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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Todos os campeões brasileiros: com título do Flamengo em 2025, veja como ficou o ranking

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Clube carioca volta a conquistar a competição depois de cinco anos
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Por Redação do ge — Rio de Janeiro

Postado em 04 de Dezembro de 2.025 às 11h25m
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Flamengo 1 x 0 Ceará | Melhores momentos | 37ª rodada | Brasileirão 2025
Flamengo 1 x 0 Ceará | Melhores momentos | 37ª rodada | Brasileirão 2025

O Flamengo conquistou nesta quarta-feira o nono título brasileiro de sua história. A conquista foi matematicamente confirmada com uma rodada de antecedência, com a vitória sobre o Ceará por 1 a 0, no Maracanã.

Com o título deste ano, o Flamengo chega a nove conquistas, sendo oito no Brasileirão e uma na Copa União. O clube ganhou sua primeira taça em 1980, em final contra o Atlético-MG.

Samuel Lino comemora gol do Flamengo contra o Ceará — Foto: Andre Mourao/AGIF
Samuel Lino comemora gol do Flamengo contra o Ceará — Foto: Andre Mourao/AGIF

Confira os maiores campeões do Brasileirão:

  • Palmeiras – 12 (1960, 1967, 1967, 1969, 1972, 1973, 1993, 1994, 2016, 2018, 2022 e 2023)
  • Flamengo – 9 (1980, 1982, 1983, 1987, 1992, 2009, 2019, 2020 e 2025)
  • Santos – 8 (1961, 1962, 1963 , 1964 , 1965 , 1968, 2002 e 2004)
  • Corinthians – 7 (1990, 1998, 1999, 2005, 2011, 2015 e 2017)
  • São Paulo – 6 (1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008)
  • Cruzeiro – 4 (1966, 2003, 2013 e 2014)
  • Vasco – 4 (1974, 1989, 1997 e 2000)
  • Fluminense – 4 (1970, 1984, 2010 e 2012)
  • Internacional – 3 (1975, 1976 e 1979)
  • Atlético-MG – 3 (1937, 1971 e 2021)
  • Botafogo – 3 (1968, 1995 e 2024)
  • Bahia – 2 (1959 e 1988)
  • Grêmio – 2 (1981 e 1996)
  • Athletico-PR – 1 (2001)
  • Coritiba – 1 (1985)
  • Guarani – 1 (1978)
  • Sport – 1 (1987)

A geração de 2019, de Arrascaeta, Bruno Henrique e Filipe Luís, chega ao seu terceiro Brasileiro e se aproxima do feito da safra de ouro do clube, liderada por Zico e companhia, que conquistou quatro campeonatos nacionais nos anos 80.

O estado de São Paulo ainda é o responsável pelo maior número de títulos brasileiros: são 34 no total, repartidos entre Palmeiras, Santos, Corinthians, São Paulo e Guarani. Em seguida vem o Rio de Janeiro, agora com 20: nove do Flamengo, quatro do Fluminense, quatro do Vasco e três do Botafogo.

Veja a lista com todos os campeões brasileiros:

  • 1937 – Atlético-MG
  • 1959 – Bahia
  • 1960 – Palmeiras
  • 1961 – Santos
  • 1962 – Santos
  • 1963 – Santos
  • 1964 – Santos
  • 1965 – Santos
  • 1966 – Cruzeiro
  • 1967 – Palmeiras (Taça Brasil e Robertão)
  • 1968 – Botafogo (Taça Brasil) e Santos (Robertão)
  • 1969 – Palmeiras
  • 1970 – Fluminense
  • 1971 – Atlético-MG
  • 1972 – Palmeiras
  • 1973 – Palmeiras
  • 1974 – Vasco
  • 1975 – Internacional
  • 1976 – Internacional
  • 1977 – São Paulo
  • 1978 – Guarani
  • 1979 – Internacional
  • 1980 – Flamengo
Flamengo em 1980 — Foto: Arquivo pessoal
Flamengo em 1980 — Foto: Arquivo pessoal

  • 1981 – Grêmio
  • 1982 – Flamengo
Flamengo em 1982 — Foto: GloboEsporte.com
Flamengo em 1982 — Foto: GloboEsporte.com

  • 1983 – Flamengo
Flamengo em 1983 — Foto: Gazeta Press
Flamengo em 1983 — Foto: Gazeta Press

  • 1984 – Fluminense
  • 1985 – Coritiba
  • 1986 – São Paulo
  • 1987 – Sport / Flamengo*

*Em 1987, o Flamengo conquistou a Copa União, que teve caráter nacional e contava com os principais clubes do país. Depois de longa batalha judicial, o Supremo Tribunal Federal determinou que o Sport, vencedor do módulo amarelo, seja reconhecido como o campeão brasileiro de 1987.

Flamengo em 1987 — Foto: Sebastião Marinho / Ag. O Globo
Flamengo em 1987 — Foto: Sebastião Marinho / Ag. O Globo

  • 1988 – Bahia
  • 1989 – Vasco
  • 1990 – Corinthians
  • 1991 – São Paulo
  • 1992 – Flamengo
Flamengo em 1992 — Foto: GloboEsporte
Flamengo em 1992 — Foto: GloboEsporte

  • 1993 – Palmeiras
  • 1994 – Palmeiras
  • 1995 – Botafogo
  • 1996 – Grêmio
  • 1997 – Vasco
  • 1998 – Corinthians
  • 1999 – Corinthians
  • 2000 – Vasco
  • 2001 – Athletico-PR
  • 2002 – Santos
  • 2003 – Cruzeiro
  • 2004 – Santos
  • 2005 – Corinthians
  • 2006 – São Paulo
  • 2007 – São Paulo
  • 2008 – São Paulo
  • 2009 – Flamengo
Flamengo em 2009 — Foto: Flamengo
Flamengo em 2009 — Foto: Flamengo

  • 2010 – Fluminense
  • 2011 – Corinthians
  • 2012 – Fluminense
  • 2013 – Cruzeiro
  • 2014 – Cruzeiro
  • 2015 – Corinthians
  • 2016 – Palmeiras
  • 2017 – Corinthians
  • 2018 – Palmeiras
  • 2019 – Flamengo
Flamengo em 2019 — Foto: André Durão / GloboEsporte.com
Flamengo em 2019 — Foto: André Durão / GloboEsporte.com

  • 2020 – Flamengo
Flamengo em 2020 — Foto: Marcos Ribolli
Flamengo em 2020 — Foto: Marcos Ribolli

  • 2021 – Atlético-MG
  • 2022 – Palmeiras
  • 2023 – Palmeiras
  • 2024 – Botafogo
  • 2025 – Flamengo
Flamengo em 2025 — Foto: André Durão
Flamengo em 2025 — Foto: André Durão

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Filipe Luís iguala número de títulos de Jorge Jesus no Flamengo; compare

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Flamengo venceu o Ceará por 1 a 0 nesta quarta (3) e se tornou campeão do Brasileirão 2025, o quinto título do técnico no comando do Rubro-Negro
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CNN Esportes
Matheus Dantas, da Itatiaia
03/12/25 às 23:39 | Atualizado 04/12/25 às 06:55
Postado em 04 de Dezembro de 2.025 às 07h30
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No comando do Flamengo desde outubro de 2024, Filipe Luís conquistou o quinto título nesta quarta-feira (3), com a vitória sobre o Ceará no Maracanã. Agora, o jovem treinador tem o mesmo número de taças do que Jorge Jesus, uma das suas referências na profissão.

Jorge Jesus trabalhou no Rubro-Negro entre 2019 e 2020 e teve Filipe Luís como um de seus jogadores. Após carreira no futebol europeu, O ex-lateral-esquerdo participou das cinco conquistas do treinador português em sua histórica passagem pelo Brasil.

Leia Mais

  • Copa do Brasil (2024)
  • Campeonato Carioca (2025)
  • Supercopa do Brasil (2025)
  • Copa Libertadores (2025)
  • Campeonato Brasileiro (2025)
Títulos de Jorge Jesus como técnico do Flamengo:
  • Copa Libertadores (2019)
  • Campeonato Brasileiro (2019)
  • Supercopa do Brasil (2020)
  • Recopa Sul-Americana (2020)
  • Campeonato Carioca (2020)
Os números de Filipe Luís no comando do Flamengo
  • Estreia pelo Flamengo: Flamengo 1x0 Corinthians, 2 de outubro de 2024 (Copa do Brasil)
  • 85 jogos: 54 vitórias / 21 empates / 10 derrotas
  • 149 gols pró e 52 gols contra
  • Aproveitamento de 71,7% dos pontos
  • 430 dias no cargo
Os números de Jorge Jesus no comando do Flamengo
  • Estreia pelo Flamengo: Athletico 1x1 Flamengo, 10 de julho de 2019 (Copa do Brasil)
  • 58 jogos: 44 vitórias / 10 empates / 4 derrotas
  • 132 gols pró e 48 gols contra
  • Aproveitamento de 81,6% dos pontos
  • Saída do Flamengo: 17 de julho de 2020 (413 dias no cargo)
A promissora carreira de Filipe Luís

Após pendurar as chuteiras em dezembro de 2023, após quatro temporadas e meia defendendo o Flamengo, Filipe Luís iniciou a carreira nas divisões de base do clube carioca. Entre janeiro e setembro de 2024, dirigiu os garotos do Ninho (Sub-17 e Sub-20).

Com a demissão de Tite, assumiu a equipe principal do Flamengo na semifinal da Copa do Brasil. Com as vitórias sobre Corinthians e Atlético, conquistou o título na Arena MRV.

No início de 2025, levantou mais duas taças: Supercopa do Brasil e Campeonato Carioca. No último sábado (29), mais um capítulo histórico com o título da Libertadores.

Esse conteúdo foi publicado originalmente em

Itatiaia     Ver original 

Tópicos


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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Brasil chega aos menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica do IBGE

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Em 2024, mais de 10 milhões de brasileiros deixaram essa condição. Avanço da renda dos mais pobres e programas sociais explicam o resultado.
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Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 03 de Dezembro de 2.025 às 11h00m
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Brasil chega aos menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica do IBGE
Brasil chega aos menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica do IBGE

No ano passado, o Brasil atingiu os menores níveis de pobreza e extrema pobreza desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012. Os dados fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2024, divulgada nesta quarta-feira (3).

Entre 2023 e 2024, a parcela da população em extrema pobreza caiu de 4,4% para 3,5% — uma redução de 0,9 ponto percentual, equivalente a 1,9 milhão de pessoas. Já a pobreza recuou de 27,3% para 23,1%, o que significa 8,6 milhões de brasileiros a menos nessa condição.

  • 🔎 O estudo leva em conta o conceito de "pobreza monetária", que ocorre quando a renda da família não é suficiente para garantir o básico para viver bem. O IBGE considera apenas o dinheiro disponível, sem considerar outros fatores importantes, como qualidade da moradia, acesso à educação ou proteção social.

Como o Brasil não possui uma linha oficial de pobreza, o estudo produzido pelo IBGE adota parâmetros do Banco Mundial, calculados pela Paridade do Poder de Compra (PPC).

Em 2024, foram considerados pobres os domicílios com renda inferior a US$ 6,94 por pessoa ao mês e extremamente pobres aqueles com renda abaixo de US$ 2,18.

Segundo o IBGE, a queda no nível de pobreza no país ocorreu em um contexto de aumento da renda média.

O rendimento domiciliar per capita — a soma da renda da casa dividida pelo número de moradores — chegou a R$ 2.017 mensais em 2024, o maior já registrado pela pesquisa. Em 2012, o rendimento era de R$ 1.697.

💰O avanço foi ainda mais intenso entre os 10% mais pobres, cuja renda cresceu 13,2% em um ano.

A pesquisa do instituto mostra que a desigualdade de renda no país também diminuiu. O Índice de Gini caiu de 0,517 em 2023 para 0,504, o menor valor desde o início da série histórica, em 2012. Isso significa que a diferença entre o que os mais ricos e os mais pobres ganham ficou um pouco menor.

  • 📉 O Índice de Gini mede a desigualdade de renda. Ele vai de 0 a 1, sendo 0 a representação de renda igualitária, enquanto 1 significa renda totalmente concentrada. Criado por Conrado Gini, o índice serve, na prática, para comparar a renda dos mais pobres com a dos mais ricos. Em 2004, o Brasil registrou 0,591, um dos maiores níveis de desigualdade entre 127 países.

André Geraldo de Moraes Simões, pesquisador do IBGE, explica que a queda da pobreza e da desigualdade nos últimos anos está ligada ao aquecimento do mercado de trabalho e à expansão dos benefícios sociais.

Mais de 70% da renda domiciliar per capita vem do trabalho. Quando o mercado de trabalho está dinâmico [com mais oportunidades], isso impacta diretamente na renda das famílias, afirma.

Segundo Simões, os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, por sua vez, também tiveram papel fundamental em períodos específicos. Sem os benefícios de programas sociais, a proporção de pessoas na extrema pobreza subiria de 3,5% para 10% da população, enquanto a proporção da pobreza aumentaria de 23,1% para 28,7% em 2024.

Em 2019 e 2020, a redução da pobreza foi impulsionada pelos benefícios emergenciais, que mantiveram a renda das famílias. Quando esses auxílios foram reduzidos ou tiveram restrições de acesso em 2021, a pobreza subiu novamente, pois o mercado de trabalho ainda estava fragilizado.

A pobreza em grupos sociais, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2024, do IBGE — Foto: Arte/g1
A pobreza em grupos sociais, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2024, do IBGE — Foto: Arte/g1 

Mesmo com a melhora geral, alguns grupos seguem mais vulneráveis:

  • Crianças e adolescentes de 0 a 14 anos são os mais atingidos: 39,7% estão abaixo da linha de pobreza;
  • Pessoas pardas e pretas também enfrentam índices mais altos: 29,8% e 25,8%, respectivamente;
  • Entre mulheres, a taxa chega a 24%, acima da observada entre homens;
  • Já entre idosos, a proporção é bem menor, de 8,3%, reflexo principalmente da aposentadoria e de benefícios previdenciários.
Nordeste concentra metade da pobreza

A pesquisa mostra que as regiões do país vivem realidades bem diferentes. O Nordeste tem 26,9% da população brasileira, mas concentra 50,3% das pessoas em extrema pobreza e 45,8% das pessoas pobres do país.

Em 2024, 39,4% da população do Nordeste vivia abaixo da linha de pobreza, assim como 35,9% no Norte. No outro extremo, Sul e Centro-Oeste registraram as menores taxas de extrema pobreza, com 1,5% e 1,6%, respectivamente.

Mesmo com emprego, renda é insuficiente

O IBGE também analisou o grupo dos "working poor" — pessoas com ocupação, mas que ainda vivem em domicílios pobres. Em 2024, 11,9% dos trabalhadores, cerca de 12 milhões de pessoas, estavam nessa condição. Já a extrema pobreza atingiu 0,6% dos ocupados, o equivalente a 585 mil pessoas.

No entanto, o estudo aponta que o risco de pobreza é muito maior entre quem não trabalha. Isso porque 47,6% dos desocupados e 27,8% das pessoas fora da força de trabalho são pobres. Regionalmente, o Nordeste concentra 24% de todos os trabalhadores pobres do país.

Entre as ocupações mais afetadas, destacam-se os trabalhadores domésticos (8,7% do total de trabalhadores pobres), e os agricultores e trabalhadores rurais qualificados (6,6%).

Ao todo, 10 ocupações concentram 41,7% dos trabalhadores pobres do Brasil.

Em 2024, 10,5 milhões de brasileiros deixaram a pobreza ou extrema pobreza — Foto: Diego Souza/UNICEF
Em 2024, 10,5 milhões de brasileiros deixaram a pobreza ou extrema pobreza — Foto: Diego Souza/UNICEF

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Estudo aponta avanço da vegetação e do degelo na Antártica; cientista alerta para efeitos no Brasil

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Pesquisa do MapBiomas diz que 107 mil hectares do continente estão sem gelo. Situação pode afetar agricultura na América do Sul. Dia da Antártica é celebrado nesta segunda.
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Por Kellen Barreto, g1 — Brasília

Postado em 03 de Dezembro de 2.025 às 06h00m
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Estudo aponta avanço da vegetação e do degelo na Antártica
Estudo aponta avanço da vegetação e do degelo na Antártica

Um estudo inédito do MapBiomas revela que 107 mil hectares da Antártica estão atualmente sem gelo, o equivalente a 1% do continente com presença de vegetação.

🧊O número pode parecer pequeno, mas é significativo em um continente, o mais isolado do planeta Terra, que historicamente permanece congelado.

O fenômeno tem intrigado pesquisadores. A Antártica – conhecida pelo gelo predominante em quase toda sua paisagem – está ficando mais verde.

🌿Musgos, liquens e algas estão ocupando áreas que antes permaneciam congeladas. E, segundo cientistas, isso é mais um sinal de que as mudanças climáticas estão avançando rapidamente.

Área considerada livre de gelo na Antártica — Foto: MapBiomas-Antártica
Área considerada livre de gelo na Antártica — Foto: MapBiomas-Antártica

🗺️O levantamento analisou imagens de satélite entre 2017 e 2025 e é o primeiro a detalhar, em escala continental, como essas áreas estão mudando.

Para identificar zonas sem gelo e mapear a vegetação, além de dados de satélite Sentinel-2, a equipe utilizou algoritmos e um índice que detecta atividade de fotossíntese.

🔎O Dia da Antártica é celebrado nesta segunda-feira (1º), data em que é comemorado o 66º aniversário da assinatura do Tratado da Antártica.

Aquecimento global e o avanço da vegetação

Presença de vegetação no continente antártico tem avançado e preocupa especialistas — Foto: MapBioma-Antártica
Presença de vegetação no continente antártico tem avançado e preocupa especialistas — Foto: MapBioma-Antártica

Segundo a cientista Eliana Fonseca, coordenadora do estudo, a expansão da vegetação está diretamente ligada ao aquecimento global.

As temperaturas mais elevadas fazem com que o gelo e a neve derretam mais rapidamente, deixando maior disponibilidade de água líquida já no início do verão, disse.

"Com o solo exposto por mais tempo, a vegetação se expande para áreas onde antes não conseguia se estabelecer", acrescentou Eliana.

Segundo a pesquisadora, embora este seja o primeiro mapeamento abrangente, estudos regionais já apontavam um esverdeamento na área, especialmente nas ilhas mais próximas à Península Antártica.

Nas ilhas Shetland do Sul, estamos vendo mudanças rápidas e intensas por causa do aumento das temperaturas, declarou Eliana. "Regiões que recebiam precipitação de neve agora registram cada vez mais chuva líquida", emendou a especialista.

A pesquisadora alerta que esse processo nas ilhas da Antártica deve se intensificar nos próximos anos, apesar do continente ser grande e homogêneo. Algo que já ocorre na Groenlândia, no hemisfério norte.

A vegetação nessas localidades inóspitas, com número mínimo de espécies de plantas, funciona como um termômetro ambiental, segundo a especialista.

"Quando vemos a vegetação aumentar, significa que as condições ambientais estão mudando – e rápido", afirmou Eliana.

Efeitos já são sentidos no hemisfério sul

As transformações da Antártica não ficam restritas ao continente. O lugar é um "regulador climático global" e impacta principalmente o hemisfério sul.

As diferenças de temperatura entre a Antártica e as regiões próximas movem energia da Linha do Equador para os polos. Esses fluxos geram as frentes frias que regulam temperaturas e padrões de chuva em boa parte do hemisfério sul", afirmou Eliana Fonsca.

Segundo a pesquisadora, isso se reflete na frequência menor de frentes frias no Brasil e na América do Sul, o que afeta os regimes de chuva e a agricultura.

O derretimento do gelo marinho e as águas menos frias no Oceano Austral também influenciam a cadeia alimentar da região. A base da alimentação de baleias, por exemplo, depende de água fria e da presença de gelo.

Já temos relatos da diminuição da produção de krill [um crustáceo consumido por baleias], alerta a pesquisadora do MapBiomas.

Por que mapear a Antártica é tão difícil?

Aquecimento global tem relação com degelo na Antártica, segundo pesquisadora — Foto: MapBiomas-Antártica
Aquecimento global tem relação com degelo na Antártica, segundo pesquisadora — Foto: MapBiomas-Antártica

A Antártica ainda é um desafio à capacidade dos satélites. O fenômeno do sol da meia-noite – quando o sol permanece visível por 24 horas no verão – cria sombras longas que dificultam a análise das imagens.

Por décadas, muitos mapas eram feitos manualmente, com pesquisadores, literalmente, desenhando onde a vegetação aparecia.

O novo levantamento do MapBiomas só foi possível graças a técnicas mais precisas de georreferenciamento e o avanço da computação em nuvem.

Continente dedicado à ciência

Com 1,366 bilhão de hectares, o continente antártico é regido pelo Tratado da Antártica, assinado em 1959, do qual fazem parte 58 países.

O acordo estabelece o continente e o Oceano Austral como uma área voltada à ciência, à cooperação internacional e à preservação ambiental.

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