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sexta-feira, 18 de abril de 2025

A Verdade Sombria por Trás das Tarifas de Trump

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História de Realidade Militar - há 08 horas
3 minutos de leitura
Postado em 18 de Abril de 2.025 às 15h00m

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Nos últimos anos, a política tarifária do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à China despertou diversas reações e opiniões ao redor do mundo. Muitos criticaram o aumento massivo nas tarifas sobre produtos chineses, que chegaram a 145%, classificando a medida como um ato impulsivo. No entanto, essa estratégia pode ter uma justificativa mais profunda do que uma simples retaliação econômica. Desvendar essa complexa trama requer uma análise cuidadosa das circunstâncias e das estratégias comerciais adotadas pela China ao longo dos anos.

Confira nossa análise em vídeo:

Em 2001, a China ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC), prometendo abrir seu vasto mercado interno e adotar práticas comerciais justas. Entretanto, essa promessa 

logo se revelou vazia. Em vez de permitir uma concorrência leal, o governo chinês começou a implementar subsídios disfarçados para suas empresas, visando dominar mercados internacionais. Esta estratégia agressiva transformou rapidamente a China na "fábrica do mundo", aproveitando-se de uma mão de obra extremamente barata e uma escala de produção massiva impulsionada pelo Partido Comunista Chinês.

A consequência dessas práticas foi a inundação dos mercados globais com produtos chineses a preços extremamente baixos. Enquanto consumidores apreciavam os valores acessíveis, o impacto sobre as economias locais era devastador. Nos Estados Unidos, entre 1999 e 2011, mais de 2 milhões de empregos industriais desapareceram. No Brasil, a indústria têxtil sofreu um golpe similar, como aconteceu em diversos outros países.

Avançando para tempos mais recentes, quando Donald Trump tomou a decisão controversa de impor tarifas significativas sobre as importações chinesas, a resposta global foi rápida e repleta de críticas. Apesar disso, muitos países passaram a negociar tarifas mais equilibradas com o governo americano. Em contraste, a China manteve-se firme em seu modelo de negócios, que não correspondia ao jogo econômico internacional padrão. Na verdade, se delineava um cenário onde a China havia criado suas próprias regras, aparentemente impenetráveis.

A crise imobiliária que atingiu a China em 2020 só intensificou a dependência do país nas exportações. Com um mercado interno incapaz de sustentar o crescimento econômico, a ordem era clara: aumentar ainda mais as exportações. Desta forma, o governo chinês investiu pesadamente em infraestrutura e incentivos, resultando em overcapacity – ou seja, produção em excesso em relação à demanda mundial.

Essa estratégia de superprodução incluiu eletrônicos, painéis solares, automóveis e muito mais, todos subsidiados pelo governo. Produtos chineses invadiram prateleiras globais, muitas vezes a preços subsidiados, tornando-se irresistíveis para consumidores de todo o mundo. Um exemplo notável do artifício utilizado pela China para driblar restrições tarifárias é o chamado "Honey Laundering", ou lavagem de mel. Quando os Estados Unidos impuseram tarifas sobre o mel chinês, o país asiático operava um esquema de transbordo, utilizando países como Vietnã e Índia para reembalar e reexportar o produto, aproveitando tarifas menores.

Além disso, a China explorou a provisão de minimis dos Estados Unidos, que permite a entrada de produtos abaixo de 800 dólares sem tarifas, enviando contêineres para países vizinhos e distribuindo-os em pacotes menores antes de cruzarem a fronteira americana. Este método foi amplamente utilizado por empresas como Temu e Shein e ilustra a engenhosidade chinesa para contornar barreiras legais.

As tarifas impostas por Trump resultaram em um efeito destrutivo em várias empresas chinesas, especialmente aquelas em Guangzou e Nanjing, que enfrentavam a paralisia de suas operações. A tentativa de redirecionar a produção para outros mercados internacionais provou ser um desafio árduo, pois substituir um mercado como o dos Estados Unidos, que consome mais de 400 bilhões de dólares em produtos chineses anualmente, não é uma tarefa fácil.

Diante deste cenário, várias nações começaram a tomar medidas para proteger suas indústrias nacionais. A Comissão Europeia, Japão, Índia e até mesmo o Brasil estão adotando estratégias para enfrentar a penetração econômica chinesa. Pela primeira vez em décadas, o mundo parece estar respondendo coletivamente, não com palavras, mas com ações concretas, redesenhando a economia global para mitigar a influência de quem jogou sujo durante tanto tempo.

Portanto, ao analisarmos as decisões de Trump sob essa ótica, percebe-se que podem ter sido menos impetuosas do que aparentam. Na verdade, esses movimentos podem revelar-se uma tentativa de preservar a sobrevivência econômica ocidental em face da dominação comercial mundial. A guerra comercial sino-americana é, acima de tudo, uma batalha pela redefinição das regras de comércio no século XXI, e suas repercussões continuarão a moldara economia global nos próximos anos.

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quinta-feira, 17 de abril de 2025

Dólar opera em queda e bate R$ 5,80, com mercado de olho em Trump e Powell; Ibovespa sobe

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No dia anterior, a moeda norte-americana recuou 0,44%, cotada a R$ 5,8645. Já o principal índice acionário da bolsa de valores brasileira encerrou em queda de 0,72%, aos 128.317 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 17 de Abril de 2.025 às 11h00m

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Notas de dólar. — Foto: Dado Ruvic/ Reuters
Notas de dólar. — Foto: Dado Ruvic/ Reuters

O dólar opera em queda nesta quinta-feira (17), tendo atingido a mínima de R$ 5,80, conforme os investidores repercutem as mais recentes falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, e a reação negativa do presidente dos Estados UnidosDonald Trump.

As negociações dos Estados Unidos com os demais países do mundo, em meio ao tarifaço de Trump, também seguiam no radar.

Na quarta (16), Powell, afirmou que as tarifas impostas por Trump atingiram um nível maior do que o esperado, indicando que a guerra tarifária pode complicar a capacidade da instituição de controlar a inflação.

Embora agentes do mercado financeiro acreditem que o Fed possa cortar os juros ainda neste ano, a política tarifária de Trump gera incertezas. Isso porque o aumento das tarifas tende a pressionar os preços e a aumentar a inflação — potencialmente forçando o BC norte-americano a subir os juros do país novamente.

Juros maiores nos EUA podem encarecer o dólar, porque aumentam a rentabilidade dos títulos públicos do país, ainda considerados o investimento mais seguro do mundo.

"O Fed está esperando para ver como as coisas vão se desenrolar antes de tomar qualquer tipo de medida em relação às taxas [de juros]", declarou o chefe do Federal Reserve nesta quarta.

O mercado também segue repercutindo os novos desdobramentos do tarifaço de Trump, com o presidente sinalizando que tem avançado nas negociações com parceiros comerciais de diferentes países.

Na véspera, autoridades dos EUA e do Japão iniciaram uma negociação comercial entre os países, à medida que Tóquio busca reduzir ou eliminar a tarifa "recíproca" imposta por Trump.

Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, operava em alta.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

💲Dólar

Perto das 15h30, o dólar caía 0,99%, cotado a R$ 5,8063. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,8013. Veja mais cotações.

No dia anterior, a moeda americana teve queda de 0,44%, cotada a R$ 5,8645.

Com o resultado, acumulou:

  • recuo de 0,12% na semana;
  • ganho de 2,78% no mês; e
  • perda de 5,10% no ano.

📈Ibovespa

No mesmo horário, o Ibovespa subia 1,25%, aos 129.926 pontos.

Na véspera, o índice teve baixa de 0,72%, aos 128.317 pontos.

Com o resultado, o Ibovespa acumulou:

  • alta de 0,50% na semana;
  • recuo de 1,49% no mês; e
  • ganho de 6,68% no ano.

O que está mexendo com os mercados?

Além de chamar Powell de "atrasado e errado", Trump ainda reclamou do tempo que falta para que o mandato do banqueiro central a frente do Fed seja concluído, dizendo que esse momento "não chega rápido o suficiente". Os mandatos de presidente e vice do Fed têm duração de quatro anos. Powell deve deixar o cargo somente daqui a um ano, em maio de 2026.

As taxas de juros nos EUA estão, atualmente, entre 4,25% e 4,50% ao ano — um patamar alto para os padrões de juros do país — e Trump já criticou essa política monetária em diversas ocasiões, desejando o corte dos juros.

  • 🔎 Isso porque juros altos são uma ferramenta para controlar a inflação, já que encarecem a tomada de crédito pela população e pelas empresas e, assim, impacta os níveis de consumo e investimentos da economia, reduzindo a pressão sobre os preços.
  • ⚠️ No entanto, com menor consumo, a atividade econômica tende a desacelerar, afetando o crescimento da economia do país.

Na quarta-feira, Powell afirmou que as tarifas impostas por Trump atingiram um nível maior do que o esperado, reiterando que a guerra tarifária pode complicar a capacidade da instituição de controlar a inflação e maximizar o mercado de trabalho.

Powell também indicou que, diante das incertezas com o tarifaço de Trump, o Fed poderá manter a taxa básica de juros do país estável na próxima reunião (nos dias 6 e 7 de maio), enquanto aguarda "maior clareza antes de considerar quaisquer ajustes".

"O Fed está esperando para ver como as coisas vão se desenrolar antes de tomar qualquer tipo de medida em relação às taxas [de juros]", declarou o chefe do Federal Reserve nesta quarta.

Na segunda-feira, o diretor do Fed Christopher Waller já havia falado sobre o assunto, afirmando que a política tarifária de Trump é "um dos maiores choques a afetar a economia dos EUA em muitas décadas".

Todo esse cenário tende a afetar a dinâmica do comércio global. A questão para a economia global é que o aumento de tarifas traz as seguintes consequências:

  • ➡️ As tensões crescentes entre os países, principalmente China e EUA, elevam as incertezas globais com o futuro da economia.
  • ➡️ Mais tarifas tornam os produtos que chegam aos países mais caros, o que contribui para um aumento da inflação.
  • ➡️ Com os preços altos, o mercado teme que aconteça uma redução nos níveis de consumo da população, além de uma queda no comércio internacional.
  • ➡️ Esse cenário nas maiores economias do mundo eleva os temores por um período de recessão global.

Neste contexto do tarifaço, o governo americano segue negociando com diversos países para conseguir melhores condições comerciais e reduzir as tarifas.

Nesta quinta, Trump publicou na sua plataforma na rede Truth Social que teve uma "ligação produtivacom a presidente do México na quarta e que também teve um encontro com representantes comerciais "do mais alto nível" do Japão.

"Todas as nações, incluindo a China, querem se reunir. Hoje, (é a vez da) Itália!", publicou Trump.
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Com tarifaço, Brasil pode ser grande destino de produtos chineses, mas precisará de preparo

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Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que chineses já queriam novos mercados antes das tarifas de Donald Trump. Indústria nacional precisa de investimentos pois ainda não consegue competir em termos de tecnologia e produtividade.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 17 de Abril de 2.025 ás 06h00m

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China e EUA — Foto: Associated Press
China e EUA — Foto: Associated Press

A guerra tarifária entre China e Estados Unidos movimentou intensamente os mercados financeiros nas últimas semanas, mas os efeitos não se limitam aos investimentos. O comércio mundial também deve ser afetado.

As altas tarifas impostas pelos EUA sobre a China "apenas aceleram um processo que já estava em andamento: a busca por novos mercados", explica Vitor Moura, fundador da Lantau Business Answers, consultoria brasileira especializada em intermediação de negócios entre Brasil e China, e especialista da rede Observa China.

Com alta capacidade de produção e preços competitivos, os produtos chineses prometem "inundar" mercados como o Brasil.

Além de ser um tradicional parceiro comercial, os chineses olham para o Brasil com atenção devido às suas dimensões continentais e à grande demanda de uma população de mais de 200 milhões de pessoas.

Mas, para que a questão não se torne um problema para o Brasil, será necessário se preparar e adotar medidas que estimulem a inovação, segundo Jesse Guimarães, vice-presidente da Associação de Empresas Brasileiras na China para Indústria, Comércio e Tecnologia (Bracham).

Entenda abaixo quais as perspectivas a relação Brasil-China em meio ao tarifaço de Trump.

Economia da China cresce mais que o esperado, apesar de tarifas do Trump

Brasil pode receber mais produtos vindos da China

Vitor Moura, que vive na China há 10 anos e atua na intermediação de negócios entre o Brasil e o país asiático, explica que os empresários chineses demonstravam um desejo crescente de expandir seus negócios para outros países antes das novas tarifas de Trump.

"A economia doméstica da China ainda está em processo de recuperação pós-Covid. Havia uma aposta no consumo interno como força da economia, o que eles chamam de 'estratégia de circulação dupla'", explica Moura.

"Isso ainda está funcionando mais devagar do que o esperado. Por isso, os empresários passaram a olhar mais para fora."

Uma reportagem do g1 mostrou que o consumo total dos lares representa menos de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) da China. As tarifas impostas por Trump podem tornar esse cenário ainda mais desafiador, já que as exportações respondem por boa parte dos empregos na China e, se elas recuam, a renda da população também pode ser afetada.

Assim, o cenário externo se torna cada vez mais importante para o crescimento chinês, e as estratégias de diversificação são levadas em consideração. "O Brasil acaba chamando atenção pelo tamanho", comenta Moura.

O especialista destaca um novo fator nas relações entre os dois países: embora os brasileiros já tenham uma relação consolidada com a China, "o acesso ao comércio no Brasil era mais restrito às grandes empresas, com mais capital para bancar um movimento desse porte".

"Agora, eu estou observando um movimento muito forte de empresas de médio porte buscando alternativas para entrar no mercado brasileiro".

A chegada dessas empresas, que antes não olhavam com tanta atenção para outros mercados além dos EUA, pode ser o principal fator responsável pelo aumento da presença de produtos chineses no Brasil.

Moura explica que o objetivo das companhias de médio porte é trazer produtos finais para o Brasil — itens bem acabados e com maior valor agregado. As companhias que devem se destacar no curto prazo são aquelas com alto grau de tecnologia, algo que não há em larga escala no país.

"Um exemplo de uma reunião que tive hoje mesmo: uma empresa de motos elétricas (scooters) que quer entrar no Brasil. Tudo relacionado a novas tecnologias está despertando interesse. Setores como energia renovável, veículos elétricos, inteligência artificial estão em destaque", diz Moura.

China proíbe entrega de jatos da Boeing em reação ao tarifaço de Trump

Empresários brasileiros precisam se adaptar

Um obstáculo aos planos chineses é a apreensão dos empresários brasileiros. Moura comenta que o ponto central da questão é o modo de produção chinês: investimento pesado em formas de reduzir os custos de fabricação para vender seus produtos a preços baixos.

Essa "estratégia agressiva" impacta o modelo brasileiro, que ainda não consegue competir em termos de tecnologia e produtividade com os chineses.

"Acho que o Brasil deveria usar isso como uma oportunidade de adaptação e desenvolvimento. Não dá para competir com a China lá em cima. O momento é de buscar parcerias locais e adaptar as tecnologias para a nossa realidade", diz Moura.

O vice-presidente da Bracham, Jesse Guimarães, compartilha o mesmo ponto de vista e destaca que essa é apenas "a ponta do iceberg".

"A China tem uma política pública clara de internacionalização de suas empresas. Antes, eles esperavam os compradores virem às feiras. Hoje, o governo chinês dá incentivos para que as empresas viajem e conquistem mercados no mundo inteiro", pontua.

Guimarães afirma que o governo brasileiro precisa adotar medidas que, mesmo permitindo a produção de empresas estrangeiras no país, garantam que as tecnologias desenvolvidas lá fora também sejam entregues ao Brasil.

O executivo relembra que empresas estrangeiras que operam ou já operaram no Brasil, como as americanas, produzem suas riquezas aqui, mas, além de arcar com salários e outros custos para trabalhar no país, levam todo o lucro para fora.

Para Guimarães, a forma de evitar isso é incluir cláusulas de transferência de tecnologia nos contratos de operação dessas empresas, obrigando-as a deixar pelo menos parte de seu conhecimento em solo brasileiro.

Isso evitaria que o crescimento da presença da China no Brasil esmagasse empresas nacionais e não gerasse nenhum tipo de avanço e riqueza para o país. "O Brasil não pode repetir o erro de aceitar qualquer investimento estrangeiro sem exigir contrapartidas", diz o especialista.

Além disso, Guimarães ressalta que o Brasil precisa buscar outras parcerias comerciais com países neutros — como a Índia — e com países estratégicos para determinados negócios — como o Egito, que oferece boas tecnologias para a produção de fertilizantes, produto importante para um país tão dependente do agronegócio como o Brasil.

Sem essas parcerias, o país pode sofrer com os efeitos colaterais do tarifaço. O aumento das tarifas entre os países deve encarecer os preços de insumos e produtos no mundo todo, gerando e espalhando inflação.

A melhor forma de evitar uma inflação elevada, segundo Guimarães, é com parcerias estratégicas e a autonomia de produção de produtos importantes para o país dentro do próprio Brasil.

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quarta-feira, 16 de abril de 2025

PIB da China cresce 5,4% no 1º trimestre, mas guerra comercial com os EUA preocupa

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Cenário supera as expectativas, já que analistas esperavam que a economia do primeiro trimestre crescesse 5,1% em relação ao ano anterior.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 16 de Abril de 2.025 às 05h50m

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Vendas do varejo na China — Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters
Vendas do varejo na China — Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters

A economia da China cresceu 5,4% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, mostraram dados divulgados nesta quarta-feira (16), superando as estimativas.

No entanto, a guerra comercial com os Estados Unidos lançou uma sombra sobre as perspectivas e aumentou a pressão sobre Pequim para implementar mais estímulos.

Analistas consultados pela Reuters esperavam que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre crescesse 5,1% em relação ao ano anterior, uma desaceleração em relação aos 5,4% dos três meses anteriores.

O presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou as tarifas sobre produtos chineses, levando Pequim a impor tarifas retaliatórias sobre importações dos EUA, em uma guerra comercial intensificada entre as duas maiores economias do mundo — o que tem gerado temores de uma recessão global.

"A economia chinesa ganhou algum impulso em março devido ao apoio fiscal, o que ajudou os números do PIB a superarem as expectativas. Mas isso não foi suficiente para gerar um crescimento mais rápido no trimestre como um todo. Com as exportações prestes a enfraquecer, o crescimento ainda deve desacelerar este ano", disse Zichun Huang, economista do Capital Ecoomics.

  • Produção industrial em março: +7,7% a/a (previsão: +5,8%)
  • Vendas no varejo em março: +5,9% a/a (previsão: +4,2%)
  • Investimento em ativos fixos em março: +4,2% a/a (previsão: +4,1%)
  • Investimento no setor imobiliário (jan-mar): -9,9% a/a
Reação do mercado

Os investidores mostraram pouca reação aos dados do PIB da China, com os índices permanecendo próximos dos níveis anteriores ao anúncio. O índice CSI300 (blue-chip) caiu 0,8%, enquanto o Índice Composto de Xangai recuou 0,6%.

Guerra tarifária

China proíbe entrega de jatos da Boing em reação ao tarifaço de Trump

A guerra tarifária se intensificou no dia 2 de abril, quando Trump detalhou as chamadas tarifas recíprocas, de 10% a 50%, sobre mais de 180 países. A partir de então, o principal foco ficou na guerra comercial entre EUA e China.

Como resposta ao "tarifaço", os chineses retaliaram os norte-americanos com taxas extras de 34% (da mesma magnitude) sobre os produtos importados do país. A partir de então, houve uma escalada nas alíquotas.

A falta de um acordo fez os EUA chegaram a uma taxa de 145% sobre produtos importados da China. Os asiáticos responderam com taxas de 125% sobre itens americanos, além de outras medidas, como a ordem para que companhias aéreas não recebam mais jatos da empresa americana Boeing.

Na última sexta-feira (11), governo Trump também isentou smartphones, laptops e outros eletrônicos do leque das tarifas recíprocas, conforme divulgação da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

Com a decisão, esses produtos ficam de fora das tarifas de 145% impostas à China, principal polo de produção de eletrônicos como o iPhone, e da alíquota de 10% aplicada à maioria dos outros países.

No último domingo, Trump disse que a cadeia de eletrônicos não está sendo liberada de seu tarifaço, e destacou que o governo está analisando sua mudança apenas para uma nova categoria de tarifas.

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