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terça-feira, 2 de abril de 2024

Quase R$ 8 milhões: veja o ranking e os preços dos carros mais caros à venda no país

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Modelos são mais leves, possuem sistemas de controle digitais e entregam torque e potência semelhantes aos de veículos de corrida.
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Por Isabela Bolzani, g1

Postado em 02 de abril de 2024 às 07h05m

#.*Post. - N.\ 11.158*.#

Nesta semana, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulga quais foram os veículos novos mais vendidos do país. Se há uma certeza, é que nenhum dos modelos abaixo vai figurar na lista.

Ferrari, Lamborghini e McLaren estão no topo de outro ranking, o dos carros mais caros à venda no país. Com veículos que chegam a R$ 7,9 milhões, as marcas mais desejadas do mercado apresentam modelos superleves, com carroceria e interiores feitos com fibra de carbono, além de sistemas de controle interno com interface digital de última tecnologia.

Aos mais puristas, não deixam de apresentar torque e potência equivalentes aos de veículos de corrida. Em pacotes mais luxuosos, permitem até a completa personalização veículo. Em suma, oferecem tudo o que há nos sonhos dos amantes de superesportivos.

O g1 compilou uma lista com alguns dos carros mais caros à venda no país. Os preços são referentes a março, e são iniciais. Podem ficar mais caros a depender do modelo do carro e de eventuais alterações e personalizações.

Veja a lista abaixo e conheça mais detalhes sobre os top 10.

Veja quais são os 5 carros mais caros vendidos no Brasil

Ferrari SF90 Spider, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/Ferrari
Ferrari SF90 Spider, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/Ferrari

A versão "spider" do SD90 Stradale da Ferrari foi lançada em 2020 e foi o primeiro híbrido plug-in do modelo feito pela marca. O carro possui um motor de combustão interna integrado a dois motores elétricos na parte da frente e um na parte traseira.

O veículo vai de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e de 0 a 200 km/h em 7 segundos. Os freios, quando acionados, conseguem fazer o carro frear de 100km/h a 0 em 29,5 metros. Sua velocidade máxima é de 340 km/h.

O carro ainda conta com uma capota retrátil que garante isolamento acústico e proteção contra o mau tempo quando é acionada, e que não se deforma em altas velocidades. A capota abre e fecha em 14 segundos, mesmo com o carro em movimento.

O painel de controle interno do veículo também é completamente digital, com tela HD que pode ser configurada por meio de comandos no volante. Há, ainda, um interruptor rotativo de controle de cruzeiro (piloto automático, que permite que o veículo mantenha uma velocidade constante), que é derivado da Fórmula 1.

▶️ PREÇO: a partir de R$ 7,9 milhões.

2º lugar - Ferrari Purosangue

Ferrari Purosangue, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Ferrari
Ferrari Purosangue, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Ferrari

O segundo mais caro à venda no país também é uma Ferrari — ainda que não pareça. O Ferrari Purosangue, lançado em 2022, foi o primeiro carro SUV, com quatro portas e quatro bancos, feito pela marca.

O veículo possui um motor central de 12 cilindros montado na parte da frente, indo de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos e de 0 a 300 km/h em 10,6 segundos. Sua velocidade máxima é de 310 km/h.

As portas traseiras possuem, inclusive, dobradiças traseiras para facilitar o embarque e o desembarque. A cabine possui quatro assentos elétricos aquecidos que acomodam confortavelmente quatro adultos.

Quando em seu lançamento, o porta-malas era o maior já feito em uma Ferrari. Os bancos traseiros ainda podem ser abaixados, dando mais espaço.

O painel de controle do motorista, que também é digital e pode ser configurado pelos comandos do volante, é quase exatamente espelhado no lado do passageiro. Assim, o acompanhante pode acessar uma série de parâmetros do veículo, normalmente reservados apenas ao motorista, tais como a pressão dos pneus, a qualidade do ar e as configurações de conforto dos assentos.

Há dois botões retráteis — um na parte da frente e outro entre os dois bancos traseiros — que permitem que cada ocupante ajuste a temperatura e o conforto dos bancos à sua preferência.

▶️ PREÇO: a partir de R$ 7,6 milhões.

3º lugar - Lamborghini Huracán STO

Lamborghini Huracán STO, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Lamborghini
Lamborghini Huracán STO, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Lamborghini

Ainda no pódio, em terceiro lugar, está a Lamborghini Huracán STO (Super Trofeo Omologata), lançado em 2020.

Com um motor de 10 cilindros e tração traseira, o carro vai de 0 a 100 km/h em 3 segundos e de 0 a 200 km/h em 9 segundos. Sua velocidade máxima é de 310 km/h e seu sistema de frenagem é parecido aos do carro de Fórmula 1.

O veículo possui um painel sensível ao toque em seu interior que gerencia as funções do carro, incluindo o indicador de modos de direção, o sistema LDVI (Lamborghini Veicolo Dinamica Integrata), a pressão dos pneus e a temperatura dos freios.

Os proprietários do carro também podem personalizar totalmente o exterior e o interior de seus veículos, com pintura e acabamentos ilimitados.

Além disso, o carro ainda possui três modos de direção: STO (para as ruas), Tropheo (para as pistas) e Pioggia (para pisos molhados).

▶️ PREÇO: a partir de R$ 5,903 milhões.

4º lugar - Ferrari 296 GTS

Ferrari 296 GTS, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Ferrari
Ferrari 296 GTS, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Ferrari

Lançado em 2022, o quarto lugar da lista dos mais caros do país também pertence à Ferrari. O 296 GTS também é um híbrido plug-in, com um motor de seis cilindros acoplado a um elétrico.

Com isso, o carro consegue ir de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos e de 0 a 200 km/h em 7,6 segundos. Sua velocidade máxima é de 330 km/h.

O 296 GTS também possui uma capota híbrida retrátil que leva 14 segundos para retrair ou desdobrar em velocidades de até 45 km/h. Os bancos possuem um acabamento exclusivo em couro italiano.

O painel de controle do motorista é digital e pode ser configurado pelos comandos do volante. Há, também, um painel de controle do lado do passageiro, mais minimalista.

▶️ PREÇO: a partir de R$ 4,599 milhões.

5º lugar - Lamborghini Huracán Tecnica

Lamborghini Huracán Tecnica, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Lamborghini
Lamborghini Huracán Tecnica, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Lamborghini

No quinto lugar, vem o Huracán Tecnica, carro com tração traseira, assento ajustável e motor de 10 cilindros da Lamborghini.

Com boa performance, o veículo vai de 0 a 100 km/h em 3,2 segundos e de 0 a 200 km/h em 9,1 segundos. Sua velocidade máxima alcança os 325 km/h.

À semelhança de seu antecessor (Huracán STO), o Huracán Tecnica também possui sistema LDVI, agora com três modos distintos de condução em suas configurações: Strada, Sport e Corsa, que alteram parâmetros de motor, câmbio e do controle de estabilidade.

O sistema também traz configurações específicas de suspensão, direção direta nas rodas traseiras e melhorias na refrigeração do freio, além de controlar todos os aspectos de dinâmica do carro, permitindo um controle em tempo real para uma melhor dinâmica de direção.

Os proprietários ainda podem personalizar totalmente o exterior e o interior de seus veículos, com pintura e acabamentos ilimitados. As opções de alteração incluem um design mais leve para a porta, arco traseiro e parafusos de roda em titânio leve e cintos de segurança diferenciados.

▶️ PREÇO: a partir de R$ 4,4 milhões.

6º lugar (empate) - Lamborghini Urus Performante

Lamborghini Urus Performante, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Lamborghini
Lamborghini Urus Performante, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Lamborghini

Com mais um carro no páreo, a Lamborghini também ocupa o 6º lugar entre os mais caros à venda no país com o seu SUV, o Urus Performante.

Com um motor de oito cilindros, o carro vai de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos e de 0 a 200 km/h em 11,5 segundos. Sua velocidade máxima é de 306 km/h.

Com um grande número de peças em fibra de carbono — material que deixa o carro mais leve e ajuda a melhorar sua performance —, o veículo também investe na estética, com bancos em formato hexagonal e interior forrado de couro. Nas portas, as maçanetas são vermelhas.

Ao todo, são cinco modos de condução: Strada, Sport, Corsa e os dois novos Rally, projetados para dirigir em pistas de terra.

▶️ PREÇO: a partir de R$ 4,3 milhões

6º lugar (empate) - McLaren 750S Spider

McLaren 750S Spider, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ McLaren
McLaren 750S Spider, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ McLaren

Empatado no sexto lugar vem a McLaren 750S Spider. Com um motor de oito cilindros a gasolina e construção em fibra de carbono, o carro vai de 0 a 100 km/h em 2,8 segundos e de 0 a 200 km/h em 7,3 segundos.

O veículo ainda possui uma capota rígida retrátil e um sistema de proteção contra capotamento, além de ter, também, a maior parte das configurações do McLaren 750S. (veja mais abaixo)

O modelo "spider" também possui a opção de uma capota rígida retrátil feita em vidro eletrocrômico (material capaz de mudar de cor quando são ativados por meio de uma corrente elétrica).

▶️ PREÇO: a partir de R$ 4,3 milhões.

8º lugar - Ferrari 296 GTB

Ferrari 296 GTB, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Ferrari
Ferrari 296 GTB, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Ferrari

Com mais um modelo na lista, a Ferrari trouxe no 296 GTB o primeiro motor de seis cilindros acoplado em um motor elétrico e instalado em um carro de estrada.

Com tração traseira, o carro vai de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos e de 0 a 200 km/h em 7,3 segundos. Sua velocidade máxima atinge 330 km/h.

Uma de suas principais características está na aerodinâmica do veículo, que tem um spoiler (ferramenta que ajuda a melhorar a estabilidade e a aderência do carro ao asfalto) integrado ao para-choque. Esse dispositivo é ativado quando o carro atinge uma velocidade limite e, quando não está sendo usado, fica escondido no para-choque traseiro.

O painel de controle do carro também foi desenvolvido com uma interface completamente digital. A maior parte dos controles está localizada do lado do motorista, mas também há um painel de controle do lado do passageiro, mais minimalista.

▶️ PREÇO: a partir de R$ 4,2 milhões.

9º lugar - McLaren 750S

McLaren 750S, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/McLaren
McLaren 750S, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/McLaren

Com características semelhantes à sua versão "spider", o 750S também possui um motor de oito cilindros a gasolina e construção em fibra de carbono.

Nesse caso, o carro vai de 0 a 100 km/h em 2,8 segundos e de 0 a 200 km/h em 7,2 segundos. O veículo ainda apresenta um novo sistema de elevação operado por um único botão e que eleva a frente do carro em apenas quatro segundos.

Entre as funcionalidades do sistema, o carro possui uma série de controles colocados na coluna de direção e centrados no motorista, ladeado por interruptores que controlam as configurações de suspensão e trem de força. Há, ainda, três modos de condução diferentes.

O sistema também possui o recurs MCL (McLaren Control Launcher), que permite que o motorista armazene uma combinação favorita de configurações e volte a elas com o clicar de um botão. Esse sistema permite personalizações aerodinâmicas, de dirigibilidade, trem de força e transmissão.

O carro ainda tem uma tela central de informações, que apresenta gráficos mais ricos em detalhes para aprimorar a experiência do motorista. Os sistemas de câmera traseira e "surround" também foram atualizados para ter maior definição e clareza de imagem.

O veículo pode ter o interior completamente forrado a couro, e opções de alto perfil também incluem um novo sistema de áudio premium da marca Bowers & Wilkins.

▶️ PREÇO: a partir de R$ 4 milhões.

10º lugar - Lamborghini Urus S

Lamborghini Urus S, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Lamborghini
Lamborghini Urus S, um dos carros mais caros à venda no país. — Foto: Divulgação/ Lamborghini

Por fim, no 10º lugar, vem o Urus S da Lamborghini, sucessor do Performante. Com um motor bi-turbo de oito cilindros, o carro vai de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos e de 0 a 200 km/h em 12,5 segundos. Sua velocidade máxima alcança os 305 km/h.

O veículo possui quadro modos diferentes de condução, todos com resposta imediata de torque e balanceamento, conforme os requisitos específicos de seus seletores de tração.

O sistema do carro também permite uma navegação conectada, configurações de segurança e vários serviços de controle dentro do carro.

Serviços como o de Estacionamento Remoto, acionado pelo aplicativo Lamborghini Unica, também pode ser gerenciado pela integração com o smartphone, com aprimoramento dos controles também pelo smartwatch — incluindo a função virtual de chave do carro.

A marca também trouxe um aumento significativo de opções para personalização do carro, com novas cores, rodas e acabamentos.

▶️ PREÇO: a partir de R$ 3,950 milhões.

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segunda-feira, 1 de abril de 2024

As misteriosas partículas 'fantasmas' buscadas por cientistas do maior acelerador de partículas do mundo

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Estudiosos acreditam que encontraram uma maneira de provar a existência dessas partículas por meio de equipamentos com tecnologia avançada.
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de abril de 2024 às 06h35m

#.*Post. - N.\ 11.157*.#

Ilustração: as partículas ainda não puderam ser detectadas — Foto: Victor de Schwanberg/Science Photo Library
Ilustração: as partículas ainda não puderam ser detectadas — Foto: Victor de Schwanberg/Science Photo Library

Há muito tempo, físicos suspeitam que as misteriosas partículas "fantasmas" que nos rodeiam poderiam ajudar a avançar muito na compreensão da verdadeira natureza do Universo.

Agora os cientistas acreditam que encontraram uma maneira de provar se essas partículas existem ou não.

O centro europeu de investigação de partículas, Cern, aprovou uma experiência concebida para encontrar provas da sua existência.

O novo instrumento será mil vezes mais sensível a essas partículas do que os dispositivos anteriores.

Ele esmagará as partículas em uma superfície dura para detectá-las, em vez de umas contra as outras, como o principal dispositivo do Cern, o Grande Colisor de Hádrons (LHC, por suas siglas em inglês) — o maior acelerador de partículas do mundo.

Mas, afinal, o que são essas partículas "fantasmas" e por que foi necessária uma nova abordagem para detectá-las?

A teoria atual da física de partículas é chamada de Modelo Padrão.

Ela diz que tudo no Universo é composto por uma família de 17 partículas, algumas bem conhecidas como elétron e o bóson de Higgs, assim como os menos conhecidos quark charm, neutrino do tau e glúons.

Algumas são misturadas em diferentes combinações para formar as partículas maiores, mas ainda incrivelmente pequenas, que constituem o mundo que nos rodeia, bem como as estrelas e galáxias que vemos no espaço, enquanto outras estão envolvidas nas forças da natureza.

Mas há um problema: os astrônomos notaram coisas nos céus – a forma como as galáxias se movem, por exemplo – que sugerem fortemente que tudo o que podemos observar representa apenas cinco por cento do Universo.

O que gera a matéria escura no Universo? — Foto: BBC
O que gera a matéria escura no Universo? — Foto: BBC

Alguns, ou mesmo todo o resto do Universo, podem ser constituídos por partículas "fantasmas" ou "ocultas". Acredita-se que sejam doppelgangers (sósias) fantasmas das 17 partículas do Modelo Padrão.

Se existirem, são realmente difíceis de detectar porque muito raramente interagem com o mundo que conhecemos. Como fantasmas, passam direto por tudo e não podem ser detectadas por nenhum dispositivo terrestre.

Mas a teoria é que as partículas podem, muito raramente, desintegrar-se em partículas do Modelo Padrão, e estas podem ser encontradas por detectores. O novo instrumento aumenta as chances de detectar essas desintegrações, aumentando consideravelmente o número de colisões.

Em vez de colidir partículas, como faz a maioria dos experimentos atuais, o Buscador de Partículas Ocultas (em inglês Search for Hidden Particles, SHiP) irá colidi-las em um grande bloco de material. Isso significa que todas as partículas são quebradas em pedaços menores – em vez de apenas algumas delas. O diagrama abaixo mostra por que esta abordagem de "alvo fixo" é muito mais eficaz.

Mais partículas em pedaços menores — Foto: BBC
Mais partículas em pedaços menores — Foto: BBC

O caça-fantasmas-chefe do projeto, Andrey Golutvin, profesor da Imperial College, em Londres, disse que o experimento "marca uma nova era na busca por partículas ocultas".

"O SHiP tem a possibilidade única de resolver vários dos principais problemas da física de partículas, e temos a perspectiva de descobrir partículas que nunca foram vistas antes", disse ele.

A caça às partículas fantasmas requer equipamento especialmente adaptado.

Com experimentos normais, usando o Grande Colisor de Hádrons, por exemplo, novas partículas podem ser detectadas até um metro da colisão.

Mas as partículas fantasmas podem permanecer invisíveis e viajar dezenas ou mesmo centenas de metros antes de se desintegrarem e se revelarem. Por isso, os detectores do SHiP poderão localizar uma distância muito maior.

'Somos exploradores'

O professor Mitesh Patel, da Imperial College, descreveu a nova abordagem como "engenhosa".

"O que realmente me atrai nesta experiência é que estas partículas estão mesmo debaixo dos nossos narizes, mas nunca fomos capazes de as ver devido à forma como interagem, ou melhor, pela forma como não interagem."

"Somos exploradores e acreditamos que podemos ver algo interessante neste novo terreno. Então, temos que dar uma olhada."

O SHiP será construído dentro das instalações existentes no Cern, de acordo com Claudia Ahdida, física do Cern.

"Usaremos uma caverna e infraestrutura existente e de peças que tentaremos reutilizar tanto quanto possível e o que teremos é uma instalação que nos ajudará a procurar esse setor oculto, que nunca foi visto antes."

O SHiP será executado ao lado de todos os outros experimentos do Cern, o maior dos quais é o Large Hadron Collider, que tem procurado os 95% desaparecidos do Universo desde que foi concluído em 2008, a um custo de £ 3,75 bilhões (cerca de R$ 23,5 bilhões). Até agora não foi encontrada nenhuma partícula fora do Modelo Padrão e, portanto, o plano é construir uma máquina três vezes maior e muito mais poderosa.

O Future Circular Collider (FCC), um novo supercolisor apresentado por pesquisadores na Suíça, tem um custo inicial estimado em £12 bilhões (cerca de R$ 75 bilhões).

A data de início de operação planejada desse equipamento é em meados da década de 2040, embora não atinja todo o seu potencial de caça a partículas até 2070.

Em contraste, a experiência SHiP está programada para começar a procurar novas partículas em 2030 e será cerca de cem vezes mais barata, custando cerca de £ 100 milhões (cerca de R$ 628 milhões).

Mas os pesquisadores dizem que todas as abordagens são importantes para explorar todas as opções possíveis, para encontrar as partículas que, segundo eles, levariam a um dos maiores avanços na física de todos os tempos.

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domingo, 31 de março de 2024

Juros, surpresa com EUA e intervenções: o que explica a saída de dinheiro estrangeiro da bolsa brasileira

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Investidores internacionais tiraram mais de R$ 20 bilhões de ações listadas na B3, a bolsa de valores brasileira.
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Por Raphael Martins, g1

Postado em 31 de março de 2024 às 06h15m

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Bolsa perde mais de R$ 22 bilhões de capital em 2024

Os investidores estrangeiros tiraram mais de R$ 20 bilhões da bolsa brasileira neste primeiro trimestre, mostram os dados da B3. Trata-se de uma virada de humor dos estrangeiros com o país, logo depois de uma série de fechamentos em pontuação recorde no ano passado.

Analistas ouvidos pelo g1 atribuem a situação majoritariamente a fatores externos, mas com um bomtemperode problemas nacionais.

São três questões principais:

  • Sempre depois de um momento de alta, vêm os períodos de realizações de lucro de investidores e ajuste de posições;
  • Houve uma reavaliação da situação econômica e do patamar de juros nos Estados Unidos, que deslocou recursos para lá;
  • O quadro fiscal brasileiro e as intervenções do governo federal em empresas de peso no índice de ações trouxeram prejuízo extra ao país.

Para entender, é preciso voltar um pouco no tempo. No fim do ano, a economia global sinalizava para um momento de arrefecimento da inflação e possibilidade de corte de juros mais cedo em economias desenvolvidas.

Nos EUA, havia expectativa de que o Federal Reserve (Fed) começasse a reduzir os juros americanos em março. A mensagem para investidores era a de que as Treasuries americanas, títulos de renda fixa mais seguros do mundo, logo passariam a pagar menos.

Na Europa, a inflação dava sinais de alívio, e o Banco Central Europeu (BCE) passou também a considerar o início dos cortes de juros.

No mercado financeiro, tudo se antecipa. E ambos os fatos beneficiam as bolsas porque, com juros menores, é preciso tomar mais risco para que os investidores garantam uma boa rentabilidade.

Assim, países emergentes voltam a ser considerados, pois suas empresas mais rentáveis podem garantir um bom dinheiro. E o alívio do cenário externo somou-se a bons indicadores brasileiros.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro veio acima do esperado, a inflação de serviços mostrava desaceleração e o país já estava em meio a um ciclo de corte da taxa básica de juros desde agosto.

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, passou por uma arrancada no fim de 2023. De volta aos dados de investimentos estrangeiros, entraram quase R$ 40 bilhões nos últimos dois meses do ano.

Só no mês de dezembro, o Ibovespa acumulou ganhos de mais de 5% e bateu sucessivos recordes de pontuação. Terminou o ano com ganho de mais de 22%.

Na virada para 2024, quase todos esses fatores mudaram.

Bolsa de valores de SP nesta segunda-feira (2). — Foto: BRUNO ESCOLASTICO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Bolsa de valores de SP nesta segunda-feira (2). — Foto: BRUNO ESCOLASTICO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A hora da virada

O caldo começou a entornar por obra do Fed, o banco central americano. Ao publicar a decisão de dezembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) informou que indicadores recentes sugeriam que a atividade econômica do país desacelerou em relação ao ritmo forte registrado no terceiro trimestre.

Em outro trecho, o colegiado reafirmou que a inflação americana seguia elevada, mas reconheceu que os preços haviam diminuído no último ano, além de ganhosmoderados no emprego. O mercado financeiro entendeu que a hora de baixar juros estava próxima.

Em janeiro, o tom foi bem mais cauteloso. O Fed disse que não considerava apropriado reduzir o intervalo de juros até que se tenha maior confiança de que a inflação está evoluindo de forma sustentável para 2%, a meta do país.

Além da inflação resistente acima dos 3% na janela de 12 meses, o PIB americano trouxe surpresas neste primeiro trimestre. Em dados desta quinta-feira (28), o indicador registrou alta anualizada de 3,4% no quarto trimestre de 2023, acima do que se esperava no início do ano passado.

O mercado de trabalho dos EUA segue forte. O desemprego chegou a subir para 3,9% em fevereiro, mas ainda está baixíssimo e com demonstrativo de alta de salários, o que gera mais pressão na inflação.

Segundo Luís Stuhlberger, presidente da Verde Asset, parte do motivo para a economia dos Estados Unidos estar forte mesmo com o patamar elevado de juros é o forte aumento de gastos visto durante a pandemia.

"A política monetária e fiscal dos Estados Unidos na Covid, a distribuição de dinheiro, não tem paralelo na história", afirmou o executivo durante evento promovido recentemente pela Hedge Investiments.

"Sabia-se que já existia uma boa vcina em outubro e [os EUA] continuaram distribuindo dinheiro e com uma política extremamente agressiva por mais um ano, para só depois acordarem que tinham ido longe demais", completou.

Ou seja: com atividade econômica forte e salários em alta, há dúvidas na cabeça do Fed se é possível baixar os juros sem botar em risco a inflação. Com isso, o mercado financeiro, que estimava uma queda dos juros no país em março, passou a apostar em maio e, hoje, já tem dúvidas sobre junho.

Para Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez, a atualização desse conjunto de informações torna natural que os EUA tenham destaque. Com juros altos em aplicações seguras ao mesmo tempo em que a economia mostra sinais fortes, há uma preferência de alocação de recursos por lá.

Houve ganho até em termos do fluxo de investimento em bolsa, por hospedarem ali as principais empresas de tecnologia, que se beneficiam da Inteligência Artificial e que parecem ser o grande tema de investimentos do momento, afirma.

O ‘tempero’ de interferência

Dado o contexto, é preciso voltar ao Brasil. Com um competidor desse tamanho, faz sentido que a bolsa brasileira saia perdendo. Além do fluxo de dólares estar naturalmente direcionado para fora, houve ganho relevante no final de 2023, que seria embolsado no começo de 2024.

Entram em cena, então, as questões internas. Os debates sobre o cenário fiscal, por exemplo, continuam na mira dos investidores, que seguem atentos aos sinais do governo para saber quais os possíveis resultados do primeiro ano do arcabouço fiscal.

Segundo Stuhlberger, houve uma piora do fiscal nos últimos anos, com um aumento dos gastos públicos e uma perda de arrecadação por parte do governo — de acordo com o executivo, caso o Teto de Gastos ainda existisse, o país estaria R$ 300 bilhões acima do limite.

"Mas, dito isso, a arrecadação está melhor, o PIB do ano passado surpreendeu para cima [...] e o PIB deste ano também vai surpreender para cima", afirmou Stuhlberger em evento.

Além disso, a bolsa brasileira é bastante ligada a empresas produtoras de commodities, em momento que economias desenvolvidas calibram os juros para desacelerar a atividade com o mínimo de danos e a China passa por uma reavaliação completa de sua matriz econômica.

Já seriam tempos desafiadores, até que entraram no jogo as intervenções do governo federal em duas empresas determinantes para o bom desempenho do Ibovespa: a Vale e a Petrobras.

As duas companhias têm grande participação na carteira do Ibovespa. A Vale já sofria com uma queda dos preços de minérios no mercado internacional, que reduziriam sua lucratividade. Até que uma tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de emplacar aliados na sucessão da empresa fez a situação piorar.

Segundo o blog da Ana Flor, Lula vinha se movimentando para levar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega ao comando da empresa. O gesto não foi bem recebido pelo mercado.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a dizer em entrevista que Lula nunca se disporia a fazer interferência direta em uma empresa de capital aberto.

Mas um conselheiro de administração da Vale, José Luciano Duarte Penido, renunciou ao cargo em março justamente por discordardo processo de sucessão do atual presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo.

Em carta endereçada ao presidente do Conselho de Administração, Daniel Stieler, Penido fala que o processo tem sido manipulado e que sofria evidente e nefasta influência política.

Em meio aos imbróglios e especulações, a Vale perdeu quase 18% de seu valor de mercado em 2024.

Na Petrobras, o caso foi ainda mais direto. A empresa registrou seu segundo maior lucro histórico no ano passado, de R$ 124,6 bilhões. Na divulgação de seu balanço, em março, o mercado soube que a petroleira havia decidido pagar apenas o mínimo dos dividendos aos acionistas, sem os chamados dividendos extraordinários.

Em vez de ser distribuído, o lucro remanescente do exercício, que totalizava R$ 43,4 bilhões, foi integralmente destinado para a reserva de remuneração de capital, que, segundo a empresa, tem a finalidade assegurar recursos para remuneração de acionistas e recompras de ações.

Segurar o dinheiro em caixa foi um pedido do governo, que deseja que a empresa acelere investimentos em vez de ser uma pagadora de dividendos. Quem tem os papéis da empresa, claro, não gostou.

Em um dia, a Petrobras teve queda de 10% na bolsa, perdendo R$ 55 bilhões em valor de mercado. Como a empresa havia colhido uma valorização expressiva em 2023 e no início de 2024, o ganho das ações preferenciais neste ano está praticamente zerado.

Foram vetores que aceleraram, que reforçaram essa saída de fluxo estrangeiro. Foi a somatória de componentes mais gerais, de realocação de capital com a mudança de expectativas lá fora, e um componente específico daqui, com as interferências, afirma Daniel Cunha, da BGC Liquidez.

Cunha diz ainda que é cedo para falar em uma saída estrutural de dinheiro do país. Afinal, a tendência é que, uma hora ou outra, o Fed passe a cortar os juros americanos, trazendo de volta a atenção de investidores para emergentes.

E a avaliação passa também pelo patamar de juros brasileiros. Na última Ata do Copom, o BC informou nesta terça-feira (26) que diante das incertezas do cenário sobre a inflação nos próximos meses, julgou apropriado ter maior flexibilidade na política de juros e, por isso, evitou projetar um corte da taxa Selic em junho deste ano.

A prévia da inflação de março, divulgada nesta semana pelo IBGE, mostra que a situação brasileira ainda não está pacificada.

Na ocasião, a economista para Brasil do BNP Paribas, Laiz Carvalho, comentou que os serviços subjacentes — indicador que todo o mercado está de olho por conta de seu peso para a decisão do BC —, vieram com número um pouco mais alto que as expectativas (de 0,36% para 0,40%), apesar da desaceleração em relação a meses anteriores.

Lentamente, mas está desacelerando. Isso corrobora nossa tese de que os serviços subjacentes devem voltar a um comportamento sazonal já no IPCA fechado de março e no IPCA-15 de abril, afirmou.

Sem juros em queda, o Ibovespa ainda pode ter mais a perder. Só com mais precisão de qual será a Selic no fim do ciclo de corte de juros é que se pode projetar o apetite do investidor para voltar à bolsa de valores ainda em 2024.

*Colaborou Isabela Bolzani

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