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domingo, 27 de novembro de 2022

Como erupção de vulcão em Tonga 'esculpiu' leito marinho

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Um levantamento realizado por embarcações da Nova Zelândia e do Reino Unido mapeou completamente a área ao redor deste vulcão no Oceano Pacífico — e mostrou que o fundo do mar foi varrido e esculpido por violentos fluxos de detritos a uma distância de mais de 80 km.
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TOPO
Por BBC

Postado em 27 de novembro de 2022 às 07h00m

 #.*Post. - N.\ 10.569*.#

Erupção que ocorreu no vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha'apai, em Tonga, no dia 14 de janeiro de 2022 nesta reprodução de um vídeo que circula nas redes sociais — Foto: SERVIÇO GEOLÓGICO DE TONGA/REUTERS
Erupção que ocorreu no vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha'apai, em Tonga, no dia 14 de janeiro de 2022 nesta reprodução de um vídeo que circula nas redes sociais — Foto: SERVIÇO GEOLÓGICO DE TONGA/REUTERS

Cientistas dizem que estão surpresos com o que descobriram sobre a intensidade da erupção vulcânica de Tonga em janeiro deste ano.

Quando esta montanha submersa entrou em erupção, enviou cinzas e vapor d'água em direção ao espaço e gerou ondas de tsunami em todo o mundo.

Agora, um levantamento realizado por embarcações da Nova Zelândia e do Reino Unido mapeou completamente a área ao redor deste vulcão no Oceano Pacífico — e mostrou que o fundo do mar foi varrido e esculpido por violentos fluxos de detritos a uma distância de mais de 80 km.

O exercício de mapeamento do monte submarino Hunga-Tonga Hunga-Haʻapai foi conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Água e Atmosfera da Nova Zelândia (Niwa, na sigla em inglês).

Os dados coletados indicam que pelo menos 9,5 quilômetros cúbicos, talvez até 10 quilômetros cúbicos, de material foram deslocados durante o evento cataclísmico. Este volume é equivalente a aproximadamente 4 mil pirâmides egípcias.

Dois terços se referem a cinzas e rochas ejetadas pela caldeira (ou abertura) do vulcão.

"Você pode pensar nisso como 'um tiro de espingarda' direto para o céu", disse o geólogo marinho e diretor do projeto Niwa, Kevin Mackay, à BBC News.

Imagens mostraram inundações quando as ondas do tsunami começaram — Foto: DIVULGAÇÃO
Imagens mostraram inundações quando as ondas do tsunami começaram — Foto: DIVULGAÇÃO

"Parte desse material foi além da estratosfera, para a mesosfera (57 km de altitude) — a coluna de erupção mais alta registrada na história da humanidade.", acrescentou.

O terço restante era material raspado do topo e das laterais do Hunga-Tonga à medida que os detritos caíam para varrer o fundo do oceano.

Esse transporte tomou a forma de correntes de densidade piroclástica, que são avalanches de rochas incandescentes. Na água, seu calor escaldante as teria envolvido em uma espécie de almofada de vapor sem atrito na qual poderiam simplesmente se deslocar em alta velocidade.

Nuvem de cinza se espalha por ilhas de Tonga — Foto: BBC
Nuvem de cinza se espalha por ilhas de Tonga — Foto: BBC

O trabalho de pesquisa rastreou fluxos que conseguiram percorrer e ultrapassar elevações de várias centenas de metros.

Isso explica, por exemplo, o rompimento do cabo submarino de fibra óptica que conecta Tonga à internet global. Uma grande parte do cabo foi cortada, apesar de estar a 50 km ao sul de Hunga-Tonga e atrás de uma grande colina no fundo do mar.

"Onde houve esses fluxos, não há nada vivendo lá hoje. É como um deserto a 70 km do vulcão", diz Mackay.

Erupção deixa poucos rastros acima da água em Hunga-Tonga e Hunga Ha'apai — Foto: BBC
Erupção deixa poucos rastros acima da água em Hunga-Tonga e Hunga Ha'apai — Foto: BBC

"E, ainda assim, surpreendentemente, logo abaixo da borda do vulcão, em lugares que escaparam dessas correntes de densidade, você encontra vida. Você encontra esponjas. Escaparam por pouco."

Os fluxos piroclásticos também fazem parte da história do tsunami do Hunga-Tonga.

As ondas foram registradas em todo o Pacífico, mas também em outras bacias oceânicas — no Atlântico e até no Mar Mediterrâneo.

A equipe do Niwa diz que houve essencialmente quatro maneiras pelas quais a água se deslocou para gerar esses tsunamis: pelos fluxos de densidade empurrando a água para fora; pela força explosiva da erupção também empurrando a água; como resultado do dramático colapso do fundo da caldeira (caiu 700m); e por ondas de pressão da explosão atmosférica atuando na superfície do mar.

Em certas fases durante a erupção, esses mecanismos provavelmente atuaram em conjunto.

Um bom exemplo é a maior onda que atingiu a ilha principal de Tonga, Tongatapu, a 65 km ao sul do Hunga-Tonga. Isso aconteceu pouco mais de 45 minutos após a primeira grande explosão eruptiva. Uma parede de água de vários metros de altura invadiu a península de Kanokupolu, destruindo resorts nas praias no processo.

Emily Lane, especialista em desastres naturais do Niwa, acredita que uma anomalia na pressão atmosférica aumentou a altura das ondas do tsunami.

"No caso das grandes ondas locais — a fim de entendê-las corretamente, acredito que você também tenha que ter esse acoplamento atmosférico", explica.

"Tivemos uma enorme anomalia de pressão que por si só teria gerado um tsunami. Então, quando você já tem ondas, está apenas adicionando energia a elas."

O levantamento do Niwa, formalmente chamado de Projeto de Mapeamento do Fundo Marinho da Erupção de Tonga (TESMaP, na sigla em inglês), foi realizado em duas partes.

A primeira etapa, que mapeou e coletou amostras do fundo do mar ao redor do vulcão, foi conduzida pelo navio de pesquisa Tangaroa, da Nova Zelândia.

A segunda etapa, diretamente acima da montanha, foi feita pelo barco-robô britânico USV Maxlimer. Operado pela Sea-Kit International a partir de uma sala de controle a 16.000 km de distância em Tollesbury, no Reino Unido, este veículo não tripulado foi capaz de identificar atividade vulcânica contínua, embora relativamente moderada.

O barco fez isso rastreando uma camada persistente de cinzas na caldeira até sua fonte — uma nova abertura vulcânica a cerca de 200 metros de profundidade.

É impressionante que apenas seis pessoas morreram no evento de 15 de janeiro, e duas delas no Peru. Poderia ter sido muito pior.

Todos os resultados do TESMaP vão contribuir, em última análise, para a mitigação de riscos, preparando nações do Pacífico localizadas perto da zona vulcânica, que vai da Ilha Norte da Nova Zelândia até Samoa.

Elas vão ter uma ideia melhor agora de onde construir infraestrutura e como protegê-la; e, mais importante, avaliar a escala do risco que enfrentam.

"Sempre subestimamos os vulcões submarinos", diz Taaniela Kula, do Serviço Geológico de Tonga.

"Há outros cinco ao redor de Tongatapu. Isso significa que precisamos de mais planejamento e urgente."

O TESMaP foi financiado pela Nippon Foundation, do Japão, e organizado com a ajuda do projeto Seabed2030, um esforço internacional para mapear adequadamente o fundo do oceano da Terra.

Este texto foi publicado em www.bbc.com/portuguese/internacional-63706166

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sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Escavação no Coliseu revela 'lanchinho' dos antigos romanos

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Estudo da rede de drenagem e esgoto sob o monumento encontrou vestígios de azeitonas, nozes e outros alimentos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 25 de novembro de 2022 às 08h15m

 #.*Post. - N.\ 10.568*.#

O Coliseu é uma das atrações turísticas mais populares da Itália — Foto: REUTERS
O Coliseu é uma das atrações turísticas mais populares da Itália — Foto: REUTERS

O público do Coliseu, a antiga arena de gladiadores de Roma, pode ter saboreado alguns petiscos, como azeitonas, frutas e nozes, descobriram arqueólogos.

Fragmentos de comida — como figos, uvas, cerejas, amoras, nozes e muito mais — foram descobertos durante uma escavação no sítio arqueológico.

Os arqueólogos também encontraram ossos de ursos e grandes felinos que provavelmente eram usados ​​nos espetáculos de caça na arena.

As descobertas foram feitas por arqueólogos que examinaram as redes de esgoto do monumento de 2 mil anos.

Relíquias como estas dão uma ideia da "experiência e dos hábitos de quem aqui vinha nos longos dias dedicados aos espetáculos", explica Alfonsina Russo, diretora do Parque Arqueológico do Coliseu.

Os pesquisadores dizem que ossos de ursos e leões provavelmente são provenientes de animais que foram forçados a lutar entre si e com os gladiadores para entretenimento do público.

Ossos de animais menores pertencentes a cachorros também foram encontrados.
Imagem
Uma seleção de sementes de frutas, pedras e caroços recuperados do sistema de drenagem
do Coliseu em #Roma, restos dos petiscos comidos pelos espectadores
#romanos assistindo aos jogos na arena até 1900 anos atrás
#ArqueologiaRomana

O estudo começou em janeiro de 2021 e envolveu a limpeza de cerca de 70 metros da rede de drenagem e esgoto sob o Coliseu, que continua sendo um dos monumentos mais visitados da Itália.

Arquitetos e arqueólogos especializados usaram robôs para navegar no complexo sistema de drenagem da arena — ajudando na compreensão da vida cotidiana em Roma, assim como das suas antigas estruturas hidráulicas, disseram os pesquisadores.

O Coliseu foi o maior anfiteatro do império romano, caindo em desuso por volta de 523 d.C. Era famoso por ser palco de lutas de gladiadores e outros espetáculos públicos que atraíam dezenas de milhares de espectadores.

Moedas antigas também foram descobertas na escavação, incluindo 50 moedas de bronze que datam do final do período romano, por volta de 250-450 d.C — e uma moeda comemorativa de prata de cerca de 170-171 d.C., celebrando 10 anos do governo do imperador Marco Aurélio.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2022

4 fatores que impedem que Brasil vire potência no turismo apesar do potencial

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Estudo analisou fatores que emperram o desenvolvimento nacional do setor, que poderia dar contribuição na criação de empregos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 24 de novembro de 2022 às 07h25m

 #.*Post. - N.\ 10.567*.#

As Cataratas do Iguaçu representam apenas um dos grandes ativos do turismo brasileiro, mas país segue com números modestos para o potencial — Foto: ARTERRA/UNIVERSAL IMAGES GROUP VIA GETTY IMAGES/via BBC
As Cataratas do Iguaçu representam apenas um dos grandes ativos do turismo brasileiro, mas país segue com números modestos para o potencial — Foto: ARTERRA/UNIVERSAL IMAGES GROUP VIA GETTY IMAGES/via BBC

Alguns dos elementos mais associados ao Brasil — belezas naturais, grande diversidade cultural, calendário rico em festas nacionais e regionais — valem ouro em qualquer roteiro de viagem. Mas o grande potencial do país não se traduz em números de destaque no mercado mundial de turismo. Um estudo analisou fatores que emperram o desenvolvimento nacional da área.

O futuro do turismo no Brasil a partir da análise crítica do período 2000-2019 contou com 23 pesquisadores de 17 instituições brasileiras. A investigação observa que, mesmo durante o boom do turismo internacional na década passada, o Brasil estacionou em pouco mais de 6 milhões de visitantes estrangeiros por ano.

Nesse período, o país ainda teve a rara oportunidade de sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada no espaço de dois anos, mas o crescimento entre 2014 e 2019 foi ínfimo: uma alta ligeira (que também pode ser vista como estagnação) de 6,31 milhões para 6,35 milhões.

O Brasil não figura nem na lista da Organização Mundial de Turismo dos 50 países com mais chegadas de turistas. Os dados são relativos a 2019, ou seja, antes da chegada da pandemia de covid. Em todo o mundo, o setor sofreu fortemente os impactos da quarentena e tenta agora ensaiar uma recuperação. Para efeito de comparação, uma única localidade do Vietnã, a Baía de Ha Long, recebeu quase o equivalente aos números totais do Brasil: 6,2 milhões, de acordo com o Euromonitor. O Vietnã, como um todo, contabiliza 18 milhões de viajantes internacionais anualmente.

Outro exemplo, e de maior proximidade, é o México. De limitações socioeconômicas como o Brasil, o país se firmou como um dos mais importantes destinos do turismo mundial, com 45 milhões de turistas estrangeiros.

Apesar de trunfos como o Rio de Janeiro, uma metrópole com belezas naturais, número de visitantes internacionais no Brasil é pequeno se comparado a países como Vietnã e Tailândia — Foto: TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL/via BBC
Apesar de trunfos como o Rio de Janeiro, uma metrópole com belezas naturais, número de visitantes internacionais no Brasil é pequeno se comparado a países como Vietnã e Tailândia — Foto: TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL/via BBC

Os mexicanos são muito beneficiados pela proximidade com os Estados Unidos, mas deram prioridade ao setor em sua estratégia econômica na última década, segundo observa relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

Comparações podem ser relativizadas pelas condições específicas dos países, mas o mercado brasileiro, com trunfos turísticos bem conhecidos como o Rio de Janeiro e as Cataratas do Iguaçu e dezenas de lugares com grandes possibilidades de desenvolvimento, está claramente aquém do seu potencial.

Isso é admitido em um relatório do governo federal.

"O Brasil não faz parte das rotas do turismo global", diz uma análise feita pela Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade, vinculada ao Ministério da Economia, no ano passado.

O texto cita que "no Brasil, 93% dos visitantes são locais" e "[em 2019] a participação no PIB era de 7,7% e com alta empregabilidade, mas com um crescimento estagnado".

A permanência de velhos problemas e o aparecimento de novos levam o Brasil a deixar de aproveitar um setor que poderia ter um impacto positivo de forma considerável na economia, na melhoria dos serviços, na conservação dos espaços nas cidades, entre outros ganhos.

Para Alexandre Panosso Netto, coordenador de pós-graduação em Turismo da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores da pesquisa, esse caminho de desenvolvimento não se torna uma política séria de Estado por algumas razões: "concorrência de várias áreas e a incompreensão dos pontos positivos do turismo como vetor e alavanca de inclusão social, de valorização da cultura e de diversificação de pensamentos e aprendizado".

"O turista estrangeiro gastava por volta de US$ 110 por dia no Brasil até a pandemia. Em 2019 foi por volta de US$ 6 bilhões que os estrangeiros trouxeram ao país. Então dobrar ou triplicar o número de visitantes representaria dobrar ou triplicar esse montante."

Museu do Amanhã tornou-se uma das principais atrações turísticas do Rio — Foto: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL/via BBC
Museu do Amanhã tornou-se uma das principais atrações turísticas do Rio — Foto: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL/via BBC

O mercado de trabalho também teria a ganhar com o turismo.

"Não é só financeiro, o aumento do número de empregos gerados e o efeito multiplicador do turismo seriam grandes."

Veja abaixo alguns fatores que prejudicam que o turismo brasileiro decole:

1) Imagem ruim no exterior

Brasil foi considerado segundo país mais perigoso para mulheres que viajam sozinhas em ranking — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
Brasil foi considerado segundo país mais perigoso para mulheres que viajam sozinhas em ranking — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Violência, corrupção, ambiente hostil para mulheres e para o público LGBTQ+, somados à deterioração nos últimos anos da imagem do país em campos como meio ambiente e a gestão da pandemia do coronavírus, não criam um cenário muito atraente para turistas considerarem o Brasil como destino, afirma Panosso Netto.

Seu estudo cita um índice criado pelos jornalistas Asher e Lyric Fergusson que ranqueia os países mais perigosos para mulheres que viajam sozinhas. O Brasil é listado na segunda posição, atrás apenas da África do Sul.

A mudança do slogan oficial do turismo brasileiro em 2019 também não ajudou na imagem brasileira. A frase usada para promoção, "Visit and love us" (Visite e nos ame, em tradução literal), foi considerada de pouca fluência e de construção pouco usual no inglês, além de soar com conotação sexual para alguns turistas estrangeiros.

O pesquisador também diz que a ligação do país a histórias que envolvem corrupção "influenciam como o turista nacional e internacional vê o destino Brasil. Se é um destino com notícias de corrupção, também se pode imaginar que é um destino inseguro".

Ele diz que países com problemas relacionados à corrupção como México e Turquia, mas com grande número de visitantes, conseguem contornar a questão pela proximidade a grandes mercados consumidores internacionais e a criação de ilhas de excelência turística.

2) Falta de continuidade em políticas e planejamento

"Políticas de turismo específicas precisam ser baseadas em um processo de planejamento contínuo", diz o estudo.

Para um desenvolvimento mais sustentável do setor é preciso que o Ministério do Turismo e a Embratur tenham grande qualidade técnica, com um planejamento de longo prazo.

Gruta do Lago Azul, em Bonito (MS), cidade que é citada como exemplo de boa estratégia de longo prazo, por ter começado na década de 1990 a trabalhar o potencial turístico e hoje é um destino bastante solicitado — Foto: PREFEITURA DE BONITO/via BBC
Gruta do Lago Azul, em Bonito (MS), cidade que é citada como exemplo de boa estratégia de longo prazo, por ter começado na década de 1990 a trabalhar o potencial turístico e hoje é um destino bastante solicitado — Foto: PREFEITURA DE BONITO/via BBC

Panosso Netto cita Bonito, em Mato Grosso do Sul, como um exemplo de um destino que vivenciou processo de melhora e desenvolvimento através dos anos.

"Há ótimos exemplos de boas práticas turísticas nos interiores do Brasil. Bonito, em Mato Grosso do Sul, com sua diversidade ecológica e turismo de alto nível, é um exemplo disso. Mas essa qualidade de Bonito não foi alcançada de uma hora para a outra. Começou no início dos anos 1990. Estamos falando, portanto, de mais de 30 anos de trabalho."

Mas problemas com a conservação ambiental derivados do desmatamento vem impactando o ecoturismo da região. A abertura de áreas para agricultura impacta na cor das suas águas, um dos grandes trunfos de Bonito. Cerca de 70% da população local depende do turismo.

Políticas de turismo também incluem a identificação de oportunidades em diferentes mercados, como o latino-americano.

"É preciso se preparar para receber o turista argentino, uruguaio, chileno, peruano, boliviano, paraguaio etc. Não podemos estar dar as costas à América Latina."

3) Qualidade dos serviços varia muito

A falta de maior profissionalização na parte de serviços é algo constantemente apontado como problemático. "Esse é um dos itens mais criticados pelos profissionais do setor", afirma Panosso Netto.

O pesquisador acha que seria também uma forma de desenvolver a própria área de empreendedorismo no país.

"O turismo é a porta de entrada de muitos empreendedores de primeira viagem. Termos que transformar isso em um ponto positivo a nosso favor. O governo pode criar programas de formação continuada do turismo, tal como já existiram no passado, a exemplo do Curso de Formação de Gestores de Políticas Públicas do Turismo Nacional."

Educação sobre como funcionam o mercado e o atendimento a turistas domésticos e internacionais, além do aprendizado efetivo de idiomas, seriam formas de capacitação.

Mas há um outro problema estrutural, segundo o professor da USP: "A dificuldade em acessar o crédito para o investimento em empreendimentos turísticos pequenos também é imensa".

4) Transporte aéreo e deslocamento

Aeroporto de Guarulhos — Foto: AGÊNCIA BRASIL/via BBC
Aeroporto de Guarulhos — Foto: AGÊNCIA BRASIL/via BBC

Segundo a pesquisa, embora o ambiente entre 2000 e 2019 no mercado aéreo "tenha melhorado a oferta e a competição nas rotas principais, especialmente aquelas conectando as capitais dos Estados e grandes centros urbanos, o acesso regional ainda é caro e, na maioria dos casos, insatisfatório".

Para Panosso Netto, "o transporte aéreo está deveras caro pelo preço do querosene e a política de impostos dos combustíveis e taxas aeroportuárias. Além disso, as viagens rodoviárias são prejudicadas pelas condições das rodovias; e se as rodovias são boas, os pedágios são caros".

O tamanho continental do Brasil, que de uma forma pode ser uma vantagem pela variedade de ofertas, acaba gerando um problema pelo deslocamento.

"Acredito que os destinos regionais devam se unir mais para compartilharem os turistas que por eles passam. Ou seja, a gestão regional do turismo deve ser fortalecida, junto com a criação de roteiros regionais com produtos e serviços de alta qualidade", diz o professor da USP.

O estudo defende "alinhar o ambiente regulatório, jurídico e tributário que rege a aviação brasileira, ao ambiente internacional. A evolução que viveu o setor nestes 20 anos não permite que sigamos admitindo que o Brasil tenha sérias diferenças e distorções entre nossas regras nacionais, que acabam gerando ofertas e produtos mais caros aos consumidores, e o que se pode ofertar no exterior".

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quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Entenda por que o Catar é tão rico

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País tem a terceira maior reserva de gás natural do mundo, e o território é menor que o do estado de Sergipe. Seu PIB per capita é o 6º do mundo.
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Por g1

Postado em 23 de novembro de 2022 às 20h00m

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Vista geral da cidade de Doha, no Catar — Foto: Marko Djurica/REUTERS
Vista geral da cidade de Doha, no Catar — Foto: Marko Djurica/REUTERS

O Catar é uma das nações mais ricas do mundo —o produto interno bruto (PIB) per capita do país é de mais de US$ 85 mil, o sexto melhor do planeta. O país é uma pequena península, menor do que o estado de Sergipe, no meio do Golfo Árabe.

O poder econômico permitiu que governo gastasse mais de US$ 200 bilhões em infraestrutura para poder ser sede da Copa de 2022.

Esse dinheiro todo vem de uma fonte: petróleo. A economia depende fortemente de venda petróleo e gás natural, ainda que haja um plano para diversificar as fontes de receita. A Copa é parte desse plano.

O país tem 13% de todas as reservas de gás natural do mundo (o Catar é o dono da terceira maior reserva desse produto).

Essa riqueza é dividida por 2,5 milhões de pessoas, sendo que os catarianos são uma minoria de menos de 12% do total.

Produção de petróleo

O país tem uma gigante reserva de gás natural, mas a produção de petróleo, apesar de muito grande para um país minúsculo, não é das maiores: são cerca de 600 mil barris por dia.

A quantidade de petróleo já encontrada é de mais de 25 bilhões de barris —isso permite que o Catar mantenha a atual produção por 56 anos. O país foi a primeira nação árabe a integrar a Opep, o cartel dos países produtores de petróleo, em 1960.

País era pobre até a década de 1970

Catar garante bons benefícios a seus cidadãos -- mas não aos estrangeiros — Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters
Catar garante bons benefícios a seus cidadãos -- mas não aos estrangeiros — Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

Há cerca de 50 anos, quando o país se tornou independente do Reino Unido, o Catar era um dos países mais pobres do Golfo Árabe.

Tradicionalmente, o principal alicerce econômico da região era a extração de pérolas. Na década de 1940 houve a primeira descoberta de petróleo no campo de Dukhan. Foi nesse momento que a economia do país começou a mudar, ainda que, no primeiro momento, lentamente, por causa da Segunda Guerra Mundial.

No embalo da Copa, Catar investe no desenvolvimento da Cidade da Educação
No embalo da Copa, Catar investe no desenvolvimento da Cidade da Educação

Durante a década de 1970, as mudanças no país se aceleraram. A produção de óleo, inicialmente, ficou nas mãos de empresas estrangeiras. Os catarianos começaram a nacionalizar o setor, e, a partir de 1977, a estatal QatarEnergy se tornou a principal do país —as estrangeiras prestam serviços para a empresa do país.

O principal campo de gás natural do Catar é o Campo Norte, que foi descoberto nos anos 1970. Esse é um dos maiores campos de gás natural do mundo.

Diversificação de fontes de riqueza

O plano para diversificar o PIB não é uma novidade: há uma grande empresa aérea, Qatar Airways, e uma grande rede de jornalismo internacional no país, a al Jazeera. Indústria, construção e serviços financeiros também têm crescido consistentemente no país.

Hoje, a produção de óleo e gás é de cerca de metade do PIB.

O emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al-Thani, durante a inauguração do novo Porto Hamad, em Doha, no dia 5 de setembro de 2017 — Foto: Handout/Qatar News Agency/AFP
O emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al-Thani, durante a inauguração do novo Porto Hamad, em Doha, no dia 5 de setembro de 2017 — Foto: Handout/Qatar News Agency/AFP

Ditadura, mas com estado de bem-estar social

O Catar não é uma democracia. As decisões são tomadas pela dinastia Al Thani e seus conselheiros. Os cidadãos não têm influência significativa nos rumos do país.

Eles recebem alguns benefícios derivados das riquezas naturais. O governo distribui incentivos para contar com a lealdade e apoio dos catarianos. Veja abaixo uma lista de alguns dos benefícios que os cidadãos do Catar têm:

  • Não pagam Imposto de Renda;
  • Há muitos empregos com altos salários no setor público;
  • Sistema de saúde gratuito;
  • Educação superior gratuita;
  • Apoio financeiro para quem se casa;
  • Auxílio moradia;
  • Subsídios para a conta de energia;
  • Boas aposentadorias
Mão-de-obra

Mais de 88% dos moradores do Catar são de outros países. Esses imigrantes são, majoritariamente, do sul da Ásia e da África. O país depende dos trabalhadores dessas regiões. Para conseguir construir a infraestrutura da Copa, o Catar recorreu a essa mão-de-obra.

Além dos estádios, o Catar construiu um novo sistema de metrô e novas rodovias. Essas construções foram aceleradas pela Copa.

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