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quinta-feira, 12 de junho de 2025

'O que Israel faz em Gaza não tem precedentes no século 21', diz historiador israelense especialista em holocausto

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Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Ele é um dos maiores especialistas em genocídio mundialmente, de acordo com o site do Museu Memorial do Holocausto dos EUA.
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Há 2 dias • 
Postado em 12 de Junho de 2.025 às 22h30m


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Omer Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos EUA. Na década de 1970, ele foi soldado do Exército israelense
Omer Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos EUA. Na década de 1970, ele foi soldado do Exército israelense© Arquivo Omer Bartov

Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Ele é um dos maiores especialistas em genocídio mundialmente, de acordo com o site do Museu Memorial do Holocausto dos EUA.

O historiador é cidadão israelense e americano e, na década de 1970, foi soldado do Exército israelense.

Inicialmente, Bartov não classificou como genocídio as ações militares de Israel em Gaza após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Agora, ele não hesita em fazer isso, e afirma que há um consenso neste sentido entre especialistas em genocídio.

Bartov explicou à BBC News Mundo por que mudou de posição e por que a ação israelense em Gaza "não tem equivalente" na história recente. Ele também refletiu sobre algo que descreve como "perturbador": a indiferença de muitos israelenses ao sofrimento dos palestinos.

Israel enfrenta uma acusação de genocídio na Corte Internacional de Justiça (CIJ), e o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, tem um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por supostos crimes de guerra.

Netanyahu classifica as acusações de genocídio como "falsas" e "inaceitáveis".

O parlamentar israelense Boaz Bismuth, leal a Netanyahu e suas políticas, argumenta:

"Como podem nos acusar de genocídio quando a população palestina cresceu não sei quantas vezes? Como podem nos acusar de limpeza étnica quando estou deslocando a população dentro de Gaza para protegê-la? Como podem nos acusar quando estamos perdendo soldados para proteger nossos inimigos?"

Israel lançou uma campanha militar em Gaza em resposta ao ataque pela fronteira do Hamas em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas e outras 251 foram feitas reféns.

Desde então, os ataques israelenses mataram pelo menos 54.470 pessoas em Gaza, incluindo mais de 17 mil crianças, de acordo com o Ministério da Saúde do território, administrado pelo Hamas.

A seguir, está a entrevista que a BBC News Mundo fez com Omer Bartov.

BBC News Mundo - Nos primeiros meses após o ataque do Hamas, você não usou a palavra genocídio para se referir às ações de Israel em Gaza. Quando e por que você mudou de posição?

Omer Bartov - Mudei de opinião e passei a acreditar que Gaza é inegavelmente um caso de genocídio no início de maio de 2024.

Em novembro de 2023, escrevi que havia evidências de crimes de guerra, possivelmente crimes contra a humanidade.

Eu ainda não tinha certeza de que havia provas suficientes de genocídio. Mas havia indícios de que poderia chegar a isso, porque havia declarações com conteúdo genocida.

Em maio de 2024, quando as Forças de Defesa de Israel (FDI) entraram em Rafah e desalojaram cerca de um milhão de pessoas para a região de Al-Mawasi, uma área sem infraestrutura à beira-mar, isso parecia indicar que se tratava de uma operação com intenções genocidas, intenções que já haviam sido manifestadas em outubro de 2023.

Grupo de homens com uniforme militar

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
O ex-ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, anunciou um bloqueio a Gaza em outubro de 2023, dizendo que não entraria 'nem eletricidade, nem comida, nem água, nem gás... estamos lutando contra animais humanos e agimos de acordo'© Getty Images

O padrão que levou à operação de Rafah em maio parecia indicar que esta não era simplesmente uma operação para, como afirmavam as FDI, destruir o Hamas e libertar os reféns, mas uma operação destinada a tornar toda Gaza inabitável.

Desde então, a situação, é claro, piorou consideravelmente.

Eles estão impondo bloqueio a Gaza há meses, esperando que as pessoas morram, saiam ou sejam aceitas em outros lugares. Como disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (em declarações a um comitê parlamentar israelense, vazadas para a imprensa em maio de 2025): "Nosso único problema é encontrar países que os aceitem".

Esta é claramente uma operação que visa expulsar toda a população da Faixa de Gaza.

BBC News Mundo - Em um artigo para o jornal britânico The Guardian em 2024, você afirmou que "a escala do que as FDI estão perpetrando em Gaza não tem precedentes". Você pode explicar isso?

Bartov - A única comparação possível é com a Nakba, ou seja, a expulsão dos palestinos em 1948. Naquela época, cerca de 750 mil palestinos foram expulsos das áreas que se tornaram o Estado de Israel. E milhares de pessoas morreram. Mas os números não eram tão altos quanto são agora.

Obviamente a população é maior agora, mas os números atuais são absolutamente extraordinários.

A destruição é em grande escala. A tonelagem de bombas lançadas em Gaza é maior que a das bombas lançadas sobre cidades alemãs durante a Segunda Guerra Mundial.

Ouvi falar de reservistas israelenses que voltaram de Gaza e disseram que o que viram os fez lembrar das imagens de Hiroshima. E são soldados que participaram disso. A destruição direcionada, intencional e deliberada de escolas, hospitais, mesquitas, edifícios públicos e universidades é absolutamente extraordinária.

Vista aérea da devastação em Jabalia, no norte de Gaza, em 30 de janeiro de 2025
Vista aérea da devastação em Jabalia, no norte de Gaza, em 30 de janeiro de 2025© Getty Images

Quando você considera quantos jornalistas foram mortos, quantas equipes médicas foram mortas, quando você lê relatos de crianças sendo baleadas por franco-atiradores na cabeça ou no peito* — eu estava, inclusive, lendo esta manhã outra reportagem sobre isso —, é difícil encontrar uma equivalência para isso que aconteceu em um espaço tão pequeno com uma população de mais de dois milhões de pessoas.

Costumávamos pensar que o que os russos faziam na Chechênia e Grozni era terrível. Mas isso é em uma escala maior. É difícil comparar com qualquer coisa. Para o século 21, certamente não há precedentes.

Na Síria, mataram 2% da população, mas isso aconteceu em 13 anos. Em Gaza, aconteceu em vários meses. Este percentual de 2% já foi alcançado no verão de 2024.

*Depoimentos de médicos publicados em veículos de imprensa como New York Times e Guardian contêm tais alegações. As FDI disseram em declarações citadas pelo Guardian que "rejeitam completamente" as acusações de que seus franco-atiradores disparam deliberadamente contra civis

'A única comparação possível é com a Nakba, ou seja, a expulsão dos palestinos em 1948'
'A única comparação possível é com a Nakba, ou seja, a expulsão dos palestinos em 1948'© Getty Images

BBC News Mundo - Até que ponto você vê no caso de Gaza os elementos-chave da definição contida na Convenção sobre Genocídio de 1948?

Bartov - Há uma definição de genocídio: atos cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo específico, seja étnico ou nacional, como tal.

Em outubro, logo após o ataque e o massacre do Hamas de 7 de outubro, os líderes políticos e militares israelenses deram declarações dizendo que isso era o que eles queriam fazer, queriam destruir Gaza. Também disseram que não havia ninguém em Gaza que não fosse responsável.

Portanto, a intenção genocida foi manifestada, e tem sido manifestada repetidamente. A questão é: podemos ver um padrão de operações que mostre que essa intenção está sendo implementada?

Esse padrão, a essa altura, é absolutamente claro, porque podemos ver que o que aconteceu foi uma tentativa coordenada de tornar Gaza inabitável para essa parte da população palestina que vive lá, de destruí-la como um grupo, destruindo edifícios, matando um grande número de pessoas.

Estamos falando de mais de 53 mil pessoas mortas, das quais metade são menores, e os números são provavelmente muito mais altos do que isso.

Também vemos a destruição de tudo o que permite que essa população, se sobreviver, se reconstrua como grupo, porque tudo relacionado à sua cultura, educação, saúde e religião foi sistematicamente destruído.

O que acontece em Gaza se encaixa na definição de genocídio de 1948, a tentativa de destruir um grupo como tal.

Criança ferida em ataque israelense sendo atendida no Hospital Al Awda, em Gaza, em maio de 2025
Criança ferida em ataque israelense sendo atendida no Hospital Al Awda, em Gaza, em maio de 2025© Getty Images

BBC News Mundo - Israel nega estar cometendo genocídio em Gaza, e diz que trava uma guerra contra o Hamas, a quem acusa de usar civis como escudos humanos. Como você responde a esse argumento?

Bartov - Um aspecto interessante é que todos usamos o termo "guerra" porque não sabemos como chamar o que acontece em Gaza de outra maneira, mas na realidade não há guerra. A guerra terminou, no mais tardar, em junho de 2024. Desde então, o Hamas não travou nada parecido com uma guerra contra as Forças de Defesa de Israel.

Obviamente, há vários milhares de homens, em sua maioria jovens recrutados após a morte de muitos dos combatentes originais. De vez em quando, eles saem de um túnel e disparam alguns foguetes. Mas as FDI estão usando tanques, artilharia, aviões e navios modernos para atacar Gaza. Não estão travando uma guerra, mas uma campanha de destruição. Então, chamar de guerra é totalmente inapropriado.

Quanto à afirmação de que o Hamas usa a população como escudo humano, não sou partidário do Hamas, acho que o Hamas foi uma catástrofe para os palestinos, e é uma organização assassina. Não há como defender o que eles fizeram em 7 de outubro. Mas eles estão lutando em uma das áreas mais urbanizadas e densamente povoadas do mundo. Se você luta em um lugar como esse, luta em áreas com alta concentração de civis.

A ironia é que há um grande número de reportagens no sentido de que as Forças de Defesa de Israel estão usando palestinos como escudos humanos em suas próprias operações**, pegando especificamente idosos e jovens, vestindo-os com uniformes das FDI e enviando-os a túneis para explodi-los, caso haja armadilhas explosivas. Isso foi amplamente divulgado.

** Nas acusações mais recentes, tanto a Associated Press quanto o jornal israelense Haaretz publicaram relatos sobre o uso de palestinos como escudos humanos. O Exército israelense negou as acusações e disse que suas regras proíbem essa prática.

'Quando você considera quantos jornalistas foram mortos, quantas equipes médicas foram mortas... é difícil encontrar uma equivalência para isso que aconteceu em um espaço tão pequeno com uma população de mais de dois milhões de pessoas'
'Quando você considera quantos jornalistas foram mortos, quantas equipes médicas foram mortas... é difícil encontrar uma equivalência para isso que aconteceu em um espaço tão pequeno com uma população de mais de dois milhões de pessoas'© Getty Images

BBC News Mundo - Em seu artigo no The Guardian, você diz: "Como ex-soldado das FDI e historiador sobre genocídio, me senti profundamente perturbado em minha recente visita a Israel". E fala da "indiferença total da maioria dos israelenses diante do que é feito em seu nome".

Uma pesquisa recente publicada no jornal israelense Haaretz afirma que 82% dos israelenses são a favor da expulsão dos palestinos de Gaza. Você poderia explicar por que falou sobre se sentir perturbado em sua viagem a Israel?

Bartov - Por um lado, há o que eu vi. Por outro lado, a pesquisa que você mencionou.

A maioria das pessoas com quem tenho contato em Israel não são de direita, não são colonos ou extremistas, mas pessoas que costumavam apoiar a esquerda, liberais.

Essas pessoas ficaram tão chocadas e traumatizadas com o que aconteceu em 7 de outubro, sentiram tanta insegurança que simplesmente não queriam saber o que estava acontecendo em Gaza. Se eu mencionava Gaza, elas tendiam a mudar de assunto. Estavam preocupadas com seu trauma. E é verdade. Muita gente, inclusive eu, tem familiares ou amigos que foram mortos em 7 de outubro.

Isso foi em uma visita em junho de 2024. Quando voltei para Israel em dezembro, acho que mais gente sabia o que estava acontecendo em Gaza; era impossível não saber, porque, embora a mídia israelense informe muito pouco sobre a matança em Gaza, as informações vazam, inclusive por meio de publicações nas redes sociais de soldados israelenses.

Portanto, as pessoas sabiam mais sobre o que estava acontecendo em Gaza, mas não se importavam mais. Em geral, eram bastante indiferentes.

Quanto à pesquisa, é devastadora. Na verdade, ela foi conduzida por dois professores israelenses que lecionam nos EUA. Conheço os dois, e é uma pesquisa confiável que mostra que a grande maioria dos israelenses gostaria de ver a população de Gaza transferida.

"Transferência" é um termo usado em Israel desde a década de 1930, desde antes da criação do Estado, o que significa "tirá-los de lá, não nos importamos onde estejam".

Assim, 82% parecem apoiar a transferência, que constitui uma limpeza étnica da Faixa de Gaza. E acho que os números seriam bastante altos se eles fossem questionados sobre a Cisjordânia, não apenas sobre Gaza.

Bartov observa que, quando visitou Israel em dezembro de 2024, 'era impossível' que os israelenses não soubessem o que estava acontecendo em Gaza. 'As informações vazam, inclusive por meio de publicações nas redes sociais feitas por soldados israelenses'
Bartov observa que, quando visitou Israel em dezembro de 2024, 'era impossível' que os israelenses não soubessem o que estava acontecendo em Gaza. 'As informações vazam, inclusive por meio de publicações nas redes sociais feitas por soldados israelenses'© Getty Images

BBC News Mundo - Você menciona a Cisjordânia. Como você vê a situação lá, onde, de acordo com a ONU, desde janeiro deste ano, mais de 40 mil pessoas foram desalojadas, e 22 novos assentamentos foram anunciados recentemente?

Bartov - O que está acontecendo na Cisjordânia é o desalojamento forçado das pessoas.

Muito disso acontece agora à sombra do que está acontecendo em Gaza, já que a maior parte da atenção está concentrada em Gaza.

Há também muita violência por parte de colonos apoiados pelo Exército; Muitas das unidades militares são recrutadas entre os próprios colonos, então nada mais são do que colonos uniformizados.

Há pogroms ali semanalmente. Portanto, este é o outro lado da moeda: esvaziar Gaza e, em seguida, tomar cada vez mais território na Cisjordânia.

BBC News Mundo - No caso dos genocídios em Ruanda e Srebrenica, na ex-Iugoslávia, não havia países ocidentais armando e apoiando abertamente um dos lados. Gaza é um caso excepcional?

Bartov - Isso pode ser visto sob duas perspectivas. Muitas pessoas em Israel diriam: por que você presta tanta atenção ao que Israel faz? Veja o que todos esses outros países fazem. Veja o que acontece na Síria, na China, na Rússia, no Sudão, etc. Esse é o ponto de vista israelense.

Mas o Sudão, a Rússia e a China não estão recebendo armas, suprimentos nem cobertura diplomática do Ocidente, enquanto Israel está.

80% das armas fornecidas a Israel são provenientes dos Estados Unidos, grande parte do restante vem da Alemanha, e esses países oferecem uma cobertura diplomática. O Conselho de Segurança não pode aprovar nenhuma resolução porque os Estados Unidos vetariam.

Por que eles fazem isso? É uma pergunta muito boa. Por que Israel pode agir com impunidade, apesar de depender em grande parte dos países ocidentais, dos Estados Unidos e da Europa? A Europa é seu principal parceiro comercial, não os Estados Unidos.

É uma pergunta complexa. Acho que isso, a propósito, está mudando. Acho que a longo prazo Israel vai pagar um preço muito alto pelo que fez. Mas isso não vai ajudar muito os palestinos; as pessoas que morreram, estão mortas. E isso é irreversível.

No caso da Europa, acho que isso tem a ver com Israel fazer todo o possível para lembrar os europeus do Holocausto, e garantir que eles ainda tenham um sentimento persistente de culpa pelo genocídio nazista contra os judeus.

E acredito que nos Estados Unidos, a influência de Israel é enorme, não apenas por meio da comunidade judaica, mas também de outros grupos dentro dos Estados Unidos que apoiam firmemente Israel.

Eu disse recentemente que o crédito que Israel está usando, o crédito do Holocausto, está se esgotando. Que não será mais possível usá-lo como desculpa não só para o que está acontecendo em Gaza, mas também para a ocupação e a opressão de milhões de pessoas durante décadas.

Um menino de 11 meses com desnutrição em Gaza em junho de 2025. Sem a entrada de ajuda em massa, mais de 70 mil crianças com menos de cinco anos vão sofrer de desnutrição grave nos próximos meses, informou a ONU em maio
Um menino de 11 meses com desnutrição em Gaza em junho de 2025. Sem a entrada de ajuda em massa, mais de 70 mil crianças com menos de cinco anos vão sofrer de desnutrição grave nos próximos meses, informou a ONU em maio© Getty Images

BBC News Mundo - Você disse que Israel vai pagar um preço alto no futuro. Você acha que haverá prestação de contas pelo que acontece em Gaza?

Bartov - Primeiro, a prestação de contas é fundamental, é claro. Porque se não houver responsabilização, por que outros Estados não sentiriam que podem fazer o que quiserem?

A grande tragédia aqui é que, após a Segunda Guerra Mundial, em grande parte devido a crimes nazistas, se estabeleceu todo um sistema de leis internacionais para impedir que essas coisas aconteçam novamente.

Esta foi a suposta lição do Holocausto. Agora Israel está cometendo crimes em massa de genocídio em Gaza. E alegar que o Holocausto é uma espécie de desculpa para agir desta maneira é, por si só, terrivelmente trágico.

Os indivíduos serão responsabilizados? Espero que sim. É muito difícil saber.

Na minha opinião, a principal prestação de contas virá com o que acontecer com o próprio Israel. Acho que o país está a caminho de perder seus principais aliados na Europa Ocidental. Está perdendo o apoio da opinião pública, especialmente nos Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha, etc.

Isso vai ter consequências a longo prazo para o país, a menos que uma nova liderança israelense, e especialmente líderes europeus e americanos, decidam impor uma solução política, porque não há solução militar para o que estamos vendo agora.

BBC News Mundo - Quero perguntar especificamente sobre a polêmica entidade privada criada por Israel com o apoio dos EUA para distribuir ajuda humanitária, a Fundação Humanitária Gaza. As autoridades locais denunciaram a morte de dezenas de pessoas em ataques israelenses perto dos centros de distribuição.

Como historiador sobre genocídio, o que você sente quando vê as imagens de pessoas esperando desesperadamente para receber um pouco de comida?

Bartov - Olha, passei boa parte da minha vida lendo e escrevendo sobre crimes, então fui exposto a muitas imagens deste tipo ao longo da minha vida. E devo dizer, antes de tudo, pessoalmente, como ser humano, que acho muito difícil ver essas imagens devido à absoluta falta de humanidade, absoluta crueldade, até mesmo da reação "alegre" das tropas israelenses, da mídia israelense, e vejo essas mídias todos os dias. É uma sociedade que não consigo reconhecer.

Não é o país em que cresci. É algo que foi a lugares que ninguém poderia imaginar.

Portanto, de uma perspectiva humana e individual, é muito difícil para mim processar essas imagens. Mas por trás disso há uma política. A direita israelense, que na verdade também representa Netanyahu, tenta criar, na minha opinião, uma situação em que a população morre de frio, fome, doenças ou desespero, ou foge, ou aconteça um desastre humanitário tão grande que algum outro país diga: "Ok, vamos cuidar deles se eles permitirem".

Está absolutamente claro. Israel foi pressionado, por isso criou uma maneira pela qual parece fornecer alimentos, mas nunca é suficiente.

Eles entregam comida em pouquíssimos lugares para criar exatamente o tipo de caos que surge quando pessoas que estão morrendo de fome são informadas que a dez quilômetros de distância, se correrem o mais rápido possível, podem obter uma caixa. Isso gera desespero, medo e violência.

Este sistema foi projetado para parecer que Israel fornece ajuda e, ao mesmo tempo, agravar o desastre humanitário que está acontecendo em Gaza. E isso é feito com a cooperação dos Estados Unidos. Algo que também me dói ver.

Centro de distribuição de alimentos em Gaza em maio de 2025. Para Bartov, o novo sistema 'foi projetado para parecer que Israel fornece ajuda e, ao mesmo tempo, agravar o desastre humanitário'
Centro de distribuição de alimentos em Gaza em maio de 2025. Para Bartov, o novo sistema 'foi projetado para parecer que Israel fornece ajuda e, ao mesmo tempo, agravar o desastre humanitário'© Getty Images

BBC News Mundo - O NRC, jornal holandês, entrevistou sete especialistas em genocídio de seis países, e todos disseram que Israel comete ações genocidas em Gaza. Você diria que há um consenso crescente entre os especialistas em genocídio neste sentido?

Bartov - Eu diria que sim. Obviamente, há alguns casos isolados, mas com o tempo se criou um consenso, e acho que a maioria dos pesquisadores de genocídio diria que isso é genocídio.

Embora tenha sido criado um consenso entre os pesquisadores de genocídio, os pesquisadores que dedicaram sua carreira a escrever sobre o Holocausto, que no fim das contas foi um genocídio, tem sido muito difícil para eles, com algumas exceções, incluindo eu, dizer abertamente que Gaza é um genocídio.

No momento, existe uma divisão entre pesquisadores de genocídio comparativo e pesquisadores do Holocausto em institutos dedicados a lembrar e documentar o Holocausto, que se negam a condenar o que Israel está fazendo.

Conheço muitas dessas pessoas há muito tempo, e isso para mim é extremamente perturbador.

Se acreditamos no princípio de "nunca mais", depois do Holocausto, é o momento de dizer em relação a Gaza: "Parem o que estão fazendo agora mesmo".

Bartov: 'Se acreditamos no princípio de 'nunca mais', depois do Holocausto, é o momento de dizer em relação a Gaza: "Parem o que estão fazendo agora mesmo'
Bartov: 'Se acreditamos no princípio de 'nunca mais', depois do Holocausto, é o momento de dizer em relação a Gaza: "Parem o que estão fazendo agora mesmo'© Gentileza Omer Bartov

BBC News Mundo - Tendo estudado genocídio e Holocausto por décadas, também como israelense e como ex-soldado das FDI, qual é a sua reflexão final sobre o que está acontecendo em Gaza?

Bartov - O horror que estamos vendo agora em Gaza é devastador e, ao mesmo tempo, previsível. Porque tudo isso é, em última análise, resultado de décadas e décadas de ocupação e opressão. Estamos falando de um território, como dizem, do rio ao mar, com o mesmo número de judeus e palestinos. Sete milhões de judeus, sete milhões de palestinos.

Mas apenas os judeus têm poder. Há dois milhões de palestinos que são cidadãos israelenses, mas que, de fato, têm apenas direitos limitados. Há três milhões de palestinos na Cisjordânia que não têm nenhum direito. E há dois milhões de palestinos em Gaza que enfrentam um genocídio.

E tudo isso é resultado da incapacidade do Estado de Israel de aceitar que deve encontrar uma maneira de conviver com os palestinos nessa terra, da maneira que palestinos e judeus decidirem que funciona para eles. Seja um Estado, dois Estados, tanto faz.

Tem a ver com a incapacidade de Israel aceitar que é impossível continuar com esse tipo de opressão e ocupação. Isso só vai gerar mais violência e mais desespero. Não apenas para os palestinos, é claro, mas também para milhões de israelenses que vivem em um estado de medo e insegurança, e cuja democracia desaparece dia após dia como resultado desta ocupação prolongada.

Também gostaria de mencionar que houve uma tentativa de silenciar as críticas às ações de Israel como antissemitas, e acho isso muito preocupante, porque o que Israel está fazendo agora é o principal fator desencadeador do aumento do antissemitismo em todo o mundo.

E a única maneira de deter isso é mudando essa política, não apenas interrompendo a guerra em Gaza obviamente, mas resolvendo de fato esta situação terrível que gradualmente se tornou o que finalmente foi depois de 7 de outubro.

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Israel ataca Irã: veja o arsenal aéreo de mísseis poderosos e orçamentos bilionários dos dois países

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Operação militar foi registrada na madrugada desta sexta-feira (13), pelo horário local.
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Por Artur Alvarez, Kayan Albertin, Bárbara Miranda, Luisa Rivas, Guilherme Luiz Pinheiro, Wagner Magalhães, Ana Moscatelli, Dhara Assis, Bianca Batista, Juan Silva, g1
12/06/2025 21h20 
Postado em 12 de Junho de 2.025 às 21h45m

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Imagens que circulam nas redes sociais mostram fumaça em Teerã
Imagens que circulam nas redes sociais mostram fumaça em Teerã

Israel atacou o Irã na madrugada desta sexta-feira (13), pelo horário local — noite de quinta-feira (12), no Brasil.

g1 preparou um infográfico que descreve e detalha os principais mísseis e caças que Israel e Irã possuem, além de outros números militares dos dois países, segundo levantamento feito pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglêsem fevereiro de 2024.

O professor de Relações Internacionais e pesquisador Vitelio Brustolin também deu detalhes sobre os arsenais dos dois países. Veja mais abaixo.


Foto: arte/g1



Foto: arte/g1



Foto: Arte g1



Foto: Arte g1

As diferenças entre os arsenais

O professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin disse ao g1 que os arsenais aéreos de Israel e Irã tem algumas diferenças: enquanto Israel possui mais tecnologia, Irã tem uma quantidade maior de equipamentos.

Segundo Brustolin, os caças de Israel são melhores e mais novos que os do Irã. O país governado por Benjamin Netanyahu tem aeronaves de última geração importadas dos Estados Unidos, seu maior aliado. Em contrapartida, o Irã é o segundo país mais sancionado do mundo, atrás apenas da Rússia – que invadiu a Ucrânia em 2022 e está em guerra desde então.

Enquanto Israel tem caças de última geração, como o F-35, a frota do Irã é composta por jatos mais antigos ou obsoletos, de modelos F mais antigos e caças da União Soviética, nos modelos SU-22 e SU-24. A Força Aérea israelense tem 39 caças F-35 e foi o primeiro país do mundo a operar esse modelo, fabricado pelos EUA.

"Israel controla os céus do Oriente Médio desde a Guerra dos Seis Dias [conflito entre Israel e países árabes em 1967]. O país não tem profundidade territorial, então precisa ter uma estratégia em caso de ataque iminente, e a aviação é muito importante para isso", afirmou Brustolin.

Entretanto, o Irã é uma potência militar no Oriente Médio: tem o segundo maior efetivo militar da região, com 610 mil militares na ativa, orçamento militar anual de US$ 44 bilhões (R$ 232,6 bilhões) em 2022, mísseis poderosos – como o Sejil e o Kheibar – e 13 vezes mais veículos de artilharia e lançadores de mísseis que Israel, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).

Veículos de artilharia, lançadores de mísseis, navios e jatos podem carregar e lançar os mísseis de que Israel e Irã dispõem, aumentando o alcance.

Ainda segundo o IISS, Israel tem um orçamento militar anual de US$ 19,4 bilhões (R$ 102,5 bilhõesem 2022 e efetivo de 169,5 mil militares na ativa e 465 mil reservistas. O Irã tem 350 mil reservistas.

Ainda segundo Vitelio Brustolin, "não há nem comparação" entre os sistemas de defesa aéreo de Israel e Irã. As defesas israelenses são mais avançadas, com os sistemas Seta, Domo de Ferro e Viga de Ferro. Já as iranianas são compostas principalmente de sistemas S300, de médio e curto alcance.

Veja abaixo um detalhamento do contingente de caças dos países, segundo levantamento do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).

Israel tem 340 caças, entre eles os seguintes modelos e versões:

  • 196 F-16 (modelos C, D e I);
  • 75 F-15 (modelos A, B, C, D e I);
  • 39 F-35 (modelo I Adir).
O Irã dispõe de 273 caças, entre eles os seguintes modelos e versões:

  • 69 F-5;
  • 55 F-4;
  • 35 Mig-29;
  • 29 SU-24;
  • 18 F-7;
  • 12 Mirage F-1;
  • 10 F-14;
  • 8 SU-22 (da Guarda Revolucionária iraniana);
  • Ao menos 6 RF-4E;
  • Até 6 HESA Azarakhsh;
  • 6 HESA Saegheh;
  • 3 P-3F.

O que o Irã realmente queria com o ataque a Israel? Professores analisam ofensiva

Capacidade nuclear

Segundo Brustolin, o Irã não quer uma guerra aberta contra Israel porque o país governado por Benjamin Netanyahu tem cerca de 90 ogivas nucleares e tem os Estados Unidos como seu principal aliado.

As ogivas nucleares israelenses podem ser carregadas em mísseis modelo Jericho 2. Israel tem cerca de 24 desses mísseis, segundo a IISS. Outros meios de entrega, de acordo com a instituição, das ogivas são alguns caças F-15 e F-16, além de supostamente submarinos da classe Dolphin/Tanin.

Por outro lado, além dos jatos, o Irã produz drones de alta tecnologia, como o Shahed-136, utilizado no ataque a Israel, e o Mohajer 10, lançado em agosto de 2023, e que tem um alcance de 2.000 quilômetros e capacidade para viajar por 24 horas e carregar 300 quilos de explosivos.

Ainda segundo Brustolin, o Irã tem um programa nuclear avançado e pode estar próximo de ter uma bomba nuclear. Em março de 2023, a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU reportou que o país estava enriquecendo Urânio, principal matéria-prima de uma ogiva. Um local bombardeado por Israel em abril foi próximo à base militar de Natanz, em Ishafan, que tem instalações nucleares.

Alvos no Líbano são atingidos por artilharia disparada pelo Exército israelense, vistos de Kiryat Shmona, no norte de Israel, em 1º de outubro de 2024. — Foto: Reuters/Jim Urquhart
Alvos no Líbano são atingidos por artilharia disparada pelo Exército israelense, vistos de Kiryat Shmona, no norte de Israel, em 1º de outubro de 2024. — Foto: Reuters/Jim Urquhart

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'Corpos e destroços espalhados por todo lado', diz morador no local da queda de avião na Índia com mais de 240 pessoas a bordo

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Avião caiu logo nesta quinta (12) segundos após a decolagem em Ahmedabad, no oeste da Índia. 'Aparentemente' não há sobreviventes, afirmou a polícia à agência de notícias AP. Voo operado pela Air India tinha como destino o aeroporto de Gatwick, em Londres.
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Por Redação g1

Postado em 12 de Junho de 2.025 às 09h25m

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Socorristas retiram corpos de local da queda de avião na Índia
Socorristas retiram corpos de local da queda de avião na Índia

Um morador afirmou ter se deparado com uma cena de caos e destruição, com "corpos e destroços estavam por todo lado", no local da queda do voo da Air India que tinha 242 pessoas a bordo. O avião caiu nesta quinta-feira (12) segundos após decolar.

Eu estava em casa quando ouvimos um estrondo enorme. Quando saímos para ver o que tinha acontecido, havia uma nuvem de fumaça espessa no ar. Quando chegamos aqui, corpos e destroços da aeronave estavam espalhados por toda parte, afirmou o morador à agência de notícias indiana PTI, a maior do país.

O morador disse ainda à PTI que presenciou a queda do avião, e que o local da queda tem muita destruição, fumaça e destroços da aeronave. O incidente ocorreu próximo ao aeroporto da cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia, no início da tarde no horário local (manhã no horário de Brasília).

A aeronave, um Boeing 787-8 Dreamliner, caiu em uma área residencial segundos após a decolagem, em uma região próxima ao aeroporto, segundo a autoridade indiana de aviação. O número de mortos ou feridos não foi divulgado de forma oficial até a última atualização desta reportagem. A mídia indiana fala em ao menos 133 mortos.

O voo era operado pela Air India e tinha como destino o aeroporto de Gatwick, em Londres, no Reino Unido. Autoridades indianas afirmaram que havia um total de 242 pessoas a bordo, sendo 232 passageiros e 10 membros da tripulação. Mais de 50 britânicos estavam a bordo.

Um porta-voz da polícia afirmou que a aeronave caiu sobre um alojamento de médicos. "Muitas pessoas" morreram, afirmou o ministro da Saúde indiano, sem estimar o número de vítimas.

Mais de 100 corpos foram levados a um hospital em Ahmadabad, afirmou a polícia local à agência de notícias Reuters. As equipes de resgate informaram que pelo menos 30 corpos foram retirados de um prédio no local da queda do avião. Os socorristas não detalharam, no entanto, se os corpos são de passageiros ou de pessoas que estavam no prédio atingido pela aeronave. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, chamou o acidente de "tragédia".

Veja o momento em que avião com mais de 240 pessoas a bordo cai na Índia
Veja o momento em que avião com mais de 240 pessoas a bordo cai na Índia

Entre os passageiros, havia 169 indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadense, segundo a Air India e a agência de notícias Reuters. Um ex-ministro indiano da região de Gujarat estava na aeronave, segundo o jornal "India Today".

Ainda não se sabe a causa da queda. Segundo o controle de tráfego aéreo do aeroporto de Ahmedabad, a aeronave emitiu um chamado de emergência Mayday, mas, em seguida, perdeu o sinal com a torre de comando.

Equipes de resgate foram acionadas e estão no local da queda. Todas as operações no aeroporto de Ahmedabad foram suspensas. A Air India informou que feridos estão sendo levados para hospitais na região e que está cooperando com as autoridades que investigam a queda.

O premiê Narendra Modi, lamentou o acidente. "A tragédia em Ahmedabad nos deixou atônitos e entristecidos. É algo de partir o coração, além das palavras", afirmou em publicação no X.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, descreveu as imagens do acidente como "devastadoras" e que está sendo mantido informado sobre a evolução dos esforços de resgate.

Cauda de avião da Air India que caiu em Ahmedabad, na Índia, encravada em prédio em 12 de junho de 2025. — Foto: CENTRAL INDUSTRIAL SECURITY FORCE/Handout via AFP
Cauda de avião da Air India que caiu em Ahmedabad, na Índia, encravada em prédio em 12 de junho de 2025. — Foto: CENTRAL INDUSTRIAL SECURITY FORCE/Handout via AFP

O Rei Charles III também está sendo atualizado sobre os resgates. O ministro das Relações Exteriores britânico disse estar "profundamente triste" com o acidente.

Segundo a plataforma de monitoramento FlightRadar24, o avião perdeu a comunicação logo após decolar, a uma altura de cerca de 190 metros em relação ao solo.

Imagens circulando nas redes sociais mostraram destroços em chamas e uma densa fumaça preta subindo aos céus nas proximidades do aeroporto. Uma delas mostrou o avião sobrevoando uma área residencial e desaparecendo da tela antes de uma imensa nuvem de fogo subir ao céu, vinda de além das casas.


Avião cai perto do aeroporto de Ahmedabad, no oeste da Índia, no dia 12 de junho de 2025. — Foto: REUTERS/Amit Dave
Avião cai perto do aeroporto de Ahmedabad, no oeste da Índia, no dia 12 de junho de 2025. — Foto: REUTERS/Amit Dave

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