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domingo, 3 de maio de 2026

A empresa chinesa de roupas esportivas que quer desafiar Nike e Adidas

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Com forte presença no mercado chinês, a Anta agora pretende conquistar o Ocidente e competir com marcas globais do setor.
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TOPO
Por Osmond Chia — São Paulo

Postado em 03 de Maio de 2.026 às 06h00m
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A empresa chinesa de roupas esportivas que quer desafiar Nike e Adidas — Foto: Getty Images via BBC
A empresa chinesa de roupas esportivas que quer desafiar Nike e Adidas — Foto: Getty Images via BBC

A economia chinesa estava apenas começando a se abrir no final da década de 1980, quando um jovem determinado, que havia largado a escola no ensino médio, partiu para Pequim com 600 pares de sapatos.

Ding Shizhong os fabricou em uma fábrica de um parente e pretendia vendê-los. O dinheiro que ganhou permitiu que ele montasse sua primeira oficina, onde começou a fabricar calçados para outras empresas.

O jovem de 17 anos era um dos muitos empreendedores emergentes na China, enquanto o capitalismo decolava sob o olhar atento dos governantes do Partido Comunista.

Mas, como se viu, Ding tinha planos muito mais ambiciosos.

Desde então, seu negócio cresceu e se tornou uma gigante do vestuário esportivo chamada Anta, que vem construindo um portfólio de marcas internacionais, incluindo Arc'teryx e Salomon.

Rcentemente, a empresa adquiriu uma participação na Puma.

A Anta agora busca competir com marcas como Nike e Adidas, um objetivo que Ding deixou claro em 2005: "Não queremos ser a Nike da China, mas a Anta do mundo."

A Anta pode ainda não ser um nome familiar no Ocidente, mas possui mais de 10 mil lojas na China e patrocina atletas de elite como a esquiadora freestyle Eileen Gu.

Em fevereiro, a empresa inaugurou sua primeira loja nos EUA, no exclusivo bairro de Beverly Hills, em Los Angeles.

A Anta é uma gigante do setor de roupas esportivas na China. — Foto: CFOTO/Future Publishing via Getty Images via BBC
A Anta é uma gigante do setor de roupas esportivas na China. — Foto: CFOTO/Future Publishing via Getty Images via BBC

A expansão global da empresa — que ocorre em um momento em que Donald Trump busca trazer de volta aos EUA empregos industriais por meio de tarifas — destaca o quão essenciais e competitivas as cadeias de suprimentos chinesas se tornaram para o setor manufatureiro.

A ascensão da Anta — que significa "passos seguros" — não é um caso isolado.

Décadas como a "fábrica do mundo" deram a diversas empresas chinesas ambiciosas a oportunidade de competir diretamente com as mesmas empresas que antes eram suas clientes.

A Anta pretende conquistar o mercado internacional e competir com a Nike e a Adidas. — Foto: Getty Images via BBC
A Anta pretende conquistar o mercado internacional e competir com a Nike e a Adidas. — Foto: Getty Images via BBC

A 'capital mundial do calçado'

Fundada em 1991, a Anta iniciou sua trajetória longe do glamour de Beverly Hills, como uma pequena fabricante na cidade de Jinjiang, na província de Fujian, no sudeste da China.

Mas Jinjiang cresceu rapidamente, transformando-se de uma pacata cidade agrícola na "capital mundial do calçado", como parte do plano do governo para impulsionar indústrias específicas em diferentes províncias.

Um grande volume de investimentos logo se seguiu, vindo de gigantes do calçado esportivo em busca de fábricas no exterior que lhes permitissem reduzir seus custos de produção.

Em Jinjiang, assim como em cidades vizinhas ao longo da costa leste, surgiram diversos polos especializados em diferentes tipos de calçados, cada um com sua própria cadeia de suprimentos.

No coração da região central de Jinjiang encontra-se o município de Chendai, uma área de cerca de 40 quilômetros quadrados com milhares de fábricas e fornecedores. Esse distrito ajudou a consolidar a reputação da cidade na fabricação de calçados para marcas globais como Nike e Adidas.

Um terço dos trabalhadores de Jinjiang são empregados por fabricantes de calçados. — Foto: CFOTO/Future Publishing via Getty Images via BBC
Um terço dos trabalhadores de Jinjiang são empregados por fabricantes de calçados. — Foto: CFOTO/Future Publishing via Getty Images via BBC

Cada centro reunia fornecedores de cadarços, solados e tecidos, além de empresas de logística que ajudavam a transformar rapidamente projetos em produtos prontos para o varejo e a distribuí-los.

Em 2005, a província de Fujian sozinha era responsável por quase um quinto da produção mundial de calçados, segundo estimativas das Nações Unidas.

Até um terço dos trabalhadores de Jinjiang são empregados por uma das milhares de fábricas de calçados da cidade, o que a coloca entre os distritos econômicos de maior renda da China.

Um fenômeno semelhante se desenvolveu em várias partes do gigante asiático.

Jinjiang era apenas um dos muitos centros de manufatura na costa leste. Os outros produziam roupas ou eletrônicos. Esse nível de especialização na manufatura era inédito em qualquer outro lugar do mundo na época, afirma o professor Fei Qin, da Universidade de Bath, no Reino Unido, que pesquisou sobre fábricas no leste da China na década de 2000.

À medida que clientes estrangeiros chegavam a essas fábricas para fechar negócios, o país colhia mais do que apenas receita.

"Eles aprenderam não apenas a produzir mais, mas também a produzir melhor, mais rápido e de forma consistente", acrescenta Fei.

A esquiadora olímpica de estilo livre Eileen Gu é embaixadora da marca chinesa de roupas esportivas Anta. — Foto: Getty Images via BBC
A esquiadora olímpica de estilo livre Eileen Gu é embaixadora da marca chinesa de roupas esportivas Anta. — Foto: Getty Images via BBC

Uma firma global

Foi nessas ruas que a Anta cresceu, fabricando calçados em larga escala e a baixo custo para marcas globais.

Primeiro, ela estabeleceu uma vasta rede de distribuição para varejistas em toda a China, um fator crucial para fabricantes que buscam expansão.

Ao mesmo tempo, a Anta construiu gradualmente o reconhecimento de sua marca no mercado interno, abrindo novas lojas e firmando parcerias com grandes eventos esportivos, incluindo competições nacionais de basquete e tênis de mesa.

Empresas como a Anta sabem que há mais valor em ser uma marca reconhecida do que em ser uma subcontratada, afirma Fei.

Em 2007, a Anta abriu seu capital na Bolsa de Valores de Hong Kong, arrecadando cerca de US$ 450 milhões, um recorde na época para uma empresa chinesa de artigos esportivos.

A China busca competir com grandes marcas após décadas sendo a "fábrica do mundo". — Foto: Getty Images via BBC
A China busca competir com grandes marcas após décadas sendo a "fábrica do mundo". — Foto: Getty Images via BBC

O consultor de marcas Wei Kan, que trabalhou para a Converse e a Nike na China, afirma que a Anta chamou sua atenção por seu centro de produção integrado, que lhe permitia projetar e comercializar calçados mais rapidamente do que seus concorrentes.

Além disso, era uma das poucas empresas chinesas que visavam o mesmo segmento de consumidores que as principais marcas ocidentais, diz Kan.

Empresas como a Anta, que começam fabricando produtos para marcas globais, gradualmente aprendem os fundamentos da gestão de negócios, prosperam na China e "naturalmente aspiram a objetivos mais ambiciosos", acrescenta Kan.

Há muitos outros exemplos, como a empresa de tecnologia Xiaomi. Essa empresa começou como desenvolvedora de software, personalizando sistemas baseados em Android, antes de fabricar seus próprios telefones, dispositivos eletrônicos e, agora, veículos elétricos.

Da mesma forma, a DJI fabricava acessórios para câmeras e componentes para drones antes de se tornar, por mérito próprio, uma fabricante internacional de drones.

Talvez o exemplo mais conhecido seja a BYD, que antes fabricava baterias para pioneiros de veículos elétricos como a Tesla e agora é a principal fabricante mundial do setor.

"Cada uma dessas empresas é agora uma gigante em seu campo", afirma Kan. 
'Estratégia multimarca'

Agora, a Anta está de olho no mercado ocidental.

A empresa administra mais de 12 mil lojas na China. Ela também possui mais de 460 pontos de venda fora do país e planeja ter mil lojas operando somente no Sudeste Asiático nos próximos três anos.

A Nike, que ainda detém a maior participação no mercado de calçados esportivos, tem apenas mil lojas em todo o mundo.

As empresas chinesas são conhecidas por se expandirem rapidamente dentro do próprio país antes de se aventurarem no exterior, onde enfrentam maiores desafios para ampliar suas operações.

Para começar, há um desafio relacionado à percepção. Os produtos chineses são frequentemente vistos como itens baratos, de baixa qualidade ou meras imitações.

A Anta tentou superar essa barreira por meio de aquisições, como parte de uma abordagem que denomina "estratégia multimarca".

A primeira grande jogada da empresa foi a aquisição dos direitos da Fila na China, em 2009, tornando a marca italiana uma das principais fontes de receita para seus negócios, explica Elisa Harca, da agência de marketing chinesa Red Ant Asia.

Em 2019, a Anta adquiriu uma participação majoritária na marca finlandesa de artigos esportivos Amer Sports. Esse acordo deu à Anta o controle sobre as subsidiárias da Amer, incluindo marcas de luxo como Arc'teryx e Salomon.

A Anta também é proprietária da Wilson, fabricante americana de raquetes e bolas de tênis usadas pela National Basketball Association (NBA), e neste ano adquiriu uma participação de 29% na Puma, permitindo que auxilie a empresa alemã em sua expansão na China.

Essas ações ajudam a Anta a evitar "impor" seus produtos em todos os mercados e, em vez disso, usar suas marcas ocidentais como porta de entrada, afirma o analista de negócios Rufio Zhu, da agência global de marketing esportivo IMG.

Dessa forma, a Anta consegue alcançar compradores que podem estar desconfiados de uma marca com o rótulo "made in China", observa Zhu.

A empresa chinesa Anta adquiriu uma participação na Puma. — Foto: Getty Images via BBC
A empresa chinesa Anta adquiriu uma participação na Puma. — Foto: Getty Images via BBC

O patrocínio de celebridades é um ativo fundamental para uma marca global. A Nike, por exemplo, selou seu emblemático acordo com Michael Jordan na década de 1980. Já a Anta contratou jogadores de basquete como Klay Thompson e Kyrie Irving. No entanto, ainda não conseguiu fechar acordos na mesma escala daqueles que forjaram o prestígio de marcas como Nike ou Adidas.

Além disso, ser uma marca chinesa traz certos obstáculos, dada a relação tensa de Pequim com o Ocidente, e particularmente com os Estados Unidos. A esquiadora americana Eileen Gu, embaixadora da marca Anta, foi alvo de críticas após sua decisão de representar a China em vez dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos.

Empresas que atingem uma escala significativa devem manter um delicado equilíbrio entre a China e o Ocidente, argumenta Kan. "Marcas como a Anta devem estar preparadas para isso."

Mudança de rumos

A ascensão da Anta ocorre em um momento em que rivais como Nike e Adidas enfrentam seus próprios desafios, tanto globalmente quanto na China.

As tarifas americanas impactaram os lucros dessas duas empresas, já que elas importam produtos fabricados na Ásia.

A Nike também está lutando para estimular suas vendas, pois sua incursão no comércio eletrônico fracassou após a pandemia de Covid-19. Além disso, a demanda na China diminuiu.

Essas dificuldades colocam a Anta em uma posição vantajosa no exterior, especialmente considerando o crescente interesse do consumidor por outras marcas, observa o especialista em marketing esportivo Zhu.

"A questão não é se a Anta conseguirá aumentar sua visibilidade, mas se seus concorrentes serão capazes de se adaptar com rapidez suficiente para defender seu próprio espaço", acrescenta Zhu.

Enquanto isso, a China está "preparando seus fabricantes para o futuro" acelerando a implantação de robôs nas fábricas, o que agiliza a produção e pode reduzir custos, acrescenta Fei.

A inauguração da primeira loja da Anta nos Estados Unidos ocorreu após anos de venda de seus produtos no país por meio de lojas de departamento.

Suas paredes estão repletas de prateleiras cheias de tênis e sapatos de basquete: dois segmentos de mercado que a Anta precisa conquistar nos EUA para competir com a Nike ou a Adidas.

A empresa reconhece que ainda tem um longo caminho a percorrer.

"Somos realistas quanto à concorrência, mas o cenário global de roupas esportivas não é um jogo de soma zero", disse um porta-voz da Anta à BBC.

"Estamos confiantes de que os entusiastas do esporte reconhecerão as inovações e o valor da marca que a Anta oferece", acrescentou.

* Reportagem adicional de Adam Hancock.

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sábado, 2 de maio de 2026

Como funcionam os drones de fibra óptica do Hezbollah que desafiam defesa de Israel

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Equipamentos usados pelo grupo terrorista libanês desafiam sistemas de defesa ao evitar bloqueios eletrônicos, causar baixas e expor limites tecnológicos diante de armas simples e de baixo custo.
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TOPO
Por France Presse

Postad0 em 02 de Maio de 2.026 às 15h20m
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Um drone de fibra óptica FPV de fabricação ucraniana voa em um mercado militar em um local não revelado na região de Kyiv, na Ucrânia. — Foto: Efrem Lukatsky / AP
Um drone de fibra óptica FPV de fabricação ucraniana voa em um mercado militar em um local não revelado na região de Kyiv, na Ucrânia. — Foto: Efrem Lukatsky / AP

Eles são pequenos, baratos e fáceis de manusear. Os drones explosivos com fibra óptica usados pelo Hezbollah já causaram várias baixas e colocaram em xeque o exército israelense, um dos mais poderosos do mundo.

O grupo terrorista libanês pró-iraniano, que costumava lançar sobretudo foguetes contra o território israelense, parece agora dar prioridade às aeronaves não tripuladas, enquanto os combates continuam no sul do Líbano, apesar de uma trégua que entrou em vigor em 17 de abril.

Em apenas uma semana, dois soldados e um contratado civil morreram em consequência desses drones, segundo o exército israelense.

Tratam-se de dispositivos que usam fibra óptica, de acordo com a imprensa local.

  • Ao contrário dos drones tradicionais guiados por GPS ou rádio — e, portanto, vulneráveis a bloqueadores de sinal —, esses modelos são conectados à sua base de lançamento por um cabo de fibra óptica, cuja extensão pode chegar a 50 quilômetros.

O operador pilota o aparelho com uma visão imersiva, como se estivesse em seu interior, por meio de uma tela ou de óculos de realidade virtual, sem a necessidade de um treinamento complexo.

Não é mais complicado do que usar "um brinquedo de criança", resumiu Orna Mizrahi, pesquisadora especialista em Líbano do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS) de Tel Aviv. Além disso, "podem ser comprados em qualquer lugar", especialmente em plataformas de venda online, acrescentou.

Arma típica das guerras assimétricas entre organizações armadas e exércitos muito mais poderosos, esse tipo de dispositivo básico, porém temido, já demonstrou ser capaz de causar danos consideráveis.

E agora representa uma dor de cabeça para Israel em uma das frentes mais ativas da guerra regional desencadeada em 28 de fevereiro com os ataques lançados contra o Irã em conjunto com os Estados Unidos.

"Vimos esses drones aparecerem na Ucrânia há mais de três anos, aprendemos com o que vimos lá", declarou esta semana um alto oficial militar israelense a jornalistas, entre eles da AFP.

"Utilizamos todo tipo de tecnologia (para combatê-los) que não posso detalhar. Mas não é infalível, não tanto quanto gostaríamos", admitiu.

Yousef al Zein, dirigente do Hezbollah encarregado das relações com a imprensa, afirmou na sexta-feira que se trata de uma "tática" da organização.

"Conhecemos a superioridade do inimigo, mas, ao mesmo tempo, exploramos seus pontos fracos", disse.

"Não houve uma resposta"

Os ucranianos, que se tornaram especialistas em drones desde a invasão russa, em 2022, já haviam oferecido sua experiência a Israel ainda naquele ano, segundo um ex-ministro da Defesa ucraniano.

"Não houve uma resposta concreta", afirmou em 2024 Oleksi Reznikov ao site de notícias israelense Mako, ao considerar que os israelenses não haviam levado a sério a ameaça.

O exército "hoje não tem resposta porque não se preparou para enfrentar explosivos tão rudimentares", avaliou a pesquisadora Mizrahi.

Como esse drone "não transmite imagens por link de rádio e não é guiado por um receptor de rádio, não pode ser detectado, nem neutralizado eletronicamente", acrescentou Arié Aviram, especialista que escreveu sobre o tema para o INSS.

Como são os drones com cabos de fibra óptica usados na guerra com a Ucrânia. — Foto: Arte/g1
Como são os drones com cabos de fibra óptica usados na guerra com a Ucrânia. — Foto: Arte/g1

O exército poderia recorrer a seus sofisticados mísseis interceptadores, aviões de combate ou helicópteros mas, a longo prazo, torna-se financeiramente insustentável derrubar dispositivos tão baratos, de algumas centenas de dólares, ainda que alguns modelos cheguem a custar US$ 4.000 (aproximadamente R$ 20 mil).

O novo sistema a laser desenvolvido para interceptar armas de curto alcance, como foguetes e drones, poderia ser uma solução, acrescentou Aviram, "desde que seja implementado em larga escala".

Em um sinal do impasse, o Ministério da Defesa israelense lançou, em 11 de abril, uma licitação para propostas de "tecnologias inovadoras" que respondam à "ameaça de drones controlados por fibra óptica".

Enquanto isso, e na falta de algo melhor, o exército recorre a métodos "pouco sofisticados". Seus soldados detectam esses drones por radar ou visualmente, embora muitas vezes seja tarde demais, dada sua velocidade, e lançam redes, também utilizadas na Ucrânia, como admitiu o alto comando militar israelense mencionado anteriormente.

Nas redes sociais, imagens publicadas por Amit Segal, um renomado jornalista israelense, mostram veículos militares cobertos com malhas de proteção semelhantes a mosquiteiros. Um contraste surpreendente com os padrões tecnológicos dos quais as forças israelenses costumam se orgulhar.

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Spirit Airlines cancela todos os voos nos EUA e encerra atividades após segunda falência

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O colapso da Spirit marca a primeira falência de uma aérea, em parte, devido à duplicação dos preços do combustível de aviação durante a guerra com o Irã. Medida é revés para Trump.
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Por Redação g1

Postado em 02 de Maio de 2.026 às 05h30m
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Um Airbus A319 da Spirit Airlines se aproxima do Aeroporto Regional de Manchester Boston para pouso, em 2 de junho de 2023 — Foto: Charles Krupa / AP
Um Airbus A319 da Spirit Airlines se aproxima do Aeroporto Regional de Manchester Boston para pouso, em 2 de junho de 2023 — Foto: Charles Krupa / AP

A companhia aérea de baixo custo em falência Spirit Airlines anunciou o cancelamento de todos os voos a partir deste sábado (2). "Todos os voos da Spirit foram cancelados e os passageiros da Spirit não devem se dirigir ao aeroporto", informou a companhia aérea em um comunicado à imprensa na madrugada de sábado.

Ainda havia alguma esperança para evitar o fechamento da empresa nesta sexta (1º), porém, uma reunião do conselho da empresa terminou sem acordo para salvar a companhia, segundo um fonte ouvida pela agência de notícias Reuters.

O colapso da Spirit resultará em milhares de demissões e marca a primeira falência de uma aérea, em parte, devido à duplicação dos preços do combustível de aviação durante a guerra com o Irã, iniciada há dois meses.

É também um revés para o presidente Donald Trump, que havia proposto US$ 500 milhões para salvar a empresa, apesar da oposição de aliados e de muitos republicanos no Congresso.

'Se ninguém quer comprá-la, por que nós compraríamos?'

Nenhuma companhia aérea americana do porte da Spirit — que já respondeu por 5% dos voos nos EUA — foi liquidada nas últimas duas décadas. A empresa ajudava a manter tarifas mais baixas nos mercados em que competia com grandes companhias.

O secretário de Transportes, Sean Duffy, disse à Reuters que tentou encontrar compradores para a Spirit, sem sucesso. “O que alguém compraria?”, questionou.

Se ninguém quer comprá-la, por que nós compraríamos?, pontuou Duffy.

A empresa deve iniciar um encerramento ordenado das atividades, suspendendo voos durante a noite, reposicionando aeronaves para devolução e liberando tripulações, disse uma das fontes.

O governo Trump fez um esforço extraordinário para tentar salvar a Spirit, mas não se pode dar vida a um cadáver. Diante disso, a empresa deve deixar claras suas intenções pelo bem de clientes e funcionários, afirmou um credor envolvido nas negociações.

Um porta-voz da companhia se recusou a comentar as discussões em andamento.

Na sexta-feira, Trump afirmou que a Casa Branca apresentou uma proposta final à Spirit e seus credores para tentar resgatar a empresa.

O presidente Donald Trump caminha para falar com repórteres enquanto se prepara para embarcar no helicóptero Marine One no gramado sul da Casa Branca, na sexta-feira, 1º de maio de 2026, em Washington — Foto: Mark Schiefelbein / AP
O presidente Donald Trump caminha para falar com repórteres enquanto se prepara para embarcar no helicóptero Marine One no gramado sul da Casa Branca, na sexta-feira, 1º de maio de 2026, em Washington — Foto: Mark Schiefelbein / AP

O governo também entrou em contato com outras companhias para discutir como acomodar passageiros com passagens da Spirit. United Airlines, American Airlines, Frontier Airlines e JetBlue Airways informaram que estão se preparando para atender esses clientes.

Plano fracassa

A presidente da Associação de Comissários de Bordo, Sara Nelson, afirmou que o destino da Spirit estava nas mãos de Trump e que um fechamento pode eliminar quase 20 mil empregos.

O governo chegou a propor um financiamento de US$ 500 milhões em troca de participação equivalente a 90% da empresa, mas houve divergências internas e nem todos os credores concordaram com o plano.

A Spirit havia negociado um acordo com credores para sair da recuperação judicial até meados de 2026, mas os planos foram frustrados após a guerra elevar os preços do combustível.

A companhia projetava custos de cerca de US$ 2,24 por galão em 2026, mas até o fim de abril o valor havia subido para aproximadamente US$ 4,51 — mais que o dobro do previsto.

Com informações da Reuters e AFP.

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