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terça-feira, 18 de abril de 2023

Os experimentos esquecidos que mostram o que Da Vinci entendia sobre a gravidade antes de Galileu e Newton

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Dupla de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) descobriram anotações de experimentos pouco conhecidos do pintor e cientista italiano.
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TOPO
Por Alicia Hernández, BBC

Postado em 18 de abril de 2023 às 13h50m

 #.*Post. - N.\ 10.762*.#

Leonardo Da Vinci era um polímata, nome dado a quem estuda muitas ciências — Foto: GETTY IMAGES
Leonardo Da Vinci era um polímata, nome dado a quem estuda muitas ciências — Foto: GETTY IMAGES

Não houve um momento de inspiração com uma maçã. E nem a criação de uma lei universal. Apenas o prazer mais nobre — que era, na opinião do próprio Leonardo Da Vinci, a alegria de entender.

Ele observou a chuva cair, como as nuvens se movem rapidamente no céu e, também, como dar maior alcance aos projéteis lançados de sua rudimentar metralhadora, um dos muitos aparelhos que inventou.

"Foi essa motivação que o fez investigar por que esses objetos estavam caindo sem qualquer força por trás deles."

É o que diz Mory Gharib, professor de Aeronáutica e Engenharia Médica do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos EUA.

Ele e Chris Roh — na época pesquisador de pós-doutorado no Caltech e agora professor assistente na Cornell University (EUA) — descobriram outra genialidade do polímata italiano: alguns experimentos que mostram sua busca para entender a gravidade.

E para entendermos o significado da descoberta, é preciso deixar clara a cronologia dos eventos.

Da Vinci morreu em 1519, e não foi até 1604 que Galileu Galilei estabeleceu que todos os corpos caem no vácuo com a mesma aceleração.

Quase dois séculos depois, em 1687, Isaac Newton propôs a lei universal da gravidade — aquela da famosa anedota da maçã.

Os desenhos encontrados em um dos arquivos de Da Vinci — Foto: DaVinci/Biblioteca Britânica/Caltech
Os desenhos encontrados em um dos arquivos de Da Vinci — Foto: DaVinci/Biblioteca Britânica/Caltech

Mas então o que Da Vinci observou antes do que Galileu e Newton, e o que significa essa sua descoberta?

Um encontro casual

Mory Gharib estava revisando uma publicação da Biblioteca Britânica do Codex Arundel, um compêndio de artigos de Da Vinci que vão desde ciência e artes até notas pessoais.

Ele estava procurando algumas técnicas de visualização de fluxo, algo para discutir em seu curso de pós-graduação.

Leonardo da Vinci procurou revelar as proporções geométricas perfeitas que regem o mundo natural — Foto: GETTY IMAGES
Leonardo da Vinci procurou revelar as proporções geométricas perfeitas que regem o mundo natural — Foto: GETTY IMAGES

"Eu estava folheando. E de repente um triângulo muito branco chamou minha atenção." Gharib brinca que, tendo visto O Código Da Vinci (filme baseado no best-seller de Dan Brown), pensou que "poderia ser alguma coisa".

"Era apenas um triângulo. Nada nele. E três inscrições de cada lado escritas como ele fez, em uma imagem espelhada, de cabeça para baixo", acrescenta.

Na hipotenusa, o maior lado do triângulo, estava escrito "Equatione di Moti" (equação do movimento).

"Eu estava interessado em entender o que Leonardo quis dizer com essa frase."

Havia mais triângulos e um experimento. Nela, Da Vinci descreve um jarro provavelmente cheio de areia de onde ele despeja seu conteúdo, enquanto o move em linha reta e paralela ao solo, na mesma velocidade com que os grãos caem.

Suas anotações deixam claro que ele sabia que a areia não cai com velocidade constante, mas acelera, e que não cai horizontalmente, mas forma a hipotenusa de um triângulo.

Especificamente, Roh acredita que Da Vinci estava "muito curioso para ver a progressão de como o objeto cai e onde ele está a cada momento. Se começa em um ponto, onde ele termina e com que efeito".

"O experimento que ele fez permitiu que previsse os resultados, embora com imprecisões, muito próximo do que realmente acontece. E, assim, ele tentou entender o que é a constante quantitativa da gravidade."

Os cientistas dizem que Da Vinci chegou a criar um algoritmo "útil o suficiente" para ser capaz de dizer com precisão onde esse objeto deveria cair.

Eles também revelam que nos documentos de Da Vinci há um parágrafo onde ele diz que "quando um objeto cai, ele basicamente vai em direção ao centro da Terra. Isso é muito próximo de dizer que os dois objetos são atraídos um pelo outro, e talvez isso possa ser a única evidência que temos de que ele chegou muito perto de entender a gravidade."

E isso, para o pensamento daquela época, foi um grande avanço.

Teoria aristotélica

Na época de Da Vinci, havia várias teorias sobre por que e como os objetos caem no chão. Mas a mais comum era a teoria aristotélica, explica Carlos Molina, astrônomo e diretor do Planetário de Bogotá, na Colômbia.

Para Aristóteles, explica ele, os objetos caem por causa do sentimento que tiveram.

"Era a necessidade dos corpos chegarem ao seu lugar natural, e isso era medido pelo ímpeto, ou seja, quanto era a vontade de chegar ao lugar natural", diz Molina.

Assim, quanto maior o "ímpeto", maior a vontade de atingir aquele lugar natural por parte dos chamados "corpos sérios".

"Quanto mais pesado, mais impulso ele tinha. E isso funcionava como uma descrição de como isso acontecia e por que acontecia."

Molina, depois de ver os documentos e a descoberta de Gharib e Roh, explica que Leonardo "sistematizou um experimento para deduzir que a gravidade é um tipo de aceleração, como Galileu fez (anos depois), e que essa aceleração nos diz que o espaço é maior quanto maior é o tempo, em proporção geométrica".

'Se você não pode medir algo, torne-o mensurável'

Na época de Da Vinci não havia relógios que medissem o tempo com precisão.

Mas isso não foi um obstáculo para ele.

"Ele era um engenheiro muito prático. Disse a si mesmo: 'Se não consigo medir o número real, vou criar uma situação em que possa chegar perto'", explica Mori Gharib.

Então o que ele fez foi trocar o tempo pelo espaço. E mediu como os objetos caem de diferentes alturas.

"Se você não pode medir algo, torne-o mensurável", diz Gharib.

"É novamente surpreendente como ele entendeu o tempo e fez suposições fundamentais muito corretas de que todos os objetos chegam ao mesmo tempo, desde que estejam na mesma altura", acrescenta Roh.

"A limitação era não conseguir medir o tempo, e ele resolveu isso."

Experimentos

"O que isso nos revela é que, por meio de experimentos sistemáticos, Da Vinci chegou a uma conclusão semelhante à de Galileu", diz Molina.

Nos desenhos de diferentes armas que Da Vinci fez, ele teve que observar como era a trajetória das balas quando eram disparadas — Foto: GETTY IMAGES
Nos desenhos de diferentes armas que Da Vinci fez, ele teve que observar como era a trajetória das balas quando eram disparadas — Foto: GETTY IMAGES

Solo explica que Da Vinci "não foi um grande divulgador de sua obra mais profunda e nem mesmo escreveu (o experimento) na forma tradicional, mas na frente do espelho, codificado. Talvez ele não estivesse tão plenamente convencido dele para divulgá-lo".

Para Gharib e Roh, o que isso mostra é que "ele era um experimentador tentando testar as coisas e ver como elas funcionavam, e depois tentando explicá-las. Primeiro ele fez os experimentos, e depois tentou entender sua natureza".

Todos os especialistas consultados concordam que foi a experimentação sistemática de Da Vinci que o levou a chegar a uma conclusão semelhante à de Galileu quase cem anos antes.

Alguma coisa teria mudado se Galileu ou Newton soubessem desses experimentos?

Molina diz que, sem dúvida, isso teria sido uma fonte de inspiração a ambos.

"Newton disse que se apoiou nos ombros de gigantes para elaborar suas teorias. Ele conhecia as obras de estudiosos antes dele. Se o trabalho de Da Vinci fosse conhecido na época, seria algo que Newton teria notado", pontua.

Da Vinci observou as nuvens em movimento, o granizo caindo e depois tentou replicar isso em seu laboratório.

"Sua forma de ver a natureza, de visualizar as coisas, permitiu que ele visse o que fazemos hoje com câmeras supertecnológicas para analisar o mesmo triângulo que Da Vinci fazia", diz Gharib.

Se esta descoberta mostra alguma coisa, dizem Gharib e Roh, é a importância de parar e observar o que nos rodeia.

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Mancha de Lixo do Pacífico vira ecossistema inesperado com reprodução de espécies costeiras em alto mar

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Mancha de 1,6 milhão de quilômetros quadrados está entre a Califórnia e o Havaí e se tornou moradia para várias espécies diferentes de invertebrados.
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Por Júlia Putini, g1

Postado em 18 de abril de 2023 às 06h00m

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Lista de objetos, a partir do canto superior esquerdo: boia, jarro, fragmento não identificado, cone, escova dental, garrafa, fragmento identificado, corda, caixa. — Foto: Reprodução/Nature
Lista de objetos, a partir do canto superior esquerdo: boia, jarro, fragmento não identificado, cone, escova dental, garrafa, fragmento identificado, corda, caixa. — Foto: Reprodução/Nature

Uma pesquisa publicada na revista científica "Nature" nesta segunda-feira (17) demonstrou que a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um imenso conglomerado de plásticos descartados, está ajudando espécies costeiras a "colonizarem" águas abertas.

De acordo com o estudo, a mancha de 1,6 milhão de quilômetros quadrados e 79 mil toneladas se tornou um lar para alguns pequenos seres vivos, permitindo a criação de novos ecossistemas de espécies que normalmente não são capazes de sobreviver em mar aberto.

Ao contrário do que poderia se supor inicialmente, a Grande Mancha não é uma "ilha" de plásticos, mas sobretudo uma larga porção do oceano com alta concentração de plásticos, em um ambiente que mais se assemelha a uma "sopa" ou "ensopados de plásticos".

A pesquisa descobriu que os resíduos plásticos flutuantes servem como um meio para as espécies se dispersarem pelo oceano. Até então, pensava-se que restrições fisiológicas ou ecológicas eram os fatores responsáveis pela limitação da colonização do oceano.

  • Os pesquisadores examinaram 105 itens de plástico pescados na Grande Mancha de Lixo do Pacífico entre novembro de 2018 e janeiro de 2019.
  • Eles identificaram 484 organismos invertebrados marinhos nos detritos, representando 46 espécies diferentes, das quais 80% são normalmente encontradas em zonas costeiras.
  • Apesar de numerosos, os habitantes do plástico são desconhecidos dos humanos. Em sua maioria, são micro-organismos, plantas e algas que se aderem aos animais invertebrados aquáticos, como moluscos e esponjas.

Isso acontece porque o material plástico não se decompõe, flutuando durante muitos anos. Outro achado que chamou a atenção dos pesquisadores foi a constatação de que além de habitar o local inapropriado, os seres vivos são capazes de se reproduzir.

No entanto, ainda não são conhecidas as consequências desse novo tipo de ordenamento, e nem como as espécies são capazes de se distanciar tanto dos seus locais de origem e sobreviverem.

"Os nossos resultados demonstram que o ambiente oceânico e o habitat plástico flutuante são claramente hospitaleiros para as espécies costeiras. [...] Podem sobreviver, reproduzir e ter populações complexas e estruturas comunitárias em mar aberto", diz o estudo.

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segunda-feira, 17 de abril de 2023

Saiba como a China conseguiu tornar o céu de Pequim azul outra vez por meio da economia verde

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Principal mudança chinesa foi diminuir o uso do carvão como fonte de energia e investir na criação de painéis solares, turbinas eólicas e carros elétricos. Entenda mudança para derrubar os índices de poluição do ar. Esta semana, o presidente Lula esteve no país e fechou acordos bilaterais em diversas áreas.
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Por Fantástico

Postado em 17 de abril de 2023 às 06h50m

 #.*Post. - N.\ 10.760*.#

A poluição é uma das principais causas da diminuição da expectativa de vida dos chineses. A industrialização foi meteórica, e poluição do ar também. Mas a história começou a mudar quando o país sediou os Jogos Olímpicos, em 2008.

O presidente Xi Jinping lançou, em 2013, uma ambiciosa campanha ambiental. Na TV, a propaganda dizia: "Montanhas verdes e água limpa são iguais a montanhas de ouro e prata". Além de crescer economicamente, ele percebeu que o combate às mudanças climáticas, a energia verde e a diminuição da poluição eram fundamentais.

A principal mudança foi diminuir o uso do carvão como fonte de energia e a última usina em Pequim foi fechada há cinco anos. O governo cancelou planos de construir outras 103 usinas.

A média da redução da poluição do ar entre 2013 e 2020 foi de 40% na China. Mas as grandes cidades reduziram ainda mais:

  • Em Xangai, as partículas poluentes diminuíram em 44%.
  • Em Guangzhou, 50%.
  • Em Shenzhen, 49%.
  • Em Pequim, uma cidade com mais de 5 milhões de veículos, a diferença foi de 56%.
  • E quase ¼ dos carros vendidos hoje são elétricos.
  • Em seis meses, toda a frota de ônibus e de táxis de Pequim será elétrica.

A China já é o maior produtor e tem o maior mercado de veículos elétricos na Ásia. E a maior fabricante chinesa pretende conquistar o mercado da América Latina, começando pelo Brasil, com planos de construir uma nova fábrica, além das três já existentes.

Um outro exemplo são os drones elétricos para transportar passageiros, que já existem e estão em fase de testes.

Seis das 10 maiores fabricantes de painéis solares e quatro dos 10 maiores fabricantes de turbinas eólicas são chineses.

O país também lidera o mundo na construção de usinas nucleares.

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domingo, 16 de abril de 2023

A disputa entre China e EUA por lítio na América Latina

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Mais da metade do lítio mundial está nos territórios da Argentina, Bolívia e Chile, o que tem levado a região a despertar o interesse mundial.
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TOPO
Por BBC

Postado em 16 de abril de 2023 às 11h20m

 #.*Post. - N.\ 10.759*.#

As reservas da Bolívia, Argentina e Chile estão no centro do conflito entre os dois gigantes — Foto: GETTY IMAGES via BBC
As reservas da Bolívia, Argentina e Chile estão no centro do conflito entre os dois gigantes — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Mais da metade do lítio mundial está na Argentina, Bolívia e Chile, um triângulo que tem despertado o interesse de governos e investidores que querem entrar nesses mercados.

Países como China e Estados Unidos não querem perder a oportunidade de contar com um metal fundamental para fabricar as baterias usadas nos carros elétricos, um mercado em expansão e no qual entram cada vez mais investidores.

As principais potências estão lutando para obter os minerais necessários para a transição energética e a América Latina é um importante campo de batalha, diz Benjamin Gedan, diretor do Programa América Latina do centro de estudos Wilson Center, à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

"Os Estados Unidos chegaram atrasados ​​à festa e Washington está claramente ansioso pela vantagem inicial da China", acrescenta.

Empresas chinesas estão há anos procurando lugares para estocar o chamado ouro branco em diferentes partes do mundo, principalmente na América Latina, onde estão as maiores reservas mundiais do metal.

A Bolívia lidera a lista com reservas conhecidas estimadas em 21 milhões de toneladas, seguida pela Argentina (19,3 milhões) e Chile (9,6 milhões), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

E o México, embora tenha apenas 1,7 milhão de toneladas (nono lugar da lista), se tornou uma figura relevante na América do Norte, não só pela proximidade geográfica com os Estados Unidos e Canadá, mas também porque está se tornando um centro produtor para carros elétricos (principalmente após o recente anúncio de gigantes que instalarão fábricas em seu território, como Tesla e BMW).

"Atividade maligna"

A general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, alertou que a China "continua a expandir sua influência econômica, diplomática, tecnológica, informativa e militar na América Latina e no Caribe", durante uma apresentação perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara de Representantes em março.

"Esta região está cheia de recursos e me preocupa a atividade maligna de nossos adversários se aproveitando disso. Parece que eles estão investindo quando na verdade estão extraindo", argumentou Richardson.

O lítio é um dos principais metais para a fabricação de baterias — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O lítio é um dos principais metais para a fabricação de baterias — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Sobre o triângulo de lítio na América do Sul, formado por Argentina, Bolívia e Chile, ela disse que a agressividade da China e seu jogo no terreno com o lítio é muito avançado e muito agressivo.

A general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos EUA, disse estar preocupada com a "atividade maligna" da China na América do Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos EUA, disse estar preocupada com a "atividade maligna" da China na América do Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC

O que a China diz?

Assim como os Estados Unidos e outros países embarcam em seu plano de recuperar parte de sua independência energética, a China também se prepara há vários anos de olho nos minerais mais cobiçados pelo comércio global, entre eles o lítio.

"A China tem um alto grau de dependência externa de alguns recursos minerais importantes e, uma vez que a situação internacional mude, certamente afetará a segurança econômica ou mesmo a segurança nacional", disse o ministro de Recursos Naturais, Wang Guanghua, no início de janeiro. em uma entrevista à agência de notícias estatal Xinhua.

O governo incluiu 24 minerais estratégicos em seu Plano Nacional de Recursos Minerais publicado em 2016.

Entre eles estão metais como ferro, cobre, alumínio, ouro, níquel, cobalto, lítio e terras raras, além de recursos energéticos tradicionais como petróleo, gás natural, gás de xisto e carvão.

O plano observa que os minerais são essenciais para "salvaguardar a segurança econômica nacional, a segurança da defesa nacional e o desenvolvimento de indústrias emergentes estratégicas".

Sob a liderança do presidente Xi Jinping, a China está investindo em grandes projetos de mineração de lítio na América do Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Sob a liderança do presidente Xi Jinping, a China está investindo em grandes projetos de mineração de lítio na América do Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC 

Aumento explosivo do investimento chinês

Enquanto as empresas chinesas avançam na América do Sul com gigantescos investimentos em mineração, os países do triângulo pretendem aproveitar a tecnologia e o capital das empresas chinesas com o objetivo de promover o desenvolvimento industrial local.

Só nos primeiros três meses deste ano, empresas chinesas fecharam acordos ambiciosos para investir na Bolívia, Argentina e no Chile.

Na Bolívia, as empresas chinesas CATL, BRUNP e CMOC comprometeram cerca de US$ 1 bilhão em projetos de lítio nos departamentos de Potosí e Oruro, segundo o centro de estudos Atlantic Council.

Na Argentina, a Chery Automobile vai investir cerca de US$ 400 milhões na construção de uma fábrica para a produção de veículos elétricos, possivelmente em Rosário.

E no Chile, as empresas Tsingshan Holding Group, Ruipu Energy, Battero Tech e FoxESS se comprometeram a investir em um parque industrial de lítio na cidade de Antofagasta, por um valor ainda desconhecido.

A relação comercial entre Argentina e China está cada vez mais estreita na mineração de lítio, com o anúncio de pelo menos nove projetos de investimento só em 2022 nas áreas de Salta, Catamarca e Jujuy.

Nos últimos três meses, foram anunciados investimentos chineses milionários no Cone Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Nos últimos três meses, foram anunciados investimentos chineses milionários no Cone Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Competição tecnológica e geopolítica entre gigantes

De acordo com o diretor associado do centro de estudos Adrienne Arsht Latin America Center do Atlantic Council, Pepe Zhang, "os Estados Unidos estão buscando ativamente fortalecer sua posição nas cadeias globais de fornecimento de minerais críticos e tecnologias verdes".

Nesse contexto, o lítio está se mostrando uma área cada vez mais crítica na competição tecnológica e geopolítica entre os Estados Unidos e a China, diz à BBC News Mundo.

E a China vai com o pé no acelerador.

Este ano, estima Zhang, será um período importante para os investimentos minerais do gigante asiático na região.

As projeções indicam que os US$ 1,4 bilhão comprometidos para este ano superariam o investimento de US$ 1,1 bilhão em 2021 e 2020.

"Só em janeiro, vimos três empresas chinesas se comprometerem com um investimento de US$ 1 bilhão na Bolívia", diz o pesquisador. 
O fator "segurança nacional"

A Casa Branca também estabeleceu explicitamente a garantia de uma cadeia de abastecimento mineral como uma de suas prioridades por razões estratégicas.

Minerais críticos fornecem os alicerces para muitas tecnologias modernas e são essenciais para nossa segurança nacional e prosperidade econômica, disse o governo de Joe Biden em um comunicado no ano passado.

Máquina para limpeza de neve — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Máquina para limpeza de neve — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Isso inclui minerais como lítio, cobalto e terras raras, utilizados em diversos produtos, desde computadores a eletrodomésticos, e que são insumos fundamentais para a produção de tecnologias como baterias e veículos elétricos, turbinas eólicas ou painéis solares.

Enquanto parte do mundo tenta progredir na transição para uma energia mais limpa, a demanda global por esses minerais críticos "disparará entre 400% e 600% nas próximas décadas", diz o texto.

E, acrescenta, para minerais como o lítio e o grafite, a procura vai aumentar ainda mais, até cerca de 4.000%.

Guerra entre EUA e China para aquisição de lítio na América Latina — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Guerra entre EUA e China para aquisição de lítio na América Latina — Foto: GETTY IMAGES via BBC

"Um cabo de guerra entre Washington e Pequim"

A China leva vantagem pela disposição de Pequim de investir na produção de baterias na América Latina, argumenta Gedan.

Enquanto "os Estados Unidos estão focados principalmente na aquisição de matérias-primas para as empresas americanas construírem tecnologias ecológicas".

Diante desse dilema, é provável que os países latino-americanos considerem a oferta asiática mais atrativa do que o modelo tradicional de exportação de suas commodities com muito pouco valor agregado.

"Os Estados Unidos estão claramente ansiosos para recuperar o atraso", diz o especialista. "Não é de admirar que a América do Sul se encontre em um cabo de guerra entre EUA e Pequim."

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sábado, 15 de abril de 2023

'Horror extremo': a ameaça do novo míssil da Coreia do Norte

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Pyongyang diz ter lançado seu mais avançado foguete intercontinental. Para analistas, teste pode ser avanço rumo a arsenal nuclear capaz de ameaçar os EUA. Veja os principais aspectos dessa arma.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 15 de abril de 2023 às 06h35m

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O Hwasong-18 'ampliará radicalmente' a capacidade de contra-ataque nuclear norte-coreano", diz Kim Jong-un — Foto: KCNA/Yonhap/picture alliance/Via DW
O Hwasong-18 'ampliará radicalmente' a capacidade de contra-ataque nuclear norte-coreano", diz Kim Jong-un — Foto: KCNA/Yonhap/picture alliance/Via DW

A Coreia do Norte diz ter testado um novo míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) de combustível sólido, no seu primeiro uso conhecido do propulsor em um projétil de longo alcance. O disparo, realizado nesta quinta-feira (13), fez parte da busca do país por um míssil de lançamento mais ágil e capaz de levar uma ogiva atômica.

O desenvolvimento de um ICBM de combustível sólido há muito é visto como uma meta da Coreia do Norte, pois poderia ajudar o país a disparar mais rapidamente seus mísseis no caso de uma guerra.

Armazenamento, disparo e operação são mais fáceis e efetivos com o novo sistema, o Hwasong-18, em comparação com os ICBMs que Pyongyang já testou desde 2017 (Hwasong-14, 15 e 17), com os quais teoricamente pode alcançar todo o território dos Estados Unidos.

Países reagem a lançamento de míssil pela Coreia do NortePaíses reagem a lançamento de míssil pela Coreia do Norte

O próprio líder norte-coreano, Kim Jong-un, presenciou o lançamento, na companhia de sua filha, sua esposa, sua irmã e algumas das principais figuras do programa nacional de armas, segundo a agência de notícias estatal KCNA.

Na ocasião, ele disse que o novo projétil "ampliará radicalmente" a capacidade de contra-ataque nuclear norte-coreano, alertando que a nova arma fará os inimigos sentirem "uma clara crise de segurança e constantemente causará neles inquietação e horror extremos".

O teste de quinta-feira não pareceu demonstrar a capacidade total da arma, e ainda não está claro até que ponto a Coreia do Norte chegou no domínio das tecnologias para garantir que a ogiva resistiria à reentrada atmosférica e atingiria alvos com precisão.

Ainda assim, analistas dizem que o teste provavelmente foi um avanço significativo na meta da Coreia do Norte de construir um arsenal nuclear que poderia ameaçar diretamente os Estados Unidos.

Veja algumas características da tecnologia de combustível sólido e como ela pode ajudar o regime de Pyongyang a aperfeiçoar seus sistemas de mísseis.

Pyongyang intensificou testes de armas nos últimos cinco anos — Foto: KCNA via Reuters
Pyongyang intensificou testes de armas nos últimos cinco anos — Foto: KCNA via Reuters

O que é tecnologia de combustível sólido?

Propelentes sólidos são uma mistura de combustível e oxidante. Os chamados pós metálicos, como o alumínio, muitas vezes servem como combustível, e perclorato de amônio, que é o sal de ácido perclórico e amônia, é o oxidante mais comum.

Combustível e oxidante são unidos por um material emborrachado duro e embalados em um invólucro de metal.

Quando o propelente sólido queima, o oxigênio do perclorato de amônio combina com o alumínio para gerar enormes quantidades de energia e temperaturas de mais de 2.760 graus Celsius, criando impulso e levantando o míssil da barra de lançamento.

Quem tem essa tecnologia?

O combustível sólido remonta a fogos de artifício desenvolvidos pelos chineses séculos atrás, mas fez um progresso dramático em meados do século 20, quando os EUA desenvolveram propulsores mais poderosos.

A União Soviética colocou em campo seu primeiro ICBM de combustível sólido, o RT-2, no início dos anos 1970, seguido pelo desenvolvimento na França do S3, também conhecido como SSBS, um míssil balístico de médio alcance.

A China começou a testar ICBMs de combustível sólido no final da década de 1990. A Coreia do Sul disse nesta sexta-feira que desenvolveu uma tecnologia de mísseis balísticos de propelente sólido de "aceleração eficiente e avançada".

Chama atenção que a Coreia do Norte tenha conseguido desenvolver e testar um ICBM de combustível sólido menos de seis anos depois de haver testado seu primeiro míssil equivalente de combustível líquido, menos da metade do tempo que precisaram gigantes como a China (19 anos) e Índia (13 anos).

Sólido contra líquido

Os propelentes líquidos fornecem maior impulso propulsivo e potência, mas requerem tecnologia mais complexa e trazem consigo mais peso.

O combustível sólido é denso e queima rapidamente, gerando impulso por um curto período de tempo. O combustível sólido pode permanecer armazenado por um longo período sem degradação – um problema do combustível líquido.

Vann Van Diepen, ex-especialista em armas do governo dos Estados Unidos que agora colabora com o projeto 38 North – site especializado em análises sobre a Coreia do Norte –, diz que mísseis de combustível sólido são mais fáceis e seguros de operar e exigem menos suporte logístico, tornando-os mais difíceis de detectar e de conservação mais fácil do que armas de combustível líquido.

Ankit Panda, do think tank americano Fundo Carnegie para a Paz Internacional, diz que qualquer país que opera em grande escala forças nucleares baseadas em mísseis busca conseguir mísseis de propelente sólido, que não precisam ser abastecidos imediatamente antes do lançamento. "Esses recursos são muito mais responsivos em um momento de crise", ressalta Panda.

O que vem a seguir?

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul tentou minimizar o teste, dizendo que o vizinho do norte precisaria de "tempo e esforço extras" para dominar essa tecnologia.

Embora o Hwasong-18, na avaliação de Panda, possa não representar uma "virada de jogo", o especialista afirma que a nova arma provavelmente complicará os cálculos do EUA e seus aliados durante um conflito. "O interesse mais importante dos Estados Unidos e seus aliados é reduzir os riscos de uso nuclear e de escalada decorrente da posse dessas armas pela Coreia do Norte", diz.

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