Total de visualizações de página

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Ford F-150: veja o que há de novo na picape de meio milhão de reais e motor de Mustang

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Utilitário que custa o valor de um apartamento e tem motor V8 é o mais vendido dos Estados Unidos e quer mostrar ao consumidor brasileiro que, apesar dos quase 6 metros de comprimento, pode ser um bom carro para o dia a dia.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Vinicius Montoia, g1

Postado em 27 de agosto de 2024 às 16h00m

#.* Post. - Nº.\  11.319 *.#

Ford F-150 2024 passa a ter somente uma versão e parte de R$ 519.990 — Foto: Divulgação | Ford
Ford F-150 2024 passa a ter somente uma versão e parte de R$ 519.990 — Foto: Divulgação | Ford

A Ford apresentou nesta segunda-feira (26) a nova geração da sua picape topo de gama no Brasil, a F-150. Em sua 14ª geração, as mudanças são poucas, mas servem para que o modelo daqui fique alinhado às tendências internacionais e acompanhar o mercado norte-americano.

Por lá, a picape é vendida em sete versões e é uma absoluta líder de vendas. No segmento de picapes, ela puxa o ranking há 47 anos. E a F-150 é o veículo mais vendido dos Estados Unidos há 42 anos.

A título de comparação, o veículo mais vendido do Brasil é a Honda CG, há 48 anos.


Ford F-150 2024: cinco coisas mais legais da picape

A F-150 será vendida em apenas uma versão, mas com duas opções de acabamento. A F-150 de 2023 era vendida na versão Lariat (R$ 479.990) e na mais equipada Platinum (R$ 519.990). Agora, a versão topo de linha Titainum sai de linha e ficará apenas a Lariat pelos mesmos R$ 519.990.

Mas é importante ressaltar que todos os equipamentos (que vamos citar adiante) migraram da Platinum 2023 para a Lariat 2024.

A gama da Ford tem ainda outras picapes, como Ranger, Ranger Raptor e Maverick.



— Foto 1: Ford F-150 de 2023, na versão Platinum (à esquerda), e o modelo 2024 na versão Lariat tradicional, hostentando seus cromados na dianteira (à direita) — Foto 2: Divulgação | Ford

F-150 Lariat e Lariat Black

Apesar de terem o mesmo preço, o acabamento externo é bem diferente da Lariat tradicioal para a Lariat Black. Como o próprio nome sugera, a segunda opção tem acabamento em preto brilhante de rodas, grade, e até o logo da Ford é preto (ao invés do tradicional oval azul). Na picape escurecida, as maçanetas e os para-choques são na cor do veículo.

Em compensação, na Lariat, todos os itens citados acima são cromados. Na traseira, o grande diferencial da Lariat Black e deixar à mostra as duas saídas de escape, que dão uma pitada mais esportiva para a picape.


— Foto 1: Apesar de discretas, a traseira também recebeu mudanças do modelo 2023 (à esquerda) para o de 2024 (à direita) — Foto 2: Divulgação | Ford

No geral, da geração anterior para a atual, as mudanças se concentram no formato dos faróis, que agora carregam uma assinatura de LED num formato mais claro do "F" de Ford. A grade ganhou contornos mais robustos e menos trapezoidais, adotando um estilo mais sóbrio.

O para-choque passa a ter um formato reto, substituindo o que anteriormente avançava sobre a grade.


— Foto 1: Saída simples na Lariat, enquanto a Lariat Black possui dois escapamentos — Foto 2: Divulgação | Ford

Já na cabine, pouca mudança da F-150 de 2023 para 2024. Tanto a central multimídia quanto o painel de instrumentos são telas de 12 polegadas, com conectividade para Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

No painel, dá para acessar diversas informações do carro, do computador de bordo e escolher um dos sete modos de condução da picape. Esses modos mexem nas calibrações e comportamentos de suspensão, motor, transmissão e tração para se adequarem a cada terreno.

Entre as funções, estão: normal, eco, esportivo, escorregadio, lama/terra, rocha e função "rebocar trailer".


— Foto 1: Divulgação | Ford — Foto 2: Divulgação | Ford

No habitáculo, espaço de sobra para cinco ocupantes. Mas não seria para menos: com 5,88 metros de comprimento, 3,69 m de distância entre os eixos, 2,08 m de largura e 1,96 m de altura, além de ter um bom volume na caçamba (1.495 litros), a F-150 também deveria oferecer um espaço generoso para os viajantes.

Para deixar o dia a dia do dono de uma picape de meio milhão de reais mais fácil, a Ford trouxe uma solução já apresentada aqui pela Fiat Toro. A abertura da caçamba possui duas formas: a tradicional, de abrir e abaixar a tampa até o limite. E a segunda, lateralmente.

A capacidade de carga da picape não é tão impressionante: são apenas 834 kg. Sua irmã menor, a Ford Ranger, consegue arrastar até 1.023 kg de bagagem na caçamba, mesmo com motor 3.0 V6. Mas há distinção que precisa ser ressaltada: o motor da Ranger é movido a diesel, enquanto o da F-150 bebe apenas gasolina.

E na caçamba da picape é possível encontrar diversas soluções. Além de iluminação suficiente para clarear todo o espaço (e um pouco mais), há ainda uma tomada de 110V. É um equipamento que facilita bastante a vida de quem tem que trabalhar em locais onde a energia elétrica não chega.

Ford F-150 2024 tem sensor de carga e indicação aparece na lanterna — Foto: Divulgação | Ford
Ford F-150 2024 tem sensor de carga e indicação aparece na lanterna — Foto: Divulgação | Ford

Como dito, a picape tem um limite de carga na caçamba. Mas nem sempre é fácil calcular esse peso. No vídeo acima, mostramos como ele funciona: basta ligar o carro e, na central multimídia, selecionar a opção para mostrar o peso no indicador da lanterna.

Essa indicação é feita por meio de quatro lâmpadas de LED que acendem conforme o peso aumenta. Mas essa informação também está disponível na central multimídia — inclusive de forma mais didática. O único revés é ter de deixar o motor ligado para a "balança" funcionar, com um V8 bebendo gasolina e que pode deixar a viagem mais cara.

V8 do Mustang

Sim, a Ford F-150 carrega o mesmo coração de um dos esportivos mais desejados do mundo, o Ford Mustang GT. O propulsor dos dois carros é o 5.0 V8 Coyote.

Contudo, a calibração os distingue. Enquanto o cupê é empurrado por 488 cv de potência e 57,5 kgfm de torque, a picape dispõe de 405 cv e 56,7 kgfm. De qualquer forma, isso já rende o título de picape mais potente do Brasil.

Motor Coyote 5.0 V8 disponibiliza 405 cv de potência e 56 kgfm de torque — Foto: Divulgação | Ford
Motor Coyote 5.0 V8 disponibiliza 405 cv de potência e 56 kgfm de torque — Foto: Divulgação | Ford

Atrelado ao motor está um câmbio automático de 10 velocidades, que também equipa o Mustang GT e o seu principal concorrente, o Chevrolet Camaro. A parceria entre a Ford e a GM fez com que a Chevrolet também optasse por essa transmissão para o seu esportivo.

Pensando no consumidor que vive longe dos centros urbanos e na falta de comodidade que é ter que parar no posto de combustível para abastecer, o tanque de combustível da F-150 é o maior do seu segmento. São 136 litros de capacidade.

Considerando que o consumo da cidade é de 6,3 km/l e o rodoviário tem médias oficiais de 8,6 km/l, a autonomia da picape pode chegar a 1.169 km.

Equipamentos

Além dos equipamentos necessários e obrigatórios por lei, como airbags e freios com ABS, a Ford F-150 é equipada com tudo que um carro de meio milhão de reais deve ter:

  • Piloto automático adaptativo;
  • Frenagem automática de emergência;
  • Aviso de colisão frontal;
  • Sistema de leitura de faixa e placa;
  • Ar-condicionado de três zonas;
  • Bancos dianteiros com ajuste elétrico;
  • Teto-solar;
  • Central multimídia;
  • 14 alto-falantes e muitos mais.

Porém, o que acha mais atenção é o que a diferencia das demais, como a iluminação 360º. Esse sistema acende todas as luzes externas do carro e da caçamba, iluminando toda área ao redor. Isso é bastante útil para quem gosta de acampar.

O ajuste eletrônico dos pedais, para frente ou para trás, é outra facilidade que ajuda a encontrar a melhor posição para dirigir. E vale registrar a mesinha (superfície de apoio) que fica acoplada ao console central, um bom auxílio para encaixar um notebook para trabalhar dentro da picape.

Mesinha do console central da Ford F-150 — Foto: Divulgação | Ford
Mesinha do console central da Ford F-150 — Foto: Divulgação | Ford

Lembrando que essas são soluções práticas de um carro popular... lá nos Estados Unidos. A Ford vendeu 1.200 unidades da F-150 lançada em março do ano passado, e as expectativas para o próximo ano giram em torno desta marca.

A pré-venda da picape começa nesta segunda-feira (26) e as primeiras unidades chegam aos consumidores no final de outubro, informou a montadora. A picape passa a ter cinco anos de garantia (antes eram somente três) e está disponível em seis cores: vermelho, dois tons de cinza, preto, branco e azul.

Foco no desempenho

No início de agosto, a divisão de Performance da Ford, com foco em alto desempenho e competição, chegou ao Brasil. E o primeiro modelo desenvolvido pela Ford Performance a ser ofertado no mercado nacional é a Ranger Raptor.

A picape é simplesmente o modelo mais rápido do mercado nessa categoria, com aceleração de 0 a 100 km/h feita em apenas 5,8 segundos. Para se ter noção, um esportivo da Porsche, o 718 Cayman, cumpre a prova citada em 4,9 segundos.

Ela só consegue esse feito por ser carregada por um motor 3.0 V6 biturbo movido a diesel que entrega 397 cv de potência e 59 kgfm de torque. A intenção da marca é ampliar o portfólio oferecido no Brasil, que conta com carros à combustão, híbridos, elétricos e, agora, especialmente preparados para entregar mais desempenho.

Um veículo dessa divisão que pudemos ver de perto, mas que só é vendido na Argentina, Chile, Colômbia e Peru, é a F-150 Ford Performance. A unidade estava no Festival Interlagos e você pode conferir mais detalhes dela no vídeo abaixo:

Ford apresenta a F-150 Performance, divisão esportiva da marca

A Ford F-150 da divisão esportiva disponibiliza 700 cv de potência e 95 kgfm de torque, o que é praticamente o dobro da versão mais comedida, que tem apenas 405 cv de potência e 56,7 kgfm de torque.

Apesar de carregarem o mesmo motor 5.0 V8, a F-150 "preparada" tem todo sistema de turbinas e injeção recalibrados para extrair o máximo dos oito cilindros.

Problemas com elétricos

Apesar das novidades para o Brasil e América do Sul, a Ford dos Estados Unidos anunciou, na quarta-feira (21), que está mudando seus planos de investimento para produção de veículos totalmente elétricos e que vai priorizar o desenvolvimento de híbridos.

O anúncio evidencia o momento de dificuldade das fabricantes norte-americanas em aumentar as vendas de elétricos, tecnologia que foi apontada como a grande solução para os problemas climáticos causados pelos gases emitidos pelos automóveis a combustão.

Outros fatores que aprofundam os desafios dos carros elétricos de montadoras tradicionais são a competitividade e escala das fabricantes chinesas, além da logística da cadeia de suprimentos para produzir baterias e outros componentes.

De acordo com o comunicado, a Ford está tirando da estratégia um SUV de sete lugares com propulsão puramente a eletricidade, e a sua despesa anual com o desenvolvimento desse tipo de propulsão vai reduzir de 40% para 30% do montante reservado para investimentos. Outros modelos também deixarão de ser produzidos.

Mas essas mudanças de estratégia não são simples e também exigem dinheiro extra para concretizar. Será necessário gastar mais US$ 1,9 bilhão para redesenhar os carros que, anteriormente, haviam sido pensados para a propulsão elétrica.

Segundo executivos da marca, essa alteração também se deve às preferências dos consumidores, que ainda apontam preocupação com a falta de infraestrutura e carros elétricos com preços mais acessíveis.

Aqui no Brasil, a empresa segue a mesma linha. De acordo com gerente de marketing da Ford América do Sul, Dennis Rossini, "países que possuem distâncias muito grandes tendem a apresentar maior preocupação com relação ao alcance dos carros elétricos".

O executivo afirmou que, apesar dos receios, a rede de recarga de carro elétrico nos Estados Unidos é muito maior que a brasileira, e que lá esse assunto já é mais maduro.

"O grande drama da eletrificação é a preocupação com a autonomia. Até que isso mude para atender uma massa maior de consumidores, o veículo híbrido será a melhor solução porque ele tem a vantagem do baixo consumo e o consumidor fica livre para abastercer em qualquer local", disse.

 ------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++----

'Previsão do futuro': por que o Pacífico mais quente é um alerta para o mundo sobre o risco do avanço dos oceanos

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Relatório mostra que mar avançou 15 centímetros em 30 anos no Pacífico, volume maior que a média global. No entanto, mar também está avançando, mas em outras intensidades, ao redor do mundo.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Poliana Casemiro, g1

Postado em 27 de agosto de 2024 às 13h45m

#.* Post. - Nº.\  11.318 *.#

Tuvalu é formada por um conjunto de ilhas que podem desaparecer nas próximas décadas — Foto: Getty Images
Tuvalu é formada por um conjunto de ilhas que podem desaparecer nas próximas décadas — Foto: Getty Images

Berço de paisagens paradisíacas, as ilhas do Oceano Pacífico estão em risco. Elas podem ser completamente engolidas pelo avanço do mar, que vem subindo ano a ano, reflexo das mudanças climáticas.

➡️ Nesta terça-feira (27), a ONU disse que a crise local é uma "catastrofe mundial", e o g1 conversou com especialistas que explicam que isso é porque o que está acontecendo com elas é uma previsão do que pode acontecer com todo o mundo.

Eles são vítimas das emissões do mundo todo e são a previsão do futuro para nós. Se não conseguirmos reverter essa situação, o futuro das demais comunidades em litorais pelo mundo é também serem engolidas pelo avanço do mar.
— Regina Rodrigues, oceanógrafa e especialista em clima e membro do IPCC.

Como isso está acontecendo?

Ilhas como Maldivas, Tuvalu, Ilhas Marshall, Nauru e Kiribati estão na lista dos lugares na Terra que podem desaparecer, reflexo da ação humana. Com muita natureza preservada e sem muitas indústrias, essa área é responsável por apenas 0,02% das emissões globais anuais de CO2, mas estão sendo vítimas das emissões do mundo todo.

O excesso de gases que causam o efeito estufa está tornando a Terra mais quente. Eles são liberados com a queima de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo. Na atmosfera, esses gases aprisionam o calor, fazendo com que a temperatura fique cada vez mais alta.

Apesar das ilhas no Pacífico terem pouca participação nesta emissão, a atmosfera é única. Ou seja, tudo que é emitido e chega a essa camada afeta a todos de forma global.

Nos últimos anos, as concentrações desses gases têm se tornado cada vez maiores ano a ano. (Veja o gráfico abaixo)

E você pode se perguntar: qual a relação entre as emissões e o aquecimento dos oceanos?

➡️ A Terra está ficando mais quente e os oceanos têm papel fundamental para reduzir os impactos desse aumento da temperatura porque eles absorvem 90% de todo esse excesso.

Durante o El Niño, por exemplo, que aumenta a temperatura dos oceanos, os mapas mostraram um aquecimento acima da média pelo mundo. (Veja o mapa abaixo)

Todo esse calor é o que causa o aumento do nível do mar e isso acontece em dois processos:

  • 🔥 Quando a temperatura das águas aumenta, seu volume também aumenta. Ou seja, ele se expande, elevando o nível. Essa reação representa 40% da causa do aumento do nível do mar.
  • 🔥 Isso se soma ao derretimento das calotas polares. Mais quente, o oceano faz com que a camada de gelo se derreta se transformando em mais água e, portanto, aumentando o nível dos mares.

Conheça Tuvalu, país que pode ser engolido pelo mar e tenta sobreviver como nação digital

Por que o Pacífico?

É importante saber que esse processo afeta todos os oceanos, mas a situação no Pacífico é que ele é mais vulnerável por dois motivos:

  • ➡️ Por ser mais quente por natureza e seu calor se soma ao gerado pela ação humana
  • ➡️ Por envolver ilhas onde, em caso de um colapso, não há recuo ou maneira de permanecer no país.

Para se ter uma ideia, o relatório que a ONU usa para dizer que a situação é uma catástrofe mostra que em grande parte do Pacífico, o nível do mar subiu cerca de 15 centímetros, o que é quase o dobro da taxa global medida desde 1993.

As pessoas pensam que são centímetros inofensivos, mas quando a gente pensa no avanço desse volume em uma costa, chegamos a uma extensão maior, que pode chegar a metros perdidos no território", explica Regina.

O Pacífico envolve várias ilhas que têm elevação média de apenas um a dois metros acima do nível do mar. Cerca de 90% da população vive a apenas 5 quilômetros da costa e metade da infraestrutura está a 500 metros do mar.

Os efeitos já vêm sendo sentidos na região. Segundo o relatório divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), no ano passado mais de 200 pessoas morreram e outras 25 milhões de pessoas foram afetadas por chuvas e tempestades na região do Pacífico.

O especialista em desastres naturais, Pedro Camarinha, explica que antes que essas regiões atinjam um colapso, elas vão ser cada vez mais vítimas de desastres climáticos.

Essas ilhas são vulneráveis não só pelo avanço do mar, mas para os efeitos combinados. Como o oceano está mais dentro do continente, tempestades e ressacas são muito mais intensas e atingem regiões que antes de todo esse avanço do mar eram seguras, podendo causar desastres climáticos, explica Camarinha.

Juliana Rosa: Empresários dizem que Brasil está tímido com meta de zerar emissões de gases em 2060

Qual o risco para o mundo e o que é preciso fazer?

O processo que afeta o Pacífico também age sobre os demais oceanos e coloca em risco as comunidades costeiras pelo mundo. Ainda não se sabe, exatamente, quando ou em que proporção, mas o que os especialistas apontam é que o futuro das ilhas é uma previsão do que pode acontecer com o mundo.

➡️ A estimativa da ONU é de que a população costeira mundial seja de um bilhão de pessoas.

As ilhas são como um projeto piloto do que vai acontecer com o mundo quando os oceanos avançarem sem que a gente faça nada. Uma amostra do que vai acontecer com todas as regiões costeiras ao redor do mundo, explica Regina Rodrigues.

➡️ No Brasil, por exemplo, banhado pelo Atlântico, pesquisadores descobriram que na Paraíba, Nordeste do país, o mar avançou quase dez metros em 40 anos.

➡️ Outras regiões litorâneas, como Florianópolis, em Santa Catarina, estão tendo que investir milhões para aumentar a faixa de areia que vem se perdendo, também, como consequência do avanço do mar.

No anúncio da ONU, o secretário-geral, António Guterres, reforçou que a ameaça é global e que a ação necessária para impedir que o cenário seja catastrófico é a redução das emissões dos gases do efeito estufa.

O Brasil é o sexto maior emissor de gases estufa e tem um compromisso de zerar as emissões em pouco mais de 50% até 2050. O que a especialista aponta é que a necessidade é mais urgente porque há previsões que mostram que se as emissões forem zeradas agora, o nível dos oceanos ainda demoraria mais de 200 anos para voltar ao seu volume natural.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------------------====-++----

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

'Plantas monstruosas' são um dos maiores causadores da perda de espécies nativas em nível global

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Recomenda-se escolher plantas nativas para jardinagem e para presentear. Os jardins botânicos são uma boa alternativa para apreciar a diversidade, com espécies exóticas, sem causar dano ao habitat local.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Zarah Pattison*
 horas
Postado em 26 de agosto de 2024 às 05h30m

#.* Post. - Nº.\  11.317 *.#

O kudzu é uma planta asiática que se tornou uma das mais conhecidas espécies exóticas dos EUA, e por isso é conhecido como a “videira que devorou o Sul”. — Foto: Christie S Simpson
O kudzu é uma planta asiática que se tornou uma das mais conhecidas espécies exóticas dos EUA, e por isso é conhecido como a “videira que devorou o Sul”. — Foto: Christie S Simpson

Muitas pessoas pensam que as plantas são bonitas de se ver, mas indefesas e passivas em termos de organismos. No entanto, as muitas espécies exóticas - ou plantas monstruosas - ao nosso redor mostram que nunca devemos subestimar as plantas e as fascinantes batalhas que ocorrem sob nossos pés.

Muitas das primeiras plantas exóticas - aquelas introduzidas por humanos fora de sua área natural - a chegarem ao Reino Unido foram trazidas por caçadores de plantas da era vitoriana.

As plantas se adaptaram ao longo de milênios ao seu ambiente. Portanto, é de se esperar que as plantas exóticas enfrentem dificuldades em novos lugares. Mas algumas sobrevivem um pouco bem demais e são tão devastadoras para a vida vegetal local que você precisa de uma licença para cultivá-las.

Uma dessas plantas monstruosas é o bálsamo do Himalaia (Impatiens glandulifera). Muitas vezes, as plantas exóticas invasoras crescem mais rápido e maiores porque não precisam competir com seus inimigos naturais em sua região de origem. Isso significa que elas podem crescer mais do que suas contrapartes nativas e literalmente fazer sombra em outras espécies.

Muitas pessoas pensam nas plantas como verduras de boa aparência. Essenciais para o ar limpo, sim, mas são organismos simples. Uma mudança radical na pesquisa está abalando a maneira como os cientistas pensam sobre as plantas: elas são muito mais complexas e mais parecidas conosco do que você imagina. Esse campo da ciência que está florescendo é encantador demais para fazer justiça a ele em uma ou duas histórias.

O bálsamo do Himalaia é originário do Himalaia ocidental e foi trazido para a Grã-Bretanha no século XIX por caçadores de plantas que gostavam de suas flores cor-de-rosa, que se assemelham a orquídeas, e de suas vagens explosivas, que podem projetar sementes por até sete metros.

Essa planta escapou dos jardins e se espalhou pela rede de rio britânica, criando densas faixas ao longo de suas margens. O bálsamo do Himalaia também invade com sucesso as florestas. É a erva anual mais alta da Grã-Bretanha, crescendo até quatro metros de altura. No entanto, em sua área de origem, o bálsamo do Himalaia atinge apenas metade dessa altura. No verão, os conservacionistas do Reino Unido participam do balsam bashing ("surra no bálsamo, em tradução livre) para tentar impedir sua propagação.

Relatório internacional aponta espécies invasoras que causam mais prejuízos à natureza e ao homem; conheça algumas

Quando vemos plantas na natureza, talvez não pensemos no que está acontecendo embaixo delas. Por exemplo, muitas plantas formam relacionamentos com fungos e bactérias que podem lhes fornecer nutrientes aos quais, de outra forma, não teriam acesso.

Quando uma espécie de planta exótica chega a um novo ambiente, a comunidade do solo pode ser diferente da sua terra natal. Algumas dessas plantas reagem alterando o solo para beneficiar seu próprio crescimento.

O bálsamo do Himalaia faz isso reduzindo a quantidade de fungos micorrízicos - os tipos que formam relações mutuamente benéficas com outras plantas abaixo e acima do solo. Ele altera a comunidade bacteriana no solo e parte da comunidade fúngica acima do solo.

Quando o bálsamo do Himalaia cresce no solo que invadiu no ano anterior, ele cresce mais rápido e em maior quantidade, o que os cientistas associaram a essas alterações fúngicas e bacterianas. E mesmo depois de remover o bálsamo do Himalaia, as plantas nativas geralmente não crescem tão bem nesse solo.

O bálsamo do Himalaia está se sobrepondo às plantas nativas. — Foto: Intreegue/Shutterstock
O bálsamo do Himalaia está se sobrepondo às plantas nativas. — Foto: Intreegue/Shutterstock

Outros exemplos de plantas monstruosas no Reino Unido incluem o rododendro (Rhododendron ponticum), uma planta invasora vinda do sul da Europa e do sudoeste da Ásia, que cresce até oito metros de altura e se desenvolve em bosques, sombreando as plantas nativas. O rododendro hospeda dois patógenos mortais, Phytophthora ramorum e P. kernoviae, que infectam as árvores nativas da Grã-Bretanha.

A erva daninha japonesa (Reynoutria japonica), um monstro da Ásia, que se reproduz por meio de clonagem, pode crescer novamente a partir de um fragmento que pese apenas 0,3 grama (aproximadamente o peso de uma pitada de sal). Essa planta pode ser tão prejudicial às construções que os proprietários de imóveis no Reino Unido são solicitados a declarar na documentação legal, quando vendem suas casas, se há indícios de sua presença em sua propriedade.

A erva daninha gigante (Heracleum mantegazzianum, giant hogweed, no original em inglês), nativa da Ásia Central, pode crescer até cinco metros de altura e cada planta produz cerca de 20.000 sementes. A erva daninha gigante libera seiva tóxica como mecanismo de defesa. Essa seiva causa bolhas e queimaduras graves na pele, que podem durar meses ou até anos.

De mil plantas em casa até ‘floresta na comunidade’: como é viver em uma urban jungle

Invasoras em todo o mundo

À medida que os humanos viajavam cada vez mais pelo mundo, o mesmo acontecia com as espécies que traziam consigo. As plantas invasoras são um problema em todos os continentes do planeta. Você pode até encontrar plantas invasoras na Antártica.

Os pinheiros foram introduzidos no sul da África após a colonização europeia na década de 1650 para a produção de madeira. A África do Sul já é propensa a secas, mas um único pinheiro consome 20% mais água do que as espécies de plantas nativas. Em alguns rios, as invasões de pinheiros a montante podem reduzir o fluxo natural de água em até 45%, o que significa menos água para as pessoas e os ecossistemas.

O kudzu (Pueraria montana) é uma trepadeira originária do Japão e da China, introduzida nos EUA em 1800 para controlar a erosão do solo. Ela pode crescer até meio metro por dia, sufocando gramíneas e outras plantas, inclusive árvores, com seus rastejantes ramos de videira que podem crescer até 30 metros de comprimento. Em seu romance "A cor púrpura, Alice Walker escreveu que o racismo é como aquela trepadeira kudzu rasteira local, que engole florestas inteiras e casas abandonadas.

O tojo (Ulex europaeus) é nativo da Europa continental e da Grã-Bretanha, mas foi levado para fora de sua área de ocorrência nativa principalmente no século XIX como planta ornamental e de cobertura em vários países colonizados por europeus. Esse arbusto lenhoso e espinhoso pode crescer até sete metros de altura em sua área de introdução, em comparação com apenas dois metros e meio em sua terra natal. O tojo aumenta o risco de incêndio no Chile, reduz o crescimento de mudas de árvores na Nova Zelândia e acidifica o solo, impedindo o crescimento de plantas raras na Colúmbia Britânica, Canadá.

A algarobeira (Prosopis juliflora), também conhecida em áreas invadidas como a Índia e partes da África como a “árvore do diabo”, é nativa do México e de partes da América do Sul. Essa espécie foi introduzida fora de sua área nativa para lenha e forragem para o gado, mas cresce rapidamente até 12 metros de altura. Ela tem espinhos grandes e galhos baixos que formam matas impenetráveis, tomando conta de pastagens pastoris e áreas úmidas. Os animais que comem grandes quantidades de suas vagens são envenenados e muitas vezes perdem os dentes devido ao seu alto teor de açúcar. Em regiões áridas e secas, onde a água é escassa, o sistema radicular da algarobeira absorve água em um ritmo mais rápido do que as espécies de plantas nativas.

Por todos esses diferentes motivos, as espécies exóticas invasoras são um dos maiores causadores da perda de espécies nativas em nível global. Mas erradicar essas plantas é uma tarefa difícil e cara. Para muitas espécies, o melhor que podemos fazer é reduzir seu tamanho e disseminação.

Obviamente, a estratégia mais eficaz é impedir a chegada de espécies exóticas em primeiro lugar. Atualmente, muitas das plantas exóticas que crescem selvagens no Reino Unido são fugitivas do comércio de horticultura. Portanto, escolha plantas nativas para jardinagem e para presentear.

E para ter uma visão de algo mais exótico, os jardins botânicos são uma maneira maravilhosa de apreciar a extraordinária diversidade de plantas sem causar nenhum dano ao habitat local.

Zarah Pattison é professora sênior em Ciências Vegetais da Universidade de Stirling

** Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------------------====-++----

sábado, 24 de agosto de 2024

Consumo de carne processada aumenta risco de diabetes, indica estudo com milhões de pessoas

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Especialistas dizem que as descobertas do estudo, realizado com quase 2 milhões de pessoas, não devem causar pânico.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por Michelle Roberts

Postado em 24 de agosto de 2024 às 05h30m

#.* Post. - Nº.\  11.316 *.#

Dados sugerem que reduzir o consumo de carnes vermelhas e processadas pode não só proteger as pessoas de doenças cardíacas e derrames, mas também de diabetes tipo 2, uma doença em ascensão em todo o mundo. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Dados sugerem que reduzir o consumo de carnes vermelhas e processadas pode não só proteger as pessoas de doenças cardíacas e derrames, mas também de diabetes tipo 2, uma doença em ascensão em todo o mundo. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

As manchetes dos jornais estão alertando que comer "um sanduíche de presunto por dia" aumenta o risco de diabetes tipo 2 — mas os especialistas dizem que não é tão simples assim.

Um estudo realizado com quase 2 milhões de pessoas de 20 países diferentes encontrou uma relação entre a doença e carnes vermelhas e processadas, como bifes, bacon e salsichas.

Embora a pesquisa tenha sido bem-feita, as descobertas apresentam nuances — e não devem causar medo ou pânico.

É sensato limitar a ingestão, de acordo com as diretrizes de uma alimentação saudável, eles dizem, mas o resultado do estudo não deve levar as pessoas a eliminar a carne do cardápio.

Relação não é prova

A pesquisa, publicada na revista acadêmica The Lancet Diabetes and Endocrinology, tem uma limitação inevitável: não pode provar que a carne causa diabetes, porque é impossível descartar totalmente todos os outros possíveis fatores de risco, como outros alimentos que as pessoas que participaram do estudo consumiram, e o estilo de vida delas.

"Os autores tentaram controlar outros fatores de risco associados ao aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, incluindo maior peso corporal, tabagismo, consumo de álcool e baixa ingestão de legumes e verduras", afirmou Duane Mellor, da Associação Britânica de Nutricionistas (BDA, na sigla em inglês).

Havia alguns dados faltando sobre o efeito do histórico familiar e da circunferência abdominal, que podem estar associados ao diabetes, mas os pesquisadores dizem estar confiantes na relação que encontraram.

Além disso, estudos como este dependem de os participantes dizerem a verdade e se lembrarem com precisão do que comeram.

Isso significa que as descobertas devem ser totalmente descartadas?

Não, de jeito nenhum. O estudo contribui para uma visão geral de que alimentos — e em que quantidade — podem nos fazer bem ou mal.

"Este é um estudo importante que, apesar da inevitável natureza observacional das evidências, é muito bem-feito", afirmou Naveed Sattar, professor da Universidade de Glasgow, na Escócia, especialista em medicina cardiometabólica.

"Os dados sugerem que cortar carnes vermelhas e processadas da dieta pode não só proteger as pessoas de doenças cardíacas e derrames, mas também de diabetes tipo 2, uma doença em ascensão em todo o mundo." 
Câncer de intestino

No estudo, consumir duas fatias grossas de presunto (50g) ou um bife pequeno (100g) por dia parecia ser um risco.

As conclusões sobre frango e outras carnes brancas foram menos claras.

O NHS, serviço público de saúde britânico, já aconselha as pessoas que comem mais de 90g (peso após cozimento) de carne vermelha ou processada por dia a reduzir para 70g, porque os especialistas acreditam que consumir muita carne processada pode causar câncer de intestino.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer coloca na mesma categoria de risco que o tabagismo e o amianto.

A carne processada foi modificada, para dar sabor ou prolongar seu prazo de validade.

As substâncias químicas e métodos utilizados — como defumar, curar ou adicionar sal ou conservantes — podem ser um fator.

E embora a carne seja uma boa fonte de proteínas, vitaminas e minerais, às vezes também contém muita gordura saturada, que tem sido associada a níveis elevados de colesterol no sangue, um fator de risco para doenças cardíacas.

"Nossa pesquisa fornece a evidência mais abrangente até o momento de uma associação entre o consumo de carne processada e carne vermelha não processada e um risco futuro maior de diabetes tipo 2", afirmou a pesquisadora principal do estudo, Nita Forouhi, professora da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

"Ela reforça recomendações para limitar o consumo de carne processada e carne vermelha não processada para reduzir os casos de diabetes tipo 2 na população."

O diabetes tipo 2 consiste em níveis elevados de açúcar no sangue devido à produção insuficiente de um hormônio chamado insulina pelo organismo — ou pelo fato de a insulina que ele produz não funcionar corretamente.

Os fatores de risco incluem:

  • Obesidade ou excesso de peso;
  • Hipertensão arterial;
  • Etnia;
  • Histórico familiar.

Duane Mellor alerta que as pessoas que estão considerando reduzir o consumo de carne, devem garantir que continuem ingerindo nutrientes vitais suficientes, como ferro e vitamina B12.

"É importante, ao considerar reduzir ou retirar um tipo de alimento da dieta, que qualquer alimento substituto forneça os mesmos nutrientes para manter uma dieta saudável de uma forma geral", explica.

Boas fontes de vitamina B12 incluem:
  • Leite;
  • Queijo;
  • Ovos;
  • Extrato de levedura fortificado;
  • Cereais matinais fortificados;
  • Produtos à base de soja fortificados.

Mitos e verdades sobre dieta e emagrecimento

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------------------====-++----