Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Novo Google Chromecast permite exibir vídeos da internet na TV.Marcio Jose Sanchez / AP
RIO - Atualmente, muitos televisores já saem de fábrica com conexão Wi-Fi para acesso à internet. Mas, para quem não quer — ou não pode — gastar muito dinheiro num novo aparelho, existem soluções mais em conta que transformam modelos mais antigos em smart TVs. Recentemente, a Google lançou o Chromecast, um conversor do tamanho de um pen drive que se conecta à entrada HDMI. Infelizmente, o gadget ainda não está disponível no Brasil, mas nos EUA, onde é vendido por US$ 35, o estoque esgotou em menos de uma semana. O Chromecast funciona como uma espécie de “antena”. Ligado ao televisor por uma porta HDMI, ele exibe vídeos e músicas transferidos pela web de tablets, smartphones e computadores. Por ser um produto recente, apenas YouTube, Netflix e Google Play são compatíveis, mas a tendência é que as opções ampliem rapidamente. O aparelho também permite a navegação na internet, por meio do Chrome, em redes sociais e outros sites. Não é a primeira vez que a Google lança dispositivos para conectar a TV à internet. Em parceria com a Sony, a empresa oferece desde 2010 o Google TV. Trata-se de uma pequena caixa preta com controle remoto, parecida com os receptores de TV por assinatura. Diferente do Chromecast, o Google TV transforma o televisor em um dispositivo Android, com acesso à loja Google Play. É possível, por exemplo, jogar Angry Birds na tela grande, usando o controle remoto, que possui teclado e touchpad. Além da Sony, a gigante de buscas fez parcerias com outras empresas, como Logitech, Asus e Netgear. O produto da fabricante japonesa é mais fácil de encontrar e custa R$ 899 no Brasil.
O chef Rich McGeown prepara o primeiro hambúrger artrificial do mundo, em pesquisa liderada pelo cientista Mark PostTOBY MELVILLE / REUTERS
LONDRES - O primeiro hambúrguer totalmente cultivado em laboratório do mundo foi preparado e degustado durante uma entrevista coletiva em Londres nesta segunda-feira. Os cientistas pegaram células-tronco de uma vaca e, em um laboratório da Universidade de Maastricht, na Holanda, as transformaram em tiras de músculo combinadas em quantidade suficiente para fazer os 140 gramas do que já foi apelidado de “frankenburger”. Os pesquisadores dizem que a tecnologia poderia ser uma forma sustentável de atender a demanda crescente por carne no planeta. A iguaria foi preparada pelo chef britânico Richard McGowan e provada pelos críticos gastronômicos Hanni Ruetzler e Josh Schonwald. Após provar o hambúrguer, Ruetzler declarou: "Eu estava esperando que a textura fosse mais suave... há algum sabor intenso, é perto de carne, mas não é suculenta. A consistência é perfeita, mas senti falta de sal e pimenta. Para mim, é carne. Não está esfarelando. " Já o escritor Schonwald disse à rede britânica: ” O paladar é como o da carne. Sinto falta da gordura, mas ao morder parece com um hambúrguer“. Mark Post, o cientista que liderou a pesquisa, comentou que este foi um bom começo e disse que a carne era composta por dezenas de bilhões de células cultivadas em laboratório. Post usou 20 mil células-tronco extraídas de uma vaca, que foram transformadas em fibras musculares e cultivadas por três meses. Cada pequena fibra cresceu em uma cultura própria. Questionado sobre quando o produto chegaria ao mercado ele disse que vai demorar, mas que a pesquisa conseguiu provar que é possível. Não é, portanto, um processo fácil. Até o ano passado, não se conseguia chegar a nada maior do que tiras de músculo com alguns centímetros de comprimento e poucos milímetros de espessura. Colher o suficiente deles para chegar a um hambúrguer ainda levou alguns meses. A "iguaria" custou cerca de R$ 750 mil.
O projeto foi bancado pelo cofundador do Google Sergey Brin. Em vídeo divulgado durante a apresentação, Brin disse que financiou o projeto por uma questão de bem-estar dos animais. “Quando você vê como essas vacas são tratadas, certamente trata-se de algo com o que me sinta confortável”, disse o bilionário do Vale do Silício. - Vacas são bastante ineficientes, pois elas precisam de 100 gramas de proteínas vegetais para produzir 15 gramas de proteína animal. Por isso, precisamos alimentar tanto as vacas para que elas possam nos alimentar. Perdemos muita comida neste processo. Com a carne cultivada, podemos melhorar este aproveitamento, porque temos todas as variáveis sob controle. Não precisamos matar a vaca nem produzir metano - disse Post ao jornal inglês “The Guardian”, fazendo referência ao impacto gerado pela pecuária por causa da emissão de gases do efeito estufa. Se a carne artificial passar nos testes, poderá um dia reduzir a demanda pelos rebanhos "naturais". Será necessário um número significativamente menor de animais no pasto. Atualmente, a pecuária ocupa 30% da superfície útil do planeta. Estima-se que 1.600 mamíferos e aves são abatidos a cada segundo. Algo insustentável, considerando as projeções de crescimento do planeta. Com a população mundial beirando os 9,5 bilhões de pessoas em 2060, como cravam as estimativas mais conservadoras, a pecuária será responsável por metade do impacto das mudanças climáticas provocadas pelo sistema de transporte. Hoje, a criação de bois, vacas e porcos já responde por 5% das emissões de CO2 para a atmosfera, além de 40% da liberação de metano e de óxido nítrico, que também contribuem para o efeito estufa.
A suspeita de um possível ataque da al Qaeda que levou ao fechamento
de embaixadas dos Estados Unidos no Oriente Médio, neste domingo (4), é a
mais grave em anos, e a comunicação entre os suspeitos de terrorismo é
reminiscente do período que precedeu os ataques de 11 de Setembro, disse um
parlamentar norte-americano com informações dos serviços de Inteligência. O Departamento de Estado norte-americano fechou 22 embaixadas e consulados e
emitiu um alerta de viagens informando norte-americanos de que a rede Al-Qaeda pode
estar planejando ataques em agosto, especialmente no Oriente Médio e no Norte da
África. "Há uma enorme quantidade de conversas lá fora", disse o senador Saxby
Chambliss, principal republicano no Comitê de Inteligência do Senado, no
programa da NBC "Meet the Press". Ele disse que as comunicações monitoradas
eletronicamente entre os suspeitos de terrorismo sobre o planejamento de um
possível ataque "lembram muito do que vimos antes do 11 de Setembro." A ameaça também levou alguns países europeus a fechar suas embaixadas no
Iêmen, onde um braço da Al Qaeda se baseia. "Esta é a mais séria ameaça que eu
vi nos últimos anos", disse Chambliss. Uma autoridade do serviço de inteligência dos Estados Unidos disse à agência
Reuters que houve discordância dentro da comunidade de inteligência sobre se o
alvo em potencial seria o Iêmen ou a região de forma mais ampla, razão pela qual
o alerta do Departamento de Estado descreveu que um ataque "pode ocorrer na
Península Arábica ou emanar dela." A informação sobre a ameaça também vem às vésperas da celebração do Eid no
final do mês sagrado muçulmano do Ramadã, no final desta semana, e pouco mais de
um mês antes do aniversário do 11 de Setembro, ocorrido em 2001.
No último mês de junho, o mundo tomou conhecimento do maior
programa de monitoramento em massa de comunicações de que se tem notícia até
hoje, promovido pela Agência Nacional de Segurança, a NSA, do governo dos
Estados Unidos.
As revelações foram feitas pelo ex-consultor Edward
Snowden, que trabalhou para a NSA e copiou milhares de documentos sigilosos.
Vazados inicialmente para o jornal britânico The Guardian (publicados
pelo colunista Greenwald, que também assina esta reportagem), os papéis revelam
a escala global da ação da NSA.
No mês passado, o jornal O Globo
revelou que o Brasil era um dos alvos prioritários da ação da agência americana.
Em Brasília, o porta-voz escalado pelo governo americano para tratar de um
assunto tão delicado foi o embaixador Thomas Shannon Jr., no cargo desde
fevereiro de 2010.
Ele minimizou o conteúdo das reportagens. Afirmou que elas
apresentaram “uma imagem que não é correta” do programa de inteligência da NSA.
Oficialmente convocado, Shannon reuniu-se com os ministros das Relações
Exteriores, Antonio Patriota, das Comunicações, Paulo Bernardo, e do Gabinete de
Segurança Institucional (GSI), José Elito Carvalho Siqueira.
Shannon anunciou a
criação de um grupo de especialistas para investigar as denúncias e se
comprometeu a colaborar com o Brasil. Para o governo brasileiro, suas
explicações foram consideradas “insuficientes”.
Um novo documento ultrassecreto da NSA, obtido por
ÉPOCA com exclusividade, revela que o envolvimento de Shannon com a NSA é
anterior a sua nomeação para o cargo de embaixador no Brasil. Shannon não apenas
conhecia a ação de coleta de dados sobre representações diplomáticas de outros
países da região, como se beneficiou dela. Fez isso no início da gestão do
presidente Barack Obama quando, ao ocupar o cargo de secretário-assistente de
Estado, respondia à secretária de Estado Hillary Clinton.
Em ofício de 19 de maio de 2009, cerca de sete meses antes de ser confirmado
como embaixador do Brasil, Shannon agradece e parabeniza o diretor da NSA,
general Keith Alexander, pelas “excepcionais” informações obtidas numa ação de
vigilância de outros países do continente, antes e depois da 5ª Cúpula das
Américas, em Trinidad e Tobago, em abril daquele ano. Ele assina o documento,
“em nome do Departamento de Estado” – portanto, em nome da então secretária
Hillary Clinton. Procurado por ÉPOCA, o governo dos Estados Unidos, por
intermédio de sua embaixada em Brasília, informou que não comenta nenhum tipo de
atividade secreta e que, portanto, não se pronunciaria.
Shannon celebra,
no documento, como o trabalho da NSA permitiu que os EUA tivessem conhecimento
do que fariam na reunião os representantes de outros países. Afirma que tal
trabalho foi essencial para manter o governo americano informado em seu mais
alto nível. “Os mais de 100 relatórios que recebemos da NSA nos deram uma
compreensão profunda sobre os planos e intenções de outros participantes da
Cúpula e garantiram que nossos diplomatas estivessem bem preparados para
aconselhar o presidente Obama e a secretária Clinton sobre como lidar com
questões controversas, tais como Cuba, e interagir com contrapartes difíceis,
como o presidente venezuelano, Hugo Chávez”, escreveu Shannon.
A Cúpula das Américas de 2009 era considerada
estratégica pelo governo Barack Obama. Para entender as razões, é necessário
conhecer um pouco da história do encontro. A Cúpula das Américas foi criada em
1994 pelo então presidente americano, Bill Clinton, com o objetivo de se
aproximar política e economicamente das demais nações do continente. Nas três
primeiras reuniões – em 1994, 1998 e 2001 –, o assunto mais discutido foi o
projeto de integração comercial, na forma da Área de Livre Comércio das Américas
(Alca). O governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso não era
simpático à ideia. Preferia fortalecer sua liderança regional no Mercosul. Fez
várias exigências para que a Alca se concretizasse. Depois de anos de
negociações, os Estados Unidos atenderam a essas exigências em 2001 e abriram
caminho para um diálogo mais aprofundado. O assunto virou tema da campanha
presidencial do ano seguinte, quando a Alca foi repudiada pelo Partido dos
Trabalhadores. Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito e, por motivos políticos,
deixou o assunto em segundo plano. Com o Brasil de fora, a Alca foi enterrada. E
a Cúpula, esvaziada de seu principal objetivo, perdeu importância.
Sem
objetivo concreto, os Estados Unidos, criadores da Cúpula, chegaram à quinta
edição do encontro com um objetivo simbólico. Na reunião realizada em 2009, em
Trinidad e Tobago, a intenção era apresentar o novo presidente dos EUA, Barack
Obama, como um líder disposto ao diálogo com as demais nações americanas. Era
também a primeira vez em que Obama se encontraria com dois desafetos declarados
dos Estados Unidos: os presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales
(Bolívia). Em setembro de 2008, ainda no governo de George W. Bush, a Bolívia
declarara persona non grata o embaixador dos EUA no país, Philip
Goldberg, e o expulsara de La Paz, sob a acusação de conspirar e “fomentar
separatistas” nas províncias opositoras ao governo. Seguindo o princípio da
reciprocidade, Washington fez o mesmo com o representante boliviano em seu solo,
Gustavo Guzmán. O venezuelano Chávez elevou ainda mais a tensão com o governo
americano, ao ordenar a saída do país do embaixador americano em Caracas, “em
solidariedade” à Bolívia. Em março de 2009, Morales expulsou mais um diplomata
americano, Francisco Martínez.
Nesse período, cabia a Shannon a operação da diplomacia
dos EUA na região, sempre sob as ordens de Hillary. Foi nesse contexto de
adversidade e enfrentamento que ele enxergava Morales e Chávez como “rivais
determinados a constranger” e a “desafiar os interesses” dos EUA, como se lê no
documento obtido por ÉPOCA. Os dois tinham uma agenda para a cúpula: pregar
contra o embargo americano a Cuba e tentar esvaziar o discurso de integração de
Obama. Assim que tomou posse, em 2009, Obama demonstrou disposição em
reconstruir laços no continente e a melhorar as relações com Cuba. Logo no
começo do mandato, tornou mais flexíveis as limitações de viagens de americanos
a Cuba, reduziu as restrições a remessas de dinheiro de cubanos residentes nos
Estados Unidos e autorizou empresas de comunicações americanas a operar por lá. Acabar com o embargo, no entanto, não estava a seu alcance. Obama teria de
contrariar vários interesses, firmemente estabelecidos no Congresso.
As intenções diplomáticas de Obama esbarraram no talento marqueteiro de
Chávez, com suas conhecidas ambições regionais. A imagem que marcou a quinta
Cúpula das Américas foi a fotografia de Chávez dando a Obama um exemplar do
livro As veias abertas da América Latina, clássico da esquerda de
autoria do uruguaio Eduardo Galeano. Num tom caro ao vitimismo político dos anos
1970, o livro mapeia a “exploração” dos países latino-americanos pelas
“potências hegemônicas”. “Chávez conseguiu mudar a agenda do encontro e obteve
uma vitória do ponto de vista da propaganda”, diz o professor José Augusto
Guilhon Albuquerque, da Universidade de São Paulo. “A mensagem de Obama era a
aproximação das demais nações do continente. O gesto de Chávez mudou o discurso
para: ‘Todos contra os Estados Unidos’.”
Apesar disso, a avaliação de
Shannon para o resultado da Cúpula foi positiva. “Nossa nova administração
estava determinada a construir uma relação produtiva e positiva com nossos
vizinhos, enquanto nossos rivais na região estavam igualmente determinados a nos
constranger e desacreditar”, afirma o embaixador no documento obtido por ÉPOCA.
“Tivemos êxito e nossos rivais fracassaram, e nosso sucesso se deve, em boa
medida, às informações abundantes, detalhadas e no tempo certo que vocês
forneceram.”
Na semana passada, foi divulgado que a nsa tem um sistema ainda
mais eficiente para obter dados virtuais
A história teve desdobramentos. No mesmo documento, Shannon diz: “Nosso
trabalho está longe de terminar – a Assembleia-Geral da Organização dos Estados
Americanos, no próximo mês, provavelmente trará discussões renovadas sobre Cuba,
e países como Venezuela e Bolívia permanecem com a intenção de desafiar os
nossos interesses no curto prazo –, mas estou confiante de que as informações da
NSA continuarão a nos dar a vantagem de que nossa diplomacia necessita”. Em 4 de
junho, na Assembleia-Geral da OEA, em Honduras, foi anulado o ato que suspendia
Cuba da organização. Foi uma derrota diplomática dos Estados Unidos. Houve
tensão e discussões. Os países reunidos por Chávez em seu arremedo de pacto
regional, a Aliança Bolivariana das Américas (Alba), defendiam, além da
revogação, um pedido de desculpas a Cuba. Ao final, prevaleceu uma solução
intermediária: foi anulada a suspensão a Cuba na OEA, mas Cuba ainda não pode
integrá-la na prática.
O documento obtido por ÉPOCA não esclarece uma
questão fundamental: a que tipo de dado Shannon e sua equipe tiveram acesso? Não
informa se puderam ler e-mails de delegações de outros países. O governo
americano nega que a NSA tenha acesso ao conteúdo de mensagens e ligações
telefônicas. Afirma que o trabalho de inteligência eletrônica se limita à coleta
de informações como dia e hora de uma ligação telefônica ou local de acesso a
uma conta de e-mail. São informações conhecidas tecnicamente pelo termo
“metadados”.
As revelações de Snowden lançam dúvidas cada vez maiores
sobre essa versão. Na
semana passada, ÉPOCA revelou que, em 2010, a então embaixadora dos Estados
Unidos nas Nações Unidas, Susan Rice, teve acesso a pelo menos 100 relatórios da
NSA sobre pelo menos oito integrantes do Conselho de Segurança da ONU antes da
aprovação de sanções econômicas contra o Irã por causa de seu programa nuclear. Nas próprias palavras dela, os relatórios ajudaram-na a saber “quando os outros
membros permanentes estavam dizendo a verdade”, revelaram “suas reais posições
sobre as sanções” e deram a ela “uma posição de vantagem nas negociações”.
“Todas as evidências indicam que fizeram escuta mesmo das conversas”, disse
a ÉPOCA o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Na semana passada, o The Guardian revelou detalhes do programa
XKeyscore, que permite a analistas saber quase tudo o que alguém faz na
internet. O material de treinamento da agência diz se tratar do “sistema de mais
amplo alcance para desenvolver inteligência baseada em dados virtuais”.
Altamente sigiloso, o XKeyscore permite aos analistas fazer buscas sem
autorização prévia em vastos bancos de dados, com acesso até mesmo ao conteúdo. De acordo com os documentos que Greenwald obteve com Snowden, o XKeyscore tem
acesso a 700 servidores em 150 pontos do mundo, inclusive no Brasil. Ao longo
dos últimos três anos, os Estados Unidos pagaram 100 milhões de libras (R$ 350
milhões) para ter acesso aos dados do Government Comunications Headquarters
(GCHQ), a versão britânica da NSA. Segundo o Guardian, além de ter
acesso aos dados, a NSA influenciou e direcionou as investigações do GCHQ.
Todos esses
fatos, somados aos que envolvem particularmente o Brasil, vêm preocupando as
autoridades em Brasília. A ÉPOCA, o Itamaraty afirmou, em nota, que “o governo
brasileiro tem mantido contatos diretos com o governo dos Estados Unidos e está
preparando uma missão técnica para que as denúncias de espionagem, seja de
órgãos do governo ou de cidadãos brasileiros, sejam esclarecidas”. O ministro de
Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o caso “exige grandes
cuidados”. “Essas suspeitas são, de fato, suspeitas recorrentes. Recordaria
também que, quando houve a iniciativa da intervenção militar americana e
britânica no Iraque, em 2003, surgiram várias notícias falando de espionagem na
missão do México e do Chile, que eram membros não permanentes do Conselho de
Segurança na época, e de outros países também, até alguns membros
permanentes.”
Em 2003, de acordo com documentos publicados pelo jornal
britânico The Observer, a NSA instalou escutas telefônicas nas casas e
nos escritórios de Nova York de delegados da ONU. Isso ocorreu às vésperas de o
Conselho de Segurança votar uma resolução que autorizasse os Estados Unidos a
invadir o Iraque. A vigilância da NSA visava especialmente às delegações dos
seis países do Conselho de Segurança considerados “indecisos”: Angola, Guiné,
Camarões, México, Chile e Paquistão. A resolução nem chegou a ser votada, dada a
ameaça de veto da França. No final, os Estados Unidos invadiram o Iraque sem
aval da ONU.
A revelação de ÉPOCA na semana passada não foi isolada. As
consequências dos arquivos de Snowden parecem longe de acabar. Depois de fazer
as primeiras revelações sobre a atuação da NSA em junho, ele foi processado pelo
governo dos Estados Unidos. Os americanos pediram sua extradição à China, pois
ele estava em Hong Kong. Temendo ser preso, Snowden pegou um avião em 23 de
junho e foi para Moscou, onde não desembarcou formalmente. Passou mais de cinco
semanas na área de trânsito do aeroporto. Na quinta-feira passada, recebeu
asilo por um ano do governo de Vladimir Putin. Pôde, finalmente, deixar a área
de embarque e entrar em Moscou. O resultado foi uma tensão diplomática entre
Estados Unidos e Rússia. O debate aberto pelos arquivos de Snowden – até que
ponto organismos de segurança, mesmo com finalidades defensáveis, podem se
apropriar de informações privadas de representantes diplomáticos e de cidadãos?
– só deverá crescer à medida que novos casos apareçam.