanha após uma investigação de sete anos que a encontrou no Brasil.

A impressão da carta do italiano Colombo, na qual o "descobridor" da América descreve à coroa espanhola os resultados de sua primeira expedição, foi vendida várias vezes após ser roubada em 2004 ou 2005, a última vez por mais de um milhão de dólares a um colecionador no Brasil, informou o departamento de Justiça americano em um comunicado.

O documento fazia parte da coleção da Biblioteca da Catalunha desde 1918. Foi impresso em Roma por Stephan Plannck em 1493 e se conservam apenas 16 exemplares destas cartas em todo o mundo.
"Estamos realmente honrados de retornar este documento historicamente importante à Espanha, seu verdadeiro proprietário", disse o procurador David Weiss após sua entrega ao embaixador da Espanha em Washington DC, Pedro Morenés.
Na carta, Colombo narra o início de sua expedição financiada pela rainha Isabel a Católica após sua partida do Puerto de Palos em agosto de 1492, e tudo que aconteceu na busca das Índias até sua chegada a Lisboa em março de 1493, e dez dias depois a Espanha, acreditando ainda que havia chegado às Índias Orientais.



















Livro de 1493 com tradução em latim de carta de Cristóvão Colombo (Foto: Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA/Reuters) 

Tudo começou em 2011, quando a procuradoria de Delaware e a polícia aduaneira receberam uma pista: vários documentos do século XV teriam sido roubados de bibliotecas europeias e substituídos por cópias, sem o conhecimento de bibliotecários ou da polícia desses países.

Uma investigação de sete anos que envolveu as autoridades de Espanha, França e Brasil determinou que a carta roubada de Colombo foi vendida em novembro de 2005 por 600 mil euros (708 mil dólares) por dois livreiros italianos.

Após ficar sabendo que duas impressões à mão da mesma carta tinham sido roubadas e substituídas por cópias em bibliotecas de Florença e do Vaticano, em 2012 um especialista e um policial americano visitaram a Biblioteca da Catalunha em Barcelona e determinaram que a versão da carta de Colombo em sua posse era falsa.

Em março de 2013, as autoridades descobriram que a impressão à mão da carta de Colombo tinha sido revendida pela última vez em junho de 2011 por 900 mil euros (1,062 milhão de dólares no câmbio atual)

Após extensas negociações, a pessoa em posse da carta no Brasil concordou em entregá-la em 2014 a agentes da unidade de investigações da polícia aduaneira.

As autoridades continuam investigando, mas ainda não houve prisões.
ESPANHA  ESTADOS UNIDOS 
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