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segunda-feira, 17 de abril de 2023

Saiba como a China conseguiu tornar o céu de Pequim azul outra vez por meio da economia verde

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Principal mudança chinesa foi diminuir o uso do carvão como fonte de energia e investir na criação de painéis solares, turbinas eólicas e carros elétricos. Entenda mudança para derrubar os índices de poluição do ar. Esta semana, o presidente Lula esteve no país e fechou acordos bilaterais em diversas áreas.
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Por Fantástico

Postado em 17 de abril de 2023 às 06h50m

 #.*Post. - N.\ 10.760*.#

A poluição é uma das principais causas da diminuição da expectativa de vida dos chineses. A industrialização foi meteórica, e poluição do ar também. Mas a história começou a mudar quando o país sediou os Jogos Olímpicos, em 2008.

O presidente Xi Jinping lançou, em 2013, uma ambiciosa campanha ambiental. Na TV, a propaganda dizia: "Montanhas verdes e água limpa são iguais a montanhas de ouro e prata". Além de crescer economicamente, ele percebeu que o combate às mudanças climáticas, a energia verde e a diminuição da poluição eram fundamentais.

A principal mudança foi diminuir o uso do carvão como fonte de energia e a última usina em Pequim foi fechada há cinco anos. O governo cancelou planos de construir outras 103 usinas.

A média da redução da poluição do ar entre 2013 e 2020 foi de 40% na China. Mas as grandes cidades reduziram ainda mais:

  • Em Xangai, as partículas poluentes diminuíram em 44%.
  • Em Guangzhou, 50%.
  • Em Shenzhen, 49%.
  • Em Pequim, uma cidade com mais de 5 milhões de veículos, a diferença foi de 56%.
  • E quase ¼ dos carros vendidos hoje são elétricos.
  • Em seis meses, toda a frota de ônibus e de táxis de Pequim será elétrica.

A China já é o maior produtor e tem o maior mercado de veículos elétricos na Ásia. E a maior fabricante chinesa pretende conquistar o mercado da América Latina, começando pelo Brasil, com planos de construir uma nova fábrica, além das três já existentes.

Um outro exemplo são os drones elétricos para transportar passageiros, que já existem e estão em fase de testes.

Seis das 10 maiores fabricantes de painéis solares e quatro dos 10 maiores fabricantes de turbinas eólicas são chineses.

O país também lidera o mundo na construção de usinas nucleares.

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domingo, 16 de abril de 2023

A disputa entre China e EUA por lítio na América Latina

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Mais da metade do lítio mundial está nos territórios da Argentina, Bolívia e Chile, o que tem levado a região a despertar o interesse mundial.
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TOPO
Por BBC

Postado em 16 de abril de 2023 às 11h20m

 #.*Post. - N.\ 10.759*.#

As reservas da Bolívia, Argentina e Chile estão no centro do conflito entre os dois gigantes — Foto: GETTY IMAGES via BBC
As reservas da Bolívia, Argentina e Chile estão no centro do conflito entre os dois gigantes — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Mais da metade do lítio mundial está na Argentina, Bolívia e Chile, um triângulo que tem despertado o interesse de governos e investidores que querem entrar nesses mercados.

Países como China e Estados Unidos não querem perder a oportunidade de contar com um metal fundamental para fabricar as baterias usadas nos carros elétricos, um mercado em expansão e no qual entram cada vez mais investidores.

As principais potências estão lutando para obter os minerais necessários para a transição energética e a América Latina é um importante campo de batalha, diz Benjamin Gedan, diretor do Programa América Latina do centro de estudos Wilson Center, à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

"Os Estados Unidos chegaram atrasados ​​à festa e Washington está claramente ansioso pela vantagem inicial da China", acrescenta.

Empresas chinesas estão há anos procurando lugares para estocar o chamado ouro branco em diferentes partes do mundo, principalmente na América Latina, onde estão as maiores reservas mundiais do metal.

A Bolívia lidera a lista com reservas conhecidas estimadas em 21 milhões de toneladas, seguida pela Argentina (19,3 milhões) e Chile (9,6 milhões), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

E o México, embora tenha apenas 1,7 milhão de toneladas (nono lugar da lista), se tornou uma figura relevante na América do Norte, não só pela proximidade geográfica com os Estados Unidos e Canadá, mas também porque está se tornando um centro produtor para carros elétricos (principalmente após o recente anúncio de gigantes que instalarão fábricas em seu território, como Tesla e BMW).

"Atividade maligna"

A general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, alertou que a China "continua a expandir sua influência econômica, diplomática, tecnológica, informativa e militar na América Latina e no Caribe", durante uma apresentação perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara de Representantes em março.

"Esta região está cheia de recursos e me preocupa a atividade maligna de nossos adversários se aproveitando disso. Parece que eles estão investindo quando na verdade estão extraindo", argumentou Richardson.

O lítio é um dos principais metais para a fabricação de baterias — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O lítio é um dos principais metais para a fabricação de baterias — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Sobre o triângulo de lítio na América do Sul, formado por Argentina, Bolívia e Chile, ela disse que a agressividade da China e seu jogo no terreno com o lítio é muito avançado e muito agressivo.

A general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos EUA, disse estar preocupada com a "atividade maligna" da China na América do Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A general Laura Richardson, chefe do Comando Sul dos EUA, disse estar preocupada com a "atividade maligna" da China na América do Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC

O que a China diz?

Assim como os Estados Unidos e outros países embarcam em seu plano de recuperar parte de sua independência energética, a China também se prepara há vários anos de olho nos minerais mais cobiçados pelo comércio global, entre eles o lítio.

"A China tem um alto grau de dependência externa de alguns recursos minerais importantes e, uma vez que a situação internacional mude, certamente afetará a segurança econômica ou mesmo a segurança nacional", disse o ministro de Recursos Naturais, Wang Guanghua, no início de janeiro. em uma entrevista à agência de notícias estatal Xinhua.

O governo incluiu 24 minerais estratégicos em seu Plano Nacional de Recursos Minerais publicado em 2016.

Entre eles estão metais como ferro, cobre, alumínio, ouro, níquel, cobalto, lítio e terras raras, além de recursos energéticos tradicionais como petróleo, gás natural, gás de xisto e carvão.

O plano observa que os minerais são essenciais para "salvaguardar a segurança econômica nacional, a segurança da defesa nacional e o desenvolvimento de indústrias emergentes estratégicas".

Sob a liderança do presidente Xi Jinping, a China está investindo em grandes projetos de mineração de lítio na América do Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Sob a liderança do presidente Xi Jinping, a China está investindo em grandes projetos de mineração de lítio na América do Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC 

Aumento explosivo do investimento chinês

Enquanto as empresas chinesas avançam na América do Sul com gigantescos investimentos em mineração, os países do triângulo pretendem aproveitar a tecnologia e o capital das empresas chinesas com o objetivo de promover o desenvolvimento industrial local.

Só nos primeiros três meses deste ano, empresas chinesas fecharam acordos ambiciosos para investir na Bolívia, Argentina e no Chile.

Na Bolívia, as empresas chinesas CATL, BRUNP e CMOC comprometeram cerca de US$ 1 bilhão em projetos de lítio nos departamentos de Potosí e Oruro, segundo o centro de estudos Atlantic Council.

Na Argentina, a Chery Automobile vai investir cerca de US$ 400 milhões na construção de uma fábrica para a produção de veículos elétricos, possivelmente em Rosário.

E no Chile, as empresas Tsingshan Holding Group, Ruipu Energy, Battero Tech e FoxESS se comprometeram a investir em um parque industrial de lítio na cidade de Antofagasta, por um valor ainda desconhecido.

A relação comercial entre Argentina e China está cada vez mais estreita na mineração de lítio, com o anúncio de pelo menos nove projetos de investimento só em 2022 nas áreas de Salta, Catamarca e Jujuy.

Nos últimos três meses, foram anunciados investimentos chineses milionários no Cone Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Nos últimos três meses, foram anunciados investimentos chineses milionários no Cone Sul — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Competição tecnológica e geopolítica entre gigantes

De acordo com o diretor associado do centro de estudos Adrienne Arsht Latin America Center do Atlantic Council, Pepe Zhang, "os Estados Unidos estão buscando ativamente fortalecer sua posição nas cadeias globais de fornecimento de minerais críticos e tecnologias verdes".

Nesse contexto, o lítio está se mostrando uma área cada vez mais crítica na competição tecnológica e geopolítica entre os Estados Unidos e a China, diz à BBC News Mundo.

E a China vai com o pé no acelerador.

Este ano, estima Zhang, será um período importante para os investimentos minerais do gigante asiático na região.

As projeções indicam que os US$ 1,4 bilhão comprometidos para este ano superariam o investimento de US$ 1,1 bilhão em 2021 e 2020.

"Só em janeiro, vimos três empresas chinesas se comprometerem com um investimento de US$ 1 bilhão na Bolívia", diz o pesquisador. 
O fator "segurança nacional"

A Casa Branca também estabeleceu explicitamente a garantia de uma cadeia de abastecimento mineral como uma de suas prioridades por razões estratégicas.

Minerais críticos fornecem os alicerces para muitas tecnologias modernas e são essenciais para nossa segurança nacional e prosperidade econômica, disse o governo de Joe Biden em um comunicado no ano passado.

Máquina para limpeza de neve — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Máquina para limpeza de neve — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Isso inclui minerais como lítio, cobalto e terras raras, utilizados em diversos produtos, desde computadores a eletrodomésticos, e que são insumos fundamentais para a produção de tecnologias como baterias e veículos elétricos, turbinas eólicas ou painéis solares.

Enquanto parte do mundo tenta progredir na transição para uma energia mais limpa, a demanda global por esses minerais críticos "disparará entre 400% e 600% nas próximas décadas", diz o texto.

E, acrescenta, para minerais como o lítio e o grafite, a procura vai aumentar ainda mais, até cerca de 4.000%.

Guerra entre EUA e China para aquisição de lítio na América Latina — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Guerra entre EUA e China para aquisição de lítio na América Latina — Foto: GETTY IMAGES via BBC

"Um cabo de guerra entre Washington e Pequim"

A China leva vantagem pela disposição de Pequim de investir na produção de baterias na América Latina, argumenta Gedan.

Enquanto "os Estados Unidos estão focados principalmente na aquisição de matérias-primas para as empresas americanas construírem tecnologias ecológicas".

Diante desse dilema, é provável que os países latino-americanos considerem a oferta asiática mais atrativa do que o modelo tradicional de exportação de suas commodities com muito pouco valor agregado.

"Os Estados Unidos estão claramente ansiosos para recuperar o atraso", diz o especialista. "Não é de admirar que a América do Sul se encontre em um cabo de guerra entre EUA e Pequim."

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sábado, 15 de abril de 2023

'Horror extremo': a ameaça do novo míssil da Coreia do Norte

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Pyongyang diz ter lançado seu mais avançado foguete intercontinental. Para analistas, teste pode ser avanço rumo a arsenal nuclear capaz de ameaçar os EUA. Veja os principais aspectos dessa arma.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 15 de abril de 2023 às 06h35m

 #.*Post. - N.\ 10.758*.#

O Hwasong-18 'ampliará radicalmente' a capacidade de contra-ataque nuclear norte-coreano", diz Kim Jong-un — Foto: KCNA/Yonhap/picture alliance/Via DW
O Hwasong-18 'ampliará radicalmente' a capacidade de contra-ataque nuclear norte-coreano", diz Kim Jong-un — Foto: KCNA/Yonhap/picture alliance/Via DW

A Coreia do Norte diz ter testado um novo míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) de combustível sólido, no seu primeiro uso conhecido do propulsor em um projétil de longo alcance. O disparo, realizado nesta quinta-feira (13), fez parte da busca do país por um míssil de lançamento mais ágil e capaz de levar uma ogiva atômica.

O desenvolvimento de um ICBM de combustível sólido há muito é visto como uma meta da Coreia do Norte, pois poderia ajudar o país a disparar mais rapidamente seus mísseis no caso de uma guerra.

Armazenamento, disparo e operação são mais fáceis e efetivos com o novo sistema, o Hwasong-18, em comparação com os ICBMs que Pyongyang já testou desde 2017 (Hwasong-14, 15 e 17), com os quais teoricamente pode alcançar todo o território dos Estados Unidos.

Países reagem a lançamento de míssil pela Coreia do NortePaíses reagem a lançamento de míssil pela Coreia do Norte

O próprio líder norte-coreano, Kim Jong-un, presenciou o lançamento, na companhia de sua filha, sua esposa, sua irmã e algumas das principais figuras do programa nacional de armas, segundo a agência de notícias estatal KCNA.

Na ocasião, ele disse que o novo projétil "ampliará radicalmente" a capacidade de contra-ataque nuclear norte-coreano, alertando que a nova arma fará os inimigos sentirem "uma clara crise de segurança e constantemente causará neles inquietação e horror extremos".

O teste de quinta-feira não pareceu demonstrar a capacidade total da arma, e ainda não está claro até que ponto a Coreia do Norte chegou no domínio das tecnologias para garantir que a ogiva resistiria à reentrada atmosférica e atingiria alvos com precisão.

Ainda assim, analistas dizem que o teste provavelmente foi um avanço significativo na meta da Coreia do Norte de construir um arsenal nuclear que poderia ameaçar diretamente os Estados Unidos.

Veja algumas características da tecnologia de combustível sólido e como ela pode ajudar o regime de Pyongyang a aperfeiçoar seus sistemas de mísseis.

Pyongyang intensificou testes de armas nos últimos cinco anos — Foto: KCNA via Reuters
Pyongyang intensificou testes de armas nos últimos cinco anos — Foto: KCNA via Reuters

O que é tecnologia de combustível sólido?

Propelentes sólidos são uma mistura de combustível e oxidante. Os chamados pós metálicos, como o alumínio, muitas vezes servem como combustível, e perclorato de amônio, que é o sal de ácido perclórico e amônia, é o oxidante mais comum.

Combustível e oxidante são unidos por um material emborrachado duro e embalados em um invólucro de metal.

Quando o propelente sólido queima, o oxigênio do perclorato de amônio combina com o alumínio para gerar enormes quantidades de energia e temperaturas de mais de 2.760 graus Celsius, criando impulso e levantando o míssil da barra de lançamento.

Quem tem essa tecnologia?

O combustível sólido remonta a fogos de artifício desenvolvidos pelos chineses séculos atrás, mas fez um progresso dramático em meados do século 20, quando os EUA desenvolveram propulsores mais poderosos.

A União Soviética colocou em campo seu primeiro ICBM de combustível sólido, o RT-2, no início dos anos 1970, seguido pelo desenvolvimento na França do S3, também conhecido como SSBS, um míssil balístico de médio alcance.

A China começou a testar ICBMs de combustível sólido no final da década de 1990. A Coreia do Sul disse nesta sexta-feira que desenvolveu uma tecnologia de mísseis balísticos de propelente sólido de "aceleração eficiente e avançada".

Chama atenção que a Coreia do Norte tenha conseguido desenvolver e testar um ICBM de combustível sólido menos de seis anos depois de haver testado seu primeiro míssil equivalente de combustível líquido, menos da metade do tempo que precisaram gigantes como a China (19 anos) e Índia (13 anos).

Sólido contra líquido

Os propelentes líquidos fornecem maior impulso propulsivo e potência, mas requerem tecnologia mais complexa e trazem consigo mais peso.

O combustível sólido é denso e queima rapidamente, gerando impulso por um curto período de tempo. O combustível sólido pode permanecer armazenado por um longo período sem degradação – um problema do combustível líquido.

Vann Van Diepen, ex-especialista em armas do governo dos Estados Unidos que agora colabora com o projeto 38 North – site especializado em análises sobre a Coreia do Norte –, diz que mísseis de combustível sólido são mais fáceis e seguros de operar e exigem menos suporte logístico, tornando-os mais difíceis de detectar e de conservação mais fácil do que armas de combustível líquido.

Ankit Panda, do think tank americano Fundo Carnegie para a Paz Internacional, diz que qualquer país que opera em grande escala forças nucleares baseadas em mísseis busca conseguir mísseis de propelente sólido, que não precisam ser abastecidos imediatamente antes do lançamento. "Esses recursos são muito mais responsivos em um momento de crise", ressalta Panda.

O que vem a seguir?

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul tentou minimizar o teste, dizendo que o vizinho do norte precisaria de "tempo e esforço extras" para dominar essa tecnologia.

Embora o Hwasong-18, na avaliação de Panda, possa não representar uma "virada de jogo", o especialista afirma que a nova arma provavelmente complicará os cálculos do EUA e seus aliados durante um conflito. "O interesse mais importante dos Estados Unidos e seus aliados é reduzir os riscos de uso nuclear e de escalada decorrente da posse dessas armas pela Coreia do Norte", diz.

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sexta-feira, 14 de abril de 2023

Agência europeia lança Juice, sonda espacial que vai explorar luas de Júpiter

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Objetivo principal da sonda, que vai demorar oito anos para chegar ao seu destino, não é encontrar propriamente vida, mas sim ambientes propícios para seu surgimento.
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Por g1

Postado em 14 de abril de 2023 às 08h30m

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O lançamento da Juice, sonda que vai explorar as luas de Júpiter. — Foto: ESA/DIVULGAÇÃO
O lançamento da Juice, sonda que vai explorar as luas de Júpiter. — Foto: ESA/DIVULGAÇÃO

A Agência Espacial Europeia (ESA) lançou na manhã desta sexta-feira (14) a sonda espacial Juice, que tem como destino o maior planeta do nosso Sistema Solar, Júpiter.

Inicialmente marcado para a última quinta-feira (13), o lançamento foi adiado para hoje, devido às más condições climáticas.

A sonda foi lançada com sucesso da base europeia de Kourou, na Guiana Francesa, perto das 9h15 da manhã no horário de Brasília.

Acrônimo em inglês para Explorador das Luas Geladas de Júpiter, a Juice vai demorar oito anos para chegar ao seu destino, que está a uma distância da Terra que oscila entre 640 e 900 milhões de quilômetros.

"É um dos objetos espaciais mais complexos já enviados ao sistema solar externo", destacou o diretor-geral da ESA, Josef Aschbacher.

Representação artística mostra a sonda Juice com Júpiter e suas luas. — Foto: ESA/Divulgação
Representação artística mostra a sonda Juice com Júpiter e suas luas. — Foto: ESA/Divulgação

Construída pela Airbus, a sonda leva dez equipamentos específicos (câmera ótica, espectrômetro, radar, magnetômetro...), protegidos das temperaturas extremas - em especial do poderoso campo magnético de Júpiter - por uma cobertura de isolamento de múltiplas camadas.

A sonda também está equipada com imensos painéis solares de 85m², para conservar a potência em um ambiente onde a luz do sol é 25 vezes menor do que na Terra.

A chegada está prevista para julho de 2031. A viagem se anuncia sinuosa, já que a sonda terá que realizar complexas manobras de assistência gravitacional, que consistem em utilizar a força de atração dos outros planetas como uma catapulta.

Primeiro realizará um sobrevoo Lua-Terra, depois irá em direção a Vênus (2025), voltará à Terra (2029), antes de tomar seu impulso em direção ao maior planeta do sistema solar e às suas quatro maiores luas, descobertas por Galileu há 400 anos: a vulcânica Io e suas três companheiras de gelo Europa, Ganímedes e Calisto.

Oceanos de água em estado líquido

O sistema de Júpiter tem "todos os ingredientes de um mini-sistema solar", diz Carole Mundell, diretora de ciências da ESA. Sua exploração "facilitará os estudos sobre como funciona nosso sistema solar e como se formam os planetas. E vai conseguir finalmente responder a pergunta: "Estamos sozinhos no universo?", acrescentou a astrofísica.

O objetivo principal da Juice não é encontrar propriamente vida, mas sim ambientes propícios para seu surgimento. Apesar de Júpiter, planeta gasoso, ser inabitável, suas luas Europa e Ganimedes são candidatas ideais: sob suas superfícies de gelo, há oceanos com água em estado líquido e apenas em água nesse estado é possível o surgimento de vida como conhecemos.

Após três anos sobrevoando em repetidas ocasiões Europa, Calisto e Ganímedes, Juice entrará na órbita de Ganímedes em 2034. Essa lua de Júpiter é o maior satélite do sistema solar e o único que possui um campo magnético.

O foguete Ariane 5 com a sonda Juice pronta para lançamento em plataforma na Guiana Francesa. — Foto: ESA/DIVULGAÇÃO
O foguete Ariane 5 com a sonda Juice pronta para lançamento em plataforma na Guiana Francesa. — Foto: ESA/DIVULGAÇÃO

No ano que vem, a Nasa lançará outra missão ao sistema jupiteriano, a Europa Clipper, com destino a esse satélite e que vai chegar um ano antes da Juice, por fazer um caminho mais curto e ter um foguete impulsor mais poderoso.

Missões espaciais anteriores sugerem a presença, sob as espessas camadas de gelo, de um gigantesco oceano, "de várias dezenas de quilômetros, muito mais profundo que os oceanos terrestres", disse Josef Aschbacher.

Uma das perguntas é saber se a água em estado líquido interage com o fundo rochoso para dissolver elementos com potencial nutritivo, uma das condições para o desenvolvimento de um ecossistema.

Com um custo total de 1,6 bilhão de euros (cerca de 1,7 bilhão de dólares, 8,4 bilhões de reais), Juice (Jupiter Icy Moons Explorer) é a primeira missão europeia a explorar um planeta no sistema solar externo, que se inicia depois de Marte.

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