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sábado, 1 de agosto de 2026

Plano de expansão de hegemonia da China inquieta EUA, afirma historiador

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Ao WW Especial, Carlos Daróz, pesquisador militar e coronel da reserva, disse que chineses planejam "retomada" de Taiwan, em fator de possível desestabilização global
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Da CNN Brasil*, em São Paulo
01/08/26 às 06:30 | Atualizado 01/08/26 às 12:16
Postado em 01 de Agosto de 2.026 às 12h50m

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Estudiosos sobre a China já não questionam mais se Pequim pretende retomar Taiwan, mas quando fará isso - e tais planos inquietam os Estados Unido.

A avaliação é do pesquisador e historiador militar Carlos Daróz, em entrevista do WW Especial: O mundo está mais perto de uma guerra global?, que vai ao ar neste domingo (2).

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Daróz ainda acrescenta os movimentos de Pequim no Mar do Sul da China, que geram tensões com países asiáticos.

"A China hoje disputa com os Estados Unidos a hegemonia política e econômica como potência mundial", acrescentou.

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

Conheça o Clube de Membros da CNN Brasil no YouTube. Ao se cadastrar, você garante acesso antecipado à íntegra da edição já às sextas-feiras, além de cortes exclusivos e conteúdos de bastidores do programa.

* Publicado por Henrique Sales Barros

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Ataque israelense deixa cratera em hospital de Gaza, apesar de cessar-fogo

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Em outro bombardeio, pelo menos dois palestinos morreram, segundo autoridades de saúde
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Ibrahim Dahman e Charlotte Reck, da CNN
01/08/26 às 10:01 | Atualizado 01/08/26 às 12:22
Postado em 01 de Agosto de 2.026 às 12h30m

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Ataques israelenses em Gaza deixaram uma enorme cratera em um hospital menos de 48 horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que o Hamas e Israel haviam concordado em avançar com um plano de cessar-fogo, informaram autoridades locais.

O Ministério da Saúde de Gaza afirmou que o ataque deste sábado (1º) destruiu suprimentos médicos vitais.

"Quando medicamentos são bombardeados... a doença se torna uma arma de guerra", disse Munir Al-Bursh, diretor-geral do ministério, em um comunicado.

O ataque destruiu dois depósitos de suprimentos médicos no Hospital dos Mártires de Al-Aqsa e danificou outros dois, segundo o Ministério da Saúde. O diretor-geral acrescentou que um acampamento de deslocados nas proximidades foi arrasado e tendas de civis sofreram danos extensos.

A CNN entrou em contato com as Forças de Defesa de Israel (FDI) para solicitar um posicionamento.


Imagens do local mostram pessoas vasculhando a grande cratera, tentando recuperar suprimentos médicos — como soro intravenoso, tubos de respiração, máscaras cirúrgicas e algodão — soterrados entre os escombros.

Destruir um depósito de suprimentos médicos enquanto o sistema de saúde de Gaza já sofre com uma escassez de 51% de medicamentos essenciais... é um ataque direto a uma das últimas tábuas de salvação da assistência médica, disse Bursh.

Em outro ataque aéreo, também neste sábado, autoridades de saúde palestinas informaram que dois palestinos morreram em um bombardeio israelense na região de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, na parte central da Faixa de Gaza.

Os militares afirmaram que os alvos eram militantes do Hamas, mas não forneceram mais detalhes.

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Nos últimos dois dias, oito civis foram mortos e outros 76 ficaram feridos, informou o Ministério da Saúde da Palestina neste sábado (1º). Mais de 1.200 palestinos foram mortos desde o anúncio do acordo de cessar-fogo em outubro do ano passado.

Para contextualizar: Os ataques mais recentes ocorrem logo após Trump anunciar, na noite de quinta-feira (30), que o Hamas havia concordado em se desarmar completamente, juntamente com a retirada das tropas israelenses.

Embora a medida represente um avanço no roteiro para a paz — há muito estagnado — iniciado pela equipe de paz de Trump no ano passado, questões substanciais ainda precisam ser resolvidas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ainda não comentou o anúncio de Trump, mas uma autoridade israelense disse à CNN que Israel não se retiraria de Gaza sem que o Hamas se desarmasse primeiro.

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Petróleo sobe mais de 20% em mês de incerteza sobre guerra no Oriente Médio

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Nesta sexta (31), os preços do petróleo subiram mais de 1% após Irã informar interceptação de dois navios no Estreito de Ormuz
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Por Ahmed Tolba e Nafisa Eltahir e Yasmine Ghania, da Reuters
31/07/26 às 15:36 | Atualizado 31/07/26 às 16:51
Postado em 31 de Julho de 2.026 às 17h15m

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Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam  • , Omã31 de julho de 2026REUTERS/Stringer

Os preços do petróleo subiram nesta sexta-feira (31) depois que o Irã informou ter interceptado dois navios que tentavam sair do Estreito de Ormuz, reforçando as preocupações ​com o abastecimento energético global após um ataque com drones a navios em um porto egípcio no ​Mediterrâneo nesta semana.

O Irã informou que outros quatro petroleiros voltaram atrás após a intervenção de suas forças, embora as informações iranianas não tenham podido ser confirmadas de forma independente.

Dois grandes petroleiros transportando petróleo carregado no Golfo foram registrados como passando pelo estreito, uma via navegável estreita entre o Irã e Omã que normalmente transporta cerca de um quinto dos embarques mundiais de energia.

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Outros dois navios de carga também transitaram pelo estreito, de acordo com dados de navegação da Kpler, que não registram embarcações que tenham transitado pelo estreito com seus transponders desligados.

O Irã bloqueou a maior parte do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz desde o início do conflito, que já dura cinco meses, enquanto seus aliados houthis no Iêmen começaram este mês a ameaçar o Estreito de Bab ⁠el-Mandeb — localizado na extremidade oposta do Mar Vermelho em relação ao Canal de ​Suez —, outra rota de exportação do petróleo bruto saudita.

Os preços do petróleo subiram mais de 1% nesta sexta-feira, com os operadores citando as notícias sobre o Irã, ​que se seguiram a uma reportagem semelhante no início desta semana que não foi confirmada.

Os contratos futuros de referência do petróleo Brent estavam a caminho de registrar alta de 23% ⁠em julho, e economistas e analistas consultados pela Reuters esperam que os preços subam ⁠ainda mais este ano.

Não houve relatos de novos ataques dos EUA ao Irã durante a madrugada entre quinta e sexta-feira, após o que foi uma ​forte ‌escalada na guerra contra o Irã no início da semana, com ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita contra forças aliadas ao Irã no Iraque.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em declaração ⁠à Fox News nesta sexta-feira, disse que a guerra estava indo bem. Tudo o que se pode fazer é continuar vencendo; então, eventualmente, algo vai acontecer, afirmou ele, sem dar detalhes.

Em uma reunião de gabinete mais tarde nesta sexta-feira, no retiro de Camp David, Trump disse acreditar que ainda seria possível chegar a um acordo com o Irã, e que o enviado especial Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner ‌e o ⁠secretário de Estado, Marco Rubio, ‌estão envolvidos nas negociações.

No entanto, ele também disse que estava perdendo a confiança nos iranianos, afirmando que eles quebram a palavra com tanta frequência — uma acusação que Teerã frequentemente dirige a Washington — e afirmou que iria atacá-los.

Controle iraniano

Um órgão criado pelo Irã para administrar o Estreito de Ormuz informou nesta sexta-feira que a travessia continuava impossível devido às ações agressivas contínuas das forças militares dos EUA na região, segundo a ⁠mídia iraniana. Alguns navios negociaram a passagem com Teerã, o que irritou Washington.

A Autoridade do Estreito do Golfo ⁠Pérsico disse que, assim que a estabilidade e a calma fossem restauradas, todos os pedidos seriam analisados e as autorizações de trânsito seriam emitidas gradualmente.

O Comando Central dos EUA informou na quinta-feira que as forças norte-americanas ainda bloqueavam as ‌exportações de petróleo iraniano pelo Golfo e haviam concluído com sucesso uma intensa onda de ataques.

O Exército iraniano informou que atacou instalações militares dos EUA no Kuwait e no Barein nesta sexta-feira, em resposta aos ataques norte-americanos, citando um ataque a uma casa em Qeshm, uma ilha próxima ao Estreito de Ormuz, onde o Irã começou a atacar navios.

As Forças Armadas do Kuwait informaram ter destruído drones, com alguns danos causados pela queda de destroços, mas sem vítimas. Não houve comentário imediato por parte do Barein.

Pesquisa da Reuters mostra que preços do petróleo devem ‌subir ainda mais

Mesmo com o Irã e seus aliados houthis tendo disparado contra petroleiros que transitavam pelo Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb, o Canal de Suez e o oleoduto Sumed continuaram a oferecer rotas seguras em direção ao norte para as exportações de energia sauditas pelo Mar Vermelho.

Ninguém assumiu a responsabilidade pelo que o gabinete do Egito informou na quinta-feira ⁠ter sido um drone não identificado que causou um incêndio em duas embarcações no dia anterior no porto mediterrâneo de Damietta, localizado a mais de 160 km a oeste do canal por via rodoviária.

O Irã negou qualquer envolvimento no ataque em Damietta.

O Egito é um importante amigo e parceiro na região, e sua segurança é de extrema importância para nós, escreveu o ministro das Relações Exteriores do ​Irã, Abbas Araqchi, nas redes sociais. Todos devemos estar vigilantes contra as conspirações israelenses e as operações de bandeira falsa destinadas a minar a paz regional.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel não respondeu imediatamente a ​um pedido da Reuters para comentar as alegações de Araqchi.

Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos países do Golfo para administrar o Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de taxas voluntárias pelo seu uso, disseram à Reuters fontes a par do assunto.

Embora o Irã tenha rejeitado publicamente a proposta de Omã, sua agência de notícias semioficial Ilna citou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmando que as negociações com Omã sobre o estreito continuavam.

(Reportagem adicional de Jonathan Saul, em ‌Londres, Susan Heavey e Simon Lewis, em Washington)

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Dívida pública sobe 10 pontos do PIB na parcial do governo Lula e atinge 81,9%, maior nível em mais de 5 anos

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Endividamento já se aproxima do recorde histórico, atingindo durante a pandemia da Covid-19, o que pressiona para cima a taxa de juros na economia. Analistas pedem corte de gastos para retomar uma trajetória positiva para as contas do governo e conter alta da dívida.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 31 de Julho de 2.026 às 09h40m

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A dívida do setor público consolidado registrou alta de ponto percentual em junho, atingindo 81,9% do PIB — o equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo dados do Banco Central.

🔎 A dívida do setor público consolidado é um conceito fiscal que representa o montante total das obrigações financeiras assumidas por um ente da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios).

🔎 O indicador é considerado um termômetro da chamada "solvência" de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.

  • Com isso, a dívida pública já subiu 10,2 pontos percentuais na parcial da atual gestão do governo Lula, visto que somava 71,7% do PIB no final de 2022.
  • Esse também é o maior nível desde abril de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, quando o endividamento do setor público totalizou 82,6% do PIB.
  • A dívida pública também já se aproxima, com isso, do recorde histórico, atingindo justamente durante a pandemia, devido ao forte aumento de gastos públicos, de 87,7% do PIB.
Dívida Pública Federal passa de R$ 9,2 trilhões em junho
Dívida Pública Federal passa de R$ 9,2 trilhões em junho

💵 A relação entre dívida e PIB é um indicador relevante para o mercado financeiro, interpretado como um sinal da capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros de curto, médio e longo prazo. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.

➡️ Com uma dívida mais alta, impulsionada pelos gastos públicos nos últimos anos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país.

Em 2023, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou que os juros são altos no Brasil por conta do elevado nível do endividamento.

"Na parte dos juros, a gente não pode confundir causa e efeito. A dívida não é alta porque o juro é alto. É o contrário, o juro é alto porque a dívida é alta. Quando você endividado vai ao banco, e o banco faz uma análise que você é endividado e não paga a dívida, o juro é alto", declarou Campos Neto, na ocasião.

Edifício do Banco Central em Brasília. — Foto: Adobe stock - Banco Central.
Edifício do Banco Central em Brasília. — Foto: Adobe stock - Banco Central.

Comparação internacional

➡️ No padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional — que inclui títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento brasileiro —, a dívida do país é muito maior: 95,8% do PIB (patamar de junho).

➡️Por esse conceito, a dívida brasileira já está bem mais próxima do recorde histórico, registrado em fevereiro de 2021 — quando somou 96,7% do PIB.

A série histórica da dívida brasileira, pelo padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), começou a ser calculada pelo Banco Central no fim de 2001. Naquele momento, somava cerca de 67% do PIB.

➡️Quando utilizado o critério internacional de comparação, calculado pelo FMI, a dívida brasileira, que terminou 2025 em 93,4% do PIB, ficou:

  • longe de economias emergentes, cujo patamar somou 73,6% do PIB no fim do ano passado, e também de países da América Latina (71,1% do PIB);
  • bem acima da média de nações do Oriente Médio e Ásia Central, assim como de países da África Subsaariana;
  • pouco acima do padrão de países da Zona do Euro;
  • abaixo de economias avançadas e de países do G7 (sete maiores economias do mundo).

DÍVIDA POR BLOCOS ECONÔMICOS NO FIM DE 2025
% DO PIB (CONCEITO DO FMI)


Fonte: BC (REALIZADO EM 2025) E *ESTIMATIVAS DO FMI

➡️Relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recomendou em 2023 que os países da América Latina e Caribe reduzam sua dívida pública para um patamar entre 46% a 55% do PIB. O objetivo seria aumentar a confiança dos investidores e possibilitar a redução da taxa de juros, com efeitos positivos sobre o nível de atividade e sobre o emprego.

Essa é a mesma posição externada em 2023 por Roberto Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) para o BC. Para ele, a comparação apropriada para o nível da dívida pública brasileira deve ser feita com os demais países emergentes.

"Não adianta querer se comparar com os Estados Unidos", acrescentou, na ocasião.

Também naquele ano, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avaliou que dívida brasileira não precisa estar no mesmo patamar dos emergentes porque, em sua visão, há "diferenciais importantes" na economia brasileira, como praticamente ausência de dívida em dólar e mercado financeiro doméstico desenvolvido, entre outros.

"É difícil falar sobre isso, é uma mega discussão. A Índia tem divida maior do que a nossa, é um país também em desenvolvimento. Cresce bastante, tem uma trajetória estável de dívida, e segue o jogo. Comparar o Brasil com a América Latina? O Brasil é mais comparável com a Índia ou com o Peru?", questionou o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, em 2023. 
Crescimento da dívida

Os números do BC mostram que o endividamento permaneceu relativamente estável até 2014, o último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT).

No primeiro ano do segundo mandato de Dilma, em 2015, a dívida deu um salto de 10 pontos percentuais. Em 2016, subiu outros seis pontos percentuais. Dilma sofreu "impeachment" em agosto daquele ano.

Os dados do BC mostram que a dívida continuou crescendo na gestão Temer, e atingiu seu ápice em 2020, sob Jair Bolsonaro, por conta de gastos extraordinários relacionados com a Covid-19.

Apesar de mais de R$ 660 bilhões em despesas extraordinárias com a pandemia, a dívida caiu quando se considera toda gestão Bolsonaro, pois estava em 87,1% do PIB em 2019 (início do mandato), terminando 2022 (último ano do governo) em 83,9% do PIB.

TRAJETÓRIA DA DÍVIDA BRASILEIRA
EM % DO PIB (FIM DE PERIODO, CONCEITO DO FMI)


Fonte: BANCO CENTRAL

No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o endividamento subiu dez pontos percentuais em três anos e meio por conta, principalmente, do aumento de despesas públicas, algo que tem pressionado a taxa e as despesas com juros, tais como:

  • PEC da transição: governo aprovou, ainda em 2022, a chamada PEC da transição, por meio da qual ampliou o limite para gastos públicos, permanentemente, em cerca de R$ 170 bilhões por ano.
  • Reajuste real do salário mínimo: governo Lula retomou a política de reajustes reais do salário mínimo, ou seja, aumentos acima da inflação (limitada a 2,5%). Esse foi um dos principais fatores a elevar as despesas, visto que os benefícios previdenciários não podem ser menores que o salário mínimo.
  • Pisos saúde e educação: governo retomou a política de que os gastos mínimos em saúde e educação são atrelados à receita, e não mais à inflação do ano anterior (essas rubricas estavam dentro do teto de gastos, do presidente Temer, até então).
  • Pagamento de precatórios atrasados: o que injetou R$ 92,3 bilhões na economia no fim de 2023, início de 2024. A Fazenda admite que isso influenciou a aceleração no ritmo de crescimento do setor de serviços.
  • Reajustes a servidores públicos: governo retomou política de reajustes a servidores públicos, que estava represada no governo Jair Bolsonaro, com base na inflação. Houve ampla mesa de negociação com cerca de 100 categorias contempladas.
Dívida pública por mandatos pelo critério do FMI

  • Lula 1 (2003 a 2006): queda de 11,5 pontos do PIB;
  • Lula 2 (2006 a 2010): recuo de 2,2 pontos do PIB;
  • Dilma 1 (2010 a 2014): queda de 0,8 ponto do PIB;
  • Dilma 2 (2014 a agosto de 2016): alta de 10,7 pontos do PIB;
  • Temer (setembro 2016 a dezembro de 2018): alta de 12,5 pontos do PIB;
  • Bolsonaro (2019 a 2022): recuo de 0,8 ponto do PIB;
  • Lula 3 (2023 até junho de 2026): alta parcial de 10,2 pontos percentuais.
O que fazer?

Para tentar conter o crescimento da dívida pública, e proporcionar uma queda sustentável da taxa básica de juros, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estimou que o governo teria registrar superávits primários acima de 2% do PIB.

A atual gestão do presidente Lula ainda não conseguiu trazer as contas de volta ao azul, apesar de o governo ter elevado uma série de impostos nos últimos anos, com a carga tributária atingindo recordes históricos.

▶️O mercado financeiro é crítico da estratégia do governo federal de aumentar impostos para tentar reequilibrar as contas públicas, ao mesmo tempo que eleva gastos.

▶️Analistas pedem ênfase maior em cortes de despesas para trazer as contas de volta ao equilíbrio, conter a expansão da dívida pública e proporcionar uma queda sustentável dos juros no país - favorecendo um crescimento econômico sustentado.

A equipe econômica, por sua vez, tem apostado no chamado "arcabouço fiscal", ou seja, nas regras para as contas públicas aprovadas em 2023 em substituição ao teto de gastos. Por estas regras:

  • a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação;
  • a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano;
  • o arcabouço busca justamente conter o crescimento da dívida pública no futuro.

Por conta de exceções ao limite de gastos e despesas fora do orçamento, entretanto, esse mecanismo não tem se mostrado efetivo na geração de superávits primários nas contas do governo nos últimos anos - que seguem no vermelho.

Questionado pelo g1 no começo de julho se não seria excessivo um novo aumento de 10 pontos percentuais da dívida em um eventual quarto mandato de Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, de início avaliou que a principal culpada pela alta de juros não seria o Ministério da Fazenda, mas sim o peso dos juros nas contas públicas.

Depois, entretanto, afirmou que o governo buscaria, em um possível novo mandato, a obtenção de superávits primários, mas "sem loucura".

"Nós vamos fazer isso estruturalmente. Se você pegar o histórico de primário efetivo que a gente viu no passado, estrutural e efetivo, não era sustentável. O país estava indo mal. O país agora começa a ir melhor. Nós estamos numa trajetória de melhoria. De novo, está tudo certo? Está tudo pronto? Não. Mas é preciso ser feito de maneira que a gente siga crescendo e comece a gerar resultado primário positivo. Efetivamente positivo. O que eu espero fazer no próximo ano, porque o orçamento que vai ser entregue agora para o próximo ano", afirmou Durigan ao g1, na ocasião.

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