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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Noite dos Cristais: fotos inéditas mostram horror de ataque nazista a judeus em 1938

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As fotos foram divulgadas pelo museu do Holocausto Yad Vashem para marcar 84 anos dos ataques.
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TOPO
Por BBC

Postado em 14 de novembro de 2022 às 09h10m

 #.*Post. - N.\ 10.555*.#

Oficiais nazistas carregando livros, supostamente para serem queimados — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC
Oficiais nazistas carregando livros, supostamente para serem queimados — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC

Oitenta e quatro anos atrás, uma onda de violência em massa contra judeus na Alemanha e na Áustria deu início à escalada da perseguição nazista.

Milhares de empresas, residências e sinagogas judaicas foram atacadas — e quase 100 judeus foram mortos durante os atos de violência.

Cerca de 30 mil homens judeus foram detidos e enviados para campos de concentração. Segundo o United States Holocaust Memorial Museum, foi a primeira vez em que oficiais nazistas realizaram prisões em massa de judeus especificamente por serem judeus.

Agora, foram divulgadas fotos inéditas do pogrom (onda de ataques violentos contra judeus) de novembro de 1938 — a chamada 'Noite dos Cristais', como ficou conhecido o episódio devido aos pedaços de vidro partidos espalhados pelas ruas.

AVISO: Este artigo contém imagens fortes, que podem ser perturbadoras para alguns leitores

Pessoas observam oficial nazista atacar loja de um judeu — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC
Pessoas observam oficial nazista atacar loja de um judeu — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC

Objetos espalhados pelo chão de uma loja de judeus saqueada — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC
Objetos espalhados pelo chão de uma loja de judeus saqueada — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC

As fotos foram tiradas por dois fotógrafos nazistas nas cidades alemãs de Nuremberg e Fürth.

Esses fotógrafos foram parte integrante do evento, de acordo com Jonathan Matthews, chefe do arquivo de fotos do Yad Vashem, o centro de memória israelense que divulgou as imagens.

Bancos tombados em uma sinagoga — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC
Bancos tombados em uma sinagoga — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC


Soldados nazistas despejando gasolina em bancos de uma sinagoga — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC
Soldados nazistas despejando gasolina em bancos de uma sinagoga — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC


Sinagoga em chamas durante o pogrom — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC
Sinagoga em chamas durante o pogrom — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC

O álbum de fotos foi entregue ao Yad Vashem pela família de um soldado judeu americano que serviu na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com o centro de memória, ele nunca falou sobre suas experiências durante a guerra.

Quando sua neta Elisheva Avital abriu o álbum, sentiu como se "tivessem queimado um buraco em [suas] mãos".

A fachada de uma loja destruída com oficiais nazistas de prontidão ao lado — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC
A fachada de uma loja destruída com oficiais nazistas de prontidão ao lado — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC


Oficiais nazistas derrubando livros de uma estante — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC
Oficiais nazistas derrubando livros de uma estante — Foto: YAD VASHEM PHOTO ARCHIVE/via BBC

Os pogroms de 9 e 10 de novembro de 1938 são frequentemente considerados o ponto de partida do Holocausto, no qual a Alemanha nazista matou seis milhões de judeus.

Matthews diz que as fotos mostram que a violência foi organizada pelo Estado — e não foi um "evento espontâneo de uma população enfurecida", como a narrativa oficial da época sugeria.

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domingo, 13 de novembro de 2022

Mudanças climáticas: por que 'brilho' da Terra está diminuindo, segundo cientistas

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Além de alimentar inundações e secas mortais, fenômeno é citado como causa de efeitos estranhos, como explosões espontâneas no permafrost siberiano e escassez de mostarda.
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TOPO
Por Victoria Gill e Ella Hambly, BBC

Posstado em 13 de novembro de 2022 às 07h35m

 #.*Post. - N.\ 10.554*.#

Mudanças climáticas: por que 'brilho' da Terra está diminuindo, segundo cientistas — Foto: GETTY IMAGES
Mudanças climáticas: por que 'brilho' da Terra está diminuindo, segundo cientistas — Foto: GETTY IMAGES

Muitos dos impactos das mudanças climáticas são devastadores. Alguns são estranhos.

Além de alimentar inundações e secas mortais, as mudanças climáticas são citadas como causa de explosões espontâneas no permafrost siberiano, escassez de mostarda e o planeta ficando mais escuro.As mudanças climáticas podem estar, por exemplo, diminuindo o "brilho" da Terra, de acordo com cientistas do Big Bear Solar Observatory, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Ao medir a luz solar refletida da Terra para a parte escura da Lua à noite, os cientistas mediram o que eles chamam de "brilho" do planeta - basicamente, a refletividade da Terra.

Os estudos sugeriram que a cobertura de nuvens baixas sobre o leste do Oceano Pacífico está diminuindo devido ao aquecimento da temperatura do oceano.

Como essas nuvens agem como um espelho, refletindo a luz do Sol de volta para o espaço, sem elas, essa luz refletida diminui.

Então, de acordo com esses cientistas, podemos realmente estar tirando o brilho do nosso planeta.

Lua crescente com a parte escura da Lua levemente iluminada pelo 'brilho da terra' — Foto: GETTY IMAGES
Lua crescente com a parte escura da Lua levemente iluminada pelo 'brilho da terra' — Foto: GETTY IMAGES

Explosões

Crateras gigantes no degelo do permafrost siberiano foram atribuídas por alguns cientistas russos a temperaturas mais quentes do solo, causando a explosão espontânea de bolsões subterrâneos de gás.

O permafrost é definido como a terra que ficou congelada continuamente por mais de dois anos.

É apenas uma hipótese para explicar a formação de crateras gigantes na paisagem ártica. Mas elas são um sinal inquietante de que essa paisagem fria e amplamente despovoada no norte do planeta está passando por mudanças radicais.

Pesquisas recentes também mostraram que o Ártico está se aquecendo ainda mais velozmente do que se pensava - quatro vezes mais rápido que o resto do mundo.

Cientistas acreditam que temperaturas mais quentes do solo fizeram com que bolsões subterrâneos de gás explodissem espontaneamente sob o permafrost — Foto: GETTY IMAGES
Cientistas acreditam que temperaturas mais quentes do solo fizeram com que bolsões subterrâneos de gás explodissem espontaneamente sob o permafrost — Foto: GETTY IMAGES

Répteis que mudam de sexo

Embora possamos estar causando o aquecimento global, não somos a única espécie que sente seus efeitos. Algumas criaturas são afetadas de maneiras realmente surpreendentes.

Em alguns répteis, o sexo da prole é parcialmente determinado pela temperatura na qual os ovos são incubados.

Dragões-barbudos - uma espécie de lagarto encontrada na Austrália - mudam de macho para fêmea quando são incubados a uma certa temperatura.

Assim, os cientistas estão preocupados que os machos possam se tornar cada vez mais raros à medida que o mundo aquece - colocando a espécie em risco de extinção.

No oceano, os níveis crescentes de dióxido de carbono do gás de efeito estufa podem estar fazendo com que os peixes percam o olfato.

Filhotes de chapim na palma da mão de um cientista — Foto: BBC
Filhotes de chapim na palma da mão de um cientista — Foto: BBC

A mudança climática também está atrapalhando de forma sensível a sincronia sazonal. Em abril, em Wytham Wood, a floresta mais cientificamente estudada do Reino Unido, filhotes de chapim, um pequeno pássaro, emergiram de seus ovos até três semanas antes do que teriam feito na década de 1940.

Toda a cadeia alimentar na primavera mudou com o aquecimento. As lagartas que os pássaros comem, as folhas de carvalho que as lagartas comem - todas atingem seu pico semanas mais cedo do que antes.

Enquanto as estações mudam, muitos pássaros estão se ajustando - ou apenas se mudando para outros lugares. Este ano, filhotes de abelharucos foram vistos em uma pedreira de Norfolk - eles geralmente são encontrados no sul do Mediterrâneo e no norte da África.

Mostarda em falta

No verão, os supermercados na França começaram a ficar sem mostarda dijon — Foto: ALAMY
No verão, os supermercados na França começaram a ficar sem mostarda dijon — Foto: ALAMY

O clima extremo também está dificultando o cultivo de alimentos. Alimentos básicos como trigo, milho e café já estão sendo afetados. E, neste ano, houve uma notável escassez de condimentos.

Em abril, a Huy Fong Foods, uma empresa com sede na Califórnia que produz cerca de 20 milhões de garrafas de molho de pimenta todos os anos, enviou uma carta aos clientes alertando sobre uma "grave escassez" do produto.

No verão, os supermercados na França começaram a ficar sem mostarda dijon - um problema que pode ser atribuído ao mau tempo nas pradarias canadenses, onde a maioria das sementes de mostarda do mundo é cultivada.

E as mudanças climáticas estão até mesmo dificultando os esforços para reduzir as emissões de carbono. Em agosto, a empresa de energia EDF teve que reduzir a produção de usinas nucleares na França, porque não havia água fria suficiente nos rios franceses.

A reação - que está sendo discutida por 200 países na cúpula climática da Organização das Nações Unidas agora - é um corte dramático nos gases que aquecem o planeta.

Mas já transformamos nosso mundo aquecendo-o - e provavelmente haverá muitas outras consequências inesperadas e surpreendentes.

Texto originalmente publicado em www.bbc.com/portuguese/geral-63612606

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sábado, 12 de novembro de 2022

O que Ciência diz sobre pessoas sem parentesco que se parecem muito fisicamente

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Grupo de pesquisadores entrou em contato com pessoas em diferentes partes do mundo. O que eles descobriram ao estudá-las é fascinante.
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TOPO
Por BBC

Postado em 12 de novembro de 2022 às 20h35m

 #.*Post. - N.\ 10.553*.#

Pesquisa mostra que supersósias podem compartilhar parte de DNA mesmo sem terem parentesco
Pesquisa mostra que supersósias podem compartilhar parte de DNA mesmo sem terem parentesco

Agnes estava viajando de trem quando um homem se aproximou dela e começou a conversar sobre assuntos de que ela não tinha ideia. O sujeito logo percebeu que "ela não era quem ele pensava". E não demorou muito para ele dizer que conhecia seu doppelgänger, um termo alemão para "sósia".

Agnes foi incentivada a conhecer a amiga de seu companheiro de trem e, pelo Facebook, viu Ester. Mais tarde, elas se conheceram pessoalmente.

"Nós nos demos muito bem imediatamente. Não é apenas nossa aparência, mas nossas personalidades também se assemelham."

Para Ester, "é estranho e maravilhoso ver parte de você em outra pessoa".

Mas o que torna a experiência muito especial fato de que ela e a sósia são semelhantes em caráter e interesses. "Temos os mesmos gostos: música, roupas, tatuagens."

Quando Ester tinha 32 anos e Agnes tinha 28, posaram para François Brunelle, que compartilhou a história das duas holandesas com a BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

O fotógrafo canadense lembra que, ao vê-las, sentiu-se "muito feliz por ver o quanto eles se pareciam".

O artista passou anos retratando pessoas, em diferentes partes do planeta, que não são parentes e se parecem muito.

Foi assim, na imagem abaixo, que ele fotografou Ester e Agnes em 2015.

Agnes e Ester em foto tirada por François Brunelle — Foto: François Brunelle via BBC
Agnes e Ester em foto tirada por François Brunelle — Foto: François Brunelle via BBC

Agnes e Ester são apenas duas das centenas de participantes do projeto de Brunelle, "Eu não sou um sósia!".

Talvez você já tenha visto nas redes sociais, pois também se deparou com uma das centenas de artigos na internet com fotos de pessoas não famosas que se parecem com figuras públicas ou celebridades muito parecidas entre si.

De fato, uma dessas comparações que se tornou popular nos últimos anos é a do fundador da equipe Ferrari, o italiano Enzo Ferrari, e a do jogador de futebol alemão de origem turca Mesut Ozil.

Mesut Ozil (esq.), jogador de futebol alemão, nasceu em 1988, e Enzo Ferrari, fundador da equipe Ferrari, nasceu na Itália em 1898 — Foto: Getty Images via BBC
Mesut Ozil (esq.), jogador de futebol alemão, nasceu em 1988, e Enzo Ferrari, fundador da equipe Ferrari, nasceu na Itália em 1898 — Foto: Getty Images via BBC

O que Brunelle pode não ter imaginado quando iniciou seu projeto é que ele se tornaria a base para pesquisas científicas pioneiras.

Ele foi contatado por um grupo de especialistas do Instituto Josep Carreras de Pesquisa em Leucemia de Barcelona, na Espanha, ​​​​que estão tentando entender as semelhanças físicas entre indivíduos que não têm vínculos familiares.

Manel Esteller, diretor do instituto e professor de Genética da Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona, ​​liderou o estudo e contou à BBC News Mundo sobre as fascinantes descobertas.

Sob escrutínio

Em agosto, os resultados da pesquisa, iniciada em 2016, foram publicados na revista científica Cell Reports.

Os autores explicaram que o estudo, em nível molecular, visava "caracterizar seres humanos aleatórios que compartilhavam objetivamente características faciais".

Quatro pares, incluídos no estudo, que apresentam semelhanças em seu DNA — Foto: François Brunelle via BBC
Quatro pares, incluídos no estudo, que apresentam semelhanças em seu DNA — Foto: François Brunelle via BBC

São os indivíduos que, por sua "alta semelhança", são chamamos coloquialmente de sósias.

Os pesquisadores entraram em contato com Brunelle e com as 32 duplas voluntárias que participaram de seu projeto.

As fotos de seus rostos foram analisadas com três softwares de reconhecimento facial, como os usados, por exemplo, em aeroportos, na polícia ou para desbloquear celulares.

"Estes são programas que informam o quão semelhante um rosto é comparado a outro", explicou Esteller.

Em gêmeos, por exemplo, a similaridade detectada por esses programas chega a 90%-100%.

No estudo, eles foram usados ​​para determinar o grau de "semelhança" dos rostos e encontraram "uma alta taxa".

"O número de pares que foram correlacionados por pelo menos dois programas foi muito alto (75% de similaridade em 25 de 32)", disse o instituto em um comunicado.

De acordo com Esteller, isso é "muito próximo da capacidade humana de reconhecer gêmeos idênticos".

Em metade dos pares, todos os três programas encontraram correlações, ou seja, 16 pares extremamente semelhantes.

Os resultados

Os pesquisadores analisaram "o material biológico" dos participantes, algo que foi um pouco "complicado" de obter porque estavam "em países diferentes", disse o médico.

Assim, amostras de DNA da saliva foram coletadas e analisadas.

"Estudamos esse material biológico, o genoma e mais dois componentes: o epigenoma, que são como marcas químicas que controlam o DNA, e também o microbioma, o tipo de vírus e bactérias que temos."

O genoma, a genética, foi o que acabou unindo "os casais", enquanto a epigenética e o microbioma - aspectos relacionados ao meio ambiente - os distanciaram.

"O que o estudo está mostrando é que o mais importante nesses casos é que (os pares) têm genética parecida, uma sequência de DNA parecida, e (a semelhança) não é porque eles têm famílias em comum, não há relação entre eles."

"É porque o acaso, com certeza, acabou criando sequências ou áreas de DNA idênticas para essas pessoas."

De fato, os pesquisadores retrocederam "séculos e séculos" na história familiar dos voluntários e "não encontraram nenhum parente comum entre eles".

Entre sequências

As sequências referidas pelo especialista são decisivas na formação dos aspectos característicos do nosso rosto.

O fato de duas pessoas se parecerem tanto é "como jogar na loteria": é muito difícil você ganhar o prêmio, mas você pode ter sorte.

Acaso criou sequências ou áreas de DNA idênticas entre pares de pessoas estudados, dizem cientistas — Foto: Getty Images via BBC
Acaso criou sequências ou áreas de DNA idênticas entre pares de pessoas estudados, dizem cientistas — Foto: Getty Images via BBC

"Essas duas pessoas, apesar de não serem parentes, acabam tendo variantes genéticas que lhes dão a mesma forma." Ou seja, certas características de seu DNA são semelhantes.

Imagine que ambas as pessoas compartilham uma variante que torna as sobrancelhas mais grossas, outra que torna os lábios mais grossos, outra que as faz ter um certo tipo de queixo e assim por diante.

"Juntas, todas essas variantes tornam seus rostos parecidos. A semelhança pode ser expressa em porcentagem e tem a ver precisamente com os diferentes graus em que as variantes genéticas são compartilhadas."

Além do físico

Este estudo é inovador no campo da genética porque, como Sarah Kuta aponta na revista Smithsonian, embora "pode parecer óbvio que pessoas com características faciais semelhantes também teriam um pouco do mesmo DNA, ninguém havia provado isso cientificamente até agora."

Semelhança física deriva de uma semelhança genética, dizem cientistas — Foto: Getty Images via BBC
Semelhança física deriva de uma semelhança genética, dizem cientistas — Foto: Getty Images via BBC

Mas também há algo que vai além do físico. Os voluntários foram convidados a preencher um questionário com mais de 60 perguntas sobre seus hábitos de vida "para ver se eles também eram semelhantes nisso e, em alguns casos, havia semelhanças", disse o professor.

Outros aspectos físicos como peso, idade e altura também foram analisados. O estudo descobriu que, entre os 16 casais muito semelhantes, "muitos tinham pesos semelhantes, e a análise de seus fatores biométricos e de estilo de vida também mostrou que havia semelhanças".

"Traços comportamentais como tabagismo e nível de escolaridade foram correlacionados em pares semelhantes, sugerindo que a variação genética compartilhada está relacionada não apenas à aparência física, mas também pode influenciar hábitos e comportamentos comuns", afirma o comunicado.

Um dos aspectos que Esteller gostaria de aprofundar com esta pesquisa é o seu potencial de aplicação na Biomedicina.

"Identificamos genes e suas variantes que são importantes na determinação do formato do rosto e, portanto, do nariz, boca, testa, orelhas, e que também podem estar envolvidos em patologias. De um rosto, podemos deduzir parcialmente o genoma dessa pessoa. e isso pode ser útil para a triagem inicial para doenças genéticas."

O objetivo seria estar atento a qualquer mutação que torne uma pessoa propensa a desenvolver uma determinada doença para ajudar a evitá-la.

Questão de números

Os pesquisadores reconhecem que o estudo é pequeno, mas acreditam que é "corretamente alimentado", então, eles estão confiantes de que suas descobertas não mudarão se forem feitas em um grupo maior.

"Como a população humana é agora de 7,9 bilhões, é cada vez mais provável que essas repetições semelhantes ocorram", disse Esteller no comunicado.

"A análise de um conjunto maior fornecerá mais variantes genéticas compartilhadas por esses pares individuais especiais e também poderá ser útil para elucidar a contribuição de outras camadas de dados biológicos para definir nossos rostos."

Então é muito provável que tenhamos um sósia?

"Uma pessoa 100% idêntica a um de nós é difícil, mas uma pessoa 75% ou 80% idêntica a nós provavelmente já está por aí, porque existem muitas pessoas no mundo", respondeu o médico.

Depois de anos fotografando estranhos muito parecidos, Brunelle está fascinado.

"Acho que as pessoas são iguais em todos os lugares, uma vez que você faz uma busca um pouco mais profunda. Somos uma espécie, qualquer que seja a nossa aparência!"

- Texto originalmente publicado em http://bbc.co.uk/portuguese/curiosidades-63600059

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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Reinfecção por coronavírus mais do que dobra risco de morte, diz estudo nos EUA com grupo na faixa dos 60 anos

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Pesquisa feita com mais de 480 mil pessoas demonstrou que o risco é cumulativo e quanto mais infecções, mais chances de desenvolver sequelas ou morrer.
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Por Júlia Putini, g1

Postado em 11 de novembro de 2022 às 17h40m

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Variante da ômicron descoberta no Brasil — Foto: NIAD-NATIONAL INSTITUTE OF ALLERGY AND INFECTIOUS
Variante da ômicron descoberta no Brasil — Foto: NIAD-NATIONAL INSTITUTE OF ALLERGY AND INFECTIOUS

Um estudo publicado na revista científica "Nature" na quinta-feira (10) demonstrou que reinfecções por Covid-19 aumentam o risco de morte, hospitalização e desenvolvimento de sequelas em múltiplos sistemas de órgãos.

Embora amplo, o público pesquisado é formado por pacientes mais velhos, na faixa dos 60 anos, e geralmente homens, o que não reflete a população em geral (veja mais abaixo).

De acordo com a pesquisa liderada por Ziyad Al-Aly e uma equipe da Universidade de Washington, quando comparadas com um grupo de não infectados, as pessoas que tiveram várias infecções apresentam um risco cumulativo para a saúde. Ou seja, quanto mais infecções, mais chances de desenvolver Covid longa.

Entre as sequelas apontadas estão problemas pulmonares, cardiovasculares, gastrointestinais, renais, psicológicos e neurológicos, além de diabetes. De acordo com os pesquisadores, "os riscos foram evidentes independentemente do estado vacinal".

O estudo comparou 443.588 pessoas com uma única infecção com 40.947 que tiveram reinfecções. Dos reinfectados, 37.997 tiveram duas infecções, 2.572 tiveram três infecções e 378 sofreram quatro ou mais infecções. Todos foram acompanhados durante seis meses depois da última infecção ou reinfecção.

Para aqueles que contraíram a doença apenas uma vez, a taxa de mortalidade é de 16,77 a cada 1.000 pessoas. Já para os reinfectados, a taxa saltou para 36,10 a cada 1.000 pessoas, ou seja, mais do que dobrou. A chamada fase aguda, que compreende os 30 dias após a infeção, é o período mais crítico. No caso das hospitalizações, a taxa triplicou entre os reinfectados.

Eles também tiveram riscos elevados para problemas nos pulmões, coração, sangue, rins, ossos e músculos, além de diabetes, questões de saúde mental e desordens neurológicas.

"Mesmo se a pessoa tiver tido uma infecção prévia e sido vacinada, o que significa que tem uma dupla imunidade da infecção anterior e mais as vacinas, ela ainda está suscetível a resultados adversos ao se reinfectar", disse Al-Aly. 
Limitações do estudo

Apesar de a amostragem de pacientes ser considerada expressiva, que contou com os bancos de dados de saúde do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, os pesquisadores reconhecem que a maioria das pessoas eram homens brancos e na faixa etária de 60 anos, o que é apenas um recorte específico e não representa toda a complexidade da realidade.

Especialistas não envolvidos no estudo ponderam ainda que, entre os veteranos, geralmente, tem mais idosos e pessoas doentes do que na população geral.

Além disso, outra conclusão dos pesquisadores é que para reduzir a carga geral de morte e doença pelo SARS-CoV-2 será necessário desenvolver estratégias para prevenção de reinfecções.

Covid longa

Um estudo holandês publicado em agosto apontou que um em cada oito adultos infectados com o vírus Sars-CoV-2 experimenta sintomas de Covid longa, que é quando um ou mais sintomas persistem quatro semanas após a infecção.

A pesquisa descobriu que vários sintomas eram novos ou mais graves três a cinco meses depois de a pessoa ter tido Covid-19, em comparação com os sintomas antes da infecção e grupo controle (que não positivou para o vírus). Os principais sintomas registrados foram:

  • Dor no peito
  • Dificuldade respiratória
  • Dor ao respirar
  • Dor nos músculos
  • Perda do tato/cheiro
  • Formigamento das mãos/pés
  • Nódulo na garganta
  • Sensação alternada de frio/calor
  • Braços e pernas cansados
  • Cansaço geral

Outro estudo, baseado em dados de pesquisas e registros eletrônicos de saúde no Reino Unido, revelou que ser mulher, apresentar problemas de saúde em geral antes da pandemia, ter entre 50 e 60 anos, sofrer de asma e ter sobrepeso ou obesidade são fatores de risco para o desenvolvimento da Covid longa.

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