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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Como se desvia dinheiro no Brasil (trecho)

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NOTÍCIAS & INFORMAÇÃO.
BRASIL -- PODER & POLÍTICA --\\-- [[ CORRUPÇÃO ]]

Com base na análise de casos recentes, ÉPOCA lista as modalidades de corrupção mais comuns no Brasil – e propõe ideias para diminuir a roubalheira.



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- (Foto: Shutterstock)
MARCELO ROCHA



|:|*-=-*|:| O livro Arte de furtar foi concluído em 1656. Atribuído ao Padre Antônio Vieira (mais tarde essa autoria seria contestada), o documento era endereçado ao rei de Portugal, Dom João IV, um dos primeiros representantes da Casa de Bragança. Com o intuito de alertá-lo sobre os malfeitos de seus súditos no além-mar, a obra lista as diversas maneiras encontradas pelos representantes da coroa portuguesa para desviar dinheiro público na colônia. Uma breve passeada pelos títulos de alguns de seus 70 capítulos mostra como a “arte” já se manifestava e se aperfeiçoava no Brasil do século XVII: “Dos que furtam com unhas invisíveis”, “Dos que furtam com unhas toleradas”, “Dos que furtam com unhas vagarosas”, “Dos que furtam com unhas alugadas”, “Dos que furtam com unhas pacíficas” e até “Dos que furtam com unhas amorosas” são alguns deles.   
DENÚNCIA Uma edição de 1926 do livro Arte de furtar, obra finalizada em 1652 para alertar o rei de Portugal sobre os malfeitos de seus súditos no Brasil Colônia  (Foto: Sidinei Lopes )
O livro Arte de furtar é uma amostra de como a discussão sobre a corrupção é antiga no Brasil – e a leitura diária dos jornais atesta que o assunto continua presente. Na semana passada, O Globo publicou que o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, o DNOCS, teve um prejuízo de R$ 312 milhões em contratações irregulares e gestão de pessoal. No dia seguinte, a presidente Dilma Rousseff – que popularizou a expressão “malfeito” durante um encontro com Barack Obama, dizendo que não os toleraria em seu governo – teve de mostrar mais uma vez que dizia a verdade. A partir da reportagem, ela decidiu, em mais um lance de sua bem-vinda “limpeza”, negociar com o PMDB para retirar Elias Fernandes Neto, diretor do DNOCS, da direção do órgão. Na quinta-feira, ele saiu.

Para os governantes
"A tolerância do eleitor com os “malfeitos” é muito menor em sociedades democráticas e com imprensa livre."

Para o eleitor
"Saber como se rouba ajuda na fiscalização dos políticos."
 
Não existe sociedade cuja população seja mais ou menos propensa ao roubo. Uma pesquisa científica feita anos atrás mostrou que, diante de uma situação de dilema ético, cerca de 10% das pessoas agem de acordo com rígidos princípios morais, outros 10% agem de forma a tirar o máximo de vantagem, mas a maioria absoluta, cerca de 80%, se pauta principalmente pela possibilidade de ser apanhada. Esse resultado se repete de forma praticamente idêntica em diferentes nações. Portanto, o que faz diferença no nível de corrupção de cada sociedade não é a ideologia, a religiosidade ou a classe social de origem de seus dirigentes, mas as formas com que suas instituições vigiam e punem os responsáveis.

Quem estuda o tema corrupção sem recalque moralista ou interesse partidário costuma dizer que é impossível medir com precisão o tamanho da roubalheira em cada cidade, Estado ou nação. O que alguns rankings internacionais costumam mostrar nada mais é que a percepção da corrupção, uma ideia tão imprecisa quanto a percepção do medo, da saudade ou do amor. Quem rouba não deixa recibo. Tudo o que se conhece, portanto, não é o que foi efetivamente roubado, mas apenas a fração correspondente ao que foi denunciado, flagrado ou investigado.

Técnicos do governo encarregados do combate à corrupção dizem que, nos últimos anos, os mecanismos de controle avançaram, as investigações se tornaram mais profissionais e os órgãos de fiscalização trabalham mais em parceria. No ano passado, a Controladoria-Geral da União (CGU) apurou desvios que chegam a R$ 1,8 bilhão. A soma é resultado de investigações que envolveram licitações fraudadas, cobranças indevidas de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e verbas que seriam empregadas em atividades esportivas para crianças carentes. Desde 2002, quando a CGU passou a consolidar os números, os desvios somam R$ 7,7 bilhões. Esses valores representam o montante que deve ser cobrado dos responsáveis por essas irregularidades, mas, sabidamente, está longe de ser o montante que foi roubado no Brasil.

Se é muito difícil medir com exatidão quanto se rouba, bem menos complicado é saber como se rouba, como já havia reparado o autor do livro de três séculos atrás. Furtar, de fato, é uma arte. Não no sentido de ser algo louvável, mas no sentido de envolver uma multiplicidade de técnicas. O roubo clássico é o desvio de dinheiro de obras públicas, com fraudes em licitações e superfaturamento de preços. Em tempos recentes, a “arte” se sofisticou, envolvendo operações mais imateriais, como cursos e consultorias – serviços mais difíceis de quantificar em termos monetários. Na reportagem que se segue, ÉPOCA listou sete das modalidades de desvio mais comuns no Brasil atual, exemplificando cada uma com casos recentes denunciados pela imprensa.

No ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu recuperar R$ 330 milhões para os cofres públicos em ações que tramitam na Justiça que envolvem, entre outros, casos de corrupção contra a administração pública. Só em 2011, a AGU entrou com ações que pedem a devolução de R$ 2,3 bilhões. É uma luta que vale a pena. Ao ler sobre corrupção praticamente todos os dias na imprensa, é comum que o cidadão muitas vezes se sinta perdido, confuso, desorientado. O guia a seguir visa mostrar que, de maneira geral, a corrupção não é algo tão complexo e rocambolesco como muitas vezes pode parecer. Como uma carta endereçada ao cidadão brasileiro, da mesma forma que Arte de furtar se dirigia ao rei Dom João IV, o objetivo singelo desse levantamento é mostrar como se rouba no Brasil atual. Sempre tendo em vista que, entre estes cidadãos, está a presidente Dilma Rousseff, tão preocupada com os “malfeitos”.

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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Empresa americana constrói veículo em formato de bota

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PLANETA ESDRÚXULO

Veículo foi criado pelo fabricante de botas L.L. Bean.
Carro chamado de 'Bootmobile' fará turnê pelos EUA.



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Do G1, em São Paulo

|$|=-=|$| A fabricante de botas dos Estados Unidos L.L. Bean construiu um veículo em formato de bota para comemorar o aniversário de 100 anos da companhia, fundada em 1912. O carro chamado de "Bootmobile" fará uma turnê pelos EUA.
'Bootmobile' em rodovia em Freeport, no estado do Maine. (Foto: Pat Wellenbach/AP)'Bootmobile' em rodovia em Freeport, no estado do Maine. (Foto: Pat Wellenbach/AP)

'Bootmobile' foi fotografado em uma rua em Kissimmee. (Foto: Lincoln Benedict/L.L. Bean/AP)'Bootmobile' foi fotografado em rua em Kissimmee, na Flórida. (Foto: Lincoln Benedict/L.L. Bean/AP)

Veículo foi criado pelo fabricante de botas L.L. Bean. (Foto: Lincoln Benedict/L.L. Bean/AP)Veículo foi criado pelo fabricante de botas L.L. Bean. (Foto: Lincoln Benedict/L.L. Bean/AP)

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São Paulo diz que não devolve Taça das Bolinhas e ameaça ir a Brasília

Polêmica da taça das bolinhas...

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ESPORTES --\\-- FUTEBOL -- BRASILEIRÃO -- 1987

Oficial de Justiça foi ao Morumbi, mas notificação não foi entregue porque Juvenal Juvêncio não foi encontrado. Tricolor já fala em ir ao STJ


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Por Marcos Guerra Presidente Prudente, SP

Taça das Bolinhas (Foto: Divulgação)
Taça das Bolinhas: discórdia (Foto: Divulgação)

X|y-0-y|X A disputa pela Taça das Bolinhas entre Flamengo e São Paulo está longe de um final. Um oficial de Justiça foi até o Morumbi na quinta-feira para obrigar o clube paulista a devolver o troféu em 24 horas, mas o presidente Juvenal Juvêncio não foi encontrado para receber a notificação. E o departamento jurídico do Tricolor afirma: não irá devolver nada e promete levar a briga até as últimas instâncias.


- O oficial foi ao Morumbi, mas não entregou o que queria porque não encontrou o Juvenal e só ele, como representante maior do clube, poderia receber. Mas, mesmo que seja uma intimação para devolver a taça, não faremos isso porque temos um documento que nos assegura o direito. Vai haver conflito de competência e, quando isso acontece, é preciso levar a alguém que tenha o poder de decidir. Nesse caso, seria o Supremo Tribunal de Justiça, em Brasília - afirmou o diretor jurídico, Kalil Rocha Abdalla.
Essa posição do São Paulo vai contra o que o advogado do Flamengo, Rodrigo Fux, havia dito na última sexta-feira.


- O processo vem correndo e o São Paulo não tinha obrigatoriedade de devolver a taça porque ainda não tinha ciência, o que aconteceu nesta sexta. O clube foi intimado e terá que devolver para a Caixa Econômica Federal em até 24h. A partir daí a Justiça irá decidir qual será o destino. A CBF já reconheceu o Flamengo como campeão de 87, mas houve o problema com a Justiça do Recife - disse o advogado do Fla.

A Taça das Bolinhas foi criada para premiar o campeão brasileiro e, segundo o regulamento adotado quando de sua implantação, seria de posse definitiva do primeiro clube que conquistasse o campeonato três vezes consecutivas ou cinco vezes intercaladas. Considerando-se o Flamengo campeão em 1987, o clube carioca seria o primeiro "penta" (a quinta conquista aconteceu em 1992, enquanto o São Paulo só chegou ao quinto título em 2007).


A CBF, entretanto, considerou até 2011 o Sport como único campeão de 1987 e, por isso, a Taça das Bolinhas foi entregue ao São Paulo. Quando no ano passado a CBF resolveu reconhecer o Flamengo como campeão de 1987, junto com o Sport, o clube carioca procurou a Justiça para tomar posse da Taça das Bolinhas. Daí a decisão de que o troféu seja entregue à Caixa Econômica Federal. Ainda em 2011, a CBF, por conta de uma nova decisão judicial, foi obrigada a voltar atrás e reconhecer novamente só o Sport como campeão único.

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