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terça-feira, 11 de outubro de 2022

IPCA fica em -0,29% em setembro, terceira deflação seguida, aponta IBGE

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Resultado, mais uma vez, foi puxado pela redução nos preços dos combustíveis. Desde 1998, o país não registrava três deflações seguidas - a deste ano é a maior deflação acumulada da série histórica.
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Por Daniel Silveira, g1 — Rio de Janeiro

Postado em 11 de outubro de 2022 às 10h00m

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Bomba de combustíveis em posto no Rio de Janeiro, registro de setembro de 2022; — Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
Bomba de combustíveis em posto no Rio de Janeiro, registro de setembro de 2022; — Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

O Brasil registrou deflação pelo terceiro mês consecutivo, algo que não era visto no país havia 24 anos. Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em -0,29%, conforme divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, desde 1998 o país não registrava três meses seguidos de deflação. Ele destacou que, naquele ano, isso também ocorreu no trimestre de julho, agosto e setembro.

Trata-se, no entanto, da maior deflação acumulada da séria histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 1980. De julho a setembro deste ano, o país acumula deflação de -1,32%, – em igual período de 1988, o acumulado foi de -0,85%.

A taxa de setembro, contudo, foi a menos intensa destes três meses de queda do indicador: em julho, ela ficou em -0,68%; e, em agosto, em -0,36%.

O indicador prévio, (IPCA-15), divulgado há duas semanas, já apontava que a taxa mensal viria no campo negativo, ao ficar em -0,37%.

No ano, a inflação acumulada até setembro é de 4,09% – e, nos últimos 12 meses, de 7,17% –, ainda bem acima da meta do governo para 2022.

Miriam Leitão sobre deflação: 'Boa notícia'Miriam Leitão sobre deflação: 'Boa notícia'

Mais uma vez, a redução no preço dos combustíveis, sobretudo da gasolina, foi o que mais contribuiu para a redução de preços no país.

"Se o preço da gasolina tivesse se mantido estável, a gente não teria tido deflação nestes três meses. Em setembro, em particular, retirando a gasolina do índice e a redistribuindo, o país teria tido inflação de 0,15%", afirmou o gerente da pesquisa.

Kislanov enfatizou que a gasolina é o item que, individualmente, mais tem o maior peso sobre o IPCA e, por isso, mais tem contribuído para o indicador no campo negativo nos últimos três meses.

Economista explica impacto da deflação de 0,29% em setembro no bolso do consumidorEconomista explica impacto da deflação de 0,29% em setembro no bolso do consumidor

Alta de preços menos disseminada

Embora a deflação venha sendo provocada pelo preço da gasolina, menos produtos têm registrado aumento de preços. O índice de difusão do IPCA passou de 65% em agosto para 62% em setembro. Isso significa que, dos 379 produtos e serviços investigados pelo IBGE para composição do indicador, 234 tiveram alta na média de preços, 12 a menos que em agosto.

Segundo o gerente da pesquisa, foi o menor índice de difusão desde agosto de 2020, quando ficou em 55,4%.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, quatro tiveram deflação em setembro, sendo a mais intensa observada no grupo Comunicação. No entanto, a do grupo Transportes, embora menos intensa, foi a que mais contribuiu para a queda do índice geral.

Veja o resultado para cada um dos grupos que compõem o IPCA:

  • Artigos de residência: -0,13%
  • Alimentação e bebidas: -0,51%
  • Transportes: -1,98%
  • Comunicação: -2,08%
  • Educação: 0,12%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,57%
  • Habitação: 0,60%
  • Despesas pessoais: 0,95%
  • Vestuário: 1,77%
Transportes lidera a deflação

O grupo dos transportes contribuiu com -0,41 ponto percentual (p.p.) no IPCA de setembro. Segundo o gerente da pesquisa, isso se deve à queda nos preços dos combustíveis, por conta do peso deles sobre o indicador.

Com queda de 8,33%, a gasolina exerceu o impacto individual mais intenso, de -0,42 p.p. Os outros três combustíveis pesquisados também tiveram queda nos preços: etanol (-12,43%), óleo diesel (-4,57%) e gás veicular (-0,23%).

"O etanol, mesmo tendo um preço livre, acaba acompanhando a gasolina, pois é um produto substituto, destacou Kislanov.

No grupo de transportes, houve ainda o recuo nos preços das motocicletas (-0,08%), dos automóveis novos (-0,15%) e dos automóveis usados (-0,38%), que haviam subido em agosto.

Alimentação cai pela 1ª vez no ano

Os preços médios de alimentação e bebidas tiveram queda de 0,51%, depois de terem subido 0,24% em agosto. Foi a primeira deflação para este grupo desde novembro do ano passado, quando ficou em -0,04%, e a mais intensa desde maio de 2019, quando ficou em -0,56%.

O gerente da pesquisa destacou que os alimentos vinham apresentando alta de preços constantes desde o começo do ano, inclusive em patamares elevados, como em março (2,42%) e abril (2,06%).

Segundo Kislanov, o leite longa vida foi o que mais pesou na deflação do grupo de alimentos e bebidas em setembro. Com queda de -13,71%, ele contribuiu com -0,15 p.p. no resultado do mês. Apesar da queda, o item ainda tem alta de 36,93% no acumulado dos últimos 12 meses.

O leite vinha subindo muito nos últimos 12 meses, especialmente em 2022, por conta do período de entressafra, a partir de março e abril, mas também por causa da guerra da Ucrânia, que aumentou muito o preço dos insumos agrícolas. Agora, com o final do período de entressafra e a volta das chuvas, aumentou a oferta do produto no mercado, o que gerou uma queda nos preços, explicou o pesquisador.

Outro destaque em setembro foi a queda de 6,27% no preço médio do óleo de soja, cuja "explicação vem da redução do preço da soja no mercado internacional, que está caindo desde o final de junho", segundo Kislanov.

Considerando o índice de difusão, em setembro, 58% dos alimentos e bebidas pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preços, abaixo dos 59% observado em agosto.

Entre os alimentos com aumento, o maior destaque é a cebola, com alta de 1,22%. Nos últimos 12 meses, ela subiu mais de 120%.

O que está causando essa alta no preço da cebola é o fato de a produção do Nordeste estar aquém do esperado, aliada a uma redução da área de plantio, destacou o gerente da pesquisa.

Inflação só na Grande Vitória

Das 16 regiões do país pesquisadas pelo IBGE para a composição do IPCA nacional, apenas Vitória registrou inflação em setembro. Segundo o IBGE, a alta na capital capixaba foi puxada pelos reajustes de 13,01% na taxa de água e esgoto e de 4,95% na energia elétrica residencial.

A deflação mais intensa entre as 15 áreas com IPCA negativo em setembro intensa foi registrada na região metropolitana de Fortaleza. A menos intensa foi em Belém.

Acumulado acima do teto

O Banco Central já admitiu oficialmente, porém, que a meta de inflação será descumprida em 2022 pelo segundo ano seguido. Em 2021, a inflação fechou em 10,06%, bem acima do teto da meta (5,25%), representando o maior aumento desde 2015.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2022 é de 3,5% e só será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 2% e 5%.

Os indicadores acumulados até setembro deste ano, entretanto, estão em patamares mais baixos. O IPCA acumulado no ano ficou em 4,09% – e o acumulado em 12 meses é de 7,17%. Em setembro do ano passado, esses índices ficaram, respectivamente, em 6,90% e 10,25%.


Inflação sobre serviços acelera

A queda na média de preços não atingiu os serviços, que acelerou – passou de 0,28% em agosto para 0,40% em setembro. Em 12 meses, os serviços acumulam alta de 8,50%, acima do IPCA geral.

De acordo com o gerente da pesquisa, o que mais contribuiu para isso foram o aumento de 8,22% nas passagens aéreas e de 6,14% nas tarifas de transporte por aplicativo. Em agosto, esses dois serviços haviam registrado queda de -12,07% e -1,06%, respectivamente.

Serviços relacionados com estética, como depilação, cabeleireiro e barbeiro e manicure, por exemplo, também tiveram grande contribuição para a inflação de serviços em setembro, destacou Kislanov.

Entre os serviços com queda na média de preços na passagem de agosto para setembro, destacam-se: plano de acesso à internet (-10,55%); combo de telefonia, internet e TV por assinatura (-2,70%); aluguel de veículo (-2,02%); e cinema, teatro e concertos( -1,31%).

Expectativas

Os economistas do mercado financeiro reduziram, nesta segunda-feira (10), de 5,74% para 5,71% a estimativa de inflação para este ano. Essa foi a 15ª queda seguida da estimativa para a inflação de 2022.

Quanto maior é a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário necessariamente acompanhe esse crescimento.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig ganham Nobel de Economia 2022

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Os pesquisadores foram premiados por estudos sobre os bancos e sua relação com as crises financeiras.
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Por g1

Postado em 10 de outubro de 2022 às 08h55m

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Membros da Real Academia Sueca de Ciências Tore Ellingsen, Hans Ellegren e John Hassler anunciam o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2022, durante coletiva de imprensa na Real Academia Sueca de Ciências em Estocolmo, Suécia. Os vencedores são Ben S Bernanke (EUA), Douglas W. Diamond (EUA) e Philip H. Dybvig (EUA). — Foto: TT News Agency/Anders Wiklund via REUTERS
Membros da Real Academia Sueca de Ciências Tore Ellingsen, Hans Ellegren e John Hassler anunciam o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2022, durante coletiva de imprensa na Real Academia Sueca de Ciências em Estocolmo, Suécia. Os vencedores são Ben S Bernanke (EUA), Douglas W. Diamond (EUA) e Philip H. Dybvig (EUA). — Foto: TT News Agency/Anders Wiklund via REUTERS

Os norte-americanos Ben S. Bernanke, Douglas W. Diamond e Philip H. Dybvig foram premiados nesta segunda-feira (10) com o prêmio Nobel de Economia 2022.

Os pesquisadores foram premiados pelos estudos sobre bancos e sua relação com as crises financeiras.

Ben S. Bernanke, de 68 anos, foi presidente do Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) de 2006 a 2014 e trabalha na The Brookings Institution, em Washington, EUA. Ele é especializado em bancos e crises financeiras.

Douglas W. Diamond, de 68 anos, é professor de finanças, crise financeira e liquidez da Universidade de Chicago, também nos EUA.

Philip H. Dybvig, de 67 anos, é professor de bancos e finanças na Universidade de Washington.

Eles desenvolveram modelos teóricos que explicam por que os bancos existem, como seu papel na sociedade os torna vulneráveis ​​a rumores sobre seu colapso iminente e como a sociedade pode diminuir essa vulnerabilidade.

"O trabalho pelo qual Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig estão sendo reconhecidos foi crucial para pesquisas subsequentes que melhoraram nossa compreensão sobre bancos, regulamentação bancária, crises bancárias e como as crises financeiras devem ser gerenciadas", informou a Real Academia de Ciências da Suécia.

Além disso, o prêmio reconheceu os três economistas por terem melhorado significativamente a compreensão do papel dos bancos, particularmente durante crises financeiras, e também sobre como regular os mercados financeiros e por que evitar colapsos de bancos é vital para a economia.

Os pesquisadores receberão o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 900 mil), dividido igualmente pelos três.

Nobel de Economia 2022 vai para Ben S. Bernanke, Douglas W. Diamond e Philip H. Dybvig
Nobel de Economia 2022 vai para Ben S. Bernanke, Douglas W. Diamond e Philip H. Dybvig

Como bancos mexem com a economia

Os premiados no Nobel de Economia de 2022 — Foto: Reprodução
Os premiados no Nobel de Economia de 2022 — Foto: Reprodução

Usando fontes históricas e métodos estatísticos, a análise de Bernanke mostrou quais fatores foram importantes na queda do Produto Interno Bruto (PIB). Ele descobriu que fatores diretamente ligados a bancos que entraram em falência foram responsáveis ​​pela maior parte dessa queda.

Ben Bernanke analisou ainda a Grande Depressão da década de 1930 e mostrou como as corridas bancárias foram um fator decisivo para que a crise se tornasse tão profunda e prolongada.

"A pesquisa apresentada pelos laureados deste ano reduz o risco de crises financeiras se transformarem em depressões de longo prazo com graves consequências para a sociedade, o que é do maior benefício para todos nós", informou a organização do prêmio.

De acordo com Real Academia de Ciências da Suécia, Diamond mostrou como os bancos desempenham uma função socialmente importante. Como intermediários entre poupadores e mutuários, os bancos são mais adequados para avaliar a qualidade de crédito dos mutuários e garantir que os empréstimos sejam usados ​​para bons investimentos.

Diamond e Dybvig apresentaram ainda uma solução para a vulnerabilidade bancária, na forma de seguro de depósito do governo. Quando os correntistas sabem que o Estado garante seu dinheiro, eles não precisam mais correr para os bancos assim que começam os rumores sobre possíveis quebradeiras ou corridas bancárias.

Descobertas melhoraram a forma de lidar com crises financeiras

A pesquisa de Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig começou no início dos anos 1980 buscando esclarecer a razão da existência dos bancos, como torná-los menos vulneráveis ​a crises e como os colapsos bancários exacerbam essas crises financeiras.

Para que a economia funcione, a poupança deve ser canalizada para investimentos. No entanto, os poupadores querem acesso instantâneo ao seu dinheiro em caso de gastos inesperados, enquanto as empresas e os proprietários precisam saber que não serão forçados a pagar seus empréstimos.

Diamond e Dybvig mostram como os bancos oferecem uma solução para esse problema. Atuando como intermediários que aceitam depósitos de muitos poupadores, os bancos podem permitir que os depositantes acessem seu dinheiro quando quiserem, ao mesmo tempo em que oferecem empréstimos de longo prazo aos tomadores.

No entanto, a análise também mostrou como isso torna os bancos vulneráveis ​​a rumores sobre seu colapso iminente. Se um grande número de poupadores correr simultaneamente para o banco para retirar seu dinheiro, o boato pode se tornar uma profecia auto-realizável – ocorre uma corrida ao banco e o banco entra em colapso.

Segundo eles, essas dinâmicas podem ser evitadas se o governo fornecer seguro de depósito e atuar como credor de última instância para os bancos.

Diamond demonstrou como os bancos desempenham outra função socialmente importante. Como intermediários entre muitos poupadores e mutuários, os bancos são mais adequados para avaliar a qualidade de crédito dos mutuários e garantir que os empréstimos sejam usados ​​para bons investimentos.

Com a análise da Grande Depressão, reconhecida como a pior crise econômica da era moderna por Bernanke, o economista demonstrou o efeito decisivo dos saques nos bancos no aprofundamento e prolongamento da crise que se instalou na época.

Quando os bancos entraram em colapso, informações sobre os mutuários foram perdidas e não puderam ser recuperadas rapidamente. A capacidade da sociedade de canalizar a poupança para investimentos produtivos foi severamente diminuída.

Os insights dos laureados melhoraram nossa capacidade de evitar crises sérias e resgates caros, afirmou Tore Ellingsen, presidente do Comitê do Prêmio em Ciências Econômicas.

Os outros vencedores do prêmio Nobel deste ano foram:

Vencedores mais velhos e apenas duas mulheres

Até agora, somente duas mulheres foram laureadas no prêmio. Em 2019, o prêmio foi atribuído a um trio de pesquisadores especializados no combate à pobreza, os americanos Abhijit Banerjee e Michael Kremer e a franco-americana Esther Duflo, segunda mulher distinguida na disciplina e a mais jovem laureada da história deste prêmio, na época com 46 anos.

A primeira mulher a ganhar o Nobel de Economia foi a norte-americana Ellinor Ostrom, em 2009 (veja lista dos últimos ganhadores abaixo).

Economia tem sido, até agora, o Nobel onde o perfil do futuro vencedor é o mais fácil de adivinhar: homem com mais de 55 anos de nacionalidade americana.

Nos últimos 20 anos, três quartos deles se enquadram nessa descrição. A média de idade dos vencedores também é superior a 65 anos, a maior entre os seis prêmios.

O prêmio

O prêmio de Economia, oficialmente chamado de "Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel", foi criado em 1968 e concedido pela primeira vez em 1969.

A homenagem não fazia parte do grupo original de cinco prêmios estabelecidos pelo testamento do industrialista sueco Alfred Nobel, criador da dinamite. Os outros prêmios Nobel (Medicina, Física, Química, Literatura e Paz) foram entregues pela primeira vez em 1901.

O Nobel de Economia é o último concedido este ano. Os prêmios de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz já foram anunciados nos últimos dias.

Embora seja o prêmio de maior prestígio para um pesquisador em economia, o prêmio não adquiriu o mesmo status das disciplinas escolhidas por Alfred Nobel em seu testamento de fundação (Medicina, Física, Química, Paz e Literatura) - seus detratores zombam dele como um "falso Nobel" que representa economistas ortodoxos e liberais.

Últimos ganhadores do Nobel de Economia

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domingo, 9 de outubro de 2022

Os corpos preservados em pântanos que podem revelar mistério de sacrifícios humanos na Europa

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Corpos excepcionalmente bem preservados do mundo antigo costumam aparecer na superfície dos pântanos do norte da Europa – e o mais estranho é a assustadora forma das suas mortes.
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TOPO
Por BBC

Postado em 09 de outubro de 2022 às 08h00m

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Atenção: esta reportagem contém detalhes que podem ser sensíveis para alguns leitores.

Corpos da Idade do Ferro em bom estado de conservação foram encontrados em toda a Europa, incluindo os restos do Homem de Oldcroghan (foto), na Irlanda.  — Foto: Alamy via BBC
Corpos da Idade do Ferro em bom estado de conservação foram encontrados em toda a Europa, incluindo os restos do Homem de Oldcroghan (foto), na Irlanda. — Foto: Alamy via BBC

Em maio de 1983, Andrew Mould encontrou um objeto sólido arredondado, enterrado na turfa em um pântano chamado Lindow Moss em Cheshire, no noroeste da Inglaterra. O objeto lembrava uma antiga bola de futebol feita de couro, mas um olhar mais atento revelou que se tratava de algo muito mais assustador.

"Nós limpamos tudo e sabíamos que era um crânio", segundo Mould. No seu interior, havia até uma substância amarelada que ele soube depois que se tratava dos restos do cérebro.

Encontrar restos humanos no pântano não é totalmente uma surpresa. Há séculos existem relatos de partes de corpos vindas à superfície em pântanos similares a Lindow Moss em todo o norte da Europa.

O corte de turfa era o negócio familiar de Mould. Muitos dos seus parentes trabalhavam no pântano e ele viajava para Lindow Moss desde que era criança para ver seu pai cortar a turfa.

Mould já havia lido sobre esses casos e ele próprio havia encontrado "pedaços" de corpos durante o seu trabalho, mas este caso era diferente. Ele então fez o que a maioria das pessoas faria e informou a polícia.

Havia já mais de 20 anos que a polícia de Cheshire suspeitava que um morador local, Peter Reyn-Bardt, teria assassinado sua esposa Malika de Fernandez, mas o corpo dela nunca havia sido encontrado. Encontrar um corpo, ou parte dele, vindo à superfície no pântano próximo poderia finalmente encerrar o caso.

E, quando a polícia de Cheshire contou a Reyn-Bardt que o crânio de uma mulher havia sido desenterrado em Lindow Moss, ele confessou ter matado sua esposa. "Foi há tanto tempo que eu achei que nunca seria descoberto", disse ele aos investigadores.

O que Reyn-Bardt não sabia é que o crânio não era da sua esposa morta. Na verdade, ele pertenceu a uma mulher que havia vivido cerca de 1.600 anos antes. Por isso, enquanto a polícia encerrava um caso, os arqueólogos abriam outro, muito mais misterioso.

Nas profundezas aquosas ácidas do pântano, com baixo teor de oxigênio, bactérias e outros micro-organismos não conseguem decompor tecidos orgânicos. Por isso, restos biológicos permanecem efetivamente em suspensão por milhares de anos.

No caso da Mulher de Lindow, como ela ficou conhecida, o pântano chegou a preservar até um globo ocular, além do seu cérebro.

Existem muitos outros como ela. Em todo o norte da Europa, o mesmo processo que transforma musgos em turfa conserva restos humanos na forma de corpos do pântano.

Essas pessoas vêm sendo enterradas em pântanos da Irlanda até a Alemanha desde o ano 2000 a.C. - embora tenham sido encontrados esqueletos sem tecidos moles que foram datados até 8500 a.C.

Os arqueólogos suspeitam que haja algo de incomum em muitos dos corpos dos pântanos, além da sua extraordinária preservação.

Ser enterrado naquele período da história não era comum. Os enterros formais eram raros na Europa durante a Idade do Ferro. Os mortos muitas vezes eram cremados, recebiam funerais a céu aberto ou uma série de práticas diversas e criativas.

Muitos dos corpos do pântano eram de jovens adultos, adolescentes e crianças, aparentemente em forma e saudáveis. Alguns estavam nus, exceto por algum pedaço de corda, chapéu ou casaco bem preservado. Às vezes, as roupas eram enterradas separadamente dos corpos em locais próximos no pântano.

Mas, acima de tudo, muitos dos corpos haviam sofrido mortes extremamente violentas. E, como os métodos de exame forense dos corpos do pântano avançaram rapidamente nos últimos anos, estamos começando a descobrir os mistérios sobre esses corpos e quem eles eram, na vida e na morte.

Depois da Mulher de Lindow, outra descoberta feita ao acaso no mesmo pedaço de turfa ajudou a reformular o estudo de corpos do pântano na Europa. A descoberta foi feita por alguém que já é nosso conhecido - novamente, Andrew Mould.

No verão seguinte à descoberta da Mulher de Lindow, Mould estava trabalhando na esteira da máquina de moer turfa quando um torrão sólido escuro caiu aos seus pés.

"Pensamos inicialmente que fosse um pedaço de madeira do pântano", relembra Mould. Mas, quando ele pegou o torrão, sentiu o que parecia ser o couro de uma bolsa.

Ele mostrou para um colega. "Foi aí que limpamos um pouco e vimos as unhas dos dedos dos pés."

Nos dias que se seguiram, uma cabeça inteira e o dorso foram cuidadosamente escavados (mesmo que, desta vez, a polícia de Cheshire não tenha resolvido nenhum outro caso pendente). O Museu Britânico concluiu que o corpo era de um homem na casa de 20 anos de idade, com cerca de 1,73 m e 64 kg, que havia vivido perto do século 1° d.C.

"O espetacular a respeito dele é que ele quase foi morto por três vezes", afirma Miranda Aldhouse-Green, professora emérita da Faculdade de História, Arqueologia e Religião da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, e autora do livro Bog Bodies Uncovered ("Corpos do pântano descobertos", em tradução livre).

"Ele recebeu uma morte prolongada muito específica por alguém que conhecia a anatomia humana", explica ela. "Ele foi atingido na cabeça com força suficiente para atordoá-lo, mas não matá-lo. Ele foi então estrangulado e, ao mesmo tempo, teve sua garganta cortada."

Por que um assassinato tão brutal? O excesso de violência usado para executar o Homem de Lindow indica algo muito mais incomum que um assassinato "normal", segundo Aldhouse-Green.

Lugares sagrados

Para entender o destino dos corpos do pântano, é preciso primeiro compreender o pântano na Idade do Ferro e na Europa do Império Romano.

"Nós consideramos os pântanos como espaços vazios", segundo Melanie Giles, professora sênior de arqueologia da Universidade de Manchester, no Reino Unido, e autora de Bog Bodies: Face to Face with the Past ("Corpos do pântano: cara a cara com o passado", em tradução livre). "Não é assim que as pessoas da Idade do Ferro os viam."

"Eles retiravam combustível do pântano, cortando turfa e retirando minério de ferro", explica ela. "Eles produziam instrumentos e armas como caldeirões e espadas. Eles retiravam o musgo e teciam artigos extraordinários com ele. Eles caçavam as aves que viviam ali. Os pântanos eram lugares ricos e produtivos para as pessoas da Idade do Ferro."

E existe o fato de que o pântano é uma região de fronteira, entre a terra e a água.

"Acho que os pântanos também são muito especiais porque eles são repletos de miasmas", afirma Aldhouse-Green. "Eles têm vapores que saem deles e, às vezes, entram em combustão espontânea. Eles podem ter odores fortes. Eles parecem terra, mas não são terra. Eles podem ter sido compreendidos como sendo portais para o outro mundo e portais para os deuses."

Até hoje, os pântanos elevados podem ser hipnotizantes, segundo Ole Nielsen, diretor do Museu Silkeborg em Hovedgården, na Dinamarca. Para ele, "realmente não é necessário fantasiar muito para imaginar que existem mais forças atuando do que você pode ver na realidade."

Giles afirma que análises detalhadas das vizinhanças do local onde foi encontrado o Homem de Lindow demonstraram que, muito provavelmente, ele estava vivo quando adentrou pela última vez naquele ambiente de passagem.

Usando dados do Sistema de Informações Geográficas (GIS, na sigla em inglês) para mapear o pântano, os pesquisadores concluíram que o Homem de Lindow foi enterrado na sua parte mais profunda.

Conduzir uma pessoa morta ou atordoada até aquele local teria sido extremamente difícil naquele terreno traiçoeiro. "Como é muito perigoso chegar até aquele ponto, provavelmente ele estava vivo enquanto era transportado", segundo Giles.

Os detalhes das suas lesões fatais apontam nessa direção. "O assassino era grande conhecedor da anatomia humana e sabia como manter aquela pessoa pairando entre a vida e a morte por muito tempo", explica Aldhouse-Green. "Quando ele foi empurrado com o rosto para baixo contra o pântano, ele ainda estava respirando, pois havia água nos seus pulmões."

Última refeição

Outros sinais vêm do estômago do Homem de Lindow. Análises meticulosas da sua última refeição revelam um prato muito simples à base de cevada, talvez um pouco torrado demais.

"A última coisa que ele comeu antes de morrer foi um alimento realmente muito simples", segundo Sophia Adams, curadora do Período da Idade do Ferro Europeia e da Conquista Romana do Museu Britânico. "Ele comeu o que chamamos de pão na chapa."

A falecida acadêmica celta Anne Ross, que realizou importantes trabalhos iniciais com o Homem de Lindow, argumentava que esse pão na chapa, feito de cevada e parcialmente queimado, revela algo sobre o seu destino.

Entre as classes sacerdotais britânicas daquela era, o pão na chapa era usado em uma cerimônia muito similar ao jogo dos palitos. As pessoas retiravam pedaços de pão na chapa de um saco e quem tirasse o pedaço queimado e torrado era escolhido como bode expiatório.

E o pão na chapa do Homem de Lindow também continha traços de outra planta denunciadora: o visco. Ross argumenta que isso indica relação com os antigos druidas, que eram conhecidos por realizar rituais de coleta de visco.

Aldhouse-Green destaca que o visco era conhecido na Antiguidade como planta medicinal para distúrbios nervosos e "pode ter sido administrado ao homem de Lindow para acalmá-lo e deixá-lo mais submisso frente à sua morte terrível".

Outros corpos do pântano também contam últimas refeições incomuns. Um corpo dinamarquês conhecido como Homem de Grauballe é o de um agricultor da Idade do Ferro que viveu em cerca de 390 a.C., no centro da Dinamarca.

Sua última refeição incluiu mais de 60 tipos diferentes de vegetais, amassados em um mingau intragável de cereais, ervas com sabor amargo e mais de 13 espécies de grama.

"Você tem muitas sementes e plantas de uma área bastante ampla reunidas nessa refeição, o que indica muito conhecimento daquele território e sugere que era um ritual representado no sacrifício", afirma Aldhouse-Green. "Mas você pode interpretar esta última refeição de uma infinidade de formas. Pode também ter sido uma forma de humilhação."

O Homem de Grauballe também teve uma substância psicoativa acrescentada à sua última refeição - mas, neste caso, a intenção pode ter sido qualquer uma, menos de acalmá-lo.

Traços de toxinas alcaloides no intestino revelaram que sua última refeição incluiu o esporão-do-centeio, um fungo que cresce nas espigas de cereais como centeio e cevada. Em doses altas, o envenenamento com esse fungo causa alucinações e efeitos terríveis, conhecidos como Fogo de Santo Antônio. Eles incluem parada circulatória, sensação de queima e perda das extremidades por gangrena.

Mas, nos níveis encontrados no trato digestivo do homem de Grauballe, o efeito teria sido mais suave.

"Ele pode ter causado um comportamento muito estranho logo após a ingestão", afirma Aldhouse-Green. "O fungo teria feito com que ele fizesse movimentos desordenados, sentisse muito calor e gritasse. Ele estaria à beira de um fenômeno psicótico extremo e, possivelmente, isso era parte das preliminares rumo ao sacrifício."

Na Idade do Ferro, os pântanos elevados eram repletos de ricos recursos, desde turfa para queima como combustível até minério de ferro para fazer caldeirões, escudos e armas.  — Foto: Alamy via BBC
Na Idade do Ferro, os pântanos elevados eram repletos de ricos recursos, desde turfa para queima como combustível até minério de ferro para fazer caldeirões, escudos e armas. — Foto: Alamy via BBC

Características distintas

Entre os corpos descobertos nos pântanos, existe um alto percentual de pessoas com características físicas diferentes que podem ter chamado a atenção na sua comunidade, segundo Miranda Aldhouse-Green.

A Menina de Yde, por exemplo, que viveu 2 mil anos atrás e morreu no pântano de Stijfveen, na Holanda, tinha curvatura pronunciada da espinha, que deve ter causado dores crônicas e provavelmente um andar cambaleante.

Outro corpo do pântano holandês da mesma época, a Mulher de Zweeloo, tinha uma forma de nanismo. E, no Reino Unido, o terceiro corpo antigo encontrado em Lindow Moss (conhecido como Lindow III) tinha um vestígio de um segundo polegar na mão direita.

"Existe a possibilidade de que as deficiências físicas não fossem exatamente comemoradas, mas sim marcadas como algo especial e poderoso, possivelmente associado a ser tocado ou abençoado pela divindade", afirma Aldhouse-Green.

Mas ela salienta que não podemos ter certeza de como as diferenças físicas eram percebidas na Antiguidade e essas teorias são apenas especulativas.

Ética na exibição

Os corpos dos pântanos da Europa têm sido frequentemente exibidos em museus após sua escavação e preservação cuidadosa.

Mas surgiram controvérsias sobre a exibição pública dos corpos. Uma exibição itinerante em Ottawa, no Canadá, enfrentou reações negativas por exibir os restos humanos.

Melanie Giles, da Universidade de Manchester, argumenta que a exibição criteriosa dos restos humanos pode ajudar a criar emoções íntimas e laços sociais entre os corpos dos pântanos e as pessoas que os observam.

Ritual da morte

Talvez o rosto mais bem preservado de todo o mundo antigo seja o do Homem de Tollund, um corpo do pântano encontrado na Dinamarca em maio de 1950. Atualmente, ele repousa em posição fetal no Museu Silkeborg.

Como ocorre com muitos desses corpos, os ácidos do pântano transformaram a cor da sua pele em um tom preto-azulado. Seus pelos e cabelos ficaram com cor laranja brilhante, embora ele esteja usando um chapéu de pele de carneiro que cubra a maior parte.

Todas as linhas finas e quase todos os poros da pele são visíveis. Suas pálpebras enrugadas estão fechadas, dando a ilusão de um sono pacífico.

"Você consegue realmente conhecer essa pessoa", afirma Ole Nielsen. "O rosto é a parte do corpo que detém a maior expressão do corpo humano. E é realmente fascinante conhecer um homem da Idade do Ferro, com mais de 2 mil anos de idade, que parece poder despertar a qualquer momento."

Além do seu chapéu de pele de carneiro, o Homem de Tollund foi enterrado vestindo apenas um cinto de tecido na cintura e uma corda em volta do pescoço.

"Se ele estivesse vestido com alguma roupa de lã, ela teria sido preservada, sem dúvida", segundo Nielsen. Os ácidos do pântano preservam colágeno e queratina, que estão presentes em materiais como a lã. "Os seus cabelos ainda estão ali, suas unhas estão ali."

Também não há marcas de roupas na superfície da pele do Homem de Tollund.

"Nós realmente examinamos seu corpo com muito cuidado, usando microscópios. Ainda existem muitas folhas de musgo que podem ser observadas no corpo, mas nada que indique que houvesse alguma outra coisa sobre ele. Por isso, provavelmente ele foi morto como nós o vemos. É realmente muito inusitado vê-lo nu com um chapéu", explica Nielsen.

No seu conjunto, as condições do homem de Tollund indicam um ritual da morte. "Para o sacrifício, ele foi barbeado e colocado no pântano com a corda do enforcamento", destaca Nielsen.

Ele acredita que deixar a corda com o corpo seja simbólico, já que até um objeto simples como uma corda tinha valor e podia ser usado novamente.

"Ela provavelmente foi deixada como um sinal", afirma Nielsen. "Sua função era ser colocado no pântano porque tinha aquele propósito. Se ele foi voluntário ou escolhido ao acaso, nós não sabemos. Mas ele não parece tão insatisfeito."

Presentes para os deuses

A ideia de seguir voluntariamente para uma morte tão tenebrosa é difícil de entender para uma mente do século 21, mas pode não ter sido tão bizarra para as pessoas que viviam na Idade do Ferro.

"Precisamos pensar em um mundo em que os deuses estão em toda parte. Tudo o que você fizer é associado aos deuses", afirma Aldhouse-Green. Por isso, manter os deuses felizes pode ser questão de vida e morte não só para os indivíduos, mas para comunidades inteiras.

"Se você aborrecesse os deuses, eles dariam uma colheita fraca, uma praga, as safras seriam perdidas e assim por diante. E você precisava ter os deuses do seu lado", explica Miranda Aldhouse-Green.

Melanie Giles concorda. "Você está lidando com entidades que influenciam a sua vida, deuses ou espíritos, existe algo sobrenatural ali e se pode ter acesso pelo pântano", afirma ela.

Giles acrescenta que pode ter havido um elemento circular para a oferenda de pessoas aos deuses pelo pântano. "Como as pessoas tiravam muito dos pântanos, elas parecem ter sido compelidas a devolver alguma coisa." Às vezes, eram caldeirões, às vezes havia oferendas de alimentos como manteiga do pântano.

"Se você ofertar uma pessoa, uma vida - talvez fosse o melhor tipo de oferenda que você poderia fazer", explica Giles.

Embora existam evidências de que o Homem de Lindow, o Homem de Tollund, o Homem de Grauballe e outros fossem sacrifícios humanos, Giles ressalta que não devemos considerar que todos os corpos dos pântanos fossem oferendas. No caso de alguns corpos, como o da Mulher de Lindow, simplesmente não temos informações suficientes para formar um quadro convincente de como foi a sua morte.

"Existem alguns corpos que não exibem sinais de violência e essas pessoas podem ter simplesmente afundado", ressalta ela. "São locais perigosos. As pessoas morrem no pântano - elas morrem de exposição, morrem tentando cruzar o pântano, perdem seus calçados ou calculam mal onde estão andando. Algumas delas podem ter sido mortes acidentais."

Outros, segundo ela, podem ter sido simples assassinatos. Talvez o pântano deserto às vezes fosse apenas um local conveniente para atos abomináveis. E pode também ter havido vítimas de suicídio entre os mortos, talvez colocados ali em uma época em que essas mortes eram tratadas com medo e não com empatia.

"Os pântanos podem ter sido considerados o local certo para colocar um corpo perigoso - alguém que morreu misteriosamente ou de forma não natural", afirma Giles.

"Parte disso tinha a ver com as declarações da igreja, de que não queria essas pessoas nos seus cemitérios. E parte disso porque o pântano é um local poderoso, além da visão humana, onde os mortos podem ser guardados", conclui ela.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-63135507

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