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sábado, 15 de julho de 2023

Aquecimento global: como fenômeno faz peixes respirarem com mais dificuldade

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Aquecimento global não apenas aumenta temperaturas dos oceanos, mas também desencadeia cascata de efeitos que estão tirando oxigênio dos mares.
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TOPO
Por BBC

Postado em 15 de julho de 2023 às 15h45m

 #.*Post. - N.\ 10.870*.#

Além de provocar aumento das temperaturas dos oceanos, aquecimento global ativa série de processos que estão reduzindo nível de oxigênio nos mares — Foto: Getty Images via BBC
Além de provocar aumento das temperaturas dos oceanos, aquecimento global ativa série de processos que estão reduzindo nível de oxigênio nos mares — Foto: Getty Images via BBC

Perto do litoral do sudeste da China, a população de uma espécie de peixe está em franca expansão.

Seu nome é estranho: pato-de-bombaim — um peixe longo e delgado, com textura similar à de uma geleia e dotado de uma grande mandíbula peculiar.

Quando os navios de pesquisa lançam suas redes de arrasto no fundo do mar naquela região, eles capturam mais de 200 kg desse peixe gelatinoso por hora — um aumento de mais de 10 vezes em relação a uma década atrás.

"É monstruoso", diz o pesquisador marinho Daniel Pauly, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, em alusão à explosão populacional dessa espécie.

O motivo da invasão em massa, segundo Pauly, são os níveis de oxigênio extremamente baixos daquelas águas poluídas.

As espécies de peixe que não conseguem suportar ambientes com pouco oxigênio fugiram, enquanto o pato-de-bombaim, que faz parte de um pequeno subconjunto de espécies fisiologicamente mais capazes de viver com menos oxigênio, mudou-se para lá.

Algumas pessoas ficaram felizes com a migração, já que o pato-de-bombaim é perfeitamente comestível.

Mas isso nos oferece a perspectiva de um futuro sombrio para a China e para todo o planeta.

À medida que a atmosfera se aquece, os oceanos em todo o mundo ficam cada vez mais privados de oxigênio, fazendo com que muitas espécies abandonem seus habitats.

Por essa razão, pesquisadores esperam que muitos locais sofram declínio da diversidade de espécies, permanecendo apenas aquelas poucas que conseguem lidar com condições mais rigorosas.

E a falta de diversidade no ecossistema significa falta de resiliência.

Pauly resume a situação afirmando que "a desoxigenação é um grande problema".

Nossos oceanos do futuro, mais quentes e com menos oxigênio, não só irão abrigar menos espécies de peixes, mas também peixes menores e raquíticos. Para piorar, haverá mais bactérias produtoras de gases do efeito estufa, segundo os cientistas.

Pauly afirma que a região dos trópicos ficará vazios, à medida que peixes migrarem para águas mais oxigenadas e espécies específicas que já vivem nos polos sujeitas à extinção.

Os pesquisadores se queixam de que o problema do oxigênio não recebe a atenção que merece. A acidificação e o aquecimento dos oceanos ocupam a maior parte do noticiário e das pesquisas acadêmicas.

Peixes que habitam águas mais quentes têm metabolismo mais alto e precisam de mais oxigênio — Foto: Getty Images via BBC
Peixes que habitam águas mais quentes têm metabolismo mais alto e precisam de mais oxigênio — Foto: Getty Images via BBC

Em abril, por exemplo, a imprensa divulgou que as águas da superfície do planeta estão mais quentes do que nunca — uma média surpreendente de 21°C.

É claro que esta não é uma boa notícia para a vida marinha. Mas, quando os pesquisadores se dedicam a comparar os três efeitos — aquecimento, acidificação e desoxigenação —, os impactos dos baixos níveis de oxigênio são os piores de todos.

"Não é tão surpreendente", segundo o ecofisiologista Wilco Verberk, da Universidade Radboud, na Holanda. "Sem oxigênio, os outros problemas perdem a importância."

Afinal, os peixes, como os outros animais, precisam respirar.

Os níveis de oxigênio dos oceanos do planeta já caíram mais de 2% entre 1960 e 2010. E espera-se que eles caiam até 7% abaixo dos níveis de 1960 no próximo século.

Alguns locais são piores do que outros. O topo do nordeste do Oceano Pacífico perdeu mais de 15% do seu oxigênio.

Segundo o relatório de 2019 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) sobre os oceanos, entre 1970 e 2010, o volume de "zonas com nível mínimo de oxigênio" nos oceanos do mundo — onde os grandes peixes não sobrevivem, mas sim as águas-vivas — aumentou entre 3% e 8%.

A queda do oxigênio é causada por alguns fatores. Em primeiro lugar, as leis da física determinam que a água mais quente pode reter menos gás dissolvido que a água mais fria. É o que faz com que o refrigerante tenha menos gás quando está quente.

À medida que o nosso planeta se aquece, as águas da superfície dos oceanos perdem oxigênio e outros gases dissolvidos. Esse efeito simples de solubilidade é responsável por cerca da metade da perda de oxigênio já observada até 1 mil metros de profundidade nos oceanos.

Em profundidades maiores, os níveis de oxigênio são determinados, em grande parte, por correntes que levam as águas da superfície para baixo. E essas correntes também são afetadas pelas mudanças climáticas.

O derretimento do gelo acrescenta água doce e menos densa que resiste à mistura nas principais regiões. E a alta velocidade de aquecimento atmosférico nos polos, em comparação com o Equador, também arrefece os ventos que determinam as correntes oceânicas.

Por fim, as bactérias que vivem na água e se alimentam de fitoplâncton e de outros materiais orgânicos que caem no fundo do mar consomem oxigênio.

Tal impacto pode ser maior ao longo das linhas costeiras, onde o despejo de fertilizantes alimenta a proliferação das algas que, por sua vez, alimenta as bactérias famintas por oxigênio.

O resultado disso é o aparecimento de mais "zonas mortas", como a que se verificou no Golfo do México.

Os pesquisadores chegaram até a sugerir que o aumento da poluição por microplásticos tem potencial de exacerbar a queda dos níveis de oxigênio.

Segundo essa hipótese, se o zooplâncton se alimentar de microplásticos em vez de fitoplâncton (sua presa habitual), este último irá se proliferar, alimentando novamente aquelas bactérias que consomem oxigênio no seu caminho até o fundo do mar.

A Rede Global de Oxigênio Oceânico é um grupo científico formado como parte das iniciativas da Década das Nações Unidas de Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030).

O grupo afirma que, desde os anos 1960, a área de água com baixos níveis de oxigênio em mar aberto aumentou em 4,4 milhões de km² — pouco menos da metade do tamanho do Canadá (ou pouco mais que a metade do Brasil).

E um estudo de 2021 concluiu que, até 2080, mais de 70% dos oceanos do mundo irão sofrer desoxigenação em níveis consideráveis.

Em 2018, preocupados com a perda de oxigênio dos oceanos, centenas de pesquisadores assinaram a Declaração de Kiel (Alemanha), pedindo urgentemente maior consciência do problema, além de ações para limitar a poluição e o aquecimento.

Os pesquisadores estão agora em processo de formar o Banco de Dados e Atlas de Oxigênio Oceânico Global (GO2DAT, na sigla em inglês) para consolidar e mapear todos os dados.

O bioquímico Andrew Babbin, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, faz parte do comitê gestor do GO2DAT. Em 2021, ele mapeou imensas áreas do Oceano Pacífico com níveis de oxigênio extremamente baixos.

"Certamente, é preocupante", afirma Babbin.

Ele espera repetir o exercício de mapeamento daqui a cerca de uma década para observar as mudanças.

Babbin explica que as condições de baixo nível de oxigênio tendem a abrigar uma classe de bactérias anóxicas produtoras de metano ou óxido nitroso, que são potentes gases do efeito estufa.

Prever os impactos líquidos de cada um dos três fatores — solubilidade, mistura e microbiologia — tem se mostrado complicado.

"Qualquer um deles é difícil", segundo Babbin. "E, quando você os reúne todos, é imensamente difícil fazer qualquer previsão."

Nos trópicos, por exemplo, um modelo indica que a alteração do equilíbrio entre os fatores biológicos que esgotam o oxigênio e a mistura oceânica que o produz irá reduzir os níveis de oxigênio até cerca de 2150 — mas os níveis irão aumentar a partir de então, o que é uma possível boa notícia para os peixes tropicais.

Mas, de forma geral, os modelos climáticos parecem ter subestimado as alterações dos níveis de oxigênio, que vêm caindo com rapidez maior do que o esperado. Os impactos sobre a vida marinha serão complicados — e não serão bons.

De forma geral, os peixes em ambientes quentes têm metabolismo mais alto e precisam de mais oxigênio.

Cientistas afirmam que, à medida que caírem os níveis de oxigênio, a população de águas-vivas deve aumentar — Foto: Getty Images via BBC
Cientistas afirmam que, à medida que caírem os níveis de oxigênio, a população de águas-vivas deve aumentar — Foto: Getty Images via BBC

A truta, por exemplo, precisa de seis vezes mais oxigênio dissolvido em águas a 24°C do que em águas frias a 5°C. Por isso, quando as águas se aquecem e o oxigênio se dissipa, o impacto para muitas criaturas aquáticas é duplo.

"Os peixes precisam de muito oxigênio, principalmente os grandes que gostamos de comer", afirma Babbin.

Atualmente, existem cerca de 6 miligramas de oxigênio por litro de água do mar nos trópicos e 11 miligramas por litro nos polos.

Se os níveis caírem abaixo de 2 miligramas por litro (uma redução de 60 a 80%), como já acontece com frequência em alguns locais, a água será oficialmente hipóxica — ela conterá níveis de oxigênio baixos demais para sustentar muitas espécies.

Mas reduções mais sutis também podem causar grandes impactos. Os peixes já gastam dezenas de vezes mais energia para respirar do que as pessoas, segundo Pauly, já que eles precisam bombear uma quantidade irrisória de oxigênio da água viscosa.

Os efeitos dos baixos níveis de oxigênio são bem conhecidos pelos alpinistas, que sofrem dores de cabeça e confusão mental que pode ser fatal em grandes altitudes.

Os peixes frequentemente tentam nadar para longe das águas com baixo teor de oxigênio, mas, se não conseguirem escapar, eles ficam letárgicos.

Os baixos níveis de oxigênio afetam quase todo o seu desenvolvimento, incluindo o crescimento, a reprodução, os níveis de atividade e a própria sobrevivência dos peixes.

Uma série de alterações genéticas e metabólicas pode ajudar os peixes a conservar energia, mas apenas até certo limite.

De forma geral, os peixes maiores são mais afetados, simplesmente porque a razão entre o volume do seu corpo e as brânquias é maior, dificultando o abastecimento das células com oxigênio.

A pesca excessiva já reduziu o número de peixes grandes no oceano e a desoxigenação parece exacerbar este efeito, segundo Verberk.

É mais difícil avaliar os efeitos crônicos de longo prazo de uma leve redução dos níveis de oxigênio do que os efeitos de curto prazo da hipóxia, acrescenta o especialista.

Os pesquisadores pediram urgentemente mais estudos a este respeito.

Peixes maiores, como o atum, podem ser mais prejudicados pela queda dos níveis de oxigênio — Foto: Getty Images via BBC
Peixes maiores, como o atum, podem ser mais prejudicados pela queda dos níveis de oxigênio — Foto: Getty Images via BBC

"Para hipóxia suave em prazos mais longos, não existem muitos estudos, mas é provável que haja um impacto bastante forte", afirma ele.

"Se tivermos continuamente 7% menos energia [de 7% menos oxigênio], isso irá se acumular até um déficit muito grande."

Os peixes já estão se mudando para encontrar mais oxigênio. Os que vivem em águas mais profundas podem mudar-se para águas mais frias e, portanto, mais oxigenadas.

Já os que vivem nas primeiras centenas de metros da coluna de água, como o peixe-vermelho, podem se mover em direção à superfície para respirar melhor.

Um estudo realizado entre 1995 e 2009 com os peixes dos recifes da Califórnia concluiu que 23 espécies se moveram, em média, 8,7 metros por década em direção à superfície, à medida que os níveis de oxigênio eram reduzidos.

E, no nordeste tropical do Oceano Atlântico, o atum se moveu para uma camada de água mais estreita devido à redução do oxigênio — ao todo, eles perderam 15% do seu habitat disponível entre 1960 e 2010.

Embora o aquecimento e a desoxigenação costumem andar lado a lado, estes dois efeitos não são coincidentes em toda parte, segundo Verberk.

O resultado é uma colcha de retalhos, com áreas muito quentes ou com níveis de oxigênio baixos demais para que diversas espécies de peixe possam sobreviver, gerando uma variedade de rotas de fuga diferentes.

Os pesquisadores estão atualmente tentando mapear os efeitos previstos para diferentes espécies, estudando como a temperatura e o oxigênio podem restringir seus futuros habitats e como essas faixas irão se sobrepor entre si.

Quando encontram águas onde podem respirar, os peixes precisam ainda verificar quais alimentos eles podem encontrar e quais predadores precisam ser evitados.

"O baixo nível de oxigênio será o estímulo para a mudança para outros lugares, mas esses outros lugares não estão vazios", explica Verberk.

"Eles irão encontrar outros animais vivendo ali. Isso irá mudar as interações competitivas entre as espécies."

Os caranguejos, segundo Pauly, estão atualmente marchando em direção à Antártida, à medida que aquelas águas se aquecem e os moluscos não protegidos se proliferam.

"Será uma destruição em massa", prevê.

No último século, segundo Pauly, a maior pressão sobre a vida marinha foi a pesca excessiva, que causou enormes declínios da quantidade de peixes. Isso, agora, poderá mudar.

Ele explica que, se mantivermos a pesca excessiva sob controle, as pressões climáticas representarão o maior problema para a vida marinha nas próximas décadas.

Um estudo de 2021 demonstrou que os oceanos já se encaminham para uma perda de oxigênio quatro vezes maior, mesmo se as emissões de CO₂ fossem interrompidas imediatamente.

Se mapearmos as tendências de aquecimento e redução do oxigênio, o desfecho cataclísmico para o oceano daqui a milhares de anos seria "uma sopa na qual não é possível viver", segundo Pauly.

O oceano já apresenta zonas hipóxicas esporádicas, segundo ele, "mas é possível imaginar todas as zonas mortas do mundo se reunindo em uma só, e isso é o fim de tudo."

Se não conseguirmos controlar as emissões de gases do efeito estufa, "teremos que esperar que isso irá acontecer", conclui o pesquisador.

*Este artigo foi publicado originalmente em Yale e360 e republicado pelo site BBC Future mediante autorização. Leia aqui a versão original em inglês.

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sexta-feira, 14 de julho de 2023

Índia lança foguete para ser 1º país a pousar em região inexplorada da Lua; VÍDEO

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O país busca explorar a Lua - com a missão chamada Chandrayaan-3 - porque a primeira viagem espacial desse projeto, que ocorreu em 2008, detectou a presença de água na superfície lunar. A exploração da superfície, compostas de rochas e solo, também pode dar respostas sobre a formação do Sistema Solar.
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Por g1

Postado em 14 de julho de 2023 às 07h15m

 #.*Post. - N.\ 10.869*.#

Índia lança foguete em direção a região inexplorada da LuaÍndia lança foguete em direção a região inexplorada da Lua

A Índia lançou nesta sexta-feira (14) seu foguete para pousar em uma região inexplorada da Lua. Se tudo correr como o planejado, o país será o primeiro a ter o "pouso suave" em uma área nunca alcançada em solo lunar.

A superfície lunar é um terreno traiçoeiro com grandes crateras e encostas íngremes, informou a BBC.

Alguns lugares não recebem luz solar, levando a temperaturas extremamente baixas, que chegam a -203°C, e tornando muito difícil operar os equipamentos de exploração. Dessa forma, um pouso suave significa que o foguete não será destruído.

A Índia busca explorar a Lua - com a missão chamada Chandrayaan-3 - porque a primeira viagem espacial desse projeto, que ocorreu em 2008, detectou a presença de água na superfície lunar.

"Ainda precisamos de muito mais detalhes sobre onde e quanta água existe, e saber se toda ela está congelada", explica Akash Sinha, professor de robótica espacial na Universidade Shiv Nadar University, perto de Delhi, à BBC.

A exploração da superfície das regiões polares da Lua, compostas de rochas e solo, também pode dar respostas sobre a formação do Sistema Solar.

Preço da operação

O objetivo do país se tornou explorar a Lua com o menor custo possível. Isso porque a segunda missão, que ocorreu em 2019 e deu errado (o foguete explodiu no pouso), custou US$ 140 milhões, enquanto a desta manhã foi de US$ 80 milhões. A primeira, em 2009, foi em torno de US$ 79 milhões.

O ex-presidente da Organização Indiana de Pesquisa Espacial K. Sivan disse que a viagem desta manhã será mais barata porque o foguete deve usar a atração gravitacional da Lua para levar a nave à órbita lunar. A expectativa é que demore 29 dias para o foguete chegar ao destino final.

Além disso, outro ponto que reduz o preço da operação, segundo a BBC, é que ao contrário da missão anterior, Chandrayaan-3 não inclui um novo orbitador — um satélite que fica em órbita. Esta missão contará com o orbitador da missão Chandrayaan-2 para fornecer todas as comunicações entre o módulo de pouso, o rover e a sala de controle.

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quinta-feira, 13 de julho de 2023

Robô da Nasa descobre matéria orgânica em Marte

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Perseverance foi enviado ao planeta em 2020 para buscar possíveis vestígios de vida.
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Por g1

Postado em 13 de julho de 2023 às 06h30m

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O rover Perseverance da agência espacial dos Estados Unidos está perto de completar seu primeiro grande objetivo em Marte. — Foto: NASA
O rover Perseverance da agência espacial dos Estados Unidos está perto de completar seu primeiro grande objetivo em Marte. — Foto: NASA

O robô explorador Perseverance, da Nasa, encontrou matéria orgânica em Marte. Embora ainda sem muitos detalhes divulgados, a descoberta é significativa, já que o robô foi lançado em 2020 com o propósito de buscar vestígios de vida no planeta vermelho.

A informação sobre o achado foi publicada na revista científica "Nature" na quarta-feira (12), mas a publicação não revelou exatamente qual ou quais moléculas foram encontradas. No ano passado, a Nasa divulgou que o robô encontrou sinal de possível vida microbiana em Marte.

O material foi achado na Cratera Jezero, onde o Perseverance pousou em 2021, e sugere que o ciclo geoquímico de formação do planeta é mais complexo do que se pensava.

O local foi um lago há bilhões de anos, e as hipóteses mais aceitas para explicar esse achado são: a interação entre a água e a rocha, depósitos de poeira interplanetária ou colisão de meteoros.

Uma ilustração mostra a Cratera Jezero, como ela teria sido há bilhões de anos atrás, se tivesse sido um lago — Foto: NASA/JPL-CALTECH
Uma ilustração mostra a Cratera Jezero, como ela teria sido há bilhões de anos atrás, se tivesse sido um lago — Foto: NASA/JPL-CALTECH

O instrumento capaz de fazer essa análise foi batizado de SHERLOC e permite o mapeamento e a análise detalhados de minerais de moléculas orgânicas. Ao todo, SHERLOC tinha 10 alvos para examinar, e em todos eles foram detectados moléculas orgânicas.

O objetivo do projeto é não apenas entender melhor a formação e a evolução inicial do astro, como também analisar a história dos processos geológicos que moldaram Marte ao longo do tempo e interpretar cientificamente o potencial do planeta já ter hospedado vida.

O acontecimento vem na esteira de um feito similar feito pelo James Webb. O supertelescópio detectou pela primeira vez no espaço uma molécula de carbono, componente essencial para a formação de vida.

Compare as fotos do supertelescópio James Webb com seu antecessorCompare as fotos do supertelescópio James Webb com seu antecessor
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quarta-feira, 12 de julho de 2023

Lula condecora pesquisadores com a Ordem Nacional do Mérito Científico

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Presidente concedeu honraria a pesquisadores que tiveram a medalha retirada por Jair Bolsonaro. Lula também homenageou a ABL e retomou o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.
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Por Guilherme Mazui, g1 — Brasília

Postado em 12 de julho de 2023 às 15h55m

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Lula, Alckmin, Janja e ministros durante cerimônia de condecoração de pesquisadores e entidades — Foto: Reprodução/TV BrasilGov
Lula, Alckmin, Janja e ministros durante cerimônia de condecoração de pesquisadores e entidades — Foto: Reprodução/TV BrasilGov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condecorou nesta quarta-feira (12), em cerimônia no Palácio do Planalto, professores, pesquisadores e entidades com a Ordem Nacional do Mérito Científico.

Criada em 1993, a Ordem Nacional do Mérito Científico presta uma homenagem a "personalidades nacionais e estrangeiras que se distinguiram por suas relevantes contribuições prestadas à Ciência, à Tecnologia e à Inovação".

Entre os homenageados, estão pesquisadores que tiveram a condecoração retirada, em 2021, pelo então presidente Jair Bolsonaro em razão de trabalhos que contrariaram posições do governo:

Após Bolsonaro retirar a distinção de Benzaken e Lacerda, outros 21 cientistas renunciaram à honraria. Segundo o Palácio do Planalto, esses pesquisadores também receberão suas medalhas.

O governo Lula adotou, para a cerimônia desta quarta, um tom de "reparação histórica" no evento chamado de "A ciência voltou". A estratégia governista é a de fazer um contraponto à gestão passada, que teve embates com pesquisadores e desvalorizou as universidades públicas.

Ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos afirmou que a solenidade é um ato de "desagravo" aos profissionais que foram "injustamente perseguidos" pelo governo Bolsonaro.

"É também um ato de desagravo à ciência e de reparação histórica aos cientistas, professores, professoras, médicos, pesquisadores e pesquisadoras, brasileiros e brasileiras que foram injustamente perseguidos e ameaçados por um governo anticiência e antivida", declarou.

Ex-presidente do Inpe condecorado

Lula também concedeu a medalha a Ricardo Magnus Osório Galvão, ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e atual presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Doutor em física e professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), Galvão é um dos cientistas mais respeitados do país e deixou o Inpe após divergir de Bolsonaro em relação aos dados que mostraram alta do desmatamento na Amazônia, medidos pelo instituto.

Em 2019, o então presidente acusou o Inpe de divulgar dados mentirosos e estar a serviço de uma ONG. Galvão respondeu a Bolsonaro e defendeu o sistema, reconhecido internacionalmente. Na sequência, foi exonerado.

Lula entrega condecoração ao presidente da ABL, Merval Pereira — Foto: Reprodução/TV BrasilGov
Lula entrega condecoração ao presidente da ABL, Merval Pereira — Foto: Reprodução/TV BrasilGov

ABL homenageada

Lula também conferiu a Ordem Nacional do Mérito Científico à Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada em 1897 com a intenção de cultivar a língua e a literatura nacional.

Grandes escritores ocuparam cadeiras na ABL, entre os quais, Machado de Assis, considerado um dos maiores autores em língua portuguesa.

Presidente da ABL, o jornalista Merval Pereira, comentarista da GloboNews e colunista do jornal "O Globo", afirmou que a condecoração "mostra um governo preocupado com o desenvolvimento da ciência" e que reconhece a cultura como parte deste processo.

"Esse prêmio é a ciência reconhecendo a cultura como parte integrante do desenvolvimento brasileiro, o que é muito importante e mostra o caminho que o governo está tomando", disse Merval. 
Lista de homenageados

O governo publicou nesta quarta, no "Diário Oficial da União", a relação de pesquisadores e entidades agraciadas com a Ordem Nacional do Mérito Científico.

Além de Adele Benzaken, Marcus Vinicius de Lacerda, Ricardo Galvão e da ABL, a relação também tem:

  • Luiz Pinguelli Rosa (in memoriam), professor emérito da UFRJ;
  • Marco Americo Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional;
  • Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, professor da Unicamp;
  • Stevens Kastrup Rehen, professor da UFRJ;
  • Marcelo Marcos Molares, professor da UFRJ;
  • Renato Sérgio Balão Cordeiro, professor da Fundação Oswaldo Cruz;
  • Maurício Lima Barreto, professor UFBA;
  • Maria Teresa Fernandez Piedade, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; e
  • Maria Stela Grossi Porto (in memoriam), professora emérita da UnB;
  • Silvio Crestana; pesquisador da Embrapa;
  • Carlos Alfredo Joly, professor aposentado da Unicamp;
  • Isaac Rotiman, professor emérito da UnB;
  • Academia Nacional de Medicina;
  • Escola Politécnica da Universidade de São Paulo;
  • Museu Paraense Emílio Goeldi.
Conselho de Ciência e Tecnologia

Lula também retomou o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), órgão de assessoramento do presidente da República, que não se reúne desde agosto de 2018, de acordo com o governo.

O CCT é considerado o principal fórum de debate com a comunidade científica, a sociedade e o setor produtivo sobre a Política Nacional de Ciência e Tecnologia.

O colegiado será composto por por ministros e secretários-executivos dos ministérios, entre os quais, Ciência, Tecnologia e Inovação; Fazenda; Educação; Casa Civil; Defesa.

Também contará com representantes de entidades de caráter nacional, e dos setores de ensino, pesquisa, ciência e tecnologia, entre os quais:

  • Helena Bonciani Nade (titular)
  • Jailson Bittencout de Andrade (suplente)
  • Renato Janine Ribeiro (titular)
  • Paulo Eduardo Artaxo Netto (suplente)
  • Emmanuel Zagury Tourinho (titular)
  • Dácio Roberto Matheus (suplente)
  • Silvio Romero Bulhões de Azevedo (titular)
  • José Frederico Lyra Netto (suplente)
  • Odir Antonio Dellagostin (titular)
  • Marcio de Araújo Pereira (suplente)
  • Francisco de O' de Lima Júnior (titular)
  • Odilon Máximo de Morais (suplente)
  • Jorge Luis Nicolas Audy (titular)
  • Adreia Rosane de Moura Valim (suplente)
  • Julio Xandro Heck (titular)
  • Sônia Regina de Souza Fernandes (suplente)
  • Andre Gomyde Porto (titular)
  • Hideraldo Luiz de Almeida (suplente)
Flexibilização de norma sobre bolsas

Também nesta quarta, foi publicada uma portaria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), que flexibiliza as normas para o acúmulo de bolsas e atividades remuneradas de programas de pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado)

Agora, segundo a Capes, as instituições de ensino superior e pesquisa do país e os programas de pós-graduação terão liberdade para definir as próprias regulamentações.

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Veja vídeo que mostra vulcão em atividade na Islândia

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O vulcão Litli Hrútur fica a cerca de 60 quilômetros da capital da Islância. A erupção diminuiu consideravelmente, de acordo com autoridades do país.
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Por g1

Postado em 23 12 de julho de 2023 às 14h45m

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Imagem de vulcão que entrou em erupção na IslândiaImagem de vulcão que entrou em erupção na Islândia

Na segunda-feira (10), um vulcão entrou em atividade na Islândia, perto da capital, Reykjavik. Passados dois dias, a atividade do vulcão diminuiu e, como consequência, a qualidade do ar melhorou --durante uma erupção, há emissão de gases tóxicos.

A erupção diminuiu consideravelmente, informou o Escritório Meteorológico da Islândia, Vedur, na terça-feira. No entanto, as pessoas ainda devem ficar longe da montanha.

O vulcão Litli Hrútur fica a cerca de 60 quilômetros da capital do país. Algumas pessoas tentaram se aproximar do local. Do estacionamento mais perto até o alto do morro, são 9 quilômetros de caminhada.

Hjordis Gudmundsdottir, porta-voz do departamento de proteção civil e gestão de emergências, disse que, embora não seja perigoso estar do lado de fora, a situação é imprevisível, e crianças não devem ser permitidas perto da área, mesmo quando as restrições forem eventualmente suspensas.

O departamento incentivou os moradores da região a fecharem as janelas e desligarem a ventilação.

O Escritório Meteorológico havia alertado anteriormente para alta poluição do ar ao redor da erupção. Espera-se que os gases perigosos afetem a área ao sul do vulcão, que não é densamente povoada.

A erupção ocorre após uma intensa atividade sísmica nos últimos dias e é classificada como uma erupção fissural, que geralmente não resulta em grandes explosões ou uma quantidade significativa de cinzas na estratosfera, afirmou o governo islandês.



Co meçaram a chegar, nesta terça-feira (12), as primeiras imagens de satélite do vulcão Litli Hrutur, que entrou em erupção no último domingo
Copernicus Sentinel-2/União Europeia/Reuters - 11.07.2023



A falha geológica está situada a cerca de 30 km da capital do país, mas, até agora, não há registro de danos materiais ou vítimas
Copernicus Sentinel-2/União Europeia/Reuters - 11.07.2023



A coluna de fumaça provocada pelo vulcão pode ser vista a milhares de km de distância, desde o espaço sideral
Copernicus Sentinel-2/União Europeia/Reuters - 11.07.2023




As lavas escorrem com fúria da montanha e atraem curiosos e turistas. As autoridades islandesas já reco

mendaram ficar longe da nova erupção vulcânica perto de Reykjavik, mas um grupo de espectadores não consegue resistir à atração da lava "tão laranja quanto o Sol"
Juergen Merz - Glacier Photo Artist/Reuters - 10.07.2023



Especialistas dizem que a erupção perto da pequena montanha de Litli Hrutur é de "baixa intensidade" por enquanto
Ken Cedeno/Reuters - 05.08.2022

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